História Sete dias sem ela - Capítulo 21


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Categorias Harry Potter
Personagens Minerva Mcgonagall, Pedro Pettigrew, Regulus Black, Remo Lupin, Severo Snape, Sirius Black, Tiago Potter
Tags Almofadinhas, Aluado, James Potter, Jamesxsevero, Lily, Marotos, Moony, Padfoot, Pontas, Prongs, Remus Lupin, Sirem, Sirius Black, Siriusxlupin, Wolfstar
Visualizações 90
Palavras 2.153
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção Adolescente, LGBT, Magia, Policial, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Cross-dresser, Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 21 - As joias da família Black


- Ei, James! – A menina o alcançava numa curta carreira.

Escutando a conhecida voz, James gelou. Rodopiando nos calcanhares, um forçado sorriso lhe tomava todo o rosto.

Trêmulo, estaria rindo demais?

No entanto, o que Lily queria?

Um calafrio lhe percorria a espinha diante as possibilidades. Quer dizer, quais as chances dela ter descoberto tão rápido? Bem... Ela era inteligente.

Colocando a mão em seu ombro, ela recuperava o fôlego perdido no pequeno trajeto. Assim como o melhor amigo, não era boa em esportes, por isto, qualquer esforço lhe esgotava.

Ficando desconfiada diante os dentes tão abertos, estreitou os olhos:

- O que você andou aprontando, Potter?

- Eu?

- Não vou lhe atormentar desta vez. – Procurando algo dentro da bolsa sem fundo, confessava. – Alias, acho até que lhe agradeço por me substituir na última semana.

James perdeu a voz. O chão. Sentia o corpo desmaiar, não se movendo por estar petrificado. Se ele estivesse doente, não poderia ser culpado por aquele crime, certo? Ou melhor, será que seu fantasma também seria aprisionado em Azkaban?

Todavia... Lily era uma boa pessoa. Até poderia ser um bom ombro onde chorar. Certamente, ela compreenderia sua tristeza... De certo modo, ela tinha parcial obrigação.

Quer dizer, ele já havia sido ela.

Existia certa ligação, nem que fosse pela quantidade de fios ruivos ingeridos nos últimos dias.

Segurando-lhe o antebraço, admitia num impulso:

- Lily, eu sei que foi algo babaca, mas você não entende como estou arrependido.

- Como assim, Potter? – Encontrando o objeto, puxou o pergaminho embrulhado num canudo, erguendo para ele. – Não vejo motivos para arrependimentos. Severus é alguém legal. E... – Esperando que ele pegasse o pergaminho. – O professor me falou que você havia me substituído, mas o relatório de vocês alcançou a nota máxima. – Batendo a ponta do papel contra a barriga do outro, aguardando que ele pegasse, brincou. – Fico até com inveja.

- Não foi meu mérito. – O riso se desfez. Fitando a aparência que era sua, ele era quem tinha inveja. Um tanto entristecido, completou. - Ele já havia feito o experimento duas vezes.

- Sim. – Retribuindo o sorriso, ela ponderou. – Severus é um garoto bastante esforçado.

 

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Observando o candelabro sobre a mesa, a cera da vela acompanhava o lento choro do garoto. Na realidade, as lágrimas só escapavam casualmente, percorrendo o inchado rosto já mortificado.

"Alguém está brincando com sua cara.".

Apesar da curiosidade, o coração temia desvendar aquele mistério.

"Eu não tenho culpa se é tão fácil...".

Fechando os olhos, por que havia nascido marcado para ser um alvo tão ridículo?

Talvez, aquele fosse o preço pago por ser... Um nada?

Então, assim como o estereótipo, seria grato se “nada” pudesse sentir.

Todavia, sentia.

E doía.

Libertando mais lágrimas, até quando a cabeça latejaria por conta daquela amargura?

Precisava voltar as aulas, contudo...

- A mamãe está cada vez mais neurótica desde que Sirius fugiu. - Pontuava Regulus, ocupando o espaço vazio do sofá.

Recolhendo a esquelética mão esquerda, entrelaçou os dedos dos dois. Snape tinha dedos tão compridos e com tanta habilidade. Tranquilamente, teria poder para exterminar qualquer um que cruzasse seu caminho, sendo mais poderoso do que o próprio Lorde das Trevas.

Espionando os cílios molhados pela penumbra da luz amarela, questionava há quantos dias Snape nada falava.

E o que ele poderia fazer?

No momento, não pensava em coisa alguma. 

Aquilo era sua culpa? Era o preço pago por ambicionar vingança contra os malditos marotos?

Recostando a cabeça na curvatura do seu pescoço, suspirou pesaroso. Aproveitaria aquele calor até que a chama eclodisse. Divagando,

- Sinto-me mal por estar o perdendo, Severus. Parece que quando a parafina desta vela acabar, você que irá evaporar. - Pendendo um pouco a cabeça, observou o lento trajeto da lágrima abandonando o olho esquerdo. A gélida mão transmitia a infelicidade que o sonserino tentava carregar sozinho. Apertando-a mais forte, o jovem Black disse decidido. - Mas, ao contrário dela, nada poderá substitui-lo. Por isto, ficarei aqui contigo até que você melhore. - Diante da falta de reação, provocou fatigado. - Mesmo que isto demore horas, dias, meses e até anos.

Um mínimo riso delineou aqueles lábios salgados.

O que havia feito para merecer aquele amigo?

Regulus era tão protetor, compreensivo...

E, recordando a teimosia, sabia que ele não se importaria em perder aulas e até os jogos apenas para persistir na decisão.

Retribuindo o carinho da mão acolhedora, Severus pendeu a cabeça para o lado, fitando cada detalhe daqueles olhos decididos.

Sobressaltado por tê-lo tão perto, o mais jovem não retrocedeu. Queria ser testemunho do calor daquela boca se o amigo arriscasse alguma monossílaba palavra. Entreabrindo os lábios, o quão perto precisaria estar para, como um dementador, sugar toda aquela aflição?

Apertando-lhe a mão para ressaltar sua presença, completou convicto:

- Minha graduação será acompanhar você. – As lentas palavras enquanto os olhos do ouvinte acompanhavam aquele balbuciar um tanto perdido. – Aliás, minha vida, Severus.

Franzindo o cenho, Severus cerrou os olhos bem forte, irrigando a face pela lamúria.  

Meneando a cabeça em negativo, precisava impedi-lo, mas como? Nem conseguia parar de chorar.

- Desculpa... - Libertando a aprisionada mágoa, voltava a fitar as amarronzadas íris atentas, prosseguindo. - Você estava certo, Regulus. A Lily... - Cessando as palavras. Não! Não era algo de sua imaginação. Ainda assim, piscando receoso, relutou ao questionar. – Você... Você lembra que eu estava com a Lily?

- Claro, Severus. - Ajeitando-se contra o encosto do sofá para fitá-lo melhor, um pequeno sorriso de puro ânimo enfeitava os lábios sem cor, motivados pela conquista. - Eu nunca vou esquecer nada sobre você.

- E o que você lembra do último mês?

- A prova de transfiguração. Eu convidei vocês para assistir meu jogo de quadribol. - Frisou, pondo-se a pensar. - A Lily nos fez torradas como os trouxas... - Percebendo o erguer da sobrancelha, adiantou-se pra corrigir. - Como os não-bruxos gostam... – Ousando arriscar. - Ela me desejou sorte contigo, sabia?

- Ela é uma boa amiga. - Confirmou em nostalgia, tendo um mínimo sorriso de canto.

- Sim, mas estava estranha na última semana. Justamente quando lhe beijou, você lhe entregou meu vira-tempo e ela me chamou de “babaca”.

- Você acha que só foi na última semana que houve alguma mudança? - Escorregando a coluna no sofá, voltou a fitar a vela diante a tristeza pela recordação.  Afogando-se na infelicidade, a ínfima voz morria em si por ser obrigado a relembrar. - Em algum momento, não era ela. Quer dizer, alguém tomou poção polissuco para, utilizando as palavras do seu irmão: "brincar com a minha cara".

Conforme processava a informação, a raiva transfigurava a calma face do mais jovem. Levando a mão a testa em sinal de impaciência, não acreditava como alguém poderia ser tão podre daquela forma.

O sangue fervilhava nas correntes sanguíneas e tinha certeza sobre a capacidade de proferir uma maldição imperdoável sem nenhum arrependimento.

Até porque matar James Potter não seria considerado crime, no fim das contas.

Colérico, levantou-se.

- Eu vou acabar com a existência daquele miserável.

Segurando-o pela capa, Severus completou um tanto amedrontado pela repentina ira:

- Não! Eu achei que fosse seu irmão, mas não foi ele quem bebeu...

- Eu sei, mas ele foi cúmplice do sacana do James Potter.

- James? - Afastando-se, o desacreditado riso. Maneando a cabeça em negativo, Severus levou a mãos aos ouvidos. Não queria ouvir. Quer dizer, não fazia nenhum sentido ser o James. Ele era um... - Claro que não foi o Potter.  

- Como não? - Voltando a sentar, executar a vingança poderia ficar em segundo lugar, pois era mais importante resgatar o amigo daquele lago de desgosto. E, reparando os olhos embaçar, temia que ele afundasse no silêncio outra vez. Ainda assim, ele precisava ouvir. Contudo... Severus era inteligente demais para ser feito de bobo daquela forma. Por isto, guiado pela indignação, continuou. - Quem mais desejaria lhe destruir desta forma? - Diante o gesticular dos lábios, - Nem me fale que o Peter é um gênio do mal que eu não acredito.

- Não pode ser ele. Ele gosta da Lily...

- Ele lhe detesta. - Motivado pela raiva, a respiração se tornava mais forte. Estapeando a própria testa, não continha a fúria de si pela dor nos olhos do outro. - Tava na cara que tinha algo errado nesta história. - Diante a fraca tentativa de protesto, enumerou. - Desde quando Lily é boa no quadribol? O único fanático por esportes é o maldito do Potter que não para de se vangloriar sobre ser a merda de um apanhador.

- Não... - Unindo as sobrancelhas em protesto, Snape repetia para si que o amigo mentia, enquanto abafava a audição mais forte com ambas as mãos. Reconhecia ser uma atitude bem imatura, mas... Realmente, não queria ouvir.

Puxando os punhos, obrigava o entristecido rapaz a encará-lo. Mesmo assim, Severus insistia em fechar os olhos. Não podia ter se apaixonado por... O estômago nauseava apenas por pensar na possibilidade, por isto, repetia: Não havia sido o Potter.

Fim.

Então, por que Regulus insistia?

Abaixando a cabeça, explanou a justificativa a que se agarrava, na inútil tentativa de convencê-lo:

- Ele veio aqui no dormitório e disse que tinha pessoas contando mentiras ultimamente. - Aspirando à coragem para retribuir o olhar ao rosto compadecido, lacrimejou.  - E... Ele queria me contar algo sobre a Lily...

- Havia maldade deformando a cara da Lily. - Regulus completou numa compadecida indignação. - Maldade que só o James possui.

- Não! Não pode ser o James..

- Você não quer acreditar, pois já desconfiava. A verdade dói, mas...

- Não foi ele... - Soltando-se com brutalidade, estava esgotado daquele assunto.

Após se ajeitar no sofá, voltou a observar o transfigurar da parafina. Parecia que apenas a chama daquela infinita vela respeitava sua agonia.

Recolhendo os joelhos para perto do queixo, já havia arrependimento demais por ter sentido o cheiro de chifre de bicórnio e pele de ararambóia na bebida da Lily. Tinha o maldito em sua frente, mas nada fez. Não investigou por... Medo? Quer dizer, tinha o coração pulsando forte demais para pensar em qualquer coisa. 

Assim, realmente, queria descobrir o culpado?

Ele iria apenas gargalhar em sua face, fazendo-o se sentir ainda mais mal. Deste modo, era melhor esperar a tristeza dissipar junto ao avançar dos ponteiros do relógio...

Uma hora, o Sol voltaria a clarear sua eterna noite de verão. A primavera retornaria com esplendor e afastaria as geladas nuvens... Agarrando-se a tal motivo, não se importava em permanecer sentado ali e aguardar o avançar natural das coisas.

Soltando o ar pela boca, numa curta risada nasal, o jovem Black não conseguia tolerar.

Severus fingia que não conseguia ver.

E insistir naquilo magoava os dois, então por que julgava ser tão inadmissível somente ignorar. Casualmente, alfinetou:

- Eu entendo... É mais fácil acreditar que alguém está perdido numa floresta do que falecido após a queda de um avião. Eu não quero lhe causar desesperança, mas... As joias da família Black podem ser rastreadas.

Diante os olhos assustados, levantou-se.

 Indo até o armário, recolheu algo, ocultando-o entre as mãos.

Retornando, abaixou as pernas do rapaz com um leve toque dos punhos, pondo-se de joelhos antes da evidente reivindicação.

Revelando a pequena caixa de veludo verde, retirou a parte superior.

Um anel prateado cambaleava abandonado ao centro.

Recolhendo a mão esquerda do amigo, pediu com carinho:

 - Quer casar comigo?

- Regulus...

- Estou brincando. - Sorriu, logo colocando o anel prateado no esguio dedo, enquanto explicava. - Mas quando passarmos próximos da pessoa, este anel ficará verde.

- Você...

- Eu quero algo em troca, é claro. - O calmo riso.

Como não havia percebido que Severus já sofria o bastante.

Havia prometido ser o seu suporte, assim, se ele desejava ignorar, tinha como dever ficar ao seu lado naquela brincadeira de pique-esconde.

Em nostalgia, relembrava que seu pai fazia o mesmo. Os mais óbvios erros eram transformados em pesados fardos, ressaltados em cada reunião de família. E, estas atitudes só o ajudaram a perder Sirius. Bufando vencido, não valia a pena maltratá-lo. Até porque... Não queria perder Severus. Quando ele quisesse enxergar, faria.  

Snape fechou o punho. Puxando o ar para os pulmões em expectativa, realmente... Tinha certo receio, não sabia se do pedido ou da descoberta. Percebendo o sobressalto, o dócil moço prosseguiu:

- Quero que lave o rosto e venha me ver ganhar este jogo por você.

Observando-o com carinho, Snape balançou a cabeça como um passarinho, aceitando.

Poderia ser Regulus quem houvesse tomado a poção...

Ou melhor, a dolorida lembrança se tornava mais agradável com a imagem de Regulus.

Sim... Sorrindo confortável para o adorável rapaz, diante aquela possibilidade, não escutava nenhum protesto do seu coração.

Afinal, Regulus era um bom amigo.

Se bem que... Apesar da imensa amabilidade, proteção e compreensão... O que estaria pensando?

Regulus era apenas seu bom amigo.



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