História Serpentárius (Taekook HP!au) - Capítulo 5


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Harry Potter
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Bangtan Boys (BTS), Grifinória, Harry Potter, Hogwarts, Jeon Jungkook, Kim Taehyung, Magia, Nsfw, Sonserina, Taekook, Yoonmin
Visualizações 218
Palavras 9.188
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Crossover, Fantasia, Lemon, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá

+ Antes de qualquer coisa, eu gostaria de agradecer imensamente por todo o apoio que recebi no capítulo anterior. Se vocês soubessem o quanto sorri ao responder cada um dos comentários, o quanto me diverti com as teorias e o quanto fiquei morrendo de vontade de abraçar vocês, com certeza iriam pedir uma medida de proteção contra mim ksksksksksksksks Me sinto cada vez mais apaixinadinha pelos meus leitores e não sei o que fazer quanto a isso. Tudo o que posso dizer agora é que vocês são pessoas incríveis e que merecem absolutamente tudo de bom que existe no mundo (menos Kim Taehyung por que ele é propriedade de Jeon Jungkook).

+ Este capítulo não tem muita novidade sobre os taekook e o Serpentário, apesar de um bom momento entre os dois, todavia, tem um pouquinho mais sobre a forma que Jimin pensa sobre ele mesmo e seus mil amores, além de um resquício do passado dos yoonmin. Acredito que está divertidinho e vai agradar boa parte de vocês.

+ Aos leitores de Extraterrestre e Devilish, irei começar a escrever a continuação de Devilsh amanhã mesmo, então daqui alguns dias haverá atualização, e logo após essa tualização, meu foco estará em Extraterrestre. Tenham um pouquinho de paciência e prometo entregar um bom conteúdo.

Espero que a leitura seja gostosa.
Beijos da Dii

Capítulo 5 - Capítulo Cinco


O Salão Comunal infelizmente parecia estar ainda mais cheio naquela terça-feira gelada, com bilhetes voando como se fossem pássaros, pairando acima das mesas até chegar ao destinatário correto, e risos animados ecoando por qualquer pequeno espaço livre, deixando que o clima descontraído contagiasse até os mais quietos.

Dumbledore, o famoso diretor de Hogwarts, parecia mais contente que o normal, conversando com uma McGonagall que tentava deixar as feições menos duras, sorrindo discretamente enquanto escutava as teorias sobre uvas passas que lhe era contada.

Talvez aquilo tudo fosse um efeito dos jogos terem sido antecipados, afinal quadribol era uma grande paixão no mundo bruxo, não importando a idade ou sexo, absolutamente todos gostavam de uma boa partida, de uma rivalidade não tóxica.

Por mais que quisesse fingir estar interessado em todas aquelas conversas e trocas de balinhas coloridas, Jungkook não conseguia esconder completamente seu total descontentamento ao encarar Jimin, que em contra partida, batucava os dedos contra a superfície de madeira, descontando ali o nervosismo e também a excitação pelo que ocorreria.

O de fios cor de fogo aparentemente estava sentindo muita saudade de Namjoon, não conseguia aguentar mais uma semana, na visita ao povoado de Hogsmeade, para tê-lo em si. Acordou mais cedo naquela manhã em específico, pulando desajeitadamente na cama do Jeon e avisando sorridente que terminariam o “namoro” durante o horário de almoço.

A vontade de responder que talvez aquilo não fosse uma boa ideia, e que deveriam pensar melhor em como o término seria, surgiu, no entanto, resmungando um palavrão qualquer, ele aceitou, pedindo que o mais velho voltasse para seu colchão e o deixasse curtir mais duas horas de sono.

Não poderia negar o pedido de Jimin, não quando o mesmo não tentou estrangulá-lo quando descobriu sobre suas saídas junto a Taehyung. Diferente do que havia previsto (um grande surto), o amigo entrou em pane, permanecendo parado o encarando durante alguns segundos, e então, sem mais e nem menos, lhe deu boa noite, indo até o banheiro.

Se o ruivo não estava pronto para encarar aquela verdade, se queria a ignorar, fingir que ela não existia, definitivamente não estava pronto para as outras, para tudo o que planejava contar, algum dia, mesmo que dali vinte anos.

Talvez fosse preferível ter escutado um sermão de horas seguidas, ter tomado alguns socos, talvez perder um pouco do cabelo, afinal, teriam ao menos conversado, Jungkook teria explicado que os beijos molhados que trocava com o Kim faziam parte de seu plano para conseguir a confiança dele. Agora tudo que tinha era um Jimin que fulminava o sonserino loiro com os olhos, mas não dizia nada diretamente para si.

Não queria estar sendo obrigado a fazer parte do reate entre o baixinho e Namjoon, parecia baixo demais, mas precisava ir até o final, por mais que seu estômago começasse a se retorcer conforme os ponteiros do relógio ficavam cada vez mais próximos do horário marcado.

A verdade precisava ser dita, Jimin poderia ser bem surtado quanto queria, não existiam meio termos consigo, sempre precisava arrasar, mostrar estar por cima, e isso lhe assustava um pouco. Não poderia se importar menos com o que os colegas pensariam, mas seu orgulho o mandava sair dali.

Levou um beliscão por baixo da mesa, e aquele era o sinal de que havia finalmente chegado a hora de terminarem uma relação inexistente apenas para que o de fios escarlates pudesse quicar no corvino o quanto quisesse. Revirou os olhos, completamente entediado, sabendo que todos veriam o aquele showzinho, inclusive Taehyung.

De qualquer forma, não haviam formas de voltar atrás, isso ficou bem claro quando o prato de sopa, que Jimin comia cinco segundos atrás, foi atirado violentamente contra o chão, e no mesmo segundo ele ficava em pé, atraindo olhares de todas as mesas, até mesmo a dos professores. Naquele instante só conseguia pensar nos elfos que seriam obrigados a limpar aquela sujeira mais tarde.

— Seu grandíssimo filho da puta, seu cara de gárgula — o ruivo gritou, cutucando com força o peito do moreno que continuava impassível, sentado no banco de costas para a mesa — Achou mesmo que teus oiro centímetros me prenderiam por muito tempo?

— Oito centímetros? Isso é mesmo necessário? — Jungkook questionou, no fundo achando aquilo engraçado. Jogou uma uva na boca — Você é maluquinho.

— Se ao menos a bunda fosse gostosa o bastante, mas não, é um cu seco do caralho, não serve nem para dar uns bons tapas — pegou um copo cheio de suco de abóbora, atirando na parede — E agora quer tentar controlar o que eu visto?

O moreno deixou que um pequeno sorriso escapasse, comendo mais uma das uvas que estavam dispostas sobre a mesa, fazendo um lembrete mental de que mais tarde precisaria lembrar o mais baixo que Hogwarts exigia uniformes, então seria meio que impossível tentar controlar o que o outro vestia.

— Pois é... Mas suas pernas são bonitas, deveria mesmo pensar em começar a usar saias, como te propus — arqueou uma das sobrancelhas, umedecendo os lábios — Realçaria a tua panturrilha.

— Fique sabendo que foram os piores três meses de toda a minha vida. Você sempre beija como se fosse um caracol, eu sentia a tua língua quase entrando no meu cérebro. E a sua mania estranha de me chamar de papai me deixa profundamente assustado.

Não sentia muita vontade de revidar, mas a ideia de ter um fetiche em daddy/baby boy foi engraçada, por conta disso novamente mandou uma fruta para entre os lábios, garantindo que não cairia na gargalhada enquanto assistia o Park dando seu chilique, com os olhos falsamente cheios de água.

Deu uma olhada em volta, por dois segundos, vendo que seus colegas estavam estupefatos, não sabendo se deveriam ajuda-lo ou então fingir que nada estava acontecendo. A mesa da Sonserina era a mais quieta, e Taehyung parecia até mesmo se divertir com o teatro, com os cotovelos sobre a mesa, segurando o queixo com ambas as mãos.

Já Yoongi aparentava a mesma expressão irritada de sempre, olhando feio para Alice, uma garota de fios escuros que comentou algo com outra colega, possivelmente tirando sarro do Park. Suspirou pela segunda vez em um minuto, um pouco aborrecido por estar fazendo parte daquilo, um pouco sonolento por não ter conseguido dormir após o amigo acordá-lo cedo demais.

— Isso tudo é ciúmes, não é? Você sabe que nunca vai conseguir alguém tão gostoso quanto eu, principalmente enquanto tiver essa bundinha de infantil — Jimin deu continuidade a seu texto — Mas saiba que sou livre para fazer minhas próprias decisões, sejam elas saias ou calças.

— É mesmo? E onde ficam as bermudas no meio dessa história toda? Eu...

— Não tente se defender! Você não tem direito a defesa alguma — deu um tapa sem muita força no rosto do mais novo, mas o estalo fez com que, aos olhos dos outros alunos, parecesse mais grave — Estou terminando o nosso namoro.

— Chim-Chim, acho que agora já chega.

— Tem sorte de eu estar de bom humor. Mas se vir atrás de mim, juro que te arrebento, e não vai ser do modo como tanto gostava — exclamou em voz alta — Não vai chegar nem perto.

Jimin sabia que se continuasse seu pequeno showzinho era bem provável que Jungkook ficasse verdadeiramente bravo, já que, detestava ser o centro das atenções por mérito de outra pessoa, portanto, seguiu seu rumo rapidamente após a última fala, saindo do Salão Comunal em meio a cochichos não tão baixos.

Pensou ter escutado o flash da câmera de Samuel, que havia enfeitiçado o objeto para que funcionasse mesmo dentro de Hogwarts, podendo dar em primeira mão as fofocas mais quentes e também fotos dos jogadores que arrancavam suspiros pelos corredores. Talvez devesse falar com o garoto mais tarde, ele parecia adorar fotografá-lo montado na vassoura.

Praticamente correu até conseguir chegar aos degraus apertados do lado oeste do castelo, notando passos ligeiros atrás de si, e por mais estranho que parecesse, sabia que pela forma seca que o sapato batia no chão que era Namjoon. Talvez Yoongi também quisesse saber o que diabos havia ocorrido dois minutos antes, mas o loiro possuía pisadas suaves).

Deixou que um sorriso maldoso fosse moldado em seus belos lábios, tendo a certeza de que seu plano tinha dado certo, que o término do namoro que nunca existiu tinha dado os resultados que tanto queria. Era mesmo um gênio, não sabia como suas notas em poções eram sempre tão deploráveis.

Já estava na metade da escadaria em espiral, que o levaria até a torre de astronomia, vazia naquele horário, quando foi puxado cuidadosamente pelo pulso, o que por consequência fez com que se virasse, dando de cara com o rosto amorenado que adorava beijar nas noites que passaram juntos fora daqueles muros de pedra.

— Ei, você está bem? — Namjoon perguntou, parecendo estar preocupado — Não sabia que Jungkook era um namorado assim tão ruim, pensei que vocês fossem unidos.

— Acho que fui um pouquinho dramático demais, deixei o momento me levar além do ponto, como sempre — o Park respondeu cabisbaixo, usando seu incomparável dom de atuação — Eu sou mesmo um grande idiota.

— Por favor, não fale isso. Você é incrivelmente gentil e bondoso — abraçou o corpo do menor — São amigos, acima de tudo, logo estarão bem novamente, eu garanto.

Lá no fundo, talvez não tão fundo assim, Jimin se sentia um pouco mal por estar enganando o de fios roxos, mas sabia que demonstrando fraqueza conseguiria mais facilmente o que tanto queria. Gostava do rapaz, não tanto para começar uma relação séria, mas ainda assim, gostava, do mesmo modo que gostava de Hoseok e Yoongi.

Apertou-se contra o peito quente do corvino, fechando os olhos e aspirando o cheiro forte de perfume, se segurando para não suspirar muito alto. Conseguia ouvir o coração alheio batendo depressa, e tinha quase certeza de que o seu estava do mesmo jeito, deixando clara sua saudade, não apenas dos momentos íntimos que desfrutaram um com o outro, apesar deles serem maravilhosamente quentes.

— Eu não conseguiria manter o namoro por muito tempo, de qualquer forma. Acredito que me precipitei e acabei confundindo tudo — esfregou sua cabeça na camisa branca do Kim — Foi apenas um momento de carência. Aceitar o pedido de Jungkook foi um erro.

— Mas poderia ter dado certo, por mais que eu deteste admitir. Quer dizer, vocês sempre foram grudados um no outro.

— Este é o problema — deixou que seus dígitos deslizassem pelo braço direito do mais velho — Somos polos iguais, a lei da atração não funciona dessa maneira. Foi divertido no começo, mas depois se tornou um verdadeiro porre.

— Sinto muito que essa primeira experiência tenha disso desagradável — Namjoon apertou o ruivo com um pouco mais de força — De verdade.

Aquela não havia sido a primeira experiência de Jimin com algo além de beijos aleatórios e sexo sem compromisso, todavia, preferiu ficar em silêncio, não precisava explicar o desastre que era sua vida amorosa alguns anos atrás, principalmente por que acabaria chorando, dessa vez de verdade.

Limitou-se a continuar sentindo o calor que vinha do corpo do Kim, acariciando os poucos músculos que ele possuía nos bíceps, quase ronronando feito um gatinho que passou muito tempo longe do dono, apesar do Park não ter dono algum, coisa que sempre deixava bem clara.

Volta e meia algum aluno mal amado lhe chamava de prostituto, e com o passar do tempo isso se tornou habitual ao ponto de não ligar, apenas sorrir e mandar um beijo, sem ao menos dar uma resposta decente. Não sabia direito como os boatos funcionavam dentro de Hogwarts, mas era alvo de muitos deles, a maioria sendo falsa, a maioria envolvendo garotos e garotos que não chegou a conhecer.

Não era um santo, tinha seus casinhos aqui ou ali, mas definitivamente era um número bem abaixo do que falavam nos corredores. Não entendia como sua vida sexual poderia ser tão interessante para os colegas, ou o motivo de precisarem inventar coisas sobre si, mas era bom ter Namjoon sempre a seu lado, seja como amigo ou amante.

— Não quero precisar entrar numa sala de aula onde sei que todos estarão falando sobre mim — Jimin disse em voz baixa, e de certa forma aquilo não era mentira — Acha que posso ficar na torre de astrologia?

— Claro, a professora acordou indisposta hoje, tudo envolvendo astrologia foi cancelado — o corvino concordou, beijando os fios cor de fogo do mais novo — Tenho certeza que não irão te incomodar lá.

— E você pode ficar comigo, por enquanto? — mordeu o lábio inferior, cruzando os dedos para que não levasse um grande não — Sei que o estudo é importante para você, mas...

— Para de falar bobagens. Você é muito mais importante que o meu estudo — Namjoon sorriu soprado, largando o grifinório e subindo dois degraus antes de estender a mão na direção dele — Vamos lá. Tenho certeza que a vista vai te deixar melhor.

 

 

(...)

 

Para Jungkook, permanecer no Salão Principal não era mais viável, a cada segundo mais e mais alunos cochichavam sobre si, teorizando o real motivo por trás da separação do namoro que ninguém sabia que existia. Claramente a ideia de citar as vestimentas não havia sido uma boa deia, mas ninguém parecia prestar muita atenção nesse fato.

Levantou do banco no mesmo segundo em que o flash de uma câmera brilhou perto demais de seu rosto, coisa que o fez cambalear para o lado. Encarou seriamente o rapaz da Lufa-Lufa, que pensava se chamar Lucas, mas não tinha certeza, e o viu engolir a seco, abaixando o objeto que antes segurava em frente ao rosto, voltando para sua mesa.

Saiu sem dar importância aos amigos que chamavam seu nome, muito possivelmente querendo perguntar que droga havia ocorrido ali, até porque, todos na Grifinória sabiam que a relação de Jimin consigo não passava de uma grande e bela amizade, que dali dois anos completaria uma década inteira.

Diferente do que imaginou que ocorreria quando chegasse ao banheiro, não quis ficar em uma das cabines até que todo o falatório desnecessário acabasse ou então mandar que calassem a boca. Foi tomado por uma vontade avassaladora de rir, sendo impossível segurar a gargalhada.

Lembrou do rosto de Jimin gritando enquanto atirava o copo na parede, e o quanto os primeiristas aparentavam estar assustados pelo comportamento do rapaz. Já havia visto o mais velho dar alguns chiliques por motivos bobos, não era novidade alguma que ele adorava receber atenção, portanto, o descontentamento de ter participado da cena aos poucos se tornava algo cômico.

Quando conseguiu recuperar seu fôlego e também conter melhor o riso, decidiu passar um pouco de água no rosto que com certeza estava avermelhado, já que ter a pele clara vinha com algumas desvantagens, como a de ganhar uma coloração escarlate depressa, pelo mais diversos motivos.

Abriu a torneira, inclinando-se para levar mais facilmente conchadas de água até as bochechas. Tinha visto Namjoon sair correndo atrás do Park logo que o mesmo passou pela grande porta, era bem provável que os dois estivessem juntos naquele exato segundo, e para ser sincero, Jungkook gostaria de deixar sua mente bem longe, sem imaginar o que os dois fariam juntos.

— Namorando Jimin enquanto goza na minha mão? Mas que desagradável, Jungkookie — a voz grossa de Taehyung preencheu o banheiro, assim como o barulho da porta sendo fechada — Yoongi deve estar louco, atrás do seu amigo. Acho que vou querer entender o que aconteceu naquele salão.

— Era um plano de Jimin para conseguir a atenção de Namjoon — encarou o loiro pelo reflexo do espelho. Ele estava escorado na parede, de braços cruzados — Vou te poupar os detalhes. Sinta-se agradecido.

— Algum motivo especial para decidir me poupar? — o Kim começou a caminhar na direção do moreno, que continuava a olhá-lo indiretamente, com o rosto molhado — É uma história desinteressante?

— Apenas não estou com vontade de conversar sobre isso. Você não precisa saber cada passo que sou, principalmente os com Jimin — Jeon sorriu, sentindo seu corpo ser pressionado contra a pia, a pélvis alheia chocando-se contra sua bunda — E tenho certe que não veio atrás de mim para saber sobre o falso término.

— Tem toda a razão, não vim — mordeu o lábio inferior, observando uma gota de água resvalar pelo queixo do grifinório, escorregando do pescoço até a clavícula, e então sumindo por dentro da roupa — Meu menino é mesmo muito esperto.

O Kim passou um de seus braços pela cintura fina de Jungkook, trazendo-o para ainda mais perto, enquanto acariciava a nuca macia, deixando que seus dedos caminhassem até a bochecha direita, local que acariciou sem se importar com a água que continuava ali, fazendo com que a pele macia não parecesse tão quente.

Selou os fios rebeldes e escuros, aproveitando para sentir o cheiro do shampoo que o garoto usava, suspirando extasiado. Era impressionando como cada mínimo detalhe do moreno conseguia o impressionar, desde a voz bonita até o cheiro. Os olhinhos de jabuticaba fixaram-se aos seus ainda pelo vidro, não poderiam estar mais brilhantes, não poderiam ser mais seus.

Empurrou com leveza o rosto de Jungkook, beijando-o sem teor sexual algum, provando da boca rosada e carnuda que possuía, sentindo a textura durante bons segundos, não sentindo vontade de aprofundar o toque, de usar a língua, somente mostrando que estava li, que os dois estavam, juntos.

Sorriu quando uma das mãos do garoto procuraram por seu cabelo, e diferente do primeiro encontro muito proveitoso que tiveram na banheira, não teve seus fios descoloridos puxados ao ponto do couro cabeludo arder, mas sim apalpados devagar, principalmente na região próxima a sua orelha.

Separou as bocas, acabando com o beijo. Ainda se manteve próximo o bastante para sentir a respiração calma contra seu rosto, mas não para que o gosto alheio prosseguisse o desnorteando. Gostava de usufruir da doçura que aqueles lábios tinham, mas sabia que precisava se controlar.

— Não parece muito nervoso. Normalmente os membros do Serpentário ficam mais agitados no dia que irão receber minha marca — Taehyung falou, num tom macio, acariciando o rosto e pescoço do menor — A cerimônia de iniciação ocorrerá dentro de doze horas.

— Isso vai doer, estou certo? — possivelmente aquela era a parte que mais amedrontava o Jeon, já que não sabia se era um grande resistente — Já li sobre esse tipo de feitiço. Artes das trevas sempre causam dor.

— Apenas momentaneamente, eu te garanto — deixou um pequeno selo nos fios escuros, enterrando o rosto em meio ao cabelo rebelde — Mas posso pedir para alguém roubar um pouco de poção anestesiante na enfermaria, duvido que notem um frasco a menos.

O Jeon não tinha passado algum com coisas que pudesse perfurar ou rasurar sua pele, já que a superproteção da mãe evitou até mesmo simples raladas de joelhos, pelo menos até o dia que se rebelou e contou que seu desejo não era se tornar um auror, como mandava a tradição da família, que se contentava com um cargo mais baixo.

Aos treze anos, após passar por uma loja onde garotos trouxas tomavam sorvete, prestou atenção na orelha deles, vendo brincos dos mais variados tamanhos e formatos, achou aquele acessório bonito, queria tentar usar algum, mesmo que pequeno, e obviamente foi vetado pelo pai, que lhe deixou de castigo após encontrar o objeto brilhante embaixo de seu travesseiro.

Sabia que era sensível, portanto, existia uma grande chance de não ser são forte ao enfrentar dor, diferente de seu irmão, que possuía diversas cicatrizes ganhas em duelos contra bruxos infratores, cicatrizes estas que eram motivo de orgulho, de histórias emocionantes, e ele sempre lembrava Jungkook de que não chorou em nenhuma delas.

— As outras pessoas de seu grupo também ganharam essa opção? — ele questionou — Ganharam poções?

— Não — observou contente o pescoço ainda marcado em alguns pontos, sabendo que em breve precisaria refazer cada círculo arroxeado — Mas não precisam saber que te dei anestesiante. Yoongi manteria segredo caso eu mandasse que pegasse um frasco.

— Ainda assim, eu saberia que burlei as regras, que preferi não sentir nada, e isso me faria fraco — era até mesmo gostoso receber os toques de Kim, todavia, saiu do aperto gentil, caminhando até a toalha que flutuava perto de uma das paredes — Prefiro passar pelo mesmo que todos os outros.

— Seria essa uma pontinha do orgulho grifinório dando as caras pela centésima vez?

— Não é orgulho, não agora. É coragem, algo que temos de sobra, diferente dos sonserinos — secou o rosto no tecido felpudo — Eu consigo.

— Nunca falei o contrário. Confio plenamente no seu potencial — se dirigiu até a porta, mexendo no trinco — Temos aula de defesa contra as artes das trevas agora, o que talvez seja um pouco irônico.

Os dois rapazes saíram juntos do banheiro, lado a lado, o que levantou ainda mais suspeitas nos alunos que passavam ali perto, afinal, não era a primeira vez que flagravam o Kim e o Jeon conversando ou então acabando de sair de alguma sala ou qualquer outro espaço vazio, e apesar dessa vez em especial nenhum estar com os lábios inchados e roupas amassadas, ainda era muito suspeito.

Era extremamente raro ver um grifinório e um sonserino juntos sem que uma briga ocorresse, e se tratando justamente daqueles que estavam sempre trocando farpas durante as aulas ou então se ignorando por completo (pelo menos por parte de Jungkook), ficavam um tanto abismados, bolando teorias sobre a recente possível “amizade” entre eles.

O de fios escuros não parecia se importar mais com todos os olhos voltados para si enquanto perambulava junto ao maior, todavia, Taehyung não disfarçava seu gosto por todos aqueles falatórios baixos. Sorriu de lado, sem que Jungkook notasse, já que este estava concentrado em olhar para frente, e puxou o corpo alheio para mais perto, fazendo ambos os ombros se tocarem.

Não demoraram mais do que cinco minutos para chegar no local correto, encontrando a sala parcialmente vazia, deixando claro que ainda era cedo demais. Jeon olhou para o relógio, soltando um muxoxo desgostoso em seguida, só precisariam de fato estar ali trinta minutos mais tarde, poderia ter dado uma passada no Salão da Grifinória.

As únicas classes ocupadas eram a dos alunos que não haviam entendido o conteúdo das aulas anteriores; eles sempre chegavam antes dos outros, assim tendo um tempinho para tirar suas dúvidas com a professora, que sempre se mostrava deveras paciente. Jungkook tentou pensar pelo lado positivo, pelo menos não precisaria brigar para não sentar nos piores lugares.

O Kim foi mais rápido, e antes que o mais novo acabasse escolhendo uma carteira para sentar-se junto a Jimin (que com certeza seria distante da sua, como sempre), entrelaçou seus dedos aos dele, o conduzindo até uma das mesas mais afastadas, no canto mais escuro da sala, próxima a estante repleta de livros antigos e pergaminhos amaldiçoados.

Ninguém ousava tocar naquela velha estante de madeira sem que algum professor desse a ordem, pois não sabiam ao certo o que mais poderia existir nela além daquilo que podiam enxergar nas gavetas que não eram trancadas. E se ninguém iria tentar encostar-se à estante, isso significava que também não se aproximariam dos dois, não haveria razão.

— Algum problema em aceitar sentar comigo hoje? — o Kim perguntou para o moreno, acenando para a professora que sempre endeusava seus contrafeitiços — Não penso que Jimin se importará em dividir a carteira com Yoongi.

— Você age como se não fosse anormal andarmos juntos tanto tempo — Jungkook respondeu — Está dando muitas brechas para que as pessoas pensem coisas erradas sobre a nossa relação, e estou começando a achar que é exatamente isso o que deseja.

Ele já havia escutado alguns múrmuros envolvendo si próprio e o sonserino de fios estonteantemente claros, e não gostava nem um pouco de saber que seu nome estava na boca de tantas pessoas, principalmente por estar totalmente vinculado ao de alguém que despertava seu pior lado, aquele que tentava esconder a qualquer custo.

Mas a verdade parecia ser dita, não importava quantos centímetros deixasse entre os dois corpos nos corredores ou então quantos olhares feios mandasse a Taehyung sempre que ele o encarava por mais segundos que o suficiente, ele sempre dava um jeito de mostrar estar próximo a si, principalmente quando algum garoto chegava perto.

— Quando falei que gostava que os outros soubessem que aquilo que é meu é realmente meu, não estava brincando. Mas vejo que ainda não conseguiu compreender meu pensamento, bem, pelo menos não completamente — puxou uma das cadeiras, oferecendo-a ao mais novo — Por acaso está receoso com o que as más línguas podem dizer sobre você?

— Estou receoso com a possibilidade de você estar dando corda para essas más línguas — abancou-se, sem agradecer pela gentileza alheia — Uma das regras do seu grupo não envolve a proibição de demonstrações de afeto perto das outras pessoas?

— Não exatamente. Posso tocar em qualquer um deles no meio do Salão Principal, caso me permitam. Mas se Soyeon quiser dar uns amassos em Selena, precisa da minha provação.

— Eu iria comentar o quanto isto é bizarro, mas acredito que já saiba — observou o loiro enquanto ele puxava uma cadeira para si próprio — Li um artigo sobre controladores na verdade terem o emocional e psicológico totalmente ferrado. Este é o seu caso? Explicaria tua personalidade medonha.

Jungkook não lembrava de ter visto algum membro do Serpentário (a não ser Yoongi, que estava sempre engatado em Jimin) com alguém que não fazia parte do grupo. Na verdade, eles pareciam verdadeiramente frios; não conversavam muito quando estavam rodeados por alunos de outras casas, não se encostavam sem um bom motivo, não sorriam, não comemorável com alegria, eram como robôs.

Já sabia que o Kim era cuidadoso com os laços, sejam de amizade ou algo a mais, que todos seus seguidores mantinham, analisando se valia a pena deixar que prosseguissem, o que em sua opinião era uma grande merda, mas adoraria ir mais ao fundo, descobrir como aquilo tudo teve início.

Definitivamente, se hoje em dia encontrasse um vira-tempo e conversasse com o Jeon Jungkook de onze anos, que ao embarcar no trem destinado a Hogwarts, conheceu Taehyung, um menino alto demais para a idade, e que tentava fazê-lo se sentir menos nervoso, e contasse tudo o que aconteceria ao longo dos anos, seu “eu” criança não acreditaria.

— Personalidade medonha? Algumas pessoas diriam que é sexy; talvez você seja uma delas, apenas não admita — o Kim piscou o olho direito, fazendo com que o grifinório franzisse o cenho, se emburrando.

— Digamos que eu seja um pouco mais seletivo. Não me contento com qualquer porcaria.

— Assim você vai acabar partindo o meu coração — umedeceu os lábios avermelhados, sabendo que Jungkook estaria fitando tal ato — Qual é a dificuldade em aceitar que existe uma atração enorme rolando entre nós dois?

— Está passando um pouquinho dos limites, Kim, não acha? — fixou os olhos escuros nos amendoados do mais velho — Como essa conversa se liga aos propósitos do seu grupo?

— Nosso. Você fará parte dele a partir desta noite, uma parte importante e que irei cuidar muito bem — virou seu corpo na cadeira, para que ficasse de frente para o moreno — E nem tudo precisa envolver o grupo, principalmente quando estivermos sozinhos.

Taehyung selou a bochecha de Jungkook, deixando que seus lábios mornos resvalassem até encontrar a boca bonita, encaixando a própria na do garoto, deixando que sua língua não aproveitasse tanto do espaço oferecido, já que não queria intensificar o ósculo, apenas aproveitar um pouco dos minutos que lhe restava antes de precisar focar a atenção nos livros grossos.

Não haviam mãos afoitas, suspiros, mordidas ou apertos que beiravam algo agressivo, somente a lentidão, sem pausas ou recomeços constantes para que tomassem ar, somente os lábios buscando um ao outro.

Os dedos do Kim procuraram os quadris do membro da Grifinória, subindo com suavidade, até encontrar um espaço em meio as vestes largas, podendo assim tocar na pele macia e rosada próxima ao umbigo, acariciando o local imperceptivelmente aos olhos dos outros alunos, caso algum decidisse espiar.

Se pudesse, passaria o dia inteiro com a boca junto a de Jungkook, todavia, sabia que isto era impossível, que nem sempre o rapaz queria estar consigo, e quanto estava, nem sempre queria beijá-lo, apesar de na última semana ter se mostrado mais receptivo, por trás das palavras rudes.

Os lábios do de fios escuros eram quentes, e Taehyung sabia desde a primeira vez que se tocaram, que não conseguiria mais permanecer longe, que sempre precisaria de mais. Puxou sem muita força a gravata avermelhada do mais baixo, voltando a selar a bochecha sem qualquer imperfeição na derme.

— Você realmente quer que eles nos vejam juntos — Jungkook virou o rosto, impedindo que o outro continuasse com os beijos distribuídos por sua pele — Por quê? O que ganha com tudo isso?

— Deixou que eu te beijasse para provar a sua teoria de que quero nossos colegas falando sobre nós? Preciso tomar cuidado com você — o Kim sorriu de lado, retornando a sentar corretamente na cadeira, estalando o pescoço — E não irei confirmar nada. Talvez assim eu ganhe mais alguns beijos até o final do dia.

O moreno pensou numa boa resposta, numa maldosa e mal-educada resposta, todavia, a professora chamou sua atenção, pedindo para que distribuísse as apostilas nas classes, já que em poucos minutos o restante dos alunos chegaria, e isso pouparia tempo. A matéria que aprenderiam naquela semana precisava de todo o segundo possível.

Por mais que detestasse perambular pela sala, ainda mais quando Scott estava lá, perto do quadro negro, com sua língua enorme e louca para contar se seu dia foi bom ou então qual era o melhor sabor de gelatina durante o almoço, assentiu positivamente, levantando.

 O jogador vinha lhe irritando mais que o normal, e realmente esperava que o péssimo passeio a Hogsmeade que estava planejando o fizesse partir para outra, o que não deveria ser tão complicado, principalmente vendo pelo lado de que ele era muito popular entre as garotas e os rapazes, arrancando risadinhas envergonhadas sempre que tirava a camisa no campo.

Viu que Taehyung cruzou os braços, observando-o com os lábios repuxados quando passou perto de Scott, fingindo que não escutou o moreno chamar seu nome e continuando a entregar os livros. O loiro parecia achar divertido vê-lo procurar meios de driblar o outro grifinório, e isso irritava Jungkook, afinal, detestava quando riam as suas custas.

— Toma a sua apostila — atirou o objeto pesado no colo do Kim, e teria acertado seu objetivo (a pélvis do sonserino) caso ele não houvesse sido mais rápido e segurado o amontoado de folhas no último instante — Parece que não tive sorte desta vez. Quem sabe na próxima.

— Atacando de surpresa? Tsc, que coisa baixa, não esperava isso de você — Taehyung exclamou risonho, não demonstrando estar bravo pela “brincadeirinha” do mais novo — Está se tornando um garoto malvado?

— Deixo esse cargo para você, faça bom proveito — o Jeon sentou-se, olhando outra vez para o relógio e também para a porta de entrada, onde vários alunos começavam a surgir.

Jimin deveria estar ali em meio a todos aqueles grifinórios e sonserinos, mas Jungkook não conseguia encontrar a cabeleira avermelhada em lugar algum. Suspirou cansado, imaginando que muito provavelmente seu melhor amigo estaria trocando saliva com Namjoon num ponto vazio do castelo, decidindo deixar seus estudos em segundo plano.

Comiserou os olhos, percebendo que, além do ruivo, Yoongi também não havia entrado. Checou se o Kim ao menos percebia a ausência do outro loiro, mas ele parecia confortável ao explicar para Ariana, uma Sonserina de cabelo longo e escorrido, os motivos pelo qual não se deveria usar seiva de oliveira em poções do sono, sem se importar com o Min.

A ideia de que os dois pudessem estar juntos passou por sua cabeça durante cinco segundos, mas não parecia fazer muito sentido, principalmente visto que o corvino acabaria sobrando nesta equação, e pelo que lembrava, Jimin havia sido bem explicito sobre seus planos pós-término de falso namoro, nenhum envolvia Yoongi, absolutamente todos possuíam o nome de Namjoon, pelo menos naquela semana.

— Aquela coruja que está sempre brincando na janela do coruja, é sua, estou correto? — Taehyung falou consigo, trazendo-o de volta para a realidade, uma realidade longe das relações turbulentas do amigo — Pitchitinho?

— O nome dele é Pitchi — resmungou, mais interessado do que aparentava — O que tem a minha coruja? Ela te bicou? Costuma ser muito carinhosa até com estranhos, mas deve ter notado uma aura negra na sua volta.

— Diferente do dono, seu pássaro parece estar um pouco mais inclinado para o romance. Toda a vez que decido visitar o corujal, vejo ele junto de Athena, os dois parecem bem amigos, se é que me entende.

— Athena tipo a sua Athena? Aquela coisa horripilante que está sempre no escuro? — Jungkook fez uma pequena careta, não gostando nem um pouco da nova informação — Deve estar enganado. Meu Pitchi jamais se interessaria por esse troço.

— Pois, para a sua infelicidade, ele parece sempre bem interessado ao levar ratinhos mortos para ela. Se não me engano, são os ratos brancos que você deixa lá — molhou o lábio, gostando de ver a expressão do outro rapaz começar a se mostrar um tanto irritada — Não seja tão malvado, se eles tiverem filhotinhos, seremos vovôs juntos.

Se o melhor amigo não achava que Errol fosse normal, deveria passar cinco minutos tentando encarar os olhos avermelhados de Athena, uma das poucas fêmeas do corujal, maior do que a maioria dos machos, de bico afiado, garras assustadoras e penas totalmente negras, que a ajudavam a se camuflar nos cantos mais distante da luz.

Não saberia da existência dela caso não tivesse tropeçado num dos tapetes embolados no chão ano retrasado, precisando se apoiar em uma das mesas para não cair, e consequentemente, em meio a escuridão, ficar cara a cara com a ave que o encarou inquisidora, como um juiz, provavelmente pensando se valia a pena atacar ou deveria deixa-lo partir inteiro.

A ideia de que seu amado Pitchi, o pássaro mais meigo e manhoso que já tivera a oportunidade de conhecer, estava se engraçando para o lado de Athena, que conseguia ser ainda mais medonha que o dono, fazia com que sentisse vontade de manda-lo permanecer na casa de seus pais, optando por emprestava uma coruja de outra pessoa quando precisasse se comunicar.

— Por favor, nunca mais repita isso na minha frente, meu estômago já está todo embrulhado — abriu o livro em uma página qualquer — Eu deveria vomitar em você. Na verdade, não é uma má ideia.

Pensar nas duas corujas criando um ninho de amor era ruim, mas pensar que desse ninho de amor poderiam surgir outras corujinhas era simplesmente terrível. Não que detestasse animaizinhos bebê, não mesmo, sempre teve maior aptidão com seres não humanos inclusive, mas o contexto daquela situação não chegava nem perto de ser um dos melhores.

De relance olhou para Taehyung, que novamente se divertia as suas custas, com um sorriso zombeteiro cruzando os lábios finos e róseos. Seria uma espécie de fetiche estranho dele, vê-lo ficando bravo? Ou então um dos meios que encontrava prazer era irritando garotos aleatórios até que explodissem? Bufou, procurando algo interessante conforme folheava a o livro de Defesa Contra as Artes das Trevas.

— Nós faríamos parte da mesma família. Kim Pitchi ou Jeon Athena? Qual você acha que soa melhor? — o loiro deu continuidade, aproximando o rosto do ouvido do grifinório e deixando um suave selar no lóbulo sensível — Kim Jungkook ou Jeon Taehyung?

— Parece de bom humor hoje, e isso é perturbador demais para que eu assimile depressa.

— Daqui algumas horas você será oficialmente parte do meu projeto, parte dos meus planos. Como eu poderia estar com um humor diferente?

— É... Como poderia, não é mesmo? — Jungkook pigarreou, não querendo focar naquele problema antes do tempo certo — Me empresta seu tinteiro? Não lembro onde coloquei o meu.

Taehyung arqueou uma das sobrancelhas, notando o corte na conversa e a mudança de assunto, todavia, preferiu não forçar o moreno a falar sobre algo que pudesse deixa-lo desconfortável. Aspirou o cheiro gostoso dos fios despenteados, retornando a sentar-se de frente para a carteira, oferecendo o potinho de tinta para o colega, que agradeceu silenciosamente.

Do outro lado, o Jeon decidiu não manter contado visual com o loiro, se concentrando em marcar num pedaço de pergaminho o número das páginas que achava interessantes, para que pudesse consulta-las com maior facilidade quando chegasse no Salão Comunal.

Não estava pronto para conversar sobre certas coisas, precisava se preparar melhor nas horas que lhe restavam, pois, quando o sino badalasse a meia noite, não teria como voltar atrás, e por mais que a ideia lhe causasse certo reviramento estomacal, pertenceria ao Kim e seus propósitos.

 

 

(...)

 

Jimin tinha poucas certezas em sua vida, uma delas era que sua mãe preferia Jungkook a qualquer outro amigo que levasse para a casa, principalmente quando ele começava um de seus discursos inteligentes sobre leis magicas, a segunda era que ficava muito mais charmoso com o cabelo tingido de vermelho, invalidando totalmente o tom castanho natural dos fios.

A terceira talvez fosse que a aula de runas era a mais entediante, ou talvez que suco de abobora não era realmente suco; mas definitivamente a mais definitiva entre todas as certezas era que, o pau de Kim Namjoon sempre seria uma das coisas mais deliciosas que tiveram o prazer de entrar em si.

O garoto atirou a cabeça para trás, completamente extasiado, passando a palma da mão pelos fios suados que insistiam em cobrir parte de sua visão, mordendo os lábios cheinhos para que não gemesse alto o bastante para que alguém passasse no corredor mais próximo e descobrisse que a torre de astronomia era utilizada para fins nada acadêmicos.

 Rebolou despudoradamente no colo do corvino, que o segurava com força pelo quadril largo e deliciosamente convidativo, apertando os dígitos na carne macia, apreciando a coloração rosada que começava a ganhar maior destaque.

Se o Park soubesse que seria tão fácil convencer o mais velho a transar consigo, com certeza teria poupado muitas palavras, usado a boca em coisas mais interessantes por mais tempo, sentindo o peso da glande inchada do Kim em cima de sua língua esperta.

Suspirou em meio a um soluço, abrindo as bandas da bunda com as próprias mãos, deixando que sua entrada melada pelo lubrificante ficasse mais exposta e consequentemente conseguisse abrigar melhor o pênis de Namjoon, que entrava por completo, permitindo que sentisse as bolas batendo contra sua derme, e então saia num ploc não tão alto a cada quicada sem um ritmo específico, apenas rápida, apenas necessitada.

Sentia seu pontinho doce ser atingido com vontade pela cabeça arroxeada do pênis do corvino, portanto, querendo continuar a sentir aquilo, não poupou esforços em bater-se contras as coxas alheias, esfregando o próprio pau na barriga lisa do Kim, expelindo uma boa quantidade de líquido lubrificante, que começava a pingar, formando poças que escorriam, até sumir por entre os corpos quentes.

— Mas que porra... — Jimin sussurrou em meio aos gemidos, ondulando os quadris em busca de maior contato com Namjoon — Por que você precisa ser tão gostoso?

— Pelo mesmo que você continua apertado — estapeou a bunda do ruivo, que soltou um gritinho fino e em seguida riu maliciosamente — Gosta quando vou fundo desse jeito?

— Eu amo quando te sinto pulsando dentro de mim — fixou os olhos na íris castanha do outro rapaz, passando a língua pelos lábios bem desenhados — Seu grande filho da puta.

Beijou rudemente a boca de Namjoon, sem se importar em ter o menor cuidado, mordendo o lábio inferior já machucado e então lambendo o local antes que a ardência pudesse se tornar muito incômoda, deixando que sua língua afoita deslizasse para dentro da cavidade alheia sempre que cansada das mordidinhas semi dolorosas.

Sabia que estava muito perto de gozar, que os nós em seu baixo ventre começavam a se desfazer numa pulsação continua no pênis rígido que roçava na derme amorenada do mais alto. Não existiam limites, somente o prazer que o falo grosso conseguia fazê-lo sentir a cada estocada profunda.

Quicou mais depressa, levando uma das mãos até o próprio pau, punhetando-se na mesma intensidade que se movimentava no caralho do Kim, resmungando xingamentos e palavrões aleatórios enquanto olhava diretamente para o rosto do aluno da Corvinal, que parecia tentar prender os gemidos também, suspirando alto e arranhando seus quadris.

— Goza dentro de mim — Jimin ordenou, sabendo que os dois estavam na beira de um orgasmo — Quero sentir tua porra escorrendo quando eu levantar.

Não demorou sequer um minuto para que o de fios escarlates jorrasse sob o peito de Namjoon, chamando pelo nome dele enquanto sentia os espasmos tomando conta de si. Rebolou um pouco mais lentamente, passando o polegar pela fenda que ainda vazava, sentindo-se bem ao se ver tão sujo.

Instintivamente, acabou contraindo as preguinhas que continuavam a prender o pênis do mais velho, e aquela pressão extra foi o suficiente para que ele conseguisse chegar ao ápice também, quente e molhado, completamente dentro do Park, como havia sido mandado, parte escorrendo para fora conforme as últimas quicadas preguiçosas eram dadas.

Jimin sorriu completamente satisfeito, recostando-se no peito do colega, o rosto contra o pescoço suado, com a respiração ofegante, como se houvesse corrido uma maratona inteira. Beijou calmamente a pele morena, fechando os olhos durante alguns momentos, precisando se recuperar antes de finalmente ir para a aula de defesa contra as artes das trevas, apesar de muito provavelmente perder a primeira parte.

Pensou que talvez o correto seria dizer que aquilo tinha sido incrível, ou então importante, talvez até mesmo chamar Namjoon de gostoso pela milésima vez em vinte minutos, no entanto, um pigarreio cortou totalmente o clima pós-foda, trazendo-os para fora da bolha carinhosa em que se encontravam, empoleirados um no outro.

Os dois rapidamente olharam na direção da entrada, que por um descuido haviam deixado sem tranca alguma, dando de cara com um Min Yoongi que parecia tão sério quanto Taehyung quando alguém o desafiava, com a boca rosada não passando de um pequeno risco e os olhos faiscando principalmente no corvino.

— Vocês são nojentos, ninguém vai limpar essa torre até nossa próxima aula, todos vão estudar no meio dos fluídos dos dois — o de fios claros disse com uma calma que não se estendia ao tom de voz — Eu deveria comunicar aos diretores de suas respectivas casas.

— Você não achou assim tão nojento quando estávamos nos agarrando perto daquele balcão ali — o Park apontou para o objeto já antigo, com duas gavetas faltando — Na verdade, lembro de ter gostando bastante.

Yoongi ignorou as falas do grifinório, retirando a varinha das vestes e apontando-a para o amontoado de capas próximo a seu pé direito, fazendo com que elas pulassem nos respectivos donos. Por mais que adorasse observar cada minúscula parte de Jimin, a visão dele ainda agarrado em Namjoon era deveras desconcertante.

Não era como se não soubesse as coisas que o garoto faz quando não estão juntos, na verdade, era justo já que também se divertia principalmente com Taehyung (apesar dele estar mais fechados a toques ultimamente), no entanto, havia alguma coisa no membro da Corvinal que deixava seu sangue em estado de ebulição.

Além de que, uma coisa era saber que Jimin saia com outros garotos (e garotas), agora, outra bem diferente era escutar seus gemidos doces e os rangidos da parede, sabendo que atrás de uma porta, a poucos metros de si, o ruivo estaria aos amassos com alguém. A sensação de impotência diante da cena lhe fazia a bílis subir pela garganta.

— Se vista logo, os alunos do segundo ano estão tendo um tempo livre, podem aparecer aqui a qualquer instante para fuçar nas coisas — Yoongi deu continuidade — Menos trinta pontos para a Corvinal.

O Park revirou os olhos, saindo com cuidado de cima de Namjoon, mordendo os lábios devido a pequena pontada de dor que sentiu quando se viu livre do pênis já adormecido. Não era passivo desde a metade das férias, definitivamente não estava mais tão acostumado, permaneceria dolorido pelo restante do dia.

Piscou um dos olhos assim que ficou em pé, observando o Kim de cabelo roxo puxar rapidamente a capa para si, não querendo deixar que Yoongi visse mais partes de seu corpo, apoiando-se na parede para que conseguisse se levantar e ao mesmo tempo continuar escondendo o peitoral magro.

— Não pode fazer isso, é errado e antiético — Namjoon tentou se defender enquanto vestia a calça um tanto desajeitadamente, errando a frente e verso na primeira tentativa — Não somos da mesma casa.

— Porém, sou o monitor chefe, então dividindo ou não dividindo a mesma casa, posso fazer o que bem entender. E agora são quarenta pontos. Terão que se esforçar bastante na partida de quadribol para recuperar isso tudo — sabia que automaticamente os pontos estariam sumindo da ampulheta dos azulados, no salão — Grifinória menos quinze pontos.

— Uma atitude injusta, mas não esperei coisa melhor vinda de um sonserino — o Kim resmungou, fechando o zíper e tentando ajeitar o cabelo colorido.

— Se eu fosse você, ficaria quieto antes de ganhar detenção pelo restante da semana — o Min aconselhou, sarcástico, tentando não demonstrar o quão possesso estava, mas sabendo que deixaria uma pontinha aparecer — Saia daqui enquanto ainda estou sendo benevolente; não que mereça.

Namjoon soltou um palavrão baixo para que ninguém escutasse, sabendo que seus colegas já estariam bravos o suficiente por conta dos pontos retirados da Corvinal, não precisava passar cinco dias aturando Professor Snape mandando que limpasse sua sala ou então que rodasse Hogwarts inteira a procura de ingredientes para as poções.

Tentou dar uma desamassada na cama que parecia não ser a mesma com que subiu na torre, por culpa da poeira, vestindo-a apressadamente. Deu uma rápida olhada em Jimin, que não demonstrava muita preocupação, cantarolando enquanto abotoava a camisa.

Vendo que o mais novo não temia Yoongi, foi em direção à porta, querendo fingir que aquele encontro não havia terminado de modo tão ruim. Para seu completo azar, antes que conseguisse passar do batente, teve seu braço direito segurado com força.

— Reze para que eu não te encontre sozinho nos corredores durante os próximos dias — o Min recomentou, com a mesma voz neutra de sempre, no entanto, os olhos pareciam ainda mais escuros — E principalmente, reze para que eu não te encontre com Jimin outra vez.

O ruivo revirou os olhos com a cena que ocorria a poucos metros de si, por mais que no fundo achasse até mesmo instigante ver os dois rapazes querendo impor território (mesmo que, segundo essa lei territorial, Yoongi estaria ganhando de lavada e Namjoon seria apenas um cachorrinho com o rabo entre as patas). Adorava a sensação de ser livre, mas saber que tanto o corvino quanto o sonserino queriam-no, deixava seu ego no alto.

Balançou a varinha no ar, conjurando um paninho para que pudesse se limpar melhor, já que o Kim havia realmente feito um bom trabalho, tinha muito esperma escorrendo por entre suas coxas grossas, dando-lhe aos poucos a sensação fria do vazio, assim como a pequena ardência que começava a dar maiores sinais.

Por alguns segundos, fingiu que o Min não estava ali, de braços cruzados e feições travadas, apenas continuou a cantarolar uma canção trouxa que escutou no alto-falante de um mercado, secando as partes que necessitavam de uma atenção extra, tomando cuidado para não irritar a pele não tão alva.

Vestiu as roupas sem a menor pressa, reconhecendo a textura macia contra as manchas doloridas, pensando sinceramente em ficar sem a cueca, pois, assim que ergueu o pedaço de tecido até o quadril, percebeu na hora sua bunda castigada reclamar, querendo permanecer destampada por mais tempo.

Enquanto Jimin estava envolto em sua cantoria, vestindo peça por peça do uniforme, o de fios descoloridos continuava parado próximo a entrada, espiando, sabendo que era ignorado de propósito. Precisou pigarrear três vezes para finalmente conseguir um pouco de atenção do mais novo, que sentou num banquinho, pegando os sapatos caros.

— O que diabos você quer agora? Um pedido de desculpas? Talvez uma caixa de trufas de licor, como as que sua mãe sempre deixava para nós na cozinha? — questionou, com os olhos pregados no loiro, mas ainda mexendo nos calçados sociais — Estragar minha diversão não foi o bastante?

— Bancar o inocente não vai te salvar — caminhou até o mais baixo — Com tantas pessoas nessa merda de escola, você precisava se jogar nos braços justamente dele? Sério?

— O sexo é bom, e o pau é melhor ainda, essa é minha linha de defesa. Não vejo motivo para toda essa ceninha — deu de ombros, puxando a meia para cima, arrumando a barra das calças e ficando em pé também — Namjoon só te derrotou em um debate, dois anos atrás. Não deveria guardar mágoa.

— Guardar mágoa? — riu soprado — Me diga, como se sentiria caso eu tivesse feito um teatro enorme com Taehyung no meio de todo mundo, e após você me procurar para tentar entender o que ocorreu, acabasse me vendo com Jpearl?

— Eu não sentiria absolutamente nada, viraria as costas e iria embora, simples assim — o ruivo bagunçou os próprios fios, umedecendo os lábios bem desenhados — Por que não tenho o direito de sentir, mesmo odiando esse garoto desde o momento que pus os olhos nele.

Jpearl era um dos muitos pontos escuros no passado dos dois rapazes, um aluno da Sonserina que passava a maior parte do tempo enfiado na biblioteca lendo livros avançados ou então testando poções que, por incrível que pareça, davam muito certo, o que rendia muitos pontos para a casa verde e elogios vindos de Snape, que tratava o garoto como puro ouro.

Obviamente, as roupas sempre cheirando a amaciante, os sorrisos bonitos e personalidade mais quieta chamava a atenção de muitos garotos (já que, era assumidamente homossexual), no entanto, um pequeno problema fazia com que rejeitasse qualquer proposta envolvendo encontros, ele era louco pelo Min, e não somente isso, detestava Jimin com todas suas forças.

No começo, o Park pensou que era coisa de sua cabeça, inclusive Yoongi chamou-lhe de surtado por seu radar estar apontando perigo justo para um colega tão quieto, imaginou que estaria julgando o livro pela capa, sendo uma péssima pessoa, e sentiu-se verdadeiramente mal por andar fugindo do sonserino de cabelo castanho feito o diabo fugindo de uma cruz.

Todavia, quase três anos atrás, o ruivo magicamente adoeceu após uma visita ao povoado, precisando ser mandado as pressas para enfermaria, onde permaneceu semanas gemendo pelo desconforto, pela dor que invadis suas veias, como se um minúsculo bichinho o corroesse por dentro toda a vez que respirava forte demais.

Não precisaram de muitas buscas até descobrirem que o culpado era justamente o moreno de boca bonita, que confessou ter feito uma misturinha poderosa para enfraquecer Jimin, e aceitou dar o antidoto em troca de dez encontros com Yoongi, que inclusive, não pensou duas vezes antes de aceitar, passando mais de um mês ao lado do menino não tão bonzinho quanto aparentava.

De qualquer forma, aquilo tudo havia passado já fazia um bom tempo, e mesmo não gostando de Jpearl (inclusive, continuar o evitando diariamente), o grifinório não poderia intimidá-lo ou mandar que permanecesse longe do Min, por mais que a ideia dos dois juntos causasse um terrível mal estar. Existia uma linha muito rígida na pseud. relação dos dois, não poderiam passar para o outro lado sem consequências.

— Ou você já se esqueceu do nosso trato? — Jimin deu continuidade, com um tom mais sério que o normal, não parecia o mesmo garoto brincalhão que andava pelos corredores atazanando a vida de Fitch — Eu não me meto na sua vida a morosa, e você fica bem longe da minha. Nós temos apenas sexo.

— E por um acaso tenho a oportunidade de esquecer? — Yoongi respondeu, passando a mão pelo cabelo bem organizado — Toda a vez que saímos juntos, você me lembra dessa merda.

— Essa “merda” foi escolha sua, ou já esqueceu? Quando nós tivemos a chance de realmente ficar juntos, como dizíamos que queríamos, o que aconteceu? — ele empurrou a ponta dos dígitos contra o tórax do sonserino — Eu te digo o que aconteceu. Você escolheu Taehyung e me deixou sozinho.

— Eu tive um bom motivo, precisava ir atrás do que acredito ser certo — o mais velho se defendeu, tendo segurar a mão do outro, mas sendo impedido — Não poderia permanecer de braços cruzados.

— Isso não muda o fato de ter me deixado, de ter me feito acreditar que nós poderíamos ter um futuro juntos, que pela primeira vez eu poderia confiar em alguém ao ponto de abrir mão de qualquer outra pessoa — deu dois passos para trás, balançando a cabeça negativamente — Nunca vai mudar.

Jimin não queria escutar uma resposta, não queria que mais e mais palavras fossem jogadas sobre si, quando não tinha mais paciência e nem tempo para discutir sobre o passado, principalmente quando tentava esquecer de boa parte dele, fingir que não passou de uma grande utopia.

Pegou sua capa, que continuava atirada no mesmo canto onde anteriormente estava no colo de Namjoon, vestindo-a apressadamente, procurando não encarar o rosto do Min, já que ele poderia perceber que seus olhos, infelizmente, estavam marejados, o que seria deveras constrangedor.

Sentir demais sempre foi um de seus grandes problemas, seja sentir demais algo ruim ou sentir demais alto bom, e é claro que não seria diferente quando o assunto era sua vida amorosa. Talvez fosse seu drama falando mais alto, já que, todos diziam que era a rainha dele, mas ainda assim, causava uma sensação ruim.

— Não venha querer bancar o namorado ciumento agora, não combina com você — caminhou até a entrada, checando se nenhum outro aluno estaria passando ali perto, consequentemente flagrando-o saindo de uma sala que deveria estar vazia, e então se virou para o Min — Me procure quando quiser gozar, ou algo assim, mas não para discutir uma relação inexistente.

O garoto saiu apressadamente, não se importando eu cumprimentar o fantasma de Nick Quase Sem Cabeça que sobrevoava poucos metros a cima de sua cabeça, pensando em Yoongi, pensando em Namjoon e pensando também em Hoseok, apesar de este último estar mais afastado de si desde que o ano letivo começou, parecendo se contentar em acenar timidamente, sem ao menos tocar algumas palavras.

Deveria ir direto para a classe de D.C.A.T, se juntar a Jungkook e conversar durante as explicações da professora, todavia, sabia que não conseguiria, não quando, por mais que tentasse esconder, seus olhos continuavam marejados, mesmo sem pingar. Sentia-se um pouco magoado com o sonserino baixinho e loiro, e infelizmente seu cérebro focaria nessa mágoa pelas próximas horas, fazendo com que se transformasse em raiva.

Decidiu que a melhor opção era voltar para o Salão Comunal da Grifinória, permanecer lá pelo resto da tarde, e inventar uma desculpa qualquer quando estivesse com fome, e consequentemente precisasse descer para jantar. Talvez seu amigo ficasse preocupado consigo, mas realmente não tinha como sentar ao lado dele, fazer piadinhas e rir das perguntas estúpidas de Isaac.

Tudo o que precisava era de um sofá aconchegante e dois potes de sorvete de flocos; pela primeira vez em muito tempo não queria descontar a frustração nos braços de alguém (visto que poderia chamar Namjoon até seu dormitório), queria descontar no doce de creme com gotinhas de chocolate, e quem sabe, dali algumas horas, descontar também socando a cara de Min Yoongi.


Notas Finais


Caso tenhm gostado, não esqueçam de deixar seu favorito, e se possivel conversr comigo nos comentários. Um bom feedback incentiva qualquer escritora do site a prosseguir com a postagem em dia, além de eu simplesmente adorar ficar boiolando por causa de vocês. Não precisam ter medo ou vergonha, sempre trato todo mundo com muito amor e carinho.
Muito obrigado por lerem.

Beijos da Dii


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