História Setembro Amarelo - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Personagens Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Sasusaku, Suícidio
Visualizações 157
Palavras 2.666
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Insinuação de sexo, Suicídio
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Sobre essa one que a autora molenga escreveu e a cada 100 palavras descia uma lágrima...
Dedico à Shin, minha gêmea, que ficou morrendo de ansiedade e me cobrou bastante, hahahaha, ta aí
Boa Leitura!
Edit1: Não é setembro, mas todo o ano deveria ser amarelo!

Capítulo 1 - Capítulo Único


Setembro Amarelo

Capítulo Único

 

 Ela anda de um lado a outro pelo quarto, incerta de se deveria mesmo fazer aquilo.

 Os remédios em suas mãos parecem refletir a luz da pálida lua que lá no céu está, e passando em frente ao espelho, estanca no lugar em que estava para avaliar a si própria.

 O que ela tinha de valor?

Seu corpo não era bonito, era magra demais.

 Seu cabelo era opaco e sem vida, por mais colorido que fosse. Olheiras enormes manchavam sua pálida pele por baixo dos olhos verdes sem brilho algum.

 Refletiu que ninguém gostava dela na escola, ela constantemente se sentia excluída nos grupinhos. Os poucos que podia chamar de seus amigos eram incríveis, e com toda a certeza desse mundo sentiriam os efeitos colaterais da decisão que ela havia tomado.

 Por um momento, pensou em sua mãe e seu pai, logo antes de pensar no irmão de vinte anos, dois anos mais velho que ela.

 Eles superariam. De qualquer forma, ninguém ligava para ela mesmo.

 Sentou-se em sua cama e tomou todas as cartelas de comprimidos que conseguiu encontrar no armário da cozinha.

 Deitou-se.

 Encarou a lâmina de seu apontador e, por um segundo apenas, hesitou. Logo afastou qualquer barreira que a impedisse e pegou a lâmina entre as unhas descascadas de esmalte cinza.

 Deslizou o metal afiadíssimo suavemente por toda a extensão de seu antebraço, o vermelho começou a tingir seus lençóis brancos.

 Sakura fechou os olhos e esperou a escuridão lhe acolher.

 

 Sasori chegou à casa em que seus pais e sua irmã moravam pontualmente às oito da noite.

 Sua mãe, Mebuki, servia a mesa graciosamente com o sorriso leve que sempre levava no rosto.

 Seu pai, Kizashi, estava sentado na sala lendo o jornal que nunca dava tempo de ler durante o dia.

— Sasori, querido! — Sua mãe veio ao seu encontro e lhe deu um beijo estalado no rosto. — Como está?

 Sasori sorriu minimamente.

— Bem. — Respondeu. — Onde está a minha irmãzinha?

— No quarto, como sempre. — Kizashi revirou os olhos, se divertindo como sempre por nada em especial.

 Sasori correu escada acima, tinha uma novidade para contar para Sakura e estava ansioso.

 Parou em frente da porta branca do quarto dela e, por um pequeno momento, sentiu uma sensação estranha, mas resolveu ignorar.

 Abriu a porta e viu o quarto escuro, e Sakura repousava em sua cama serenamente.

 Abriu um sorriso, a coitadinha deveria estar cansada, ela era muito dedicada aos estudos e isso às vezes a sobrecarregava.

 Fechou a porta silenciosamente e se virou para ir para a sala novamente, mas se deparou com a mãe nas escadas.

 Mebuki tinha os olhos arregalados de um jeito estranho, e passou correndo por Sasori, porém antes que ela alcançasse a porta, ele a impediu.

— Ela está dormindo.

 Mebuki olhou para o filho.

— O armário da cozinha está vazio. — Disse ela.

— Qual? — Sasori expressou confusão.

— Os remédios...

 Sasori soltou a mãe e ambos correram para o quarto de Sakura, acendendo a luz e correndo até a moça de cabelos rosados.

 Os lençóis estavam tão encharcados que pingavam no chão o líquido escarlate, este que já havia formado uma poça.

 Mebuki gritou o nome do marido que correu às pressas para o quarto da filha caçula e a encontrou nos braços de Sasori, já a levando para o carro para ir em seguida ao hospital.

 Sakura ainda tinha pulsação, ainda tinha cor, calor. Ela ainda estava viva.

 É uma pena que ela não tenha resistido até chegar ao hospital.

oOo

 Nos conhecemos em vinte e um de setembro do ano passado. Os Ipês estavam floridos, e as azaleias estavam desabrochando.

 Tudo era amarelo, o nosso setembro amarelo.

 Saí da cantina com o meu milk shake de chocolate. Eu não prestava a mínima atenção no caminho, e acho que foi por isso que acabei esbarrando em alguém.

 Quando vimos, ambos estávamos no chão, e você havia conseguido salvar o meu milk shake.

 Sakura Haruno, você disse quando eu perguntei seu nome, e eu me apresentei para você como Sasuke Uchiha.

 Você era a novata que Ino, Temari e Tenten falavam com tanto desprezo. Elas se achavam o máximo só por serem as líderes de torcida gostosinhas mais rodadas que pneu de caminhão.

 Mas você era diferente delas, não tentava se igualar, não passava maquiagem, se vestia de maneira discreta, gótica suave, como você mesma me dizia.

 E eu te adorava.

 Adorava por seu jeito autêntico, sua risada esganiçada.

 Não demorou para que eu me apaixonasse por você.

 Passamos a fazer tudo juntos, até o emprego de meio período que arrumamos na mercearia da senhora Tsunade Senju foi em conjunto.

 Você era meio punk rock, eu cresci no hip hop, mas você combinava mais comigo que meu suéter favorito, assim como a música da Lana que ouvíamos dividindo o meu fone de ouvido no intervalo da escola.

 A sua playlist era dedicada fielmente à Lorde, Tove Lo, Melanie Martinez, enquanto a minha era um culto a Guns N' Roses, Arctic Monkeys e Panic! at the Disco.

 Sim, éramos diferentes em alguns aspectos.

 Você gostava de doces, dizia que poderia viver de trufas de nozes até o fim da sua vida, e eu corria longe.

 Você tinha um tique nervoso quando muita gente olhava para você, mordia o lábio inferior e mexia no seu cabelo cor de rosa.

 Ah, sim, o seu cabelo era cor de rosa, tingido, mas era rosa, enquanto o meu era bem preto, muito comum.

 Acho que já deu para entender que a gente vivia junto, não é?

 Até Tsunade começou a tentar aproximar nós dois.

— Vocês formam um casal muito fofo. — Dizia ela.

 Você tinha uma amiga, apenas uma, mas a mais fiel de todas, Hinata, a editora-chefe do jornal da escola.

E eu tinha meu fiel companheiro, o capitão do time de futebol americano, Naruto.

 E nós dois éramos dois inúteis, como você costumava comentar.

 Qual é, Sakura?

 Só porque participávamos do clube de leitura, onde apenas aquele garoto estranho, mas muito simpático chamado Kiba, participava além de nós? E daí que a gente fazia tudo, menos ler?

 Era divertido quando você passou a visitar minha casa, Mikoto, minha mãe, te adorava, e meu pai, Fugaku, disponibilizava um tempo para sair do hospital onde trabalhava para lhe dizer um olá, ou fazer aqueles legumes na caçarola que você lambia os beiços, até meu irmão Itachi, que fazia faculdade na França, fazia chamadas de vídeo para te dizer um oi, e quem aguentava os risinhos maliciosos dele era eu depois que você ia embora e ele me ligava em chamada de longa distância, mesmo que eu jurasse que você só ia até minha casa para estudar em época de provas.

 Eu não era popular na escola, e nem você, eu tinha uma ou outra garota no meu pé, e você tinha um ex-namorado, Gaara, lembra? Ele ficou com você por causa daquela aposta, e passava por voltas e rompimentos constantes com a líder de torcida Ino.

 Não demorou até que Naruto e Hinata parassem de implicar um com o outro e começassem um relacionamento, eles nunca vão saber quem trancou eles na sala do almoxarifado, mas esse vai se perpetuar nosso segredinho, okay? Okay.

 Então, por um tempo, você teve paz, mas logo as líderes de torcida voltaram a te encher o saco, e Gaara voltou a espalhar boatos de como você era gostosinha na cama, mesmo que você, eu, Hinata e Naruto soubéssemos que nunca rolou nada entre vocês, e ele também sabia, mas preferia espalhar essas mentiras sobre você para se parecer mais como homem e menos como moleque.

— Que isso, gente, não se preocupem comigo. — Você dizia sorrindo e estreitando seus belos olhinhos verdes.

 E quanto mais o tempo passava, mais encantado eu ficava por você.

 Você não era fresca como as outras garotas, eu te levava para comer e você se aproveitava da minha boa vontade e pedia o maior hambúrguer e refrigerante com fritas para comer, e comia tudo, e mais um pedaço do meu.  Eu não sabia como você conseguia ser tão miudinha.

 Dava para conversar sobre tudo contigo, seu repertório de conversa ia desde sobre a questão da Palestina até se quem veio primeiro foi o ovo e a galinha, e nossa...

 Como você falava.

 A sua voz era doce, gostosa de ouvir, e eu não me importava de ouvir seus monólogos interrompidos por um e outro “hm” de minha parte, e você se sentia confortável em conversar comigo, e isso era o mais incrível, o jeito que você confiava em mim.

 Eu lembro daquele dia no clube, Sakura.

 Aquele dia em que Kiba quebrou o braço brincando com um cachorro de rua, e nós ficamos sozinhos.

 Você foi procurar um exemplar de Jane Austen, Lady Susan, se não me engano, e eu estava procurando um Thomas Hardy, mas nossas mãos esbarraram e os livros caíram, e assim que fomos juntar do chão, nossas mãos se tocaram como em filmes bem clichês, nossos olhos se encontraram, e não sei dizer quem beijou quem primeiro, apenas sei  que eu estava querendo fazer isso fazia muito tempo, e o seu corpo me dizia que era recíproco.

 Passamos a nos encontrar em lugares inusitados, debaixo de árvores, atrás de pilares, corredores vazios, e isso perpetuou por algumas semanas, até eu conhecer os seus pais, mas éramos apenas amigos, embora a gente tivesse se apaixonado um pelo outro, não tínhamos coragem de revelar nossos sentimentos e sentíamos medo de estragar o que havíamos conquistado.

 Até que um dia a minha casa estava vazia, e acabamos transando.

 E foi muito bom.

 Não era a minha, mas era a sua primeira vez, e você disse que foi perfeita.

 Lembro muito bem de seus suspiros sôfregos enquanto eu arremetia para dentro de você lentamente, um gingado acompanhado de seu quadril travesso que rebolava contra mim pedindo por mais e mais.

 Seus olhos verdes transbordando prazer, sua cabeça jogada para trás e sua boca aberta por onde saíam gemidos e palavras desconexas acompanhadas de meu nome era a visão do paraíso.

 Mas então, um dia você me mandou uma mensagem de voz estranha.

— Desculpe, Sasuke, estou doente e preciso desaparecer por alguns dias, avise Tsunade.

 E você sumiu.

 Não ia mais a escola, não aparecia no trabalho.

 Eu te ligava, e você não atendia.

 Cheguei a ir algumas vezes até a sua casa, mas você não abria a porta, eu apenas escutava a sua respiração do outro lado e um grito mudo para que eu fosse embora.

 E eu fui.

 Algumas semanas depois eu descobri o motivo de sua reclusão.

 Parece que Ino fez uma montagem bem tosca com a sua foto do anuário, onde ela colocou seu rosto em um corpo de uma garota nua, e espalhou.

 Todos tinham a “sua” foto, e Gaara ajudou a propagar o boato.

— Eu fui a primeira pessoa pra quem ela enviou. — Respondia rindo.

 Eu voltei para casa com um olho roxo, mas eu bati tanto naquele cara...

 E em um dia, domingo,  um ano depois da gente ter se conhecido, você apareceu na minha casa e me abraçou forte, e chorou.

 Chorou pelo bulliyng que sofria, chorou pelas mentiras que espalharam sobre si, chorou pelos problemas que vinha passando, chorou.

 Você só me olhou nos olhos ao se afastar e fez uma proposta que acatei imediatamente.

— Por favor, faça amor comigo, como nunca fez antes. — Você implorou.

 E eu fiz, te amei de todos os jeitos possíveis, com calma, com carinho, eu beijei cada cantinho da sua pele, te fiz se derramar em meus dedos, em minha boca, em mim inteiro.

 E naquela noite eu te disse o que vinha guardando dentro de mim.

— Eu te amo, Sakura.

 Mas diferente do que eu esperava, seus olhos se marejaram e você simplesmente se vestiu e saiu correndo.

 Imagine só a minha surpresa, raiva, tristeza, choque, amargura, desespero e angústia ao saber da boca de meu pai, que derramava grossas lágrimas, de minha mãe, que chorava em desespero, que você havia falecido nesta noite.

 Nesta noite, depois de eu ter te amado com toda a minha alma.

 Que você já não se encontrava mais entre nós, no mesmo plano em que eu me encontrava.

 Me sentei no sofá da sala e chorei, chorei como nem havia chorado no enterro do meu tio Obito, que morreu faz algum tempo.

 Meus pais me abraçaram com força, e o resto daquela madrugada eu não dormi.

 Meu pai sabia da notícia pois foi o médico que tentou te socorrer assim que você chegou ao hospital, já sem pulso.

 Ele te reanimou com o desfibrilador e você ficou acordada por alguns minutos, tempo suficiente para que colhessem seu sangue para saber quantos comprimidos você havia ingerido no teor de drogas no seu sangue.

 Mas você não resistiu, e logo fechou suas íris de esmeralda para sempre.

 Meu pai sempre conta que você tinha um sorriso no rosto e parecia em paz, e isso às vezes me consola.

 Decidi ir à escola na segunda feira para apoiar Hinata e Naruto, sabia que dariam a notícia e imaginava como fossem reagir.

 Na sala de aula, o diretor Hiruzen pediu licença ao professor Kakashi para dar um recado, todos estavam prestando atenção.

— A aluna Sakura Haruno, colega de vocês, faleceu esta madrugada do dia vinte e um...

 A sua melhor amiga não disse nada. Em meio ao alvoroço, ela apenas se levantou calada e saiu da sala.

 Eu e Naruto fomos atrás, e vimos o momento em que na metade do corredor ela perdeu as pernas caindo de joelhos e começou a gritar.

 Naruto abraçou a namorada e chorava junto dela.

 Ino passou rápido com suas seguidoras, Temari e Tenten em seu encalço, e vi o exato momento em que Gaara prensou a loira de cabelo comprido no armário, assustando as outras duas.

— Tá feliz agora?! — Gritava ele enquanto finas lágrimas desciam por seu rosto e ele socava os armários. — Sua vagabunda!

 A sua morte não afetou apenas a si mesma, mas a todos que te conheceram.

 Os professores que te amavam não conseguiam mais dar aulas, na última vez em que Kakashi fez a chamada e chamou seu nome sem querer, ele precisou ir pra casa, pois perdeu totalmente o gosto por lecionar naquele momento.

 As garotas que te chateavam já não eram mais amigas, elas tinham distúrbios de ansiedade, alimentação, desenvolveram problemas próprios para se esquecer um pouco da culpa que sentiam.

 Seu ex-namorado se focou nos estudos e largou as companhias de antes, mas agora, quando conhecia uma garota, tinha dificuldades de gostar delas.

 Naruto e Hinata se apoiaram, e juntos conseguiram voltar a sorrir, mas nunca se esqueceram de você, e te lembram com muito carinho.

 Seus pais se divorciaram. Um culpava o outro por não ter te dado a atenção suficiente, o amor suficiente.

 Seu irmão iria te contar naquela noite que pediu a namorada, Konan, em casamento, e hoje eles tem um garotinho lindo chamado Satoru.

 E eu estou aqui, como em todo vinte e um de setembro venho, colocando uma flor no jarro do seu túmulo, uma rosa amarela.

 Olhando para sua foto, reflito em como você matou a si mesma, como matou seus amigos, seus pais, seus sogros, seu amor, e até aqueles que diziam que não gostavam de você.

 E é claro, como matou o nosso filho, que você nem sabia que estava no seu ventre, mas que apareceu nos exames de sangue que o meu pai fez antes de você morrer.

 É claro que não foi culpa sua, e hoje, superamos e seguimos em frente.

 Eu te amei, e jamais consegui te esquecer, mas eu encontrei, depois de muitos anos, uma boa esposa, o nome dela é Karin, e ela é uma pessoa muito amável e boa.

 E tive um filho também, o nome dele é Daisuke, e ele é a minha cara.

 Fico imaginando como o nosso poderia ter sido...

 E em como essas rosas são amarelas, tão amarelas quanto aquele setembro.

 

 


Notas Finais


Postei e saí correndo, beijão!


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