História Sete pontos na carteira - Capítulo 1


Escrita por: e beomi

Postado
Categorias Black Pink
Personagens Jisoo, Rosé
Tags Autoescola!au, Blink Project, Chaesoo, Chaeyoung, Comedia, Jisoo, Rose, Tema Pink
Visualizações 144
Palavras 2.651
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Comédia, FemmeSlash
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


yay, minha primeira história nesse projeto lindo! apesar do plot ser totalmente aleatório (?), deem uma chance pra essa chaesoo (meio) fluffy ♡ obrigada às lindas @mayuah e @bolinho-unicorn, respectivamente, pela capa e betagem. boa leitura!

Capítulo 1 - Único - Sobre desculpas pós-batida e multas não ruins


Os olhos minguantes piscavam repetitivamente, buscando atentar a garota que tinha as mãos firmemente fixadas no volante. Talvez Jisoo não precisasse arregalar suas córneas ao máximo se tivesse acordado na hora prevista e despertado a si própria com uma dose religiosa de café preto, porém, depois de passar incontáveis minutos no telefone com seu melhor amigo na noite anterior, a última recordação registrada na mente da garota é a imagem de sua irmã mais velha sacudindo-a entre o emaranhado de lençóis, enquanto alegava que perderia sua primeira aula prática na autoescola — e, consequentemente, arcaria com a multa por não avisar sobre sua ausência.

— Garota, tem certeza que está bem para dirigir? — questionou a recém-chegada instrutora, um olhar duvidoso pairando exatamente sobre as notáveis olheiras arroxeadas alheias.

— Mas é claro! — Jisoo prontamente respondeu, um sorriso quase maníaco tomando-a a face.

A ruiva no banco da direita fez um sinal negativo com a cabeça, mas nada retrucou perante à afirmação da morena. Ajeitou a prancheta — onde a folha com os dados da motorista e espaço para anotações repousava, impecavelmente — sobre suas pernas antes de voltar-se para Jisoo.

— Meu nome é Chaeyoung e vou te preparar para o teste final durante nossas aulas. — apresentou-se, de maneira tediosa. — Já sabe qual é a primeira coisa a se fazer?

Jisoo cerrou os olhos, o nariz um pouco franzido por conta da pergunta que julgou ser imensamente tosca; quem não saberia que se deve ligar o carro no início? Girou confiantemente a chave dentro da ignição, carregando uma expressão arrogante com seu sorriso ladino — que não tardou para ser removido de sua face.

— Não vai avisar o passageiro para pôr o cinto, Park Jisoo? — a voz debochada de Chaeyoung tomou o veículo.

— Está falando sério? — bufou, indignada. — Você mais do que ninguém deveria saber que o uso do cinto é indispensável.

— Então espero ver esta mesma insatisfação em seus olhos quando for reprovada em seu exame. — sorriu, maligna.

Jisoo murmurou palavrões sob sua própria respiração, encolerizada pela repreensão da instrutora — que, ironicamente, estava lá exatamente para fazer comentários do tipo; caberia à morena a escutar a voz melodicamente doce despejando palavras ácidas durante as sessões práticas. Com cinismo espelhado em seu rosto, Jisoo rapidamente passou o cinto pelo corpo de Chaeyoung, encarando-a intensamente ao encaixá-lo perfeitamente.

— Podemos? — referiu-se a dirigir, afinal, as aulas deveriam — na mente teimosa de Jisoo — ser, somente, para isto.

— Me diga você, motorista.

Jisoo jogou os cabelos curtos para trás, com um ar de superioridade rodeando-a; iria colocar a ruiva de língua afiada em seu devido lugar, decidida. Seus ouvidos, no entanto, sequer acreditaram quando a risada de Chaeyoung ecoou dentro do automóvel — Jisoo havia deixado o carro morrer, sem sequer tirá-lo pouco mais de cem metros do estacionamento da autoescola.

— Vai ser uma longa aula. — a instrutora afirmou.

E, de fato, Chaeyoung provou-se certa. Jisoo, em uma hora e meia de aula, esqueceu de dar a seta duas vezes, acelerou em um sinal amarelo e, por pouco, não colidiu com o carro em sua frente em um momento de distração — afinal, liquidação na única loja local da Chanel era motivo para desatenção imediata. Porém, apesar de todos os erros cometidos, Kim Jisoo efervescia com os deboches de Chaeyoung.

— Realmente não é necessário sinalizar, o cara atrás sabe exatamente o trajeto que você está fazendo. — foi o primeiro.

— Por que você não acelerou mais, Jisoo? Assim eu nem conseguiria ver o amarelo do farol. — em seguida.

— Está tentando limpar a traseira do carro com o seu para-choque, Jisoo? Não acho que seja muito eficiente. — finalizou.

Nos minutos finais, a Kim acreditou cegamente que o mar de sarcasmo havia, enfim, se acalmado. Contudo, quando derrubou um dos cones ao fazer a baliza para, finalmente, dar a aula como encerrada, Chaeyoung não conteve uma risada verdadeira e alta — daquelas que contagia todos ao seu redor, mas Jisoo estava colérica demais para afetar-se.

— Você é uma péssima instrutora. — reclamou, bicuda, desligando o motor do carro.

— Por que diz isso? — questionou a outra, sem dar-lhe muita atenção, ainda escrevendo algumas coisas na ficha da difícil Kim Jisoo.

— Você não deveria me ensinar a dirigir?

— Eu? — Chaeyoung riu novamente, provavelmente a décima vez naquele dia. — Suas aulas teóricas e de simulador são para isso, Jisoo. Eu só pontuo seus erros para garantir que você não os repita de novo. E pela raiva que está sentindo agora, parece que deu certo.

E como a ruiva estava, novamente, certa.

A irritação foi tamanha que, ao chegar em casa, Jisoo não poupou palavras para descrever a instrutora petulante para sua irmã, Soomin — quem fingia escutar cada detalhe, mas, na verdade, estava com sua atenção completamente focada em suas atividades e trabalhos da faculdade.

— Soomin! — Jisoo bateu a mão sobre a mesa na qual as duas estavam, fazendo a mais velha largar o lápis sobre o vidro.

— Jisoo, ela só estava fazendo o trabalho dela. — disse, calmamente, analisando a situação pelas poucas partes que acompanhara. As duas irmãs eram como polos distintos; enquanto a Kim mais velha possuía sangue quente, Soomin dificilmente se estressava por motivos banais do dia-a-dia. — Devia agradece-la inclusive, afinal, se você tivesse cometido essas falhas no exame final, já estaria reprovada, sem mais nem menos.

— Mas esse não é o ponto! — exasperou, passando a mão sobre os cabelos.

— E qual é, então?

Com uma pausa, respondeu: — Ok, talvez esse seja sim o ponto.

Soomin riu, levantando-se da cadeira, cuja já permanecia sentada por mais de uma hora, para estalar os ossos maltratados.

— O ponto é que você não gosta de ser contrariada, Jisoo. — sentou-se novamente, após satisfazer-se com os barulhos de estalo de seu pescoço e costas. — Faça as coisas da maneira correta e, assim, não precisará se zangar com a sua instrutora.

Apesar de ter torcido o nariz para as palavras de sua irmã, Jisoo revisou algumas observações em suas anotações feitas durante as aulas teóricas e aproveitou o tempo livre dos dias seguintes para reler algumas páginas do manual — entregue em seu primeiro dia — com todas as instruções para tirar sua habilitação despreocupadamente.

No sábado posterior, no mesmo horário, Jisoo estava preparada para mostrar à Chaeyoung a quão boa motorista ela poderia ser; não cometeria nenhum deslize e, como bônus, faria a Park permanecer calada durante todo o percurso, sem ter porquê destilar qualquer gota de sarcasmo.

— Coloque o cinto, por favor. — Jisoo pediu assim que a ruiva acomodou-se ao seu lado, um sorriso cínico em sua face.

— Bom dia pra você também, Kim Jisoo. — respondeu-a, exibindo os dentes perfeitamente alinhados de maneira forçada.

Ótimo dia para nós, Chaeyoung. — ligou o rádio, sentindo o olhar confuso da instrutora sobre si.

— O que há com você hoje? — perguntou, cerrando as sobrancelhas, confusa.

— Comigo? — fingiu ingenuidade. — Nada de novo, apenas a usual Jisoo.

Ao ouvir a garota falando de si mesma em terceira pessoa, Chaeyoung desistiu de tentar achar senso naquela pequena conversa matinal — estaria muito cedo e, concomitantemente, sua mente atrofiada, por algum motivo? Deu de ombros, marcando observações em sua prancheta — que, em outro dia, Jisoo tentaria espiar novamente, como fizera em sua primeira aula, porém, hoje, não era um dia qualquer; hoje seria o dia que Kim Jisoo se provaria capaz à instrutora de olhar dubitável.

Hoje, Kim Jisoo faria uma baliza tão milimétricamente perfeita que daria inveja aos dublês de Velozes e Furiosos. Dirigiria tão incrivelmente bem que, de fato, no fim da aula, aguardaria o chamado dos diretores de filmes de ação, visando emprega-la.

Colocando seus óculos escuros da Ray-Ban, a morena deu partida no automóvel. Aproveitou o clima ameno, ausente de ventanias, para abrir totalmente o vidro ao seu lado, sorrateiramente descansando seu braço esquerdo sobre o espaço.

— Jisoo, o que você está fazendo? — questionou Chaeyoung, analisando a pose da motorista completamente fora dos eixos.

— Dirigindo. — respondeu, simplesmente, sorrindo ao frear perante a um farol vermelho.

— Não estamos em um filme de Hollywood, Park Jisoo. — um riso baixo e desesperado escapou dos lábios da ruiva. — Dirigir com apenas uma mão no volante, na vida real, é considerado uma infração média; são quatro pontos!

— Ah, qual é!

Jisoo arrancou os óculos de seu rosto, irritando-se em questão de milésimos; não suportava mais escutar a voz de Chaeyoung repreendendo-a a cada mísero segundo, por cada deslize cometido — ainda que, novamente, esta fosse, justamente, a função da instrutora.

— Eu sei dirigir, ok? — afirmou, encarando brevemente a ruiva de maneira colérica. — Já treinei com o carro do meu pai e, para a sua informação, ele até sentiu inveja da minha pilotagem étera.

— Se você diz...

— É sério mesmo que você não tem nada bom para falar sobre mim? — o tom de voz da morena era de pura indignação.

— Jisoo, o que se há para elogiar em uma aula de direção? Meus parabéns, você é muito ágil para puxar o freio de mão? — debochou, um riso leve tornando-se audível aos ouvidos alheios. — Ou que consegue trocar de marcha na hora certa?

— Que tal um “Uau, Jisoo, parabéns por lembrar que em vias locais é somente permitido andar a quarenta por hora!”?

— Isso é algo obrigatório, Jisoo! — espalmou as mãos sobre as coxas, virando-se totalmente para a motorista irritadiça. — Não há porque eu te parabenizar por coisas que você deve saber.

— É por isso que essa geração é tão desmotivada. Por acaso, você vai dizer para os seus filhos “Não fez mais do que a sua obrigação” quando eles sucederem em algo? — retrucou, apertando o volante com mais força.

— Do que você está falando agora?! — Chaeyoung estava à beira de um surto. Jisoo realmente havia conseguido tirá-la do sério. — Não é a mesma coisa, é como comparar bananas com maçãs.

— Estou apenas te alertando sobre essa sua maneira de pensar, Chaeyoung. — ironizou, utilizando da mesma desculpa que a instrutora havia antes usado contra Jisoo para justificar seus deboches na primeira aula. — E tem mais...!

E, realmente, havia mais a ser dito. Contudo, isso foi exatamente antes de toda linha de raciocínio imaculadamente feita por Kim Jisoo ter sido despedaçada na mesma intensidade que a garota chocou com carro à sua frente — precisa e irreversivelmente.

 

 

Jisoo bebericava o restante de água no copo, intercalando em entre realmente beber o líquido e mordiscar o plástico do recipiente, em um claro sinal de impaciência. Já havia pouco mais de meia hora que estava de volta na recepção da autoescola, sentada em uma das cadeiras desconfortáveis do local e, apesar de ter os episódios de sua série favorita baixados em seu celular para distraí-la, a mente da garota estava fixada em outra coisa — mais especificamente, em alguém.

Após ter batido o carro, Jisoo prontamente deu meia-volta em direção ao estacionamento, completamente esgotada. O trajeto foi crucialmente silencioso; Chaeyoung não a olhou uma vez sequer e emudeceu. De primeira, Jisoo não deu importância para o comportamento da instrutora, afinal, nem a mesma queria dizer algo sobre o ocorrido. Porém quando Chaeyoung ignorou até mesmo os seus chamados ao descerem do veículo, Jisoo soube que precisava conversar com a instrutora para amenizar o clima entre as duas.

Em seu exato quarto bocejo, os olhos preguiçosos identificaram o resquício de ruivo entre as paredes do corredor; em seguida, as usuais pálpebras felinas confirmaram as suspeitas de Jisoo. Imediatamente, pôs-se de pé, encarando Chaeyoung, indicando o quanto queria conversar com ela.

O pequeno sorriso esperançoso que pintava os lábios de Jisoo, contudo, foi removido quando uma emburrada Chaeyoung passou ao seu lado, cerrando ombros consigo — quem dera se o humor da Park estivesse um terço tão doce quanto o perfume que a mesma destilava, pensou Jisoo.

Engolindo o orgulho que roçava-lhe a garganta, Jisoo sorriu uma última vez para a recepcionista, que cuidadosamente observava a cena, antes de rumar atrás da instrutora.

Desviando dos corpos e carros na rua, Jisoo firmemente prosseguia no encalço de Chaeyoung e correu para alcança-la no estacionamento. A destra da morena segurou agilmente a beira da camiseta da ruiva, firmando-a no lugar.

Sob o olhar julgador e sério de Chaeyoung, Jisoo prendeu a respiração: — Podemos conversar?

— Acho que nossa conversa no carro já foi o suficiente por hoje. — respondeu, irônica, afastando a mão de Jisoo de seus trajes.

— Estou falando sério, Chaeyoung. — insistiu, suplicante. — Eu sinto muito pelo o que aconteceu, não é como se eu quisesse ter batido.

Com um sorriso em seu rosto, retrucou: — Acabou? Tenho mais alunos para atender.

Antes que a ruiva pudesse dar as costas novamente, Jisoo a deteve, segurando o pulso alheio: — Chaeyoung! O que mais você quer que eu fale?!

— Que tal começar por essa sua atitude e pela ânsia de elogios, Jisoo, hum? — arqueou as sobrancelhas de modo debochado. — O mundo não gira em torno de você!

— Eu sei disso! Eu sei, Chaeyoung.

— E por que continua insistindo nesse comportamento? — franziu o cenho, mostrando-se realmente desapontada.

Observando cada detalhe do rosto da instrutora, Jisoo cogitou entregar-se de uma vez. Percorreu as pequenas imperfeições, a fina camada de maquiagem e a cicatriz no canto da boca da ruiva com o olhar, cuidadosa; tudo parecia atrair a morena numa intensidade inexplicável.

Mordendo seu lábio inferior, praguejou internamente antes de revelar: — Eu só queria atenção, Chaeyoung; a sua, exatamente. Não foi à toa que eu escolhi você para ser minha instrutora...

A Park piscou os olhos, arregalando-os em seguida; a pequena manivela passou a girar e as engrenagens tomaram seus rumos, fazendo as peças se encaixarem perfeitamente — Kim Jisoo acabara de admitir que estava a fim de si. Apesar do método decidido pela morena para atrair seu zelo não tenha sido o mais eficiente, Chaeyoung não pôde parar o rubor de encontrar com suas bochechas salientes.

Voltando a encarar Jisoo, manteve a expressão fechada, analisando-a.

— Eu sinto muito mesmo, Chaeyoung. Talvez eu me irrite um pouco fácil, mas essa nunca foi a minha intenção. Eu posso pagar pelo conserto também, se dinheiro for o problema; me responsabilizarei por tu...

A morena falante foi calada, enfim, pelos lábios hidratados da ruiva, num selo rápido, porém efetivo e esclarecedor — a atração era mútua. Os olhos de Jisoo quase saltaram de suas órbitas quando fitaram o sorriso — desta vez, genuíno — da Park tão próximo a si, fazendo-a corar.

— Recomendo que tente mudar a sua abordagem na próxima vez que estiver interessada em alguém. — comentou Chaeyoung, num tom brincalhão. — Assim podemos evitar mais acidentes.

— Isso é permitido? — Jisoo sinalizou com as mãos, indicando o que havia acabado de acontecer entre as duas. — Digo, você ainda é minha instrutora.

Agora você está interessada nas regras, Kim Jisoo? — levou as mãos à cintura, rindo da confusão ambulante que era a garota em sua frente. — Acho que terei de checar o manual, mas, se não me engano, ficar com a sua instrutora rende sete pontos na carteira.

— Infração gravíssima, então? — completou, sorrindo ternamente para a ruiva, aliviada por ter seus sentimentos correspondidos. — Contanto que venha o seu número na minha multa, acho que posso arcar com alguns pontos.

— Isso se você conseguir tirar a sua carta para receber a multa, certo? — provocou, dando as costas para a garota; seu próximo aluno já a aguardava, no horário das onze horas.

— Ya, Chaeyoung, eu sei dirigir!



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