História Seu instante de febre - Capítulo 27


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Categorias La Casa de Papel
Personagens Ángel, Arturo Román, Berlim, Coronel Prieto, Denver, Helsinque, Mãe da Raquel, Mônica Gaztambide, Moscou, Nairobi, Professor, Raquel Murillo, Rio, Tókyo
Tags Alicia Sierra, Álvaro Morte, Itziar Ituño, Money Heist, Najwa Nimri
Visualizações 95
Palavras 2.494
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Famí­lia, Ficção, Policial, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


1. perdi tudo que eu tinha dessa fic salvo cmg, teria demorado mais p att se o anjinho da minha vida, legalmente conhecida como Larissa Fantini, não tivesse ido atrás de várias coisas p mim
2. minha outra amg que corrige os textos está ocupada e como eu já demorei p att, estou postando esse cap hj, então caso vc seja algm que se incomoda com erros gramaticais, não recomendo kkkk ainda esta semana ela entra aqui p corrigir; então caso queiram esperar até o final de semana p ler um texto supimpa, não os culpo
3. boa leitura, querubins ♡

Capítulo 27 - Capítulo XXI


“Só depois é que pensava com satisfação: sou datilógrafa 

e virgem, e gosto de coca-cola. Só então vestia-se de 

si mesma, passava o resto do dia representando 

com obediência o papel de ser.” 

A Hora da Estrela, Clarice Lispector. 

 

Quarto dia de assalto – Parla, Espanha. 

 

Dir-se-ia que tais segundos em silêncio se prologaram por horas. Os três se olhavam e ninguém tomava a iniciativa pois, de repente, o ambiente tornara-se um campo minado e uma simples palavra poderia contribuir para a vitória de um lado e o fracasso do outro. Tentavam a todo custo observar a fisionomia dos outros para descobrir uma mentira escondida no olhar, uma intenção perdida nos movimentos das mãos, um segredo que escorregava pelo canto dos lábios; mas nada. Absolutamente nada. Aquele encontro a três era tão improvável que o som da televisão somado ao estilo rococó do ambiente apenas contribuía para a irrealidade da situação.  

You see boys, sometimes in life you really have to face the consequences of your actions, and sometimes you just run! 

Enquanto apenas a personagem animada Nicole Watterson falava, Tamayo ponderava se a reação de Raquel denunciava se ela já sabia do pedido de anistia ou não e ela tinha plena consciência desse intento. Encarava o policial e a Monica sem saber o que fazer, tamanha era a vontade de voar na garganta de um e no abraço da outra que essas ganas se igualaram. Paralisaram-na. Monica que precisava de um reconforto para o espírito desde que saiu do Banco, sentiu-se frustrada e magoada diante de tal hesitação em recebê-la, mas relembrou-se de que aparecera inusitadamente acompanhada do inimigo, que garantia teria ela de que estava fazendo algo bom? Ruim? Nenhuma. Norteada por essa linha de raciocínio, foi até à (ex-) companheira e a abraçou forte. 

– Pensávamos que você.... mas depois.... meu Deus! – Murmurou com a voz embargada.  

Raquel a abraçara mecanicamente, ainda confusa e temerosa da situação, mas sentir e ouvir a alguém que representava não apenas o mundo real no qual estava sendo privada, mas todo o seu passado; a fez estremecer e afundou-se ainda mais no abraço dela. Eram tantas as perguntas, os questionamentos, os medos, as dúvidas – que tudo se embaralhava em sua mente e as palavras morriam na ponta da língua. Estocolmo estava ali consigo! Por frações de segundo, os cabelos louros, a pele branca, ela toda se transformara em radiante, o próprio sol que iluminava o caos em meio à tempestade, o próprio sol de outubro; mas seu mundinho se despedaçou mais rápido que seus barquinhos de papéis esquecidos na varanda durante uma tempestade em Palawan quando a voz de Tamayo as trouxe de volta à realidade: 

– Comovente, mas não se esqueça, Gaztambide, de que lado você está. 

A frase fez Murillo desvencilhar-se lentamente, a fim de verificar algum sinal na mulher que desmentiria tal afirmação e apenas encontrou a mais genuína resolução e se o abraço agiu como paliativo para todos aqueles sentimentos ruins que a sufocavam, seu término serviu como um catalisador para sua exploração, sua erupção. Foi em direção ao Coronel, pisando forte e vociferando: 

– Seu filho da puta, só agora que teve coragem de vir aqui? Você não mudou nada, continua o mesmo macho de merda, o mesmo macho de merda! 

– Depois de tantos anos é assim que você me recebe? 

– Vá para a puta que pariu, Tamayo, cadê a Alicia? – Apontou para Monica – que porra está acontecendo aqui? 

– Interessante você tocar nesse assunto porque, aparentemente, enquanto alguns traem a polícia, outros se juntam a ela – e prosseguiu antes mesmo que ela reclamasse por mais detalhes –, estou cansado e não sou obrigado a te comunicar coisa alguma, você está aqui porque quis – voltou seu olhar para Estocolmo e informou – você tem apenas alguns minutos – e saiu.  

Murillo continuava a olhar a porta, como se ele fosse voltar e dizer, por fim, tudo; nem que isso representasse o fim, mas ao conferir a inércia do objeto, voltou-se para a outra de modo exasperado: 

– Cadê os out... a polícia consegu...e o serg – corrigiu-se –... o profes – 

– Raquel, calma! – Interrompeu enquanto colocava as mãos em seus ombros para acalmá-la – a polícia não conseguiu entrar no banco, eu que saí e pedi anistia – seus olhos se arregalaram tamanha confusão e desgosto – aaah, se você soubesse! Como meu coração estava angustiado! – Percebendo que a outra não a compreendia, finalizando com a voz cheia de ternura – eu pedi, ou melhor, exigi que me deixassem vê-la, estava tão preocupada, depois do que fizeram com Rio pensei que – 

Raquel se afastou bruscamente e começou a andar em círculos no cômodo. Detestava não entender o que estava acontecendo e o mundo parecia estar de ponta cabeça enquanto ela parecia uma boneca em sua casinha de brinquedo, mas estava sendo gravada, tinha certeza de que Tamayo observava cada fração de segundo e como conversar com Estocolmo sob tais condições? Ou melhor, Monica estaria falando a verdade? Sua cabeça latejava e fechou os olhos com força – jamais imaginou que poderia estar tão próxima de alguém que pudesse confiar seus demônios guardados ao longo das 48h e simplesmente não poder fazê-lo. Parou por um instante, seu coração batia forte, queria cuspir as perguntas que tanto a sufocavam, mas se negava a dar esse gostinho à polícia. Nesse estado de espírito permaneceu até que sentiu dedos finos e longos lhe segurando o rosto, abriu lentamente os olhos. 

– Eu sou Monica Gaztambide – disse devagar até que seus olhos encontrassem com os de Raquel e pudesse acompanhar cada sílaba –, parei de alisar meus cachos com 21 anos, sou procurada internacionalmente, casei-me com o pai de coração do meu filho e amo artesanato.  

Aquelas palavras deixaram a outra mulher em um transe por alguns segundos e quando voltou para a realidade, ela era mais leve pois agora compreendia tudo e a abraçou, forte, de doer as costelas.  

– Estou bem, juro – sussurrou – e você? – Afastou-se um pouco e começou a passar a mão no rosto da outra como a procura de algum machucado. 

– Também estou – segurou as mãos de Raquel e lentamente as afastou –, não sei quanto tempo temos, preciso te perguntar algo – respirou fundo – você estava grávida? 

Tanta coisa passara em um intervalo de tempo tão curto que Raquel sentia-se há anos naquela situação, foi com considerável desconforto que vasculhou na sua mente o sentido daquela pergunta.  

– Ahhh, isso – contestou com certa impaciência – não, não estava – ao ouvir o suspiro de alívio, indagou – as pessoas acreditaram? 

– Acredito que sim. Se até os nossos acreditaram, vocês eram muito reservados, Raquel, não tinha como saber se era verdade ou não e não tínhamos motivos para pensar o contrário.  

– E o professor? – Tentou soar apenas como uma integrante do grupo. Falhou. 

– É difícil saber se o sofrimento dele foi por isso ou apenas pela tua...morte. Você sabe como é ele, não deixaria que fizéssemos perguntas pessoais, no máximo falou com Palermo.  

– Entendo.  

Ficaram em silêncio tentando mensurar o peso daquelas palavras. Professor, o cérebro da operação, achava que Raquel estava morta e as duas olhavam aquelas paredes que transmitiam tanta calma enquanto pensavam que neste exato momento, a polícia poderia estar tentando entrar novamente no Banco.  

– Monica...você chegou a conversar sobre a situação de Cincinnati? 

Uma onda elétrica percorreu seu corpo. Não, não havia. Sequer passara pela sua cabeça e começou a tremer diante de sua irresponsabilidade como mãe. Raquel percebendo o efeito de sua pergunta, segurou sua mão entre as suas enquanto dizia com doçura: 

– Você sabe que ele está protegido e ficará conosco até quando você queira e achar seguro.  

– Sim, eu sei – concordou levemente com a cabeça – obrigada.  

Apenas a simplicidade de mães que estão a incontáveis quilômetros de distância de suas crianças consegue explicar esse momento. Ficaram em silêncio porque nesse momento era mais importante ser respeitada do que compreendida. As duas tomaram decisões difíceis para estarem paradas naquele lugar e poderiam ficar horas e mais horas explicando suas motivações, mas pelo menos naquele instante, queriam afastar o medo de não saber sobre seus futuros com o calor da presença de uma semelhante. Pela primeira vez Monica se permitiu a explorar o quarto, a comida disposta na mesa, a cama levemente desarrumada, Raquel com aqueles trajes tão peculiares para alguém que era prisioneira e de repente sua vista repousou na televisão e começou a gargalhar alto. Ria porque aceitara participar de uma loucura. Ria porque sua vida estava fora de seu controle. Ria porque tudo não parecia passar de um delírio. Raquel que percebeu a causa de tal histeria, começou a explicar-se: 

– Você deve ter reparado que estão me tratando de modo muito suspeito e depois que eu conversei com a Alicia hoje, fiquei aqui, sem nada para fazer, senti que ia enlouquecer de tanto pensar. Desesperadamente comecei a tentar achar um modo de escapar, de fugir, mas nada, porém achei uns esmaltes, hidratação, tomei outro banho. Colocaram essa televisão e comecei a apenas tinha esse canal, sabe, esse desenho é um dos favoritos de Paula e foi um modo de me sentir mais próxima dela, aprendi palavras novas – as duas riram – aquário é fishbowl – suspirou ao perceber a felicidade momentânea se esvaziando aos poucos pelos seus dedos e aquele medo surgindo como um bicho papão que sai debaixo da cama sem fazer barulho – eles me usarão, Monica, não sei como nem quando, mas conheço a Alicia, ela está pensando em algo e me agonia estar de mãos atadas. Tenho a sensação de que estou fazendo exatamente o que ela quer e nem sei como impedi-lo.  

– Raquel...ele declarou guerra por você, pela tua morte.  

Raquel estremeceu. Automaticamente recordou-se do bombardeio e perguntou se teria relação. Por mais que estivesse curiosa, tinha em si muito clara a distinção entre Raquel e Lisboa, limitando-se a perguntar: 

– Como o professor reagiu? 

– O professor está tentando defendê-los – percebeu a intenção da amiga e contornou a situação –, mas o Sergio, Raquel, ele está sangrando por dentro. Nunca o vi nessa situação e eu estive presente quando Berlim morreu. 

Raquel fechou os olhos e sentiu as lágrimas queimarem as suas faces. Recordou-se de todas as madrugadas que o abraçava forte depois de um pesadelo, como Sergio era sensível e se isolava em seu castelo construído com dor. Queria lhe abraçar, dizer que estava viva e bem e que o amava e que também queria passar o resto de sua vida com ele. Queria confortá-lo e ser reconfortada do modo que apenas ele sabia. Estocolmo em nenhum momento parou de tentar acalmá-la, mas logo em seguida chegou um segurança pedindo que o acompanhasse. Não soube quanto tempo ficou sendo vigiada em um cômodo mui diferente do pertencente à Raquel. Alimentaram-na e a deixaram entregue aos seus pensamentos enquanto encarava aquelas paredes sem vida.  

Raquel foi avisada pelo mesmo segurança que se preparassem pois seria chamada. Arrumou-se mecanicamente e resignou-se a sentar e esperar – enquanto seus pensamentos estavam a mil. Após algumas horas foi chamada a uma sala diferente da que estivera pela manhã. Alicia e Tamayo estavam sentados em um lado da mesa, esperando por ela. No outro lado, tinha seu acento e umas pessoas para lhe colocar os fios do polígrafo. Sabia que esse momento chegaria. Nenhuma palavra foi trocada até que ela estivesse pronta.  

 – Olá, querida – Alicia começou a Raquel não pode ignorar como ela estava revigorada, claramente tinha descansado – você já sabe como isso funciona. Então vamos lá. Você está bem? 

– Não – a máquina mostrou que era verdade. 

 – Que pena! Vamos ver se nossas novidades te animam. 

 – Essa era a tua casa em Palawan? – Questionou Tamayo enquanto tirava algumas fotografias de um envelope.  

Raquel oscila ao ver aquela casa em que tanto foram felizes. A biblioteca de Sergio, quarto de Paula, o de Mariví, absolutamente todos os espaços possíveis e impossíveis foram fotografados. Sentiu uma dorzinha aguda ao ver sua cama e de Sergio cheio de origamis e barquinhos de papel que fizeram para se acalmar algumas horas antes da viagem.  

 – Sim – era verdade.  

– Ótimo! Então catalogamos as digitais e encontramos a do teu professor – e mostrou uma ficha criminal com os dados de Sergio e a foto do momento que ele se expôs ao mundo inteiro – você confirma que ele é o Sergio Marquina, o mesmo que viveu com você depois que você saiu da Espanha há dois anos?  

 – Confirmo – era verdade.  

– E onde está o professor? 

 – Na letra P do dicionário – e virou-se para o polígrafo para mostrar como era verdade. 

Alicia riu genuinamente.  

– Melhorarei a pergunta: onde está o teu professor? 

Silêncio. Raquel se recusava a pronunciar uma palavra. Tamayo perguntou irritado: 

– Como eles sairão com o ouro? 

 – Não estava nessa aula – novamente olhou para o polígrafo.  

 – Não estamos com brincadeiras, como sairão com o ouro? E do Banco? Farão ao mesmo tempo? 

Mais autêntico silêncio.     

 – Você nos dará mais alguma informação? 

 – Não – verdade. 

Tamayo encolerizou-se ainda mais e esbravejou: 

– Você diz sobre mim, mas continua a mesma, a mesma cadelinha de macho de sempre. Mais uma vez jogando tua vida no lixo por estar apaixonadinha. Não lamento a tua saída da polícia porque você é fraca demais para assumir tal responsabilidade.  

Raquel não acreditava estar escutando àquilo, por alguns segundos imaginou em uma resposta, mas o encarou com concentração e percebeu que não valia a pena. Ela lidara com ele e com pessoas piores, não deveria nivelar-se por baixo. Colocou as duas palmas das mãos na mesa e levantou-se lentamente em sua direção, chegando suficientemente perto para cuspir-lhe na face com categoria. Reagindo ao insulto, ele se levantou prontamente, mas Alicia o segurou pelo braço e pediu ao segurança que a levassem ao seu aposento. A Inspetora se mantinha indiferente às reações do Coronel, apenas a analisava minunciosamente para saber se em alguma perda de controle, diria algo e Raquel apenas se perguntava como que alguém de que fora tão próxima outrora poderia escutá-lo dizer tais coisas sem ferir ao menos a mulher que existia dentro de si. Assim que o segurança foi ao seu encontro, não pode evitar lamentar: 

– A que nível você se rebaixou, Alicia, se sujeitado até a trabalhar com alguém como ele para conseguir o que quer! 

– Não diga besteiras, Raquel, você já nada sabe sobre mim – murmurou sem paciência. 

– Te conheço suficientemente para saber a única razão pela qual está grávida e você me dá pena.  

Sierra suspirou fundo e não a respondeu, observando-a sendo levada. Ao ouvir o barulho da porta fechando-se atrás de si, disse ao Tamayo em tom muito distante de alguém que acabara de ser insultada.  

– Tamayo, pelo amor de Deus, não seja criança, não perca o controle agora. Gaztambide está a caminho, recomponha-se. 

Estava sendo uma noite cheia de emoções, deveras. Raquel voltava para seu quarto com o coração batendo tão acelerado que sentia como seu peito fosse romper-se a qualquer instante. Monica seguia o segurança com tanta emoção que sentia seus pulmões reclamarem urgentemente de ar. Mas nada se comparava ao estado do professor após ouvir às notícias de Marsella.  


Notas Finais


é mt importante p saber o que vcs estão achando, no próximo cap revelo como a monica sabia, então caso vcs queiram ousar e arriscar alguma teoria p conseguir o spoiler, o não vcs já têm
beijinhos ♡


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