História Sete Finais - Capítulo 82


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Categorias Bangtan Boys (BTS), Black Pink
Personagens Jennie, Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Black Pink, Bts, Romance
Visualizações 1.213
Palavras 5.275
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Festa, Ficção Adolescente, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 82 - 79 - Sessão 3


Fanfic / Fanfiction Sete Finais - Capítulo 82 - 79 - Sessão 3

Às vezes me pergunto por que eu banquei o idiota com você

Mas isso é novo pra mim, isso é novo pra você

Inicialmente, eu não queria me apaixonar por você

— Location


Seul, Capital da Coréia do Sul

Yoon envolveu a traseira do pescoço exposto de Taehyung e acertou seu queixo com um beijo quente, ficando na ponta dos pés e voltando ao normal segundos depois.

Taehyung entrelaçou uma mão à outra com os dois braços rodeando as costas da morena em sua frente soltou um riso inevitavelmente rouco graças à sua voz grossa.

— Você chama isso de beijo? — Kim questionou olhando para baixo.

Soyoon sorriu fechado ladino e voltou a ficar na ponta dos pés, encostando seus lábios na boca entreaberta do número 5.

Ela também entreabriu a boca momentos depois encaixando melhor a umidade entre as línguas e sentindo o aperto de Taehyung a tendo mais perto.

A sala em que estavam ainda estava vazia e trocar um beijo como aquele podia ser perigoso para ambos os corpos, mas Taehyung não pensou naquilo por nem mesmo um milésimo, apenas segurou a nuca de Yun com sua enorme mão direita e intensificou o beijo ao mesmo tempo em que sentia sua companheira movimentar a cabeça fazendo-os selar suas salivas.

Se separaram com lerdeza e Taehyung mordeu os lábios abrindo um grande sorriso em seguida.

— Eu chamo isso de beijo. — ela falou baixo assistindo o leve revirar de olhos do moreno.

— Falta pouco pro sinal tocar? — ele perguntou aspirando o cheiro do cabelo longo da bolsista. — Podemos ficar trancados aqui dentro?

Soyoon foi aquecida por mais uma leve puxada sendo confortada mais uma pouco.

— Eu não posso faltar aula alguma. Ainda sou uma bolsista. — explicou ela calmamente.

Makieno entornou a boca pensativo e desceu as pontas dos dedos delicadamente pelos braços finos da menina.

— Sei que se eu insistir você no mínimo vai me xingar, então… se quiser podemos sair agora. — ele sugeriu balançando a cabeça para tirar da frente os fios que caíam sobre seus olhos.

— Podemos? — Yoon repetiu. — Sobre isso, acho melhor um sair primeiro e o outro sair depois.

— Não entendi sua vontade. — respondeu ele.

— Digo… não temos que anunciar por aí sobre o que acabou de acontecer. Vamos com calma, certo? — ela finalmente soltou.

— Ir com calma você quer dizer… esconder o namoro? — Kim riu. — Soyoon… eu acho que namoro escondido não faz seu estilo e nem o meu.

— Namoro não faz o seu estilo, Taehyung. — ela recapitulou. — Mas estamos tentando, não estamos?

Taehyung respirou fundo fechando levemente os olhos.

— Eu não concordo. — foi direto. — Posso não concordar?

— Como assim não concorda?

— Soyoon, é sempre você quem faz exigências e é sempre eu quem as aceito. — o herdeiro contou levemente emburrado. — Eu tenho direito de não querer esconder que estou com você.

— E o que vai mudar saberem que estamos juntos ou não? O que importa é que estamos juntos e não quem sabe sobre isso. Eu só acho que… a notícia do número 5 junto de uma bolsista vai causar muita confusão, e…

— Certo. Não precisamos mostrar que estamos juntos, porém... se me perguntarem eu não vou negar!

Ele cruzou os braços fortemente olhando para a porta. Soyoon soltou um riso leve pelo nariz e tocou a bochecha do mais alto virando o rosto do mesmo para si.

Ela o beijou mais uma vez o fazendo desafrouxar o cruzado de braços e agarrar o corpo magro da jovem de cabelos longos com mais força, retribuindo o ósculo sem intervenção.

A respiração ofegante de Kim podia ser sentida pela pele do rosto feminino, fazendo Soyoon abraçá-lo como afago.

Taehyung divertidamente escorregou a palma da mão esquerda para o quadril estreito de Soyoon, fazendo metade de seus dedos encostarem na bunda da menina, então Makieno a puxou mais para frente pelo quadril prendendo a bunda em seus dedos e tirou sua boca da boca que beijava, selando o maxilar e pescoço da bolsista demoradamente.

— O sinal vai tocar. — ela avisou enquanto ainda sentia seu pescoço ser beijado. — Vamos?

— Já que não quer que nos vejam juntos, podemos ficar aqui. — Taehyung respondeu com a boca levemente tampada pela pele bronzeada que beijava.

— Ainda vamos nos ver hoje. — ela tentou entrar em um acordo rápido.

— Vamos? Eu te deixo sair daqui se quando nos vermos de novo você ficar por mais tempo comigo. — ele se afastou olhando para o rosto sereno da morena.

— Isso pode acabar soando grudento, Kim. — ela avisou divertida já indo para perto da porta para sair.

Taehyung abaixou os ombros pensativo e cansado.

— Você é tão sem sentimentos…

Foi o que o herdeiro número 5 disse baixo assistindo o corpo de sua namorada sumir após sair da sala de química.

Soyoon adiantou os passos apressados pronta para ir para a sala de aula. Ela chegou à ouvir a porta da sala de química ser aberta e fechada novamente indicando que Taehyung havia acabado de sair do local. Yoon juntou as mãos por instantes respirando fundo algumas vezes ao mesmo tempo em que andava contanto os próprios passos. Ela abaixou a cabeça várias vezes repensando consecutivamente na decisão que tomara em relação à Taehyung, sabia que podia não ter sido uma decisão 100% correta, mas naquele momento… era a mais agradável.

Soyoon se perguntou se não dava valor à si mesma aceitando os sentimentos de uma pessoa que um dia a machucou de muitas formas, mas, acima de tudo, Yun ainda acreditava e assistiu de perto as pequenas mudanças de Taehyung.

Ele nunca disse que estava mudando por ela. Ele mostrava aos poucos que estava mudando por ela, e isso, talvez… seja o que tenha feito a bolsista aceitar Kim Makieno como se companheiro.

Perto o suficiente da sala de aula, Soyoon encarou o corpo forte de Jungkook encostado ao lado da porta de entrada, de braços cruzados analisando um aparelho largo que estava entre seus dedos.

Soyoon deu um sorriso e andou mais rapidamente chegando perto do número 7. Ela conseguiu enxergar em meio à distração de Jeon que o mesmo jogava um game de luta em um aparelho pequeno parecido com um controle remoto.

Como um flash rápido em sua mente, Yoon lembrou-se vagamente de uma frase dita por Jeon uma vez, direcionada à ela sobre um jogo feminino que a mesma jogava.

Yoon sorriu mais uma vez e apoiou levemente a mão no ombro esquerdo do herdeiro dizendo:

— Então quer dizer que o herdeiro número 7 gasta tempo com jogos de lutinha?

A voz da garota invadiu as entranhas do moreno como adagas. Ele virou para o lado tão rápido e surpreso que quase deixou o aparelho de jogos cair de suas mãos.

Soyoon franziu o cenho se assustando também e tirou a mão do ombro masculino.

— Soyoon... — ele murmurou depois de umedecer os lábios.

— Eu te assustei. Desculpa. — ela curvou levemente a cabeça e depois voltou ao normal colocando alguns fios do cabelo longo atrás da orelha.

— Não… eu só… estava distraído. — respondeu ele desligando a tela do aparelho.

— Que coisa legal! — disse ela apontando levemente para o que estava na mão de Ezon. — Serve para jogos de meninas também?

Jungkook olhou confuso para o objeto em seus dedos e coçou a garganta.

— Não foi lançado ainda. Mas aposto que você pode jogar seus joguinhos chatos de meninhas nisto… — ele deu de ombros.

Yoon tombou a cabeça para o lado.

— Seria divertido.

Assim que a bolsista sorriu aberto mais uma vez mostrando levemente sua gengiva rosada, Jungkook suspirou se encostando novamente na parede sem desgrudar os olhos da expressão parcialmente alegre, mas ainda assim tensa que havia no rosto da morena.

Ele passou a pensar que talvez a odiasse mais do que possívelmente fosse apaixonado por ela, porque ele odiava as sensações que vinham de encontro à si sempre que assistia os sorrisos e pequenos gestos vindos da bolsista. A leveza com que os dedos delicados levavam alguma mecha de cabelo atrás da orelha, quando ela tocava a pontinha da orelha pensativa, quando ela revirava os olhos lentamente enquanto suspirava. Ele também amava até os pequenos sinais de nascença em forma de manchas que a menina tinha espalhados pelo corpo, mas ao mesmo tempo queria se socar por dizer que sentia apenas atração por ela e ainda gostar de cada pequena ação concluída por ela.

Aquilo podia mesmo ser somente atração?

— É, seria… — sussurrou ele focando os olhos nas íris escuras da menor.

Yoon deu um passo para frente também encarando o menino e mordeu o lábio inferior curiosa.

— Você está bem? — questionou calma, ficando de frente para ele.

Jungkook não soube o que aconteceu. Sua língua simplesmente formigou e não ousou nem mesmo salivar.

"Responde alguma coisa logo, seu idiota!" Era só isso o que o jovem pensava, mas tudo o que pôde fazer foi continuar calado com o olhar preso no rosto feminino.

Ezon sentiu as maçãs de seu rosto tomarem uma ardência pouco conhecida por ele, e uma queimação por seu rosto foi sentida intensamente. Jungkook engoliu seco e prendeu os lábios diante da expressão confusa de Soyoon.

A única saída que o jovem achou foi apenas sair de perto da garota e finalmente entrar na sala de aula a deixando para trás.

Jeon se sentou em seu habitual lugar ignorando a entrada de Soyoon na classe, ele virou para a janela observando a luz externa que adentrava e respirou fundo fechando os olhos momentos depois.

A complicação maior era que ele não fazia a mínima ideia de quando havia se tornado um completo tolo por uma garota. Desconfiar que não gostava dela havia se tornado uma loucura levando em conta as reações de seu cérebro quando a maldita bolsista se aproximava de si. Seu coração faltava sair pela boca, suas mãos suavam muito e seu rosto… seu rosto queimava… Jungkook sabia que seu rosto nunca havia ficado tão quente como no momento passado.

O que ele não conseguia entender era como ele podia ter um dia sido tão confiante com Yun, agindo por impulso e soltando frases não pensadas direcionadas à ela, mas então... como em um passe de mágicas… mal consegue ficar um minuto olhando para a menina sem sentir vontade de manter os olhos arregalados e a face tão quente à ponto de servir se frigideira para fritar um ovo.

Ele deveria estar sentindo raiva por tudo o que aconteceu. Pela cena que presenciou de Soyoon com Seokjin, deveria seguir à risca o que sugeriu à si mesmo sobre não estar apaixonado de verdade, mas não… parecia que quanto mais Jungkook ficasse sem vê-la, mais seu desejo ou paixão aumentava, sonhava com ela por mais vezes… acordado ou não.

Ezon Jungkook poderia continuar dizendo consecutivamente que era ridículo ter cogitado a ideia de ter se apaixonado por Soyoon, mas seria mais ridículo ainda fingir que não a queria somente para si.

~◇~

Taehyung diria que seria muito mais fácil conter a enorme eletricidade que corria em seu corpo a ter que deixar Soyoon fingir que eles não tinham nada. Ele estava ciente de que estava cometendo uma grande loucura. No início ele só queria que Yun estivesse ciente do quanto a mesma era importante em sua vida, mas não soube dizer não quando a mesma simplesmente despejou em suas costas que queria lhe dar uma chance.

Taehyung se arrependeria pelo resto de sua vida se não aproveitasse a chance que estava tendo de finalmente poder ficar com a garota que tanto desejava.

Entender que estar com Soyoon era ótimo, okay… mas lembrar que estava passando por cima de muitas coisas por isso… era assustador.

Taehyung não entendia quando os seus problemas se tornaram tão intensos quanto naquele momento. Desde que ele conheceu Soyoon tudo em sua vida pareceu mudar, e seus problemas que antes tinha a ver apenas com seu péssimo comportamento, viraram problemas que giravam em torno de suas decisões impulsivas e a bolsista.

Taehyung estava namorando e aquilo não o assustava pois sua garota era Soyoon. 

Recordar isso lhe acalmava e lhe fazia querer sorrir. Ele só queria terminar logo o que tinha que terminar e poder tentar respirar com um pouco mais de calma.


← Não vou participar dessa primeira aula e não sei quando apareço. Me espere no estacionamento, vou te dar uma carona.


Assim que Kim enviou a mensagem destinada à Soyoon, guardou o celular estrategicamente em seu bolso e coçou a garganta abrindo de uma vez o portão do ginásio de tênis. Taehyung ouviu os protões se fechando atrás de si e passou por entre os bancos brancos das arquibancadas ao lado, avistando de longe os cabelos platinados contra o ar enquanto Yoongi rebatia as bolas verdes com a raquete grande.

O adversário de Yoongi, Sae Mike, corria o mais rápido que podia sempre chegando a tempo de rebater as bolas, mas Yoongi tinha muita experiência, deixando a partida extremamente difícil. Era impressionante ver Yoongi correndo e usando tanta força nos braços enquanto também usava curativos e ainda possuía marcas pelo corpo graças ao recente acidente da escadaria. Taehyung assistiu o instante em que Tersianni marcou um ponto e depois o avistou com um olhar inexpressivo.

Min pegou uma garrafa de água no chão vendo Makieno se aproximar sério, engoliu o líquido incolor e fitou Mike, esse que recuperava o fôlego.

— Sai. — Yoongi mandou apontando em direção à saída com a cabeça.

Mike transitou o olhar entre Kim e Min, e foi em passos rápidos para o vestiário masculino deixando os herdeiros sozinhos.

Yoongi tinha outro adversário a partir daquele momento.

— Pra quem caiu da escada você parece bem… — Taehyung comentou.

— Fala logo o que você quer. — Yoongi mandou sem paciência.

Taehyung acompanhou as mãos pálidas do mais baixo quando ele puxou a gola da camiseta branca e passou pelo rosto tirando os resíduos de suor.

— É um aviso direto. — falou Kim.

Yoongi riu debochado.

— Já enrolou demais...

Yoongi provocou levemente prestes à sair da quadra, mas antes seu ombro foi puxado violentamente para trás o fazendo quase gemer de dor por ainda sentir dores.

— A Soyoon e eu estamos juntos.

Yoongi desfez a expressão de dor e relaxou os músculos, ficando em silêncio segundos depois. Ele virou-se olhando para o moreno e travou em um sorriso cínico.

— Você está brincando de joguinhos que não deveria, Taehyung. — o herdeiro número 2 avisou venenoso.

— Você queria que eu fosse direto, então eu vou ser e você só vai me escutar. — Taehyung anunciou. — Eu, a partir deste momento, estou deixando claro que não importa o que você faça contra mim, não vou me preocupar em sair atingido porque pelo menos alguma coisa boa terei no meio disso tudo. Eu percebi que tenho que arcar com as consequências dos meus atos antes que perca coisas valiosas pra mim. Você acha mesmo que eu tô brincando, Yoongi?

Yoongi passou cinco segundos na mesma posição analisando a face autoritaria e vitoriosa que estava em sua frente.

— Está dizendo que não se importa com o fato dos seus podres chegarem aos ouvidos da mídia, ou… aos ouvidos do seu avô?

Taehyung umedeceu os lábios e sorriu de canto.

— E você tem certeza de que não vai se importar quando eu provar pra Soyoon o quanto você não vale nada? — Makieno retrucou enfiando as mãos dentro dos bolsos. — Eu também tenho meios de te fazer mal, Yoongi, e eu não vou pensar duas vezes em acabar com qualquer confiança ou carinho que a Yoon tenha por você.

Min sentiu seu sangue correr quente por suas veias, e sua raiva era tanta que ranger os dentes se tornou inútil.

— Você tá jogando isca… eu não sou bobo, Taehyung!

— Então experimenta. — Kim deu de ombros. — Jogando pro alto tudo o que você tem, a primeira pessoa que ficará ao meu lado me apoiando… é a Soyoon. Mas quando ela souber que você agiu de má fé desde o início em nome dela… as coisas podem se complicar.

— Você não deveria estar fazendo isso. E você sabe o porquê. Existe uma grande diferença entre você e eu, Taehyung…

— Existe mesmo. — Makieno concordou pensativo. — Todas as vezes em que fui ruim pra Soyoon, ela sabe. Eu fui transparente com ela desde o início. Mas você… é o pior de costas pra quem ama. Você foi falso desde o início.

— E você acha que eu ligo pra o que você tá falando?

— Você acreditando em mim ou não não vai me prejudicar em nada, de qualquer forma. — Kim respondeu.

Yoongi deitou levemente a cabeça para o lado em um gesto minuciosamente avaliativo.

— Eu vou te deixar ficar um passo à frente. Não se preocupe.

Yoongi sorriu fechando com um pesar nos olhos frios e deixou Taehyung sozinho sem dizer mais nada.

~◇~

Assim que a aula foi iniciada com a professora Kim Makieno Ahra desejando bom dia para seus alunos, Jungkook despertou com o coro de jovens respondendo a mulher mais velha.

Soyoon se arrumou em sua cadeira sentindo-se observada por Wee San, mas apenas ignorou a sensação começando a abrir a matéria de matemática em seu caderno amarelo. Ahra lançou um olhar significativo à Soyoon por alguns momentos e em seguida sorriu acolhedora se virando para preencher o painel branco com o canetão preto.

Soyoon desviou o olhar minimamente ao relembrar que a professora Kim, de certa forma, era quase sua sogra, o que tornava tudo muito estranho. Nunca pensou que as coisas aconteceriam daquela forma.

Yoon abriu o estojo também amarelo vendo a imensidão de canetas coloridas que havia dentro do lugar. Seus olhos brilharam em animação por saber do quanto adorava enfeitar cada página de seu caderno.

— Yun Soyoon? Podemos nos falar antes de eu terminar de colocar a explicação na lousa? — Ahra perguntou no tom certo para que fosse ouvida, se sentando ao mesmo tempo em que arrumava o cabelo por cima do ombro.

Soyoon não respondeu nada, se levantando devagar arrumando o comprimento da saia nas pernas e andou reto pelo corredor de carteiras até a mais velha. Ela olhou de relance para a mesa de Taehyung enquanto passava pela mesa de Jungkook, e no momento em que estava ciente da falta de presença de Makieno na sala, avistou o rosto de Jungkook ao abaixar a cabeça para olhar em seu assento.

— Sim, professora? — ela perguntou baixo.

— Eu fiquei sabendo... que a cabeça dura da minha cunhada… digo, Saeron… permitiu que você ajudasse no controle de crises do Namjoon. É verdade? — a professora perguntou baixo.

— Eu criei um laço incompreensível com o Namjoon em um curtíssimo período de tempo, então, me propor à ajudar é o mínimo que poderia fazer até por mim mesma, professora. — a jovem explicou baixo, mesmo que a sala estivesse tomada por vozes dos alunos que conversavam entre si.

— Namjoon não é meu sobrinho de sangue, você deve saber disso. Meu marido é irmão da Saeron. — Ahra começou a falar olhando para frente. — Eu passei a não ter um certo tipo de relação tão boa com Namjoon e seus pais desde que descobri que Taehyung apanhava dele quando se viam. Foi muito difícil, mas preferi mantê-los afastados por um tempo.

Soyoon abaixou levemente a cabeça olhando para os próprios dedos e ignorou a vontade de tentar saber mais sobre os primos Kim.

Ao Ahra perceber a falta de falas de Soyoon, respirou fundo colocando as mãos em cima do livro que havia em cima de sua mesa.

— Você pode ir até a sala de materiais pegar dois livros de álgebra para mim? Os materiais chegaram ontem, e quero começar uma nova matéria tendo você como minha auxiliar.

Soyoon franziu a testa.

— Sua auxiliar? — questionou.

— Não faça esta cara. Você é ótima em matemática. — a mais velha sorriu fazendo Soyoon perceber que a mesma não se lembrava de como foi a última conversa que tiveram.

Soyoon saiu de perto da mulher e mexeu a cabeça levemente confusa andando calma até a porta da classe. A morena colocou a mão na maçaneta de prata, mas antes que pudesse completar o ato, a porta foi aberta antes de uma vez só. Seokjin arregalou os olhos quando deu de cara com a bolsista prestes à sair da sala, Soyoon desviou o olhar e colocou um pedaço do cabelo atrás da orelha direita.

— Licença. — o mais alto disse se desculpando por chegar atrasado na aula.

— Volte para fora, Seokjin. — Ahra mandou sem nem levar o olhar até o menino.

Soyoon se colocou no canto esperando Jin sair de frente da porta, mas ele não parecia muito disposto naquele instante.

— É claro que não! Foram só alguns minutos! — ele rebateu impaciente.

— Soube dos seus atrasos para as aulas, Seokjin. Não é por ser meu sobrinho que te deixarei entrar na minha aula depois de 15 minutos de atraso. — professora Ahra avisou seriamente.

Seokjin bufou alto enquanto revirava os olhos. Ele olhou para a sala e ouviu uma leve risada sair da boca de Jungkook.

Seokjin realmente tinha a velha e feia mania de chegar atrasado nas aulas, todos já estavam acostumados, afinal, ele era o número 4, Seokjin, nenhum professor ousava impedi-lo de entrar, a não ser que quisesse ser demitido logo em seguida, mas as coisas mudavam quando era em relação à professora Kim, já que a mesma era muito mais que apenas uma professora.

— Tia! — Ahra o olhou finalmente o repreendendo. — Professora…

— Já disse que não.

— Deveria agradecer que eu pelo menos quero assistir a aula, tia. — ele insistiu inquieto ainda parado entre a porta, esquecendo-se novamente da palavra "professora."

— Kim Esme Seokjin! Saia. Depois teremos muito o que conversar sobre seus atrasos.

Jin grunhiu estressado mais uma vez e se virou para sair da sala ainda ouvindo a risada de Ezon do lado de dentro.

Yoon continuou com a expressão levemente assustada e soltou um riso pelo nariz também graças à cena. Ela se curvou um pouco em direção à Ahra antes de sair da sala e depois deixou o lugar.

Yoon foi andando pelo corredor um pouco curvado sem tirar os olhos das sapatilhas pretas que usava em um dia tão frio. Ela balançou a cabeça jogando o cabelo para trás. Seu celular tocou no som de uma mensagem, mas antes que pudesse lê-la, se distraiu ao olhar para o lado e ver Seokjin encostado em uma parede oposta de onde ficava a sala de aula.

Yoon entreabriu a boca e olhou para outro lugar quando se lembrou de que tudo o que teria com Jin dali pra frente seria em relação aos problemas familiares do menino.

A bolsista cruzou os braços para continuar a andar, mas ouviu:

— Eu espero que não tenha te feito mal quando pedi que entrasse na mesma sala que o Taehyung.

Soyoon parou de andar voltando a vista para as sapatilhas.

— Não se preocupe com isso. — ela sorriu fechado.

O silêncio poderia simplesmente ter voltado, mas isso não aconteceu. Jin, com as mãos atrás do corpo e apoiadas na parede muito bem pintada, mexeu a cabeça positivamente.

Certo.

Soyoon mexeu a boca a repuxando para a lateral. Ela tinha que buscar logo os livros e o menino tinha que evitar assuntos, mas ao mesmo tempo em que pensavam no "não", também pensavam em pequenos assuntos que os fizessem continuar falando um com o outro.

— Quando será a entrevista para o estágio na empresa do seu pai? — ela perguntou baixo.

— Eu te aviso. — respondeu ele a medindo da cabeça aos pés.

Ela assentiu.

Certo.

O disparar de mais uma série silenciosa tomou conta do ambiente depois do pequeno diálogo. Soyoon olhou para o fim do corredor entendendo que era o sinal para finalmente deixarem de falar e ela poder buscar os livros.

Ela começou a andar sentindo ao caminho que deveria ir.

— O que aconteceu entre vocês naquela sala? — Jin perguntou áspero quando percebeu o instante em que a garota se afastaria, mas se repreendeu segundos depois murmurando o palavrão à si mesmo.

Soyoon pela primeira vez encarou o rosto do mais alto.

— O que você deveria estar sabendo já que planejou tudo. — ela respondeu com um olho semicerrado.

— Você terem se afastado não foi algo…

— Nós termos nos afastado era um assunto que não envolvia você, acredito eu. Então por qual motivo você quis resolver tudo? — Yoon jogou secamente, cruzando os braços.

— Taehyung é meu primo. Ele estava mal. Pensei que se reconciliar com você seria uma solução. — ele deu de ombros.

Soyoon arfou abaixando os ombros antes de dizer:

— Taehyung e eu estamos juntos.

Jin levantou uma sobrancelha. Ele e Soyoon mantiveram os olhares conectados, fixados um ao outro sem piscar, sem dizer uma palavra por no mínimo 10 segundos.

Jin não pretendia dizer mais nada, mas em sua cabeça passou um rápido filme do que havia dito à Taehyung e o que o mesmo havia lhe respondido:


"— Se Yun Soyoon pode te tirar do lixo em que ela mesma te jogou, vai atrás dela mesmo que isso não seja o certo. Não pense só nela, pense em soluções por ela. Você não pode querer se reaproximar dela não tendo capacidade de pensar no que pode te ajudar.

— É bom relembrar que ainda somos primos, Jin. — Taehyung sussurrou.

— Mas se algo der errado, eu serei o mesmo que vai te fazer não querer ter nascido, Hyung."


Soyoon desviou o olhar sabendo que Jin não parecia ter os pensamentos mais ligados no assunto, então saiu indo em direção à sala de materiais.

Yoon bateu os pés com força no chão se sentindo levemente irritada por algum motivo que nem mesmo reconhecia qual era.

Ela abriu a porta cinza da sala com força e respirou fundo se sentindo mais estressada ainda quando a luz fraca foi responsável por iluminar sua entrada. Leu na parede ao lado "luzes em manutenção", e entornou o nariz brava.

Adiantou as passadas tomando cuidado para não tropeçar nas caixas baixas e altas que se encontravam no espaço. Tentou enxergar a prateleira que suportava os livros de estudo de matemática, mas além de estar sem seus óculos, a luz fraquíssima e alaranjada só piorava tudo. Parecia uma piada procurar algo naquela sala.

Ela entrou no espaço entre as estantes e quase juntou totalmente as pálpebras para ajustar a vista e tentar enxergar. Só nesses momentos a menina pensava em parar com a besteira de não querer usar óculos.

Soyoon curvou o peito dos pés para ficar alguns centímetros mais alta, esticou os dedos e encostou na capa de um dos livros.

Yoon sentiu seu braço esquerdo ser agarrado por uma palma fria quase gélida. Sem ter tempo de reagir, ela foi puxada brutalmente, seu corpo foi empurrado com muita força, com tanta força que seu corpo magro se desequilibrou para a ponta da sala e suas costas bateram na parede a fazendo soltar um gemido.

Yoon levantou o olhar e tentou enxergar quem estava na sala, mas mal teve tempo de falar alguma coisa pois foi puxada para frente e empurrada para trás com força mais uma vez, se desequilibrando mais uma vez e caindo sentada no chão.

Soyoon viu a silhueta da pessoa de boné preto e tentou se defender colocando os braços em frente ao rosto quando percebeu que o indivíduo encostaria nela mais uma vez.

O blazer de Soyoon foi puxado para cima a fazendo ficar em pé e seu corpo foi jogado contra a parede de novo. Soyoon usou a força que tinha com os antebraços, mas percebeu que nunca conseguiria daquela forma. Ela levantou uma das pernas acertando a coxa da figura masculina e o empurrou novamente tentando sair correndo.

Ela tentou acelerar os passos mas seu pulso foi preso com muita força, ela puxou o braço desesperada tentando sair, mas parecia grudado. Seu pulso foi escorregando aos poucos graças ao suor, e por conta da força que usava, a mesma caiu sentada no chão mais uma vez, mas foi rápida em levantar antes que seu pé fosse agarrado.

Ela correu desesperada gritando alto "socorro!" por várias vezes antes de tentar sair. Quando estava próxima da porta, seu cabelo enorme foi agarrado e puxado para trás. Suas costas bateram no peito definido do homem e seu pescoço foi preso por um dos braços do agressor.

Soyoon bateu no braço tentando se livrar, mas quanto mais tentava mais precisão era colocada no golpe.

Ela foi solta sem forças para cair no chão mais uma vez sem poder gritar mais nada e se encolheu tentando segurar as lágrimas que queriam sair de seus olhos. Estava com muito medo.

Ainda encolhida, Yoon fechou os olhos sentindo o homem ir em direção à si para acertá-la mais uma vez. 

Suas costas foram acertadas por um chute violento e ela deu um gemido alto de dor chorando alto. Mais dois chutes foram distribuídos pelas suas pernas com seu corpo ainda encolhido e cheio de medo.

Soyoon tentou se mexer quando os golpes pararam por alguns segundos e tentou mais uma vez enxergar o rosto, mas o mesmo coberto e o boné negro não a deixavam perceber nada.

Yoon arregalou os olhos quando seu cabelo foi pego mais uma vez e três tapas foram desferidos em seu rosto assustado. Um gosto de sangue surgiu em sua boca e seu buço foi molhado pelo mesmo líquido viscoso quando um quarto tapa foi acertado em seu rosto.

Seu pescoço foi apertado com certa brutalidade a fazendo engasgar e mais dois tapa foi desferido em seu rosto. Seus ombros foram empurrados e ela bateu as costas no chão de novo. Seu couro cabeludo puxado mais uma vez pelos dedos masculinos lhe causou uma dor de cabeça intensa, e o outro tapa perto de sua boca a deixou extremamente zonza.

Yun tentou puxar o cabelo e quando conseguiu ficou curvada ao levantar de pernas bambas, ela tentou empurrar o homem mais uma vez pisando em seu pé também. Correu rapidamente e acertou a porta violentamente saindo da sala desesperada.

Soyoon correu tanto, correu como nunca havia corrido antes. 

Seus pulmões chiavam e sua respiração parecia acabar aos poucos por conta de seus problemas respiratórios. Ela ouviu as passadas atrás de si e tentou correr ainda mais rápido ignorando a dor em suas costas. Lágrimas e sangue escorriam de seu rosto amedrontado.

Soyoon estava desesperada, ela queria muito estar segura naquele momento.

Soluçava de dor e gemia em desagrado de segundo em segundo.

Seu corpo esbarrou em um baque com um corpo muito maior e seu coração batendo forte faltou explodir.

Syru arregalou os olhos setindo o medo exalar de Yoon quando trombou com a menina no corredor enquanto corria desesperada.

Soyoon agarrou as vestes do homem muito maior que ela e o abraçou desesperada enquanto chorava e sujava a camiseta masculina de vermelho sangue.

— Não... não… — ela gemeu soluçando com o rosto escondido no peito masculino. — Tá doendo!

Syru sentiu os batimentos acelerados do coração da menina agitarem os do seu também e a segurou com mais precisão em um abraço quando sentiu o corpo magro vacilar. Ele a impediu de cair no chão ouvindo o choro da morena e afagou o cabelo longo castanho.

— Está tudo bem. Se acalma. Não vou deixar nada acontecer com você. 

.


Notas Finais


Trilha sonora Namjoon e Soyoon: https://youtu.be/dw2V1y9nQdw


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