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História Sétima Corda - Capítulo 1


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Notas do Autor


é bom estar de volta depois da última atualização, juro que pensei que fosse demorar mais
esse é atualmente meu plot preferido... eu tenho mt carinho por ele, então torço realmente para que gostem! aliás, todos os capítulos têm músicas, botei alguns links nas notas finais
esse plot surgiu da ideia de tentar fazer algo diferente em relação ao woogyu. na maioria das fics, o woohyun é o bobo apaixonado que sempre sofre demais por amor e o sunggyu quem nunca entende sobre amor, e sempre é mais relutante a isso, eu msm gosto de fazer plots dos dois assim, mas tbm gosto de tentar me desafiar... por isso, nessa fic, isso seria o completo oposto, mas com a personalidade costumeira dos dois.
ah e o nome da fic era pra ser 7ª corda igual a capa... mas o site não permite o ª então estou triste
enfim, espero que gostem!!

aliás quase esqueço ;;
beta: allec meu amor
editora da capa: lilian meu amor

Capítulo 1 - Symphony No.1


 

 

Sunggyu levou a mão livre à gravata, ajeitando-a sobre a camisa social. Estava agitado e não conseguia conter a ansiedade por toda aquela espera. Arrumou os cabelos loiros ondulados sobre a testa e tentou se inclinar para ter um vislumbre do palco, já composto de vários músicos e instrumentos.

 

Quando seu nome foi anunciado, Sunggyu subiu os degraus com o violino em mãos.

 

Escutava os aplausos da platéia até se posicionar no centro do palco. Referenciou-se de forma respeitosa e endireitou a postura, observando o público e buscando um rosto que já esperava não encontrar ali. Apoiou o violino sobre o ombro, deitando o rosto no instrumento antes de deslizar o arco nas cordas. O primeiro movimento havia começado.*

 

Sua apresentação de Mozart era suave. Os dedos ágeis se moviam sobre as cordas, conduzindo a melodia com os músicos fazendo o acompanhamento. Como um talentoso intérprete, Sunggyu transmitia uma melodia delicada, fechando os olhos ao friccionar as cerdas com mais intensidade.

 

Tocar sempre dava-lhe a sensação de se apaixonar de novo, embora sem a dor da perda. As últimas notas o fizeram suspirar ao aprofundar o arco de forma mais apressada do que pretendia. Os lábios se apertaram e ao terminar a melodia, ele abriu os olhos e encarou o público que o ovacionaram intensamente.

 

Sorriu e se reverenciou em agradecimento, mesmo que não estivesse satisfeito. Sabia que não havia cometido erros muito notáveis, porém, ao iniciar o próximo movimento, Sunggyu se esforçou para tocar ainda melhor.

 

Quando o concerto terminou uma hora depois, Sunggyu recebeu inúmeros elogios e cumprimentos até mesmo de músicos e críticos famosos. Só conseguiu tempo para respirar quando saiu do teatro. Guardou o violino e seguiu em direção ao próprio carro, desistindo de esperar por alguém que não viria.

 

Hyung, espere. — Sunggyu se virou, encontrando um homem alto e tão bonito que parecia um modelo. Deu um sorriso bem menos esgotado.

 

— Não sabia que viria, Myungsoo — disse Sunggyu,  recebendo um abraço apertado do homem que sorria orgulhoso.

 

— Você foi incrível — comentou Myungsoo, afastando-se para apertar os ombros de Sunggyu e o observar curioso.  — Parece incomodado com algo.

 

— Só estou cansado — murmurou Sunggyu, olhando para os lados. — Não veio com Dongwoo?

 

— Ele está chegando daqui a pouco — Sunggyu não podia deixar de notar que a animação retornou ao rosto do amigo. "Essa satisfação… Queria poder senti-la novamente."

 

Embora fizesse tão pouco tempo desde a última vez em que achou ter tido sorte igual Myungsoo, a perda sempre fazia a sensação de vazio retornar, fazendo-o se esquecer das lembranças boas. Sunggyu apertou a alça do porta-violino e respirou longamente, disposto a ignorar seus pensamentos.

 

“A música é o único amor que preciso.” Era o que Sunggyu tentava se convencer diariamente.

 

— Ah, ele chegou — anunciou Myungsoo, sorrindo ansioso ao acenar para um carro negro que estacionou próximo aos dois.

 

Um homem botou a cabeça para fora da janela e sorriu ao cumprimentá-los. Sunggyu devolveu o cumprimento timidamente, antes de Myungsoo se virar em sua direção.

 

— Preciso ir — disse Myungsoo, sorrindo e deixando suas covinhas aparentes. — Tente descansar bastante quando chegar em casa.

 

— Não se preocupe, amanhã eu ligo — assegurou Sunggyu, antes de seu amigo se afastar e seguir até o carro do namorado. Suspirando, retomou o caminho ao próprio veículo.

 

Ao fechar a porta, conseguiu relaxar sobre o banco, sentindo o corpo doer dos pés à cabeça. Lentamente, pegou o celular do bolso e destravou a tela. Havia mensagens de Minkyu que ele tratou de apagar sem nem se dar o trabalho de ler.

 

Em seguida, abriu o chat de Haneul. Eram duas mensagens curtas, mas suficientes para deixar um sorriso amargo dos lábios de Sunggyu. Seu peito estava apertado, mas isso ele já esperava.

 

"Eu sinto muito."

 

"Não podemos mais nos ver."

 

*~*~*~*

 

A primeira vez que conheceu Kim* Haneul foi numa manhã chuvosa de outono, dois anos atrás. Sunggyu esperava um café antes de sair para a academia de músicas, quando um homem sorridente e bonito o abordou.

 

— Com licença, você é Kim Sunggyu? — Parecia admirado, apesar do terno e a forma como olhava constantemente o relógio indicar que talvez aquele homem estivesse atrasado para o trabalho. Ainda assim, Sunggyu deu um gentil sorriso ao confirmar.

 

Haneul foi uma das poucas pessoas que Sunggyu se envolveu que não trabalhava com música, embora a apreciasse bastante. Naquela manhã, Haneul passou longos minutos perguntando sobre suas sinfonias preferidas e afirmando ser um grande fã. Depois de um autógrafo e uma longa conversa, Sunggyu sentiu compaixão pelo homem ao vê-lo pela janela, correndo até o seu carro sem nenhum guarda-chuva.

 

Talvez Sunggyu tivesse um fraco por homens gentis e de largos sorrisos, porque ele voltou no dia seguinte para revê-lo. Sentiu seu peito se aquecer ao encontrá-lo em uma mesa afastada, parecendo feliz com a presença do violinista.

 

Havia prometido não se envolver emocionalmente, no entanto, ali estava ele: sentado no café que se conheceram há dois anos e sabendo que nada retornaria como antes. Assim como todas as suas decepções.

 

Já havia se passado duas semanas desde a mensagem de Haneul. O violista focou-se tanto em seu trabalho que mal viu o tempo passar. Era melhor assim. A música o consolava e ele se dedicava mais ainda para a próxima apresentação. Quando não estava ocupado com o violino, Sunggyu lia um livro ou tomava altas doses de cafeína para se manter acordado.

 

Trocou a música de seu celular para uma sinfonia mais alegre. Fechou os olhos ao levar a bebida quente aos lábios, sentindo a melodia acalmá-lo, mas se surpreendendo ao ter uma mão apoiada em seu ombro de forma suave. 

 

— Sunggyu-ssi? — Ergueu o olhar e tirou um lado dos fones no ouvido. Os lábios se entreabriram, em choque, observando o homem à sua frente que parecia tão desconfortável quanto ele. — É bom rever você.

 

"Não consigo acreditar." Sunggyu meneou a cabeça educadamente, em dúvida se deveria levantar ou não para cumprimentá-lo.

 

— Há quanto tempo, Changwook-ssi — disse Sunggyu, hesitante. — Quer se sentar?

 

— Obrigado. 

 

Quem sabe sua sorte com relacionamentos estivesse piorando nos últimos dias. Encontrar Changwook pouco tempo depois de terminar com Haneul parecia algo inesperado, mas não poderia negar que era inevitável. "Às vezes, perco a conta de quantas pessoas já me envolvi."

 

— Como está indo? — questionou Sunggyu, tomando um longo gole de seu café.

 

— Muito bem. Estou trabalhando em vários casos, mas, no momento, não tenho pensado muito nisso — dizia Changwook, sorrindo de forma nervosa ao ajeitar a gravata. Sunggyu não poderia deixar de notar a aliança em seu dedo.

 

— Imagino — respondeu Sunggyu, pousando a xícara sobre a mesa.

 

Controlou sua curiosidade quanto aquela aliança. Não era problema dele, porém, não poderia deixar de se surpreender. O Changwook que havia conhecido era totalmente relutante a casamentos, por estar mais focado em seu trabalho.

 

"Esse é o problema." Pensou, observando-o rapidamente. "Esse não é o Changwook que eu conheci."

 

— Sei que não nos vemos há muitos anos — comentou Changwook, de forma mais afetuosa.  — Mas eu realmente estou feliz em revê-lo bem, Sunggyu-ssi.

 

O violinista concordou, embora um baixo suspiro escapasse de seus lábios. Changwook era sempre educado e sincero demais, algo que o intimidava às vezes. Não soube o que responder além de:

 

— Eu também.

 

A conversa passou a ser sobre música, o que aliviou Sunggyu. Falou sobre seu próximo concerto em poucos meses e Changwook disse estar orgulhoso por ele, prometendo ir caso conseguisse tempo. Antes de se despedirem, os dois se levantaram e a voz de Changwook soou, relutante.

 

— Eu… irei me casar daqui a poucos meses.

 

Sunggyu o observou em silêncio. Talvez a amargura por seu recente término com Haneul o impedisse de ter uma reação mais calorosa. Ele apenas sorriu e respondeu, sem emoção alguma.

 

— Meus parabéns.

 

*~*~*~*

 

— Ele fez o quê?

 

A voz de Myungsoo ecoou pela sala de treino, totalmente indignada. O amigo sentava-se à sua frente, em dúvida se devia afinar seu violino ou correr atrás de alguém para exigir uma explicação. Sunggyu o encarava com certo desânimo.

 

Nos últimos dias, havia dormido menos do que o costume, perdendo algumas horas de sono para praticar. Sunggyu e Myungsoo se preparavam para apresentar o concerto de Vivaldi em alguns meses.

 

— Você parece mais surpreso do que eu — comentou Sunggyu, distraído com seu violino. Myungsoo o olhou inconformado.

 

— Não acha um absurdo alguém terminar com você por celular? Para mim, é um claro exemplo de covardia — retrucou Myungsoo, balançando a cabeça. Sunggyu terminava de afinar seu violino, ouvindo-o continuar. — Não imaginava isso dele. Pensei que fosse alguém confiável.

 

— Quem sabe apenas tivesse medo que eu chorasse ou me desesperasse — Sunggyu deu um pequeno sorriso. — O que não faz sentido. Seria mais fácil ele chorar.

 

— Não entendo como consegue ficar tão tranquilo — resmungou Myungsoo a contragosto, apoiando o violino sobre o ombro. — Mas fico feliz. Ele não merece seu sofrimento.

 

Sunggyu riu, achando adorável ver seu melhor amigo o superprotegendo e ficando exaltado, algo raro vindo de Myungsoo. Seu único problema era não poder concordar com ele. Por mais que não externasse, ele sentia dor. E era mais doloroso do que conseguia descrever. 

 

— No fundo, eu já esperava por isso — comentou Sunggyu, observando o violino sem a mesma vontade em erguê-lo. — Haneul andava distante, eu já sentia que queria se afastar. É sempre assim, por isso não me importo mais.

 

Myungsoo ficou em silêncio. Sunggyu botou o violino sobre o ombro, seguido pelo amigo. Estavam se preparando para aquela apresentação por dias e Sunggyu sentia que precisava se concentrar. Aqueles relacionamentos que ficassem em segundo plano.

 

A melodia começou agitada da mesma forma que a composição de Vivaldi exigia. Os dois eram perfeitos para aquela apresentação, não somente por serem um dos violinistas mais promissores da Coreia, mas pela cumplicidade que tinham.

 

Quando a música foi finalizada, Sunggyu se aproximou de Myungsoo e o ajudou a tocar o último acorde de forma mais intensa, demonstrando-o através de seu violino e vendo Myungsoo o acompanhando em seguida. 

 

O amigo sorriu e agradeceu quando Sunggyu o elogiou. Era como se ainda estivessem se formando, onde um apoiava o outro antes que tudo acontecesse. Por toda aquela proximidade, Myungsoo não conseguia deixar seu desconforto para trás.

 

— Queria entender por que alguém tão incrível consegue estar rodeado de idiotas — Aquele comentário arrancou uma risada de Sunggyu, fazendo Myungsoo respirar fundo. — É sério, hyung, você merece alguém melhor.

 

— Nem todos eram idiotas — comentou Sunggyu com um sorriso pequeno, voltando o olhar ao amigo. Apesar de ter ficado incomodado, Myungsoo o respondeu com firmeza.

 

— Sim, todos eram idiotas.

 

Ficaram em silêncio por longos segundos. As outras salas daquela academia reproduziam músicas distintas. Myungsoo preferiu não dizer nada enquanto Sunggyu perdia-se em pensamentos, descendo o arco nas cordas por distração. Lembrava-se do encontro de Changwook há poucas horas e no quanto as pessoas mudavam, exceto ele.

 

— Não tenho mágoa de ninguém apesar de tudo.

 

— Eu sei — respondeu Myungsoo, emburrado, o que fez Sunggyu sorrir.

 

Pensou em falar sobre o reencontro com Changwook que ainda o incomodava, mas preferiu focar em seu treino. A melodia se reiniciava e Sunggyu estava disposto a focar no que mais amava no momento. 

 

As notas o acalmavam. Fechou os olhos e permitiu que ele e aquele soneto fossem um só. Conteve a vontade de rir ao pensar no que seu primeiro namorado, Jinki, havia dito antes de terminar. E ele não poderia estar mais certo.

 

Sunggyu vivia mais para música do que por qualquer outra coisa.

 

Hyung — chamou Myungsoo depois de um longo silêncio. Ele deu um sorriso quando Sunggyu o encarou novamente. — Ainda não te contei. Fui convidado para tocar caprice daqui a poucos meses. Estou nervoso quanto a isso.

 

— Nossa, não sabia que estava tão prestigiado assim — Sunggyu sorriu, tocando de forma suave. — Onde será essa orquestra? Em Hongdae?

 

— Na Itália.

 

A mão de Sunggyu parou no mesmo segundo. Ergueu o olhar na direção de Myungsoo e se perguntou qual expressão ele mesmo teria no momento. Aos poucos, um sorriso surgiu em seus lábios.

 

— Estou orgulhoso de você — Sunggyu ainda transitava entre surpresa e satisfação pelo amigo. E um leve desconforto que ele tentava ignorar. — Quando irá viajar?

 

— Algumas semanas depois da nossa apresentação.

 

Sunggyu não soube o que dizer. Não queria estar tão estático com a notícia, apenas por aquele ser o seu maior sonho. Por se dedicar tanto, Sunggyu se perguntava constantemente se ainda não era bom o suficiente para realizá-lo.

 

Ao chegar em casa, horas depois, a primeira coisa que fez foi buscar comida pré-temperada na geladeira. Não tinha muito tempo para cozinhar, então preparava tudo na noite anterior. Talvez morresse de exaustão ou intoxicação alimentar algum dia, mas, no momento, ele não conseguia se preocupar. Sentou-se no sofá, ligou a televisão e tentou não se importar com aquele mal-estar.

 

"Quem sabe, tenha sido melhor." Levou os palitos aos lábios, embora não sentisse muita fome. Quando estava em um relacionamento, ele se importava em cozinhar algo mais elaborado só para que um de seus namorados dissesse estar muito ocupado para visitá-lo. Sunggyu comia tudo sozinho ou guardava para o outro dia. Solteiro naquele instante, Sunggyu só se preocupava com ele mesmo. Então era mais fácil lidar com o descaso e a dor.

 

*~*~*~*

 

De todas as pessoas naquele bar, Sunggyu era o único que não interagia com ninguém.

 

Havia tomado boas doses de soju. Estava sóbrio ainda, embora já observasse algumas pessoas ali com a vista turva e um pouco sonolenta.

 

— Gostaria de mais alguma coisa? — perguntou o barman à sua frente.

 

Ele era bonito e tinha uma expressão séria em seu rosto, como se tivesse dúvidas se Sunggyu estava já bêbado com pouca quantidade de álcool. Em seu uniforme, havia uma etiqueta escrita "Howon".

 

— Estou bem, obrigado — O barman assentiu e foi atender outros clientes.

 

Sunggyu levou o copo aos lábios, observando as mesas ao redor. Por sorte, não conhecia ninguém ali, por estar em um bar que nunca chegou a frequentar.

 

"Por que ainda estou aqui?" Após um longo suspiro, terminou sua garrafa de soju, olhando os homens bonitos que caminhavam pelo bar ou bebiam em suas mesas.

 

Talvez estivesse louco, carente e cansado demais de sofrer por ex, porque realmente pensou em abordar algum desconhecido apenas para transar, mesmo que no dia seguinte ele nem lembrasse o seu nome.

 

Balançando a cabeça, pousou o copo no balcão e decidiu se levantar quando a música ambiente acabou. Ergueu a cabeça em direção ao palco, observando um homem de cabelos e roupas escuras sentar-se na cadeira com um violão em mãos.

 

Não que Sunggyu gostasse de música de bar, mas o homem sentado sobre aquela cadeira chamou sua atenção.

 

— Boa noite — murmurou o homem, contra o microfone. Seu sorriso era encantador, fazendo suas bochechas ficarem mais salientes.

 

Começou um suave dedilhado, apenas para ter certeza que as cordas estavam afinadas. Sunggyu não conseguiu deixar de notar a forma habilidosa que os dedos dele deslizaram sobre as 7 cordas.

 

"Sete?" Sunggyu franziu a expressão. Talvez estivesse bebendo demais e vendo coisas, mesmo que se lembrasse vagamente de ter visto algo sobre violões com mais do que seis cordas.

 

A música começava envolvente e agradável. Sunggyu não viu problemas em se sentar de novo, principalmente quando o músico aproximou os lábios do microfone, começando a cantar de forma sussurrada.

 

"Escutando o celular tocar diversas vezes, enquanto a luz solar atinge minha cabeça" — ele cantava de forma suave, fechando os olhos ao dedilhar o violão. — "Preciso de um copo d'água, estou com tanta sede."

 

Os olhos intensos voltaram-se ao público.

 

"Desejo. Engano. E suspeita. Totalmente sem significado" — sussurrava o músico, de forma sensual. — "Tento rebobinar a fita, mas sei que não fiz nada de errado."

 

Sunggyu voltava a beber, entretido com a canção. As notas o envolviam e sentiu interesse em escutar aquela voz até o fim.

 

"Eu admito os pequenos segredos, os olhares tensos que foram trocados. Sim, fiquei balançado por um segundo" — a voz se tornou mais intensa durante aquele momento. Sunggyu nunca ouviu um timbre tão melodioso. — "Mas não significa nada, só há você em meu coração.

 

Havia um sorriso dúbio em seus lábios e era como se ele representasse o completo oposto. Negava ser culpado na música, mas permanecia com um sorriso provocante e nada ingênuo. 

 

"Mas com uma voz baixa, você me pede para te contar tudo."

 

Por alguns segundos, seus olhares se encontraram. O músico pareceu perceber a expressão admirada de Sunggyu e deu um sorriso em sua direção, ainda mais provocativo. O violinista sentiu-se confuso, virando o rosto para o entorno. Porém assim que voltou-se ao músico, ele continuou encarando-o e piscou em sua direção.

 

"Eu posso jurar por todo o céu escuro" — o músico continuou a cantar, com os olhos fixos em Sunggyu, que mesmo achando ser culpa da bebida, não poderia negar que estava completamente envolvido. — "Pare por um momento e se deite. Posso jurar pelo céu."

 

Sunggyu sentiu o rosto esquentar pela quantidade de álcool no sangue. Sorridente, provocador e talentoso. Era totalmente o tipo de homem que Sunggyu precisava evitar nos últimos meses. Ainda assim, não parava de encará-lo.

 

"Eu posso jurar por todo o céu escuro. Por favor, não fique assim, com essa expressão de que o mundo está acabando" — Não parecia haver ninguém ali além dos dois. Sunggyu sentia-se pisando em ovos novamente. — "Porque meu amor é apenas você."

 

Após aquele momento, Sunggyu criou coragem para se erguer e seguir para fora do estabelecimento, com o corpo fervendo. O coração estava acelerado e esperava que fosse a bebida.

 

Na noite seguinte, Sunggyu retornou ao bar, no mesmo horário, sentando-se afastado do palco e de todos dali. Algumas pessoas tentavam interagir, mas o violinista sempre dava uma desculpa de estar esperando outra pessoa. Sabia que estava ali apenas por causa daquele músico.

 

Tomava um pouco de bebida e observava o homem sentar-se no banco com o seu violão de 7 cordas, tão exibido e encantador quanto Sunggyu havia notado. A voz intensa e melodiosa prendia Sunggyu ali, porque até mesmo a bebida era deixada de lado só para que pudesse observar o músico tocar.

 

Algumas músicas autorais eram tocadas antes que ele cantasse aquela música novamente. Dessa vez, pareceu notar Sunggyu ao longe, franzindo a expressão, como se tentasse reconhecê-lo.

 

Apenas quando ele desceu do palco, minutos depois, Sunggyu decidiu pagar toda a sua bebida ao barman e ir embora, ansioso para sair daquele bar.

 

*~*~*~*

 

Uma semana se passou e Sunggyu retornou ao bar com mais frequência. Bebia solitário, escutava algumas pessoas tocando e ia embora. As noites mais entediantes eram quando aquele belo músico não estava presente.

 

Sunggyu repetia a si mesmo que era apenas carência. Até mesmo Myungsoo notou que ele estava distraído demais, como se tentasse reproduzir uma música pelo violino. Quando o perguntava, Sunggyu dizia ser uma melodia que ficava na sua cabeça e, por isso, tentava reproduzi-la.

 

Mesmo que aparecesse com frequência, Sunggyu sempre evitava conversar diretamente com aquele homem. Exceto em uma noite, quando seus dedos doíam de tanta prática, e Sunggyu sentia que estava quase bom o suficiente para se apresentar com Myungsoo. 

 

— Tem se encontrado com alguém? — perguntou Myungsoo, sério, deslizando o arco sobre as cordas de forma suave. Sunggyu voltou o olhar sobre ele.

 

— Por que a pergunta?

 

— Você costuma desaparecer nos fins de semana. Eu ligo e só recebo resposta no dia seguinte.

 

—Se quer saber, nem minha mãe me liga tanto — brincou com um sorriso, embora tivesse suspirando discretamente. — Devo estar dormindo ou treinando. Não se preocupe.

 

Não sabia o motivo de sempre retornar, mas gostava de ter um lugar para ir onde não precisasse pensar em quem tinha desaparecido de sua vida. A bebida não era cara e gostava do ambiente. Além de ter o músico bonito, que às vezes parecia sorrir e cantar em sua direção.

 

Por algum motivo, Sunggyu não quis desaparecer naquela noite. Tomou algumas doses de soju e observou o músico descer do palco com seu violão. Em vez de se levantar apressado, o violinista encheu o copo até o fim, esperando o que poderia acontecer.

 

 Sunggyu terminava o copo de soju no exato momento em que alguém se sentava ao seu lado.

 

O homem era alto e apesar de não ser tão bonito, tinha um corpo forte e atrativo. Observava Sunggyu com interesse e, por mais carente que estivesse, Sunggyu se incomodou quando ele se inclinou em sua direção, oferecendo uma bebida.

 

— Por que um jovem tão bonito está bebendo sozinho? — questionou o homem. Aproximou o drink de sua mão e deu um sorriso provocador à Sunggyu.

 

— Porque ele tem muita sorte — murmurou Sunggyu, em um tom de desinteresse. — Ser bonito e ainda desfrutar da própria companhia é uma dádiva para poucos.

 

— Se não quisesse companhia, não teria entrado justamente nesse bar — provocou o homem, tentando aproximar sua mão de Sunggyu, que se retraiu instantaneamente. — É comprometido?

 

Sunggyu não respondeu. Havia muitos homens ali, acompanhados de outros homens, bebendo, conversando de forma mais íntima. Ele não era idiota. Desde o início sabia que frequentava um bar gay e o motivo de ter entrado ali pela primeira vez não havia sido pela bebida.

 

O desconhecido o olhava com desejo, porém, em vez de querer arriscar como nos primeiros dias, tudo o que fez foi se afastar quando o homem tentou aproximação. 

 

— Não seja tímido, beba comigo — insistiu o homem, assim que Sunggyu arrastou-se para o lado e ele o segurou pelos ombros.

 

— Solte-me.

 

Sunggyu sabia que aquele desconhecido estava bêbado e tudo o que menos queria era ser notado ali. Virou o rosto, aborrecido. "Eu preciso me livrar desse idiota."

 

— Vou cuidar bem de você — afirmou o homem, apertando seu ombro e sorrindo com muito desejo.

 

— Você decide — retrucou Sunggyu, começando a perder a paciência — Se não tirar sua mão de mim, eu irei quebrá-la agora mesmo.

 

— Como é? — perguntou o homem, tentando intimidá-lo com o olhar. Sunggyu não se abalou.

 

Segurou aquela mão com força e estava a um passo de tentar cumprir sua ameaça, quando uma voz o interrompeu.

 

— Demorei muito? Com licença.

 

O músico que Sunggyu tanto admirava apareceu, sentando-se no banco ao lado de Sunggyu e ajeitando o violão na ponta do banco. Encarou o homem próximo ao violinista, parecendo desafiá-lo com o olhar.

 

— O que ainda faz aqui?

 

— Ele está com você? — perguntou o homem, tentando conter toda a raiva. O músico sorriu antes de responder.

 

— Sim — disse, de forma firme. Sunggyu sentiu seus ombros serem soltos aos poucos, então não viu motivos para negar. — Você sabe que não deveria obrigar ninguém a beber nada aqui. Quer mais um processo contra você?

 

— Qual o problema de oferecer bebidas em um bar? — reclamou o homem, embora tivesse pegado o drink de forma apressada e se levantando em seguida. Quando ele se afastou, Sunggyu virou o rosto na direção do músico.

 

— Obrigado — murmurou. O homem ao seu lado o encarou e sorriu.

 

— Não deixe aquele idiota intimidar você outra vez, todos aqui sabem que ele já não tem solução — comentou, apoiando os braços sobre a mesa. — Da próxima vez, pergunte sobre a esposa dele. Nada o desarma mais do que isso.

 

Sunggyu não soube o que dizer, então apenas concordou com a cabeça. Seu jeito de falar e postura descontraída transmitia um ar de confiança e conforto a Sunggyu, parecendo alguém fácil de se socializar.

 

— Não tive a oportunidade de me apresentar ainda. Meu nome é Woohyun — disse o músico, alguns segundos depois.

 

— Sunggyu — respondeu o violinista. Ao perceber que mal havia falado, ele logo acrescentou.  — Eu… gostei muito de te ouvir cantar.

 

Woohyun sorriu ainda mais, deixando o violinista mais fascinado do que deveria.

 

— Eu sei. Você costuma vir bastante aqui — Woohyun se ajeitou melhor sobre o banco.

 

— Por causa de bebida — comentou Sunggyu. — Mas confesso que também gosto das suas músicas.

 

— Gosta só das músicas? — a voz soou baixa e suave, embora Sunggyu tivesse respirado fundo e desviado o olhar. Então, observou o violão apoiado na outra parte do largo banco.

 

— Costuma tocar muito aqui? — perguntou.

 

— Todo fim de semana — Woohyun falava, voltando-se ao entorno. Havia outros músicos no palco, mas não chamavam tanto a atenção de Sunggyu. — Aqui é confortável. Muitos dos que frequentam não são assumidos, e até mesmo têm famílias para sustentar. Pelo menos aqui eles parecem ter um pouco de paz.

 

— Entendo — Sunggyu disse, presenteando-o com um sorriso mais confortável. — Apesar de… eu não ter gostado muito da minha última companhia.

 

— Não se preocupe com esse infeliz, logo ele será barrado daqui — Woohyun pareceu incomodado por alguns segundos, porém, desviou o assunto. — Mas estou curioso… por que sempre vai embora antes que eu tenha oportunidade de conversar com você? Qual o motivo de vir sempre aqui?

 

Não houve uma resposta imediata e talvez Woohyun esperasse por isso. O maior motivo de Sunggyu era querer evitar seus pensamentos. Terminou um relacionamento de dois anos e estava cansado de acumular decepções.

 

Por mais talentoso e bem sucedido que fosse, ainda se perguntava por que era tão azarado no amor. Havia sido traído, humilhado e abandonado por pessoas que prometeram dar tudo a ele. Ele ainda não sabia lidar com nenhuma daquelas lembranças.

 

— Só queria álcool e uma companhia — disse Sunggyu, após um tempo em silêncio.

 

— Posso pagar uma bebida para você, se ainda quiser uma companhia — sugeriu o músico, erguendo uma sobrancelha. 

 

— Depende — comentou Sunggyu, fingindo refletir. — Você é casado?

 

— Nem nos meus piores pesadelos — brincou Woohyun, rindo rapidamente. — Relacionamentos… Essas coisas não são para mim.

 

— Sem compromissos? — Sunggyu se ajeitou na poltrona, surpreso. O cantor concordou.

 

— Principalmente sem cobranças ou mágoas — acrescentou. — É melhor assim. Não iludo ninguém e ainda podemos nos divertir mais vezes sem que eu gaste dinheiro com flores ou encontros.

 

— Eu sempre recebo flores no meu trabalho. Não vejo nada tão romântico nelas.

 

Woohyun riu brevemente ao ouvi-lo, enquanto Sunggyu o observou em silêncio. Ele era exatamente o que o violinista precisava. Alguém que não se comprometeria em vão. 

 

Quando os olhares voltaram a se encontrar, Woohyun pareceu bem mais atraente do que quando estava no palco. Observava Sunggyu da mesma forma, como se gostasse do que via e quisesse se aproximar tanto quanto o violinista.

 

Lentamente, Woohyun levou a mão até o seu rosto, acariciando a pele com ternura e causando calor por onde tocava. Os lábios quase se encostavam, e Sunggyu não se lembrava de sentir o coração bater tão forte como naquele instante.

 

— Você é tão lindo — disse Woohyun, quando as respirações estavam cada vez mais próximas.

 

No entanto, antes que os lábios se tocassem, Sunggyu hesitou e afastou o rosto. Estava confuso e já não sabia se queria se envolver tão rápido com alguém que mal conhecia.

 

— Preciso ir — disse Sunggyu, voltando-se a Woohyun por um momento que não parecia chateado ou surpreso. Ele simplesmente deu um sorriso, deixando o violinista menos desconfortável.

 

— Tudo bem — Afastou sua mão lentamente de Sunggyu, que logo se ergueu do sofá. Antes que o violinista despedisse, a voz de Woohyun retornou, animada. — Venha me ouvir tocar outra noite, Sunggyu-ssi.

 

Assentindo e sorrindo, o violinista se virou e seguiu até a saída a passos apressados. Se não saísse o quanto antes, ele sabia que desistiria de se afastar dali.

 

*~*~*~*

 

A apresentação de Sunggyu e Myungsoo aconteceria em duas semanas. Por conseguinte, Sunggyu estava ansioso, praticando em dobro até nos dias em que não tinham treino. 

 

Eles tiveram três longos ensaios naquela semana. Myungsoo não parava de perguntar como andava seu humor, porque mesmo tocando impecavelmente, Sunggyu sempre se mostrava mais cansado e recluso.

 

— Se estiver mal, pode me chamar sempre que quiser — comentou Myungsoo, ajeitando-se na poltrona e guardando o violino na proteção. — Podemos sair para jantar ou assistir um filme. Faz tempo que não nos divertimos juntos. 

 

— Podemos fazer isso quando voltar da Itália — murmurou Sunggyu, disperso. De fato, sentia falta de vê-lo sem ser para praticar, mas nenhum dos dois costumava ter tempo. Além disso, Sunggyu ficava frustrado com a ideia de causar problemas no relacionamento de Myungsoo, como já havia acontecido antes.

 

Era a última semana de ensaio e Sunggyu treinou tanto que seus dedos começaram a calejar. Guardou o violino e apoiou-o ao lado da cama. As costas doíam, mas nada o torturava mais do que seus pensamentos.

 

"Completaríamos oficialmente dois anos amanhã". Sunggyu ergueu-se da cama e ficou em frente ao espelho. Havia olheiras em seus olhos, apesar de ter dormido mais nos últimos dias.

 

Ajeitou os cabelos ondulados e suspirou. Queria realmente ligar para Haneul, exigindo explicações e insistindo para que voltasse, assim como tantas pessoas faziam. Sunggyu nem pensou em respondê-lo naquele dia.

 

Pegou o celular em um impulso, mas tudo o que fez foi apagar o número de Haneul, como havia feito com quase todos os seus ex. Apenas um contato Sunggyu nunca apagava e se sentia culpado por isso. Era o número que evitava atender, exceto quando estava solitário igual aquela noite. 

 

Bloqueou a tela do celular antes que digitasse qualquer número. Fazia uma semana desde a última vez em que esteve naquele bar. Ao guardar o celular, imaginou que escutar uma voz sedutora enquanto bebia talvez fosse uma distração bem melhor.

 

Woohyun era o tipo de homem que se atraía, e não parava de se perguntar como seria se relacionar sem compromisso algum, apenas para se satisfazer sexualmente. A sugestão daquele músico o intrigava e deixava-o curioso.

 

*~*~*~*

 

Sunggyu hesitou assim que saiu do carro e se aproximou do bar. Ouviu a música agitada e reconheceu a voz de Woohyun enquanto entrava no estabelecimento. Por algum motivo, seus batimentos eram tão intensos quanto a batida da música. Woohyun estava no palco, tocando o violão com muita habilidade.

 

Sunggyu sentou e observou o palco. Woohyun tinha os primeiros botões da camisa abertos e tocava outra música sensual. Os lábios de Sunggyu ficaram secos e se arrependeu de não ter pedido uma bebida antes de escolher a mesa.

 

Woohyun olhou para o público e pareceu surpreso ao avistar Sunggyu, abrindo um sorriso ao começar a cantar.

 

"Não está sendo… muito rápido?" Pensou Sunggyu, botando as mãos em seus bolsos. Ver Woohyun tocando e sorrindo em sua direção era o que precisava. Então tentava não se culpar por seus pensamentos.

 

— Não imaginei que viesse — comentou Woohyun, minutos depois de descer do palco. Botou um copo à frente de Sunggyu e se sentou ao seu lado.

 

— Não falei que não viria — respondeu Sunggyu, pegando o copo e levando aos lábios. Só por um momento, pensou que havia se arriscado em tomar um drink de um desconhecido.

 

— Não precisa se preocupar — falou Woohyun, sorrindo ao perceber sua hesitação. —Eu jamais botaria algo suspeito em sua bebida. Posso provar, se você quiser.

 

— Acredito em você — admitiu Sunggyu, tomando um longo gole de seu drink. — Por que não tocou nenhuma música sua?

 

— Conhece as que toquei? — perguntou Woohyun, admirado, ganhando um menear de cabeça como resposta. — Deve conhecer bem. Toquei algumas músicas não tão populares.

 

— Eu sou músico também.

 

— Sério? — Woohyun se inclinou sobre a mesa, curioso. — Solista? Tem uma banda?

 

— Toco violino.

 

— Ah, claro! — comentou Woohyun com um sorriso, antes de levar a bebida aos lábios. — Combina muito com você.

 

Sunggyu não sabia dizer se ele foi irônico ou sincero. Apenas percebeu que Woohyun o observava com curiosidade, talvez pelas roupas caras, ou sua forma de se sentar, botando as mãos nos bolsos como uma autoproteção para que ninguém se aproximasse.

 

Mesmo assim, o músico se aproximou, minimamente, sorrindo como se Sunggyu fosse interessante demais para que deixasse escapar mais uma vez.

 

— Já vi muitos iguais a você, Sunggyu-ssi — murmurou Woohyun, fazendo o violinista erguer a sobrancelha.

 

— Como assim?

 

— Pessoas que vieram por impulso — O músico apoiou o braço sobre o encosto do largo banco, próximo aos ombros de Sunggyu. — Quase nunca vão aos bares, mas vieram por alguma desilusão amorosa ou por se sentirem solitários, querendo experimentar algo novo — Seus olhos estavam fixos em Sunggyu antes que completasse, baixo. — O problema… é que eles desistem e se arrependem no meio do caminho.

 

A música tocava sem que Sunggyu pudesse ouvi-la ou achá-la agradável. Poderia se encaixar em tudo o que Woohyun disse, porque ele realmente se arrependia de ter ido na primeira vez.

 

— Acha que eu desistiria? — perguntou Sunggyu, sem expressão.

 

— Diga-me você, Sunggyu-ssi — comentou Woohyun. — Se eu quisesse te levar para um lugar mais reservado, você aceitaria?

 

Sunggyu não respondeu, sentindo o corpo esquentar enquanto levava uma bebida aos lábios. Poderia ficar com raiva de toda a sinceridade de Woohyun, porém, sabia que fugir era exatamente o que havia feito tantos dias antes. Contudo dessa vez era diferente.

 

— E se eu disser que só quero transar com você? — continuou o músico, cada vez mais próximo ao violinista que não se afastou em nenhum momento. Sunggyu sentia a respiração dele contra o seu rosto, torcendo para que a distância diminuísse ainda mais.

 

— Achei que isso fosse óbvio — Os olhos de Sunggyu estavam fixos no músico, que havia sorrido com sua resposta.

 

— Nem sempre é.

 

Levou uma mão ao rosto de Sunggyu, acariciando-o. O violinista gostou tanto da carícia, quanto da voz baixa de Woohyun. 

 

— Não tenho nenhuma exigência. Apenas peço que não se apaixone por mim.

 

— Você é bem egocêntrico, não acha? — provocou Sunggyu, os lábios próximos demais.

 

— Um pouco — admitiu Woohyun, sorrindo. — Ainda assim… Nunca estive tão ansioso em levar alguém para cama.

 

— Para alguém desapegado, você parece bem interessado por mim — Sunggyu falava, de forma divertida. — Talvez quem precise tomar cuidado para não se apaixonar seja você.

 

Woohyun riu leve, fazendo o corpo de Sunggyu estremecer. Sentiu a mão dele segurar sua nuca com firmeza e fechou os olhos quando os lábios de Woohyun se uniram aos seus.

 

Era um beijo tão quente que os batimentos do violinista se alteraram aos poucos. Os lábios se moviam de forma necessitada, fazendo Sunggyu não parar de ansiar por mais.

 

Quando o dois se afastaram, Woohyun deu um sorriso e voltou a acariciar seu rosto. 

 

— Ainda não me respondeu — disse Woohyun, deslizando os dedos sobre a bochecha até os lábios macios do violinista. — Aceita ou não?

 

Lentamente, Sunggyu deu um pequeno sorriso. Seu peito estava acelerado com a possibilidade de se arriscar. E pela primeira vez em anos, ele não sentia medo de botar tudo a perder.

 

— Vamos sair daqui — murmurou, segurando-o pela camisa e puxando-o para unir seus lábios mais uma vez.

 

*~*~*~*

 

A porta foi fechada com pressa. Sunggyu foi prensado sobre a parede lisa e puxou Woohyun pela camisa enquanto beijavam-se com fervor. O músico desceu os lábios por seu pescoço, mordiscando e sugando sua pele ao passo em que Sunggyu arfava, fechando os olhos.

 

Tudo acontecia tão rápido que não dava tempo ao violinista de pensar no que fazia. Sentiu as mãos de Woohyun o agarrando pela cintura após retirar o casaco e jogá-lo chão. O violinista desabotoava sua camisa de forma apressada, subindo os dedos pelo torso quente.

 

— Onde fica o quarto? — perguntou Woohyun, ofegante ao parar de beijar o pescoço de Sunggyu, para terminar de tirar a própria camisa. 

 

Gostou de perceber o olhar desejoso do violinista. Naquele instante, levou as mãos agitadas até a barra da camisa dele, puxando-a para que despisse do corpo de Sunggyu.

 

 — A primeira porta — murmurou Sunggyu antes de sentir Woohyun agarrá-lo para um beijo mais intenso do que o anterior.

 

Os dois seguiram para o quarto, esbarrando-se em alguns móveis e deixando o chão bagunçado com suas roupas e objetos derrubados pelo caminho.

 

Não conseguia pensar em nada além dos lábios de Woohyun descendo por sua pele e a forma como seus corpos se esfregavam.

 

A ideia de levar um desconhecido até sua casa era assustadora e prazerosa ao mesmo tempo. Puxou os cabelos de Woohyun ao senti-lo marcar seu pescoço, gemendo baixo ao ser pressionado contra a porta. Os toques de Woohyun eram tão excitantes que se perguntava quando havia sido tão bem estimulado por alguém.

 

Ao entrarem no quarto, Woohyun o deitou sobre a cama e levou as mãos até suas pernas, afastando-as para que ficassem entre elas. Retirou a calça junto à roupa íntima, ao passo em que o observava com desejo.

 

O violinistas guiou seus dedos até a calça do músico, abrindo-a e a abaixando com a roupa íntima. Fixou o olhar no cantor, levando os dedos até a extensão para masturbá-lo devagar e admirar a expressão de prazer em Woohyun.

 

Quando ele se inclinou sobre Sunggyu, os lábios voltaram a se beijar em uma necessidade absurda. O violinista arfou ao sentir os pênis duros se esfregando de forma lenta.

 

— Tem lubrificante? — perguntou Woohyun, deslizando suas mãos sobre as coxas grossas de Sunggyu, apertando-as. 

 

— Na cômoda — suspirou o violinista.

 

Em alguns segundos, Woohyun se ergueu para buscar lubrificante. Sunggyu ofegava, com os cabelos desalinhados e várias marcas em seu corpo.

 

Woohyun não perdeu tempo em ficar sobre ele novamente, tomando seus lábios em um longo beijo que tirou o fôlego dos dois.

 

— Posso? — pediu Woohyun em seu ouvido e Sunggyu concordou, já bastante ansioso.

 

Ajeitando-se sobre a cama, Woohyun rasgou um pacote de preservativo que havia retirado de seu bolso. Colocou-o sobre a extensão de seu pênis ereto, para então abrir o lubrificante e melar seus dedos.

 

Enquanto uma das mãos segurava a perna de Sunggyu, a outra seguia até entre as nádegas. Guiou os dedos sobre a entrada, massageando-a devagar e fazendo o corpo de Sunggyu estremecer.

 

O primeiro dedo o penetrou devagar. Woohyun era bem habilidoso, sabendo como tocá-lo e o deixando cada segundo menos desconfortável. O segundo dedo entrou com mais dificuldade, embora tivesse acertado sua próstata com uma rapidez que o fez mover-se sobre a cama.

 

— Sua voz é tão gostosa de ouvir — murmurou Woohyun contra o seu ouvido, enfiando três dedos com mais firmeza.

 

— Já está bom… — gemia Sunggyu, fechando os olhos. — Está bom assim.

 

Woohyun retirou devagar seus dedos. Sunggyu havia ficado tão excitado que não pensou muito. As mãos trêmulas o seguraram pelos ombros e o empurraram contra a cama.

 

O cantor observou em expectativa Sunggyu subir em suas pernas. Era difícil não estremecer de desejo quando o violinista se posicionou por cima do pênis, sentando devagar.

 

Um alto gemido escapou dos lábios de Sunggyu ao ter aquele pênis o preenchendo. Fechou os olhos, sentindo as mãos de Woohyun o segurando pela cintura. Quando voltou a observá-lo, ficou ainda mais excitado ao perceber que Woohyun estava ofegante e parecendo tão ansioso quanto ele.

 

Sunggyu rebolava devagar, fazendo os dois estremecerem com os movimentos. O pênis rodeava sua entrada de forma tão deliciosa, que foi impossível não gemer alto e manhoso.

 

As mãos de Woohyun percorriam seu corpo, apertando a cintura, coxas, provocando os mamilos, deixando Sunggyu mais sensível a cada rebolada que dava. Era ainda mais gostoso observar o músico, sempre tão autoconfiante, completamente hipnotizado e excitado por sua causa.

 

Começou a cavalgar com intensidade, tendo os toques e beijos de Woohyun por todo o seu corpo. Quando o violinista diminuiu o ritmo por cansaço, Woohyun o segurou pela cintura, empurrando-o sobre a cama de forma abrupta.

 

Sunggyu se arrepiou ao ter suas pernas seguradas com firmeza, enquanto Woohyun passava a estocá-lo com uma precisão incrível. Os gemidos ficavam mais altos, ao passo em que Sunggyu puxava-o pelas costas, duvidando já ter sentido um prazer tão grande.

 

Logo Sunggyu gozava completamente, contorcendo-se sobre a cama e fechando os olhos ao ter todo aquele prazer o invadindo. Woohyun ainda se movia dentro dele, gemendo arrastado em seu ouvido, parando os movimentos ao gozar dentro do preservativo.

 

Os dois estavam ofegantes demais. Woohyun saiu devagar de dentro de Sunggyu, deitando-se ao seu lado na cama.

 

Com o tempo, eles sorriram satisfeitos. Sunggyu sentia o peito acelerado ao pensar que havia ficado com um total desconhecido. E ainda assim, era de longe o melhor sexo de sua vida.

 

— Está cansado? — perguntou Sunggyu, baixo, após um bom tempo em silêncio. O músico o observou com um sorriso nos lábios, levando uma mão rosto dele.

 

— Não para você — sorria satisfeito, acariciando os lábios macios do violinista.

 

Aos poucos, Woohyun voltou a se aproximar para beijá-lo novamente, de forma tão intensa quanto as outras.

 

Eles repetiram minutos depois, trocando de posição. Dessa vez, Sunggyu estava de quatro, quando Woohyun o segurou com firmeza pela cintura ou pelos cabelos, penetrando-o por trás.

 

Se o violinista se arrependeria no dia seguinte, ele não sabia dizer. Pela primeira vez em anos, havia gostado de uma mudança, transando com alguém que não tinha interesse em magoá-lo.

 

Os dois deitaram tarde, quase amanhecendo. E ainda assim, Sunggyu conseguiu dormir melhor do que nos últimos meses.

 

*~*~*~*

 

Sunggyu acordou assustado com o barulho estridente de líquido jorrando e o grito de alguém.

 

Sentou-se na cama, confuso, observando o entorno com os olhos ainda inchados de sono. "Onde ele está?" 

 

Bocejando e ainda ouvindo um som alto, ergueu-se devagar, vestindo roupa íntima e roupão. Tentou não prestar atenção no seu estado no espelho, com os cabelos bagunçados e algumas marcas no pescoço.

 

Caminhava em direção à cozinha, percebendo que o som havia parado há poucos minutos. Woohyun estava ali, já arrumado, limpando o chão sujo de café com papel toalha. A cafeteira encontrava-se desligada pela tomada.

 

— O que houve, Woohyun-ssi? — perguntou Sunggyu, esfregando os olhos. Woohyun ergueu a cabeça em sua direção, nervoso.

 

— Desculpe… — Ele se levantou devagar, agindo como se tivesse sido flagrado roubando. — Estava com fome e tentei fazer um café, mas… sua cafeteira tem muitos botões — Woohyun sorriu sem graça, jogando os papéis-toalha no lixo.

 

Sunggyu ergueu a sobrancelha e se aproximou da cafeteira. Ligou-a pela tomada e preparou lentamente uma xícara para Woohyun que ainda o observava sem jeito.

 

"Não parece o mesmo homem de ontem." Pensou Sunggyu, oferecendo o café ao cantor que agradeceu e se desculpou diversas vezes. Isso havia feito Sunggyu observá-lo em silêncio. "Na verdade, ele só parece um idiota."

 

Enquanto Sunggyu enchia a própria xícara, os dois ficaram próximos novamente. Pela forma como Woohyun cheirava, o violinista imaginava que havia tomado banho e usado seu shampoo.

 

 — Obrigado de novo — disse o cantor, após um longo gole de café.

 

Seu sorriso era tão encantador que Sunggyu não soube o que responder. O homem todo confiante da noite anterior parecia gentil e até mesmo bastante atrapalhado. Sunggyu levou a xícara aos lábios, sentindo-se aquecido sem nenhuma razão. "Por que eu só o achei mais atraente depois disso?"

 

Os dois se sentaram na mesa para que pudessem tomar café da manhã juntos. Sunggyu estranhamente estava de bom humor, tentando lembrar-se da última vez em que tomou café com alguém.

 

— Você parece bem famoso — comentou Woohyun, observando o entorno da casa, distraído com os móveis e utensílios caros.

 

— Nem tanto — murmurou Sunggyu, levando a xícara os lábios antes de continuar. — Não sou celebridade nem nada do gênero. Minha família até acha que não é um trabalho de verdade.

 

— A maioria dos pais parece ser assim — comentou Woohyun, terminando sua xícara.

 

— Também teve problema com seus pais para seguir carreira como músico?

 

Sunggyu piscou confuso, perguntando-se o motivo de Woohyun ter parecido tão retraído e incomodado com a pergunta.

 

— Não — murmurou em resposta, voltando-se a Sunggyu com um sorriso pequeno. — Preciso ir, Sunggyu-ssi. Tenho um evento para me apresentar essa tarde.

 

— Ah, tudo bem — murmurou Sunggyu, estranhando a sensação de desapontamento que o assolou. Ao se erguer, o músico pareceu relutante por alguns segundos, tirando o celular do bolso.

 

— Posso salvar seu número? — perguntou, com um sorriso que fez o peito de Sunggyu se aquecer.

 

*~*~*~*

 

Na semana que antecedeu sua apresentação, Sunggyu chegou a convidar Woohyun por impulso. Os dois mal se conheciam ou se viram depois daquela noite, mas tinham costume de trocar mensagens rápidas todos os dias.

 

O violinista ficava pensativo sobre o reencontro. Depois da pergunta, Woohyun explicou que trabalharia em um aniversário naquele dia e pediu desculpas por não poder ver sua apresentação.

 

"Tenho certeza que será incrível. Mal posso esperar para ouvi-lo tocar pessoalmente." escreveu Woohyun em resposta. "Tenha uma boa apresentação!"

 

Subir ao palco com Myungsoo havia sido mais agradável do que Sunggyu esperava. Curvando-se ao lado de seu melhor amigo, Sunggyu sorriu nervoso ao notar aquele salão lotado.

 

— É uma honra, hyung — murmurou Myungsoo, baixo o suficiente para que apenas Sunggyu escutasse.

 

Sorrindo, Sunggyu botou o violino em seu ombro. O concerto começou agitado. Tanto Myungsoo quanto Sunggyu tocavam em uma harmonia excelente e a cumplicidade dos dois era perceptível pela forma como conduziam a melodia.*

 

Sunggyu era mais perfeccionista e experiente, ao passo em que o idealizador Myungsoo tocava com uma agilidade e carisma únicos. Sunggyu estava satisfeito a cada nota, deslizando o arco suavemente e fechando os olhos ao aproveitar a melodia.

 

— Foi incrível — havia dito Myungsoo assim que os dois desceram do palco, após terminarem o concerto. Sunggyu não teve tempo de afrouxar a gravata porque logo sentiu Myungsoo puxá-lo para um longo e apertado abraço.

 

— Obviamente, somos os melhores — comentou Sunggyu com um sorriso. Myungsoo se afastou, mas ainda parecia satisfeito com todo o resultado.

 

— Myungsoo-yah — Os dois se viraram, percebendo a aproximação de Dongwoo no camarim.

 

Abraçou Myungsoo com todo o carinho, em uma felicidade genuína. Seu namorado havia ficado tímido com o gesto e Sunggyu apenas deu um passo para trás, não querendo incomodá-los. 

 

— Tenho que ir — comentou Sunggyu, cumprimentando-os com a cabeça, disposto a se afastar.

 

— Por que não vem com a gente, hyung? Iremos jantar em um restaurante aqui perto — disse Dongwoo, observando-o de forma curiosa.

 

— Não quero me intrometer — admitiu Sunggyu, guardando o violino em sua proteção. — Talvez em outro momento.

 

— Mas não seria intromissão alguma — respondeu Myungsoo, franzindo a expressão. — Qual o problema?

 

Sunggyu sentiu-se mal, principalmente pelo olhar desapontado de Dongwoo. A verdade era que os dois sempre foram amigos desde muitos anos. O próprio Sunggyu foi quem apresentou Dongwoo a Myungsoo, em sua festa de aniversário.

 

Sunggyu havia sido o motivo de vários términos de Myungsoo, mesmo que seu melhor amigo negasse completamente. Não queria que Dongwoo também tivesse uma impressão ruim dele, então preferia não se aproximar demais. Mesmo que se sentisse culpado depois.

 

— Vou me encontrar com uma pessoa hoje — mentiu Sunggyu, recebendo um olhar de curiosidade do casal.

 

— Seu namorado? — perguntou Dongwoo. "Talvez ele pense que ainda namoro o Haneul."

 

— Não… É só alguém que tenho saído ultimamente — explicou, botando alça do violino no ombro. Sorriu de forma nervosa. — Um dia o apresento a vocês.

 

Dongwoo pareceu se convencer, sorrindo e desejando boa sorte ao Sunggyu, que se sentiu ainda mais culpado. Myungsoo o observava desconfiado, mas concordou em seguida, despedindo-se.

 

Os passos de Sunggyu eram apressados até a saída. Cumprimentou algumas pessoas que o parabenizaram, mas fez o possível para chegar em seu carro o quanto antes. Já estava cansado de fugir e se achar um incômodo em tudo o que fazia.

 

*~*~*~*

 

Fazia dias que não via Woohyun e estranhava toda a saudade que tinha.

 

Os dois andavam tão ocupados na última semana que suas mensagens geralmente se resumiam em quais dias poderiam se ver. 

 

Guardou o celular no bolso após checar suas mensagens e perceber que Woohyun não o respondia desde a noite anterior. Sunggyu suspirou, observando as pessoas entrando e saindo do aeroporto naquela noite. Ao longe, viu Myungsoo se aproximar arrastando uma mala, acompanhado por seu namorado, Dongwoo.

 

Sunggyu acenou em direção aos dois quando o avistaram. Esperou até que estivessem frente a frente com ele.

 

— Está aqui há muito tempo? — perguntou Myungsoo. Os três começaram a caminhar juntos para dentro do aeroporto.

 

— Acabei de chegar — respondeu Sunggyu.

 

Myungsoo estava claramente nervoso, embora Dongwoo tentasse entretê-lo sempre conversando ou dizendo onde eles teriam que seguir. Sunggyu andava um pouco atrás, observando-os em silêncio.

 

— Não vem, hyung? — perguntou Dongwoo ao virar-se rapidamente. Sunggyu suspirou ao encará-los.

 

— Claro.

 

Os minutos passaram bem rápidos. Depois de Myungsoo fazer o check-in, os três seguiram até o terminal de embarque, onde Myungsoo deveria entrar sozinho. Ele se virou para os dois, antes de seguir para o terminal.

 

— Está nervoso? — perguntou Dongwoo atenciosamente, enquanto segurava suas mãos. Myungsoo negou, embora tivesse o abraçado bem forte em seguida. Sunggyu preferiu observar a parede, sentindo-se um pouco deslocado.

 

— Vou ligar todo o segundo — murmurou Myungsoo, suspirando ao se afastarem lentamente. Pareciam querer se beijar ali mesmo, mas não podiam, já que estavam em local público.

 

— Ficarei esperando — respondeu Dongwoo, com um largo sorriso. Myungsoo parecia emotivo, recusando-se a se afastar mesmo com o anúncio de embarque imediato.

 

Embora ainda evitasse observá-los, Sunggyu percebeu a aproximação de Myungsoo.

 

— Fique bem, hyung. E por favor, não o reencontre — pediu Myungsoo, baixo e preocupado. Ele também o abraçou forte, mas não demorou muito a soltá-lo. — Volto em algumas semanas.

 

— Eu sei.

 

Sunggyu deu um pequeno sorriso antes de se afastar. Suspirou ao pensar naquelas palavras, sabendo que o amigo não se referia a Haneul. "Eu não sou o mesmo idiota de antes".

 

Myungsoo seguiu até o terminal, despedindo-se constantemente com as mãos antes de se afastar. Quando ele estava distante, Sunggyu se virou, percebendo que Dongwoo começou a chorar silenciosamente ao seu lado.

 

Olhou para os lados, totalmente perdido, antes de aproximar de Dongwoo, segurá-lo em seus ombros e guiá-lo até um dos bancos. Depois de fazê-lo sentar-se ali, comprou uma água e ofereceu ao Dongwoo.

 

— Se estava tão triste, por que não disse antes? — perguntou Sunggyu, encarando-o preocupado. Dongwoo limpava as lágrimas com a costa da mão.

 

— Não queria que ele ficasse mais nervoso — admitiu Dongwoo, com a cabeça baixa. — Irei ficar bem. Só… não sou acostumado a passar tanto tempo longe dele.

 

Observava-o sem saber o que dizer. De fato, tanto Dongwoo quanto Myungsoo eram bem emotivos, embora ainda se surpreendesse com o quão apaixonados eram um pelo outro.

 

— Não precisa se afastar de mim por achar que eu teria ciúme de vocês — disse Dongwoo, fazendo o violinista piscar confuso. O amigo focou o olhar sobre ele, suspirando. — Eu sei o que houve entre os dois.

 

— Myungsoo te contou?

 

— Ele me conta tudo — confessou Dongwoo, sorrindo tristemente. — Não tem motivos para se preocupar, não sou nenhum idiota. Confio muito nele e sei que o que tiveram já passou.

 

— Você é uma pessoa muito boa — comentou Sunggyu, sorrindo de volta e acariciando o ombro de Dongwoo. — Se estiver se sentindo sozinho, pode me ligar.

 

Os dois conversaram por longos minutos, antes de se levantarem e se despedirem. Sunggyu caminhou até a saída, os passos apressados em direção ao carro, tentando se afastar da brisa fria que o atingia forte naquela noite.

 

Ao entrar no carro, buscou o celular em seu bolso por hábito. Os olhos se abriram um pouco mais e um sorriso retornou aos seus lábios. Talvez já estivesse apegado até demais.

 

"Posso ver você hoje?" Perguntou Woohyun.

 

*~*~*~*

 

Os gemidos de Sunggyu eram baixos e deliciosos, ao passo em que Woohyun o apertava pela cintura e o penetrava com mais afinco. Estavam assim por longos minutos e ainda não haviam se cansado.

 

Durante aqueles dias, Woohyun passou a ir até sua casa com mais frequência, para que se perdessem por baixo dos lençóis.

 

O humor de Sunggyu sempre melhorava ao tê-lo por perto, porque além do sexo, o músico sempre o tratava com gentileza ao acordar, fazendo-o companhia no café da manhã. Woohyun era agradável, bonito e extremamente sensual. Uma companhia que Sunggyu já havia se acostumado.

 

Depois do sexo, Woohyun deitou-se ao seu lado, ofegante. Sunggyu fixou o olhar na parede oposta, observando o violão de Woohyun apoiado ao lado da cômoda. 

 

— Por que comprou um violão de 7 cordas? — perguntou Sunggyu, virando-se ao Woohyun devagar. O cantor o encarou com um sorriso, ajeitando-se sobre a cama.

 

— Meu avô me presenteou quando eu tinha 11 anos — disse Woohyun. — A última corda é mais grave do que as outras, afinada em si.

 

— É mais difícil de tocar? 

 

— Não muito. Mas como aprendi a tocar sozinho, foi difícil achar partituras que ensinassem a tocar com 7 cordas. O canto foi mais fácil porque tive professor.

 

Sunggyu concordou, sorrindo ao pensar em Woohyun tão dedicado, tentando aprender violão sozinho. Lembrava-se dele mesmo com o sonho de aprender violino e de  emocionar várias pessoas com sua melodia.

 

— Você já me ouviu cantar várias — comentou Woohyun, aproximando o rosto do de Sunggyu. — Quando poderá tocar para mim?

 

— Acabamos de transar e quer que eu toque violino agora? — perguntou Sunggyu, rindo levemente.

 

— Juntar as melhores coisas do mundo: sexo e música — Woohyun dizia, com os olhos se fechando de sono e um sorriso nos lábios. Sunggyu ajeitou os cabelos que caíam na testa de Woohyun. 

 

Desceu os dedos pelo rosto, pescoço, clavícula, até parar entre o ombro, encontrando uma fina cicatriz. Ao tocá-la com a ponta dos dedos, percebeu Woohyun se retrair um pouco e franzir a expressão, porém, sem afastar os dedos de Sunggyu dali.

 

— Queria te perguntar coisa, mas não sei se é pessoal demais — comentou Sunggyu, fazendo Woohyun abrir seus olhos novamente.

 

— Pergunte.

 

Já era quase 4:00 e Sunggyu sentia-se extremamente cansado. Porém ele gostava de observar Woohyun, porque o cantor era um completo enigma. Dedicado e gentil, mas muito relutante quanto a sentimentos. Era o que fazia Sunggyu se identificar com ele.

 

— Tem algum motivo para evitar se apaixonar? — começou, em um tom baixo. — Alguma mágoa ou relacionamento que teve?

 

— Nada — disse Woohyun, sorrindo, embora seus olhos fizessem muito esforço para permanecerem abertos. — Eu só não sinto.

 

— Queria não sentir também — comentou Sunggyu, de forma pensativa.

 

— Teve alguma desilusão, não é? — Woohyun o observava. — Sei que não posso ajudar muito, mas sempre que quiser uma companhia para dormir melhor, você pode me ligar.

 

— Não dormir — corrigiu Sunggyu, fazendo-o rir.

 

Queria poder dizer que havia sido somente uma decepção, mas ele lembrava-se de todas. O abandono de Haneul, as mentiras de Changwook, as discussões constantes com Jinki e as traições de Yoonsang. Minkyu havia sido o namoro mais traumatizante de todos. E mesmo assim, Sunggyu não conseguia se livrar dele de forma alguma.

 

O único que não teve intenção de machucá-lo foi Myungsoo, embora fosse de longe um dos piores términos. Doía saber que ele havia sido o maior amor de sua vida, mas os sentimentos dos dois nunca foram os mesmos.

 

Quando terminaram, Myungsoo chorou igual uma criança, pedindo tantas desculpas. Sunggyu não derramou nenhuma lágrima porque no fundo sabia. Consolou-o e pediu um tempo para que o esquecesse. Porém ele nunca havia esquecido, mesmo depois de voltarem a serem melhores amigos. Todas aquelas mágoas ainda permaneciam com ele.

 

— Seis — murmurou Sunggyu, enquanto Woohyun o observava confuso. — Foram seis longos relacionamentos.

 

— Não consigo me imaginar em um namoro, imagine seis — comentou o mais novo, franzindo a expressão.

 

— Eu me pergunto no que errei em cada um deles — murmurou, suspirando longamente, voltando a acariciar os cabelos de Woohyun. — Se fui compassivo demais, se dei muita liberdade ou se acabei demonstrando alguma insegurança. Sinto que, por isso, acabo sendo rígido demais comigo mesmo, martirizando-me a cada erro.

 

— Mas — começou Woohyun, com os olhos fechando-se aos poucos — Você os fez sofrer ou todos o magoaram?

 

O olhar de Sunggyu pareceu confuso por alguns segundos.

 

— Errei com todos… em ter perdoado ou relevado os problemas.

 

— Não foi o que perguntei — disse Woohyun, os olhos se entreabrindo rapidamente. — Eles erraram muito com você?

 

Sunggyu demorou a responder.

 

— Sim.

 

— Então, por que você se culpa pelos erros dos outros? — perguntou, baixo e sério. — Só não consigo entender. Você tem tudo em suas mãos. É bonito, talentoso. Pode ter quem quiser aos seus pés.

 

— Para alguém que nunca namorou, você parece saber bem o que diz — comentou Sunggyu, tentando mudar o foco do assunto. Woohyun sorriu.

 

— De arrependimento, eu entendo muito bem — murmurou o cantor, voltando a fechar seus olhos.

 

Preferiu admirá-lo naquele momento em vez de dormir, observando cada mínimo traço de Woohyun. O peito se aquecia de uma forma que não esperava e muito menos queria. Já estava tarde demais para voltar atrás. Ainda tinha muito a se arrepender.

 

"Está rápido demais", pensou ao levar os dedos até o rosto de Woohyun, com a expressão totalmente esgotada.

 

 

 

 


Notas Finais


Mozart* : https://youtu.be/i-WrSji-OEw

Verdadeiro sobrenome de Haneul é Kim e não Kang*

I swear: https://youtu.be/Om5haOV8HTE

Vivaldi concerto for 2 violins: https://youtu.be/m1k_yexUE6s

o violão de sete cordas realmente existe e é bem raro encontrar violonistas que o utilizem, a última corda é mais grave e afinada em si ou lá

obg por lerem até aqui! o próximo capítulo será daqui a uma semana e logo em seguida o último. a fic já está completa, então não devo demorar muito a atualizar. enfim, até a próxima!!


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