História Sete Semanas Para Nos Tornarmos Amigos - Capítulo 21


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Categorias Fairy Tail
Personagens Cana Alberona, Erza Scarlet, Gajeel Redfox, Gray Fullbuster, Jellal Fernandes, Juvia Lockser, Laxus Dreyar, Levy McGarden, Lucy Heartfilia, Lyra, Mirajane Strauss, Natsu Dragneel
Tags Fairy Tail, Gale, Gruvia, Jerza, Long-fic, Miraxus, Nalu
Visualizações 61
Palavras 4.286
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Comédia, Fantasia, Ficção, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Ooiii genteeee!!! Trago pra vocês essa espécie de "Origens", só que não é bem Miraculous Ladybug...

Terminei esse capítulo ainda ontem, lá pelas seis. Tava indecisa se postava logo uma parte agora ou esperava pra terminar o resto e postar junto, mas essa já tem 4000 palavras, e o outro já tá quase nisso. Eu não queria fazer vocês esperarem tanto pra no fim eu juntar tudo, ver que ficou grande demais e ter que dividir em dois, pra ser espera por nada...

Enfim, espero que gostem! Boa leitura!!!

Capítulo 21 - Especial: Como Tudo Começou - parte 1


Natsu POV

Diversas divagações (de ódio, a maioria) sabotavam minha capacidade de pensar com clareza naquele momento, ou me concentrar em algo. Mas sabe, eu estava descendo a escada correndo. Aquela realmente não era a hora certa para aquilo.

Tropecei em meus próprios pés (é claro!) e saí rolando escada abaixo.

— Aiiii… — gemi baixinho.

Eu deveria colocar uma plaquinha no começo do corrimão, escrito em letras garrafais “não desça correndo”, devido à frequência com a qual isso acontece. É uma boa ideia. Fiz o lembrete mental de fazer isso assim que chegasse em casa, mesmo sem ter muita esperança de que realmente me lembrasse, e prossegui meu caminho.

— Sim… Claro. Entendo. — ouvi minha tia falando no telefone. — Eu sei… Só acho que… Realmente. Bom, Natsu ficará decepcionado, mas posso compreender seu lado. Avisarei à ele. Até mais, Igneel.

Parei no meio do caminho, com medo de prosseguir. Estava muito chateado por diversos fatores, mas os principais eram:

1. Ele nem pediu para falar comigo.

2. Aparentemente ele tinha feito mais uma coisa que iria me deixar magoado.

3. A quanto tempo eles se falam assim, por ligações, e minha tia não me diz? Ela tem noção que não tenho contato algum com ele desde que vim para cá?

Tomando fôlego, numa súbita onda de coragem, endireitei a coluna e marchei até a cozinha.

— Eu vou ficar decepcionado com o quê? — perguntei, desafiador.

Tá certo, está mais pra “exigi” que “perguntei”.

Me preparei para a bronca por estar escutando sua conversa, mas surpreendentemente ela apenas suspirou, como se estivesse se preparando para algo.

— Natsu… — disse ela, quase como se estivesse com medo de continuar — Seu pai… Ele não virá para o aniversário de morte de sua mãe. — senti-me congelar — Nem terá tempo para te ligar.

Me sentia travado. Eu compreendo que ele não venha no meu aniversário, no Natal, em qualquer dia que ele deveria vir. Eu admito que ele nunca responda minhas mensagens e nunca me atenda, menos ainda mande as mensagens ou ligue por iniciativa própria. Mas ter a cara de pau de não vir me buscar no aniversário de morte da mamãe para irmos ao cemitério (que fica em Crocus) em que ela está enterrada é o cúmulo. E, como se não bastasse, nem me ligar vai?! Pra me pedir pra ser forte ou qualquer caralho que um pai deveria dizer para o filho no aniversário de morte da mãe dele?

— Por que... — perguntei com a voz falha — Por que não...?

Grandeeney suspirou, cruzando os braços.

— Zeref… Você sabe, seu irmão mais velho… ele está indo para Crocus passar um tempo. E no dia seu pai o levará para um jantar de negócios importante para apresentá-lo a uns empresários.

— O dia todo?

Estava realmente frustrado. Meu pai nunca havia me levado à um de seus jantares de negócio, e seu outro filho só é uns dois ou três anos mais velho que eu.

— Não... — respondeu minha tia — Mas os preparativos ocuparão grande parte da tarde e… De manhã eles vão... Ahr… Sair para fazer compras.

Desviei do olhar de pena de minha tia. Certo. Isso sim tinha me ferido. Meu pai nunca havia saído comigo para isso, ou eu ia com empregados ou os empregados iam sozinhos. E agora ele estava me deixando sozinho num dia como aquele que estava chegando por uma futilidade como essas.

Senti meu estômago embrulhado, completamente sem fome. Peguei minha mochila e saí, sozinho, já que Wendy estava de atestado por uma torção no pé.

— Até mais... — despedi-me.

Gray POV

Encontrei Natsu no meio do caminho. Estava distraído com meus pensamentos, e só após sentir uma mão me segurando pelo pulso e piscar um par vezes, foi que compreendi que havia sido salvo de dar de cara com uma árvore.

Eu ainda me pergunto o porquê dessas árvores no meio da calçada. Pelo amor de Deus! Se é pra urbanizar, urbaniza direito. Deixa as árvores pras praças e pros parques, se tem tanta vontade de deixar elas no meio da cidade!

— Cara, tudo bem? — Natsu me perguntou.

Apenas assenti, sem muito entusiasmo. Sim, eu sei que isso não passa muita credibilidade, mas sinceramente, uma das minhas últimas preocupações agora é fazer Natsu acreditar em mim.

— Nossa. Ninguém acreditaria nisso. É sério. Ninguém. Ninguém mesmo. Ninguénzinho. Nem u-

Ri dele adicionando mais e mais exageros à frase já exagerada à princípio.

— Eu já entendi… — falei.

Ele sorriu, aparentemente orgulhoso por me fazer rir.

— Então? Vai me contar o que aconteceu?

Meu sorriso morreu.

— Nada demais.

Natsu me repreendeu com o olhar.

— Demais ou não, quero saber o que tá pegando com meu amigo!

Suspirei.

— Eu… Ahn… Discuti com Ultear.

Natsu piscou confuso.

— Ahn… Tá. E a novidade?

Mordi o lábio inferior, chateado pela lembrança.

— É que minha m-… Ur iria nos dar carona. Ultear basicamente começou a discutir comigo pelo banco do carona, sendo que Ur já havia prometido ele para mim.

Natsu deu de ombros.

— E onde está o problema?

— No que ela disse…

— O que ela disse?

— Ahn…

Flashback On

— Não! Eu vou no carona! — berrou, fazendo birra.

— Ultear, para de fazer escândalo! Mamãe já disse que vou ser eu. — olhei para Ur — Certo, mãe?

Ela se encontrava perdida. Se Ultear continuasse com o drama, ela cederia, para que Ultear sossegasse.

— Uhm... Bem…

— Isso não é justo! — berrou para Ur — Ele nem seu filho é! Eu sou sua filha, eu deveria ir do seu lado!

No instante em que terminou sua fala, Ultear virou-se para mim, como se não tivesse percebido o que estava dizendo até que terminasse de falar.

Aquilo me machucou. Muito. Em silêncio, peguei minha mochila e fui andando.

— Pode ir na frente, do lado da sua mãe. Eu vou à pé.

Flashback Off

— Gray… — Natsu me chamou, estalando os dedos na frente do meu rosto — Eii… Tá aí?

Olhei para o lado, confuso.

— Hmn?

— Você ia dizendo…? Sobre o que Ultear te disse que te deixou estranho.

Pensei um pouco, antes de responder. Não queria deixá-lo preocupado sem necessidade.

— Nada demais.

Natsu suspirou.

— Você não vai mesmo dizer?

— Não é nada. Só uma discussão como… Ahn… Todas as outras.

— Você tá pensando antes de falar e gaguejando muito pra uma… Ahn… Simples… Ahn… Discussão.

Rindo, dei um soquinho de brincadeira em seu braço.

— Eu vou ficar legal.

Então entramos na escola. A primeira coisa que reparei foram as meninas, todas abraçadas e pra baixo, sentadas no chão, o que era estranho, pois cabem três pessoas por banco e tinham uns cinco bancos livres.

A segunda coisa que reparei foi o outro grupinho que tem na minha sala. Eram como nós, sempre juntos, porém, com um diferencial: você sempre vai ver eles com um sorriso no rosto.

Reparei na menina do cabelo azul. Ela era irmã do outro garoto. Eu nunca via ela brigando com ele por coisas estúpidas, na verdade, eles nunca brigavam. Ela parecia ser o tipo de irmã carinhosa e protetora. Parecia uma pessoa doce. Amável.

O completo oposto de Ultear.

Queria que aquela garota fosse minha “irmã” (afinal, se Ur não é minha mãe, nas palavras dela, então somos irmãos entre aspas). Eu até a admirava, um pouco.

O problema era: em oito meses de aula, nós nunca nem trocamos um “oi”. Isso meio que significava que jamais seríamos amigos. Nunquinha.

Isso me deixava ainda mais triste.

Mirajane POV

Fui pra escola sozinha.

Acordei mais cedo, preparei o café, deixei dinheiro para o táxi, pedi para que Sagittarius acordasse meus irmãos para mim (vai por mim, ele vai acordar eles, nem que mordidas sejam necessárias para isso), deixei um bilhete dizendo que tinha que comprar algo antes da aula e fui.

Eu não estava com fome quando saí, mas levei dois sanduíches e um suco por precaução. Também não tinha acordado nem um pouquinho em cima da hora, mas estava andando tão devagar para conseguir colocar meus pensamentos em ordem, que quando cheguei a escola já estava cheia e até avistei meus irmãos em um canto, com seus amigos.

Olhei as horas. Ainda faltavam uns bons onze minutos antes de o sinal tocar. Rumei para os fundos da escola, mas precisamente o estacionamento, e me encolhi atrás de um carro que estava bem do lado da parede, ficando no espaço entre um e outro.

E foi ali, e só ali, que eu botei tudo para fora. Chorei tudo que tinha para chorar, e quando terminei, uns quatro minutos depois, estava bem melhor.

Assim que saí de lá, avistei um carro parando bem de frente ao lugar que eu estava, e me escondi atrás de uma árvore para que não me vissem.

— Fala sério, pai! — ouvi um menino reclamar — Não somos mais crianças, beleza?!

— Fale por você! — uma garota disse — Desde que eu continue recebendo carona pra escola, pode me chamar até de bebezona!

— Bebezona! — o garoto não perdeu tempo em dizer.

Ouvi um barulho estranho, como se fosse de impacto.

— Ai! — o mesmo menino gritou.

Arrisquei uma espiada do lugar de onde eu estava. Vi ali uma menina loira, um homem adulto e um garoto que eu conhecia de vista, por ser da minha sala.

O homem bagunçou o cabelo do menino.

— Deixa de reclamar, filhão! — disse, e então entrou no carro — Venho buscar vocês na volta também!

— Ah não! — o loiro reclamou.

— Amo vocês — o homem disse, antes de ir embora.

A verdade? Eu queria ser ele. E isso era o bastante para que tivesse vontade de fazê-lo pagar.

Erza POV

Bufei, jogando minha mochila em qualquer canto do chão e deitando-me no mesmo.

— Eu. Estou. Cansada! — disse, num suspiro.

Levy era a única que já havia chegado. Veio até mim correndo, quando me viu.

— Er-chan! — cumprimentou animada, mas estancou no lugar ao perceber minha expressão frustrada — O que aconteceu?

— Meus irmãos aconteceram! Eles são filhos dos pais, mesmo!

Levy suspirou, pesarosa.

— Eles estão sendo competitivos novamente. — afirmou.

Era para ser uma pergunta. Mas isso é tão frequente que nem é mais surpresa.

— O que houve dessa vez?

Esfreguei minha cara, nervosa demais.

— Você acredita que Milliana empurrou Sho quando o ônibus veio? Eles estavam apostando corrida e ela o empurrou! Quase que ele não pega o ônibus! E, como se não bastasse, no final, ela só deu de ombros pro joelho ralado dele! Isso não é irmã, isso é um animal! Sabe o pior? Ele só ficou chateado por ter perdido! O mundo está acabando, mas sua maior preocupação? Perdi pra minha irmã! E ele nem alegou ser trapaça! Sabe por que? Regra dos Scarlet: Cada um por si, e tudo é válido na arte da sobressalência! Cara, eu não tenho uma família! Eu tenho um bando de doentes mentais que vivem sob o mesmo teto que eu!

Levy ergueu as sobrancelhas. Sentou-se ao meu lado.

— Oh. — disse, apenas.

Eu também não saberia o que dizer se uma amiga minha chegasse em mim reclamando dos parentes loucos dela.

Apoiei meu rosto em minhas mãos, respirando fundo e permitindo-me raciocinar com clareza.

— Tudo bem, Le. Não é problema seu, não se incomode.

Levy fez bico, chateada.

— Claro que é problema meu. É problema de uma amiga minha. Eu quero te ver feliz, Erza…

— Certo… — suspirei — Vamos… Vamos andar um pouco, pela escola. Enquanto o resto do pessoal não chega.

Ela assentiu.

— Claro.

Entrelaçamos nossos braços e fomos andando pelo pátio.

Ao chegar na outra extremidade, nos deparamos com um grupinho. Já os conhecíamos, eram da minha turma.

Quando dei por mim, Mira estava junto a nós, mais desanimada que eu e Levy juntas. Ela cruzou os braços e se prostrou ao nosso lado, olhando para o grupo que encarávamos.

Eles estavam rindo, felizes. Sem preocupações. Eram cinco, também. Mas eles estavam alegres. O que mais me chamou a atenção foi o tatuado. Por quê? Ah, veja bem… Inveja, talvez. Meus pais jamais me deixariam ter uma tattoo como aquela. E a azulada era irmã dele, pelo que me lembro. E eles não estavam discutindo. Nunca os vi brigando. Eles sempre estavam como estão agora. Leais um ao outro. Abraçados de forma protetora, como se um fizesse parte do outro.

Apertei meus punhos, sentindo a inveja me corromper por completa. Lágrimas ameaçavam despontar em meus olhos, de puro ódio. Por que ele merecia ter uma boa irmã e eu não? O que ele havia feito que eu nunca tentei?

Levy POV

E foi assim que meu ódio por eles começou. Quando vi como simplesmente olhar para eles fazia mal à Erza.

Era um defeito meu, concordemos. Muitos dizem que eu faria uma perfeita sonserina [1] e que seria a Clarisse [2], de Percy Jackson. Encaremos os fatos: sou a porra de uma lufana [3] e o Percy [4] mesmo, com toda a merda da lealdade dele.

E eu ODIAVA isso. Que vá pra puta que pariu toda a lealdade do mundo!! Eu cansei de pegar as dores dos outros e assumir como minhas!! CAN-SEI!!

Mas finalizando o momento revoltado: se eu sou o Percy, a Erza é Annabeth [5], com o inferno do orgulho dela. Sabe o que isso significa?! Que enquanto eu assumo dores que são dela como minhas, ela nem as dela assume direito.

Sabe o que isso significa? Nada, mesmo, só que o orgulho dela me tira do sério.

Puxei-a pela mão, delicadamente, e indiquei a cabeça em direção aos bancos.

— Vamos… — sussurrei para as duas.

Andamos em direção ao lugar onde Erza e eu estávamos à princípio. Ao sentarmos, eu e Erza no banco e Mira no chão (o que estranhei, geralmente ela e Natsu eram os que mais faziam questão de ficar no banco), a albina disse:

— Chegou hoje.

Erza e eu suspiramos. Imediatamente, sem precisar de um segundo sequer para pensar, nós duas descemos do banco e ficamos uma em cada lado de nossa branquela favorita, abraçando-a.

— Ô, Mirinha… Logo você vai estar se sentindo melhor…

— É, amorzinho. Tudo vai ficar bem. Você vai ver. Vai conseguir esquecer aquele homem.

Um dia por mês.

Era sempre assim. Mira era a mais alegre de nós. As piadas que causavam nosso bom-humor, a luz que iluminava nossos dias, a razão de termos motivação para nos levantar no dia seguinte. Mas, no entanto, desde que nos conhecemos, seis meses atrás, quando o grupo começou a andar junto, em março, sempre tinha esse dia.

Uma vez por mês.

Seu pai era um babaca. Esse é o resumo da história toda. Ele negligenciara os próprios filhos e os abandonara à própria sorte. Mira havia perdido a mãe, então, sem o pai, era, basicamente, ela e os irmãos sozinhos no mundo, um cuidando do outro. Ou melhor: Mira cuidando deles e se virando sozinha.

Ela era a mais forte de todos nós. Sofreu tanto, e ainda assim, tinha coragem todos os dias para erguer a cabeça e marchar para mais um dia cansativo. Tinha disposição para causar um sorriso em cada um. Era a mais ferida, porém a responsável por nossas curas. Mesmo assim, de qualquer forma, todos tinham um dia onde fraquejavam. Nem mesmo ela era imune à dias mais depressivos.

Esses eram seus dias. Quando seu pai enviava a porra de quatro envelopes com dinheiro como se isso bastasse para a alegria dos filhos. Como se a porra do dinheiro suprisse a necessidade deles do próprio pai. Como se aqueles pedaços de papel simplesmente fizessem com que a ausência dele não importasse mais.

Sim, ele é um tremendo filho da puta e todos sabemos disso.

Esse era o dia em que nos sentíamos perdidos, sem ter um rumo. A Mira era a alegria do grupo, não nós. Era o dia em que todos passavam tentando (inultimente, perceba) animá-la, e nos achávamos um bando de idiotas por estar sempre tristes por problemas infantis. Me sentir sozinha...? Isso não é nada se comparado ao que Mira passou.

Natsu e Gray chegaram logo, juntos. Gray estava muito pra baixo, e Natsu não estava muito melhor, porém tentava não demonstar e dava tapinhas carinhosos nas costas do amigo. Eles ficaram muito mal ao notar o estado de Mira, mas de certa forma, ficaram mais animados, por esquecer os próprios problemas se focando nos dela.

Poucos minutos depois o sinal tocou, e todos nos levantamos para ir para a sala. Porém, houve um pequeno imprevisto quando estávamos entrando na sala: aquele brutamontes atropelou a minha Mirinha.

Tipo, literalmente isso. Faltava só eu e Mira entrarmos, e ele veio desembestado e saiu atropelando ela. A coitada até caiu no chão!

Normalmente ela armaria o maior barraco por isso. Gritaria, espernearia, ia comprar briga, fazer birra, fingir chorar, pra, por fim, cair na porrada.

Mas ela estava tão frágil que apenas se levantou e caminhou até o lugar dela.

Acho que isso foi o que mais me quebrou. O fato de ela simplesmente caminhar até o lugar dela me machucou mais do que a queda dela deve tê-la machucado. Aquilo queimou em mim. Começou como apenas uma mágoa em relação à atitude da minha amiga. Aos poucos transformou-se em um ódio profundo direcionado unicamente àquele metaleiro de merda.

Ah, mas se raiva matasse…

— Quem você pensa que é?! — berrei.

Ele arqueou a sobrancelha.

— Ahn… Gajeel RedFox, prazer. E qual é o nome da baixinha?

Foi nesse momento que eu alcancei o auge do meu ódio.

— Você pensa que pode passar por cima de todo mundo, né?! Deixa eu te contar uma coisa: Você não pode! Respeito é o mínimo que é exigido de você, ok?! Você não tem o DIREITO de tratar as pessoas como bem entende!

O tal do RedFox franziu o cenho.

— Isso tudo foi porque eu trombei na sua amiga? Não foi por mal. Ô branquela! — Mira, que estava com a cabeça deitada na mesa, levantou o rosto — Foi mal aí, beleza?! — Mira apenas assentiu.

Fiquei indignada com aquilo tudo. Quem aquele armário de piercings pensava que ele era?! – Sim, eu sei que ele já respondeu essa pergunta.

Num momento de explosão, reuni toda a força que eu tinha (não era muita) e o empurrei.

Eu era uma abelha tentando empurrar um elefante. Porém, essa abelha aqui conseguiu pegar o bicho de surpresa.

Ele provavelmente teria conseguido se reequilibrar, só que uma outra garota vinha logo atrás e no meio de tudo ele pisou no pé dela, que se desequilibrou, aí ele tentou se segurar nela, que era muito fraquinha pra aquele peso, por isso meio que empurrou ele de susto, que quando caiu puxou ela junto pelo braço.

Deu pra entender? Não. Mas foi divertido de olhar.

— Lucy! — o armário escroto exclamou — Descupa!

A garota apenas se levantou e estendeu a mão para o amigo, sorrindo.

— Tudo bem.

Magicamente, Natsu havia aparecido ao meu lado em algum momento. E quando a menina passou por ele, Natsu, por algum motivo (não me pergunte qual), berrou um “BÚÚ!!!” pra ela, que pulou de susto e só não caiu de novo porque se apoiou em uma mesa.

— S-sin-sinto muito… — gaguejou, colocando-se no chão e olhando somente para baixo — C-com licença... — murmurou, sem levantar o olhar nenhuma vez.

Olhei idagativa para o rosado, que se encontrava de cenho franzido. De sua boca saiu somente um murmúrio:

— Garota mais morta…

Então, o professor entrou na sala e todos fomos para nossos lugares.

Natsu POV

 Me perdi de meu grupo. Maravilha! Minha vida não poderia ser melhor!

Já tinha olhado em tudo quanto era canto do refeitório, pátio e procurado no banheiro masculino. Das duas uma: ou Gray havia dado um jeito de entrar no banheiro feminino com as outras, ou eles estão me procurando também, e por isso estamos nos desencontrando.

Eu preferia acreditar na segunda opção. Poréééém… Prevenir não custa nada, né? Caminhei na direção do banheiro feminino.

A porta estava, estranhamente, fechada. Eu não tinha a menor intenção de entrar, porém puxei a maçaneta e dei uma empurradinha mesmo assim. Não moveu um centímetro.

Ouvi uma voz, bem alta e próxima (foi dessa forma que descobri que a porta não estava trancada, mas sim que alguém a estava segurando), falar:

— Alô? Papai! Você demorou pra atender!

Franzi as sobrancelhas. Quem era? Agucei os ouvidos e encostei um deles na porta.

— Então... Preciso falar com você. Sei que pretende vir para Magnólia esse fim de semana. É simples: Não venha. Ah, não… Papai!… Calma, deixa eu explicar. Mamãe, Yukino e eu estamos planejando uma noite das garotas perfeita há dias. Júvia, Kagura e tia Anna até virão ficar com a gente! E eu sei que a mamãe não teve coragem de te dispensar. Falo isso pro seu bem, você vai ficar deslocado. Ei… Cal-... Pai! É só um fim de semana cancelado, homem!… Deixa de exagero, você aguenta uma semaninha a mais sem ver a gente… Eu tô te avisando pra não vir... Droga, não vem! — o sinal de final de intervalo tocou — Conversamos melhor mais tarde, mas por hora, pense nas minhas palavras.

Ouvi alguns ruídos, como se ela estivesse se levantando, e me afastei da porta. De lá, saiu a loira da minha sala.

E eu não pude evitar odiá-la por não saber valorizar o que tinha. Um ódio mortal, misturado, por incrível que pareça, com mágoa e rancor.

Levy POV

Estávamos todos em minha casa. É algo bem frequente, na verdade. Já que eu sou a única que mora sozinha, e tals… Não que os pais dos meus amigos saibam desse pequeno fator.

Dessa vez, nos reunimos em motivo do desânimo de Mirajane. Ela estava nos deixando realmente preocupados. Quer dizer, ela não estava tão calada e sem reação quanto fica normalmente – tem vezes que fica parecendo uma morta-viva –, mas ainda assim, estamos acostumados a conseguir arrancar ao menos duas risadinhas dela.

A menina nem sorriu pra NE-NHU-MA das nossas palhaçadas, o dia todo!

Neste exato instante? Estamos praticamente implorando pra que Mira sorria! Todos nós.

— Quatro patinhos na beira da lagoa... — Natsu está cantando — Eles gritam: Ai que água boa!! — berramos todos. — batem as asas: Quak, quak, quak! Abrem o bico: quik, quik, quik!

Nada. Nem um músculo se retraiu na bochecha. A. Exata. Mesma. Coisa.

— Chega! — berrou Erza — Eu tô cansada disso, já! Ô criatura, se você não está feliz, se importa de pelo menos FINGIR um sorriso?! É que assim não tá dando!

Mira deu um sorriso forçado.

— Erza! — repreendi.

— Que é? — questionou, irônica — É a verdade. Nós estamos praticamente bancando os idiotas. Nos tornamos os palhaços particulares dela! Se agir como seres humanos civilizados e os bons amigos que nós somos não está funcionando, talvez esteja na hora de começar a ser negativos! Quem sabe ela não acha engraçado ver a nossa paciência estourando? É a CARA da Mirajane!

Natsu riu maleficamente.

— Vamos partir para o lado negro da força! Mira, diz o nome de alguém que você odeia! A gente vai fazer ela sofrer, MUITO!!

Ele tava assustador.

— Isso não é bem uma boa ideia… — afirmei.

— É — concordou Erza —, isso ultrapassa alguns limites, sabe?

— Nah! — faz Natsu — Que nada! De boa! E aí, Mira? Fala.

Mira havia erguido a cabeça e tinha pela primeira vez um brilho de animação no olhar.

— O loiro… O do grupo daqueles cinco que tão sempre juntos… Eu não gosto dele.

Hesitei.

— Amiga… Não é justo isso. Digo, cinco contra um? Queremos mesmo te animar, mas isso?

Vi o brilho que tinha nascido em seus olhos fraquejar.

— Mas não quero que façam isso. Sou eu que não gosto dele. Eu que tenho que… Vocês sabem. Só queria… Ajuda pra pensar? Apoio moral?

— Mira, sabe, eu também não gosto daquela loira — Natsu disse sem rodeios — E eu tô ligado que a Levy não vai com a cara do moreno e o Gray não consegue engolir aquela azulada.

— Quê?! — questionei, espantada.

— Eu?! — Gray tentou confirmar, aparentando estar indignado — Por quê?!

Natsu balançou a mão para a frente e para trás, como se dissesse “sim, sim, tanto faz…”

— É, é, vocês... Digo, a Levy quase matou o menino hoje de manhã, e o Gray não para de encarar a menina do cabelo azul, lá…

Gray enrubesceu.

— Tem razão, não suporto ela!

— Eu também não gosto muito daquele tatuado... — resmungou Erza.

Natsu a olhou maravilhado.

— Perfeito! Uma rebelião em massa! — concluiu.

— Natsu, não é uma rebelião… — Gray disse, como se estivesse explicando quanto é um mais um pra uma criança de quatro anos — É um bando de louco aprontando com um monte de gente inocente que não fez nada…

Natsu bufou.

— Sabe que é isso que me irrita nela? Aquela menina não faz nada. Parece uma pedra!

— E se ela for um shabti [6]? — murmurei.

Em que momento eu associei essa conversa às Crônicas dos Kane?

— Uhm? — resmungou Erza.

— Nada.

Olhei para Mira. Um sorriso estava ensaiado em seu rosto.

— Pegadinhas em grupo? — perguntou, com o sorriso abrindo mais — Isso sôa legal.


Notas Finais


1- Sonserina é uma das casas de Hogwarts. É vista como a casa dos vilões, mas na verdade, lá apenas estão pessoas um pouco mais ambiciosas.

2- Clarisse é filha de Ares. Foi vista como má por um tempo, mas depois percebemos que ela apenas tem um jeitinho marrento de resolver as coisas.

3- Lufa-Lufa é outra casa de Hogwarts, a casa dos leais.

4- O defeito fatal de Percy, aquele que pode um dia levá-lo à derrota, é a lealdade, já que ele sempre põe os que ama acima dele próprio.

5- O defeito fatal de Annabeth é o orgulho, e ela gosta de sempre resolver tudo sozinha.

6- Shabti são estátuas de cera consideradas mágicas utilizadas no Egito Antigo.

Espero que tenham gostado do capítulo! Eu venho tendo pouco tempo por causa do meu TCA, ainda. Era pra apresentação ter sido no dia 16, primeiro, por isso eu comecei a correr. Aí adiaram pro dia 29, mas ainda assim eram uns 20 cartazes pra fazer, uma apresentação no PowerPoint e as falas. Enfim, foram adiando, adiando, adiando, agora é semana que vem e meu grupo tá com tudo pronto, o que libera um tempinho aí. Se notarem que eu tô demorando de novo, é, provavelmente, porque agora que tô com tempo livre tô afundando nos livros acumulados durante o ano.

Até o próximo capítulo!!❤❤❤


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