História Serpensortia - Capítulo 1


Escrita por:

Postado
Categorias Harry Potter
Personagens Abraxas Malfoy, Alastor Moody, Alice Longbottom, Alvo Dumbledore, Bellatrix Lestrange, Franco Longbottom, Kingsley Shacklebolt, Lílian Evans, Lord Voldemort, Lucius Malfoy, Personagens Originais, Severo Snape, Sirius Black, Tiago Potter, Tom Riddle Jr.
Tags Aurores, Malfoy, Marotos, Personagem Original, Primeira Guerra, Slytherin
Visualizações 386
Palavras 5.693
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Luta, Magia, Romance e Novela, Saga, Sobrenatural
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 1 - O Corvo e a Ruiva


Havia algo de errado com ela, tanto seu pai, quanto o senhor Ollivander provavelmente se deram conta disso quando, no dia 25 de agosto de 1971, aquela varinha a escolheu. Abeto vermelho, com pena da calda de uma fênix, trinta e três centímetros, farfalhante, surpreendentemente flexível.

Os olhos estranhamente azuis do artífice das varinhas cintilaram. Evelyn o achou um tanto maldoso, mas à época não saberia dizer o porquê. Ollivander pegou a varinha de suas mãos e com calma passou a embrulhá-la. Enquanto isso, começou a lhe explicar que o abeto vermelho era uma madeira difícil de ser trabalhada, que pedia por uma bruxa de mão firme, ou a varinha teria as próprias ideias sobre a magia que iria produzir. Mas se a bruxa, ela, naquele caso, conquistasse a confiança da varinha, seriam capazes de produzir efeitos particularmente extravagantes e dramáticos.

Evelyn Malfoy deu de ombros com o início da explicação, pois estava mais do que disposta a dominar sua varinha. Ora bolas, ela era uma Malfoy, ninguém esperava nada além do que perfeição vindo dela. Mas o senhor Ollivander não se intimidou com o desdém da garota e piscou para ela, o que apenas deixou seu pai ainda mais impaciente. Abraxas não queria estar ali, nenhum deles dois sabia como exatamente a senhora Malfoy o havia convencido a acompanhar a filha caçula até o Beco Diagonal. Mas, já que estava ali, o bruxo não podia simplesmente aparatar para longe e esperar que a menina de onze anos voltasse para Wiltshire andando.

— Eu devo dizer, senhorita Malfoy — a voz de Ollivander interrompeu seus pensamentos, e ela desviou o olhar do pai — que a combinação de abeto vermelho com penas de fênix é absolutamente incomum. Fênix é um animal muito raro, elas são extremamente exigentes quanto a potenciais proprietários. Sua varinha sempre exigirá de você um duplo esforço para ser dominada, mas, quando for, ela lhe trará o dobro do resultado. Uma troca justa, não?

— Eu imagino que sim — a garota concordou e pegou a caixa com a sua varinha, apertando-na de encontro ao peito — Mas se ela é tão especial, escolheu a dona certa. Aqui estão seus galeões. Obrigada pela varinha, senhor Ollivander.

Dois elfos domésticos estavam parados do lado de fora, carregando as compras que já haviam feito. Abraxas os encarou impaciente e mandou que eles levassem todas as coisas para casa e que sumissem da sua frente. O jovem Dobby foi o último a desaparecer; mas, antes, ele deu uma piscadela para Evelyn, que conteve o sorriso. Ela sabia que o elfo doméstico era problemático, mas nunca diria a ninguém, ou provavelmente seu pai o surraria até a morte.

Abraxas a levou então para a Travessa do Tranco, a garota imaginava que sua mãe não ficaria feliz caso descobrisse sobre o desvio nas compras da manhã. Aquele era um lugar particularmente suspeito, onde bruxos mal-intencionados iam quando precisavam de algo. Mas seu pai pouco se importava com a opinião alheia e tinha uma fama que o precedia. Provavelmente, caso alguém ousasse falar ao seu respeito, amanheceria azarado.

Aquela não era a primeira vez dela naquela parte do Beco Diagonal, Lucius gostava de visitar a Travessa do Tranco quando ia comprar seus materiais escolares, então com o tempo a menina deixara de saltar assustada quando ouvia algo estranho e sequer piscava para os bruxos que espreitavam os becos. Aquele era o último ano do irmão em Hogwarts e ele fora sozinho comprar o material no começo do mês, antes de desaparecer em uma viagem com uns amigos pela Europa Oriental.

Evie não esperava que o irmão lembrasse que eles existiam enquanto estava fazendo coisas erradas em países que ela sequer conseguia pronunciar o nome, mas sua mãe ficara realmente magoada quando não recebera sequer uma coruja no dia do aniversário, duas semanas atrás. Ivana Malfoy, embora tivesse vivido boa parte da sua vida na Inglaterra, ainda tinha uma paixão correndo pelas veias, que era estranha para o resto da família; coisas russas, como Abraxas costumava dizer.

A lembrança da mãe logo escapou da mente da garota quando eles cruzaram as portas da loja Borgin & Burkes. Era um velho antiquário fundado em 1863, que fornecia serviço de avaliação confidencial para artefatos bruxos incomuns e antigos...

— Não toque em nada — Abraxas determinou enquanto caminhava na direção do balcão, onde o senhor Borgin esperava aparentemente nervoso, o que não era algo tão incomum. Normalmente o pai da garota causava aquilo nas pessoas — Então, Borgin, o que tem para me dizer?

— Oh, senhor Malfoy, é um item impressionante, sem dúvidas! — o homem velho e feio declarou, e ela observou as mãos dele passeando sobre uma pequena caixa de madeira depositada no balcão — Ouvi histórias, histórias apenas, que outra dessa foi vista em Koldovstoretz, a escola de magia da Rússia, mas não há ninguém vivo para confirmar essa informação.

— É real? — seu pai perguntou impaciente.

— Sem dúvidas, senhor Malfoy — Borgin confirmou e empurrou a caixinha na direção do seu pai — Mas as histórias contam que são necessárias pelo menos duas para serem usadas corretamente.

— Não me disse nada além do que eu não soubesse — Abraxas resmungou, mas ainda assim depositou um galeão sobre o balcão.

— Gostaria de ver algum item em particular?

Seu pai estreitou os olhos na direção do vendedor ao ouvir aquela sugestão, que se fosse mais inteligente teria ficado quieto sem tentar barganhar.

— Não hoje, não vê que estou acompanhado da minha filha?

— Oh, mas claro... — Borgin finalmente olhou na direção da menina — Ollivanders! Primeiro ano, imagino... Empolgada com a escolha de casas, senhorita?

— Não existe escolha de casas na minha família, Borgin — Abraxas declarou e colocou uma mão sobre o ombro dela — Somos e sempre seremos Slytherin.

 

*#*#*#*#*

 

O primeiro dia de setembro chegou antes do que a garota poderia imaginar, contudo antes de finalmente partir para a estação ferroviária de King's Cross, ela teve que passar por uma sessão muito depressiva de pedidos e lamúrias de sua mãe. Ivana não estava preparada para ter a casa vazia, o que provavelmente faria que ela adotasse mais um gato, como se os cinco que a mulher tinha já não fossem suficientes.

Talvez pela primeira vez na sua vida, Lucius foi útil e lhe arrastou para longe da mãe. O irmão já estava usando as vestes verde esmeralda de Slytherin e o brilhante broche de monitor—chefe resplandecia na lapela. Embora ele afirmasse que pouco se importava com aquela posição, parecia muito pronto para esfregar o broche na cara de todos assim que chegassem ao Expresso de Hogwarts.

— Isso é uma chave de portal — Lucius disse e lhe entregou um lápis amarelado — Vai lhe levar direito para a Estação 9 e ¾, simplesmente tente não vomitar ou vai me envergonhar na frente de todos.

Evelyn olhou com dúvidas para o lápis comum que tinha em mãos, pois nunca antes usara uma chave de portal, sua mãe a levava pela Rede de Flú quando iam visitar as famílias amigas. O objeto não parecia mágico de nenhuma forma, mas provavelmente devia funcionar, Lucius não tinha senso de humor suficiente para fazer uma piada.

A garota deu uma última olhada na sala de casa enquanto o grande relógio cuco informava que faltava menos de meia hora para as onze da manhã. Havia esperado ir para Hogwarts desde que se conhecia por bruxa e, exatamente como sempre imaginara, mal podia esperar para deixar as paredes de Wiltshire e desbravar seu mundo.

— Faltam dez segundos agora... — a voz de Lucius a assustou, fazendo com que ela agarrasse no lápis com mais força.

Aconteceu instantaneamente. Evelyn teve a sensação de que um gancho dentro do seu umbigo fora irresistivelmente puxado para frente, e logo a antiga e respeitável casa dos Malfoy ficou para trás. Ela mais sentiu do que viu seu corpo ser levado em uma velocidade indescritível pela distância que separava Wiltshire da Estação King's Cross, em Londres. A garota teve uma visão do alto dos prédios apenas um segundo antes de se sentir despencar na direção do chão. Faltava menos de quinze metros quando, de alguma maneira, Evie conseguiu ficar de pé e desceu a distância que faltava como faria em uma enorme escada.

Quando os pés da garota alcançaram o chão foi para encontrar Lucius parado na sua frente, com os braços cruzados, fazendo uma careta. Ele estava esperando que a irmã se esborrachasse no chão.

— Metida — o irmão resmungou e, com um aceno de varinha, colocou os malões de ambos sobre um carrinho — Tente ficar fora do meu caminho até o ano acabar e, caso se meta em problemas, não somos parentes.

— Também amo você! — ela declarou, vendo o irmão mais velho se afastar na direção de um grupo de garotos do sétimo ano.

A locomotiva vermelha de Hogwarts já começava a ficar apinhada de adolescentes desajeitados, as corujas piavam em suas gaiolas parecendo impacientes com a balbúrdia que as cercava; animais sábios, eram as corujas. Sem pressa, a garota seguiu por meio das famílias reunidas e sem dificuldade conseguiu distinguir as famílias trouxas se despedindo. Seu pai não suportava estar no mesmo recinto que um nascido—trouxa, ficar cercado de dezenas deles era exigir demais da paciência de Abraxas, por isso ele acompanhara Lucius apenas no primeiro ano e nunca mais pusera os pés na Estação 9 e ¾. Sua mãe era um pouco mais tolerante, mas ela estava tão triste com a partida de Evie, que preferira ficar em casa, por isso sobrara para ela ser apenas mal acompanhada pelo irmão.

Evelyn passou por uma família trouxa e presenciou uma cena bem particular de duas irmãs discutindo, os pais delas estavam tão encantados que nem notaram a filha mais velha, e com certeza integralmente mundana, cuspir na menina mais nova. Provavelmente o desenrolar da briga devia ter sido interessante, mas a garota tinha pessoas a encontrar no Expresso de Hogwarts.

Ainda havia muitas cabines vazias como ela havia imaginado, mas lá pelo meio do segundo vagão achou os dois espécimes que estava à procura, com cabelos de idêntico tom de preto-aveviche, não podia haver meninos mais diferentes no mundo.

— James, Sirius! — ela os chamou, interrompendo uma intensa troca de Figurinhas de Sapo de Chocolate.

— Evelyn! — o garoto mais baixo e de óculos abriu um sorriso enorme para ela — Nós estávamos pensando onde você havia ido parar.

— Eu vim de chave de portal! — contou e sentou ao lado do outro menino, o observando com o cenho franzido — O que há de errado com a sua cara?

— Bom dia para você também, estranha — Sirius revirou os olhos, mas ela ainda podia perceber que a bochecha dele estava inexplicavelmente vermelha — Onde estão suas cartas? Você escreveu dizendo que tinha conseguido um segundo Agrippa!

— E eu consegui — ela contou empolgada e tirou o calhamaço de cartas das vestes de Hogwarts, que já estava usando — Mas a questão, meus caros, é o que um de vocês dois vai me dar pelo meu Agrippa.

James e Sirius se entreolharam por um momento, mas logo começaram a revirar a próprias cartas em busca de uma boa barganha. Embora os dois fossem parentes em algum grau, a senhora Potter e a senhora Black vinham da mesma família. Evelyn sempre achara curioso como os dois meninos eram diferentes, ainda que conseguissem conviver sem se matar.

Eles haviam passado boa parte de suas curtas vidas juntos, pois quando sua mãe se casara com o senhor Malfoy e se mudara da Rússia, não conhecia absolutamente ninguém. Mas a senhora Potter e a senhora Black haviam acolhido Ivana e logo a integraram na sociedade bruxa da Inglaterra. Então seus filhos, que nasceram em uma diferença de poucos meses, acabaram por passar boa parte da infância juntos e se tornaram amigos.

— Olá? — uma vozinha fina e indecisa veio da porta, era garota nascida trouxa que brigara com irmã na plataforma — Um monitor mandou que eu ficasse com alunos do primeiro ano, vocês são do primeiro ano?

— Sim, somos — Evelyn confirmou, já que seus amigos trasgos nem olharam para a menina — Pode se sentar.

— Obrigada — ela correu para sentar perto da janela, no banco da frente que eles ocupavam. Aparentemente a briga com a irmã ainda fazia efeito, pois os olhos verde-esmeralda estavam vermelhos.

Evelyn logo parou de olhá-la quando Sirius agarrou no seu braço, lhe forçando a se virar para eles mais uma vez. Ela arregalou seus olhos acinzentados ao ver a carta que o amigo segurava.

— Herpo, o Sujo — ela pegou a carta nas mãos com cuidado, Lucius lhe contara certa vez que havia uma estátua dele no Salão Comunal de Slytherin.

— Mas, cara, você só tem uma dessas! — James também se surpreendeu.

— Sim, mas as chances de eu conseguir outro Herpo são bem maiores do que achar um Agrippa — o menino justificou e lhe cutucou — Então, Malfoy, vamos fazer negócios?

— Hum... — Evie ergueu o olhar para James e ao mesmo tempo um garoto, já usando as vestes de Hogwarts, entrou na cabine deles e foi se sentar perto da ruiva — James, você tem algo melhor do que isso? Eu imaginei que não — ela pegou a figurinha de Agrippa do seu montinho e passou para Sirius — Agora só falta Ptolomeu.

— Eu estou começando a acreditar que Ptolomeu é uma lenda, meu pai me disse que nunca conheceu alguém que tivesse a figurinha de Ptolomeu — James contou, olhando com certa cobiça para a figurinha que o amigo ainda estava admirando.

— É melhor você entrar em Slytherin — a voz do menino recém-chegado os surpreendeu tanto com aquela declaração súbita, que os três se viraram para observá-los.

— Quem quer ir para Slytherin? — James disse e ela teve que revirar os olhos para o amigo — Acho que eu desistiria da escola, você não?

Havia definitivamente algo estranho com Sirius, pois o menino não retrucou como sempre fazia, ele levou uma das mãos até a bochecha avermelhada e declarou com uma voz quase triste.

— Você sabe que toda minha família foi de Slytherin.

— Caramba! — James exclamou como se aquilo fosse uma surpresa enorme, aparentemente sem notar a estranha postura do outro menino — E eu pensei que você fosse legal!

Sirius finalmente conseguiu rir.

— Talvez eu quebre a tradição, seu gryffindor de merda.

Evelyn teve que revirar os olhos ao ver o garoto voltar ao seu normal, então encarou a garota ruiva e o seu aparentemente amigo.

— Ignore—os, eles são idiotas. Você é uma nascida—trouxa, não é? — ela perguntou e recebeu um aceno da ruiva, enquanto o menino macilento ao seu lado adquiria uma postura subitamente protetora — Eu não sei o que ele disse para você, mas não existe nenhuma chance, nem que Morgana ressuscitasse, de uma nascida trouxa ser selecionada para Slytherin. Aceitamos apenas sangue—puros, às vezes um mestiço, mas apenas se o aluno for simplesmente excepcional.

A ruiva lançou um olhar chateado para o amigo, provavelmente ele havia ocultado aquele pedaço de informação em algum momento, mas logo a menina voltou a lhe encarar e Evie pôde ver um brilho desafiante nos olhos verde—esmeralda. Uma gryffindor, ela podia apostar galeões qual seria a opção do Chapéu Seletor.

— Você fala como se já tivesse sido selecionada, mas é uma aluna do primeiro ano como nós, não é?

— Tecnicamente eu nunca fui para Hogwarts antes — Evie concordou com o nariz empinado — Mas nós — ela incluiu Sirius na explicação — nossas famílias, quero dizer, têm sido de Slytherin desde sempre! Nós, Malfoys, chegamos à Inglaterra no ano de 1.066 e a partir daí fomos selecionados para a casa da serpente. Já Potter é um traidor do sangue, embora ele fique se pavoneando quanto a cair em Gryffindor, a mãe dele também foi de Slytherin.

Foi a vez de James revirar os olhos e erguer a mão como uma espada.

— Bobagem! Eu irei para Gryffindor, a morada dos destemidos! Como meu pai!

Ao ouvir aquela declaração empolgada, o menino macilento soltou um muxoxo de pouco caso, fazendo com James se virasse para ele de cenho franzido.

— Algum problema?

— Não — o menino afirmou, mas o sorrisinho de deboche continuava ali, e Evelyn soube, sem dúvidas, que ele seria seu colega em Slytherin — Se você prefere ter mais músculo do que cérebro...

Ela teve que rir da briguinha boba dos meninos.

— Ele te pegou com essa, Potter.

Mas Sirius nunca iria deixar aquela passar, seus instintos de um slytherin não podiam ser negados, embora aparentemente ele estivesse revoltado com sua herança naquele momento.

— E para onde você está esperando ir, uma vez que você não tem nenhum dos dois?!

Imediatamente James e Evie explodiram em gargalhadas gostosas. Mas a menina ruiva ficou ruborizada e olhou para eles com uma expressão de puro desagrado.

— Vamos, Severus, vamos procurar outro compartimento.

Os meninos tentaram imediatamente imitar o ar de superioridade que a menina trouxa ostentava, e James ainda teve a capacidade de tentar fazer o menino macilento levar um tombo.

— A gente se vê, ranhoso! — Sirius foi até a porta da cabine para gritar, provavelmente todo o vagão o havia escutado — Quem eles pensam que são?

— Sangues ruins? Embora eu suspeite que o ranhoso seja meio sangue, ele me lembra um bruxo que vi no Profeta certa vez — Evie comentou.

— Sabe, você não devia chamar as pessoas de sangue ruins agora que estamos indo para Hogwarts — James disse de cenho franzido e corou quando recebeu olhares incrédulos — É que meu pai diz que é falta de educação.

— Seu hipócrita! Você acabou de se mijar quando Sirius chamou o moleque de ranhoso — ela resmungou — Vá comprar doces para nós, James, faça algo útil.

— Oh! Eu vou deixar os dois namoradinhos sozinhos, é claro que vou — o menino riu, fazendo Sirius ficar sem graça como ocorria em todas as ocasiões em que James dizia aquilo, mas ela realmente não se importava. Não achava que havia chances de algum dia querer Sirius como seu namorado, ela tinha muitas cenas constrangedoras dele marcadas na mente para realmente conseguir beijá-lo.

Por isso, Evelyn apenas se levantou quando James já estava longe e fechou a porta da cabine, para terem um pouco de privacidade, voltando logo se sentar perto do menino.

— Sua mãe bateu em você? — ela perguntou direta e tocou o machucado na bochecha dele.

Sem realmente surpreendê-la, Sirius fechou a cara e evitou seu olhar.

— Ela me deu um tapa quando eu disse que preferia ser um elfo doméstico a ir para Slytherin.

— É? Sempre pensei que Walburga gostasse de elfos domésticos, para uma pessoa que os empalha e espalha pela casa — a garota ergueu uma sobrancelha e conseguiu fazê-lo rir — Vamos concordar que sua mãe é uma bruxa muito estranha, sempre achei que mamãe era amiga dela mais por medo e para deixar papai feliz.

— Provavelmente foi por isso mesmo — o menino concordou e curiosamente pegou uma de suas mãos. Ela não estava acostumada com gestos gentis vindos dele — Você vai ficar muito chateada se eu não cair em Slytherin?

— Que espécie de pergunta estúpida é essa? — Evie teve que arregalar os olhos — É claro que vou! Eu tinha esperanças que conseguíssemos fazer James cair em si e esquecer toda essa bobagem gryffindor, que o senhor Potter enfiou na caixola dele.

— Evie... Eu não quero ir para Slytherin, não quero ser como todos os Black, estou de saco cheio da minha mãe e de suas manias estranhas, de Regullus, o filho perfeito... E...

— Está bem — ela não deixou que ele continuasse e devolveu o aperto de mão — Embora isso vá totalmente estragar meus planos para que dominássemos Slytherin assim que Lucius se formasse, e provavelmente eu vá ter que ignorar você e James até nos formarmos.

— Não! Nós vamos continuar a ser amigos. Jure agora, Evelyn Malfoy, nunca deixaremos Hogwarts ficar entre nós — ele pediu e havia uma resolução no olhar que era totalmente nova.

— Está bem, está bem... — ela concordou com um bico — Eu prometo que nunca deixarei Hogwarts ficar entre nós, satisfeito? Não sabe o que está pedindo, todos meus colegas de Slytherin vão rir de mim por ser amiga de dois gryffindors idiotas.

Subitamente Sirius riu meio confuso, meio feliz.

— Você acha que eu vou para Gryffindor?

— Sério, Black? É a única opção razoável, se você cair em Hufflepuff, eu definitivamente paro de falar com você.

 

*#*#*#*#*

 

Quando as portas do trem foram abertas para os alunos saírem, os três amigos trocaram sorrisos empolgados. Hogwarts não era de fato um mistério para nenhum deles, que já tinham uma vaga reservada desde o nascimento. A sensação de euforia estava mais relacionada com o que a escola iria lhes tornar, tanto bruxos das trevas como ministros da magia um dia haviam sido apenas alunos do primeiro ano como eles.

Evie resmungou um palavrão quando James a cutucou dolorosamente nas costelas e ela teve que olhar na direção que o amigo apontava. Logo à frente havia uma criatura muito alta, chamando pelos alunos do primeiro ano.

— É o guarda caça meio—gigante! — ela contou empolgada — Hagrid, esse é o nome dele?

— Ele é meio pequeno para ter sangue de gigante — James comentou enquanto analisava o homem, que os guiava na direção da flotilha de barcos no Lago Negro, com certa descrença — Será que não só histórias? Ele pode ser só... grande.

— Quantos graus você usa mesmo nesse óculos? — Sirius revirou os olhos — Vamos comentar sua dificuldade com o curandeiro de Saint Mungus da próxima vez, o cara deve ter uns três metros de altura!

— Provavelmente mais — Evie concordou, observando a criatura estranha ajudar os alunos a subirem nos barcos com um cuidado curioso, quase impossível, considerando o quanto ele parecia assustador e selvagem à primeira vista — Mas talvez James esteja certo — ela disse e recebeu um olhar de pura descrença de Sirius — Gigantes são descontrolados e odeiam bruxos, duvido muito que Dumbledore deixaria um deles, mesmo que um parente distante, cuidar de alunos do primeiro ano. Meu pai não gosta da política do Diretor, mas sempre diz que ele é um grande bruxo.

— Desde que ele chutou a bunda de Grindelwald — Sirius disse e chegou a vez deles entrarem no barquinho — Sempre achei curioso que os Malfoy não gostassem do velho Grindelwald.

— Papai diz que ele foi péssimo para os negócios — Evelyn sentou no seu lugar e se inclinou melhor, para ter uma boa visão do castelo de Hogwarts, enquanto os barcos começavam a se movimentar sozinhos — Matou um monte dos nossos fornecedores de produtos mágicos na Europa Oriental, mas foi por causa disso que papai teve que viajar pelo continente e acabou conhecendo mamãe. Pensando bem, provavelmente eu deveria agradecer Grindelwald por estar aqui.

— Lhe lembraremos disso da próxima vez que formos para Azkaban, você leva flores para ele — James comentou e os garotos que estavam no barco mais próximo gritaram quando um dos tentáculos da lula gigante surgiu na superfície — Ele é mesmo impressionante, não é? Mais do que nas fotografias do Profeta.

Evie e Sirius, que estavam mais no fundo do barco, levaram dois segundos a mais para ter uma visão completa do castelo de Hogwarts e, embora não fossem dizer aquilo alto, era de fato impressionante, as fotos não faziam justiça.

Não demorou para aportarem e boa parte dos alunos saiu correndo na direção da entrada do castelo. Os três não tiveram tanta pressa, observando os terrenos ao redor com curiosidade, por isso quando alcançaram o enorme hall, o fizeram ao mesmo tempo que uma bruxa adulta, certamente uma professora de Hogwarts. Mas antes que a bruxa tivesse chance de começar um discurso, todos puderam ouvir um estalo alto e uma das armaduras começou a andar na direção dos primeiro-anistas, algumas das meninas começaram a chorar, uns meninos se esconderam atrás de algumas estátuas.

— Pirraça! — a bruxa gritou impaciente e sacou sua varinha.

Um estalo muito forte soou de dentro da armadura, que começou a se desmontar diante dos olhos de todos. Logo eles perceberam uma figura surgir de dentro do metal. A aparição vestida como um palhaço passou a dar rasantes sobre a cabeça dos alunos, mas ele logo percebeu o trio que permanecia parado observando—o no meio do Hall.

— Garota má! — Pirraça gritou, dançando algo que lembrava muito uma polca em pleno ar.

— Poltergeist babaca — a menina replicou.

Foi um grande erro como ela viria logo a descobrir, pois Pirraça voou muito alto, quase até sumir de vista, mas voltou com tudo em direção ao grupo isolado. Sirius lhe agarrou rapidamente, a puxando no último segundo de ser acertada pelo poltergeist. Pelo canto do olho, eles viram a bruxa acertá-lo com algum encantamento e logo Pirraça sumiu de vista, embora ainda pudessem ouvir suas risadas.

— Vocês três estão bem? — a bruxa perguntou preocupada, mas logo estreitou os olhos na direção de Evelyn — Minha jovem, ninguém nunca lhe disse que é um erro açular um poltergeist?

— Meu pai diria que o que falta para o poltergeist de Hogwarts é um pulso firme — ela retrucou sem se intimidar com o estreitar de olhos da bruxa — A senhora é a professora Minerva McGonagall, não é? Professora de Transfiguração e diretora de Gryffindor. Eu sou Evelyn Malfoy, e esses são Sirius Black e James Potter.

— Bem-vinda à Hogwarts, senhorita Malfoy — aparentemente Minerva McGonagall não gostara muito dela — Ninguém ferido? Muito bem, me acompanhem — ela pediu indo até uma enorme porta dourada no final do corredor — Vocês vão esperar aqui até estarmos prontos para recebê-los. Cada um de vocês será sorteado entre as quatro casas de Hogwarts — a professora passou a explicar — Elas são Gryffindor, Hufflepuff, Ravenclaw e Slytherin. Vocês se juntarão aos colegas de suas casas assim que forem selecionados. Enquanto estiverem em Hogwarts, sua casa será como sua família — ela declarou e fitou cada um dos estudantes — Cada acerto lhes renderá pontos, mas toda vez que quebrarem ou infringirem as regras... — McGonagall olhou para Evie por algum tempo — ... pontos serão descontados. Isso significa que o desempenho particular de cada aluno influenciará diretamente no placar da disputa entre as casas. Aguardem aqui até que eu volte a chama-los.

— Você é muito exibida, Malfoy — Sirius a criticou, embora sorrisse e não tivesse largado dela desde que a salvara de Pirraça.

— O que você queria que eu fizesse? O abraçasse?

— Eu achei brilhante — James abriu um sorriso enorme — Provavelmente vou querer acertá-lo com uma bomba de tinta quando tiver uma oportunidade, temos que comprar algumas na próxima vez que formos ao Zonkos, minha mãe confiscou todas que eu tinha posto na mochila.

— Por que é ilegal trazer esse tipo de coisa para Hogwarts — uma voz declarou e todos viraram para ver a garota ruiva do trem — Nenhum de vocês leu as regras da escola, ou simplesmente não se importam?

James e Sirius se entreolharam, eles não estavam acostumados a lidar com garotas que não fossem Evelyn. A educação comum de famílias como as deles determinava que garotas fossem respeitadas, mas, por sorte, ela não tinha aquele problema.

— Qual é o seu nome, afinal? — Evie perguntou se soltando de Sirius.

— Lily Evans.

— Me diga uma coisa então, Lily Evans, você nasceu assim ou está se esforçando para ser uma intrometida de san...

— Evie! — James não a deixou terminar e ela pôde notar que McGonagall estava voltando.

— Sigam—me, por favor — a professora pediu, sem aparentemente notar o embate que havia interrompido.

Logo eles puderam ver o salão principal de Hogwarts, com seu teto enfeitiçado e as enormes mesas retangulares das quatro casas. Evie pôde ver o irmão sentado na ponta da mesa de Slytherin. Lucius lançou um olhar penetrante na sua direção e lhe deu aceno incomum de encorajamento, por isso a garota voltou a olhar para frente muito segura de si.

Um banquinho de três pernas se encontrava à frente de uma mesa perpendicular em relação às demais no salão. Neste banco, um chapéu velho e rasgado se encontrava. Atrás do chapéu, o corpo docente fitava os alunos com curiosidade, ao centro dos professores estava Albus Dumbledore, que sorria para os recém-chegados.

McGonagall fez sinal para os alunos pararem, subiu três degraus, sua capa verde—esmeralda farfalhando. O chapéu em cima do banquinho se mexeu, criando vida. O saguão inteiro permaneceu em silêncio enquanto ele começava a cantarolar uma música:

 

Vejo um novo ano começar,

Há muito esta cena presencio,

Vivos e brilhantes olhos a admirar,

Novidades em toda a sua volta,

Perguntam-se sobre a prova a passar.

 

E em sua casa, glória obter,

Coragem, valentia e perseverança,

Sobressaltam as qualidades de mais valor,

E em Gryffindor encontrará,

Suas afinidades e calor.

 

Mente alerta e a beleza,

Destacam alunos de uma casa singular,

Em Ravenclaw com toda certeza,

Encontrará seu verdadeiro lar.

 

Aplicados, companheiros e destemidos,

Meigos atributos de um coração puro,

Huffepuff será onde encontrará seus amigos,

Que sempre o guiarão no escuro.

 

Astúcia e ambição,

Difere esta casa das demais,

Slytherin jamais abrirá mão,

De ter, junto de si, seus iguais.

 

Há muito tenho escolhido,

E me calo se houver engano,

Jamais errei em meu julgamento,

Selecionando corretamente ano após ano,

A casa dentro de cada aluno,

Na cabeça ecoa o seu pedido,

Prove-me, não se acanhe,

Experimente e acredite neste novo amigo.

 

O saguão prorrompeu em aplausos e o chapéu silenciou outra vez. McGonagall retirou um longo pergaminho do bolso das vestes e logo voltou a olhar os alunos do primeiro ano.

— Quando eu disser seus nomes — ela declarou e segurou o chapéu — Vocês se aproximarão e o Chapéu Seletor dirá para qual casa de Hogwarts foram selecionados. Austin, Felícia.

Uma garota negra saltou assustada ao lado de Lily Evans, mas ela logo se recuperou e andou até a professora, que colocou o chapéu em sua cabeça e os olhos castanhos sumiram momentaneamente. Passaram—se alguns segundos e o chapéu anunciou:

Ravenclaw!

A segunda mesa da esquerda explodiu em aplausos animados, mas não havia tempo para longas recepções pois a seleção precisava continuar. Quatro garotos foram selecionados antes de chegar a vez de Sirius, um deles foi para Slytherin, onde Lucius o recebeu com um aperto de mão até que animado para os padrões normais. Quando a professora, por fim, disse o nome dele, Sirius andou até o banquinho demonstrando uma calma, que ela sabia que o amigo não estava sentindo.

Evelyn teve uma última visão dos olhos azuis dele antes que fossem cobertos pelo Chapéu Seletor. Ao contrário do que acontecera com os alunos anteriores, a seleção não foi imediata e um silêncio estranho tomou de conta do salão. A garota segurou na mão de James, que lhe deu um sorriso empolgado, pois ele não era capaz de entender o quanto aquele momento era importante para Sirius. Jimmy nunca lidara com escolhas difíceis ou tivera que se provar, não com os pais que ele tinha. Por isso, quando o Chapéu Seletor determinou:

Gryffindor!

— Eu não acredito! — James riu maravilhado e bateu palmas efusivas enquanto Evie sentiu algo gelado descendo pelas costas. Embora ela tivesse concordado com a escolha do menino quando ele lhe falara no trem, havia uma pequena esperança de que ele fosse para Slytherin a despeito dos seus desejos, mas agora era indiscutível que ela ficaria sozinha — Evie! Você precisa pedir para o Chapéu para ir para Gryffindor!

James estava gritando no seu ouvido, mas ela o ouvia muito mal, observando Sirius ser recepcionado pela mesa da extrema direita, ele parecia tão feliz e aliviado, que era difícil ficar com raiva do menino.

— Bulstrode, Castro — a voz da professora chamou sua atenção e ela viu um menino magricela e com os cabelos da cor do pelo de um rato caminhando até o banquinho.

Slytherin! — anunciou o chapéu.

— Chang, Toya.

Ravenclaw!

— Diggory, Órion — um garotinho pequeno e rechonchudo, mas muito bonito, correu até o chapéu e não demorou muito para manda-lo para Hufflepuff.

Lily Evans foi para Gryffindor como ela havia previsto. E após a garota ruiva se sentar ao lado de Sirius, se seguiu uma sucessão quase infinita de nomes... Grastlle... Heins... Ivrins... Evelyn estava ficando tensa, por isso quando McGonagall disse seu nome, ela estremeceu um tanto e olhou para James, que lhe desejou um boa sorte sem som.

Evie caminhou até o banquinho de três pernas e a professora colocou o chapéu na sua cabeça. Sua última visão foi de Sirius lhe dando um sorriso tremido.

"Ora, ora! Uma Malfoy!" — ela pôde ouvir uma voz dizer dentro da sua mente — "Sim, lembro de quando selecionei seu irmão, não levei nem dois segundos saber que ele pertencia a Slytherin".

— É a minha casa também — Evie pensou e rezou para que ele pudesse ouvi-la.

"É? Tem certeza disso?" — o Chapéu perguntou e por algum motivo pareceu indeciso — "Sim, eu vejo dentro da sua cabeça, a ambição e o desejo de se provar. Mas há mais, coragem e uma determinação que não existem na sua família há séculos. E um dom que você não poderá negar, nasceu para ser uma guerreira, Gryffindor a receberia de braços abertos!"

— Ora, não ouse! — a garota sentiu vontade de despedaçar o pedaço velho de pano.

"Mal gênio e desrespeito pelas regras" — ela pôde ouvir as risadas dentro de suas cabeças — "E um coração que esconde ternura... Tão contraditória... Espero não estar enganado... SLYTHERIN!"

A última palavra foi dita para todo o salão ouvir e Evelyn hesitou por um segundo antes de se levantar, sentindo as pernas ligeiramente bambas. Ela caminhou até a última mesa da esquerda, onde Lucius pareceu estranhamente orgulhoso, embora também tivesse lhe perguntado porque havia demorado tanto. Evelyn jamais confessaria que quase fora enviada para Gryffindor, nem que usassem uma Imperdoável nela.

Quieta na mesa, ela assistiu James ser mandado para Gryffindor, onde Sirius o esperava empolgado. A seleção estava quase no fim quando os olhos da garota caíram sobre o garoto do trem, sendo toda a atenção dele estava na menina ruiva na mesa dos leões. Então não foi surpreendente que ele parecesse tão hesitante antes de se sentar no banquinho de três pernas e ser selecionado quase que imediatamente para Slytherin.

— Ei, Corvo — ela o cumprimentou quando o garoto sentou ao seu lado e ele lhe lançou um olhar enfezado, que fez Evelyn rir — Acho que agora nós vamos ter que ser amigos.

— Sem chance — ele resmungou, olhando para o banquete surgir na frente deles magicamente.

— É? — ela retrucou em nada ofendida — Pois eu aposto que você vai estar me chamando de Evie até o final da semana, Severus Snape.



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...