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História Sete Minutos no Paraíso - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


oizinho

essa é a minha primeira fanfic postada com o seventeen, e eu já estava guardando ela há um tempo, com receio de postar. não tenho muito o que dizer sobre ela, só queria fazer um wonwoo bad boy e acabou saindo isso. espero que vocês gostem!!

quero agradecer à @byunpiter que fez essa capinha linda e cheirosa. te amo <3

boa leitura :)

Capítulo 1 - Capítulo Único: O Trato


Fanfic / Fanfiction Sete Minutos no Paraíso - Capítulo 1 - Capítulo Único: O Trato

SETE MINUTOS NO PARAÍSO 
        por saddrdazex

 

Jeon Wonwoo e Kim Mingyu sempre foram inseparáveis.

Mesmo com personalidades tão opostas, todos da pequena vizinhança lembravam de um quando o outro era citado.

A amizade que tinham era de se causar inveja. Eram como unha e carne, metades de uma laranja, e todos já haviam se acostumado com a ideia de que, se chamassem Wonwoo para qualquer tipo de programação, Mingyu viria junto, como aqueles brindes de lanches de fast food.

Ao contrário da improvável junção dos dois, a afeição entre eles foi completamente imediata. Se fechassem os olhos, conseguiriam visualizar com clareza a lembrança praticamente cravada nas pálpebras e, quando possível, paravam para recordar.

Mesmo aos nove anos de idade, Mingyu nunca foi do tipo sociável, principalmente quando se tratava de interações com o gênero oposto ao seu. Evitava todo o tipo de contato com garotas, e até por isso algumas de suas colegas de classe juravam de pés juntos que o garotinho rechonchudo era mudo. Tentava esconder as gordurinhas localizadas em seu pequeno abdômen atrás de seus moletons muito maiores do que a idade correspondida, na intenção de passar despercebido por qualquer um que ousasse reparar nele. Sozinho na arquibancada, assistia aos campeonatos de basquete que sempre ocorriam no colégio local com a certeza de que nunca chegaria nem perto de estar daquele lado da quadra.

Gostava de ser assim, invisível. 

Mas, deve-se admitir também que gostou 一 e muito 一 de ser enxergado pelo seu novo vizinho, um ano depois, quando estava voltando da escola e ouviu um pequeno radiozinho chiado tocando alguma música do The Smiths, naquela tarde ensolarada de verão. O menininho era mais alto o suficiente para parecer bem mais atrapalhado do que era de fato. Tirou coragem de onde não tinha para se oferecer a ajudar com as muitas caixas de papelão pardo que saíam do caminhão estacionado, e conseguiram concluir quase toda a mudança em um período menor do que o esperado. Não demorou para que os dois deslocados socialmente se juntassem, e o acaso de morarem um ao lado do outro era uma breve coincidência que demonstrava muito bem a proximidade que tinham.

Contudo, Mingyu fez um bom proveito de sua puberdade, esticando o bastante para passar Wonwoo e deixar qualquer um impressionado. A paixão crescente pelo basquete e o incentivo do novo amigo para que seguisse suas próprias vontades, o ajudou não só a aprimorar as suas jogadas, como também a perder grande parte do seu peso e, só então, passou a chamar a atenção de muitas garotas, o que, certamente, o incomodou bastante. 

Wonwoo também fez um proveito considerável. Esticou, mas não fez questão de adquirir massa muscular, pelo contrário, gostava de ser magrelo e odiava esportes. Dizia para todos que sua praia sempre seria a música, e foi justamente isso que o motivou a dar início a uma banda, com alguns integrantes do Clube de Música do colégio que estavam insatisfeitos em fazer parte da banda de apoio do time e sonhavam em fazer parte do que apelidavam de ‘banda de verdade’. E, foi assim que deram início ao The Hellraiser, no final do primeiro ano do colegial.

A banda foi tomando seu devido reconhecimento dentro da instituição, e Wonwoo passou a se tornar popular entre as garotas, colecionando assim outras amizades e muitos pares de seios.

Por estarem em caminhos tão distintos, o Kim acreditava fielmente que a amizade deles não passaria pelo colegial turbulento que tinham, mas Jeon sempre fez questão de se manter próximo.  Mesmo que estivessem em tempos e fases diferentes, Wonwoo sempre deixava a mesa dos bad boys, e Mingyu deixava a mesa dos jogadores populares para que sentassem bem nas cadeiras que ocupavam o meio dentre os dois extremos.

Todos diziam que eles não tinham nada a ver, mas nenhum dos dois estava disposto a dar ouvidos para os comentários maldosos, só queriam curtir os momentos que tinham juntos, mesmo que fossem cada vez mais escassos. Adoravam a companhia que só eles podiam oferecer um ao outro, e sempre estavam lá, se apoiando, seja numa quadra coberta e quente ou em frente à um palco arcaico.

Wonwoo também não se importava nem um pouco em esperar Mingyu, para que pudessem voltar juntos para casa em seu Dodge Charger 1970 preto, bem polido, e sempre se aproveitavam do som alto do carro para tocar ‘Rock the Casbah’, música favorita do Kim. Combat Rock era, na concepção deles, o melhor álbum do The Clash.

E, sempre que chegavam, passavam mais algumas horas juntos, seja jogando papo fora ou ouvindo alguns discos arranhados enquanto compartilhavam um maço de Camel no quarto de Wonwoo, que vivia sozinho, pois sua mãe 一 além de solteira 一 trabalhava como garçonete em um restaurante de esquina na cidade vizinha, o que por si só já justificava a demora que sempre ocorria para a sua chegada.

Jeon podia sorrir só de lembrar de quando o Kim engasgava com a fumaça, mas fingia que não apenas para não ficar por baixo, enquanto seu rosto completamente rubro o entregava. Era ainda mais engraçado o ver todo largado em sua cama, como se tudo fosse dele também 一 o que de fato era, pois passava mais tempo lá do que em sua própria residência.

Mingyu sempre se perguntava sobre o vício do melhor amigo em bandas que iniciavam com ‘The’, mas apenas guardava para si e apreciava a forma como o garoto com síndrome-de-rebelde-nadando-contra-a-maré era único, do seu jeito.

E foi justamente dentre as batidas de ‘Every Breath You Take’ e da fumaça densa que desprendia dos cigarros presos entre os dedos, que prometeram que estariam juntos até mesmo na Universidade.

Obviamente essa foi a motivação para Mingyu escolher sua segunda opção, onde podia estar no mesmo campus que o melhor amigo, que optou, claramente, por um curso pouco achado para a época.

Já tinham até imaginado como decorariam cada canto do jeitinho que queriam quando chegassem. Claro que seria nítido qual lado pertencia ao Wonwoo, pois com certeza ele levaria pelo menos metade dos pôsteres de bandas com ‘The’ que cobriam toda a extensão de seu quarto, enquanto o Kim, bom, provavelmente deixaria sua parede completamente limpa; isso se não fosse pelo pôster inseparável do Michael Jordan, seu grande ídolo.

Ficariam felizes e satisfeitos desde que estivessem juntos, independente do lugar ou das circunstâncias.

Esse era o trato.


Era cômico pensar que o astro do Time de Basquete, que representava o Colégio Regional, conseguia manter uma amizade com um rebelde que adorava causar problemas por pura diversão.

Conforme caminhavam em direção ao campo de Futebol, as pessoas ao redor os seguiam com os olhos. Praticamente todos que ocupavam a escola sabiam quem eram Kim Mingyu e Jeon Wonwoo — por motivos e razões diferentes, claro.

Por onde passava, o garoto de estrutura larga e comprida chamava a atenção toda para si, principalmente quando estendia aquele sorriso tão branco que seria capaz de cegar um desavisado que cruzasse seu caminho. 

Com seu caderno, abanava as axilas expostas pela regata dos Bulls, que usava naquele fim de tarde caloroso.

Olhou para a máquina fotográfica que Wonwoo carregava pendurada no pescoço fino, parando apenas quando fitou a camiseta preta do The Damned que estava usando. Como de costume, estava todo de preto, com um coturno abatido por cima da calça colada e, também, preta e abatida. Um colete de couro gastado cobria seu tronco, sem fazer menção de esconder as tatuagens sombreadas mal-feitas que percorriam seus braços e pescoço. O cabelo dele não tinha mais aquela franja gigante que quase chegava na ponta de seu nariz fino, mantinha-o bem aparado, mas com comprimento suficiente para cobrir a testa com alguns cachos bagunçados. Seu melhor amigo ficou completamente impressionado com o fato de não estar nem um pouquinho suado.

一 Caralho, Won, como que tu aguenta isso? 一 Questionou, se jogando no banco mais baixo da arquibancada e analisando as vestimentas escuras, enquanto o outro se posicionou praticamente no meio do campo e levantou a lente da câmera para cima, registrando o céu alaranjado que fazia naquele fim de tarde.

一 Eu também não sei. Qual a necessidade de fazer um clipe pra porra de um trabalho final? 一 Respondeu, mesmo que a pergunta fosse retórica.

一 Eu não tô falando do trabalho, cara. 一 Com os dedos grossos, separou o elástico da capa e abriu o caderno, folheando os inúmeros desenhos e pulando alguns comprometedores. 一 Quis dizer sobre essa sua roupa aí. Você sempre anda todo coberto, mesmo num calor desses. Ninguém aguenta não, mano.

一 Já tô acostumado. 一 Disse, parando de registrar. 一 Tu sabe que eu uso roupas assim desde que me entendo por gente, então meu corpo deve ter, sei lá, se adaptado. 一 Sorriu assim que notou que Mingyu estava intercalando o olhar entre seu rosto e a folha. 一 Cê tá me desenhando?

一 Talvez. 一 Falou, também sorrindo. 一 Continua com essa feição. Tá muito boa.

Mingyu não pretendia admitir aquilo, mas já tinha reparado no amigo o suficiente para saber que ele não costumava ser muito expressivo, exceto quando estavam juntos. Seu lado egoísta gostava pra cacete de ser uma exceção.

一 Que feição? Essa? 一 Colocou a língua para fora e revirou os olhos, fazendo uma careta estranha antes de levantar a câmera pequena e começar a tirar várias fotos seguidas dele, que começou a rir e esticar a mão para tentar tampar seu rosto. 一 Sabe o que eu acho? 一 Iniciou, sentando-se ao seu lado.

一 O que? 一 Mingyu fechou o caderno com o lápis grafite no meio, largando-o ao lado desocupado.

一 Que cê tinha que investir mais nesse teu talento. 一 Disse, puxando o maço amarrotado de Camel do bolso e elevando um dos cigarros até os lábios, antes de estendê-lo para o outro. 一 Sabe, são poucas pessoas que têm a oportunidade de desenhar como você, que mesmo com pouco treino consegue fazer esse tipo de coisa.

一 As pessoas não valorizam esse tipo de coisa, Won. 一 Repetiu da mesma forma que o ouviu dizer. 一 Elas ligam mais pra desenhos realistas e coisas do tipo. Cartoon é mais a minha praia. Faço isso por diversão. 一 Falou, também puxando um cigarro e elevando até os próprios lábios. 一 E, além do mais, eu já decidi o meu curso.

一 Tu sabe que não tem problema nenhum em mudar de ideia, não é? 一 Acendeu e passou o isqueiro para as mãos do amigo, que fez o mesmo. 一 Muita gente faz isso. Somos seres humanos e estamos sempre passando por constantes mudanças, tipo metamorfose.

一 Meu pai me mataria, cara. 一 Proferiu, fazendo a primeira fumaça escapar conforme falava. 一 E eu não tô nem zoando.

一 Pensa pelo lado positivo, Gyu, talvez ele morra de infarto primeiro, quando receber a notícia. 一 Riram juntos, em meio aos tragos. 一 Tirando o foco da morte hipotética do seu pai, os caras da banda tão organizando uma esquenta pro Baile de Formatura, só pros mais chegados…  一 Bateu a brasa, vendo-o bufar. 一 Qual é, Mingyu! Você prometeu, cara.

一 Eu não gosto desses lugares, tu sabe disso. 一 Falou, dando mais um trago antes de jogar a bituca na abertura entre os bancos, ouvindo o cigarro apagar assim que entrou em contato com a grama úmida. 一 Não me misturo como você e isso é nítido. Tu se esforça pra que as pessoas que andam contigo também me aceitem, e eu sou muito grato por isso, de verdade mesmo, mas não rola e tá tudo bem.

一 Não tá tudo bem porra nenhuma. 一 Rebateu, irritado. 一 Até quando você vai ficar aí, feito um mala? Caralho, Gyu, tem muitas garotas daqui que dariam tudo só por uma ficada contigo. Qual a graça de ser o capitão do time se tu não pega ninguém? 一 Wonwoo esticou os braços na arquibancada e abriu as pernas, todo folgado. 一 Toda vez cê inventa uma desculpa pra nem mesmo dar uns beijos. Qual é o problema? Teu pai te obrigou a fazer voto de castidade, é isso?

Sem conseguir fitar o melhor amigo, ficou por instantes encarando uma parte qualquer do campo vazio que os cercava, se recordando da vez em que saíram de casal. Wonwoo sempre o metia nessas furadas quando decidia levar alguma garota para sair que, consigo, trazia a melhor amiga. Da última vez, marcaram de ir ao cinema aberto, só que ao invés disso, foram parar na parte detrás e Mingyu teve que ficar olhando para a cara da melhor amiga de Soojung enquanto o melhor amigo dava uns amassos com a líder de torcida dentro do carro, que balançava de uma forma constrangedora. Ele nem sequer sabia o que falar, apenas se desvencilhava quando a menina 一 que não faz ideia de como chamava 一 tentava lhe dar um beijo.

Tinha certeza que Jeon também não fazia ideia do nome de Soojung, mesmo depois de tudo o que fizeram dentro daquela lataria.

Era um hábito dos caras da banda saírem com muitas garotas, assim como era um costume entre os caras do time. Exceto Jeonghan, que era o único gay assumido do colégio e baterista da The Hellraiser, e Mingyu, que não entendia muito bem qual o defeito de fábrica que continha.

Por anos, passou a acreditar que o fato de já ter sido baixinho e gordinho havia influenciado diretamente em sua autoestima. Mesmo que não tivesse mais com o que se sentir inseguro, carregava alguns resquícios daquela fase e ainda assim acreditava que não era bom o suficiente para ficar sem camiseta na frente de alguém. Porém, com a chegada dos hormônios, não sabia dizer se esse era exatamente o verdadeiro ‘problema’. Tinha suas dúvidas internas que fazia questão de esconder, até mesmo do cara que mais confiava.

一 Já te falei que não ligo pra esse lance de garotas, Won. 一 Devolveu o olhar, também irritado, pensando na desculpa que sempre utilizava. 一 Não preciso de uma namorada agora. Posso pensar nisso depois da Universidade, não é como se fosse um problema.

一 Cê que sabe, zé ruela. 一 Disse, jogando a bituca no chão e pisoteando com a sola do coturno. 一 Vamo’ cair fora. 一 Wonwoo levantou, puxando sua bolsa lateral cheia de bottons de bandas punk de volta para o ombro. 一 Eu tenho horário.

Estava claramente puto da vida quando rumou para longe, em passos largos. Mingyu juntou suas coisas o mais rápido que pôde e o seguiu. Ficaram quietos durante todo o trajeto, nem sequer ligaram o rádio. Cada um foi para a sua respectiva casa, deixando um ar totalmente estranho entre eles.

Subiu rapidamente para evitar as perguntas diárias de seu pai, que já estava sentado em sua poltrona de couro marrom, com o controle erguido enquanto procurava por um canal de sua vontade. De cima, analisou a farda de Delegado que o Kim mais velho trajava e engoliu seco. Sabia que não podia nem pensar em andar fora dos trilhos como seu melhor amigo ousava. Já tinha recebido diversas chamada para que parasse de andar com o garoto problemático dos Jeon, mas mesmo assim não queria acabar com uma amizade de quase onze anos.

Tomou um banho rápido e não respondeu quando sua irmã mais nova o chamou para o jantar. Fingiu que já estava dormindo para evitar o contato desagradável, pois odiava ficar sentado na mesma mesa que sua família, que costumava discutir por absolutamente tudo.

Deitado em sua cama, não conseguia parar de pensar nas palavras do melhor amigo. O céu já estava completamente escuro. Analisou a semelhança entre as estrelas brilhantes e as inúmeras dúvidas que cintilavam em sua mente:

E se fosse gay, como o Jeonghan?, pensava nisso sempre que deitava a cabeça em seus travesseiros, que até pareciam mais pesados que o normal.

Naquela noite, ao invés de cair no sono, levantou o tronco e afastou as persianas, observando a janela escancarada do quarto de Wonwoo, que ouvia um som estupidamente alto, enquanto passeava pelo quarto com um cigarro no canto esquerdo dos lábios, sem uma camiseta cobrindo o tronco magro, enquanto tentava escolher qual das inúmeras camisetas pretas de banda vestiria para a tal festa. Bateu a brasa no cinzeiro próximo à janela e, de imediato, seus olhos castanhos-claro encontraram os de Mingyu, perdidos do quarto escuro.

Sem graça, ele sorriu e elevou um dos braços para a nuca, acenando com a outra mão. Wonwoo abaixou a música e procurou pela caderneta no meio da bagunça de seu quarto, se aproximando novamente da janela assim que achou. Escreveu alguma coisa e ergueu-o, fazendo Mingyu forçar as pálpebras para ler o que estava escrito naquela caligrafia torta.

“Foi mal por hoje, cara.”

Mingyu caçou seu caderno, ainda sem jeito, mas aliviado pelo melhor amigo não ter suspeitado do fato de estar sendo observado naquele momento tão íntimo, como nas outras milhares de vezes que o analisou treinando alguns acordes na guitarra vermelha. Gostava muito de assisti-lo fazendo qualquer coisa. Escreveu rapidamente e ergueu, esperando que o outro lesse.

“Tá tudo bem, acho até que você tá certo.”

Wonwoo ergueu uma das sobrancelhas e sorriu ladino, como se tivesse acabado de vencer uma batalha. Mingyu agradeceu por estar longe e enfurnado no quarto pouco iluminado, para que o garoto não notasse que ele estava totalmente envergonhado por estar de frente para um Jeon sem camisa, com uma expressão maldosa.

Caralho, que merda tá rolando?, nunca tinha reparado tanto naquela sensação antes.  

Com as mãos ágeis, Wonwoo ergueu sua folha de papel, fazendo com que o melhor amigo sorrisse ao ver a carinha feliz que tinha ao lado da pergunta, como nos velhos tempos.

“E isso quer dizer que tu vai comigo? :).”

Mingyu soltou os ombros, dando-se por vencido. Virou a folha e destampou o canetão preto com a boca, anotando a resposta com a mão direita antes de erguê-la.

“Me espera na esquina :).”

Respondeu com a mesma frase que usou quando tinham onze anos e marcaram de ir ao fliperama escondidos, por conta do braço quebrado que havia ganhado em um dos treinos de basquete.

Pulou a janela de seu quarto minutos depois. Wonwoo estava o esperando na esquina, assim como o combinado, com uma jaqueta de couro surrada, um jeans claro colado e rasgado e uma camiseta do Buzzcocks, uma das únicas bandas que não começava com ‘The’ para qual abria exceção.

Com uma expressão nem um pouco positiva, analisou Mingyu da cabeça aos pés. A regata preta e lisa estava tão bem passada quanto o jeans escuro que usava. A barra da calça estava tão larga que por pouco não cobria o all star preto, de cano alto.

一 Cê tá indo treinar? 一 Perguntou, em tom zombeteiro.

一 Quê? 一 Mingyu olhou para si, buscando uma resposta para o questionamento.

一 Qual é a dessa regata aí? 一 Sorriu, ardiloso. 一 Bom, tu tem braços bonitos, tem mais é que mostrar mesmo. 一 Completou, desapoiando o quadril do carro estacionado. O mais alto ficou parado, sem reação para o elogio.  一 Trouxe grana?

一 Pra quê? 一 Despertou, piscando algumas vezes assim que o viu dar a volta no capô e destrancar a porta do motorista.

一 Porra, Mingyu, o que deu em você hoje? 一 Questionou, colocando o filtro bege no canto esquerdo da boca, como de costume. 一 Tu tá mais lerdo que o normal, cacete! Nós precisamos comprar cigarros e cervejas.

一 Eu pensei que a festa era organizada pelos caras da banda. 一 Devolveu, como uma alfinetada, o assistindo acender o cigarro e entrar no carro. Ele abaixou os vidros e puxou o pino da porta do passageiro, em um sinal mudo para Mingyu entrar, e assim foi feito.

一 É uma festa pequena, sacou? 一 Explicou, soltando a fumaça do primeiro trago pela janela aberta ao seu lado. 一 ‘Cada um leva o seu consumo.’ Essa é a primeira regra pra uma noitada marcada de última hora.

Mingyu já tinha perdido as contas de quantas bufadas tinha dado só naquele dia. Sem dizer nada, fuçou os bolsos e tirou algumas notas dobradas dali e jogou no porta copos que tinha entre o freio de mão e a marcha, fazendo o amigo sorrir satisfeito quando checou a quantia.

一 Você é o cara, Gyu. 一 Deu dois tapinhas em seu cabelo, o bagunçando e espalhando o cheiro de cigarro pelo ambiente consideravelmente pequeno.

Com os pés, chutou algumas latas amassadas que se acumulavam no chão do carro, que estava tão sujo que nem parecia ser o xodó do dono, já que foi a única coisa que seu pai deixou para ele antes de lhe dar as costas.

Wonwoo deu partida, ligando o rádio automaticamente, dando início a ‘Boys Don’t Cry’, do The Cure. Depositou o cigarro de volta nos lábios, esticou uma das mãos até o banco do carona e olhou para trás, se certificando de que não tinha nada próximo antes de cantar pneu em uma ré brusca.

Mingyu controlou o ímpeto de rir da ironia que a letra da música trazia, pois sua maior vontade naquele momento era chorar feito uma criança que acabou de perder a mãe no mercado.

Sem sombra de dúvidas seria uma noite e tanto.


Caminharam pelos paralelepípedos acinzentados, trilhados em direção à entrada da casa grande de Minghao, o baixista da The Hellraiser. Mingyu não ia nem um pouco com a cara daquele metido, dono de um mullet preto e uma expressão nem um pouco simpática.

As más línguas diziam que seu pai era membro da Yakuza, e por isso tinham tanta grana assim. O garoto tinha quase que um passe livre para ser folgado, apesar do Kim suspeitar que ele mesmo tinha inventado aqueles boatos para que ninguém ousasse enfrentá-lo.

Não sabia como Wonwoo conseguia andar com aqueles caras mal encarados, mas preferiu não questionar quando pararam de frente para a porta grande e aparentemente cara. Sentiu o engradado de Baden Baden ser empurrado contra seu peito, o obrigando a segurá-lo.

一 Pode pelo menos fingir que tá afim de se divertir? 一 Perguntou, baixo, elevando o dedo indicador até a campainha. O som alto e oco já escapava para o lado de fora.

一 Tá, tá. 一 Soltou os ombros largos, dando sinal para que o amigo finalmente tocasse a campainha.

Assim que a porta foi aberta por Jihoon, o guitarrista principal, Mingyu teve que olhar para baixo para fitar o baixinho tão inexpressivo quanto os outros. Chegou até a cogitar que aquele era um dos pré-requisitos para participar da banda, pelo visto. Os cabelos dele eram descoloridos e bagunçados, o que o rendia uma pegada mais clean, sem deixar de ser rebelde.

一 E aí, tampinha. 一 Jeon agarrou sua cabeça, a prendendo em um de seus braços para fingir um enforcamento, que não demorou para ser desfeito. 一 Tá bonitão, hein?

一 Não mais que você, caralho. 一 Mingyu ainda não estava acostumado com o fato daquele garoto tão pequeno ter a boca tão suja. 一 Os caras tão lá no porão. Sua sorte é que eu tinha vindo pegar umas bebidas, porque se não cês iam ficar do lado de fora. 一 Ele se ajeitou, intercalando o olhar entre a cerveja e o rosto incômodo, que ainda não tinha falado nada. 一 Baden Baden? Boa escolha, capitão. 一 Pela primeira vez, viu um breve sorriso se esticar pelo rosto pálido do garoto de cabelos loiros, que não tardou a tomar o engradado para si. Notou que os olhos estavam baixos e avermelhados, indicando que havia mais do que bebidas por lá.  一 Vou botar pra gelar. Pode descer, se quiser.

As batidas de ‘Blitzkrieg Bop’, do Ramones, se fizeram presentes. Mingyu apenas seguiu Wonwoo, que apontou com o nariz para frente assim que Jihoon voltou para a cozinha grande. Analisou cada um daqueles vasos caros e entendeu o motivo de todos estarem no porão, já que o prejuízo seria grande se algum jovem bêbado destruísse qualquer coisa que tivesse dentro daquela residência.

Foram até os fundos. Desceu a escada logo atrás do melhor amigo, ouvindo o som de algumas risadas femininas, que já fizeram o favor de deixá-lo nervoso. Antes de terminar os degraus, viu Yoon Jeonghan abaixar a música e jogar os cabelos negros e médios para trás, deixando exposto a lateral raspada e evidenciando o piercing em sua sobrancelha. Ele usava sombra nos olhos, o que deixou Mingyu intrigado.

Com um sorrisinho pequeno, abriu os braços e envolveu Wonwoo, que retribuiu brevemente. O Kim se pegou distraído observando Minghao jogado no sofá vermelho, enquanto compartilhava um cigarro de maconha com uma garota, que estava em seu colo. Os dois passavam a fumaça branca um para a boca do outro, e o cheiro forte ia se intensificando.

O porão era gigante, com alguns instrumentos espalhados pelo local.

‘I’m Against It’, começou a tocar, em sequência. Os dedos esguios, pálidos e com as unhas pintadas de Jeonghan tocaram seu ombro e assim que voltou o olhar para ele, notou que havia outras três garotas ali, sentadas em alguns puffs coloridos.

Sabia que elas eram do colégio, todavia, passou tanto tempo sem focar em garotas que nem sequer sabia o nome delas. Reconheceu apenas o rosto de Soojung, que levantou para se pendurar no pescoço de Woonwo, que desviou o rosto deixando claro que não queria mais nada.

一 E aí, jogador. 一 O moreno esticou outro sorriso, deixando os olhos cobertos de sombra escura bem pequenos. 一 Não trouxe o seu pelotão? Eu tava precisando de uns caras sem camisa aqui. Só tem mulher.

一 Eles não curtem essas coisas. 一 Falou, seco, tentando se desviar dos toques, mesmo que estivesse um pouco curioso e tentado quanto aquilo.

一 O que? Homens? 一 Ele umedeceu os lábios, ainda sorridente.

Jeonghan parecia ser o único aceitável dali.

一 Festas assim. 一 Explicou, tentando não soar preconceituoso.

Achava atitudes desse teor inadequadas.

Os primeiros acordes de ‘I Wanna Be Sedated’ se iniciaram, mas não tardaram a serem interrompidos assim que Jihoon retornou com mais cervejas. Todos olharam para Wonwoo, que estava parado ao lado das caixas grandes de som. Até Minghao o fitou por baixo dos cabelos que caíam por sua testa. Jeonghan soltou um breve ‘porra, essa era a melhor música’.

一 Aê galera, quem acha uma boa ideia a gente brincar um pouco? 一 Os olhos negros foram dirigidos para Mingyu, que franziu a testa e não soube como reagir. 一 Já que não estamos em muitos, dá pra brincar de ‘Sete minutos no paraíso’, quem topa? 一 Aparentemente empolgado e já sem a jaqueta de couro, Jeon ergueu um dos braços para iniciar uma votação.

一 É uma boa ideia, Won. 一 Com um olhar selvagem, Jeonghan analisou o corpo do Kim, o deixando um pouco sem graça.

一 Eu também topo. 一 Pela primeira vez na noite, a voz de Minghao se fez presente, mas não demorou a ser abafada pelo pequeno tapa que deu na bunda da garota em seu colo, coberta pela saia quadriculada, a fazendo sorrir.

Mingyu se desviou das mãos de Jeonghan, que já estava claramente afetado pelas coisas que consumiu, e seguiu em direção à Wonwoo, que sorriu debochado.

一 Que merda que tu tá tentando fazer, cara? 一 Cochichou, vendo o melhor amigo colocar outro cigarro nos lábios.

一 Vou te ajudar a perder essa boca virgem ai. 一 Respondeu. 一 Cê vai me agradecer por isso. 一 Completou, se afastando e pegando uma das garrafas nas mãos de Jihoon, virando-a por completo até que ficasse vazia, antes de empurrá-la contra o peito de Mingyu, que mais uma vez não sabia o que dizer.

Quando tomou coragem para se virar, percebeu que todos já estavam se ajeitando em uma roda, sentados em cima do tapete felpudo de zebra. Caminhou, mesmo com os joelhos trêmulos, e se sentou no único espaço vazio, ficando quase de frente para o melhor amigo, que continuava bebendo e fumando como se nada tivesse acontecendo.

Posicionou a garrafa no meio e umedeceu os lábios, balançando a cabeça negativamente para o outro rapaz. Jeonghan fez questão de tomar a iniciativa de girar a garrafa, fazendo Jihoon e Soojung serem o primeiro casal a ocupar o armário de produtos de limpeza.

Em seguida, Minghao foi com ele, e os dois não viram problema algum em trocar alguns beijos, o que, para Mingyu, era algo novo. Jeonghan trocou de lugar com Jihoon para que ficasse mais próximo do jogador e conseguissem ir juntos. Mingyu não se sentiu insatisfeito com a possibilidade. Mas, no momento em que girou, todos os olhos atentos pararam na indicação da garrafa, que apontava nitidamente para ele e para o seu melhor amigo. 

Sem reação, abriu e fechou a boca algumas vezes, buscando o que falar.
 

一 Ótimo, uma brotheragem. 一 Jeonghan sorriu, mesmo um pouco frustrado. 一 Tão esperando o que?

一 A gente não… 一 Mingyu engoliu seco, tentando manter a calma. 一 Isso não vai rolar.

一 E por que, não? 一 Jeonghan questionou. 一 Qual o problema? Vão dizer que nesse tempo todo de amizade vocês nunca deram nem um beijinho? 一 Sua expressão se fechou assim que notou que aquilo, de fato, nunca tinha rolado. 一 Ah, não acredito! Que amizade ruim, hein? Se isso for algum tipo de ameaça a sexualidade de vocês, ai sim tem que ser preocupante. Caso contrário, levantem a bunda daí e vão para aquela porcaria de armário. 

一 Bora, Gyu. 一 Wonwoo levantou, apagando o cigarro na sola do coturno, jogando a bituca em um canto qualquer.

一 O que? 一 Perguntou, alto e indignado. 一 O que deu em você? Tu tá bêbado, é isso?

一 Qual é, cara. A gente não precisa se beijar, nem nada. 一 Falou. 一 A brincadeira não obriga ninguém a se pegar.

Ele estava certo. Só se pegava quem queria, essa nunca foi uma regra explícita do jogo. E foi exatamente com esse pensamento 一 ou, pelo menos, quase 一 que Mingyu levantou e caminhou ao lado do melhor amigo para dentro daquele armário que parecia ainda mais apertado que o normal. Não sabia dizer se era por conta de seu nervosismo ou por ambos serem grandes demais para o pouco espaço.

Jeonghan fechou a porta e deu duas batidinhas na superfície amadeirada, indicando que a contagem havia iniciado. Wonwoo puxou a cordinha que havia entre eles, apagando a luz, e a respiração ofegante de Mingyu era o único barulho presente no ambiente, até ‘Take on Me’, do A-ha, começar a tocar do lado de fora.

Eles estavam olhando um para o outro mesmo no meio daquele breu, e Wonwoo tocou com uma das mãos no ombro de Mingyu, que tencionou de imediato.

一 Por que tu tá tão nervoso assim, Gyu? 一 Murmurou.

一 Eu… 一 Sentiu suas mãos suarem, buscando uma desculpa convincente. 一 Eu não gosto de lugares apertados.

Wonwoo sorriu, acariciando o ombro do amigo mais uma vez. Mingyu se distraiu o suficiente com o esticar de lábios e o toque calmo que recebeu.

一 Só relaxa, ok? Daqui a pouco isso termina e… 一 Antes que pudesse completar a frase, foi pego de surpresa pelos lábios macios do jogador, que não conseguiu controlar a vontade de beijá-lo, mas se arrependeu, repelindo-se a ponto de bater as costas em uma das prateleiras. 一 Caralho, Mingyu.

一 Mano, Won, desculpa. Eu não deveria ter feito isso. 一 Tocou os próprios lábios, sentindo a pressão da boca do outro ali, ainda. 一 Eu não sei o que deu em mim… Eu só… 一 Wonwoo nem sequer deixou que se explicasse, apenas avançou contra ele, despejando outro beijo no melhor amigo.

Aos poucos, relaxaram e se entregaram ao momento em que as línguas começaram a se acariciar. Wonwoo o prensou contra as prateleiras, derrubando grande parte das coisas contra o chão, sem nem se importar se estavam sendo ouvidos ou não. As bocas se encaixavam perfeitamente, e Mingyu apenas retribuía o que o melhor amigo fazia, pois não era muito experiente. De olhos fechados, sentiu a mistura de cervejas e cigarros dominar seu paladar.

As mãos de Wonwoo começaram a explorar seu corpo, deixando um rastro de apertões e arrepios. Assim que sentiu um o apertão na cintura, abriu os lábios contra os de Jeon, que não tardou a morder seu inferior, abrindo um sorrisinho sacana logo em seguida.

Mingyu elevou as mãos para os cabelos escuros, sentindo-o descer os beijos para seu pescoço, espalhando alguns chupões na região sensível. Sua cueca parecia cada vez mais apertada, e os arrepios se tornaram ainda mais intensos.

Naquele exato momento, teve certeza que era gay como Jeonghan, ou até mais. Se deu conta, também, de que nunca fora culpa de suas inseguranças passadas, e sim, em relação à sua sexualidade. No fundo, sempre soube que jogava no outro time, e a atração pelo melhor amigo brilhou como uma luz no fim de um túnel escuro.

Tudo fazia sentido.

Antes que pudesse retornar a mordiscar os lábios grossos de Mingyu, os dois toques na porta anunciaram o final dos sete minutos, para a frustração dos garotos.

Assim que a porta foi destrancada, a vergonha os atingiu em cheio quando sentiram os olhares sobrepostos pela bagunça que tinham feito no armário e em si mesmos. Os fios pretos de Wonwoo estavam apontando para todos os lados, enquanto a boca de Mingyu estava evidentemente inchada e vermelha e sua regata estava amarrotada, totalmente diferente de quando tinha entrado.

Assustado, passou por todos às pressas, rumando para o andar de cima. Wonwoo o seguiu, gritando por seu nome, mas ele nem virou para trás, apenas deixou a casa e, com os braços cruzados por conta da brisa fria da noite, caminhou em direção à sua rua, que não ficava tão distante, tentando entender o que tinha acabado de acontecer.

Não queria e nem podia mesmo ser gay. Se seu pai descobrisse, ele iria parar em alguma Universidade Militar, e não queria ter que se afastar de Wonwoo. Queria que ficassem juntos,  sem nenhum empecilho, mas sabia que agora seria difícil ignorar aquele fator. 

Jeon pegou sua jaqueta e saiu correndo, em direção ao seu carro, dando uma partida rápida. Porém, optou por dirigir devagar, pois sabia que Mingyu não iria tão longe a pé. Acendeu os faróis, buscando pela estrutura larga e alta do melhor amigo, ainda sem reação.

Sorriu instantaneamente, sentindo os lábios de Mingyu ainda contra os seus.

Nunca pensou que fosse tão bom beijar outro homem, em especial seu melhor amigo.

Já tinha sonhado diversas vezes com aquele acontecimento, mas nunca pensou que aconteceria, de fato, muito menos que o próprio Kim começaria. Foi uma surpresa e tanto.

Assim que o encontrou, diminuiu ainda mais a velocidade, dirigindo ao seu lado. Mingyu tentava olhar para qualquer lugar que não fosse seu rosto, o que o fez sorrir mais ainda. Curtia como ninguém a timidez que o outro exalava, às vezes.

一 Mingyu, entra no carro. 一 Pediu, tentando manter a voz séria. 一 Eu vou te deixar em casa.

一 Eu sei ir pra casa, Won. Obrigado. 一 Disse, ainda de braços cruzados.

一 Deixa de besteira, cara. 一 Ele o ignorou. 一 Mingyu, entra na porra do carro. Tô te avisando, se você continuar com essa idiotice, eu vou buzinar até toda a vizinhança acordar. 

Ele parou assim que ouviu a ameaça, descruzando o nó de braços que tinha formado em frente ao seu peito. Wonwoo parou o carro e destrancou a porta, permitindo que entrasse no banco do passageiro e colocasse o cinto, como costumava.

Mudou de rota, fazendo Mingyu o encarar, incrédulo, enquanto o carro seguia pelo rumo contrário à rua deles, até que, finalmente, estacionou em uma parte vazia da estrada.

一 Você me beijou. 一 Wonwoo iniciou, quebrando o silêncio e deixando o melhor amigo ainda mais sem graça. 一 Há quanto tempo tu queria fazer isso?

一 Você me beijou de volta, Wonwoo. 一 Foi direto, tirando o cinto de segurança. 一 Eu te pedi desculpas e você me beijou de volta... Tu tem noção disso?

一 Beleza, mas eu não to aqui pra te pedir desculpas. 一 Falou, se esticando o suficiente para puxá-lo para mais um beijo, mas dessa vez calmo e firme.

Wonwoo sorriu entre o terceiro selinho, e Mingyu sentiu o esticar de lábios antes que o garoto se separasse dele.

一 Há quanto tempo, Mingyu? 一 Questionou novamente, tentando recuperar o ar perdido.

一 Há muito tempo. 一 Respondeu, jogando a cabeça para trás.

一 Então eu não era o único passando vontade aqui? 一 Mingyu o fitou, negando lentamente com a cabeça, até que finalmente foi puxado para outro beijo. 一 Caralho, por que nós demoramos tanto pra fazer essa merda? 一 Questionou, lambendo o lábio inferior do melhor amigo, que apenas sorriu.

一 Não sei, mas se meu pai descobrir isso… 一 Respirou e impediu que o rapaz se separasse. 一 Ele vai me matar, e eu não to nem zoando.

一 Pensa pelo lado positivo, Mingyu. 一 Ah, um arrepio percorreu o garoto assim que ouviu seu nome soar pela voz grossa e rouca, contra seus lábios. 一 Ele pode ter um AVC só com a notícia.

O Kim sorriu, voltando a se encaixar corretamente entre os lábios do outro. Com o cotovelo, ligou sem querer o rádio, permitindo que a sua música favorita ecoasse pelo automóvel.

Wonwoo puxou a cintura do outro em um aperto firme, e assim que entendeu, o jogador pegou apoio nos ombros para que subisse em seu colo. As mãos quentes, que ainda estavam em sua cintura por dentro da regata, desceram bruscamente para suas coxas, deixando mais uns apertos ali.

Mingyu teve certeza que sairia marcado daquela brincadeira, mas nem se importou, apenas subiu suas mãos para os cabelos mal aparados da nuca de seu melhor amigo, que sorriu mais uma vez entre o beijo, aprovando o ato.

Em um movimento rápido, Wonwoo tirou a regata preta que cobria o tronco do melhor amigo e a jogou para o banco do lado. Mesmo parecendo um pouco envergonhado por estar tão exposto, sabia que podia se sentir à vontade ali, com ele. Não poderia ter escolhido pessoa melhor para estar compartilhando um momento como assim.

Tirou a jaqueta de couro dos ombros finos dele, trêmulo, puxando a camiseta surrada de banda logo em seguida. Olhou por alguns instantes, querendo guardar a imagem daquele abdômen magro e pálido, que parecia tão atraente aos seus olhos que chegava a ser inexplicável. Wonwoo nem se importou, apenas aproveitou para beijar o meio do peito de Mingyu, que subia e descia em uma respiração frenética.

一 Você é lindo pra cacete, cara. 一 Murmurou, subindo os beijos até a clavícula pouco marcada e aproveitando a deixa para despejar alguns beijos no pescoço, marcando a pele morena, se deleitando com o cheiro do perfume amadeirado, quase perdido.

Ouvir aquilo fez Mingyu esquecer de vez de todas as suas inseguranças. Pela primeira vez, realmente se sentiu lindo aos olhos de alguém.

Sorridente, voltou a puxar os lábios do melhor amigo para si.

Percebeu que beijar Wonwoo lhe trazia a sensação de perigo, mas ao mesmo tempo de conforto.

As mãos esguias voltaram a deslizar pelo abdômen desnudo e bronzeado, parando somente quando encontraram a braguilha do jeans. Não demorou para o abrir, em um ato rápido que parecia até corriqueiro para Jeon.

一 Aqui não é perigoso? 一 Perguntou, inseguro, assim que viu sua cueca branca aparecer e a calça se alargar em sua cintura.

一 É bem afastado, não se preocupa. 一 Respondeu, convicto. 一 Relaxa, Gyu.

A mão não tardou a apertar o pau por cima do tecido fino da cueca, já duro. Mingyu parecia surpreso, mas ao mesmo tempo entreabriu os lábios, gostando da pressão oferecida. Esfregou-o, fazendo um gemido baixo deixar os lábios rosados. Abaixou o elástico, deixando a ereção totalmente exposta. Iniciou uma masturbação lenta, apenas para apreciar o melhor amigo, entregue em seus braços. Enfiou a outra mão por dentro da barra frouxa da calça, apertando a bunda redondinha, até que a carne farta escapasse por entre os dedos.

Desesperado para também apertar algo, Mingyu colocou as mãos no banco do motorista, apertando o estofado até as mãos ficarem vermelhas. Os movimentos se intensificavam ainda mais a cada gemido rouco que Wonwoo o via soltar.

Sua própria ereção já se tornava incômoda com a pressão do quadril por cima, e assim que o Kim a sentiu contra a bunda, não se controlou e começou a rebolar, mesmo que timidamente, movimentando-se em círculos. Em outras vezes, acabava mexendo em um vai e vem, vendo a cabecinha de seu pau sumir e aparecer na mão macia e calorosa.

Wonwoo tirou a mão da carne quente, pulsante e molhada apenas para abrir o seu próprio cinto de couro 一 precisava urgentemente dar um jeito de se aliviar também. O tintilar da fivela fez Mingyu tremer um pouco, automaticamente fazendo um sorrisinho crescente tomar a feição do outro rapaz, que se aproveitou para passar a parte gélida de ferro contra a pele fervente das costas marcadas do melhor amigo.

一 Outro dia, baby. 一 Cochichou, aproveitando para morder o lóbulo e deixar um beijo molhado na nuca dele, que se espalhou em um arrepio gostoso.

Jogou o cinto para o banco do lado e voltou a atenção para a própria calça, abrindo a braguilha e puxando a ereção pesada de dentro da boxer preta. Com uma das próprias mãos, a apertou a ponto de deixá-la ainda mais vermelha, e iniciou uma masturbação leve, sabendo que os olhos castanhos estavam presos ali. O Kim nem mesmo lembrou de se importar com a própria ereção negligenciada, que estava sujando sua barriga de pré-gozo. Mas, tomado pela vontade de lhe dar prazer, se ajeitou nas pernas finas e se aproximou ainda mais, unindo seu pau contra o dele. Gostando daquilo, Wonwoo fez questão de se grudar ainda mais, descolando suas costas do banco de couro e puxando Mingyu mais para si 一 o qual tomou a iniciativa de se movimentar, vagarosamente.

Aquele estímulo fez Wonwoo quase perder a cabeça e, para que aquilo não acontecesse, puxou o mais alto pela nuca, fazendo-o abaixar um pouco para que colassem as testas suadas. Começou a se mexer em conjunto, aumentando ainda mais a intensidade, subindo e descendo o quadril. O barulho do punk baixo se misturava tanto com as respirações ávidas, quanto com o barulho molhado que a punheta fazia.

E assim ficaram até que gozassem violentamente contra as próprias barrigas, unindo as porras e trocando olhares, para que pudessem guardar para sempre a imagem das expressões retorcidas em tesão que tinham a oferecer. 

Prometeram um para o outro, enquanto olhavam o céu estrelado, que aquele seria um segredo compartilhado para sempre, para que nada, muito menos alguém pudesse os separar. Também prometeram que tudo não passaria de uma simples brotheragem, sem nada de sentimentos, só atração sexual. Usariam daquilo para aliviar um ao outro e ponto.

Ficariam felizes e satisfeitos desde que estivessem juntos, independente do lugar e das circunstâncias.

Esse era o trato.

E, como já era de se esperar, não conseguiram cumprir as promessas. 


 


Notas Finais


bom, é bem basiquinha, sem nada muito novo. caso vocês gostem, posso pensar em escrever algum extra, ainda não sei, to pensando à respeito.

caso queiram falar comigo, tenho dois twitters, um é o meu perfil normal e o outro é o que eu uso especificamente para o seventeen. vou deixar os links aqui:

NORMAL: @/saddrdazex
FAN ACC SVT: @/wonwookjkj

eh isso, galera.
perdão por qualquer erro.
tamo junto.

ps: sou apaixonada pelo jeonghan


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