1. Spirit Fanfics >
  2. Sete encontros para recomeçar >
  3. Pausa para a família - Parte II

História Sete encontros para recomeçar - Capítulo 25


Escrita por:


Notas do Autor


Boa leitura C:

Capítulo 25 - Pausa para a família - Parte II


Severus voltou voando enquanto Draco usou a rede de Flu e se encontraram em uma das saídas disfarçadas do Ministério para o mundo trouxa. Aparataram em frente a Viridi Vorago e adentraram pela loja. Draco seguia os passos apressados do padrinho até o laboratório de poções. Snape abriu o livro e mais dois pergaminhos que trouxera da biblioteca dos Malfoy sobre a comprida mesa de madeira que usava para os seus experimentos. Nem se sentou, começou a folhear o livro freneticamente atrás das informações que precisava.

Draco olhou em volta e puxou um banco alto para se acomodar próximo ao pocionista. Ele nunca havia entrado na loja, não fazia nem a menor ideia de onde ela ficava. Geralmente, quando precisava de alguma poção simples, ele mesmo fazia para si. Quando era mais complicada, apenas comprava em uma grande loja próxima a sua casa em uma área reservada na Londres bruxa. 

Snape sempre foi um pouco misterioso demais para ele, além de ser extremamente difícil de se aproximar. Não era lá como se seu padrinho fosse a pessoa mais aberta, carinhosa ou gentil que conhecia, pelo contrário.

Na sua infância, ele quase sempre o via em datas comemorativas ou eventos especiais. Mas ele ainda era uma criança e Snape ainda era o homem alto, estranho e rabugento cujo os pais gostavam de manter por perto. Na sua pré-adolescência, ele o admirava enquanto diretor da sua casa e achava sempre divertido quando o via pegar no pé de Harry Potter e dos demais alunos da Grifinória. Mas ali ainda não havia um bruxo maligno a solta, tudo era pura brincadeira e a rivalidade era apenas para ganhar aquela taça idiota das casas no final do ano. 

Então chegou sua adolescência. Ele não era mais o príncipe da Sonserina e sim uma marionete cuja própria vida e a dos pais estavam nas mãos de um ser cruel e impiedoso. Já seu padrinho, era agora um Comensal da Morte. Resiliente, insensível e com capacidade para matar.

Aquele encontro na Torre de Astronomia, aquela luz verde poderosa e o corpo do diretor despencando lá de cima, não era um conjunto fácil de se esquecer ou de se ignorar. Mas essa não era a memória que mais o assustava quando se tratava do seu padrinho. 

Houve aquela reunião em especial, Severus respondia e questionava com toda aquela segurança, era um dos poucos cuja postura ainda era imponente e sólida. Havia aquela mulher visivelmente maltratada e torturada que flutuava contorcida sobre a mesa de jantar. Ela usou seus últimos suspiros para implorar socorro ao colega de profissão. Mas nada na expressão do seu padrinho se moveu do lugar, ele a olhava diretamente nos olhos e Draco não via nada passando por aquele rosto. Veio o clarão verde e o jantar de Nagini estava servido. Seu padrinho foi um dos poucos que não puxou a mão da mesa de forma receosa, apenas afastou calmamente para que a cobra tivesse mais espaço para passar. Ele assistiu tudo, sem desviar o olhar.

Draco não fazia mesmo ideia de quem era aquele homem e do que ele foi e ainda seria capaz de fazer.

Mas então veio a batalha, Lord Voldemort foi derrotado e ele não estava lá para ver o acontecimento. Semanas depois vieram as notícias sobre a verdadeira identidade de Severus Snape, Draco se lembrava bem como aquilo fora um caos no mundo bruxo e um caos absurdo dentro da própria casa. Meses depois, Snape bateu a sua porta e os arrancou do esconderijo fazendo certas promessas ao passo que fazia suas próprias exigências.

Foi então que Draco se recordou. Mesmo com tudo aquilo, o loiro não podia negar que Severus era e sempre foi, daquele jeito rigoroso, desinteressado e impaciente, preocupado com ele.

‘Eu não fui buscar vocês no fim do mundo para que quando voltassem a Londres você não fizesse o mínimo de esforço para consertar as coisas, me entendeu? Aproveite que ainda estão vivos e vá pedir perdão à eles. Eu não quero e nem ligo para suas desculpas, estou mandando você ir fazer isso hoje, Draco.’

Mas então ele pausou, olhou em seus olhos e disse com muita calma.

‘Você não vai viver com uma culpa que não é sua.’

Pela primeira vez, ele ouviu Snape falar com aquele tom de cuidado e conselho que se espera de alguém que deveria cuidar de si. E sim, Draco também sentiu o tom do próprio arrependimento naquelas palavras.

Essa exigência e esse novo cuidado, não pararam por aí. Porque Draco não iria viver do dinheiro da família, Draco iria trabalhar. Quando Hogwarts era só uma escola e não um campo de guerra, o loiro já tinha uma boa ideia do que adoraria fazer quando crescesse. O problema era que o cargo que almejava no Departamento de Cooperação Internacional em Magia exigia muitas relações públicas e sua imagem agora não era mais das melhores. Ele era um Malfoy, todos sabiam do envolvimento íntimo da família com o Lorde das Trevas, isso independia do veredito final do seu julgamento.

Mas Snape não pareceu ligar para isso. Sendo assim, o rapaz foi literalmente arrastado pela mãe e pelo padrinho no dia da prova do concurso após ser forçado a estudar e se preparar para aquilo durante semanas. Acabou que Draco Malfoy gabaritou a prova. Agora, só faltava uma entrevista para selecionarem os candidatos finais antes da contratação. Antes ele até podia se esconder atrás de um número anônimo mas não poderia se esconder na frente de uma banca avaliadora. Não havia como ele conseguir um emprego desses.

‘Eu e Narcisa não viemos aqui te acompanhar a toa. Eu particularmente tenho muitas coisas para fazer, então você vai entrar nessa sala, vai responder tudo de modo impecável e vai fazer meu tempo gasto nessa história toda valer a pena.’

E como da outra vez, veio a pausa e uma encarada profunda em seus olhos. Mas desta vez, também sentiu uma mão apertando seu ombro de forma decidida e ouviu algumas palavras a mais.

‘Você não vai deixar que um nome que você nunca escolheu ter te impeça de alguma coisa. Mostre para todos eles que você é muito mais do que isso, Draco.’

Depois disso, Snape meio que sumiu. Como se achasse que já tinha feito sua obrigação, agora só aparecia de vez em quando. Então é claro que ele também não resolveu insistir. Novamente, não era como se seu padrinho fosse alguém fácil de se aproximar.

Viu Snape soltar um baixo murmúrio comemorativo e andar em direção às enormes estantes cheias de poções do outro lado da sala. Virou-se rapidamente para ele enquanto pegava alguns ingredientes.

— Vá até aquele armário e pegue uma bacia rasa de prata, deve estar em uma das últimas prateleiras. — Apontou para o móvel na parede perto da extrema ponta da bancada em que estava.

Draco se levantou imediatamente para procurar o objeto, achou com facilidade e levou até a mesa. O mais velho trouxe uma cesta até eles com vários ingredientes, um pergaminho em branco e uma pena que parecia ser um pouco mais especial do que as demais. 

Tudo bem que seu padrinho era difícil de se aproximar, mas o silêncio que se seguiu ali estava o torturando aos poucos. Se até Lucius pôde ter uma conversa particular com Snape, por que ele também não poderia?

— O que ele queria com você? — Perguntou o loiro.

— Ele quem? — Respondeu distraído enquanto transcrevia algumas runas em um círculo complicado sobre o papel.

— Você sabe muito bem quem, Snape.

— Olha os modos comigo, Draco. — Repreendeu o loiro, que abaixou a cabeça e concordou. — Lucius só queria conversar.

Severus nem ao menos virou o rosto para olhar o afilhado, não tinha muito tempo a perder com ele. Pegou um pequeno caldeirão e começou a preparar a poção. Adoraria continuar a espremer seu casulo de verme-cego imerso naquele puro silêncio mas aparentemente Draco estava mesmo afim de conversar. Ouviu uma voz baixa e tímida soar ao seu lado.

— Você poderia vir mais vezes?

— Até a mansão?

— É… Eu gosto de ver minha mãe mas muitas vezes ela não quer sair de perto dele... E ir para aquela casa, fingindo que não foi um dos palcos principais para aquela bizarrice e ainda sem ter você por perto, é… Bom, é pior do que você viu hoje.

Snape suspirou, aparentemente Draco estava tentando se abrir com ele. Tirou os olhos da bancada por um instante para focar nos azuis e responder com sinceridade.

— Eu realmente não sei se tenho tempo para isso, não posso lhe prometer nada.

— Ele te pediu isso também, não foi?

— Em partes sim.

Virou o rosto e voltou a mexer com seus ingredientes. A conversa com Lucius havia sido marcante de certa forma, não queria pensar muito sobre ela agora.

— Eu gostava muito do meu pai quando eu era criança, ele fazia tudo por mim. Eu ganhava tudo que queria e quando eu queria. Realmente ele fazia eu me sentir como um príncipe que estava destinado a grandes coisas. Mas ao mesmo tempo, ele me criou dessa forma completamente desandada… Alguém mesquinho, egoísta, preconceituoso, soberbo e nem sei mais quais tantos outros problemas.

Ouviu o rapaz soltar um suspiro desanimado, as coisas naquela família eram complicadas e não era de agora. Snape queria poder olhar para Draco em apoio ou apenas para confirmar que estava o ouvindo com paciência, mas sabia que poderia se distrair se visse um rosto infeliz. Provavelmente, ele iria querer ajudar. 

Realmente, Harry estava o deixando fraco.

Não era hora para isso, estava quase terminando de confeccionar sua poção, era só jogar mais um extrato e dar mais umas mexidas certeiras. Draco continuou a falar. 

— Eu não faço a menor ideia de quem eu poderia ter sido ou quais poderiam ter sido minhas próprias ideias, minhas próprias decisões e meu próprio modo de ver o mundo. Eu realmente acreditei naquele papo de superioridade natural por tanto tempo... E de repente, as coisas tinham um peso diferente. Ele voltou e quem nós somos não era mais brincadeira de criança e sim um motivo real para matar e morrer. Depois, eu entrei nisso e as coisas acabaram ficando mais desandadas ainda. — Riu sem qualquer humor, era de certa forma inacreditável lembrar de tudo que viu. Fechou a expressão e prosseguiu com irritação. — Eu não consigo perdoar Lucius e também não sei se quero. Para falar a verdade, eu não sei como minha mãe consegue ficar lá com ele. Acho que hoje é mais pelo tempo juntos ou pena do que qualquer outra coisa.

Severus estaria mentindo se dissesse que a situação de Lucius não era digna de pena mas sabia que não era por isso que a mulher estava lá. Narcisa gostava de verdade dele. Mas, mais do que isso, ela entendia completamente que Lucius não criara o filho sozinho. 

Sabia que o marido a ouvia bastante, nem precisou se desgastar muito para convencê-lo a colocar Draco em Hogwarts ao invés de mandá-lo para Durmstrang. Sabia também que ela nunca falou nada para impedir que o pai o educasse como bem entendesse porque na época ela também achava aquilo correto de alguma maneira. Lucius podia ser o patriarca e chefe da família Malfoy mas ele nunca esteve sozinho naquilo. Portanto, ele também não estaria sozinho agora.

— Você está bem falante hoje, Draco.

— É...

O loiro não prosseguiu, apenas observou seu padrinho terminar a poção. Aquele laboratório lembrava um pouco o que Snape tinha em Hogwarts. Se Draco fizesse um esforço lúdico poderia se imaginar voltando dez anos atrás quando seu padrinho ainda lhe dava dicas privilegiadas de como preparar poções. Afinal, todos os alunos da Sonserina deveriam ter notas impecáveis, ainda mais um Malfoy.

Viu Snape terminar de conferir o cheiro e a textura da poção, comparar com o livro e soltar um murmúrio satisfeito. O mais velho pegou a varinha e fez flutuar um pouco do líquido viscoso e incolor do caldeirão até próximo a ele.

— Estenda o braço.

Draco dobrou bem a manga até o cotovelo e estendeu a marca para ele para que pudesse passar a poção. Controlou seu impulso para não retrair o braço, aquilo ardia.

— Autch! Podia ter avisado que ia doer.

Snape revirou os olhos. Se para Lucius tinha sido ruim, ele não conseguia imaginar como deve ter sido pra Draco receber a Marca Negra. Era muito novo ainda e infantil demais para aquilo. Ignorando os murmúrios remanescentes de protesto do afilhado, continuou deslizando o fluido sobre o desenho com movimentos pequenos, rápidos e precisos enquanto recitava baixinho um encantamento curto e complexo repetidas vezes.

Finalizou com ele, subiu sua manga e passou a poção sobre sua marca da mesma forma que fizera antes. O resto do líquido viscoso foi depositado vagarosamente na bacia de prata, nenhuma gota poderia escapar. Em movimentos similares ao que fez sobre eles, Snape apontava sua varinha para a poção enquanto recitava um outro encantamento.

O líquido começou a girar sozinho dentro do recipiente e um minúsculo pontinho laranja surgiu no centro do vórtex. Severus olhou o resultado satisfeito, deixou sua varinha de lado e se apoiou de forma relaxada na bancada.

— Tá, e agora?

— Esperamos o tempo necessário, dependerá do quanto de magia restou em nós.

Um silêncio se estabeleceu. Severus olhou para o loiro e não pôde deixar de notar que ele ainda parecia reticente com alguma coisa.

— Draco, eu vou lhe fazer a mesma pergunta que eu fiz ao seu pai. O que você quer de mim com essa conversa?

— Sei lá. — Desviou os olhos para o chão. 

O moreno crispou os lábios e suspirou, devia ser mesmo algo genético. Continuou sério.

— Draco, eu estou te dando a chance de ser sincero comigo.

Viu o loiro apertar os olhos e morder os lábios, ser sincero com seus sentimentos era algo difícil. Soltou a respiração em um único sopro, levantou o rosto e falou acanhado.

— Eu só quero meu padrinho de volta, Snape.

Depois dessa, ele poderia jurar que o rapaz havia escutado escondido sua conversa com o pai se não soubesse que Narcisa nunca permitiria algo do tipo. Draco era uma situação totalmente diferente de Lucius. Ele era preocupado com o afilhado, achou que já tinha deixado isso claro.

— Draco, eu nunca fui embora.

— Mas você se afastou de nós... 

O mais novo soou com um tom tão triste que realmente o abalou. Realmente, Harry o estava deixando fraco porque naquela hora Severus sentiu que ele realmente precisava fazer alguma coisa. O rápido silêncio foi desfeito quando o loiro voltou a olhar para ele e continuar a falar com uma voz mais decidida.

— Eu realmente entendo seu lado e suas decisões. Eu li tudo que podia sobre sua história, pensei até em perguntar ao Harry se ele sabia mais coisas. Só não fiz porque você pediu que eu não falasse sobre você e eu respeitei. Mas eu quero saber como seria se não existisse Voldemort, eu quero tentar fazer o caminho certo das coisas, entende? — Viu Severus concordar com uma expressão tranquila, continuou. — E eu quero poder ter uma relação normal com as pessoas. Acho que quero poder criar alguma relação sincera com meu padrinho que não envolva ter que fazer fazer magia das Trevas escondido ou cumprir ordens de um homem cobra lunático. — Riu.

Reparou que Snape soltou um riso também. Foi certamente uma das coisas mais surpreendentes e estranhas desses últimos tempos. Porque Severus Snape não sorria, quiçá realmente ria de alguma coisa. Então, talvez Snape devesse estar confortável e talvez essa fosse a hora certa para perguntar, prosseguiu hesitante.

— Porque de uma certa forma, não sei… Nós ainda somos família, não somos? 

Família. Aquela palavra com significados tão tortuosos e pesos tão variados que poderiam ir de uma maldição até uma salvação. Agora seu afilhado estava lá, com o cenho franzido e um olhar de esperança, esperando que ele lhe respondesse qual o peso que essa palavra teria para eles. Snape sentiu que não havia motivo algum para que esse peso não fosse leve, simples e agradável.

— Acredito que somos sim, Draco. Eu vou tentar.

Viu o loiro concordar com um sorriso pequeno e provavelmente com algum alívio também. Para Severus, Draco até que lembrava bastante o casal quando eles eram jovens. Tinha certa infantilidade e confiança como o pai, ao mesmo tempo que era metido e afetuoso como a mãe. E claro, podia ser pomposo como um pavão, igual a todo Malfoy.

Se controlou para não rir sozinho quando uma memória longínqua emergiu do poço profundo onde costumava afogá-las.

Se lembrou de um sábado durante as férias de inverno do seu segundo ano em Hogwarts. Ele foi arrastado pelo casal até uma área chique do Beco Diagonal para comprar roupas para a festa à fantasia do aniversário de dezesseis anos de umas das dezenas de primas que Avery tinha. Severus obviamente não fora convidado mas os loiros sempre que podiam o arrastavam para os lugares. Naquela época, ele ainda não sabia se estavam o adotando como um irmãozinho mais novo ou como um estranho animal de estimação, talvez fosse os dois.

Narcisa já estava decidida, ela iria de Estrela em homenagem a família Black. Já tinham escolhido um vestido azul escuro magnífico cheio de brilhos e constelações em constante movimento que fazia conjunto com luvas incrivelmente longas e uma tiara mais brilhante que o vestido inteiro. Então, era a vez de Lucius. Enquanto estavam discutindo em dúvida sobre o que ele usaria, Severus soltou uma pergunta inocente que resultou em uma Narcisa furiosamente animada e em um Lucius incrédulo dando um tapa na própria testa pois sabia que não teria como fugir da decisão da noiva.

‘Cis, se você vai de Estrela em homenagem a sua família, Lucius não deveria ir vestido de Pavão?’

Snape falou por falar. Porque afinal, há poucos dias atrás tinha visitado a Mansão Malfoy pela primeira vez e obviamente, além da casa gigantesca, a primeira coisa que lhe chamou atenção foram os pavões soltos pelo jardim. Ele tinha acabado de fazer treze anos e estava começando a entrar naquele mundo, ainda não tinha decorado todas as complexas ligações, tradições e costumes de toda aquela gente da realeza puro-sangue. Pavões podiam ser algum símbolo da família Malfoy. No final, Lucius não ligou. Eles conseguiram fazer algo perfeito, o deixando extremamente lindo e tão elegante quanto era possível.

Essa era uma memória engraçada sobre um tempo que parecia nunca ter existido nessa realidade. Um tempo onde as coisas ainda não eram sérias demais na sua cabeça, tempo esse que não duraria nem até o final daquele ano. Sendo sincero, essa era uma memória feliz a sua própria maneira. Uma das poucas que existiam daquele tempo.

Severus não sabia se Draco tinha essas memórias felizes. Talvez tivesse sim, do próprio tempo onde as coisas também não eram sérias demais para ele. Mas mesmo que as tivesse, não sabia se ele as revivia e as apreciava ou apenas as deixava enterradas como ele mesmo esteve fazendo por todos esses anos. Sentia que trazê-las a vista só deixava mais claro ainda a discrepância com as outras memórias que tinha, clareza essa que vinha acompanhada de dor e arrependimento. De fato, Harry o estava deixando mais transparente, fraco e sensível.

Gostaria de saber o tipo de adulto que seu afilhado se tornaria longe das ideologias doidas da família. Ele não pôde ver isso acontecer com Lucius mas ainda havia tempo no caso de Draco. Talvez eles estivessem mesmo com razão, talvez ele devesse ir visitá-los mais vezes. No fundo, Severus não tinha motivos atuais do porquê não, além do medo de ressuscitar as memórias sombrias e do peso da própria culpa.

Snape sentia que Draco precisava de alguém para falar sobre o passado. O loiro ainda era novo e fora fragilizado muito cedo. Por mais que o rapaz não tivesse mais sozinho e sim cercado por amizades sinceras, afinal Severus tinha certeza que Harry e os outros nunca manteriam alguém tão próximo a eles se realmente não se importassem com essa pessoa, ele duvidava que o loiro fosse fisicamente capaz de se abrir corretamente e relembrar sobre seus erros ou medos do passado com eles. 

Severus entendia bem a vontade de não querer decepcionar pessoas que são importantes para nós.

— Saiba que apesar do seu pedido, o que estamos fazendo agora não configura uma situação tão diferente. Nós estamos escondidos e esse ritual é basicamente magia das Trevas. — Sorriu debochado.

Era estranhamente curioso essas pequenas mudanças sorridentes do padrinho, mas Draco não reclamaria de forma alguma. Talvez Snape estivesse mesmo lidando bem com sua nova vida. Sorriu para ele e respondeu no mesmo tom de brincadeira.

— Estamos planejando matar pessoas idosas ou garotinhos com cicatrizes estranhas na testa?

— Não, não estamos.

— Então para mim já está ótimo.

Soltaram um riso nasalado. Talvez tivessem rido mais se ambos os rostos não tivessem virado juntos para olhar a notável mudança no conteúdo da bacia prateada. O conteúdo que antes era líquido e transparente, agora assemelhava-se a uma nuvem laranja de cor intensa e brilhante. 

Severus voltou instantaneamente com sua expressão séria.

— Está na hora. 


Notas Finais


amores, Draco pra vcs aí
o Sev neném sendo UMA GRAÇA, MUNDO PQ VC FEZ ISSO COM AQUELA DOÇURA

cap que vem acho que já entenderam, vai ter revelações
espero que estejam com boa memória sobre os diversos caps passados e gostem de fazer interpretação de texto hahahah


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...