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História Sete Dias (Quase) No Paraíso - Kim Namjoon - Capítulo 2


Escrita por: iDateSatoru

Capítulo 2 - Começo


A espera do ônibus na parada estava normal como sempre, com aquela quantidade absurda de pessoas tendo uma expressão antipática e mórbida. Esse era um dos motivos que me deixavam entristecida e irritada todos os dias. Óbvio que incluindo  o empurra empurra frenético quando era de subir no ônibus.

Inclusive aquele momento, queria muito que o transporte chegasse logo. Não que eu estivesse incomodada com alguma situação, sabe? Ok, eu estava incomodada com a situação, mas não era nada demais. 

É só que pensando aqui, até adolescentes parecem ter romances mais sólidos do que eu. Na verdade, meus romances estão mais para gasoso do jeito que evaporam rápido. Era "vergonhoso" alguém como eu com seus 23 anos nunca nem ter ter passeado de mãos dadas, eu havia beijado uma vez na vida e ainda foi acidental, apenas um selinho. Minha pessoa era uma grande desastrada e azarada no amor. Não foi falta de tentativas para mudar, apenas era.

Avisto o transporte público agradecendo mentalmente por este está se aproximando. Não aguentava mais ver aqueles dois seres humanos, já não bastava ter que aguentar isso em dobro por conta do dias dos namorados está perto. Era frustrante demais pensar em mais uma vez ficar em casa, comendo um pote de sorvete de chocolate sozinha enquanto o mundo estaria celebrando o dia do amor. O ônibus para e espero um pouco para subir, já sabia como era a situação de pressa das pessoas naquele ponto. Sendo uma das últimas, vou em direção para subir no mesmo. 

De repente, um homem alto passa na minha frente na fila do ônibus me empurrando o que me faz cair sentada no chão. 

– Ei! – O mesmo nem olhou para trás para ajudar ou pedir desculpas. Que mal educado. Um senhor que ainda esperava o transporte, me ajudou a levantar.

– Está tudo bem, senhorita? Se machucou?

– Estou sim. Muito obrigada. – Me levanto limpando meu casaco e subi rapidamente.

Entro logo no ônibus antes que o mesmo me deixe para trás. Do jeito que o motorista de hoje é o estressado das sextas-feiras, capaz de o homem pisar no freio com toda força, tudo porque o mesmo não têm tanta paciência de esperar.

Dou uma olhada rápida para ver se encontro o rapaz que me derrubou. Eu não ia fazer um barraco, só ia chamar atenção dele como já fiz das últimas vezes. Não sei porque, mas acho que as pessoas pensam que eu gosto de ficar no chão. Reviro os olhos, não encontro o cara, pelo menos não vejo alguém com as roupas todas pretas como havia visto. Ou ele estava se escondendo, mas era quase impossível naquele transporte público. 

Sento em um dos bancos perto da janela. O caminho para o trabalho era meio longo pois fazia diversas paradas. Olhei para fora e os lugares estavam cheio de propagandas de presentes para comprar naquele feriado, o incentivo para se declarar nessa data era maior ainda pois era visto como algo romântico.

Não entendia bem o porquê eu não tinha essa sorte nos romances. Eu não era feia, pelos menos acho que não sou. Querendo ou não, as pessoas são um pouco superficiais quando conhecem alguém e é claro que provavelmente pode reparar de primeira seus olhos, mas logo em seguida, vai ver como você está se vestindo. E sobre a parada do beijinho, é a mais pura verdade, basicamente sou intocada de todas formas. Lembro de ter tentando e feito mil declarações pros garotos do ensino médio ou até mesmo agora na faculdade, porém, tudo deu errado pois sempre eles gostavam de outra pessoa ou diziam que eu era uma pessoa desastrada demais. As expectativas baixas deles em mim, me fez pensar cada vez mais que eu não servia para namorar e por isso estava sozinha.

Mesmo perdendo metade das expectativas e achando filmes de romance ridículos depois de um tempo, minha mãe esperava imensamente com muita fé que eu encontrasse alguém. Acho que ela não tinha entendido que a filha mais nova era um caso perdido. Talvez eu não tenha atendido todas as expectativas de vida que ela tenha pensado para mim, por isso, queria muito que eu casasse com um homem bom e rico.

Sooyoung é a mais velha. Formada em direito e casada com um cara rico. Alta, magra, bonita e inteligente era tudo que as mulheres queriam ser, inclusive eu. Sooyoung sempre foi minha inspiração para fazer as coisas, talvez mamãe sempre tenha esperado demais de mim por conta dela mas pelo menos ela têm mais de um outro filho de quem se orgulhar. Hyunjin estava atuando nos hospitais após alguns meses formado em medicina. Meu irmão do meio, sempre foi o mais bajulado pela minha mãe, mas ela odiava o fato de ter muitas garotas na porta da nossa casa todos os dias, era sempre com segundas intenções. Isso foi o ensino médio todo, uma fase complicada, a maioria das vezes isso me irritava também. Metade das minhas amizades se resumiram em me usar de ponte para chegar em Hyunjin.

Meu celular começa a tocar. Vejo no visor quem era e atendo logo em seguida.

– Oi, eu já estou chegando.

– Seu ônibus sempre atrasa muito. Ainda quero almoçar com você antes de viajar para Busan.

– Você sabe que sim, Jimin, e eu também quero. – Olho pela janela – Já não estou muito longe, em breve ligo para a gente se encontrar.

– Certo, te vejo daqui a pouco.

– Tchau! – Desligo a chamada e volto a olhar pela janela.

Jimin era meu melhor amigo desde que me entendo por gente. A gente não se deu muito bem de primeira no tempo do colegialn mas depois que brincamos de peteca, tudo havia mudado. Crianças implicam com outras. Havia sido tão divertido que até chamei ele para lanchar no dia na casa da mamãe. E antes que pergunte, sim, eu gostei de Park Jimin porque sou uma grande bobona carente. Quando a gente conversou sobre meus sentimentos, foi engraçado porque o Park disse que tinha gostado de mim, mas parou por medo de estragar a amizade. Os sentimentos dele haviam passado e o foco dele agora era outra pessoa. Nos resolvemos bem e depois de muito choro nas noites, superei o Park e desde lá, só vejo como alguém querido na minha vida. Mas não vou mentir, sempre penso que quando têm tudo pra dar certo, dá errado.

O ônibus depois de fazer mais duas paradas, acaba chegando no destino. Andei mais uns passos, e cheguei no restaurante do centro que eu havia marcado com Jimin. Estava naquela movimentação até que grande para hora do almoço. O Park estava sentado um pouco mais no fundo e fui em direção a ele.

– Achei que você não viesse mais me ver. Imagina só se eu morresse, você iria ficar com o peso na consciência que a última coisa que disse para mim foi "Tchau!" e não um "Eu amo você, Jiminie". – Faço uma careta com a voz fina e a frase dita. O garoto era muito exagerado quando queria.

– Você é muito dramático, Jiminie. – Imito o jeito com qual ele falou o próprio apelido que lhe dei – E eu não falo assim.

– Certo, certo. Aliás, eu fiz os pedidos porque você demorou um pouco, vou ter que voltar para o trabalho alguns minutos

– Eu moro longe do centro, pior para mim. Falando em trabalho, tenho que ir também depois. Finalmente consegui resolver o problema na faculdade, sabe? Aquilo estava me desgastando.

– O motivo é óbvio, né. Você vai fazer dupla logo com o Yoongi.

– O Yoongi é inteligente, mas é muito irresponsável às vezes. É o único defeito dele. – Jimin faz uma cara maliciosa e eu fecho a cara, já sabia que as insinuações iam começar. Os pratos com o nosso almoço chegam no mesmo instante, sendo servido pela garçonete. Parecia estar delicioso como sempre, a comida daqui era maravilhosa.

– Quer dizer que o Yoongi é bonito demais para você ver defeitos nele? – Solta uma risada ao perguntar. 

– Desencana, Park. Eu não quero mais gostar de ninguém. – Começo a me servir – Para de enrolar e coma logo. – Tento mudar de assunto.

– Sei que eu disse ano passado que quando você gostava de alguém se tornava insuportável, mas era brincadeira, ok? – Ele suspira – Sei que está vulnerável esses dias porque bom, semana que vem é dia dos namorados. – Suaviza mais a voz para continuar – Mesmo que você acabe negando agora, sei que aí no fundo, existe alguém alimentando ter um bom relacionamento, não há nada de errado nisso.

– Não há ninguém alimentando nada. Só já entendi que sou muito azarada para essas coisas. Ninguém vai gostar de mim de verdade. – Tentei aparentar não me sentir afetada. Depois de um tempo, tentava deixar de lado o fato de fazer Jimin não ouvir tantas minhas lamentações, afinal, existem coisas mais importantes.

– Para de dizer isso. Você lembra daqueles encontros que conseguir para você? – O olho lembrando da época dos malditos encontros – Você se deu bem com os caras, eles falaram que você tinha uma conversa boa.

– Mas ficaram assustados porque fico totalmente desastrada. Nem sei como agir normalmente, parece sempre que vou estragar tudo. – Começo a comer, não queria falar naquele assunto porque sempre me deixava inquieta com a impressão que sempre fazia tudo errado.

– O Hoseok gostava de você.

– Jimin, eu dei um soco no nariz dele. – O mais velho tenta segurar a risada.

– Mas foi por uma boa causa. Ele era canalha e queria te levar para cama logo de primeira, mas gostava de você. Aliás, o soco foi em defesa. 

– Que história linda para eu contar pros meus gatos no futuro.

– Yoojin, eu já disse que tudo tem seu momento. Você é uma garota maravilhosa, inteligente e bonita. Você se sente insegura e é normal se sentir assim. Quando chegar o momento certo, você vai saber agir certo mesmo que fique nervosa. – Ele come mais um pouco do bibimbap – Confie no seu potencial.

– Se depender de eu confiar no meu potencial, eu estou lascada.

– Existe salvação para tudo, amiga. – Dou de ombros e tento mudar a conversa.

– Quando você volta de Busan? – Pergunto. Ele me olha pensativo, talvez ele não tivesse decidido o tempo da volta.

– Não sei bem. Só depois do dia dos namorados talvez. Sabe... minha mãe se sente sozinha. – O rapaz abaixa a cabeça, automaticamente semicerrei os olhos em direção ao mais velho.

– Jimin, você 'tá namorando alguém em Busan?

– Quê?! Não, para com isso.

– Garoto, eu só não troquei suas fraldas porque você é mais velho do que eu. Por favor, não esconda nada de mim. Quem é ela?! Eu conheço?! É do colegial?! – Abro um sorriso, empolgada com a última frase.

– Não estou, Yoojin. Para de exageros, todo mundo vai olhar. – Esconde um pouco do rosto.

– Certo, desculpe. – Tomo um gole de água tentando disfarçar a empolgação. Ele devia ter alguém sim, mas não queria me contar.

A hora do almoço havia sido assim. Eu não veria Jimin por uns dias e isso me entristeceu. Ele era meu melhor amigo e nessa época do ano, ele ficava do meu lado. Mas eu entendia que a senhora Park precisava do filho dela nesse momento, é muito difícil não precisar e não querer a companhia do Jimin conosco. Nos despedimos na frente do restaurante, ele iria viajar pela noite. Um final de semana propício para viajar e aproveitar com quem mais estivesse em casa.

À tarde fui para a lanchonete na qual trabalhava. O movimento estava normal até para uma sexta-feira, só havia quase estudantes no estabelecimento brincando e conversando como de costume, nada de exageros.

Vou atender uma mesa que estava em família. Talvez eles estivessem comemorando algo. Anotei os pedidos deles e fui direto para o balcão. Percebi que havia alguém sentando em um dos bancos, mas não levantei o olhar para saber quem poderia ser.

– Olá, senhor. Já foi atendido? – Pergunto, ainda olhando para o pequeno caderno e logo depois rasgando a folha para entregar ao cozinheiro. 

– Me passa aí um suco de goiaba e coloca na conta de Shin Yoojin. – Reconheci a voz na hora e levantei o olhar. Fecho a cara automaticamente. Mais o que aquela criatura estava fazendo aqui?

– Veio me importunar até no trabalho, Min? – Falo baixo cruzando os braços, não queria que ninguém mais ouvisse além dele.

– Quê isso?! Eu sou um cliente, me respeita. – Dizem que quando a gente conhece alguém, a primeira impressão é a que fica, mas com tempo, pode mudar. A primeira frase que o Yoongi se direcionou a mim foi "Não se apaixone por mim" Do nada? Sim; meio arrogante? Talvez. Foi muito inesperado pois geralmente, espera-se um ato de educação ou apenas silêncio. Acabei sentando perto dele na aula devido ao atraso. 

Min Yoongi e eu fazíamos curso de licenciatura. Enquanto ele fazia música, eu fazia artes. A direção da universidade decidiu que as turmas se juntariam para fazer uma exposição envolvendo fotos e pinturas, e acabei ficando de dupla com o Min. Uma coisa que não tinha nada a ver com o nosso curso, mas o trabalho era juntar coisas do nosso cotidiano que envolvesse música e fotografia era um tipo de arte. Ultimamente, andávamos com problemas no nosso trabalho que inclusive, tinha que ser entregue daqui três semanas para a preparação da exposição. 

Só que como eu, Shin Yoojin, tinha muita sorte na vida, estava sem muita sorte. Minha câmera precisava de uma lente nova e eu estava sem recursos para isso no momento. Tive que optar pela câmera da faculdade. O problema é que o Min molhou a câmera com refrigerante. Como esse feito aconteceu? Brincadeiras que estava fazendo segundo o Min. Estou devendo uma boa quantia em dinheiro para a faculdade, é essa a questão que tanto anda me estressando esses dias. Deixo os papéis dos pedidos perto da cozinha para verem e prepararem.

– O que foi? Alguma coisa com o nosso trabalho?

– Não é por conta da faculdade que vim aqui. – O mesmo fala olhando as horas no relógio – Você sai daqui uma hora, não é?

– Sim. Por quê? – O olho desconfiada.

– Jimin me disse.

– Maldita hora que soube que você e o Jimin se conheciam.

– Maldita hora para mim! Você que conhece ele há mais tempo, como você aguenta? Ele me enche de coisas sobre você que não quero saber.

– Me pergunto isso todos os dias. – Dou de ombros – Mas o que têm o Jimin?

– Ele viajou. Pediu por livre espontânea pressão passar um tempo com você. – Me viro, eu não queria companhia nenhuma naquela semana. Eu já andava estressada por tudo que andava acontecendo – Eu não vou querer se você não quiser, pra mim tanto faz na verdade.

– Não, não quero, obrigada. Vai pedir o quê?

– O suco, meu pai. Só que eu vou pagar, a Yoojin é muito chata e não quer colocar na conta dela. 

– Sim, a chata que está devendo a escola por sua causa. Eu assinei aquele termo de responsabilidade. 

– Já disse que vou ajudar e mais uma vez, desculpa. Não tive intenção.

Começo a arrumar a bandeja para o lanche que estava vindo. Yoongi ficou observando minhas ações. Arrumei tudo e fui deixar na mesa destinada. Voltei e já haviam entregado o suco para o Min então, menos uma preocupação.

– Olha, você... quer sair hoje de noite? Não é por conta de Jimin, nem nada disso. Poderíamos beber um pouco, só se quiser. Para mim tanto faz. – Ele deu de ombros e voltou a tomar o suco. Yoongi era estranho.

– Tudo bem. Eu só vou porque hoje é sexta-feira.

Continuei trabalhando na lanchonete após a confirmação. A mesma permanecia aberta pela noite, mas eu não trabalhava todas às vezes nesse turno, só quando tinha hora extra. No momento era tudo que mais precisava: hora extra. Mesmo pela minha insistência, meu chefe negou. Min Yoongi estava me esperando do lado de fora da lanchonete, ele parecia despojado e incomodado com alguma coisa. O garoto e eu nunca havíamos conversado só nós dois fora da faculdade ou saído. Sempre que nos víamos, Jimin estava lá junto com outros colegas, não ficávamos muito tempo no mesmo espaço.Estava sendo um pouco estranho e bom, se não fosse pelo Jimin o motivo de estarmos saindo, eu não sabia o porquê era.

– Que cara de enterro. Tudo isso por que vamos sair para beber? – Pergunto, tentando gerar alguma conversa já que o mesmo não falava. Minhas mãos estavam no bolso do casaco tentado fugir do frio.

– Quero deixar claro que isso aqui não é um encontro, ok? – O olho confusa, o mesmo estava sério – É que tipo, não quero que você me dê um soco. – Acabo bufando e ele rindo. Não acredito que estava servindo de piada.

– Não acredito que o Jimin te contou isso!

– É óbvio que sim. Sempre soube da existência dessa amiga maluca dele, mas não sabia o nome, muito menos que era você – Ele riu. Estávamos caminhando em direção para um bar não muito longe dali.

– Essa história é deprimente.

– Me conte os detalhes. Por quê fez isso? Jimin nunca conta a história toda.

– Ah, eu estou um pouco nervosa em certas situações. – A cara de expectativa morre quando digo isso.

– Ele esperava saber da história e recebe a mesma frase que escuta do amigo. – Acabo rindo da situação. Minha atenção vai para o garoto.

– Não confio em você para contar esse tipo de coisa.

– Tudo bem, vou conquistar sua confiança para saber todas as razões que causaram suas histórias malucas. Eu sou... interesseiro? Talvez meio fofoqueiro, mas juro que não compartilho informações. 

– É um pouquinho. – Volto minha atenção para as lojas – Mas tudo bem, eu aceito sua amizade sincera se tiver piscina na sua casa. – O Min se segura para não rir.

Chegamos no bar e havia uma boa quantidade de pessoas rindo, jogando, dançando. Ainda era um pouco cedo, mas parecia que todo mundo estava super alterado com a bebida. O que uma sexta-feira não faz. O Yoongi e eu conversamos. Não era o Yoongi irritante da faculdade, era um Yoongi razoável e divertido. No final das contas, não foi tão ruim ter saído com ele para conversar, o nosso trabalho poderia sair melhor se nós nos conhecermos um pouco mais.

Eu sou uma desastrada, porém, eu não estava tendo um encontro ou tinha sentimentos pelo Yoongi então, tudo ocorria tudo bem. Eu esperava que continuasse assim. Se acontecesse alguma besteira, ele iria entender o porquê das minhas histórias bestas dignas de filmes da Netflix. Depois de algum tempo, o garoto parecia um pouco para baixo e então começou falar coisa com coisa.

– Yoojin?

– Oi.

– Sabe por que te chamei? É porque eu precisava desabafar com alguém. – Era nítido que ele estava bêbado. Bêbado e triste. Devia imaginar já que ele havia dito que era muito forte para bebida, tudo mentira.

– O que está acontecendo? – Falei em um tom preocupado, podia ser algo na família que o estivesse o abalando.

– Eu... eu levei um belo par de chifres. – O mais velho começa a chorar após essa frase. Não sei muito bem o que fazer. Ainda tenho um copo de bebida na minha mão esquerda e tomei mais um pouco, estava ficando envergonhada porque o choro começou a chamar atenção dos demais do bar – Eu achava que estava tendo dor de cabeça pelo peso na consciência por ter quebrado a câmera e te prejudicado, mas NÃO! Isso é porque está nascendo chifres em mim. Eu tentei ser um bom namorado, por que isso 'tá acontecendo?! – Ele me olha – Ela jogou várias coisas na minha cara, Yoojin. – Seguro ele o mesmo quase cai da do banco – Falou que mal terei dinheiro pois escolhi fazer música. Eu amo o que faço desde criança, não vou fazer merda de medicina só por dinheiro. Fazer medicina que nem aquela filha da puta com quem ela me traiu. – Mais lágrimas, o Min começou a se babar todo. Ok, aquilo estava ficando fora do controle cada vez mais.

– Você bebeu demais. Acho melhor você ir para casa, vou chamar um táxi para você, tudo bem?

– Eu não bebi nada, Yoojin. Eu nem comecei. Eu quero beber muito e esquecer meu nome, esquecer aquela ordinária. Alguém quer fazer sexo?! Preciso disso! O dela nem era tão bom assim. – Arregalo os olhos com a última frase dita e tiro o copo da mão do Min. Ele estava passando dos limites.

– Já chega! Vou deixar você em casa, não tem condições. – Tento o levantar, porém, seu corpo é pesado demais – Você me disse o endereço no último trabalho, ainda me lembro.

– Quer ir para casa comigo? – Uma voz maliciosa acaba saindo da sua boca – Você poderia me ajudar, não é? – Arregalo os olhos. Me afasto dele rapidamente, o empurrando de leve fazendo quase o mesmo cair. O cheiro de bebida era muito forte e as pessoas estavam olhando aquela situação. Me sentir culpada pelo ato, no entanto o Min não deveria ter falado algo daquele tipo para mim.

– Tudo bem, já chega. Acho que bebeu além da conta não é, parceiro?  – Um cara alto apareceu, reconheci ser o barman – Você é a namorada dele? – O mesmo direciona seu olhar para mim e nego com a cabeça – Mas sabe onde ele mora?

– Sei sim. Eu iria deixar ele.

– Vamos colocar ele num táxi, é melhor. Conheço um cara de confiança que pode pelo menos deixar ele chegar na porta se ele quiser. – Concordo e passo o endereço para o barman. O táxi não demora para chegar. Yoongi não para de falar coisas desconexas, a maioria parecia palavrões xingando a ex namorada. Que barra a do mais velho.

Volto a sentar no banco do bar, suspirando demais de tamanha agitação. Eu iria enrolar mais um pouco antes de ir para o apartamento. Quando chegasse eu ia dormir direto, muitas emoções para um só dia. Continuei bebendo, pensando em algumas coisas, já estava meio tonta.

– É seu amigo? – O Barman pergunta. Nego, dando continuidade aos goles.

– Ele é um colega da faculdade.

– Entendi. – Continua limpando os copos com um pano – Ele levou um chifre da namorada, não é? Que barra, e foi bem perto do dia dos namorados. Desculpa, ele falou muito alto que não só eu, mas muitas pessoas escutaram. – Soltou uma risada nasal.

– Deve ser. Eu nunca namorei. – Comento. Acho que não fazia mal conversar um pouco e além do mais reparando agora, ele era bem bonito  Ele podia ser o crush do bar, ninguém precisa saber, nem mesmo ele. Ok, talvez quando eu bebesse eu ficasse um pouco promíscua, mas de uma coisa eu tinha certeza; não iria tentar nada porque ia dar errado.

– Oh – Ele riu – Nunca mesmo? Nossa, o cara que te achar vai ter muita sorte. – Começo a rir um pouco alto.

– Sorte? Coitado é dele.

– Por que diz isso?

– Eu sou chata, desastrada e vários outros adjetivos ruins. Por isso nunca namorei, tenho azar para essas coisas. Nada deu certo mesmo eu tentando. Cansei de tentar, aliás, quem precisa de um namorado? – Falo tentando ser segura da frase, mas no fundo, queria muito chorar. Vou segurar a vontade, não quero pagar mais um papelão, já não basta a trama do Yoongi alguns minutos atrás. Estou tão carente assim? 

– Na hora certa vai aparecer alguém. – O rapaz diz – Sabe, eu acredito que exista alguém monitorando a gente para fazer as coisas na vida darem certo.

– Não têm ninguém monitorando a minha, eu garanto porque em algum momento, ele já teria tido pena de mim.

– Minha filha, tem que deixar esse baixo astral. Uma hora ele atende o que o seu coração mais quer. O que o seu coração mais quer? É essa a pergunta que têm que ficar. – Ele se vira para pegar uma garrafa, colocando um pouco mais no meu copo. Encaro o mesmo sendo enchido aos poucos, meus olhos já estavam pesando. Enquanto encarava o copo, fiquei rindo da forma como ele me chamou de "Minha filha", ele não aparentava ser tão mais velho do que eu.

– A igualdade de salários para homens e mulheres é muito bom. – Digo – Têm também a paz mundial, sabe? Imagina ter um mundo sem conflitos. O mundo podia não passar mais fome também. – O barman riu, negando com a cabeça.

– Essas coisas são impossíveis.

– Por que? Só porque é difícil não quer dizer que é impossível. – O repreendo.

– E é exatamente a isso que você se aplica. Mesmo que ache difícil estar com alguém, amar e ser amada, não quer dizer que seja impossível. – Ele se aproxima – Existem muitas possibilidades na vida de você estar com alguém, que você não se sinta da forma como se sente. Aliás, eu retiro o que eu disse sobre ser impossível acabar com essas coisas, só queria filosofar em cima disso. – Reviro os olhos. 

– Ok. E como me sinto?

– Se sente sozinha e carente. – Solta – Mas você não se sente em relação a amizade e sim a ter um companheiro, um romance, uma aventura, um alguém. Por isso digo que ele atende mais o que o seu coração quer. Você ainda têm dúvidas do que seu coração mais quer?

Momento de reflexão na bebedeira. Concordo com a cabeça, não sabia se aquilo fazia sentido eu estando sóbria, mas fazia sentindo comigo bêbada. Uma onda de positividade me encheu de repente.

– Têm razão...– O olho curiosa apontando o dedo para ele meio grogue, tentando saber seu nome.

– Seokjin.

– Seokjin! – Falo um pouco alto e empolga o assustando. Pego o copo e dou só uma virada na bebida. Respiro fundo, fechando os olhos por um breve momento, relaxando e fazendo notas mentais – Tenho que fazer as coisas diferentes. O coração concorda, né? – Fico um pouco tonta – Uau, que bebida é essa? Nunca senti nada igual. – Encaro o copo vazio.

– Ela é especial.

– É forte, né? Porra, estou tonta. – Tento me mexer para ver se me esperto um pouco, mas parecia que eu estava ficando cada vez mais com sono. Vejo vagamente Seokjin na minha frente, me observando antes da vista ficar completamente escura. Talvez o sono esteja me vencendo, me vencendo rapidamente.

Sinto meu corpo começar despertar por conta própria. Uma luz preenche meu rosto e abro os olhos lentamente, ainda contraditória para acordar. Já era de manhã pelo visto e aparentemente estava um dia lindo. Continuei deitada, virada para a janela. Sempre ocupei o meio da cama por conta dos  vários outros travesseiros que tinha e ficava ao meu redor, propício para abraçar a hora que eu quisesse. No entanto, eu estava apenas de um lado. Bocejo, me virando de olhos fechados para me livrar da luz do sol, querendo me aconchegar e voltar a dormir já que era sábado. 

Aos poucos, começo a sentir a presença e respiração de alguém. Abro os olhos rapidamente e vejo alguém e uma mão por cima de mim. Os olhos fechados, a boca entreaberta extremamente próximos de mim. Me afasto bruscamente, me segurando para não gritar.

Que porra aconteceu ontem a noite?! Minha cabeça doía um pouco, doía mais ainda por tentar pensar. Tinha um HOMEM na minha cama, sem camisa. Um homem que nunca vi na vida diga-se de passagem. O que eu fiz? Será que bebi tanto que parei em Las Vegas? Por que o quarto de hotel teria um quarto que nem o meu? Será que eu fiz sexo com esse homem? Arregalo os olhos e olho em seguida, minhas roupas estavam no meu corpo, meu pijama de sempre. Me encosto em um canto da parede, estava tonta com aquilo. Devia ser algum sonho ou brincadeira besta do Jimin. Até em Busan ele apronta esse tipo de situação para mim.

O que estava acontecendo? Será que eu fiz tudo que não fiz na minha vida inteira agora e não lembro? O homem começa a se mexer na cama, se espreguiçando aos poucos. Pego um lençol e me cubro, escondendo meu corpo do homem. Por favor, Yoojin não surta e nem grita, sem escândalos. Pode ser um mal entendido ou uma pegadinha. Olhos para os lados procurando a câmera.

O cara se senta na cama e me olha curioso enquanto eu estava parada no canto do quarto. Ele dá um pequeno sorriso, mas seus olhos continuam bem fechados por conta do sono. Vejo covinhas no seu rosto, que por um segundo, acho adorável me fazendo baixar a guarda só que logo volto a realidade que ele pode ser um doido maníaco, que perdi minha virgindade e nem lembro. O rapaz agora tem seus olhos presos em mim, não escondo minha expressão confusa e assustada. O homem então se pronunciou.

– Bom dia, amor.



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