História Serendipity. (mitw) - Capítulo 1


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Palavras 3.305
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Mistério, Romance e Novela, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - Príncipe.


 

Desde pequeno, as coisas são estranhas para mim. Minhas memórias de mais novo são tão falhas quanto algo de milhares de anos atrás, nunca entendi o motivo disso e quando eu perguntava me ignoravam. Eu só tenho flashbacks de alguns míseros segundos que me assustam. Aparece sangue por todos os lados, o fogo quente como se estivesse comigo, gritos de socorro e alguém mascarado, segurando um machado e andando lentamente até o veículo tombado. Então, acaba e eu fico eufórico. Isso é frequente, mas nunca soube o porque. 

Não tenho nenhuma foto de quando eu era bebê, nada em nenhum canto da velha casa de madeira. A única coisa que minha mãe me diz quando tenho esses malditos flashbacks, é que eu sou muito precioso. Eu nunca perguntei já que estava ocupado tremendo e agoniado com o que se passava na minha mente. Tudo sempre foi estranho para mim, como se faltasse um pedaço da minha vida e me tornava incompleto. Meu pai mal olhava para mim e quando olhava, era para dar broncas ou perguntar o porquê dos meus machucados.

Eu sempre respondia que não era nada, que eu havia provocado alguém e ele me batia. Mas era mentira e eu sabia que ele desconfiava do que eu falava. Nunca fui bom em mentir. Mas as coisas eram diferentes a noite, eu sempre ouvia vozes desconhecidas e não saia do meu quarto. Na maioria das vezes, perguntavam sobre um garoto perdido a muito tempo. Eu já arrisquei sair do meu quarto, mas meu pai me pegou no meio do caminho e eu recuei. 

“Sabemos que o garoto está sobre os seus cuidados. Você foi a única pessoa que o viu, antes de ele desaparecer do hospital.” uma voz alta e grossa, sempre a mesma voz em todas as noites. O homem usava roupas pesadas, como se fosse guardas da realeza. Era a única explicação que eu pensava.

“Não estou. Você vem me perguntar todas as noites, insistir todas as noites. Não estou com ele, acreditem.” minha mãe respondia estressada, mas sem levantar o seu tom de voz. Eu sentia medo de que ele machucasse ela, pois nem sempre as discussões eram pacíficas. Na maioria delas, eram diatribe (discussões acaloradas).

“Quando o aniversário dele chegar, revistaremos sua casa a pedido dele. Não adianta tentar se mudar, estamos de olho em tudo o que você faz.” a voz sempre terminava com a discussão assim, os passos pesados ecoavam pelo cômodo silencioso e batia a porta, entrando num carro e sumindo. 

“Está próximo demais, eles não podem saber que ele está aqui. O que vamos fazer?” eu ouvia isso todas as noites, eu era o único que eles cuidavam. Eu nunca sabia o assunto que eles tratavam e eu ficava com medo, pois eu sabia que era algo ruim, muito próximo de ocorrer.

Eu nunca ouvia nada depois disso, apenas me rendia ao sono magicamente. Quando acordava, me arrumar para a escola e fingia que não sabia de nada, mas sempre tinha alguma coisa fora do lugar. Cartas. Muitas cartas em uma caixa “escondida” atrás da lavanderia. Meus pais fingiam estar tudo bem, agindo como se seja lá o que estava a vir fosse realmente acontecer. Isso me fazia ficar ansioso e ninguém conseguia controlar essa ansiedade, já que eu era proibido de tomar os remédios.

Meus amigos sempre tinham o meu remédio com eles e eu agradecia sempre. Eu sempre precisava ser colocado em algum lugar sentado e com música em fones, para que eu me acalmasse um pouco e pudesse tomar o remédio com cautela. Meus amigos sempre me protegem de tudo e me defendia de qualquer um que partisse para cima de mim, sem eu fazer qualquer coisa. 

Eu sempre brigava com eles, para que deixassem acontecer. Esse era o caminho que eles tinham escolhidos para si e não iriam mudar tão cedo, apenas se algum milagre acontecesse. Eu sempre cuidava dos machucados deles enquanto cantarolava sempre a mesma música, com eles me olhando com enormes sorrisos. Eu sempre pensei que eles escondessem algo de mim. Mas devia ser apenas a minha mente cheia de coisas ao mesmo tempo.

Sempre reparei que eles me olhavam diferente das outras pessoas, sempre sorriam para mim e tinham os olhos brilhantes. E quando precisava de ajuda para qualquer coisa, eles eram os primeiros a irem me ajudar mesmo que a professora brigasse com eles. Era como se eu fosse de cristal, e precisasse de muito cuidado para mim não cair e me estilhaçar em pedacinhos. Talvez na visão deles eu seja. Isso me fazia rir quando imaginava essa possibilidade. 

Mas um dia em específico, meu mundo virou de cabeça para baixo muito rápido e meus amigos precisaram me socorrer e me tirar daquele fuzuê. Eu tinha acordado como sempre e já estava pronto, ouvindo música e esperando minha mãe me levar a escola de carro. Quando deu o horário, entramos no carro e ela dirigiu para lá com pressa, desci do carro e entrei no enorme lugar. Meus amigos já me esperavam e fomos juntos para a sala. Ficamos nas aulas normais, com os garotos chatos me irritando.

No intervalo, foi o momento que eu senti o meu mundo se revirar e tudo se tornar uma bagunça enorme. Eu e meus melhores amigos comíamos enquanto conversávamos sobre o baile da escola, ansiosos para aquele grandioso dia — daqui a dois meses. E então, ouvi metal ecoando por todo o refeitório e tudo ficando em silêncio. Eu odiava quando algo saia da minha rotina. Ergui o rosto e olhei para a única entrada do refeitório e fiquei assustado. Eram homens da realeza, com espadas e armaduras pesadas. 

Rafael e Rodrigo se olharam assustados e me olharam preocupados, larguei minha latinha de refrigerante quase a derrubando. Senti meu corpo ficar estranho e um flashback vir todo estranho. Esses mesmos homens, estavam espalhados por um enorme quintal olhando tudo e sérios, uma criança brincava no quintal com mulheres o olhando com sorrisos, enquanto cuidavam das flores ou das roupas. Prendi a respiração ansioso e senti Rodrigo e Rafael segurarem minhas mãos.

— Sinto muito em atrapalhar o horário de vocês, creio que seja importante. — o homem se pronunciou sério, com a postura ereta e olhar sério, olhando cada uma das pessoas com os olhos ágeis. — Mas estamos aqui em busca de um garoto em específico, o qual estamos em busca a anos. Não o vemos desde uma trágica tragédia e ele é importante para a realeza. — Rafa fez um carinho com o polegar na minha mão. Já Rod, apenas entrelaçou sua mão na minha. — O papel, por favor. — pediu e eu tirei minha mãos dos dois, agoniado. 

Um homem puxou o papel enrolado e entregou ao homem que falava, voltando a sua posição séria igual aos outros tantos homens. Me virei ficando com as pernas no corredor entre as mesas, tentando controlar meus pensamentos e colocá-los em ordem, enquanto me mexia sem parar agoniado com a mudança de rotina. Eu sentia os dois me olhando preocupados.

— Bom, a pedido do rei Robert Álvares e da rainha Elisa Pacagnan, procuramos o filho deles… — eu me levantei impaciente e sai andando até a saída, sem me importar com meus amigos me chamando. — Tarik Felipe Álvares Pacagnan. — meu nome foi pronunciado e eu passei por eles rapidamente, correndo pelos corredores.

Ouvi os gritos de Rafa e Rod me chamando mas não conseguia ficar lá. Corri por todos os corredores indo para o final do colégio, a parte que ninguém frequenta e é sempre vazia. Me sentei com as costas colada no muro e procurei por meus fones, os encontrando embolados em meus bolsos. Desfiz todos os nós todo atrapalhou e quando consegui, coloquei nos meus ouvidos e conectei com o celular, colocando rapidamente em qualquer mochila. 

Minha mãe sempre me contou histórias em que o rei e a rainha são maus, machucam as pessoas e controlam tudo da vida delas. E na escola, as coisas eram mais mágicas e encantadoras, onde princesas e príncipes tinham finais felizes sempre e sempre. Nunca acabava de forma triste ou que deixasse alguém triste, somente finais felizes. Eu nunca soube no que acreditar, apesar de mamãe insistir que eles eram horríveis.

E naquele momento, eu só queria conseguir ficar no meu mundinho e esquecer que eles me chamaram e que eu — pelo entendimento do meu cérebro — era um príncipe desaparecido a anos, desde um acidente horrível. Mas ao me acalmar e pensar com clareza, fazia sentido os flashbacks. O sonho do carro fazia sentido, um garotinho brincando por alguma parte do castelo sobre a visão dos guardas. As mulheres cuidando das coisas do castelo. Tudo fazia sentido.

Fechei os olhos tentando aliviar o aperto no coração, tentando controlar a respiração acelerada e o medo. Medo de saber a verdade, de entender tudo o que eu ouvia a meses sobre ‘o grande dia’, de saber que quem eu considerava meus pais, apenas são sequestradores. É horrível ficar com mil e uma coisas na cabeça sem saber se organizar.

Senti duas pessoas se sentarem ao meu lado e me abraçaram apertado. Não queria abrir os olhos e ver que minha vida toda era uma mentira — em partes — e que iria para um lugar totalmente novo sem meus amigos. Eu detesto encarar a realidade, porque é nela que estão os monstros. Abri os olhos e prendi a respiração ao ver os guardas ali, todos me olhando. 

— Pac… tá tudo bem. — ouvi a voz tranquila de Rod e o olhei, vendo-o com um sorriso fofo no rosto e olhar preocupado, eu concordei repetindo isso na minha cabeça. — Eu e o Rafa temos uma coisa séria para falar com você, e você precisa ser forte para aguentar. Lembra? Seja forte… — disse e eu respirei fundo, antes de continuar nossa frase de efeito boba.

— Pois os fortes falham para aprender coisas novas. — falei baixo, vendo-o concordar, os cabelos dele voavam e ele ajeitou rapidamente o óculos que caia, olhei Rafa que me abraçava também, olhando pro chão com um triste sorriso no rosto. — O que… vai acontecer? — perguntei baixo, encolhido pelo vento gelado que tinha ali e olhando os guardas. Rod suspirou e eu senti medo do que ele iria falar.

— Conversamos com os guardas logo quando você saiu correndo. — Rafa fala baixo, acariciando minha mão e segurando as lágrimas. — Você tem muita coisa para descobrir, você tem que ser forte. Você é um príncipe de verdade, meu pequeno. — eu senti vontade de chorar e segurei as lágrimas ao máximo que pude. — Você precisa voltar ao castelo e conhecer seus pais verdadeiros, mas se escolher ir, não poderemos ir. Iremos ficar. — deixei que as lágrimas caíssem.

Meu choro dizia tudo. Eu odiava ter que ficar afastado deles e receber essa notícia era horrível. Eles me abraçaram muito mais forte, me deixaram de fone e choraram comigo. Esses momentos eram preciosos, pois eram os únicos que compartilhamos nossa dor e ele acontecia uma vez a cada mês Quando me acalmei, tirei os fones e contragosto os olhei, vendo-os parados como estátuas ali.

— Bom, você tem vinte e quatro horas para se decidir. Caso a resposta seja “sim”, basta ir nesse endereço aqui. — me entregou um papel e eu o peguei, analisando-o. — E se a resposta for não, basta apenas não ir. Seus amigos não puderam ir junto. — avisou e eu concordei, sentindo eles me apertarem mais. — Até amanhã, príncipe Tarik. — ele sorriu e se curvou, saindo da escola marchando.

Eu permaneci em silêncio, encarando aquele papel com vontade de chorar novamente. Eles me soltaram após um tempo e se levantaram, oferecendo as mãos para me ajudar, forcei um sorriso e segurei, sendo puxado para cima e levantado. Guardei os fones e o papel no meu bolso, para pensar com calma em casa com os meninos. Conforme íamos para a nossa sala, o pessoal me olhava estranho.

Eu apenas abaixei a cabeça e segui em frente, com eles ao meu lado me confortando com palavras. Assim que entramos, a atenção foi toda para a gente e Rod foi explicar o motivo a professora, que entendeu e nos desculpou. Me sentei no meu lugar e eles nos lugares deles, me olhando preocupados

— Pac, sabemos o quanto essa notícia te afetou. — Rafa murmurou acariciando minha mão, com cautela e um sorriso fraco. — Não pelo fato de você ser o príncipe perdido ou seus “pais” terem mentido para si. Mas pelo fato de não podermos ir com você, pode parecer clichê, mas somos apegados uns aos outros. Vai ser difícil pra caralho conviver sem você. — eu ri baixo, olhando minha carteira vazia.

— Mas vamos dar um jeito de te visitar, custe o que custar. Nem que eu precise cometer um crime para te ver, porra, eu sou muito apegado a você, que saco! — Rod murmurou irritado e eu ri, balançando a cabeça repetidas vezes num não. — Acho que quando você ir, vou morrer de saudades e ficar chorando com o Cell por todos os cantos. — dramatizou e eu ri.

— Vão nada. — me pronunciei e respirei fundo, ao notar que minha voz estava rouca. — Vocês vão é se gabar por ser amigo do príncipe que eu sei. Vocês são as melhores pessoas que eu já tive em toda a minha vida. — eles sorriram e fazendo sorrir bobo, notando os olhares e me fingindo de sonso. — Mas eu não sei se eu quero ir, eu tenho que me resolver com meus “pais” e entender essa situação toda. Tenho vinte e quatro horas para decidir, mas mil e uma coisas para resolver e entender. — fiz um biquinho.

— Olha, vamos fazer a mala para você, enquanto você resolve os problemas. — Rod murmurou e eu o olhei sorrindo fraco, mexendo minha perna agoniado. — Enquanto fazemos isso, conversa com seus pais. E depois, com calma, decide. Não importa qual for sua decisão, iremos te apoiar sempre. — eu concordei respirando fundo.

— Mas imagina ele todo arrumadinho? — Cell sorriu olhando pro teto, sorrindo. — Porra, já é lindo com qualquer roupa. Mas imagina todo arrumadinho então? E se tiver a coroa, vai ser mais gato ainda. — eu o olhei chocado, rindo. — Foda ser amigo de um príncipe, sabe? — se gabou me fazendo revirar os olhos.

— Só vocês para melhorar meu pânico mesmo. — comentei rindo e balançando a cabeça, sentindo Cell soltar minha mão e pegar meu caderno que estava em branco. — Deixa eu adivinhar, vai escrever textos? — perguntei e ele concordou, se virando para sua carteira e pegando suas canetas coloridas. — Eu vou vir ver vocês, nem que seja escondido. — murmurei e Rods me olhou.

— Se conseguir sair do castelo sem ninguém te ver, me avise para arrumar minhas coisas. Porque eu sei o que se passa nessa cabecinha. — eu dei a língua a ele que riu, cruzei os braços respirando fundo. — Mas você nunca notou que havia algo de errado com sua família? Dos flashbacks dava para ter uma noção que algo faltava. Mas a maior pergunta é: como te acharam? — perguntou confuso e eu respirei fundo.

— Todas as noites, eu ouvia minha mãe conversando com um homem, as discussões sempre eram feias. Em uma dessas vezes, o homem que eu nunca vi já que não podia sair do quarto, falou que ela foi a última pessoa que me viu antes de eu desaparecer. Eles sabiam o tempo todo que ela estava cuidando de mim e iam todas as noites, sem falta. — brinquei com meus dedos distraído. — Eles esperavam o grande dia chegar, mas que eu saiba, hoje é um dia normal para mim. — Rod me olhou de sobrancelhas arqueadas.

— E se hoje for seu aniversário? — ele falou e eu o olhei como se ele fosse maluco. — Seus pais nunca comemoraram seu aniversário, e se comemoram um dia depois, porque foi o dia que te roubaram? Fazendo a vida toda comemorarmos seu aniversário numa data errada. — Rod falou rápido e eu concordei.

— Uma vez, minha mãe foi no meu quarto e ia falar “Parab… Bom dia” mas mudou, e meu aniversário era no dia seguinte. — comentei e eles se olharam. — Se eles não me contarem, eu vou para lá só para saber dessa história toda. Minha cabeça dói com tanta informação acontecendo. — suspirei.

Continuamos conversando enquanto eu ria dos pensamentos deles sobre o castelo, enquanto eu pensava no motivo de eles terem mentido para mim por anos. Ficamos o restante de todas as aulas conversando, os professores nem se importaram. Assim que o sinal para ir embora tocou, guardei meu material na velocidade da luz e saí junto com os meninos para irmos a minha casa.

O trajeto até lá foi eu me torturando com pensamentos e pensamentos. Assim que chegamos, destranquei a porta e entrei, olhando tudo revirado ao avesso e eles sentados nos sofás, em silêncio. Rod fechou a porta e puxou Rafa pro andar de cima, onde levaram junto minha mochila e iriam arrumar minhas malas, eu senti a vontade de chorar de novo.

— Por que mentiram para mim? — perguntei sério, ainda sem me mover do meu lugar, vendo-os me olharem culpados, mas eu ri irônico. — Vocês mentiram para mim por anos. Vocês são uns filhos da puta. — gritei com ódio, me descabelando. Meu pai se levantou do sofá. — Não se aproxima de mim. — pedi segurando o choro e ele se sentou, chateado. — Porra, vocês são as piores pessoas desse mundo todo, não estou mentindo. — eu ri cedendo, deixando que as lágrimas escorrerem por meu rosto. — Eu odeio vocês pra caralho. — gritei escorando minhas costas na porta e escorregando até o chão.

— Pac, deixa eu explicar… — meu pai tentou falar mas eu ignorei, me encolhendo e chorando desesperadamente puxando meus cabelos com ódio. — Não queríamos ter mentido para você, não era nossa intenção. — ele disse e eu ri tremendo de nervoso. 

— Tarik Felipe Álvares Pacagnan, 18 anos hoje, 26 de julho de 1999. Sofreu um acidente aos seis anos de idade e foi levado ao hospital em estado grave, Rosângela Lima e Roberto Álvares viram tudo. O rei e a rainha foram internados em estado grave, deixando o pequeno príncipe sem ninguém, nenhum familiar. Rosângela teve a ideia de levar o garoto para casa, quando tirassem ele dos aparelhos e dar amor longe daquela vida de príncipe. — ouvi a voz de Rosângela e sentia meu mundo ir acabando aos poucos. — Conseguiu levá-lo sem que ninguém percebesse. Cuidou como se fosse o próprio filho e anos depois, a guarda real descobriu o paradeiro do garoto e começaram a forçar Rosângela a contar onde ele estava, afinal, ela foi a última pessoa a vê-lo. E todas as noites, dizia que não sabia temendo pelo que acontecesse. — eu não conseguia ouvir mais nada do que ela dizia. 

Eu simplesmente me forcei a parar de chorar, sequei todas as lágrimas desesperado e me levantei respirando fundo e olhando para eles uma última vez e subi as escadas correndo, ouvindo-os me chamar. Eu não conseguia ouvir eles pois a verdade doía demais, motivos tipo esse que odeio a realidade. Entrei no meu quarto e os vi fechando minha mala, conversando baixo. Entrei e fechei a porta, me sentando na cama e me sentindo mal. 

— Hey, já estamos terminando de arrumar suas coisa. Vamos fazer você ter o melhor dia da sua vida, até chegar a hora da decisão. — Rod comentou, pegando meu livro favorito e colocando na mochila, com um sorriso triste. — Não importa a sua decisão, vamos ficar felizes de qualquer forma. Mas e for, por favor, fala muito com a gente, okay? — pediu e eu concordei.

— Vamos deixar seu celular carregando, para estar com cem por cento de bateira amanhã. Preparado para ter o melhor dia da sua vida? Encare como uma despedida, mas não fica triste. — Rafa pediu colocando um caderno dele e de Rod na minha mochila, me olhando e sorrindo. — Mais tarde você entenderá para que serve esses cadernos. — eu concordei levemente. 

 



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