História Serendipity - Capítulo 6


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Rap Monster, Suga, V
Tags Jikook, Jikook!flex, Kookmin, Soulmate!au
Visualizações 77
Palavras 1.689
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Pansexualidade, Suicídio
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 6 - (Não) É Só Um Sorriso


 O som do mar era estranhamente conhecido por Jungkook á essa altura. Ele havia voltado para o precipício mas — dessa vez — as águas pareciam mais agitadas, quebrando com mais força. O céu também parecia mais escuro, as estrelas no mar brilhavam mais do que as do céu e o Jeon se preocupava com isso.

— Jimin? 

Andou para frente, sentindo as gotas geladas tocarem seus pés com delicadeza. Ignorou a ardência nos dedos por causa dos machucados e caminhou até o rosado, que continuava estático na beira. 

— Jungkook-ah? — Jimin se virou minimamente, o olhando de relance por alguns segundos antes de voltar a olhar lá para baixo. — Vá embora.

— Não — Respondeu imediatamente, andando com o passo mais acelerado até o mais velho. — Eu não vou sair daqui sem você. 

O Park estava de costas, mas mesmo assim, o moreno percebeu que ele chorava baixinho. 

Jungkook se aproximou, enrolando os braços ao redor da cintura de Jimin e o puxando para mais perto de seu peito. Escondeu a cabeça na curva entre o pescoço e o ombro do menor, o coração batendo forte em um aperto indescritível. 

Jimin cobriu a face com as mãos pequeninas, a respiração descompassada e os soluços eram como ouvir o desespero.

— Por favor, não faça isso — Jungkook pediu.

O mais novo tinha uma regra interna de não dizer por favor para nada, pois pensava que se tivesse que implorar por algo, aquilo na verdade não valeria a pena. Mas lá estava ele, com os braços ao redor de Jimin, quase implorando de joelhos para que não se matasse. 

— Por que não faria? Eu procuro abismos até em flores, Jungkook. — Apesar de estar contrariando o moreno, o rosado entrelaçou a mão com a dele por cima de sua cintura. — Você não precisa de mim aqui, só está com pena, certo? 

Era um abraço torto, quebrado e completamente cheio de sentimentos. Era tudo que eles tentavam evitar, mas nenhum se atrevia a soltar um ao outro. 

— Pare de se diminuir e me escute — o Jeon olhou para o mar por cima do ombro, quase ficando tonto com a vista. Se concentrou em Jimin, em como não queria cometer o mesmo erro de antes de não salvá-lo. — Eu preciso de você aqui perto de mim...

— Por quê?

— Você foi o primeiro a acreditar em mim, a ver qualidades que sequer enxergava antes. Isso é importante pra mim, você é importante. — Respirou fundo e apertou o rosado, não sabendo se era por causa do frio ou pela necessidade de tê-lo perto. 

Jungkook estava praticamente esmagado nas costas de Jimin, completamente colado. Seus braços seguravam o mais velho com tanta firmeza que quase não parecia que até seus ossos tremiam. Não entendia essa conexão que tinha com o mais baixo, não queria se aproximar mas também odiava se afastar. Essa bipolaridade, dualidade de seus sentimentos era o que mais lhe confundia. Porém, não deixaria essa confusão arruinar Jimin.

— Eu fiz tantas coisas erradas, Jungkook. Se você soubesse tudo, não estaria aqui agora. Não me abraçaria desse jeito, não precisaria de mim, assim como todos — Choramingou entre soluços, sentindo algo molhando sua camiseta. Imaginou que o Jeon chorava também.

— Te garanto que vou continuar te abraçando assim e minha necessidade de te ter vai ser a mesma. Nada vai mudar a visão que eu tenho de você... Só por favor, Jimin... Não se mate. 

O mais velho não respondeu, trincou os dentes e fechou os olhos, respirando fundo para tentar se acalmar. Jungkook estava mexendo com algo dentro de si, fazia uma bagunça enorme em seus pensamentos. 

Quando o mais novo pedia assim, Jimin tinha uma vontade descomunal de deixar tudo para trás e somente seguí-lo para aonde quer que fosse. Não é como se todos os problemas desaparecessem com Jungkook, porém a sua presença já ajudava muito. 

Ter alguém que lhe fazia se sentir confiante, especial... Era impossível antes de conhecer aquele garoto com um sorriso de coelho. Era impressionante o efeito que Jungkook tinha sob si. Ele conseguiu derrubar todas as suas barreiras com um abraço e algumas palavras, conseguiu tocar Jimin de uma forma mais profunda que do somente um toque de peles. 

— Você tem que acordar...— Jimin secou as lágrimas com a manga da blusa folgada, tentando mudar de assunto. — Eu vou ficar aqui por mais um tempo...

— Já disse que só saio daqui com você.

— Kookie, não precisa...

Jungkook foi o soltando devagar, como se estivesse com medo de Jimin fazer alguma besteira. O rosado não admitiria, mas sentiu falta do abraço do Jeon quando o aperto afrouxou completamente.  

O Park esperava que o moreno fosse embora, já que ele era sempre o primeiro a acordar. Mas pelo contrário do que imaginou, Jungkook se sentou na beirada do precipício com os pés balançando suavemente no ar. Fez um sinal para que o mais velho se sentasse ao seu lado, e assim o fez.

— Eu sei como é se sentir deslocado. Sei como é ser humilhado e entendo como o que as pessoas falam te afeta, mas você não é um monstro. — Jungkook quase se esqueceu o que ia dizer quando encarou o Park. 

Seus olhos estavam inchados e arregalados, as mãozinhas inquietas, o rosto corado. Se assemelhava á uma criança curiosa, que acabou de descobrir um fato muito importante sobre o mundo. 

— Às vezes, eu não te entendo, Jungkook. — Jimin olhava para as estrelas no céu para não ter que ver o mais novo. 

— Por que não? — Arqueou a sobrancelha, confuso. 

— Em um mundo onde ninguém entende, é bom encontrar alguém que finalmente sabe como é. Você não me julga, não me despreza... Isso é novo pra mim — Coçou a nuca e agradeceu por estar escuro, pois assim o Jeon não veria suas bochechas queimando. 

Mal sabia ele que Jungkook estava na mesma situação.

A sensação era estranhamente boa e familiar, tudo que não deveria ser. Era nostálgico, o moreno pensava que talvez já tinha passado pela situação antes.

— Você também sente isso? — Jimin perguntou baixinho. — Essa vontade de... — Parou na metade da frase porque o Jeon o desconcentrou. Não exatamente o moreno em si, mas seus lábios. Maldita boca. Por algum motivo, Jungkook resolveu que morder os lábios seria uma boa idéia, e isso simplesmente tirou o chão de Jimin.

— Vontade de quê? — O mais novo questionou, rindo com a face vermelha do mais velho. 

Sequer Jimin entendia de onde veio aquele impulso, mas queria beijar Jungkook. Tê-lo assim era como um convite mudo para que suas bocas se encontrassem.

— E-Eu... Deixa pra lá — O rosado virou o rosto para o lugar oposto, ouvindo uma risada baixa do mais alto. — Você vai ficar aqui até quando?

— Você está me expulsando do meu próprio sonho? — Jungkook choramingou, colocando uma mão no peito de uma forma desnecessariamente dramática. 

— Esse sonho também é meu! — Jimin deu um soco no seu ombro. — E não, é porque a gente não sabe como isso funciona, então não sei quanto tempo podemos ficar aqui.

— Provavelmente a noite toda. É um sonho, então pode durar o quanto quisermos — O moreno sorriu. 

— O que vamos fazer a noite toda? — Jimin proferiu, notando um sorriso malicioso do mais novo. 

— Temos muitas opções... Tipo eu e você, uma cama e...

— Nem pense em terminar essa frase, Jeon Jungkook!

— Mas, hyung... Você ficaria tão bonito na minha cama...— Brincou, mas lambeu os lábios ao imaginar o rosado daquela maneira. Foco, Jungkook. 

— Aish, você não tem piedade mesmo — Cruzou os braços, fazendo bico. — Eu quero acordar agora.

— Já? — O Jeon riu da expressão envergonhada do outro. 

— Quero te encontrar na vida real, esse lugar não é bom pra mim — Jimin olhou ao redor. Aquele mar lhe dava calafrios, trazia memórias ruins. 

— Aonde vamos nos encontrar? Está de noite lá fora também — Indagou. 

— Eu vou para a sua casa. Peço o endereço para o Hoseok, ele provavelmente tem — Jungkook não se perguntou o porquê do Park ter o número de Hoseok, já que raramente via os dois se falando, mas ignorou a sensação ardente no peito e deu de ombros. 

— Até daqui a pouco.

                      [ . . . ]

— O lugar varia por causa do medo e das memórias — Jimin passou pela porta de seu quarto como uma furacão. — O chão-mar é o meu ponto, porque tenho fobia de água. Não sei o que as estrelas são ainda, mas tenho certeza que o mar representa o medo. 

— E qual é o meu? — Jungkook se sentou nos lençóis. Eles tinham três cenários no total até agora: o mar, o campo e a casa. 

— Quando fomos para o campo, como você se sentia? — Jimin imitou o ato do Jeon e também se sentou. 

O mais novo pensou. Na época, estava curioso para entender quem era o menino suicida e ficou feliz por ajudá-lo. Lembrou-se que acordou chorando de alívio também. 

— Eu estava confuso, mas feliz porque te ajudei — Esboçou um sorriso pequeno que acelerou o coração fraco de Jimin. 

— Acho que os cenários mudam por causa das nossas emoções. Quem “controla” o sonho é quem tem a emoção mais forte no momento. Por exemplo, hoje quando chegamos, o mar estava agitado porque eu também estava — Adicionou. 

— Mas por que nós dois? A gente sequer se conhecia quando começamos a sonhar...

— Eu não sei...

Jimin bufou, jogando o corpo para trás em resposta. Olhou para o teto branco do quarto, logo em seguida fechando os olhos. Sentiu uma movimentação ao seu lado e uma sombra tapar a luz. Quando as pálpebras abriram-se, viu Jungkook o encarar com um ar de curiosidade e um sorriso enigmático nos lábios, que Jimin não conseguiu desvendar as intenções reais.

— Jungkook...? Por que está rindo?

— Eu sabia que você acabaria na minha cama!

— Cale a boca, seu idiota.

Era só um sorriso, mas foi o suficiente para desestabilizar o Park por inteiro.



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