História Serendipity - Capítulo 1


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Categorias Got7
Personagens BamBam, Jackson, JB, Jinyoung, Youngjae, Yugyeom
Tags 2jae, Choi Youngjae, Família, Familyau!, Im Jaebum, Jaebum!centric, Kid!yugyeom, Kim Yugyeom
Visualizações 147
Palavras 13.200
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Famí­lia, Fluffy, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Queria agradecer a Gi pela capa lindona!
Espero que vocês gostem dessa family!au que estava martelando na minha cabeça há um tempo e resolvi externá-la!
Tô muito feliz pelo desenvolvimento e os mais de 10k
◡‿◡✿

Capítulo 1 - Capítulo Único


Jaebeom estava no meio de uma gravação quando recebeu a ligação. Quando o celular vibrou em seu bolso pensou em ignorar a chamada, estavam quase completando a maratona de cinco dias no estúdio gravando o comeback do novo grupo da empresa, mas quem quer estivesse ligando era insistente. Naquele momento, por breves segundos, ele desejou que não tivesse atendido o telefone. Ele não registrou muito da chamada, só que sua madrasta havia morrido e que ele precisava ir tomar as decisões a respeito do velório e do garoto. O garoto. Jaebeom nem sequer o conhecia direito, sabia que tinha um irmão caçula, mas nunca havia o visto a não ser por foto e agora estava se tornando responsável pelo garoto. Tinha 11 quando seu pai casou novamente depois do divórcio com sua mãe. Não tinha muito contato com ele – não eram próximos nem quando seus pais eram casados - lembrava de ter ido a cerimônia e a festa e o visitava quando tinha datas comemorativas e feriados até ficar maior e não querer mais ir. Quando o velho morreu já tinha dezoito, foi na companhia de sua mãe apenas ao enterro e lembra de ter visto de relance um garotinho de quatro anos e cabelos cheinhos sentado no colo de sua madrasta, mas não falou com ela ou os deu atenção. Não se sentia parte daquela família, a vida que seu pai havia criado em outra casa não lhe pertencia, sua família eram sua mãe e seus amigos.

Mas agora estava ali, com uma família que nunca achou que fosse ter.

— As opções são as seguintes, senhor Lim. Você assina os papéis de adoção e passa a ser responsável legal pelo menor ou abre mão dele e vamos o encaminhar para uma casa de acolhimento e pra fila de adoção, mas ele já é grande, nessa idade é difícil achar pais adotivos.

A assistente social sentada à sua frente falou sem nenhum pingo de emoção na voz. Jaebeom assentiu mordendo o lábio inferior por puro nervosismo, ele sabia das opções, havia conversado com a sua mãe e ela havia dito que qualquer decisão tomada por si iria lhe apoiar. Mas ele não fazia ideia do que fazer, só tinha vinte e cinco anos, cuidar ou não de uma criança não deveria ser o tipo de decisão que devesse tomar com essa idade.

— Ele não tem outra família, por parte de mãe? Lembro que a JiAe tinha uma irmã mais nova — Ele murmurou. O relógio na parede atrás da mulher dizia já ser três horas da tarde, eles estavam ali há meia hora, e ele só queria ir embora. Mesmo sem nunca ter feito nada de errado na vida a não ser fumar um cigarro de maconha na faculdade, Jaebeom odiava prédios policiais, hospitais ou coisas do tipo.

— Infelizmente não, a irmã da senhora JiAe, a senhorita Kim Jieun, atestou ser incapaz de cuidar do menor. Você é a única família dele.

Menor. O garoto tinha nome, porque era tão difícil chamá-lo assim? Apesar que ele mesmo não havia ainda dito em voz alta. Jaebeom respirou fundo, a decisão que iria tomar ali iria mudar sua vida para sempre, no curto espaço de tempo antes de dar a resposta avaliou toda a sua vida e constatou que não estava pronto para ser responsável por outra pessoa.

Jaebeom saiu da sala com o documento de guarda provisória em mãos que dizia que a partir dali era responsável legal por Lim Yugyeom. Ele encontrou o garoto sentado em uma das cadeiras de plástico da recepção. Cabeça baixa encarando os chuck taylors que um dia foram brancos, ele não parecia em nada consigo, mas o garoto era a cara do seu pai.

— Hey garoto, vamos embora — Ditou parando de frente para ele e Yugyeom apenas o encarou com os olhos arregalados por baixo da franja.

— Pra onde? — Aquela era a primeira vez em que ouvia a voz do mais novo nos dois dias que havia ficado na sua presença.

— Pra casa.

E sem esperar por uma resposta Jaebeom voltou a andar louco para sair daquele prédio, nem ao menos olhou para trás para saber se estava sendo seguido, mas o barulho do tênis do mais novo contra o piso de linóleo lhe indicava que estava.

— Eu não vou pra um orfanato? — Yugyeom perguntou o fazendo parar na entrada do prédio do juizado de menores. Jaebeom o encarou por alguns segundos, ele era alto, quase do seu tamanho, não iria demorar para passá-lo em altura, e quem olhasse de fora não lhe daria doze anos, também era gordinho e Jaebeom podia apostar que suas bochechas cheinhas quando sorria eram seu charme.

— Não, por que você iria?

Jaebeom ditou e o garoto apenas deu ombros encarando o chão, ele também não esperou que ele elaborasse uma resposta e voltou a andar em direção ao seu carro, só queria dar o fora daquela cidade.
 

~세렌디피티~
 

— Como ficaram as coisas? — Jinyoung perguntou sentado ao seu lado no sofá os pés de ambos em cima da mesinha de centro, uma taça de vinho na mão. Seria como qualquer outro dia que seu melhor amigo viria para sua casa para jogar papo fora se não fosse o outro par de sapatos na entrada, o PlayStation conectado a sua televisão, a bicicleta e as roupas que não eram suas na área de serviço indicando que ali tinha um pré-adolescente.

— A casa está a venda, o dinheiro que conseguirmos com ela vou colocar numa poupança pra ele, o matriculei numa escola, a mesma que estudamos no fundamental, lembra? E marquei uma consulta com um psicólogo pra ele para a próxima segunda.

Ele suspirou tomando um gole de sua bebida.

— E vocês conversaram?

— Não, é por isso que marquei um psicólogo.

 — Vocês tem que conversar hyung, ele é seu irmão e você é tudo o que ele tem agora — Jaebeom fez uma careta. Como ele iria conversar com o garoto quando não tinham nenhum tipo de intimidade, o que ele poderia dizer? Desculpa pirralho, mas você vai ter que viver até a maioridade com um irmão da qual você nunca viu na vida, um estranho — Na real, me responde com sinceridade, como vão as coisas?

— Bem, eu acho. É estranho ter outra pessoa dentro de casa, mas ele é quieto, às vezes até esqueço que ele tá aí. E... Será que eu fiz a escolha certa Jinyoungie? Eu não sei fazer isso... Cuidar de alguém, não é a mesma coisa que cuidar dos meus gatos.

— Com certeza não é. Mas eu acho que foi a melhor decisão que você poderia tomar, vocês são uma família, e hyung, você não está sozinho. Tem a mim, sua mãe, minha mãe. Nós estamos aqui pra te ajudar.

 — Você vai ficar pro jantar?

Jaebeom perguntou e Jinyoung sorriu com a perspectiva de não precisar comprar algo para comer no caminho de volta pra casa.

— Você vai cozinhar?

— Vou.

Ele sorriu mais largo ainda se levantando do sofá e Jaebeom fez o mesmo com a intenção de ir para a cozinha.

 — Ótimo! Mas antes, me apresenta o seu irmão.
 

~세렌디피티~
 

Jaebeom nunca pensou muito em seu pai. O homem era uma figura que sinceramente nunca havia feito falta em sua vida, sua mãe era seu tudo. Mas quando o velho morreu, ele se sentiu arrependido por não ter insistido em fazer parte da vida do Lim mais velho, por não ter dado uma terceira chance a seu pai. E olhar para Yugyeom que era praticamente a cópia exata dele lhe fazia relembrar esses momentos. Também o fazia pensar que talvez, tivesse sido melhor ter feito parte da vida do garoto.
 

~세렌디피티~
    

Yugyeom não reclamou quando Jaebeom lhe disse que teria consulta com um psicólogo duas vezes na semana, também não falou nada quando o mais velho lhe mostrou uma lista de regras e tarefas que ambos deveriam fazer para uma boa convivência. Na verdade, ele não falava nada no geral, ficava apenas em seu quarto quando Jaebeom estava em casa e saia de lá só na hora das refeições. Mas pelo menos ele fazia as coisas, como lavar a louça e trocar a areia dos gatos e por falar em gatos os bichanos haviam o abandonado escolhendo passar a maior parte do tempo dentro do quarto do adolescente. Ele sabia que esse tipo de relação não era saudável, as aulas iriam começar e seu trabalho iria lhe exigir que ficasse mais tempo no estúdio, ele precisava conversar com o Yugyeom, mas esse era todo o problema, Jaebeom nunca fora bom em conversar.

“Querido, você só tem que falar com ele.”

— Eu sei mãe, mas é difícil. Como é que se fala com um adolescente?

Sua mãe no outro lado da linha riu, lhe dizendo que não fazia muito tempo que estava no mesmo barco. Jaebeom revirou os olhos aproveitando que ela não veria, ele não tinha sido o melhor dos adolescentes, mas pelo menos eles conversaram vez ou outra, ele tinha o Jinyoung, nem sabia se o Yugyeom tinha amigos.

“Procure alguma coisa que ele gosta, você está indo trabalhar, certo? Leva ele lá, mostra suas músicas, você vai se sair bem e não esqueça, no domingo quero os dois aqui na minha casa”

— Obrigado mamãe.

“Eu te amo, Jaebeom-ah, vai ficar tudo bem”
 

Jaebeom então decidiu seguir o conselho de sua mãe e seguiu até o quarto do mais novo. Ele bateu na porta, porém não recebeu nenhuma resposta e sem cerimônias entrou no quarto, indo direto para a janela abrir as cortinas e assim deixar o sol iluminar o ambiente. Yugyeom estava deitado na cama totalmente espalhado, com os fones no ouvido, o celular debaixo do travesseiro e o laptop aberto na escrivaninha que Jaebeom havia comprado pra ele em um jogo qualquer. Tinha roupas espalhadas pelo chão e uma de suas malas ainda não havia sido desfeita. Odd dormia na cadeira giratória em frente a escrivaninha.

— Yugyeom — Jaebeom chamou tocando de leve no ombro do garoto que abriu os olhos sonolento — Eu estou indo trabalhar, queria saber se você quer ir comigo.

Por um momento ele esperou o garoto negar, mas Yugyeom concordou com a cabeça se sentando na cama parecendo um tanto perdido.

— Certo, então se arruma que vamos sair em meia hora.

Yugyeom parecia mais acordado no carro, principalmente depois que Jaebeom lhe contou que trabalhava na JYP e ele deixar escapar que era fã do Mark e do Jackson.

— Eles são meus amigos sabia? — Jaebeom não perdeu a oportunidade de dizer arrancando uma exclamação do menor que o fez rir.

— Cê tá brincando!

— Sério, talvez eu te apresente a eles.

Jaebeom gostou da forma como o irmão lhe olhou, como se ele fosse a coisa mais interessante do planeta e não seu irmão mais velho que mal conhecia. Porém, Yugyeom não se empolgou mais que isso, conseguia ver em seu canto de olho ele inquieto em seu assento louco para fazer perguntas, porém sem coragem. E o mais velho também não o instigou a falar, pequenas conversas não eram seu forte, nunca foram. Lembrava bem de como havia ficado amigo do Jinyoung, havia sido por muita perseverança do Park e jogo de cintura para lidar com o seu silêncio, Jaebeom sempre fora muito tímido.

 

— Jaebeom-ah!! — O grito fez Jaebeom se encolher e Yugyeom se esconder a suas costas os olhos arregalados e assustados — Você está me devendo uma saída para beber, eu não esqueci. — Jackson Wang ditou parando a sua frente sorrindo de orelha a orelha e que ficou ainda maior ao notar o garoto se escondendo atrás do Lim — Oh! você deve ser o irmãozinho caçula!! Yugyeom, certo?

Jaebeom se virou para encarar o irmão que parecia em choque.

— Eu sou o Jackson.

Yugyeom se virou para olhar Jaebeom como se não estivesse acreditando que o famoso Jackson Wang estivesse falando com eles.

— Você não deveria estar se preparando para seu comeback?

Jaebeom perguntou.

— Eu estou, já gravei todas as músicas estamos preparando as coreografias agora. Hey Yugyeom, você quer conhecer uma galera legal? Ficar na cola do seu irmão vai ser um pé no saco ele não sai do estúdio.

— Yah! — Jaebeom fingiu que ia dar um tapa no amigo, mas acabou rindo. Yugyeom o encarava com os olhos esperançosos com a expectativa de ficar na presença de um artista famoso — Pode ir — Ele disse ao mais novo que sorriu.

— Qualquer coisa vamos estar na sala de prática, até mais Jaebeom-ah!

— Hyung jackson! Hyung!

O Wang nem olhou para trás arrastando o Lim mais novo pelo braço em direção aos elevadores.
 

Já havia passado muito tempo da hora do almoço e geralmente Jaebeom comeria um sanduíche e continuaria a trabalhar, mas a parte responsável de seu cérebro lhe lembrou que não havia ido trabalhar sozinho e que não deveria ser nada saudável para um garoto em fase de crescimento ficar sem se alimentar na hora. Saiu do estúdio em direção às salas de prática não demorando a encontrar onde Yugyeom deveria estar. Mesmo com a porta fechada ele conseguia ouvir a batida forte de um hip hop e os gritos empolgados femininos e masculinos. Sem hesitar abriu a porta esperando encontrar Jackson e seu crew ensaiando para o comeback do Chinês, mas acabou tendo a surpresa de encontrar seu irmão caçula dançando de frente ao espelho enquanto os outros assistiam. Yugyeom tinha talento, seu corpo se movia com fluidez seguindo cada mínimo acorde, pontuando cada mínima batida com precisão, Jaebeom entrou na sala e fechou a porta se encostando nela e com um sorriso no rosto ficou assistindo o Lim mais novo parecer feliz, aquela era a primeira vez que o via sorrir e era muito bonito, o deixava parecendo a criança que deveria ser e não o garoto com uma aura deprimida que parecia. Quando a música chegou a um fim e os dançarinos cumprimentaram o garoto, ele percebeu que deveria ter tantas coisas que não sabia sobre Yugyeom e estava sendo um idiota em não procurar saber, porque tinha medo de começar uma simples conversa com ele.

— Jaebeomie!!!! Cê viu? — Jackson perguntou se aproximando de si e colocando um braço ao redor de seus ombros — Ele é incrível! Você deveria deixar ele fazer uma audição.

Jaebeom não respondeu ainda encarando o irmão que ao notar sua presença voltou a sua versão contida, cabeça baixa, encarando os sapatos. Ele se aproximou os cabelos pretos pingando de suor e quando chegou próximo o bastante Jaebeom se pegou passando a mão no cabelo dele para tirá-lo de seu rosto surpreendendo a ambos.

— Você dançou bem.

— Bem? Ele foi ótimo! Você realmente deveria deixar ele fazer a audição.

Jackson ditou antes de sair correndo para atender alguém que lhe chamava deixando os irmãos sozinhos.

— Você comeu? — Jaebeom perguntou abrindo a porta da sala e saindo indicando que o mais novo o seguisse o que ele fez de pronto.

— Os hyungs me deram um lanche.

— Tá com fome?

Yugyeom balançou a cabeça confirmando e Jaebeom o segurou pelo ombro em direção aos elevadores.

— Então vamos.
 

O restaurante da empresa estava com pouquíssimas pessoas, já havia passado do horário mais movimentado e os funcionários já haviam voltado para seus postos. Jaebeom deu seu cartão de débito ao garoto e deixou com que ele fizesse o pedido. Ele escolheu sentar em uma mesa ao lado de uma janela onde podia ver a avenida movimentada e algumas garotas sentadas na calçada com seus pôsteres e câmeras a postos na esperança de vislumbrar seu idol favorito. Yugyeom voltou com o pedido de ambos esperou ele comer para poder falar, mais uma vez medindo suas palavras e se esforçando, os dois não poderiam viver em silêncio para sempre, afinal.

— Você quer ser um idol? — Perguntou o que fez o mais novo franzir o nariz, Yugyeom deu de ombros como se realmente não soubesse o que responder.

— Eu só gosto de dançar. — Ele murmurou baixinho, os olhos ainda baixos não ousando encarar Jaebeom enquanto esse o olhava. —  Jackson disse que você faz músicas, que o último single dele foi você que fez.

Ele completou mais baixo ainda e Jaebeom se pegou pensando se em algum momento de sua vida ele já foi extrovertido, se fizera algum barulho, porque não era possível alguém ser tão contido assim.

— Faço, quer escutar? — Jaebeom perguntou e o garoto assentiu, então ele tirou um ipod do bolso e passou para o mais novo com os fones plugados e na pasta que continha algumas de suas composições.

Jaebeom ficou nervoso, do tipo de nervoso que ficava quando o próprio JYP vinha até o estúdio ou lhe chamava em sua sala para avaliar suas músicas. Yugyeom não esboçou nenhuma reação por um tempo e então ele sorriu o mesmo tipo de sorriso que havia dado quando estava dançando e Jaebeom se pegou sorrindo também.

— E aí? Gostou?

Ele assentiu excitado os olhos arregalados e ele parecia feliz.

— Será que eu posso escutar elas? Sempre?

Ele perguntou com os olhinhos brilhando e Jaebeom achou difícil dizer não, e sabia que se ele fizesse sempre aquela carinha pidona quando quisesse alguma coisa ele estava ferrado porque iria definitivamente dizer sim.

— Quando chegar em casa eu passo pra você.

Era um começo.
 

~세렌디피티~
 

A relação entre os irmãos evoluiu um pouco mais, eles passavam a conversar ocasionalmente, sobre música — Yugyeom se mostrou interessado em aprender — sobre esportes o garoto gostava de basquete e futebol e apesar de Jaebeom não entender nada fez um esforço para aprender também e às vezes sobre o futuro. Ainda não haviam conversado sobre o pai de ambos, nem a relação que o mais novo tinha com a família da mãe. E quanto a sua mãe o garoto havia a encantado com suas bochechas cheinhas e seu jeito tímido. Por um instante Jaebeom achou que sua mãe não iria gostar muito de Yugyeom por ele ser filho do seu falecido ex-marido, mas fora completamente o contrário, a mais velha o tratou assim como tratava Jaebeom, como um filho e lhe mimou com muitas guloseimas, fazendo-o até sentir um pouquinho de ciúmes.

O verão acabou e as aulas começaram sem muito alarde, Jaebeom levava todos os dias Yugyeom para a escola, deixando-o lá às sete em ponto e voltava ou para a JYP ou para casa pra seu estúdio pessoal para trabalhar só indo buscá-lo às quatro da tarde. Ás terças e sextas o levava a psicóloga e sempre ao final das consultas eles paravam numa sorveteria no caminho de casa, era uma rotina nova e que Jaebeom achou que poderia se acostumar fácil.

E estava tudo ocorrendo bem, o dia começara como qualquer outro, levou o irmão para a escola, voltou para casa e deitou em seu sofá enquanto terminava de ler um livro na companhia de seus gatos que só lembravam que existia quando o caçula dos Lim não estava em casa, depois do almoço esperou Jinyoung chegar para terminarem uma música juntos para a OST de um dorama, tudo perfeito como sempre. Jaebeom só não estava esperando tão cedo ter uma chamada da escola do Yugyeom. Na verdade, ele nem deveria estar esperando esse tipo de coisa, mas o garoto era seu irmão, e o DNA era forte, ele não seria um Lim se não arrumasse confusão.

Então, no final do dia, assim que as aulas terminaram ele estava lá. Fazia muito tempo que não aparecia por ali, mas o prédio continuava o mesmo, andou pelos corredores e parou no hall antes da diretoria contemplando o mural com fotos das turmas passadas que estudaram ali e sorriu ao encontrar a sua turma e se achar junto com Jinyoung entre os rostos juvenis e prontos para o ensino médio, naquela época Jaebeom era um encrenqueiro.

Jaebeom seguiu seu caminho e a secretária o encaminhou para a sala dos professores onde ele iria encontrar o professor responsável pela turma do caçula. Assim que ele chegou lá pela porta de vidro viu logo o Yugyeom sentado em frente a uma mesa, a cabeça baixa e parecia escutar com atenção o que o homem dizia, Jaebeom não conseguia ver o professor de fato dali, mas ele parecia alguém animado pela forma que estava gesticulando. Jaebeom bateu na porta para chamar a atenção dos dois do lado de dentro e recebeu um sorriso tranquilo de um jovem provavelmente da sua idade, de olhos pequenos e bochechas fofinhas e por um segundo ele se viu distraído com a aparência do outro. Não estava esperando alguém tão jovem.

— Senhor Lim? — Ele perguntou e Jaebeom assentiu estendendo a mão para ele apertar cordialmente.

— Muito prazer. Eu sou Choi Youngjae, professor do Yugyeom.

— Muito prazer — Jaebeom murmurou olhando na direção do irmão que desviou o olhar de si quando percebeu que era encarado. Youngjae lhe indicou a cadeira ao lado do mais novo que ele logo sentou.

— Bom, senhor Lim.

— Jaebeom. Me chama de Jaebeom, senhor Lim me faz parecer um velho.

Ditou sem graça o que fez o outro rir contido.

— Ok, Jaebeom-ssi. O Yugyeom é um ótimo aluno, inteligente e prestativo, geralmente eu não teria reclamações para fazer dele, sinceramente se esse assunto não tivesse sido testemunhado por muita gente eu nem teria te ligado.

Youngjae ditou sorrindo afável na direção do caçula dos Lim e Jaebeom achou doce, se na sua época tivesse alguém que lhe olhasse assim, talvez não tivesse feito tanta merda na escola.

— O que ele fez?

— Bateu em dois colegas de classe e…

— Mas foi legítima defesa!

Yugyeom interrompeu o professor que não pareceu se importar, o fazendo questionar se o homem alguma vez na vida ficava com raiva, não era possível. Jaebeom só deu uma olhada na direção do mais novo e ele logo se calou.

— Mesmo assim você bateu, e não se combate violência com violência, Yugyeom.

Youngjae ditou de uma forma tranquila, porém firme.

— Você anda sofrendo bullying? Porque não me contou?

Perguntou ao irmão que apenas balançou a cabeça em negativa olhando para os sapatos como sempre e Jaebeom já estava ensaiando a conversa que teriam que ter quando saíssem dali.

— Os garotos receberam suspensão e o Yugyeom vai ficar todos os dias depois das aulas em detenção por duas semanas, comigo.

Youngjae o informou e ele assentiu assinando o termo de responsabilidade pelos atos do caçula. Jaebeom se levantou assim que Youngjae o fez e Yugyeom nem esperou por autorização e logo saiu da sala deixando para trás os dois adultos.

— Jaebeom-ssi. Ele é um bom garoto, eles não estavam fazendo bullying com ele e sim com outro garoto da turma, mas você deveria conversar com ele sobre controle de raiva e bom, seu irmão é bom de luta sabia? Muito bom mesmo.

Jaebeom observou Youngjae por alguns segundos, seu charme estava todo no eye-smile e nos sinais distribuídos por seu rosto e pescoço que o fez pensar em quantos outros ele deveria ter espalhado pelo corpo, mas logo se recompôs ao sentir as bochechas quentes por pensar indecências com o professor do irmão, nem conhecia o cara.

— Oh, eu vou conversar com ele. Muito obrigado, Sr. Choi e…

— Youngjae. Pode me chamar de Youngjae.

O outro sorriu e Jaebeom tentou retribuir o sorriso sem parecer constipado, ele era lindo demais.

— Muito obrigado e mil desculpas, Youngjae-ssi.
 

Jaebeom estava com raiva e se fosse em outro momento, se Yugyeom tivesse entrado em sua vida antes de levar algumas rasteiras da vida já teria levado um esporro com direito há vários gritos e talvez alguns tapas. Mas Jaebeom era um homem diferente, principalmente, era um homem adulto e sabia melhor deixar a cabeça esfriar do que falar alguma coisa precipitadamente. Dirigiu em silêncio e nem ousou olhar na cara do mais novo, seu maxilar estava doendo de tanto que o tencionava e já havia respirado fundo várias vezes. Não muito longe de casa parou na sorveteria que sempre paravam em dias de psicólogo, e Yugyeom o seguiu cabisbaixo, sentando na mesa que sempre ocupavam enquanto ele ia fazer o pedido, sorvete de morango para si e chocolate para o mais novo.

— Eu estou de castigo? — Yugyeom perguntou assim que Jaebeom colocou o pote de sorvete na sua frente e se sentou. Ele tinha os olhos pidões e pra variar estavam cheios de lágrimas, Jaebeom se pegou suspirando e revirando os olhos.

— Deveria?

— Bom, eu briguei na escola, minha mãe já teria me dado uma surra.

— Você quer que eu te bata? — Jaebeom perguntou tirando os olhos de seu sorvete para encarar Yugyeom que o olhava com os olhos arregalados receosos — Eu não vou te bater, Yugyeom. O que você fez não foi certo, você sabe disso, também não vou te colocar de castigo sem você me contar o que exatamente aconteceu, sem mentir. Aí, nós dois podemos decidir uma punição adequada. Eu não gosto de mentiras, e acho que devemos ser honestos um com o outro, eu prometo nunca mentir pra você se você me prometer o mesmo, que tal?

Ditou simplista. Jaebeom não era pai, e não sabia como deveria agir em uma situação assim, mas sabia que se estivesse no lugar do Yugyeom era assim que queria ser tratado, não com gritos e xingamentos, muito menos com tapas. Não queria que ele tivesse o que recebera na sua idade, não que tenha sido algo ruim, afinal, se não fossem as surras de sua mãe não seria metade do que era no momento.

— Tá bom.

— Certo. Agora me conta.

— Tem esse garoto na minha sala que é muito legal, ele é amigo de todos, todo mundo o conhece na escola e a maioria de seu círculo de amizades são garotas....

— Os outros garotos se sentem ameaçados por ele?

Interrompeu o outro que balançou a cabeça.

— Não é bem isso. Ele é gay, assumido e não tem medo de esconder o que ele é e por isso os idiotas não aceitam. Ninguém deveria esconder quem realmente é, vivemos em um país livre, todos nós deveríamos ser livres, a questão é que, eu sento no fundão próximo dos babacas e escutei eles combinando de pegar esse garoto no banheiro e eu só não podia ficar parado podendo fazer algo, sabe?

— Você poderia ter chamado os professores.

— É verdade. Mas na hora eu não pensei. Isso é injusto! Eles fazem bullying com você só porque é diferente quando não existe ninguém igual a ninguém! Somos todos diferentes em determinados níveis.

Jaebeom ficou em silêncio apenas encarando o garoto a sua frente, ele não imaginava que alguém tão novo fosse tão consciente do mundo, com doze anos Jaebeom só queria passar o tempo jogando vídeo game e não dava a mínima para as outras pessoas. Tinha que agradecer aos céus por Yugyeom não ser parecido consigo nesse aspecto. Ele ficou um momento em silêncio, apenas saboreando seu sorvete e avaliando a situação, enquanto que Yugyeom mexia a colher no seu que provavelmente já estava boa parte derretido.

— O veredito é que não vou te colocar de castigo, mas isso não significa que o que você fez foi certo.

Jaebeom ditou por fim o que fez o Lim mais novo praticamente pular em sua cadeira, se curvando em agradecimento.

— Obrigado, hyung. — Aquela era a primeira vez que Yugyeom o tratava como hyung e Jaebeom se sentiu muito feliz — Prometo que na próxima não penso com meus punhos e uso meu cérebro.

— Não é para ter próxima, cabeção.

Jaebeom murmurou com um sorriso e por instinto passou a mão nos cabelos cheinhos de Yugyeom o bagunçando, por um segundo ambos ficaram tensos, mas o mais novo logo sorriu e Jaebeom sorriu mais largo ainda.
 

— Então, você tá de castigo? — Jinyoung perguntou assim que Jaebeom e Yugyeom passaram pela porta deixando os sapatos na entrada. Assim que Yugyeom chegou próximo o bastante o Park o segurou em um mata-leão, o braço direito ao redor de seu pescoço e os dois começaram a fingir brigar no meio de sua sala. Jaebeom, apenas desviou dos dois, revirando os olhos e seguindo para a cozinha.

— Não, ele não me deixou de castigo.

O mais novo sorriu de um jeito sapeca e o Park revirou os olhos e o soltou, observando o garoto seguir pelo corredor até o quarto e se virou para o mais velho com uma expressão de deboche.

— O hyung é muito mole.

Jaebeom ameaçou a jogar o copo com água no mais novo que lhe retribuiu lhe mostrando a língua, uma atitude muito adulta por sinal.

— Foi legítima defesa. E aí conseguiu terminar música?

— É claro.

Jinyoung ditou e ambos seguiram até o estúdio pessoal do mais velho.
 

~세렌디피티~
 

Durante duas semanas Jaebeom seguiu para a escola do Yugyeom depois do horário para buscá-lo de seu "momento de reflexão com o senhor Choi", durante essas duas semanas Jaebeom observava de longe o Youngjae e sentia uma sensação gostosa dentro de si quando o via interagindo com o seu irmão e principalmente quando ele lhe sorria. Aquele tipo de sorriso que tinha o poder de curar qualquer doença, todas as dores do alma, todas as dores do mundo. Se o sol fosse ter uma personificação humana, seria chamado de Choi Youngjae.

E se tinha uma coisa que o Lim não conseguia deixar de ser quando estava perto dele era ser atrapalhado e tímido. Ele mal conseguia falar sem gaguejar, mal conseguia andar sem tropeçar em obstáculos inexistentes, era o puro efeito que Youngjae tinha sobre si. E por mais que se sentisse envergonhado, Jaebeom adorava esse efeito. E por isso, talvez, Jaebeom antecipasse as manhãs em que tinha que acordar cedo e levar Yugyeom para escola. Mesmo que acabasse levantando com um humor terrível e um adolescente insuportável no seu encalço e que enfrentasse tudo isso apenas para ver Youngjae de longe no estacionamento.
 

— Pelo amor de Deus! Não bata em mais ninguém hoje. — Jaebeom ditou assim que parou o carro na entrada da escola como todas as manhãs fazendo Yugyeom grunhir.

— O hyung me diz isso todo dia! — O garoto ditou exasperado saindo do carro e batendo a porta com força, Jaebeom riu e ficou parado observando até a cabeleira preta do mais novo sumir pela entrada principal.

Uma batida no vidro do seu lado lhe assustou um pouco e ele se virou para encontrar Youngjae do outro lado, como sempre sorrindo e lindo, e Jaebeom não tinha ideia como alguém poderia ficar em tão perfeito estado e de bom humor pela manhã, enquanto ele estava vestindo a calça do pijama com estampa de bart simpson e sua camisa desgastada com o rosto do Snoop Dogg, pelo amor de Deus!

— Bom dia, Jaebeom-ssi! — Youngjae falou todo sorrisos praticamente pulando e Jaebeom não achou irritante como o faria se fosse outra pessoa, tipo o Jackson.

— Bom dia, Youngjae-ssi.

Sorriu no mesmo nível de empolgação que o outro, o que era algo inevitável.

— Eu estava pensando será que podemos conversar um pouco? — Youngjae perguntou se inclinado na janela e Jaebeom se viu sem voz com a sugestão já imaginando mil formas de matar Lim Yugyeom, ele só poderia ter feito merda — Tem um cafeteria aqui perto, que tal?

Jaebeom olhou para seu pijama e depois para Youngjae e seus olhos pidões e esperançosos e ele precisava urgentemente tratar a sua mania de não conseguir resistir a coisas fofas e suspirou em derrota, definitivamente ele não iria conseguir dizer não.

— Claro, entra aí. — Falou mortificado por dentro, mas Youngjae nem pareceu notar suas roupas e se notou não demonstrou, indicando o caminho que deveriam seguir.
 

A cafeteria era pequena, tinha muitas flores e plantas suspensas por suas paredes e janelas, de uma arquitetura rústica lembrando uma casa de campo, e entre as mesas se tinha estantes de livros com literaturas variadas. Jaebeom como um leitor assíduo amou de imediato o ambiente e achou absurdo ele mesmo não ter conhecimento do lugar. Youngjae disse que passava a maior parte do seu tempo ali, e Jaebeom já colocou em sua lista de lugares bons para escrever.

— Como vão as coisas com o Yugyeom em casa?

Youngjae perguntou entre um gole de seu café macchiato. Como ía Yugyeom? aparentemente bem, apesar que em uma conversar com sua psicóloga havia lhe dito que os dois deveriam conversar e que o garoto guardava muito dentro de si, mas Jaebeom não fazia ideia de como começar. Ele suspirou passando as mãos nos cabelos.

— Bem, ele ainda fala pouco comigo, mas conversa bastante com o Jinyoung meu melhor amigo e sei que ele troca mensagens com o Jackson, mas não sei como eles chegaram nesse estágio já que só se viram uma vez.

— Jackson?

— Jackson Wang, já ouviu falar? — Youngjae arregalou os olhos e Jaebeom riu da expressão de espanto do outro — Eu trabalho na mesma empresa que ele, eu faço música.

— Oh, então eu já devo ter escutado suas músicas na rádio?

— Provavelmente. — Jaebeom ditou sorrindo e Youngjae se inclinou sobre a mesa.

— Eu irei adorar ouvir, você poderia me mostrar no nosso próximo encontro.

O Choi murmurou e Jaebeom se viu tentado a mostrar ali mesmo a ele a sua conta no SoundCloud, mas se conteve, como também se absteve de sorrir feito um maníaco com a perspectiva de ter um encontro com o Youngjae. E como assim outro encontro? quer dizer que aquilo que estavam tendo naquele exato momento era um? Como assim??

— Mas o que eu quero saber mesmo é se você gosta de videogames.

— Videogames? — Jaebeom o encarou confuso.

— É, tipo league of legends, fortnite, FIFA, essas coisas?

— Esses dois primeiros não faço ideia do que seja, mas FIFA é legal, eu costumava jogar quando mais novo, porque?

— Ótimo!

Youngjae ditou, mas não elaborou mais que isso e logo em seguida Jaebeom se viu envolvido em uma conversa sobre a época de faculdade e descobriu que Youngjae era na realidade mais novo que si, e que aquele era seu primeiro emprego de fato sem ser estágio, e que ele estava se preparando para um mestrado em musicoterapia e então os dois se viram envolvidos em uma conversa sobre música e em como ela pode curar a alma e Jaebeom nunca se sentiu tão vivo em uma manhã.

 

~세렌디피티~
 

Yugyeom parecia uma sombra. Pra onde ia o mais novo estava logo atrás. No começo Jaebeom não se importou, mas depois de um tempo ficou um tanto incômodo ter aquela presença em suas costas sem dizer nada, apenas lhe observando.

— Você precisa de alguma coisa? — Perguntou tirando a atenção do livro que lia, para olhar o mais novo sentado ao seu lado.

Por um momento Yugyeom ficou calado, apenas acariciando os pelos da Nora em seu colo.

— O hyung quer jogar FIFA comigo?

Ele falou tão baixinho, e se não estivessem sentados tão próximos um do outro ele não teria escutado. Jaebeom lutou contra a vontade de sorrir antes de responder.

— Oh, claro!

Yugyeom pulou do sofá empolgado assim que ouviu sua resposta correndo até a tevê. Jaebeom tinha mais alguma coisa para agradecer a Choi Youngjae.
    

~세렌디피티~
 

Ele parou o carro no estacionamento e diferente dos outros dias não seguiu para dentro do prédio principal da escola e sim para os fundos, Yugyeom havia lhe dito que estaria fazendo uma atividade ao ar livre com o Choi. Jaebeom seguiu até o campo de futebol e não demorou a encontrar os outros dois próximos a uma barra, Youngjae servia de defensor enquanto Yugyeom atuava como atacante.
    Quando notou tinha um sorriso bobo no rosto e podia escutar a voz do seu subconsciente que soava exatamente como o Jinyoung, lhe dizendo que estava fazendo papel de bobo e que não tinha uma queda pelo Choi e sim as cataratas do Niágara inteira pelo outro. Se achou ridículo. Estava apaixonado pelo professor de seu irmão, tinha como ficar mais clichê que isso?

— Jaebeom-ssi! Quer jogar? — Youngjae lhe perguntou se aproximando e Jaebeom sorriu sem graça, balançando a cabeça em negativa.

— Ah, eu não sou muito bom.

Ele ditou balançando as mãos.

— Eu também não, mas acho que você deveria jogar.

Youngjae ditou e Jaebeom percebeu o que ele estava fazendo, a uma distância segura Yugyeom os encarava com curiosidade, aquele seria o momento perfeito para se entrosar mais com o caçula. Jaebeom então sorriu para o Choi e seguiu para dentro de campo.
 

Eles jogaram até às luzes dos refletores ao redor do campo serem acesas e os indicar que já estava tarde demais. O céu já havia adquirido seu tom de azul escuro e as primeiras estrelas já brilhavam no céu. Yugyeom estava alegre, os cabelos amarrados em um rabo de cavalo mal feito pelo Lim no topo da cabeça, seu uniforme estava imundo, mas Jaebeom não se importava, teria um trabalho infernal para tirar aquelas manchas das calças cáqui e camisa branca, mas estava satisfeito em ver o garoto correr pelo estacionamento chutando a bola de futebol indo em direção ao carro. Ele vinha logo atrás junto com o Choi, segurando a mochila do irmão e apreciando a companhia silenciosa do outro. Era bom.

— Aqui eu deixo vocês — Youngjae ditou enquanto Jaebeom destravava o seu SUV e entregava a mochila a Yugyeom para o mais novo entrar no veículo. Ele se virou para o Choi com o cenho franzido.

— Nós te damos uma carona. — Jaebeom ditou parando ao lado da porta do carona e a abrindo, esperando que o Choi entrasse.

— Ah não é preciso, eu moro perto daqui.

— Mesmo assim, vamos Youngjae-ah, o hyung te leva.

Jaebeom se surpreendeu com o que dissera e a expressão no rosto de Youngjae também era de surpresa. Não haviam criado intimidade suficiente para serem tão informais e parecia tão natural.

— Tá bom, então.
 

Realmente ele morava perto como havia dito. Porém o caminho inteiro quem havia mantido algum tipo de diálogo havia sido Yugyeom e Youngjae, que falavam sobre um passeio que a classe do mais novo faria para o litoral. Enquanto Jaebeom só conseguia prestar atenção na rodovia e lançar olhares ocasionais na direção do homem ao seu lado. Talvez, Youngjae o tenha pego olhando com interesse suas coxas que já eram grossas, mas ficavam mais ainda quando estava sentado, talvez, suas mãos tenham se tocado quando ambos decidiram regular o ar e Jaebeom percebeu os dedos de Youngjae demorarem mais que o necessário contra os seus.

— Eu moro ali naquele condomínio.

Youngjae apontou para uma portaria logo a frente depois do sinal que estavam parados e Jaebeom estacionou na frente assim que foi possível — Então, obrigado Jaebeom pela carona.

— Não foi nada.

Jaebeom respondeu e por alguns instantes eles ficaram parados apenas encarando um ao outro, num súbito constrangimento, deveriam se abraçar? Apertar as mãos? Jaebeom gostaria de fazer isso e lhe beijar as bochechas, mas o momento fora logo perdido, quando Youngjae abriu a porta e saiu do carro.

— Até amanhã Yugyeom!

Ele gritou para o mais novo que acenou de volta para o professor.
 

— Vocês dois são ridículos.

Yugyeom murmurou depois de já estarem distantes o bastante. Jaebeom o encarou pelo retrovisor sem entender.

— O que você quer dizer com isso cabeção?

— Só sei que dava pra sentir a tensão sexual no ar.

Yugyeom murmurou afoito, colocando os fones de ouvido na orelha enquanto o irmão o encarava de boca aberta.

— YAH! Quem te ensinou essas coisas? Foi o Jinyoung não foi! Yah Lim Yugyeom!!

 

~세렌디피티~
 

— Yugyeom? O hyung não vai poder te buscar hoje na escola tá, vou ficar preso aqui na empresa, provavelmente eu vou chegar muito tarde. Então pegue um uber ok? Pode usar aquele cartão que o hyung te deu, aproveita e compra o jantar também, certo?

Jaebeom ditou contra o telefone, já eram quatro horas da tarde e podia apostar que o mais novo estava o esperando. Ele e os outros produtores estavam com uma dead line insana, o próprio CEO havia os convocado, o álbum para qual estavam trabalhando era do carro chefe da empresa e teria que ser perfeito. E desde que havia se tornado 'pai’ em tempo integral Jaebeom estava tendo dificuldades em conciliar seu trabalho e o garoto. E a culpa era exclusivamente sua, achou que mesmo com a nova responsabilidade iria continuar dando conta das músicas produzidas em larga escala que fazia antes de não precisar se preocupar com outra pessoa.

“Tudo bem”

Yugyeom murmurou baixinho por cima dos gritos de outras crianças ao seu redor, mas ainda assim audível.

— Okay, te vejo mais tarde!
 

Jaebeom chegou em casa já passava da meia noite. Encontrou o apartamento silencioso e escuro. Foi recebido por seus filhos felinos e tirou alguns segundos para acariciá-los e enchê-los de beijos. Desde que havia “adotado” Yugyeom não havia pernoitado um dia sequer no trabalho, nem mesmo havia passado muitas horas trancado em seu estúdio, como fazia no passado. Antes de Yugyeom, o Lim passava dias enfurnado no trabalho, comia mal, dormia pouco, as vezes nem mesmo via a luz do dia. Seu irmão havia vindo para lhe mudar por completo, bagunçar sua rotina, e quando achou que iria odiar, acabou amando. Com Nora em seu encalço seguiu pelo corredor até os quartos, já se passava da hora do adolescente dormir, mas se ele não fosse  cuidadoso, o garoto acabava virando a noite jogando, e eles também haviam criado um hábito, Jaebeom sempre ia no quarto do mais novo lhe desejar boa noite.

A porta do quarto do Yugyeom estava aberta e a janela também, Jaebeom sentiu o coração perder uma batida quando viu a cama vazia, arrumada do mesmo jeito que menor havia deixado pela manhã. Correu até a janela — por um súbito momento pensou besteira, e respirou aliviado quando não  encontrou nada do lado de fora — a fechando e se dirigiu para seu quarto — às vezes Yugyeom buscava conforto em sua cama de casal — abrindo a porta e não o encontrando lá, fez a mesma coisa com o banheiro, com seu estúdio, todos os lugares estavam vazios, no apartamento não havia nenhum traço de Lim Yugyeom.

Os piores pensamentos rondavam a sua mente junto com o sentimento de culpa, enquanto tentava sem sucesso ligar para o irmão, mas o telefone dele nem ao menos chamava indo direto para a caixa postal. Não deveria ter ficado no trabalho, não deveria tê-lo deixado sozinho, não deveria… não deveria tantas coisas. Jaebeom tremia dos pés a cabeça, sentiu o gosto salgado de suas lágrimas, suas pernas desesperadas o levaram para o meio da rua, andando sem saber pra onde, olhando em cada beco, em cada esquina, em todos os lugares onde possivelmente um adolescente poderia se esconder. Porque era claro que Yugyeom estava escondido, ele tinha que estar escondido, ninguém poderia tê-lo levado, Jaebeom rezava para que não.

O telefone do outro lado da linha chamou por algum tempo e a voz grogue e rouca de sono o atendeu e por alguns segundos Jaebeom só soube chorar, sem conseguir falar nada. Ele só queria achar Yugyeom, mas não tinha ideia onde.

“Jaebeom? Hyung, eu não consigo te entender, respire fundo, isso, agora me fala.”

— Yu-yugyeom s-sumiu, Jae-ah. Eu cheguei em casa e ele não tava e… eu não sei o que fazer perdi o meu irmão.

Eu perdi o meu irmão. Perdi o meu irmão. E parecia que a ficha havia caído de fato. Lim Jaebeom havia perdido aquilo que nunca desejou ter, mas que agora não sabia viver sem.

“Onde você está agora?”

— Na frente da escola.

“Certo. Não sai daí, já estou chegando, nós vamos encontrar ele, hyung”
 

— Jaebeom!

Youngjae gritou e Jaebeom se levantou do meio fio ao qual estava sentado. Caia uma chuva fina e o céu brilhava ocasionalmente com luzes fortes de relâmpagos, além dos trovões. Iria cair uma tempestade e seu menino estava perdido. Havia pedido a ajuda de todo mundo que conhecia, todos se disponibilizaram para ajudar de alguma forma, seja com posts em redes sociais, à procurar pela rua como estava fazendo. Youngjae parou na sua frente e a primeira coisa que o fez fora lhe abraçar e Jaebeom se pegou chorando novamente, buscando um pouco de conforto naqueles braços e abraço quentinho.

— A polícia não pode fazer nada! Tem uma criança perdida e eles não podem fazer nada porque não se passaram vinte e quatro horas!

Contou ao mais novo que assentiu. Youngjae segurou suas mãos tentando lhe passar conforto.

— Hey, Nós vamos achá-lo. Falei com o Bambam e ele me disse que os dois saíram da escola e foram para o fliperama aqui perto, de lá foram tomar um sorvete e então partiram caminhos, cada um pra casa.

Quem era Bambam? Jaebeom nem ao menos sabia que o Lim mais novo tinha feito amizades.

Youngjae falou calmamente, nem parecia que algo muito sério estava acontecendo. E era disso que Jaebeom precisava no momento de alguém para raciocínio, já que não conseguia pensar em nada se não encontrar seu irmão.

— Vamos começar por aí. Tem algum lugar que vocês gostem de ir? Algum lugar que o Yugyeom mencionou? Que ele goste?

— Ele não conhece nada por aqui. — Murmurou tentando buscar na mente os lugares que sempre iam — Na minha mente o lugar mais provável que uma criança poderia estar é um parque, ou um fliperama.

— Vamos procurar nesses lugares, okay? — O mais novo ditou — Hey — Youngjae tomou seu rosto nas mãos, e com o polegar limpou os resquícios de lágrimas que tinha em suas bochechas — Nós vamos encontrá-lo bem.
 

Eles não o encontraram nos lugares óbvios, não acharam resquícios de Yugyeom nos lugares onde Bambam havia dito que eles gostavam de ir nos intervalos de aula. Jaebeom estava desesperado, o que poderia fazer? Onde Yugyeom poderia estar? Sempre soube que não estava pronto para ser 'pai’, ser responsável por alguém, quando não era nem responsável por si. Pelo amor de Deus!

E Yugyeom… onde poderia ter se metido? Ele não conhecia nada em Seul, nunca havia viajado para muito longe quando a mãe era viva e duvidava que se lembrava dos lugares onde iam quando pequeno.

— Se eu fosse um garoto sozinho, em um lugar que não conheço pra onde eu iria?

Jaebeom perguntou a Youngjae que não soube responder. Chovia horrores, e estava muito frio. O Lim e o Choi não estavam agasalhados o suficiente, e Yugyeom muito menos, havia saído de casa com o uniforme escolar e um casaco.

— Se fosse eu, talvez fosse para a rodoviária, sabe, viver tanto tempo em sua cidade e ter que se mudar para outra, eu iria sentir falta.

Youngjae falou e Jaebeom não esperou duas vezes e saiu correndo na chuva. A rodoviária, era óbvio ele só poderia estar lá.
 

Estava fechado. Depois de correr por algumas milhas Jaebeom fora alcançado por Youngjae dentro de um carro e então ele percebeu que nunca chegaria na rodoviária a pé. Youngjae pisou no acelerador, talvez quebrando algumas leis de trânsito no caminho.

A rodoviária estava fechada e o vigia lhes garantiu que nenhum garoto de doze anos estava por ali, talvez ele tivesse pego o ônibus, o último para Daegu havia saído às dez da noite. Mas como os fiscais não haviam visto uma criança sozinha? Menores de idade não podiam viajar sozinhos, certo?

Jaebeom ignorou os gritos de Youngjae para permanecer dentro do carro e saiu andando na chuva que caía impiedosa do céu, totalmente sem rumo. Não sabia mais o que era chuva e o que era suas lágrimas, só queria achar o irmão. Seus pés acabaram o levando para um playground, era uma praça, não muito longe da rodoviária e garagem dos ônibus, um lugar vazio e caindo aos pedaços que não parecia ser muito visitado, pelo menos não por pessoas de bem.

Seus olhos percorreram o lugar mal iluminado parando em um escorregador bem no finalzinho, de onde estava não conseguia ver bem, mas ali no topo, parecia ser uma pessoa sentada, pequena demais para ser um adulto e grande demais para ser uma criança muito nova, mas do tamanho ideal para ser um garoto de doze anos grande demais para a idade.

Jaebeom se viu correndo até lá e quando chegou numa distância razoável teve a certeza que era seu garoto.

— YUGYEOM! — Gritou atraindo a atenção da outra pessoa que levantou a cabeça do meio das pernas e Jaebeom sentiu o coração ficar apertado, era seu garoto ali sim. Todo molhado, o rosto vermelho de tanto chorar, tremendo de frio. Jaebeom não hesitou e subiu até estar sentado ao lado do mais novo, os lábios de Yugyeom estavam ficando azuis, seus dedos das mãos estavam todos roxinhos, há quanto tempo seu pequeno estava na chuva, no frio?

— Tá tudo bem. Eu te peguei, bebê — Jaebeom sussurrou contra o ouvido do menor, o abraçando apertado tentando lhe passar um pouco de calor, mesmo que talvez fosse um pouco inútil já que chovia tanto e ambos estavam ensopados.

— E-eeu s-sinto muito, hyung — Yugyeom murmurou contra a sua camisa. Ele tremia tanto, os dentes rangendo.

— Tá tudo bem. O hyung que sente muito, eu deveria ter sido melhor.

Jaebeom ditou e Yugyeom se afastou balançando a cabeça em negativa. O mais velho o puxou de volta para perto, tirando os cabelos molhados de seu rosto.

— Eu sinto falta da minha mãe hyung, e me sinto mal porque eu a esqueci. Eu achei que iria odiar ficar aqui com você, mas eu amei, eu achei que você me odiaria e me mandaria de volta, me mandaria pro orfanato, porque eu não presto hyung, eu sou uma pessoa ruim. Porque esqueci a minha mãe, eu fiquei feliz que a morte dela me fez conhecer você, mas eu sou ruim hyung, eu não queria que ela tivesse morta, mas aí eu não te conheceria e … e… eu me odeio hyung, eu não mereço viver com você. Mas eu também não quero ficar longe de você, não quero ficar sozinho de novo, eu não tenho mais ninguém.

Ele chorava tanto, era de cortar o coração.

— Lim Yugyeom, você não é ruim. E eu sinto muito que você tenha sentido tudo isso sozinho, mas eu te amo tanto Yugyeom, tanto. Eu que não mereço você. E eu prometo, olha pra mim — Jaebeom pediu fazendo o garoto levantar a cabeça e encará-lo — Eu, Lim Jaebeom, nunca vou te abandonar, prometo de dedinho. — Jaebeom estendeu o mindinho na direção do mais novo, que olhou por alguns instantes, ainda chorando muito, mas sem hesitar enrolou seu próprio mindinho contra o do mais velho, selando a promessa feita.

Jaebeom sorriu e puxou o garoto para seu colo o abraçando apertado. Ele queria ter o poder de tirar toda a dor, toda a angústia de dentro de seu irmão, apenas com um toque, com um abraço. A chuva já não incomodava mais e Jaebeom apenas segurou seu menino apertado até ele cansar e parar de chorar. Até ele não ter mais forças para chorar e lutar.

Youngjae os achou depois de um tempo e com sua ajuda, carregou o caçula nos braços até o carro, para poderem ir finalmente para casa.
 

Em casa, Jaebeom levou Yugyeom até seu quarto, com cuidado tirou suas roupas molhadas jogando no cesto de roupa suja e o vestiu com o pijama limpo. Puxou as cobertas e travesseiro enquanto suportava o peso do mais novo com uma das mãos até tê-lo seguro debaixo do edredom.

— Desculpa — Escutou o sussurro tão baixinho que se não estivesse sentado ao lado do mais novo não teria ouvido. Jaebeom suspirou indo até a porta do quarto desligando a luz e voltando para a cama. Ele voltou a sentar ao lado do irmão, passando as mãos em seus cabelos de forma carinhosa.

— Tá tudo bem, amanhã a gente conversa, uh.

— Desculpa ser um desperdício de espaço, hyung — Yugyeom murmurou com lágrimas voltando a lhe molhar a face e Jaebeom apenas o segurou apertado contra o peito. Ele não conseguia dizer nada, seu único pensamento era transmitir carinho e conforto para o mais novo, acariciando seus cabelos e o abraçando apertado até as lágrimas pararem. Quando ele adormeceu finalmente, o peso de tudo caiu em cima de Jaebeom. Só de pensar que em menos de um ano o garoto que até então era um desconhecido se tornou uma das pessoas mais importantes se não a mais importante de sua vida o atingiu em cheio. Jaebeom pensou no que poderia ter acontecido com Yugyeom quando saiu sozinho, e se tivesse se metido em algum acidente? E se tivesse se machucado, morrido? E pensar nisso lhe doeu, não conseguia imaginar uma vida sem ele. Havia ficado tão aterrorizado em perdê-lo. Seus pensamentos se chocaram como ondas de um tsunami e ele não pôde se conter e deixou lágrimas escorrerem de seus olhos, eles as limpou com raiva, mas elas foram insistentes, e Jaebeom apenas as deixou e abraçou o garoto adormecido mais apertado ainda. E ele acabou chorando até adormecer.
 

Pela manhã Jaebeom acordou primeiro, saiu de mansinho do quarto alheio, sua coluna doía horrores, por que havia dormido em uma posição meio sentado, meio deitado e a cama do irmão era pequena demais para os dois. Fez toda sua higiene pessoal e se dirigiu para a cozinha, alimentou seus filhos que miavam impacientes, e começou a preparar um café da manhã para si e o mais novo.

Yugyeom apareceu na cozinha momentos depois, os olhos inchados de tanto chorar, cabelos desalinhados, rosto amassado com marcas da textura do suéter do irmão mais velho.

— Com fome? — Perguntou ao caçula que balançou a cabeça em afirmativo, e então colocou um prato de torradas com ovos fritos para ele e suco de laranja.

— O hyung está com raiva?

Yugyeom perguntou baixinho, sem ousar lhe encarar.

— Eu achei que fosse te perder, Yugyeom.

Ditou no lugar.

— Desculpa. Eu não vou mais fazer isso.

Jaebeom suspirou e o irmão finalmente lhe encarou. Ele parecia pronto para mais uma sessão de choro e se ele chorasse, Jaebeom iria acabar chorando também.

— Bom. Eu só quero que você me responda com sinceridade, você está feliz aqui, Yugyeom?

Perguntou ao irmão e Yugyeom olhou para o prato, as mãos brincando com um pedaço de torrada

— Sim.  — Ele falou baixinho, parecendo em conflito. — É só que, eu não sou bom com palavras, em expressar sentimentos. — Jaebeom sorriu, o garoto era muito parecido consigo. — Eu… talvez, eu não estivesse esperando isso, sabe? Eu me senti culpado, sabe? Por um momento eu esqueci da minha mãe, mas eu não quero esquecer ela hyung. Eu sinto tanta falta da minha mãe que chega dói aqui no peito. — Algumas lágrimas escaparam de seus olhos, mas ele fora rápido em limpá-las — Eu achei que o hyung fosse me odiar, eu arruinei sua vida vindo pra cá, você nem ao menos sabia que eu existia e.. e eu fiquei com medo, hyung. E eu não quero te perder também.

Jaebeom contornou a mesa e parou em frente ao seu garoto, com cuidado ele tomou o rosto dele nas mãos enxugando suas lágrimas.

— Yugyeom, nunca, em nenhum segundo pense que você arruinou a minha vida, porque não é verdade. — Ele olhou direto nos olhos do mais novo enquanto falava — Eu amo você. Você é meu irmãozinho, por sua causa meu apartamento não está mais vazio, você trouxe vida pra um cara que só queria saber de trabalho, você me fez conhecer o Youngjae. Antes de você eu era um cara recluso, tímido demais, que não saia de casa, só se fosse arrastado pelo Jinyoung. Você, Lim Yugyeom, deixou minha vida muito melhor.

Jaebeom limpou mais algumas lágrimas e deixou um beijo na testa do caçula e o envolveu em um abraço.

— O hyung não vai me mandar pra um orfanato, vai?

Jaebeom riu apertando o garoto.

— Não! Eu te amo demais pra isso, Yug.

— Eu também te amo, hyung.
 

~세렌디피티~
 

As coisas dali em diante seguiram como deveriam de seguir. Jaebeom percebeu que deveria aliviar no trabalho e dividir igualitariamente sua atenção entre o trabalho e o irmão. Yugyeom começou a se abrir mais, não mantinha as coisas para si, as vezes ele se tornava quieto, ficava no seu canto, escutando música e na companhia de seu caderno de anotações que Jaebeom havia lhe comprado para ele guardar seus segredos, mas nunca mais fugiu. As consultas com o psicólogo continuaram e os Lim continuaram vivendo a medida do possível. Porém, agora um mais consciente do outro
 

~세렌디피티~
 

Seguindo o conselho de Youngjae, Jaebeom resolveu levar Yugyeom de volta a cidade onde nasceu e cresceu. O Choi havia lhe dito que seria bom para a criança voltar e se despedir do local de forma correta, se despedir do que perdeu, que seria melhor para seu irmão e o ajudaria a lidar com a perda da mãe. Jaebeom só esperava que sim, ele não tinha a intenção de substituir o que a mãe de Yugyeom era pra ele, nem tinha como, só queria ser um bom irmão, alguém com que ele pudesse contar para sempre.

O caminho de carro fora todo feito com uma criança hiperativa no banco do passageiro. Em duas horas, Yugyeom cantou junto com o seus cantores favoritos, jogou no celular, fez inúmeras perguntas a Jaebeom sobre seu trabalho, e sobre os outro hyungs, mas foram apenas entrarem no bairro onde morou pra tudo sumir. O sorriso, a leveza que os cercava. Ele ficou quieto, os olhos perdidos na paisagem que passava por eles enquanto seguiam pela estrada, até finalmente pararem.

Jaebeom segurava a mão de Yugyeom enquanto eles caminhavam por entre os túmulos e memoriais no cemitério. Aquela era a sua terceira vez ali e deveria ser a terceira do Yugyeom também se ele não tivesse tido a brilhante ideia de impedi-lo de ir a cremação da mãe. Na época não sabia que isso poderia atrapalhar no luto e se tornar um trauma, agora com a explicação do Youngjae e uma conversa com a psicóloga do irmão sabia que não deveria tê-lo privado disso.

Eles chegaram ao memorial dos Lim e dentro da antecâmara não tinha ninguém visitando os outros altares e se sentiu aliviado pela privacidade. Jaebeom os guiou até o fim da sala, parando em frente a um pequeno altar onde tinha as urnas contendo as cinzas de seu pai e da mãe do Yugyeom, uma foto dos dois sorrindo abraçados jazia bem no meio dos dois objetos.

Jaebeom soltou a mão do Yugyeom e se afastou um pouco, lhe dando privacidade enquanto seu irmão colocava um pequeno ramalhete de forget me not que haviam trazido no altar e se ajoelhava a sua frente. O mais velho até tentou não prestar atenção no que o irmão dizia baixinho, mas não era fácil, o lugar era pequeno e ecoava bem e também não podia sair e deixar o pequeno ali sozinho, então ficou em seu lugar. Por um momento o caçula só ficou parado, caladinho os olhos fixos na moldura que continha a foto. Era uma foto antiga, da época que seu pai ainda estava vivo e saudável, Jaebeom viu ali que Yugyeom era a mistura perfeita entre os pais, enquanto ele era a cópia perfeita de sua mãe

— Oi mamãe e papai, eu sinto a falta de vocês. Eu sinto mais a falta da senhora, eu queria um abraço. —  Ele fungou e Jaebeom respirou fundo, de onde estava não conseguia ver seu rosto, mas sabia que não demoraria para ele começar a chorar — O hyung é legal, no começo eu achei que ele não gostasse de mim, sabe, ele tem essa cara séria e parece que tá sempre com raiva, e ele quase não falava comigo também, mas aí o Jinyoung hyung me disse que o hyung era um bobo e muito tímido, ele parece um avô. — Jaebeom revirou os olhos e mordeu o lábio para não rir, que avô que nada, só tinha vinte e cinco anos e era muito do novo isso sim — Eu sinto sua falta, mas eu estou feliz com o hyung. Mas mamãe eu queria uma abraço, queria ter te dado um abraço. Eu... — O menor soluçou e Jaebeom viu ele passar as mãos e o braço no rosto para enxugar as lágrimas e tentou também não chorar, uma criança não deveria derramar nenhuma lágrima por saudade ou perda de alguém querido — Eu, eu queria que a senhora olhasse por mim e pelo meu hyung também, o Senhor Choi disse que quando a gente vai pro céu se torna um anjo da guarda de quem a gente deixa pra trás, então mamãe queria pedir pra senhora proteger o Jaebeom hyung também.

Jaebeom não aguentou ficar mais parado e se sentou ao lado do irmão que não demorou para se jogar em seus braços e ele acolheu Yugyeom em um abraço apertado fazendo um carinho em suas costas. Jaebeom tentou se colocar no lugar do irmão, no lugar de alguém que perdeu a mãe, imaginou a si com a mesma idade e não conseguiu se ver como o Yugyeom estava. Seu irmão era um guerreiro, um garoto forte para a idade, só tinha que aprender com ele.

— JiAe — Jaebeom ditou baixinho, encarando a foto e segurando o irmão ainda mais apertado —  Eu sei que não fui lá um bom enteado, sei que você não tinha culpa de meu pai ser como era e eu sinto muito. Sinto muito que só depois de adulto eu tenha percebido o quanto fui injusto com você e como me arrependo agora de não ter sido seu amigo e não ter visto meu irmão crescer. — Ele olhou para baixo e deixou um beijo o topo da cabeça do menor e suspirou — Foi necessário uma tragédia para eu perceber que nunca estive sozinho de verdade, sabe? Mas eu queria mesmo é te agradecer. Obrigado por ter me dado um irmão, e eu prometo que vou cuidar do Yugyeom com todo o amor e carinho do mundo e que vou protegê-lo com a minha vida. Muito obrigado, e sinto muito.
 

~세렌디피티~
 

— Eu estava pensando, que tal irmos para a praia esse fim de semana? — Jaebeom perguntou enquanto empurrava o carrinho de compras com seu irmão ao seu lado, Yugyeom havia ficado responsável pela lista e não tirava os olhos do papel a não ser que fosse para pegar o que estava escrito, e tinha que ser na ordem listada, o que já havia feito ambos passarem pelo mesmo corredor várias vezes.

— Eu posso chamar o Bambam? Ele pode ir com a gente?

Yugyeom o olhava com seus olhos pidões e Jaebeom suspirou um sim.

— Quem é Bambam?

— Meu amigo, na verdade ele é meu melhor amigo em todo o mundo!

Yugyeom falou sorrindo do seu jeitinho fofo, o que fez o mais velho rir com a lógica infantil, iria fazer seis meses que Yugyeom estava morando consigo e ele já havia encontrado um amigo para a vida toda.

— Okay, mas eu posso levar uma pessoa também?

— O professor Choi?

Yugyeom perguntou e o mais velho assentiu.

— Então pode!

Youngjae adorou a ideia o que deixou Jaebeom grato e aliviado, ele queria poder passar mais tempo com o mais novo, porém um tempo em que não envolvesse eles no terreno ou imediações da escola do irmão. Queria poder conversar mais com o Choi sem ser por mensagens de texto e ligações das quais passavam madrugada adentro conversando. Com Youngjae, ele não precisava ser comedido, não precisava pensar antes de falar, não tinha medo de que suas divagações sem sentido fossem ser ignoradas ou taxadas como entediantes. Com o mais novo eles podiam conversar sobre tudo, do propósito da vida na terra ao por que era um ultraje se colocar ketchup na pizza, não havia silêncios constrangedores, não havia estranheza e Jaebeom amava isso. Youngjae ficou de convencer a mãe do tal Bambam em deixar o garoto ir, o que conseguiu fácil, como também ficou de os encontrar na rodoviária, já que Jaebeom não iria se arriscar em dirigir para tão longe, ainda mais por que queria se divertir sem se preocupar com o nível de álcool em seu sistema e o sono.

Assim que chegaram à praia os garotos saíram correndo deixando as mochilas e roupas na areia para os adultos pegarem e montarem o “acampamento” sozinhos. Muitas famílias haviam tido a mesma ideia que eles e a areia estava repleta de crianças, algumas jogando bola, outras montando seus castelinhos de areia. Youngjae estendeu uma grande toalha sobre a areia quente e Jaebeom montou um guarda sol para prover ao menos uma sombra. Não demorou para Yugyeom e Bambam voltaren correndo para onde estavam, ambos ensopados, fazendo questão de molhar o Choi e o Lim.

— Frio — Yugyeom choramingou se tremendo todo e Jaebeom revirou os olhos jogando uma toalha na cabeça dele.

— Se enxuga aí pra passar o protetor. — Ele esperou o menor fazer o que mandou e depois de feito passou uma boa quantidade do produto nas costas, braços e rosto do irmão. — Pronto, cabeção.

— Yug ‘cê parece um fantasma — Bambam riu do amigo, mas logo a risada morreu quando cruzou o olhar com o Lim mais velho.

— Você também gafanhoto, vem aqui.

O garoto obedeceu a contra gosto e ele repetiu suas ações. Depois de bem protegidos, Jaebeom observou os garotos voltarem a correr, Bambam agora com uma bola de futebol debaixo do braço em direção a água.

— Será que você pode passar em mim também?

A voz de Youngjae lhe atraiu a atenção de volta para o mais novo e Jaebeom respirou fundo quando o viu tirar a camisa deixando a pele branquinha amostra ficando só com o calção. Jaebeom se ajoelhou atrás do Choi na toalha de praia e com as mãos um pouco trêmulas espalhou o protetor na pele alheia bem devagar, os dígitos passeando pelos inúmeros sinais que ele tinha espalhado pelo corpo. A pele de Youngjae sobre sua palma era quente e macia e Jaebeom se viu tentado a segurar com firmeza, imaginou como seria traçar todas aquelas pintinhas com sua língua. Mas logo tirou esse pensamento da mente se afastando o mais novo e Youngjae terminou de passar o protetor nos braços e torso. E então ele se virou para Jaebeom com um sorriso contido nos lábios.

— O hyung pode me ajudar a passar no rosto também?

Jaebeom ficou perdido em palavras e apenas assentiu, voltando a se aproximar de Youngjae. O sol parecia de alguma forma está afetando seu cérebro, estava quente demais isso era fato, mas não ao ponto de o deixar passando mal como estava no momento. Seus dedos tremiam demais, porém ele conseguiu com sucesso passar o protetor no rosto do mais novo, seus dedos deslizaram pelas maçãs do rosto dele e Jaebeom se viu com os olhos fixos nos lábios que queria tanto beijar, que não percebeu que Youngjae tinha os olhos abertos lhe encarando até olhar pra cima. A pintinha logo abaixo de seu olho esquerdo era um charme.

Eles estavam tão próximos, que Jaebeom conseguia sentir o calor irradiando do corpo alheio. Youngjae lambeu o lábio e ele seguiu o movimento involuntariamente, era só ele se inclinar só mais um pouquinho para frente e podia finalmente sentir a textura e o gosto dos lábios de Youngjae nos seus, mas obviamente aquele não seria o momento. Os dois adultos estavam tão absortos no mundinho só deles que não viram a bola de futebol a toda velocidade indo em direção á eles até ela bater bem na testa do Jaebeom o fazendo cair na areia.

O Lim mais velho choramingou de dor, escutando ao fundo os gritos de desculpa dos dois pirralhos e a risada contagiante de Choi Youngjae.

Ao final do dia eles voltaram para o apartamento dos Lim, todos ressacados da praia e cansados demais para fazerem qualquer outra coisa. Mas Jaebeom se sentia nervoso mesmo era com perspectiva de dormir junto com o Youngjae, mesmo que soubesse que não iriam fazer nada demais, talvez apenas uns beijinhos. E como ele queria beijar aquela boca bonitinha, porém queria fazer isso sem ser interrompido por dois pirralhos.

O jantar foi pizza e depois de saciados, se viu empurrando Bambam e Yugyeom para do quarto do Lim mais novo, junto com o console do PlayStation e a televisão que antes estava no seu quarto. Quando voltou para a sala, encontrou Youngjae no chão, as costas contra o sofá, uma taça de vinho contra os lábios e ele estava tão lindo vestindo um pijama de bolinhas azul os cabelos castanhos ainda úmidos do banho recém tomado, com a meia luz no ambiente ele parecia brilhar dourado, e a visão, todo o cenário parecia ser tão normal, algo tão corriqueiro, como se Youngjae pertencesse, àquele lugar, no apartamento de Jaebeom.

Eles não disseram nada por um tempo; apenas sentaram lá e observaram a Nora brincar com uma bolinha de papel que Yugyeom havia jogado por ali na frente deles. Jaebeom realmente queria se sentar mais perto, talvez colocar um braço em volta dos ombros de Youngjae, passar a mão pelo cabelo dele e dizer o quanto estava bonito, todo corado pelo frio de seu apartamento que fazia suas bochechas ficarem rosadas. Em vez disso, ele endireitou as costas e limpou a garganta.

— Youngjae... — Jaebeom disse baixinho sem olhar na direção do mais novo os olhos fixos em seu colo.

Mas ele podia sentir a maneira como Youngjae estava o olhando com o canto dos olhos. E então ele fora tomado por uma súbita rajada de coragem, Jaebeom se virou por completo finalmente encarando o mais novo que também fez o mesmo. Era agora ou nunca, pensou enquanto se aproximava do Choi, colocando as mãos em suas bochechas, estava pronto. Porém fora Youngjae que fechou a distância, encontrando seus lábios. Ele ficou um pouco tímido no começo, mas Jaebeom respondeu ao beijo com entusiasmo. Eles não iam longe, não com Yugyeom e Bambam embaixo do mesmo teto, mas era legal e confortável, como se eles tivessem sido feitos para ficarem assim, abraçadinhos.

Youngjae e Jaebeom pareciam destinados.

— Ew — Yugyeom murmurou, fazendo Jaebeom e Youngjae se afastarem, ambos vermelhos por terem sido flagrados pelo adolescente. — Bambam!! Meu irmão tá pegando o Sr. Choi!

Jaebeom grunhiu assim que o irmão gritou voltando por onde tinha vindo e Youngjae riu alto levando as mãos ao rosto morrendo de vergonha.

— Desculpa — Ele murmurou sem graça e o menor chacoalhou a cabeça o que o Lim não esperava era o próximo movimento do Choi. Youngjae diminuiu a distância entre eles mais uma vez e se sentou em seu colo, as pernas em cada lado de seu corpo, seus torsos colados, mãos em seus cabelos e então lábios a centímetros dos seus.

— Me beija, hyung.

Pediu. E Jaebeom beijou como se não houvesse amanhã.
 

~세렌디피티~
 

Quando aceitou cuidar do irmão caçula, não pensou que além de se tornar praticamente um pai iria também ganhar um amor. Não estava em seus planos gostar de alguém, não era algo que se fazia presente em sua lista de coisas a se fazer até o dia de sua morte. Jaebeom nem ao menos tinha recordação de quando fora a última vez em que tinha estado em um relacionamento sério. Era uma pessoa mais ligada em encontros casuais e encontros de uma única noite, gostava de sexo fácil e sem compromisso, pensava que não havia nascido para criar sentimentos por alguém. Veja bem, a última lembrança que tinha de ter amado alguém ao ponto de ver um futuro com essa pessoa era muito distante: tinha quinze anos e Jinyoung era a pessoa mais bonita em seu mundo adolescente, naquela época não soube diferenciar que o amor que sentia por seu melhor amigo, era um amor muito além de algo sentido por amantes. Na segunda vez que se apaixonou perdidamente, tinha vinte e Hyolyn tirava sua sanidade, com sua pele morena e personalidade forte, uma garota mais velha que não ligava para o que os outros pensavam de si. Tiveram um romance sórdido, cheio de altos e baixos, até que não conseguiram mais seguir na mesma estrada.

Fazia um tempo, então, Jaebeom definitivamente não estava na perspectiva de se encantar tanto por alguém ao ponto de se apaixonar, ao ponto de idealizar toda uma vida futura com essa pessoa, e ali estava ele fazendo exatamente isso. Por que Youngjae parecia ser o que lhe faltava.
 

~세렌디피티~
 

Jaebeom estava muito nervoso com a perspectiva de sair com Youngjae. Iria levar o mais novo ao cinema, para assistir um musical francês les chansons d'amour, seu filme favorito. Não se sentia nervosos assim desde do ensino médio quando saiu com a primeira garota que tinha intenção de namorar. Eles vinham trocando mensagens de texto frequentes e muitas ligações viravam a noite conversando, o mais velho fazendo Youngjae ouvir suas músicas e o mais novo cantarolando algumas. Jaebeom descobriu que a voz de Choi Youngjae era linda cantando e se tornou o calmante que precisava quando estava se sentindo estressado, pressionado, quando não conseguia dormir, escutava o outro lhe cantar baixinho ao pé do ouvido e tudo se tornava mais suportável.

— É o seguinte, quando eu voltar quero os dois dormindo.

Ditou para os adolescentes deitados no chão de sua sala, Yugyeom bufou em desdém enquanto Bambam apenas concordou categórico. O garoto Tailandês havia também se tornado uma constante na vida dos Lim, era afoito demais e encrenqueiro, mas incrivelmente Jaebeom gostava dele, principalmente por que ele conseguia deixar um sorriso lindo no rosto de seu irmão.

— Por quê? O hyung vai trazer o Sr. Choi aqui?

— Não é da sua conta. — Jaebeom rebateu, mas se aproximou do garoto lhe deixando um beijo na testa e fez um carinho nos cabelos do Bambam ao seu lado — Eu estou falando sério, Lim Yugyeom!

Jaebeom resmungou uma última vez e saiu do apartamento mais nervoso que nunca.

Youngjae já estava o esperando na frente de seu condomínio quando chegou para buscá-lo, não havia uma boa iluminação, mas o farol de seu carro lhe permitiu ver o quão bonito o mais novo estava. Quando ele entrou no veículo, Jaebeom se conteve para não soltar uma exclamação de admiração, os cabelos escuros do mais novo estavam claros, pintados de um loiro mel e o Lim nunca pensou que Youngjae pudesse ficar ainda mais bonito.

— Que foi? — Youngjae perguntou ao ver que não falara nada e apenas o encarava de boca aberta — Jaebeom? Tem algo errado?

— Você está lindo! Mais lindo ainda! Como é possível?

Falou finalmente, e sorriu ao ver o rosto do mais novo ficando vermelho.  Youngjae levou as mãos aos cabelos um pouco acanhado.

— Você gostou?

— Sim. Mas eu gostaria até se você estivesse sem cabelo.

Jaebeom respondeu e se inclinou o máximo que seu cinto de segurança permitiu deixando um beijo no rosto do Choi.

— Bobo. Agora liga logo esse carro ou vamos chegar atrasados.

Quando chegaram ao cinema local e Jaebeom estacionou o carro, Youngjae fora o primeiro a sair do veículo indo lhe encontrar do outro lado. E assim que Jaebeom saiu ele sorriu.

— Pronto agora você pode me olhar á vontade — Youngjae ditou ficando na frente de Jaebeom, as suas mãos foram para cada lado de sua jaqueta jeans e o mais velho acabou não perdendo a oportunidade. Jaebeom fechou a distância entre os dois, agarrando a nuca do mais novo e beijando-o docemente, mas logo o ósculo se tornou uma confusão, de alguma forma as costas de Youngjae acabaram batendo contra a porta do carro e Jaebeom suspirou no beijo, havia sentido falta disso, do calor do mais novo, de seu gosto. Ele havia ficado tão assustado quando o beijara pela primeira vez, havia ficado com medo de estragar as coisas e de fazer algo errado, nunca fora bom com relacionamentos, afinal.

— Eu senti sua falta — Youngjae confessou quando eles separaram suas bocas para recuperar o fôlego.

— Eu também — Jaebeom murmurou e acrescentou — Muito.

Eles se beijaram um pouco mais até que seus dedos ficaram rígidos pelo frio e suas bochechas coradas. — Que tal irmos para outro lugar?

Youngjae sugeriu e Jaebeom se sentiu quente em todos os lugares, ele sabia o que o mais novo estava implicando com suas palavras e queria muito isso — Vamos pra minha casa?

Jaebeom não esperou que ele dissesse mais uma vez e ambos voltaram pro carro, esquecendo completamente o filme e fazendo o caminho de volta para a casa do Choi.
 

~세렌디피티~
 

      Era engraçado com em um ano e meio sua vida deu uma guinada surpreendente. Tornou-se um namorado, um irmão mais velho, um pai. Jaebeom se tornou a fonte de segurança e o espelho de alguém, se tornou o amor da vida de outro alguém. E tudo isso havia acontecido de forma inesperada.

— Hey o que faz aqui fora sozinho, está frio? — Youngjae perguntou se sentando ao seu lado no sofá velho na varanda e Jaebeom o aconchegou contra seu peito o abraçando apertadinho.  Não havia percebido que estava tão frio até o mais novo mencionar e buscou calor no corpo alheio.

— Pensando — Ditou baixinho, uma mão deslizando pelos cabelos claros de Youngjae enquanto a outra levava a taça de vinho que tinha na mão até os lábios terminando de ingerir o resto da bebida — Eu sou um cara de sorte. — Completou o raciocínio e Youngjae riu baixinho e se inclinou pra cima lhe deixando um beijo no pescoço, mas Jaebeom logo se viu se inclinando na direção do mais novo buscando seus lábios e os tomando em um beijo. — Eu te amo.

Youngjae sorriu contra sua boca e o beijou de volta ainda mais determinado e como sempre se viram perdidos um no outro, totalmente enamorados até a porta da varanda ser aberta por uma segunda vez e um pirralho mimado surgir por ela.

— Eu fiquei sozinho! Eu odeio ficar sozinho hyung!

Yugyeom choramingou e o Choi riu enquanto o Lim revirou os olhos.

— Vem aqui bebezão. — Youngjae chamou se sentando direito no sofá e abrindo os braços para o mais novo que não hesitou em se jogar em seu colo, porém com a metade do corpo em cima do Jaebeom e a outra metade em cima do Youngjae.

Ele estava grande demais pra isso, mas eles não podiam reclamar, era raro crianças na idade dele serem tão afetuosas, eles só tinham é que aproveitar. Com apenas treze anos, Yugyeom já era da altura do Choi e Jaebeom meio que se sentia ameaçado porque não demoraria para o garoto lhe passar em altura, não estava pronto para ser o irmão mais velho que é menor que o irmão mais novo.

— Hyung — Yugyeom cortou o silêncio e Jaebeom olhou para baixo pra encontrar os olhos castanhos e infantis lhe encarando — Você está feliz?

Jaebeom fora pego um pouco de surpresa pela pergunta e sorriu. Ele passou uma mão pelos cabelos pretinhos do irmão e a outra apertou o braço de Youngjae que havia deitado a cabeça em seu ombro.

— Muito, minha felicidade vai ao infinito e além. — Falou para seus dois garotos.

— Bom. Eu amo você, hyung — Yugyeom ditou e assim como da primeira vez que ele havia dito, Jaebeom se sentiu abençoado — E você também, Youngjae hyung.

Jaebeom riu bagunçando os cabelos do caçula ao mesmo tempo que o Choi apertava as bochechas cheinhas o fazendo reclamar. Youngjae olhou para Jaebeom que retribuiu o olhar e foi como se apaixonar por ele tudo de novo.

— Eu amo você — Youngjae sussurrou baixinho só pra ele ouvir. E Jaebeom se sentiu finalmente completo.

Estava feliz, os três estavam felizes, era o que importava.


~세렌디피티~


Notas Finais


(ღ˘◡˘ღ) eu amo quem essa fanfic é (ღ˘◡˘ღ)

Se alguém quiser me dar um oi no twitter e ler eu chorando por causa de uma doll do JB o link é esse: https://twitter.com/Dimsum_saboroso

Se alguém quiser me mandar uma msg, crítica sei lá e tem vergonha e que anonimato o link é o do gato curioso: https://curiouscat.me/Dimsum_saboroso

Até a próxima!!


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