História Sete Demônios - Capítulo 22


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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, FemmeSlash, Festa, Ficção, Ficção Adolescente, Ficção Científica, Hentai, Lemon, LGBT, Literatura Feminina, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Orange, Policial, Romance e Novela, Saga, Sci-Fi, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência, Yaoi (Gay), Yuri (Lésbica)
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Pansexualidade, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 22 - Livro Um: Capítulo XXI


– É o suficiente por hoje. – Ofegante, Bryan Carter deslizou as costas da mão pela testa suada e manchada de sangue. Abaixou a faca que levava em outra mão, fatigado.

À sua frente, Ellie mantinha um sorriso triunfante nos lábios, sua faca ainda presa com força à sua mão. Ela observou o homem corpulento e de aspecto repulsivo dar-lhe as costas, agarrando um lenço da mesa de madeira encostada à parede. Com este, ele começou a limpar as mãos e rosto.

– Estou pronta para o segundo round. – Ellie disse com imensa confiança. Carter virou-se para ela, encarando-a, enraivecido.

– Está brincando.

– Pareço estar? – ela sorriu novamente.

No final daquela manhã, depois de passar horas treinando com facas, Bryan Carter estava coberto de cortes e arranhões, os pulmões sedentos de oxigênio e as roupas banhadas no próprio suor. O progresso de Ellie chegava a ser surreal. Dias antes ela verdadeiramente tomara a decisão de se esforçar. Os atos falavam por si próprios.

Ele agora olhava para a jovem parada diante dele empunhando a faca afiada. Não se parecia em nada com a garota que outrora tremia e suava nervosamente toda vez que tinha de treinar ao lado dele.

– Está cansado demais para continuar? – a pergunta dela soara propositalmente debochada. Os olhos de Carter se estreitaram, anunciando que ela estava começando a passar dos limites.

– Já disse que é o suficiente por hoje. – repetiu ele rispidamente.

– Como queira.

– Ellie. – seu nome soou no ar como um súbito alarme. Ela rapidamente virou-se na direção do som. Joshua Wilder caminhava até ela calmamente. – Eu a levarei para casa.

Hesitante, ela pareceu pensativa, mas não levou mais do que dez segundos para responder.

– Tudo bem.

Ela olhou ao redor mais uma vez antes de sair. Seguiu com Joshua até um dos veículos negros estacionados à frente do antigo prédio. Abrindo a porta e sentando-se no assento do passageiro, Ellie passou o cinto por seu próprio corpo, prendendo-o no lugar. Joshua sentou-se ao seu lado e adiantou-se em dar a partida. O automóvel começou a se movimentar, rumo à saída da propriedade.

– James disse que está resolvendo problemas na família. Por isso não pôde vir. O que ele pretende fazer exatamente? – Wilder iniciou a conversa enquanto dirigia.

– Alena. – Ellie respondeu. – Depois do que houve, creio que ela precisará de ajuda médica.

– É realmente uma pena. Ela esteve se mantendo limpa por quase um ano.

– Não foi culpa dela.

– Todos nós sabemos como é difícil lidar com a rebeldia dela.

– Não é fácil para ela lidar com todos estes problemas sozinha. – Ellie, de repente, tentava permanecer na defesa. – Eu sei como ela se sente.

Soltou um suspiro, mas logo se recompôs.

– Então, – Joshua continuou. – Pretendem interná-la em uma clínica?

– Eu não posso dizer que sou a favor disto. – ela disse e ele rapidamente virou-se para fitá-la, como se algo o tivesse indignado. – Quero dizer... Ela só precisa de alguém com quem possa contar.

– Bem, eu acho que ela já encontrou esse alguém.

– O que está querendo dizer?

– Se acredita que uma clínica de reabilitação não a ajudará, então defenda sua opinião e ajude-a por conta própria.

A garota piscou firme duas vezes, absorvendo a informação recebida por seu interlocutor. Observando a reação dela, Joshua prosseguiu:

– Soube que tem se dado bem com ela. Poderia se oferecer para ajudá-la. Posso apostar que seria algo bom para todos. E, além disso, você aliviaria parte de todo esse peso que James tem de levar sobre os ombros.

– Talvez tenha razão. – ela desviou os olhos.

– Também não é nada fácil para ele, Ellie.

– Fala como se estivesse muito a par de tudo isto.

– Não estou, mas conheço James há muito tempo. Tempo suficiente para afirmar que Alena não é a única que precisa de você. – o tom de voz dele tornou-se sério. – Ele também precisa.

– Eu não teria tanta certeza. – disse num suspiro, cruzando as mãos sobre os joelhos.

– Não aja como se já não soubesse.

– Do que?

– Sua chegada àquela casa trouxe mudanças. Todos naquele lugar gostam de você, Ellie. Assim como todos na Fraternidade a aceitaram muito bem. Mas o mais óbvio é que James se afeiçoou a você de uma forma que nunca o vi agir antes.

Ellie tornou a fitá-lo. Ainda que não quisesse aceitar o que o amigo dizia, ela sentia-se como se já estivesse ciente do que ele afirmava com tanta convicção. A voz de Joshua Wilder ainda podia ser ouvida:

– Durante todos estes anos eu o vi com mulheres de todos os tipos, mas nenhuma delas fez diferença alguma. – a sinceridade nas palavras dele era totalmente perceptível. – No entanto, você fez.

Ela não respondeu.

– Ouça, Ellie, eu realmente não sei como você se sente em relação a essa nova fase de sua vida, mas peço que você não pense em desistir agora.

– Não há como eu voltar no tempo. Está feito. – ela lembrou-se da promessa que fizera a James na noite anterior. – Eu escolhi um lado.

– Não me refiro à Fraternidade. – ele respirou fundo. – James gosta de você, Ellie. Ele não é a pessoa mais qualificada para demonstrar isso, mas eu o conheço e tenho certeza do que falo. Não é mais uma questão de cumprir a promessa que ele fez ao seu pai. Ele não permitirá que nada, nem ninguém lhe faça mal algum porque se importa com você.

Notando uma emoção desigual no tom de voz de Joshua, Ellie levou longos segundos para tentar interpretar aquela reação. De repente, foi como se uma luz se acendesse em sua mente, uma súbita compreensão do que esforçadamente tentava se esconder por trás das boas intenções de Wilder. Olhou-o com maior intensidade, um tanto surpresa. Joshua pareceu não perceber.

– Por isso mesmo espero que não o abandone agora, ou sequer pense nessa possibilidade. Não quero vê-lo sofrer.

– Você o ama. – concluiu ela. Havia afirmado aquilo antes mesmo de ter filtrado a ideia em sua mente. As palavras haviam escapado quase sem querer. Joshua Wilder ficou instantaneamente tenso, evitando olhar para ela. Mesmo assim, era notável seu desconforto enquanto mantinha os olhos fixos no volante.

– Mas o que está dizendo?

– Está me pedindo para não fazer James sofrer porque você o ama.

– Ellie...

– Não precisa mentir para mim. Somos uma família. – aquele estava se tornando um argumento tão velho que a própria Ellie sentiu-se mal em repeti-lo.

– James é meu melhor amigo e estamos juntos na Fraternidade há muito tempo. Sou como seu irmão mais velho e é assim que tenciono continuar sendo.

Ele aparentava querer encerrar o assunto o mais breve possível. Ellie, entretanto, não pôde controlar as palavras que tornara a sair de seus lábios.

– Eu não quero que se sinta mal por minha culpa.

– Não me sinto mal, Ellie. De verdade. – esforçou um sorriso. – Mas torno a lhe pedir para que não o abandone. A vida dele sempre foi desalinhada, um verdadeiro caos. As coisas finalmente parecem estar seguindo um caminho, mesmo que por outro lado tudo pareça estar piorando. Eu tenho notado as mudanças.

– Que irônico. Minha vida se tornou desalinhada desde o dia em que o conheci.

– Bem, foi por uma boa causa.

– Não sei ao certo. É difícil estar ao lado de alguém que você não conhece completamente.

– Pois deveria. – disse ele. – Vocês dois são muito parecidos.

Ellie sentiu-se tentada a soltar uma gargalhada, mas achou imprudente. Todavia, aquela última afirmação certamente era a mais absurda que ouvira até então.

– Definitivamente não.

– Estou falando sério, Ellie.

– Por que diz isso?

Joshua respirou fundo várias vezes e permaneceu em silêncio por alguns minutos. Quando tornou a falar, sua voz soava calmamente severa.

– Talvez um dia você mesma perceba isso.

Ela assentiu, balançando a cabeça em gesto positivo. Depois voltou a se dirigir a ele:

– Não quero que haja problemas entre nós.

– Diz isso por causa do que acabou de afirmar? Não seja boba. – ele sorriu nervosamente. – Gosto de você, Ellie. É uma boa garota, sincera. Talvez tenha sido esse o motivo pelo qual James esteja começando a tomar tanta afeição por você. Por isso... – abafou um suspiro entre os lábios. – Apenas não o decepcione, está bem?

Teria sido uma situação irônica se Ellie não estivesse tão incomodada pelo que ouvira durante todo o trajeto. Ela não concordou nem discordou, apenas manteve-se calada. Joshua deixou-a à porta de sua casa, após atravessar os portões com o carro. Ela o cumprimentou e então adentrou a mansão, caminhando diretamente para a sala principal.

Com a mente exausta, ela sequer notara a presença de outro automóvel na entrada da propriedade. Mas logo percebeu que havia mais alguém lá, uma vez que encontrou o irmão mais velho parado no meio da sala de estar.

– Declan. – disse o nome dele com uma ponta de surpresa. Se dirigiu até ele, sorrindo. – O que faz aqui?

– Não é óbvio? – esquivou-se do gentil tom de voz que ela usava, lançando para ela um olhar rude e acusador.

– E-eu n...

– Quero meu dinheiro.

Ellie franziu o cenho. A arrogância dele já era algo habitual, mas uma reação um tanto diferente das que ela emitia toda vez que ele a tratava assim a atingiu como um raio. Raiva. Desejou retribuir todas aquelas grosserias à altura, mas não podia. Sentia-se incapaz.

– Terá parte daquele dinheiro. – asseverou ela.

– Parte? – disse com ênfase. – Tenho direito à metade de toda aquela herança.

– Consegui com que pudesse lhe entregar quinze por cento daquele dinheiro.

Declan Donovan estourou em uma gargalhada alta e sarcástica.

– E o que fará com todo o resto? Deixará tudo para aquele maldito chantagista?

– James está fazendo um bom trabalho guardando nosso patrimônio. Ninguém tocará naquele dinheiro até que seja realmente necessário.

– Você só pode estar brincando! – exclamou. – Um bom trabalho? Aquele desgraçado tomou absolutamente tudo o que pertencia ao nosso pai. Aquele dinheiro é nosso. E eu quero a minha parte. Cinquenta por cento.

– Declan, eu não pos...

– Vai me dar o maldito dinheiro! – ele começou a alterar seu tom de voz, elevando-o cada vez mais. Ellie ficou perante ele, os olhos muito abertos.

– Lhe darei o suficiente para que possa viver da maneira que sempre viveu.

– Está louca. – Declan arquejou. – Não vou aceitar uma pequena parte disto e me calar sabendo que tenho direito à metade de tudo aquilo. – apontou um dedo indicador em frente ao rosto dela. – Trate de me entregar o que me pertence ou se arrependerá profundamente.

– Você não tem o direito de vir até minha casa para me ameaçar desta forma! – Ellie afastou a mão dele com sua própria mão, forçando-o a abaixá-la. Sua respiração tornara-se pesada e ela havia agido muito antes de ter a oportunidade de se conter. A raiva estava fazendo seu sangue entrar em ebulição. Quando executou a ação de fazê-lo abaixar o dedo, porém, recebeu a reação dele em uma fração de milésimos. Declan deu-lhe uma bofetada tão forte que ela quase foi ao chão devido ao impacto.

– Quem diabos você pensa que é para falar comigo neste tom? – indagou ele em voz muito alta. – Não ficará com meu dinheiro, sua vadiazinha de merda!

Ela levantou os olhos, cobrindo um lado da face com a mão, o rosto queimava como se tivesse acabado de entrar em contato com ácido. Fitou os impetuosos olhos verdes do irmão mais velho, desacreditando que o que acabara de acontecer ali fosse real. Mas era.

– Tem até o final desta semana para me dar o que é meu por direito. – advertiu.

Dizendo isto, ele virou-se e se retirou dali em passos firmes e apressados. Ellie mantinha a mão contra o rosto, parada em meio à sala. Alguém veio em seu socorro. Marina pôs-se diante dela com uma expressão horrorizada nos olhos.

– Senhora, quer que eu f...

– Estou bem. – Ellie a interrompeu. Forçou-se a sorrir, tentando tranquilizar a garota. – Verei como Alena está.

Ellie encaminhou-se para as escadas, subindo com muita pressa, deixando Marina confusa e atônita. Passando pelo corredor, ela deparou-se com James saindo de um dos quartos. Constatou que se tratava do quarto de Alena. Sentiu-se aliviada ao concluir que ele milagrosamente não ouvira a discussão ocorrida na sala de estar. Rapidamente ela se dirigiu até ele, perguntando em tom calmo e suave:

– Como ela está?

James emitiu um murmúrio baixo demais para ser ouvir e então disse:

– O médico disse que ela precisa repousar. Está sob o efeito dos calmantes.

– Pensa mesmo em interná-la?

– Não tomarei decisão alguma antes de falar com Vincent. Preciso dar a ele detalhes a respeito do que houve.

– Está de saída? – perguntou em súbita ansiedade.

– Estou. – ele começou a se afastar, mas Ellie se manifestou rapidamente.

– Irei com você.

Ele arqueou as sobrancelhas, finalmente notando que algo havia acontecido a ela. Desceu com os olhos, fitando-a por completo, percebendo que suas mãos tremiam e que o sangue havia desaparecido de seu rosto, deixando-a muito pálida.

– O que houve? – inquiriu voltando a se aproximar dela.

– Não houve nada. – Ellie se esforçou para não soar nervosa. – Se vai falar com Vincent, gostaria de acompanhá-lo.

– Há algo que queira tratar com ele?

– Não. – respondeu. – Mas sinto-me bem quando estou naquele lugar.

Aquela era uma tremenda ironia. Dias atrás aquele lugar lhe causava arrepios, e agora lhe servia como um santuário, um abrigo para os maiores de seus temores. Talvez estar na presença daqueles que a apresentaram àquela nova fase de sua vida fosse como estar em família.

O velho argumento estava se profetizando. Ela estivera em família desde o dia em que colocara os pés no velho prédio da organização.

James deu de ombros e fez um sinal de aprovação para que ela o seguisse.

Quando chegaram ao prédio, Ellie decidiu esperar do lado de fora da sala improvisada de Vincent Hurst. A discussão que tivera com Declan ainda martelava em sua cabeça quase tão forte quanto a voz dele ecoando em sua mente repetidas vezes, proferindo palavras ofensivas e tão duras de serem absorvidas.

Do lado de dentro do escritório, porém, a situação não parecia muito melhor.

Vincent acomodou-se em sua cadeira e pediu para que James se sentasse à sua frente. Após ouvir a explicação do mais novo de modo mais detalhado, Hurst levou tempo para emitir uma reação. Permaneceu calado e pensativo, até que, de repente, declarou:

– Sinto que estamos apenas começando a enfrentar a maré de problemas que está por vir.

– Não me preocupo mais com o clube de sanguessugas. O clã de Nathaniel foi o único a se manifestar de tal forma. Os restantes permanecem neutros.

– Sim, mas não dá para ter certeza.

– Eu realmente não penso que outro grupo daqueles nos atacaria.

– Utilizaram sua irmã para chegar até você, James. Para chegar até Ellie. Que outras coisas acontecerão? E Ellie ainda tem momentos nos quais coloca sua autoconfiança à prova.

– Ela ficará bem. Está jogando do lado certo.

Vincent Hurst recostou-se à cadeira, suspirando.

– O homem que lhe atacou naquela noite. Tenho informações a respeito dele. – abriu uma das gavetas de sua mesa, de onde retirou uma pasta amarela. Depositou-a na frente de James, sobre a mesa de madeira. – Chama-se Christian Madden. Criado sob a proteção da Igreja Católica. É um exorcista.

James Braxton tomou a pasta em mãos e abriu-a, checando os papéis que se encontravam dentro da mesma.

– Tem a ficha limpa como a alma de um bebê recém-nascido. Não há razão alguma para o eliminarmos.

– Está brincando? – James riu ironicamente, segurando os papéis. – Esse infeliz nos atacou. É uma ameaça para a Fraternidade.

– Ele está fazendo a parte dele, James. Está lutando pelo que acredita estar certo.

– Não acredito que está defendendo um inimigo.

– Madden não pode ser considerado como tal. – afirmou Vincent. – Apenas faça sua parte. Não o deixe chegar perto de Ellie.

– Eu o matarei se ele tentar novamente.

– Por que você nunca ouve o que eu digo? – Hurst mantinha a calma enquanto falava.

– Você não estava lá. Fugiu como todo o resto quando o filho da mãe apareceu.

– Julguei você capaz de lidar com a situação sozinho. Não é sempre seguro de si?

James umedeceu os lábios e abaixou os olhos, concentrado nas lembranças daquela noite. Colocou os papéis na mesa, de volta à pasta.

– A força espiritual daquele sujeito, Vincent... Aquilo é algo que jamais enfrentei antes. – disse lentamente.

– Sabe muito bem que situações como aquela se repetirão agora que temos Ellie conosco.

– Preciso me livrar do exorcista.

– James, se manchar suas mãos com sangue inocente, sua alma...

– Irá para o Inferno? – Braxton parecia conter o riso. – Não seja hipócrita, Vincent. Todos nós estamos condenados. Sete anos, se lembra? Se não renovar seu contrato, não terá mais sete anos e sua alma irá direto para o colo do diabo.

– Agradeço a breve aula, mas quero lembrá-lo de que sou eu seu superior.

– Pois creio que esteja na hora de se aposentar. A quantidade de absurdos que está me dizendo equivale a cada gota d’água no oceano.

– Cale-se! – Vincent Hurst ordenou impacientemente, batendo com as mãos na mesa. Colocou-se em pé rapidamente, fitando Braxton com severidade. – Não vou tolerar sua insolência mais uma vez.

– E vai fazer o quê? – agora era James quem mantinha a mais plena naturalidade e paciência, uma intencionalmente sarcástica situação.

– Não pode quebrar as regras. Este solo jamais será manchado com sangue inocente novamente.

– Eu fiz uma promessa e ela está acima de qualquer uma de suas regras. – James olhou-o com desprezo. – Sou um matador, Vincent. Não um padre. Madden é uma ameaça e eu exterminarei todo aquele que se colocar em meu caminho.

Vincent Hurst desabou em sua cadeira, bufando. Claramente, não conseguiria fazer com que James compreendesse que quebrar as regras traria problemas para a organização mais tarde. Todo o seu trabalho iria por água abaixo. Respirando fundo, ele apontou para a pasta sobre sua mesa.

– Leve isto. Você está nesta fraternidade há muitos anos, tempo suficiente para saber quais são nossas regras e suas consequências caso as quebre. – olhou para ele uma última vez antes de mandá-lo sair. – Se a promessa que fez é tão importante, então a cumpra. Mas não se esqueça que se trazer problemas para esta organização, jamais chegará ao posto que almeja.

Tomando a pasta nas mãos, James Braxton colocou-se em pé.

– Farei tudo de forma diferente quando for minha vez de se sentar nesta cadeira onde está.

– Ainda há muito que precisa aprender antes de tomar meu lugar.

Braxton emitiu um sorriso desdenhoso e apático, e então saiu da sala, fechando a porta por fora. Ellie encontrava-se encostada à parede, parecia muito entediada e aborrecida. Imediatamente olhou para ele quando a porta foi aberta. A expressão dela tornava óbvia a pergunta que ela faria em seguida. Braxton, porém, fora mais rápido.

– Está tudo bem. – disse. – Podemos ir.

Ellie concordou com a cabeça e, minutos mais tarde, assentava-se ao banco do passageiro do carro dele mais uma vez. Olhando através do vidro esfumaçado do veículo distraidamente, ela tentava colocar ordem em seus pensamentos caóticos relacionados ao acontecimento mais recente daquele dia. Já era noite e as ruas estavam facciosamente iluminadas por lâmpadas presas aos postes altos.

O automóvel era conduzido por Braxton em alta velocidade. Ele parecia ter pressa em voltar para casa, mas não era esta a questão. Obviamente a conversa com Vincent Hurst não havia sido concluída positivamente. Ellie decidiu não entrar em discussão fazendo perguntas. Manteve-se fixa ao lado da janela, observando as ruas em silêncio. O carro seguia o mesmo ritmo, a velocidade excedendo o limite permitido.

No entanto, subitamente, Ellie sentiu seu corpo sendo empurrado para frente colidindo contra o para-brisa. James havia freado bruscamente. Ela levantou os olhos para ele, vendo-o olhar para frente com surpresa e indignação. Seguindo a mesma direção para qual ele olhava, Ellie – atordoada pela pancada – avistou uma silhueta parada em frente ao automóvel, uma sombra no meio da rua, fixa como uma árvore há muitos anos plantada no local. O local estava parecia deserto. Nenhuma movimentação. Ela tentou inutilmente identificar seu rosto, mas as sombras favoreciam o desconhecido, tornando assim impossível reconhecê-lo.

Mas James o reconhecera. Sua pressão espiritual fazia com que a dele se agitasse ferozmente. Seus olhos estavam vidrados no sujeito. Soltava a respiração pesadamente, segurando o volante com muita força. Ellie teve de colocar uma mão sobre a cabeça para tentar conter a dor do impacto que sofrera.

– O que ele quer? – ela perguntou. E sua voz soou como um sussurro inaudível.

– Você. – James Braxton abriu a porta ao seu lado e colocou-se para fora. – Não ouse descer desse carro.

Ela viu-o descer, caminhando na direção da sombra à sua frente.

– Quem é vivo sempre aparece. – James exibiu seu usual sorriso perverso e se aproximou do indivíduo.

– Não se colocará em minha frente se ainda lhe resta o bom senso. – comentou Christian Madden.

– Ainda me restam muitas coisas, meu caro. E isto inclui a infinita vontade de lhe esmagar o crânio com minhas próprias mãos.

– É muito fácil falar. – Madden deixou claro que não se sentia ameaçado por aquele que se encontrava à sua frente. – Talvez tenha se esquecido de nosso último encontro.

– Eu raramente me esqueço de acontecimentos tão importantes.

– Não vou entrar em seu jogo, Braxton. Estou aqui para cumprir ordens.

– Mas que obediente. – seu rosto parecia congelado em uma única expressão. Sarcasmo e subestimação escorriam junto com suas palavras, tentando tirar o foco do jovem exorcista.

– Saia do meu caminho. – mandou ele.

– Foi você quem se colocou no caminho, Madden. – James colocou-se a murmurar frases para si mesmo. E então, repentinamente, seus olhos tornaram-se unanimemente negros como as trevas. Abriu os braços para os lados e em seguida lançou-os na direção do sujeito à sua frente.

Christian sentiu um forte impacto jogá-lo para trás com tanta força que ele não teve a oportunidade de se defender. Levantou-se e começou a caminhar na direção de Braxton.

– Crux sacra sit mihi lux. – colocou uma das mãos no interior de seu sobretudo, tirando dele uma cruz banhada em ouro. – Non draco sit mihi dux. – posicionando-se face a face com seu adversário, Madden esticou a cruz, colocando-a em frente ao rosto do inimigo. – Vade retro satana!

James Braxton emitiu um riso estrondosamente alto e provocador. A cruz voou da mão do exorcista, sendo projetada para trás em alta velocidade.

– Não haverá uma segunda vez. – asseverou Braxton. Madden arregalou os olhos e então, novamente, seu corpo foi empurrado, desta vez chocando-se contra um poste e desabando no chão. James aproximou-se dele em passos levemente cautelosos. Olhou para baixo, fitando-o com desdém.

– Onde está seu protetor, exorcista? Escondeu-se de mim? – agachou-se sobre ele, fitando-o profundamente nos olhos. Madden tentou desvencilhar-se dos olhos sombrios e aterrorizantes que tentavam penetrar sua mente, mas algo o forçava a se manter deitado sobre o concreto da calçada. – Entrou nesta vida por vingança, não é mesmo? Quer vingar-se daquele que arrastou sua querida mamãe para o Inferno. – James viu a reação que aquelas palavras causaram nele. – É um tanto irônico, não acha? “A vingança pertence somente a Deus”, e, no entanto, é você quem tenciona executá-la.

– Cale-se... – disse Madden entre os dentes. A pressão sobre seu corpo ainda forçava-o a se manter imóvel sobre o chão.

– Está enganado se pensa que passará pelos Portões dos Céus quando partir para o outro plano. – aproximou-se de sua vítima, sussurrando-lhe ao ouvido. – Sua alma será minha.

Christian reuniu o que sobrava de suas forças e cuspiu-lhe no rosto. James afastou-se imediatamente, limpando os olhos.

– Mendacii! – praguejou Madden. Sentia-se capaz de se mover novamente e apressou-se em colocar-se de pé. – Esqueceu-se do restante do versículo, Lúcifer. “Infeliz é aquele que cair na mão do Deus vivo, ou pisar no Filho de Deus.” – fez o sinal da cruz sobre o próprio rosto. – Forme te armatura, carnis injuria tege mihi.

O rosto dele oscilou em aleatórias expressões, até que seus globos oculares tornaram-se completamente brancos. Uma luz irradiava ao seu redor, cegando seu opositor. Esticou uma das mãos na direção de Braxton e fê-lo estender um dos braços. Com a mão direita pendendo no ar, seu corpo foi levitando involuntariamente. Madden cerrou o punho da mão que estendia, mas foi seu adversário quem sentia a dor ao redor de sua própria mão esticada no ar.

Podia ouvir os ossos se comprimindo e se quebrando, como o mais frágil cristal. Soltando um urro de dor, ele esforçava-se em se livrar da força invisível que o mantinha no ar pela mão. Virou o rosto para aquele que agora o atacava e abriu um sorriso debochado, como se a vitória para ele fosse certa, ainda que a situação parecesse contrária.

– Tu quoque porta scelus de aeternitate poenarum deque igne inferno.

– Cale-se, demônio! – apertou o punho no ar com mais força, ouvindo-o sufocar. Depois o soltou, vendo-o despencar no chão quase inconsciente. Quando James abriu os olhos, eles já haviam se normalizado. Ele tossia freneticamente, os pulmões em busca de ar. A mão doía violentamente.

Christian Madden respirou profundamente, fechando os olhos. Seu protetor retirara-se de seu corpo tal como o de seu inimigo. Retirou um pequeno frasco transparente de suas vestes e destampou-o.

– Está na hora de mandá-lo para o lugar de onde veio. – emitiu o sinal da cruz sobre o corpo de Braxton e atirou-lhe um pouco do líquido que se encontrava dentro do frasco. Ele reagiu como se sua pele tivesse entrado em contato com lava. Cortes surgiram por suas faces, queimaduras. Ele agitava-se no chão e grunhia como um animal.

Christian inclinou-se sobre ele e começou a proferir palavras em tom suavemente baixo. Tornou a colocar a mão dentro do sobretudo e puxou um revólver dourado que refletia a luz da lâmpada presa ao poste sobre eles. James Braxton soube o que aquilo significava.

Munição abençoada.

Apenas uma bala e tanto ele quanto aquele que possuía seu corpo vez ou outra seriam enviados diretamente ao Inferno. Ele arregalou os olhos enquanto Madden o colocava na mira de seu revólver. Braxton arregalou os olhos, encurralado por seu adversário. Christian aproximou o dedo do gatilho, pronto para apertá-lo. Os olhos fixos em sua vítima. A tensão no ambiente era praticamente inquebrável.

– Não! – um grito horrorizado rompeu a inquietação como um raio enviado dos céus.

Christian Madden olhou na direção de onde vinha o som. Uma garota desesperada saltara para fora do veículo negro estacionado a alguns metros dali. Ela corria na direção de onde eles estavam em uma visível angústia. Madden arqueou as sobrancelhas, confuso, e então a reconheceu. O mesmo rosto da fotografia que o padre Abdon lhe mostrara, mas a expressão era outra. A atenção antes posta sobre a arma e James Braxton agora caíra totalmente sobre aquela que surgira diante de Madden tão subitamente.

– Você... – balbuciou. A pressão que fluía dela era tão forte que Madden sentiu-se no meio de uma subestação elétrica.

– Deixe-o ir. – ela disse em tom autoritário. Encarava-o com seriedade e seus punhos estavam cerrados. Madden não respondeu. Então Ellie passou por ele, agachando-se ao lado de Braxton. Tomou-lhe a mão quebrada e virou-se para o exorcista.

– Filha de Babilônia. – Christian olhava para ela, pasmo. – Finalmente nos encontramos.

– É a mim quem você quer, não é? Não envolva outras pessoas nisto.

Ela arfava, seu coração batia com força, pois havia corrido o mais rápido que conseguia.

– Parece que o diabo agora tem uma defensora.

– Não ouse se aproximar, seu filho da mãe. – Ellie cuspiu as palavras, tomada por uma desconhecida onda de fúria e aversão. Christian parou, ainda tinha a arma na mão.

– Mandei ficar no carro. – James ainda agonizava de dor, mas esforçava-se em manter seu orgulho intacto.

– E não fazer nada? De que me serviram todos aqueles malditos treinos então?

– Eu lamento ter de interromper as alegrias do casamento. – Madden colocou ambos em sua mira, estreitando os olhos. Antes que qualquer um deles pudesse reagir, ele apertou o gatilho.

A bala dourada voou de sua arma, rápida demais para ser vista, mas algo a freou.

Ela parou diante de Ellie, no meio de seus olhos, suspensa no ar. Em seguida, caiu ao chão causando um som estridente e quase imperceptível. O silêncio tomou conta de todos. Ellie colocou-se em pé, os punhos fechados mais uma vez. Seus olhos estavam fixos no rosto de Madden. Este sentiu a pressão que emanava dela aumentar, deixando-o aflito e impressionado.

– Afaste-se, maldita! – ordenou apontando a arma para ela novamente. Suas mãos agora tremiam.

Ela pôs-se a caminhar na direção dele lentamente, os olhos espreitando-o com uma ferocidade fatal. Christian apertou o gatilho pela segunda vez. Uma terceira vez. Quarta. Quinta. As balas ficaram presas no ar, em frente à garota, e depois caíram no asfalto como pedras de gelo em uma chuva de granizo. Quando ele fez menção de tomar posse de outro objeto, colocando a mão dentro de suas roupas, Ellie começou a falar. A voz agora era soturna e ameaçadora.

– Anima suam perdidit.

Christian Madden abriu os olhos por completo, preparando-se para o que viria em seguida. Ellie esticou ambos as mãos na direção dele.

– In nomine dei nostri satanas Luciferi excelsi!

Uma pressão sobrenatural saltou dela, empurrando seu opositor com tanta força que quando ele caiu sobre o asfalto, o impacto fez com que janelas de vidro ao redor se quebrassem. Aturdido, Madden começou a fazer uma prece silenciosa. Juntando o pouco de forças que lhe restava, colocou-se de pé e, cambaleando, começou a se afastar do local. Alarmes de automóveis eram a trilha sonora no momento. Ellie tentou procurar por ele com os olhos, mas o esconjurador já não se encontrava aos arredores. Ele havia desaparecido no meio de toda a confusão. Dominada por uma terrível enxaqueca, Ellie sentiu que ia perder o equilibro, mas James a apoiou contra um braço livre. Esforçando-se para se manter em pé, ele também teve de se esforçar para segurá-la.

– Estou bem. – alegou ela, se afastando. – Temos de ir embora.

– Logo agora que estava começando a ficar interessante. – ele submeteu-se a dar um sorriso.

Ellie abanou a cabeça negativamente e seguiu com ele para o automóvel que os levaria para casa.

(...)

Christian Madden parou em um beco. Encostando-se à parede, ele deslizou para o chão, exausto. A cabeça latejava com força, o corpo todo doía e sua mente encontrava-se ainda mais caótica do que antes, quando aceitara aquela absurda missão.

Enfiou uma mão no bolso interior de seu sobretudo preto, tomando posse de um celular. Discou alguns números e colocou-o contra sua orelha. Ele soara desesperadamente estupefato quando anunciou:

– Ela é forte demais, padre. Precisarei de reforços.

– Aquela garota ainda não está a par do que é capaz de fazer, filho. – Padre Abdon encontrava-se do outro lado da linha. – Mas creio que tenha razão. Não conseguirá detê-la sozinho.

– Precisamos usá-la como sacrifício antes que o dia chegue.

– Temo que seja tarde demais, Christian.

Madden apertou o aparelho com força e engoliu a seco.

– O que quer dizer?

O padre suspirou e lamentou em silêncio antes de respondê-lo.

– Já estamos em guerra, filho. Não levará muito tempo até que as pessoas escolham seus lados. A profecia se cumprirá.

– Mas, padre, o sacr...

– O sacrifício não adiantará. – interrompeu. – Está é a vontade de Deus. Só o que nos resta é nos prepararmos para o que se seguirá a partir de agora.

– Farei o que for necessário para impedi-la, padre.

– Você sozinho não conseguirá, Christian. Eleonora possui algo tão perverso e cruel oculto em seu interior que até mesmo o diabo a temeria.

– Preciso colocar algumas ideias em ordem. – Christian tentou ignorar tal afirmação. – Até mais, padre.

Devolveu o telefone em seu sobretudo e colocou-se de pé, caminhando rumo ao seu quarto de hotel.

(...)

Horas mais tarde, Ellie encontrava-se sentada à beira de sua cama. Havia tentado se aliviar em um banho deleitável, mas não conseguia mais encontrar alívio debaixo do chuveiro desde o dia em que algo se manifestara em seu banheiro. Estava cansada, mas segura de que não conseguiria dormir naquela noite. Ao seu lado na cama, James enrolava a mão direita em um tecido branco, mas seus murmúrios fizeram com que Ellie se virasse, tomando o tecido dele.

– Está fazendo errado. – disse ela. Esticou a mão dele e fez o curativo em menos de dez segundos. – De nada. – falou com o mesmo tom que ele usara quando disse-lhe ter lhe comprado o vestido de casamento e virou-se de costas, indiferente.

James emitiu um riso sufocado, virando-se para o criado-mudo ao seu outro lado. Abriu a gaveta e pegou um maço de cigarros e um isqueiro. Colocou um entre os lábios e acendeu o isqueiro, aproximando-o de si. Cerrou os olhos, engolindo o fumo e então se recostou à cabeceira da cama. Ellie tornou a se virar para ele. Ele assistiu-a se aproximar, tomando um dos cigarros do maço. Parecia terrivelmente angustiada. Tomou posse também do isqueiro e acendeu-o, aproximando o fogo do cigarro que colocara na boca.

– Não. – James tomou-lhe o cigarro dos lábios com brutalidade, antes que ela pudesse acendê-lo. Ellie olhou-o, espantada. – Você é linda. Não se estrague.

Ela decidiu não responder, cansada demais para iniciar qualquer tipo de discussão. Também decidiu não levar a atitude dele em consideração. Contudo, a voz dele tornou a quebrar o silêncio.

– O documento que precisa para entregar ao seu irmão quinze por cento dos bens está naquela mesa. – Ellie olhou para a mesa de escritório encostada à parede em sua frente. – Sei que já tomou sua decisão, mas gostaria que pensasse a respeito uma última vez antes de assinar.

James apagou o abajur ao seu lado e deitou-se sem dirigir a ela nenhuma outra palavra.

Ellie levantou-se e se dirigiu para a mesa. Sentou-se na cadeira e tomou o documento nas mãos. Leu-o com atenção, mas já não tinha tanto interesse na questão. Ao chegar às linhas finais, encontrou a assinatura de Braxton e de Michael Graber, seu advogado. Havia uma linha em branco, o local onde ela assinaria. Vozes ecoaram em sua mente como sinos, repetidas vezes, mas a única frase que ela conseguia identificar era a que ouvira de James na noite anterior.

Está na hora de amadurecer suas ideias.

Então se lembrou de como o irmão a tinha tratado na última vez em que o vira, em sua casa.

Evitando pensar mais, temendo que seu cérebro entrasse em colapso, Ellie sentiu o isqueiro ainda em sua mão. Acendeu-o e ergueu o papel. Aproximando o isqueiro do documento, ela assistiu as chamas consumirem a folha com rapidez. Mas em sua mente, eram as humilhações que o irmão a fizera passar que estavam sendo destruídas naquele momento.

Ela sentiu que finalmente conseguia interpretar de forma positiva a frase que se repetia em sua cabeça.

Realmente estava na hora de amadurecer e tomar drásticas decisões.

(...)

* Crux sacra sit mihi lux – A Cruz Sagrada seja minha luz.

* Non draco sit mihi dux – Não seja o dragão o meu guia.

* Vade retro, satana! – Para trás, Satanás!

* Mendacii – Mentiroso, mentiras.

* Forme te armatura, carnis injuria tege mihi – Forme-se armadura, proteja-me de injúrias da carne.

* Tu quoque porta scelus de aeternitate poenarum deque igne inferno – Você sofrerá a punição eterna do fogo do Inferno.

* Anima suam perdidit – Sua alma está perdida.

* In nomine dei nostri satanas Luciferi excelsi! – Em nome de nosso deus, o soberano da Terra, Lúcifer!



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