História Seu Olhar - Capítulo 6


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Categorias ATEEZ
Personagens Hongjoong, Jongho, Mingi, San, Seonghwa, Wooyoung, Yeosang, Yunho
Visualizações 33
Palavras 4.135
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: LGBT, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Misericórdia o tamanho desse capítulo kkkkkk
desculpa de vdd

Espero que gostem.

Capítulo não betado e sujeito a mudança para correções.

Boa Leitura.

Capítulo 6 - Chapter 5


Yeosang estava jogado no sofá do apartamento de Jongho, o Choi morava sozinho e mesmo assim vivia estressado com as coisas que envolviam seus pais. O Kang não sabia por que, nunca ousara perguntar, mas tinha muita curiosidade. Ele estava encarando o teto enquanto ouvia o Choi e o Jung discutirem/debaterem/exporem o quanto seus futuros pretendentes eram incríveis. O Kang quis rir, mas não estava com vontade de ter a cara partida ao meio. Ouviu um grunhido irritado por parte do Choi e acabou sentando-se no sofá, olhou para a cozinha e sorriu de canto. Jongho revirou os olhos ao ouvir o nome de San e encarou Yeosang em busca de uma ajuda, o outro apenas deu de ombros enquanto observava a tudo.

— Não acredito que você e o San estão de rolo. — Jongho estava indignado.

— E você? — Wooyoung indagou enquanto caminhava até o sofá. — Você e o Hongjoong, de namorinho. Pensa que eu não vi vocês dois atracados na escada que leva pros laboratórios de música?

— Me erra Wooyoung. — o Choi revirou os olhos. —Você e toda a universidade sabem que o Hongjoong não é uma pessoa ruim, bem diferente do tal San.

— San não é uma pessoa ruim, ele só vive a vida dele e deixa a vida dos outros de fora. Simples. — deu de ombros, sentando ao lado de Yeosang. — Não acha que se metade das pessoas da universidade fosse como ele, estaríamos em um lugar de paz e não em um campo de batalha onde aquele que sabe mais sobre a vida do outro; ganha?

— Odeio ser estraga prazeres, mas o Woo tá certo. — Yeosang concordou, ajeitando os óculos no rosto. — E eu nunca vi o San perturbar ninguém ali.

Jongho revirou os olhos, sentando na poltrona e colocando o que trazia em cima da mesinha de centro. Os amigos começaram a comer enquanto continuavam conversando, Yeosang se sentia mal por não ter contado o que acontecera, mas ao mesmo tempo sabia que se contasse Wooyoung surtaria.

Perdendo-se em pensamentos Yeosang se lembrou das coisas conversadas com Mingi. Ele se lembrava de ter visto muitas vezes o Song andando pela universidade, usufruindo agora da sua boa conduta e notas, Mingi estava quase irreconhecível. Sempre com os olhos focados no livro, estudando e/ou fazendo mais anotações sobre os conteúdos. Estava tão centrado e estudioso – bem mais do que já era – que era quase imperceptível às olheiras e o cansaço em sua face. Já Yunho era visto conversando com seus colegas de turma, rindo e sorrindo, nem parecia que havia brigado com Mingi. Que os dois estavam sem trocarem olhares, palavras, carinhos amigáveis e sem compartilharem segredos. Eram completos estranhos.

Os dois não mais eram vistos andando juntos e nem sendo os amigos inseparáveis de sempre.

Havia mágoa no olhar de Yunho e culpa no de Mingi.

E, querendo ou não, sempre havia uma tensão no ar quando os dois passavam um pelo outro no corredor. Onde se via Yunho com o olhar fixo no corredor, ignorando o Song, e Mingi com o olhar preso ao chão fingindo que não existia.

— Terra para Yeosang. — Jongho chamou, vendo o Kang balançar a cabeça negativamente. — Aconteceu alguma coisa?

— Eu tava pensando. — respondeu, pegando um dos sanduíches.

— Pensando em quê? — Wooyoung indagou enquanto bebia seu refrigerante, seu olhar se encontrando rapidamente com o de Jongho. — No Seonghwa?

— Antes fosse. — Yeosang respondeu triste e com o olhar preso no sanduíche antes de dar uma mordida, não notando as caretas trocadas por Jongho e Wooyoung. — Eu tô pensando na minha conversa com o Mingi.

— Na sua o quê? — os dois indagaram chocados.

— Um mês atrás eu conversei com ele, na verdade ele conversou comigo. — suspirou, recolocando o sanduíche no lugar de origem. — Mingi ama Yunho, não é um amor novo. É antigo, é doloroso pra ele.

— Isso não justifica as agressões e nem a forma como ele agia. — Wooyoung estava visivelmente se alterando. — Yeosang-...

— Wooyoung, eu sei o que está pensando e sei exatamente o que vai dizer. Eu não sei explicar o motivo ok? Ele pediu para conversar comigo e eu aceitei, conversei com ele e ouvi o que ele tinha a dizer. — encarou as mãos. — Eu sei que não devo, mas eu acredito nele, principalmente quando ele diz que estava fazendo tudo isso por estar cego de ciúmes.

— Yeosang?! — Wooyoung estava descrente das palavras do amigo.

— Wooyoung, ele tem razão. — Jongho disse vendo o Jung o encarar ofendido. — Ciúmes cegam as pessoas, se Mingi estava com ciúmes e estava se sentindo ameaçado com a presença de Yeosang, ele agiu da forma que ele achou mais correta. — começou encarando a expressão emburrada do Jung. — Não estou defendendo ele, nem mesmo justificando suas formas de agir, longe disso, apenas estou expondo minha opinião com base no que o Yeosang está nos dizendo.

— Foi justamente isso que ele afirmou, que estava agindo por ciúmes. Porque eu causava alguma no Yunho e consequentemente nele. — Yeosang disse, encarando os amigos. — Ele disse que tinha sido medroso, covarde e que me culpou por algo que ele não tinha controle. Yunho e ele não estão se falando, parece que ele descobriu as coisas que o Mingi fazia e os dois brigaram. Mas o que eu quero dizer é que... Nenhum de vocês notou que ele não mexeu mais comigo?

Jongho e Wooyoung se encararam, como se estivessem tendo uma realização conjunta, os dois assentiram de forma surpresa. Estavam chocados. Era verdade que Mingi se tornara praticamente invisível, como se fosse apenas mais um aluno daquela universidade e não um arruaceiro e bagunceiro que dentro dos muros da instituição era um anjo. Mas fora dela era pior que o capeta.

— Mingi pediu desculpas e mesmo que eu não tenha o perdoado integralmente, pude ver suas mudanças e entender o que ele quis dizer com “não vou mais mexer com você”. Mingi não fala mais comigo, não além do necessário, e na última vez que pudemos trocar algumas palavras; ele me acompanhou até o ponto de ônibus. — o Kang parecia tirar um peso dos ombros. — Eu precisava falar isso por que...

— Por quê? — Jongho indagou.

— Eu quero falar com o Yunho. — disse de forma segura e convicta. — Mingi pode ter errado e eu sei disso, mas também sei que ele está sofrendo por não poder falar e desabafar com a única pessoa que confia. — viu Wooyoung suspirar e bagunçar os cabelos. — Woo, você pode perguntar ao San se quiser, ele vai dar as mesmas respostas que eu. Mingi e Yunho eram melhores amigos, o maior erro do Mingi, segundo ele, foi amar quem não o amava e por consequência se deixar cegar pelas coisas que ele acreditou que eram as certas.

— Você até pode falar com ele, mas só fará isso na presença de um de nós. — foi Jongho quem tomou as rédeas da situação. — Não é que eu não confie nesse tal de Yunho, mas levando em consideração que ele tinha Mingi como amigo, não podemos arriscar.

Yeosang concordou, sabia que seria difícil achar o Jeong ou conseguir uma conversa com ele sem chamar atenção. Mas tentaria, principalmente por querer que Mingi tivesse uma segunda chance.

— Vamos mudar de assunto. — Wooyoung pediu, abrindo o seu típico sorriso e vendo os amigos concordarem.

Nos dois dias que iniciaram aquela semana bastante calma depois da conversa que os três amigos tiveram, Yeosang começara a ver Seonghwa com uma frequência que ele não considerava mais normal. Naquele dia em questão, Yeosang estava sentado ao lado de Dongju – apelidado de Xion por metade da turma – e os dois conversavam baixinho sobre o trabalho que fariam em dupla. Nenhum dos dois tinha amigos naquela disciplina, nenhum dos dois conseguia elevar a voz sem sentir que metade da cidade estava olhando para ele e por isso decidiram que seriam os melhores parceiros do mundo. Nem mesmo estando naquele espaço o Kang deixara de ver Seonghwa, o Park passara com os fones no ouvido e com uma expressão emburrada. Parecia atrasado para alguma aula.

O rapaz balançou a cabeça negativamente antes de encarar a pessoa ao seu lado, sorrindo pequeno ao vê-lo tentar entender sua caligrafia sem precisar pedir ajuda. Yeosang apontou para a palavra, Dongju o encarou e assentiu, recebeu como resposta o que estava escrito ali. Sorriram e continuaram estudando enquanto conversavam baixinho. Foi em meio as suas conversas quase diárias que Yeosang descobriu que Xion namorava Geonhak, que era tímido e reservado por não gostar de chamar a atenção de ninguém e que usava um aparelho auditivo.

Era um rapaz formidável e atencioso, mesmo com as suas limitações.

Yeosang pegou seu caderno e passou algumas folhas, mostrando uma das aulas que Xion faltara e que seria uma das mais cruciais para o seminário que apresentariam. O Kang tentava explicar da melhor forma possível, sem gaguejar e sem acelerar demais as suas palavras. Queria muito que o outro entendesse e assim os dois começassem a desenvolver todo o conteúdo que tinham que explicar. A cadeira a sua frente foi puxada, mas somente Yeosang ergueu o olhar para encarar Hwanwoong que fazia gestos para Xion.

— Cutuca esse pau no cu pra mim?

— Se não ficou claro pra você, eu verbalizo: eu vi você chegando, mas não respondi por que estou te ignorando. — Xion respondeu baixinho fazendo Yeosang rir nasalmente. — O que você quer?

— Geonhak tá te procurando, ele quer que o grupo almoce junto. — deu de ombros ao ver o garoto o encarar.

— Ele quer ou o Youngjo quer? — fechou o caderno do Kang e o devolveu. — Obrigado por me ajudar.

Yeosang assentiu, vendo o rapaz levantar e fazer uma reverência. Os dois rapazes saíram, deixando para trás um Kang perdido em pensamentos. O rapaz levantou e, após reunir suas coisas, caminhou até a sala de Jongho. Esperaria pelo Choi e com ele iria de encontro a Yunho, sabia que estava tomando decisões com base em seus sentimentos confusos e bondosos demais.

Mas, ao mesmo tempo, sabia que deveria ao menos esclarecer as coisas com o Jeong.

Os dois caminharam por todo o campus, vendo e ouvindo as mais diversas conversas entre os alunos, Yeosang e Jongho se preocupavam apenas em achar a pessoa que importava no momento. E, bom, não foi muito difícil encontra-lo. Yunho estava sozinho em uma das salas espelhadas, ensaiando o que seria um dos muitos testes daquele semestre em questão. Yeosang respirou fundo antes de tocar a maçaneta, Jongho permaneceu do lado de fora encarando um ponto fixo na parede.

Informou que estaria esperando ali e ouviu quando o Kang sussurrou uma resposta antes de entrar na sala.

Yunho, ao ver que tinha companhia, olhou para o outro pelo reflexo no espelho. O silêncio tornou-se ensurdecedor, o Jeong simplesmente desligou a música e depois se virou para o rapaz. Pela primeira vez, Yunho e Yeosang estavam frente a frente. Depois da declaração falha, depois da rejeição não verbalizada, os dois não mantiveram nenhum tipo de interação.

— Eu posso falar com você? — Yeosang indagou receoso.

— Pode.

Yunho sentou-se no chão, apoiando as costas no espelho e vendo que Yeosang optara por sentar no meio da sala.

— Eu conversei com Mingi e soube que vocês estão afastados um do outro. — começou vendo o Jeong concordar com um menear de cabeça. — Eu sei que nada disso me diz respeito, mas eu acho que se eu, com todas as coisas que aconteceram, consegui perdoar o Mingi. Creio que você também pode perdoar.

— Mingi fez coisas horríveis.

— Eu sei, eu sofri com isso. — Yeosang encarou o outro, tentando ser firme em suas palavras. — Mas nós conversamos e ele me contou o porquê de ter feito o que fez.

— Mingi achou que bancar o cuzão com você faria com que se arrependesse de ter me rejeitado.

— Não Yunho. — Yeosang sorriu pequeno. — Mingi fez o que fez por achar que eu merecia sofrer já que o homem que ele ama estava sofrendo.

Yunho abriu a boca, mas nada saiu. Ele não sabia o que responder e nem mesmo se deveria responder, Yeosang não parecia ser o tipo que mentia. Assim como Mingi também não parecia ser o tipo que mudava suas versões nas coisas que dizia. O Jeong lembrava claramente de ter conversado com o Song, dos dois terem discutido feio e como consequência estarem se trocar nenhuma palavra. Lembrava que Mingi tinha afirmado estar ofendendo Yeosang porque era o correto e que tinha batido nele porque ele merecia, mas agora, ouvindo o que o Kang estava dizendo, tudo parecia uma grande confusão.

— Do que você...?

— Mingi te ama. — reafirmou de forma calma, vendo a forma como o outro parecia confuso. — Não posso te dizer como começou e nem como aconteceu, não tenho essas informações. — viu Yunho desviar o olhar para o chão. — Perdoe ele. Se não quer perdoa-lo, ao menos escute o que ele tem a dizer.

— Porque está ajudando ele?

— Porque eu simplesmente sei como é amar e ver a pessoa que amo escapar por meus dedos. — sua expressão era triste e ele sabia que Yunho também entendia. — Nós dois, Mingi e eu, tivemos contato com as pessoas que amamos. Tivemos convivência, tivemos tudo. E isso sumiu, foi tirado de nós de formas diferentes, claro, mas que provavam que achamos ter o controle de algo que era incontrolável. Os ciúmes dele, o que eu sentia... Diferente, mas de alguma forma igual. — encarou seus dedos e sorriu de forma triste ao ver os calos causados pelo lápis que usava para desenhar. — Eu perdoei Mingi porque ele foi sincero comigo, se eu fosse você, conversaria com ele também.

Yunho ergueu o olhar, encarando o Kang de forma calma e doce. Ele admirava o rapaz, admirava a atenção e carinho que ele tinha por seus amigos, pelas pessoas que ele gostava. Achava formidável como ele conseguia se preocupar com todos ao seu redor, independente de tudo o que acontecia. Independente de não conseguir socializar diretamente, em ter dificuldades para isso.

— Por quê?

— Porque o quê?

— Por que você nunca me deu uma resposta verbal? — Yunho indagou de forma calma.

— Eu nunca gostei de como as pessoas focam a atenção delas em qualquer coisa que não seja a vida delas e... Quando você começou a falar e a se declarar... — Yeosang suspirou. — As pessoas começaram a olhar, começaram a cochichar, começaram a falar sobre a minha demora em dar uma resposta. Eu queria fugir, me esconder, mas não conseguia sair do canto. Todos estavam me olhando, todos estavam esperando algo de mim. — sentia suas mãos tremerem por causa das lembranças. — Naquele dia eu não ouvi e nem vi nada, só voltei à realidade quando Jongho e Wooyoung apareceram e eu pude me esconder. Sinto muito por nunca ter dado uma resposta válida e justa a você, balançar a cabeça não é uma resposta...

— Nunca é tarde. — Yunho desviou o olhar para o chão. — Eu acho que gosto de você Yeosang, acha que pode me dar uma chance?

— Sinto muito Yunho... — suspirou. — Eu não gosto de você dessa forma, meu coração já tem dono.

Yunho sorriu, um sorriso triste, mas que agradecia. Yeosang não sabia muito bem o que o outro estava agradecendo, mas sentia que tinha conexão com o ciclo de amores não correspondidos que eles viviam. O Jeong se levantou e caminhou até o rapaz, Yeosang copiou os movimentos do outro. Os dois se encararam e, tirando coragem de onde não tinha, o Kang depositou um selar na bochecha do outro. Os dois se encaram por alguns segundos antes do mais baixo anunciar que estava de saída e reforçando, mais uma vez, o pedido para que o Jeong conversasse com Mingi.

Assim que saiu da sala, Yeosang encontrou Jongho conversando com Hongjoong. Os dois sorriam e estavam presos em seus mundinhos, o Kang sorriu de canto antes de pigarrear e anunciar sua presença. Os dois o encararam de forma envergonhada, o Kim sorriu de forma simpática antes de começar a andar chamando os outros dois. Yeosang riu baixinho, seguindo o mais velho e ignorando o peso que sentia em si.

Havia alguém o observando.

 

-x-x-x-

 

Seonghwa sentia sua cabeça pesar, estava com uma enxaqueca fodida e não estava com seus medicamentos na bolsa porque tinha saído apressado de casa. Caminhava de forma lenta até a enfermaria, pedindo, implorando para que chegasse logo. Andar fazia sua cabeça doer, pensar fazia sua cabeça doer, existir estava fazendo sua cabeça doer. Fechou levemente um dos olhos, soltando um gemido incomodado com a claridade exacerbada daquele campus.

Malditas áreas abertas.

Enquanto andava, acabou esbarrando em alguém. Caiu de joelhos no chão e praguejou baixinho, não ia xingar a pessoa; afinal de contas nenhum deles tinha a obrigação de saber que ele estava com dor. Sentiu uma mão em seu ombro e suspirou, já não bastavam às dores que estava sentindo, agora tinha que simplesmente falar e interagir com alguém.

— Seonghwa? — era um sussurro, mas pareceu como um grito na mente do rapaz que grunhiu irritado. — Ei, tá tudo bem?

— Minha cabeça... Dói... — murmurou enquanto tentava se levantar.

Yeosang olhou ao redor, procurando uma ajuda que não viria tendo em vista que sua turma era a única com aulas livres. Suspirou enquanto ajudava o outro a levantar, pegou a mochila dele e a jogou em seu ombro. Ajudou o outro a caminhar pelo espaço, sentindo seu corpo e seu coração reagirem à proximidade que há tempos não trocavam. Ouvia o Park resmungar, provavelmente a dor de cabeça que ele sentia era basicamente as mesmas que o Kang vira sua prima de terceiro grau narrar nas poucas conversas que tiveram.

Assim que chegaram à enfermaria, Yeosang pediu por ajuda enquanto colocava o Park em cima da pequena cama que havia ali. A enfermeira se aproximou e perguntou o que estava acontecendo, Seonghwa resmungou que estava com dor e que tinha se esquecido de seus medicamentos em casa. Provavelmente o Park sofria de alguma enxaqueca crônica, Yeosang não sabia afirmar isso com convicção. A mulher suspirou antes de simplesmente procurar pelo medicamento, fez algumas perguntas a respeito das alergias e ouviu o mais alto responder todas negativamente. Após aplicar o remédio, ela sugeriu que Seonghwa ficasse de olhos fechados. Primeiro por causa da claridade e segundo para relaxar mais o corpo, enquanto isso, Yeosang se mantinha sentado e quieto. A enfermeira – que atendia por Sra. Kim – começou a mexer em alguns de seus papéis, a mulher soltou um som frustrado enquanto trancava o armário de remédios.

— Tenho que buscar uma declaração para vocês assinarem, burocracia da universidade. — ela encarou o Kang. — Espere aqui e não mexa em nada, tem água naquele bebedouro ali. Se ele precisar, dê. Mas apenas água, entendeu?

— Sim senhora. — o rapaz assentiu e voltou seu olhar para as mochilas em seus pés.

Silêncio. Foi isso que se estendeu por longos minutos.

Seonghwa respirava de forma calma, não se movia e Yeosang suspeitava que ele ainda estivesse com um pouco de dor. O Kang pegou sua mochila, fazendo o mínimo de barulho possível, ele retirou sua pasta de desenhos. Com o lápis em mão, Yeosang começou a desenhar. Não tinha um padrão correto, ele só começou a riscar. Tentando não fazer tanto barulho e tentando não chamar a atenção, o rapaz deixou que seus sentimentos tomassem forma. Tentou puxar do fundo de seu ser força de vontade para não pensar em Seonghwa, nem nas coisas que sentiu nos últimos dias quando o viu conversando com Mingi. Os dois estavam sérios e houve um momento onde o Song passou as mãos pelos cabelos de forma irritada, se eles estavam brigando Yeosang não sabia, mas poderia afirmar que não era uma conversa amigável. Enquanto riscava a folha de forma delicada, Yeosang não notou que estava sendo observado.

Seonghwa tentava ser silencioso.

Abrira seus olhos no exato momento em que Yeosang começara seus desenhos, os olhos bonitos focados no papel não notaram que outros semelhantes o observavam. O Park estava quieto, não porque queria, mas por medo de Yeosang fugir de si. Os cílios longos do mais novo tocavam sua pele sempre que ele piscava e o cenho franzido enquanto ele parecia detalhar ainda mais o que fazia. Estaria o Kang desenhando Seonghwa?

Ou o mais velho perdera esse privilégio quando agiu da forma que agiu com o mais novo?

— Posso ser o tipo distraído e quieto, mas se há algo que Song Mingi e suas atitudes me ensinaram foi a notar quando alguém está me encarando. — Yeosang murmurou, a voz doce enquanto ele encarava o papel. — Se sente melhor?

— Um pouco, esse remédio é bem forte. — desviou o olhar para o teto. — Desculpe se eu estava te encarando.

Yeosang não respondeu, ele ergueu o olhar e encarou o perfil do outro. Sentia seu peito bater de forma calma apesar da presença do outro, era como estar em paz por finalmente saber como ele estava depois de tanto tempo sem trocarem palavras ou gestos.

— Me desculpe.

— Seonghwa, não. — viu o mais velho o encarar. — Não é o momento certo para essa conversa, você não está bem.

— Eu quero falar.

— Mas eu não estou pronto para ouvir isso agora, por favor. — pediu vendo o outro assentir. — San e Wooyoung estão juntos, se quiser conversar em outro lugar é só pedir meu número a um deles.

— Porque você não pode me dar?

Porque eu não quero chorar agora, tá difícil demais segurar., foi o que ele pensou, mas preferiu apenas dar o silêncio como resposta. A porta foi aberta e a Sra. Kim voltou com dois papéis em mãos, pediu que Yeosang assinasse os dois e depois os levou até o Park. Seonghwa assinou e acabou ficando com um deles. Era um termo onde eles assumiam que sabiam sobre os medicamentos ministrados, que foram atendidos e que foram questionados sobre as alergias. O Kang indagou se sua presença ainda era necessária e após ouvir uma negativa, ele pegou sua mochila e saiu da enfermaria sem sequer olhar para trás.

Yeosang não sabia que estava prendendo a respiração até sair da enfermaria e soltar todo o ar em seus pulmões, apoiou-se na parede e respirou fundo. Fechou brevemente os olhos antes de ir para a saída onde encontrou Wooyoung e Jongho conversando com Hongjoong e San, o Choi mais velho encarou o Kang antes de sorrir.

— Olá Yeosang. — ele sorriu, mostrando as covinhas. — Pensei que já tivesse ido para casa.

— Eu ia, mas encontrei com Seonghwa e ele estava passando mal... — viu a expressão de San se fechar e acabou suspirando. — Era só uma crise de enxaqueca.

— Certo.

— Se quiser pode ir até onde ele está. — Wooyoung sugeriu, vendo o outro o encarar e depois negar com um movimento de cabeça. — Tem certeza?

— Ele sabe se cuidar sozinho, vamos para casa. — o Choi mais velho respondeu enquanto segurava na mão do Jung. — Eu levo vocês até o ponto, ok?

Wooyoung concordou, vendo Hongjoong e Jongho segurarem as mãos enquanto se despediam. Yeosang recebeu um rápido abraço do Kim e um carinho na bochecha por parte do Choi, o Kang seguiu Wooyoung e San até o ponto de ônibus. O casal o mantinha completamente dentro da conversa, sem interações melosas ou beijinhos que pudessem deixar o rapaz de “vela” na situação. Yeosang apreciava isso, apreciava de verdade.

No ponto, os três riam e chamavam a atenção. Era engraçado ver Choi San rindo e interagindo de forma exagerada – e fofa – com as pessoas, ia completamente contra todos os paradigmas e boatos criados a respeito de sua personalidade. Ele não era frio e ignorante, ele era um amor de garoto e o Kang agora apreciava isso. Quando o ônibus apareceu no começo da rua, o mais velho por meses entre os três informou ao casal que trocou algumas carícias antes da dupla de amigos entrarem no ônibus.

Os dois sentaram no fundo, encarando a vista pela janela antes do Jung sorrir pequeno.

— Acho que o San vai me pedir em namoro. — informou baixinho, desviando o olhar para o amigo.

— Como sabe?

Wooyoung apenas mostrou o isqueiro em suas mãos e não foi preciso dizer nada, Yeosang conhecia pouco do Choi mais velho, mas tinha total certeza em dizer que Choi San não abria mão daquele pequeno objeto por nada nesse mundo. Se Wooyoung estava com ele em mãos, com certeza a ligação entre eles era muito mais forte do que se poderia imaginar.

E Yeosang sentiu-se amargo por estar com ciúmes do relacionamento do outro, com ciúmes do sorriso bobo de Wooyoung quando falava de San e da forma apaixonada que ele via o Choi encarar seu amigo. Sentiu o monstrinho verde crescer dentro de si enquanto pensava em como seria a sua vida se ele conseguisse simplesmente desenvolver um relacionamento com alguém, se não fosse tão complicado para si falar de sentimentos quanto era encarar o Park que ficou na enfermaria deitado.

Mas ele apenas sorriu, sorriu enquanto torcia pela felicidade do Jung.


Notas Finais


Sobre a enfermaria: na minha antiga universidade tinha uma e sempre que alguém ia lá tinha que assinar algum papel para comprovar que estava ciente da medicação que estava tomando.

Sobre os personagens que não são membros do Ateez: Geonhak (Leedo), Hwanwoong, Dongju (Xion) e Youngjo (Ravn) são integrantes do ONEUS.

Espero que tenham gostado do capítulo.
Comentem o que acharam aaaaaaa

Beijinhos.


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