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História Sete Anos Depois - Capítulo 39


Escrita por: Aline_Black_Lih

Notas do Autor


Olá! Como estão?

Sei que demorei muito para voltar...mas cá estou, trazendo o penúltimo capítulo dessa fic!

Eu espero que gostem desse capítulo, ele foi escrito para amarrar todas as pontas soltas que haviam ficado para trás. E sem mais enrolação: Boa leitura!!!

Capítulo 39 - Apenas Mais Alguns Dias Ao Seu Lado


Hermione, na manhã seguinte, acordou nos braços de Severus. Ela acariciou os fortes braços que envolviam seu corpo, sentindo sob seus dedos cada cicatriz que marcava a pele dele.

— Bom dia. — Disse Severus depois de beijar o topo da cabeça de Hermione.

— Bom dia, — respondeu Hermione, virando seu corpo para ficar de frente para Severus.

Hermione acariciou o rosto de Severus levemente e perguntou:

— Ressaca?

Severus deu um meio sorriso e respondeu:

— De maneira alguma.  

Hermione, mesmo sem vontade alguma de sair da cama, sentou-se e disse a Severus:

— Acho melhor levantarmos. Precisamos comer alguma coisa e você também precisa tomar sua poção.

Severus passou os braços pela cintura de Hermione.

— Fique mais um pouco, nós podemos pular o café da manhã, só por hoje.

Hermione riu sonoramente.

— Severus, nós já perdemos o café da manhã, eu estava me levantando para fazer nosso almoço, já passa do meio-dia.

Severus, ainda meio sonolento, virou-se para a mesa de cabeceira e olhou para o pequeno relógio que estava ali, já passava do meio-dia e meio. Ele apenas suspirou e deixou Hermione ir, mesmo sem ter vontade.

Só quando Hermione saiu da cama e dirigiu-se a janela, para abrir a cortina, que ele se deu conta da roupa que ela estava usando. A bruxa usava sua camisa, a camisa que era parte do conjunto do pijama, do qual, ele estava usando a calça naquele momento.

Severus sentou-se na cama e ficou observando Hermione mover-se para abrir a cortina. Viu com demasiado interesse a camisa, que Hermione usava, subindo, quando ela levantou os braços, para puxar a cortina para o lado.

Assim que Hermione terminou de abrir a cortina ela voltou-se para Severus, que a observava sentado na cama.

Ela deu um sorriso e perguntou:

— O que houve?

— Não houve nada, estou apenas admirando a beleza de minha sexy companheira. — Respondeu Severus.

Hermione caminhou até ele, ficou em pé entre as pernas de Snape, acariciou o rosto dele, depois deu um leve beijo sobre os lábios dele.

— Eu acho que não vou deixar você sair desse quarto hoje. — Disse Snape olhando nos brilhantes olhos castanhos de Hermione.

Ela riu.

Severus, sem quebrar o contato visual, desceu suas mãos lentamente até as coxas de Hermione, passou pelas partes cobertas pelo tecido de sua camisa, logo depois encontrando a pele desnuda da mulher, deixando ali suas mãos.

— Saber que não há nada por baixo dessa peça de roupa que está usando, me deixa louco, Hermione. — Severus suspirou. — Não sei como você consegue fazer isso comigo, só por estar usando uma camisa minha.

Hermione riu e disse:

— É um dom especial que eu possuo, — brincou ela — enlouquecer Severus Snape.

Severus foi obrigado a dar um sorriso.

Hermione deu mais um beijo sobre os lábios de Severus, depois disse:

— Vou trocar de roupa, depois vou descer e fazer algo para comermos.

— Nem precisa trocar de roupa, você poderia ficar andando pela casa vestida assim que eu não me oporia de maneira alguma. — Severus a encarava com um expressão safada enquanto ela caminhava em direção a porta.

Hermione não respondeu apenas saiu do quarto, que estava dividindo com Severus, e foi até seu quarto trocar de roupa, pois se continuasse aquela conversa, com toda a certeza não iria sair daquele quarto tão cedo.

Alguns minutos mais tarde, Hermione desceu e encontrou Severus já na cozinha, ele estava fazendo alguns sanduíches para os dois.

— Quer alguma ajuda? — Ela perguntou assim que se aproximou o suficiente.

— Pode fazer um suco para nós? — Perguntou Severus.

Hermione assentiu afirmativamente e preparou o suco. Depois, eles comeram sentados em volta da própria bancada da cozinha, afinal foi apenas um lanche rápido.

— Tem algo planejado para fazer hoje à tarde? — Questionou Hermione enquanto entregava um prato, que havia acabado de lavar, nas mãos de Severus.

— Só preciso dar uma olhada em minhas correspondências, já faz alguns dias que não faço isso. — Respondeu Snape enquanto secava o prato e o colocava de volta à prateleira.

— Eu preciso mandar algumas cartas. — Disse Hermione. — Tenho que mandar uma carta a Percy e uma a Shacklebolt. Preciso avisar ambos de minha decisão o mais breve possível.

Assim que os dois terminaram de organizar a cozinha, foram até a biblioteca. Ambos sentaram-se lado a lado, Severus verificando as suas correspondências e Hermione escrevendo as suas cartas.

A primeira carta que Hermione escreveu foi para Percy, explicando a sua decisão de deixar o hospital, deixou claro que havia pensando muito sobre o assunto e chegou à conclusão de não conseguiria voltar a trabalhar ao lado de Alden. Agradeceu a Percy por tudo que ele já tinha feito por ela, inclusive pelos conselhos que ele havia lhe dado. Finalizou a carta pedindo a sua demissão o mais breve possível. Assim que terminou a carta, selou-a e colocou-a de lado.

Depois ela passou a escrever uma carta para Kingsley Shacklebolt, nessa carta Hermione dava uma resposta positiva à proposta dele, ela estava aceitando o emprego no Ministério da Magia. Porém, deixou claro que só poderia assumir o cargo assim que fosse dispensada de seu atual emprego, no Saint Mungus, mas ela já havia pedido o afastamento e só aguardava o retorno do diretor do hospital. Ela selou essa carta também e por alguns segundos ficou observando os dois envelopes sobre a mesa.

Enquanto Hermione escrevia as cartas, Severus a observava atentamente. Já era o vigésimo sétimo dia que eles estavam vivendo juntos, aquele pequeno pedaço de paraíso que eles construíram poderia ruir em apenas três dias, o prazo final para sua liberação dos cuidados médicos. Em três dias ele já não iria precisar de nenhum acompanhante, Hermione seria livre para ir embora. Esse pensamento começou a deixá-lo inquieto.

Severus sabia o que poderia fazer para evitar que Hermione fosse embora, porém não sabia como fazê-lo, ele não sabia lidar com seus sentimentos, muito menos com suas inseguranças. Ele tinha medo de fazer algo e perder Hermione, porém também tinha medo de não fazer nada e perdê-la mesmo assim. Severus estava cheio de conflitos, ele nunca havia se sentido dessa forma, nem em seus piores momentos. Hermione conseguia aflorar nele um turbilhão de sentimentos que ele não fazia ideia de como organizar ou controlar. Ele só sabia que a amava e muito.

Hermione continuava a olhar aqueles dois envelopes, com seus respectivos destinatários escritos com sua fina caligrafia. Ela suspirou pesadamente se dando conta que em breve sua vida mudaria drasticamente, outra vez. Em três dias Severus seria liberado por Blaise, em três dias Severus já não precisaria mais da companhia dela. Ela certamente voltaria para seu apartamento. Sua relação com Severus continuaria, mas não seria como é agora, ela não teria o calor do corpo dele ao deitar-se e ao acordar, ela não sentiria o cheiro dele nos travesseiros, não faria mais as refeições ao lado dele.

Hermione não queria afastar-se de Severus, não queria voltar para sua própria casa, queria permanecer ali, queria permanecer rodeada da presença de Severus.

Batidas na porta interromperam os pensamentos de Hermione. Ela olhou para Severus, que pareceu tão surpreso quanto ela por receberem uma “visita”.

— Não estamos esperando alguém, estamos? — Perguntou Hermione a Severus.

— Não que eu lembre. — Respondeu Snape.

Os dois saíram da biblioteca e foram atender a porta. Snape dirigiu-se a sala de estar, com Hermione em seu encalço.

Snape abriu a porta de forma cautelosa, mas assim que viu quem era, relaxou. Hermione espiou por cima do ombro de Severus e logo viu que era Draco quem estava ali.

Assim que Snape abriu a porta, Draco logo tratou de desculpar-se:

— Perdoe-me padrinho, por vir sem avisar, mas eu tenho um assunto para tratar com o senhor e queria fazer isso o mais rápido possível. Podemos conversar?

Snape achou a situação estranha, mas convidou Draco para entrar.

— Sente-se, Draco. — Disse Snape assim que eles entraram na sala de estar.

Draco sentou-se e logo disse:

— Hermione, pode acompanhar a nossa conversa, por favor? Acredito que você também possa dar sua opinião sobre a proposta que vim fazer.

— Claro, — respondeu Hermione.

Severus sentou-se no sofá, com Hermione ao seu lado. Draco iniciou a conversa dirigindo-se primeiro a Hermione.

— Hermione, lembra-se que eu havia dito que aceitei produzir as poções para o Ministério da Magia, mais especificamente, as poções dos aurores?

— Sim, lembro, você me falou isso há alguns dias. — Disse Hermione.

— E eu lhe disse que também tinha um “plano” para conseguir conciliar aquilo que eu já produzo com aquilo que precisarei produzir. — Continuou Draco.

— Sim, lembro que falou sobre isso também, mas você disse que esse “plano” era segredo. — Respondeu Hermione com um ar curioso em sua face.

— Agora vai deixar de ser segredo. — Disse Draco com um sorriso brilhante.

Draco ajeitou-se no sofá, adquiriu uma postura mais séria, sua postura de negócios, e dirigiu-se a Snape.

— Padrinho, eu estou aqui para lhe oferecer uma sociedade.

Snape levantou a sobrancelha de forma desconfiada e perguntou ao afilhado:

— Que tipo de sociedade?

— O senhor é um excelente mestre em poções, certamente muito melhor do que eu jamais serei. — Começou Draco. — Eu preciso de alguém tão capaz e confiável como o senhor para me ajudar a dar conta de produzir as poções que são encomendadas mensalmente de minha loja. — Draco manteve a postura séria. — Todo o valor das poções que o senhor produzir, padrinho, será seu. A única coisa que as poções produzidas pelo senhor vão ter, de minha parte, serão os rótulos com o nome da minha loja. Então, o que senhor acha disso?

Snape ponderou por alguns segundos, depois perguntou:

— Eu poderei trabalhar aqui, em minha residência?

— Certamente, — respondeu Draco.

— E quanto a fazer entregas e lidar com clientes? — Snape questionou. Essa era a única parte que o fazia ter ressalvas reais de aceitar a proposta de seu afilhado.

— Não precisa se preocupar com isso. Eu farei toda a parte burocrática. Ao senhor, só ficará a produção das poções. — Draco apressou-se em esclarecer.

Snape havia gostado muito da ideia, poderia trabalhar em casa, já que possuía seu próprio laboratório. Era uma excelente oportunidade.

— Sua proposta é muito interessante para mim, Draco. — Disse Snape.

— É ótimo ouvir isso, padrinho. — Draco estendeu a Snape um pedaço de papel que havia retirado do bolso. — Aqui está um esboço de contrato, leia e veja o que acha. Se estiver de acordo com todos os termos, eu posso trazer o contrato oficial amanhã mesmo e assim que o senhor for liberado por Zabini, já poderá começar a trabalhar nas poções.

Snape pegou o papel das mãos de Draco.

— Eu irei ler com paciência. — Disse Snape referindo-se ao contrato. — Mas posso afirmar que sua proposta me interessa bastante.

O Malfoy sorriu amarelo para o padrinho e disse:

— Eu espero que o senhor aceite, padrinho. Por que se não aceitar, eu vou estar com um enorme problema, pois eu já aceitei produzir uma encomenda muito grande do Ministério da Magia, antes mesmo de falar com o senhor.

Hermione riu lembrando-se do motivo pelo qual Draco havia aceitado produzir as poções dos Aurores, uma bela garota chamada Alice.

Snape apenas suspirou, Draco apenas parecia ter mudado, mas em essência, ainda era aquele garoto impaciente de sempre.

— Minha resposta provavelmente será positiva, Draco, então não se preocupe muito. — Snape resolveu tranquilizar o jovem Malfoy.

— Obrigado, padrinho. — Disse Draco já se levantando. — Desculpem-me por essa visita ser tão rápida, eu tenho muito trabalho acumulado. Preciso voltar já, tenho que terminar as poções do Saint Mungus ou Zabini vai arrancar minha pele.

Draco despediu-se de Snape, depois Hermione o levou até a porta.

— E então, algum progresso com a garota do Ministério? — Perguntou Hermione ao amigo assim que abriu a porta.

— Eu ainda não tive oportunidade de falar com ela outra vez, — respondeu Draco parecendo um pouco desanimado.

Hermione riu levemente.

— Eu entendo, você anda bastante ocupado. — Disse a castanha tentando demonstrar apoio a Draco.

— Mas não pense que eu vou desistir, um Malfoy nunca desiste. — Ele pareceu recuperar a animação de forma instantânea.

— Eu tinha certeza que você não desistiria. Só tome cuidado para não afugentar a moça. — Brincou Hermione.

Draco direcionou uma careta para Hermione. Mas não disse nada. Ele virou-se e desceu os degraus em direção ao jardim. Já se encaminhava para a área de aparatação, quando lembrou-se de algo.

— Eu quase esqueci, — disse Draco — Zabini me pediu para avisar que vem fazer a revisão de Snape amanhã pela manhã, no mesmo horário de sempre.

— Obrigada por avisar, Draco. — Disse a bruxa.

Hermione acompanhou os passos de Draco com o olhar, até ele desaparecer. Ela suspirou enquanto retornava para dentro da casa, desejava muito que Draco fosse feliz, esperava que essa mulher, em quem ele estava interessado, merecesse os esforços dele.

Hermione voltou a sala de estar e sentou-se ao lado de Severus novamente.

— É uma excelente oferta, Severus. — Comentou a bruxa.

Ele havia pensando, nos últimos dias, sobre o que faria depois que fosse liberados dos cuidados médicos. Ele pensou exaustivamente sobre que tipo de profissão ele poderia exercer depois de ficar sete anos parado. Isso o havia deixado bastante tenso. Ele havia pensado até em falar com Minerva, sobre voltar a lecionar, mas Hogwarts não era um local que lhe trazia boas lembranças, nem de sua juventude, nem de seus momentos como professor.

E, agora, toda essa tensão e preocupação pareciam ter sido por nada, tudo parecia ter se resolvido de uma forma tão fácil, simplesmente depois de uma conversa com seu afilhado. Severus voltou seu olhar para o contrato, que Draco havia deixado com ele, e precisou concordar com as palavras de Hermione.

— Certamente.

Hermione colocou sua mão sobre uma das mãos de Severus, que segurava o contrato.

— Há algo que o preocupa? — Perguntou a bruxa.

Severus virou seu rosto na direção dela, havia uma coisa que ainda o preocupava, mas ele não queria falar sobre isso naquele momento. Ele pensou então em uma forma de desviar do assunto.

— Eu preciso dar uma olhada em meu laboratório, ver como está. — Disse Severus já se levantando do sofá. — Não sei se Madel o manteve organizado como fez com o restante da casa.

Ver o laboratório era uma boa desculpa para fugir do assunto, pois além de ser uma boa justificativa para não responder à pergunta de Hermione, ele realmente queria dar uma olhada no lugar. Não havia entrado lá desde que deixou sua casa para retornar à Hogwarts, sete anos atrás.

Hermione, sendo vencida pela curiosidade, perguntou:

— Onde é seu laboratório?

Severus agradeceu mentalmente por Hermione não insistir na pergunta. Ele então estendeu a mão para Hermione e respondeu:

— Venha comigo que vou lhe mostrar.

Hermione levantou-se do sofá e pegou a mão de Severus com seu habitual sorriso de empolgação, que Severus já conhecia bem.

Snape guiou-a pela casa, retornaram à biblioteca, ele entrou no local e dirigiu-se até uma das estantes, onde ficavam os livros sobre as artes das trevas. Severus tirou sua varinha do bolso da calça e tocou um livro grosso, de capa verde escuro, feita de couro. Assim que o livro foi tocado, a prateleira moveu-se para o lado, atrás dessa prateleira havia uma porta. Snape girou a maçaneta da porta, esta dava acesso a um cômodo.

Hermione olhou a cena com os olhos brilhando de admiração e curiosidade, apesar de ser uma bruxa, achou aquilo fascinante. Hermione concluiu que Severus havia encontrado o local perfeito para ocultar seu laboratório. Mas havia algo que ela não entendia, por que ele precisou esconder seu laboratório?

Severus percebeu a expressão de Hermione e logo explicou:

— Eu era um agente duplo, como você sabe. Eu fabricava poções para ambos os lados e precisava manter isso em segredo. Alguns de meus nada desejados convidados daquela época poderiam dar-se conta de algo se eu deixasse meu laboratório “exposto”. — Severus seguiu para dentro do aposento, ainda segurando a mão de Hermione. — Além disso, posso dizer que este lugar se tornou quase um refúgio para mim, era o único local em que eu não precisava fingir ser alguém que eu não era.

Hermione escutou atentamente as palavras de Severus enquanto o seguia, ela conseguiu sentir, nas palavras dele, nuances de tensão e alívio. Snape certamente jamais esqueceria seu passado, mas Hermione prometeu a si mesma que faria o possível para preencher os dias dele com recordações alegres, mesmo que já não estivesse mais vivendo ao lado dele.

Os pensamentos de Hermione foram interrompidos pelo repentino acender de luzes, que ocorreu assim que os dois entraram no laboratório.

Severus correu seus olhos pelo lugar, estava impecavelmente limpo e organizado, exatamente como ele se lembrava de ter deixado. Certamente Madel também havia se preocupado em manter aquela parte da casa em perfeito estado. E ele estava imensamente grato à elfa por isso.

Hermione também correu seus olhos pelo local, o aposento era relativamente grande, nas paredes havia inúmeras prateleiras, todas repletas de frascos, alguns estavam cheios, outros vazios. Havia também uma longa bancada no centro, sobre ela estavam diversos caldeirões, uma balança, alguns fogareiros, facas, tábuas de madeira para cortar os ingredientes e espátulas para mexer os caldeirões.

Hermione, ao olhar o lugar com atenção, teve a certeza de que aquele espaço poderia dizer mais sobre Severus do que todo o restante da casa, o coração dele parecia residir ali, naquele cômodo sem janelas.

Severus soltou a mão de Hermione e pegou um dos frascos que estavam na prateleira, analisando-o com cuidado.

— Preciso dar uma olhada nos ingredientes que tenho aqui, tenho certeza de que algumas coisas já nem podem ser mais utilizadas. — Severus virou-se para Hermione e perguntou: — Gostaria de me ajudar com isso, Hermione?

— É claro que eu quero ajudar você, Severus. — Respondeu ela de forma empolgada.

Durante o restante da tarde, Severus e Hermione trabalharam no laboratório. Todos os frascos, com algum conteúdo, foram retirados das prateleiras e colocados sobre a bancada central, para serem revisados. Severus conferia o conteúdo do frasco, se estivesse apto para uso, ele entregava a Hermione, que catalogava o que havia no frasco e o colocava de volta a prateleira.

 Enquanto trabalhavam, os dois conversaram bastante. Severus, ali naquele cômodo, parecia estar muito mais relaxado do que habitualmente estava. Hermione só não sabia se isso se devia ao fato dele estar naquele laboratório, naquele local que ele considerava um refúgio, ou se devia a visita de Draco, que havia trazido uma excelente proposta consigo.

Severus falava tranquilamente enquanto observava com atenção cada frasco que pegava em mãos, ele contou à Hermione um pouco de sua adolescência, enquanto aluno de Hogwarts, contou sobre o que gostava de fazer em seu tempo livre enquanto estava em período letivo. Hermione escutava tudo com curiosidade, estava amando escutar Severus falar.

Depois Severus contou sobre sua trajetória como professor em Hogwarts. Falou sobre como era dar aula para um bando de cabeças ocas, falou sobre alguns acidentes que ocorreram em sua classe e finalizou com a seguinte frase:

— Eu enfrentei muitos desafios em minha vida, mas certamente o maior deles foi ensinar algo a Neville Longbottom. — Severus usou um leve tom irônico.

Hermione riu da maneira como Severus falou.

Ao final da tarde, os dois estavam cansados, mas o estoque de ingredientes de Severus estava totalmente organizado e catalogado.

Assim que saíram do laboratório, Hermione perguntou:

— O que acha de um chá?

— Seria perfeito. — Respondeu Severus.

Minutos mais tarde, Severus estava sentado em sua poltrona, na sala de estar. Ele olhava com atenção para a folha, com a delicada caligrafia de Hermione, onde ela havia escrito a lista de ingredientes que estavam disponíveis em seu laboratório.

Assim que Hermione aproximou-se, com duas xícaras fumegantes em mãos, Severus disse:

— Tenho certeza que precisarei ir até o Beco Diagonal comprar ingredientes, o que tenho em estoque é relativamente pouco, fora os ingredientes que já não estavam mais adequados para uso.

Hermione entregou uma xícara na mão de Severus e depois sentou próxima a ele, com sua própria xícara em mãos.

— Quando pretende fazer isso? — Perguntou Hermione.

— Provavelmente amanhã à tarde. Gostaria de me acompanhar? — Severus convidou-a.

— É claro, — respondeu a bruxa sorridente.

Severus se pegou olhando para Hermione e dando um leve sorriso, era muito bom ter ela ao seu lado, pois ela sempre estava disposta a ajudá-lo, independentemente de quais fossem as demandas.

Enquanto tomava seu chá, Severus poderia ter falado com Hermione, poderia ter pedido que ela não fosse embora, poderia ter pedido que ela ficasse ao seu lado. Mas algo dentro dele parecia travar cada vez que ele pensava sobre isso. Havia “algo” em seu âmago que lhe dizia que ele deveria deixar Hermione seguir o próprio caminho, que ele não deveria acorrentá-la a ele. Ele lutava com esse “algo” há um bom tempo, achou até que já tivesse conseguido superá-lo, mas nos últimos dias esse “algo” havia retornado para atormentar seus pensamentos.

~ x ~

Naquela noite, após o jantar, Severus e Hermione subiram para o quarto. Enquanto Hermione tomava seu banho, Severus sentou-se na poltrona que ficava próximo a janela, para ler o contrato que Draco havia trazido mais cedo. Ao terminar de ler o papel, Severus concluiu que não tinha nenhuma objeção sobre o que estava proposto no contrato, era uma excelente proposta, na verdade.

Severus dobrou novamente o papel, logo colocando-o sobre a mesa de cabeceira, amanhã, pela manhã, ele mandaria uma carta ao afilhado com a sua resposta.

Depois ele retornou à poltrona e deixou seu olhar vagar pela noite estrelada, que era possível de ver através da janela de seu quarto. Sua mente era um turbilhão de questionamentos. Mas antes que pudesse tentar organizar seus pensamentos, ele ouviu delicados passos.

— Severus, está tudo bem? — Perguntou Hermione assim que está perto o suficiente do homem.

— Está sim. Estava apenas pensando. — Respondeu ele.

Hermione continuou se aproximando, fez a volta na poltrona e sentou sobre o colo de Severus, deitando sua cabeça sobre o ombro dele. 

Severus, que agora já estava acostumado a proximidade de Hermione, passou seus braços em volta da cintura dela. Depois aproveitou para aspirar o delicioso aroma dos cabelos recém lavados dela, era um aroma que já havia se tornado familiar. Severus beijou o topo da cabeça de Hermione, de sua Hermione.

Ele estava lutando contra ele mesmo naquele momento, uma parte sua dizia que ele precisa deixar Hermione ir, já a outra implorava que ele tomasse uma atitude que a fizesse ficar. Snape sabia qual lado deveria vencer, na verdade, ele já havia feito sua escolha.  Ele só precisava ter coragem o suficiente para admitir isso a si.

~ x ~

Na manhã seguinte, Severus acordou cedo e foi até a biblioteca para escrever uma resposta a Draco. Assim que despachou a coruja com as cartas, Hermione veio até ele.

— Porque não me acordou, Severus? — Perguntou a bruxa aproximando-se do local onde ele estava sentado.

— Por que você estava dormindo tão lindamente que eu não fui capaz de fazê-lo. — Disse Severus levantando-se da cadeira e dando um beijo sobre os lábios de Hermione.

Ela sorriu e disse de forma divertida:

— Só perdoo você por causa desse beijo.

Severus passou seus braços pela cintura dela e a puxou para mais perto, dando outro beijo sobre os lábios dela. Hermione retribuiu o beijo, já passando suas mãos pelo pescoço de Severus. Porém, antes que pudesse aprofundar o beijo, ouviram alguém bater à porta.

Hermione afastou seu rosto do rosto de Severus e disse:

— Podemos continuar mais tarde.

— Conto com isso, — respondeu Severus com um sorriso de lado.

Os dois então foram até a sala de estar, para atender a porta. Como eles supuseram, quem batia era Blaise, para fazer o penúltimo check-up de Severus.

— Bom dia, casal! — Disse Blaise animado assim que cruzou o batente da porta.

Hermione riu e respondeu:

— Bom dia, Blaise.

Snape apenas levantou a sobrancelha e ficou encarando seu médico.

— O que foi? — Blaise perguntou de forma descontraída a Snape. — Vocês são um casal, não são? Que mal há em enfatizar isso?

— Mal nenhum, senhor Zabini. — Respondeu Snape, ainda admirado com tamanha animação matinal.

Snape indicou o sofá, que Zabini logo tratou de sentar-se.

— Então, — começou Blaise — hoje é seu penúltimo check-up, Snape. Eu farei alguns exames a mais do que costumo fazer, isso já é para ir adiantando a sua alta.

Snape assentiu.

— E na última consulta, Blaise, você fará um check-up completo? — Questionou Hermione que havia sentado ao lado de Severus.

— Sim, farei. Mas há alguns exames que já posso ir adiantando, então já vou fazer alguns dos exames hoje.

Hermione assentiu.

— Podemos começar? — Questionou Blaise.

— Certamente. — Respondeu Severus.

Os dois foram até o quarto de Severus, como habitualmente faziam, apesar de Hermione e Snape já serem um casal, essa rotina dos exames se manteve.

Quase uma hora mais tarde, os dois retornam à sala de estar. Assim que Hermione os viu descendo as escadas, aqueceu o bule de chá, com um breve aceno de varinha.

Severus volta a sentar-se ao lado de Hermione, enquanto Blaise se acomoda em um dos outros sofás. Hermione alcança uma xícara de chá para cada um dos homens e depois pega um xícara de chá para si.

Assim que todos estão acomodados, Zabini toma a palavra:

— Todos os resultados, dos exames que realizei em Snape hoje, estão ótimos. Não há com o que se preocupar. Certamente em dois dias eu assinarei a alta.

Snape assente e Hermione sorri aliviada.

— Isso é ótimo. — Diz a bruxa.

 Os três conversaram um pouco mais sobre os exames e a saúde de Severus, até Zabini mudar de assunto e falar sobre o hospital.

— A poção dos Longbottom ficará pronta amanhã, — falou Blaise — o teste final será realizado em quatro dias. Hermione, eu sei que você ainda está de licença, mas eu gostaria que você estivesse lá para acompanhar esse novo teste. Eu preciso de você, já falei com Percy e ele reclamou, mas autorizou sua participação.  

Hermione assentiu enquanto bebia um gole de seu chá, depois respondeu:

— É claro que estarei lá. Vou ajudar no que precisar, Blaise.

Zabini agradeceu.

— Obrigado, Hermione. Nós desenvolvemos todo esse projeto juntos, não teria como eu prosseguir sozinho.

Hermione sorriu e agradeceu ao amigo pelo reconhecimento de seu trabalho. Zabini não ficou muito mais tempo, ele disse ao casal que precisava voltar ao hospital, pois tinha marcado um horário para debater alguns detalhes com o Neville, sobre a situação dos pais dele.

Hermione então levou o amigo até a porta.

— Não se esqueça, Hermione. Eu volto em dois dias, nesse mesmo horário. — Lembrou-lhe Blaise.

— Não se preocupe, não vou esquecer. — Respondeu Hermione. — E, Blaise, se precisar de alguma ajuda com Neville, me avise, eu posso passar pelo hospital para te dar uma ajuda.

Blaise sorriu e agradeceu.

— Obrigado, Hermione. Se eu estiver desesperado com a situação te mando uma coruja pedindo socorro.

Hermione riu, depois despediu-se do amigo, que desapareceu em meio ao gramado do jardim.

Hermione retornou a sala de estar. Sentou-se ao lado de seu amado e deitou a cabeça no ombro dele.

— Em dois dias você finalmente será liberado desse monte de exames. — Disse a bruxa.

Severus concordou. Logo depois passou seu braço por sobre o ombro de Hermione e a puxou para mais perto. Ela aproximou-se mais e colocou a cabeça sobre o peito dele, ela conseguia ouvir como o coração de Severus batia acelerado.

Severus colocou a mão livre no queixo de Hermione e puxou-o levemente para cima, colando seus lábios aos dela.

— Eu a amo, Hermione. — Sussurrou Severus sobre os lábios da mulher.

Os olhos de Hermione brilharam.

— Eu também o amo, Severus. — Disse Hermione também em um sussurro.

Ela colocou uma de suas mãos ao lado do rosto de Severus, estava guiando-o para uma beijo mais intenso, quando novamente foram interrompidos por uma batida na porta.

Hermione mal podia acreditar que eles já haviam sido interrompidos duas vezes só naquela manhã. Ela suspirou e disse:

— Eu vou atender.

Snape, frustrado, apenas acenou afirmativamente com a cabeça.

Dessa vez era Draco, quem batia à porta.

— Bom dia, Hermione, eu vim assim que recebi a carta de Snape. — Disse Draco logo que viu Hermione. — Eu trouxe o contrato.

Hermione pensou que pelo menos, ela e Severus haviam sido interrompidos por um bom motivo.

A castanha sorriu e disse:

— Entre, Draco. Severus está na sala de estar.

Draco entrou e cumprimentou o padrinho, logo alcançando a Snape o contrato definitivo, para que ele pudesse revisar.

— Leia, veja se está tudo correto, padrinho. — Falou Draco.

Snape levou alguns minutos revisando o contrato, que estava exatamente como o anterior, com a diferença de que este teria validade perante a lei. Ele assinou o papel e o devolveu ao afilhado.

— Obrigado, padrinho. — Disse o jovem Malfoy. — É um prazer tê-lo como meu sócio.

Snape assentiu e depois perguntou:

— Então, você já sabe quais serão as primeiras poções que terei que produzir?

Draco remexeu no bolso de seu casaco, de lá tirou um pedaço de pergaminho devidamente enrolado e preso com uma fita verde.

— Nesse pergaminho estão listadas as poções que foram encomendadas para o próximo mês. — Disse o loiro. — Ao lado das poções, estão suas datas de entrega, eu virei buscar as poções um dia antes. Alguma dúvida, padrinho?

Snape abriu o pergaminho, que continha um longa lista de poções, ele certamente teria muito trabalho pela frente. Mas todas as poções eram simples, basicamente eram poções curativas e regenerativas.

— Nenhuma dúvida, — disse Severus — pelo menos nesse momento.

— Quanto aos ingredientes, vai precisar de algo para começar, Snape? — Perguntou Draco referindo-se aos ingredientes das poções que estavam na lista.

— Sim, vou precisar de ingredientes, mas não se preocupe com isso. Esta tarde Hermione e eu vamos até o Beco Diagonal em busca do que falta. — Respondeu Severus.

— Certo. — Disse Draco. — Então se está tudo bem encaminhado por aqui, eu me vou. Estou sempre cheio de trabalho e hoje isso não é diferente.

O jovem Malfoy despediu-se do padrinho e depois foi levado até a porta por Hermione.

— Sobre a alta de Snape? Está tudo certo? — Perguntou Draco, em voz baixa, à Hermione quando os dois estavam em frente à porta.

— Está sim, Draco. Não há nada com que se preocupar. — Respondeu Hermione sorrindo.

— Fico feliz em ouvir isso. — Disse o Malfoy. — E não querendo me meter na relação de vocês, mas já fazendo isso, vocês já conversaram sobre como vai ser depois da liberação do meu padrinho?

Hermione suspirou.

— Não, ainda não. Nem eu nem ele puxamos o assunto.

— Como assim? — Perguntou Draco beirando a indignação. — Você vai simplesmente embora daqui a dois dias, é isso?

 — Draco, eu não sei o que fazer. — Hermione tinha um ar cansado. — Não sei como abordar a questão. Eu esperava que ele fizesse isso.

— Hermione Granger, você lutou em uma guerra, quase morreu por seus ideais e agora está com medo de falar com Snape? — Perguntou Draco incrédulo.

— Eu sei que isso parece bobagem, mas é tão difícil. — Falou Hermione com ar desanimado.

— Hermione, você precisa tomar uma atitude logo, não esperou sete anos para dar para trás agora, não é? — Disse Draco.

Hermione levantou o olhar e encarou Draco nos olhos.

— Você tem razão, Draco. — Disse ela com uma voz mais animada. — Eu também não posso desistir.

Draco riu e disse:

— É isso aí!

Hermione abraçou Draco e depois despediu-se dele.

— Obrigada pelo apoio, — disse Hermione quando Draco já estava descendo os degraus da entrada.

Draco piscou para Hermione e disse:

— É para isso que servem os amigos.

Logo depois Draco aparatou, deixando uma pensativa Hermione em frente à porta da casa de Severus.

Severus, que havia ficado na sala de estar, ficou observando por alguns minutos a cópia do contrato que estava em suas mãos. Ele estava feliz por poder retomar sua vida, estava feliz por ter um novo trabalho, do qual certamente gostaria. Mas aquele contrato também significava, que seu tempo vivendo ao lado de Hermione, estava chegando ao fim.

Severus passou a mão pelo rosto, precisava tomar uma atitude logo, não poderia permitir que sua amada Hermione saísse de seu lado. 


Notas Finais


O que acharam? Comentem!!!
Um beijão!


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