História Seu Único Desejo (Adaptação Delena) - Capítulo 18


Escrita por: ~

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Categorias The Vampire Diaries
Personagens Damon Salvatore, Elena Gilbert
Tags Adaptação Delena
Visualizações 106
Palavras 3.393
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Famí­lia, Luta, Mistério, Romance e Novela, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 18 - Capítulo 18


            Cinco dias nas mãos de Lilian Salvatore pareciam eternos.

            Lena ajustou o pesado capacete e revirou os olhos ao cravar o olhar em sua sogra lado e lado do protetor metálico que cobria seu nariz. Queria derrotá-la, mesmo que fosse somente uma vez. Talvez assim pudesse ter uns instantes de paz.

            Os parentes de Damon alinhavam-se ao redor do campo de treinamento, gritando palavras de incentivo. Homens, mulheres e crianças, vestidos com tecidos xadrez multicoloridos. Caroline estava ao lado de Klaus, observando a cena através das mãos abertas com as quais não conseguia cobrir os olhos, e parecia a única que se preocupava com a integridade física de Lena.

            — Vamos, Elena. Recupere a posição. — disse Lilian, segurando a espada em um ângulo ameaçador que a obrigou a adotar uma posição defensiva.

            Depois de lutar com aquela mulher dia-a-dia, até o anoitecer, Lena já não estremecia cada vez que sua mão tocava o punho. De fato, se não estivesse tão carregada com os armamentos, acreditava que não seria  mal.

            Lilian rodeou-a e lançou uma nova estocada.

            Ela a bloqueou. O som do metal contra metal a fez pensar em unhas arranhando-lhe o crânio por dentro. O calor fazia com que custasse mais mover-se e o peso do capacete estava provocando-lhe uma contração na nuca. Coberta com uma cota de malha e vestida com calças de homem, não era fácil mover as pernas devido as proteções metálicas que usava nas coxas.

            — Sua atuação de hoje é lamentável. — provocou Lilian, puxando a espada de lado com um amplo movimento que a deixou desprotegida. Ao ver que Elena não reagia, levantou a outra mão, exasperada — Deixou passar outra oportunidade de me atacar. Pensa ganhar de seu oponente somente defendendo-se?

            Embora o sangue fervesse, Lena  mordeu a língua; o que realmente gostaria era de morder aquela víbora. Se não estivesse tão abarrotada de comida, talvez o tivesse feito. Mas ainda tinha o estômago cheio de pão, hidromel e um pescado muito gostoso.

            — Talvez a moça precise de um pouco mais de energia. — sugeriu tia Edna,  aproximando um pão-doce do qual gotejava molho de framboesas.

            As tias queriam engordá-la para quando ficasse grávida. Mas como se atreviam-se a aproximar-se com outro bolo de cordeiro, outra torta ou outro arenque, iria atirar-lhes pela cabeça. Por mais que desejasse ganhar o respeito da família de Damon, não podia permitir que seu corpo pagasse as consequências.

            — Coma você, Raspa. — disse Lilian, erguendo a espada para o céu — A moça já está bastante branda sem seus pães-doces.

            Clang!

            Lena bloqueou outro golpe que lhe fez tremer o braço até o ombro. Com o estômago revolto, os músculos esgotados e a cabeça transbordante de informação sobre a rotina diária do castelo, duvidava que fosse capaz de sobreviver entre aquela gente. Apesar das luvas protetoras, já tinham saído marcas em suas mãos, que estavam transformando-se em calos. Vestida com roupas de homem e cheirando a couro e suor, já não se sentia a mulher com que Damon se casou.

            — Crave a espada para frente, milady! — sugeriu, a gritos, Gregor, o marido de Sarah, enquanto o pequeno Damon imitava os movimentos de Lilian com sua espada de madeira.

            — Agarre o punho com as duas mãos. — apontou Reynold, o marido de Beth.

            Elena levantou o braço para bloquear outra estocada com o protetor metálico.

            — Milady, por favor, basta por hoje.

            — Mas se ainda não é nem meio-dia. — rechaçou Lilian, detendo-se só o tempo de subir as mangas antes de voltar a atacar.

            Lena ergueu a lâmina de sua espada rapidamente, colocando-a na horizontal sobre sua cabeça para repelir o golpe. Quando os metais se chocaram, sentiu o impacto por toda a coluna vertebral. Que o diabo a levasse! Talvez no inferno conseguisse fazer suar Lilian. Jogou a espada no chão, tirou as luvas e começou a tirar a armadura.

            — Por acaso vai abandonar a luta? Não quer que seu marido esteja orgulhoso de você, quando voltar de Edimburgo?

            Damon era a única razão pela qual Lena  passava os dias combatendo com aquela harpia. Queria ser forte para que ele sentisse orgulho, mas já  estava cansada de seguir as instruções de todo mundo, como se fosse uma marionete. Com as mãos nuas, agarrou a espada com facilidade. Sentia-se muito ágil sem todo aquele ferro prendendo-a.

            — Se ganhar, deixa-me em paz o resto do dia. — Lilian franziu o cenho.

            — No caso improvável de que ganhe, somente conseguiria passar o dia preocupando-se por seus sobrinhos. Seu carcereiro aceitou os termos de Damon; viu na carta que enviou.

            Era certo, tinha visto e quase teve um ataque de apoplexia ao ver o pajem de lorde Shane chegar com a carta, três dias atrás. Além do documento, o bastardo exigia que Elena voltasse a ficar sob a tutela de seu pai. Se não cumprisse suas instruções, deixaria de alimentar os meninos.

            — Não confio nesse homem.

            — Não vai matar seus sobrinhos. Só tem a eles para negociar. E o melhor que pode fazer você enquanto espera seu marido é treinar e manter a mente ocupada.

            À medida que transcorriam os dias, Lena aguardava a volta de Damon com mais impaciência. Não por ela, mas sim por Eli e Martin. E enquanto esperava, lutava.

            — Talvez hoje possa dedicar-me a me preocupar com meu marido, para variar. Ou com Kol e os cinco guerreiros que o acompanharam em sua missão.

            — São homens feitos. Kol está acostumado a desaparecer às vezes durante meses. Provavelmente está percorrendo a fronteira de cama em cama. Arrume uma desculpa melhor, ou terá que continuar lutando. —concluiu Lilian, inclinando a cabeça.

            Embora ela quisesse ir à Torre, Damon tinha proibido que a deixassem sair de Skonóir. Não a tinham deixado atravessar os muros desde sua chegada e começava a sentir-se prisioneira. Se Lilian estava disposta a negociar, negociariam.

            — Se ganhar, quero me banhar... sozinha. E quero colher flores... sozinha. E quero um dia inteiro livre para trabalhar nas ervas.

            Sua sogra revirou os olhos, um gesto que recordou-lhe Damon.

            — De acordo.

            Agora Lena tinha uma nova motivação. Conseguir um pouco de paz e de intimidade. Separou as pernas e, cravando os cotovelos lado a lado do corpo, tal como tinham ensinado, bloqueou todos os golpes de Lilian.

            — Milady, milady! — animava a multidão. Lena não sabia se estavam animando a ela ou à mulher, mas tampouco se importava. A única coisa que importava era um bom banho com óleos aromáticos e com o sabão especial de tia Edna. E uma noite a sós no qurto do laird, por mais que tivesse saudades de Damon. Não deixava de ser curioso que sentisse falta do que a tinha aborrecido toda a sua vida: a solidão.

            — Se pretende ganhar, vai ter que atacar, mesmo que seja só uma vez.

            Não havia nada a fazer. Mesmo que conseguisse enviar sua sogra ao inferno, a devolveriam à Terra como arrogante. Lena levantou a espada e atacou com todas suas forças.

            Falhou e perdeu o equilíbrio.

            Lilian começou a rir.

            — Chama isso de atacar? Parece que estava dançando. Mova a arma e crave, moça, crave! Imagine que tem o seu pior inimigo diante de você.

            O rosto de lorde Shane apareceu em sua mente, enchendo-a de um aborrecimento tão intenso que quase a cegou. Atacou, uma vez, duas, em cada ocasião com mais força. Foi contando as estocadas.

            Lilian bloqueou uma vez. E outra. Lena não ganharia nunca. Nunca teria paz. Amaldiçoou Damon por havê-la deixado nas mãos daquele bando de selvagens. Apertou os dentes e com um grunhido ergueu a espada por cima da cabeça.

            E golpeou.

            — Maldição!

            Tinha alcançado Lilian na parte externa da coxa. Viu, horrorizada, que o sangue estava ensopando as calças.

            — Minha mãe! Sinto muito, milady.

            Sem fôlego, sua sogra secou a fronte com a manga e chamou um escudeiro para que recolhesse a espada.

            — Um guerreiro nunca pede desculpas depois da batalha. Acertou-me. Estou sangrando. Você ganhou. — admitiu, baixando a cabeça, o que provocou um grande aplauso dos que as rodeavam — Está preparada.

            — Preparada para que? — perguntou ela, ofegando.

            — Para se defender se alguém atacá-la.

            Um agradável sentimento de vitória percorreu-lhe as veias. Sentia-se capaz de retornar à Torre; subir a escada, espada na mão, e matar Shane. Segurou o punho com mais força enquanto desfrutava dessa sensação de triunfo tão pouco familiar.

            — Vamos. Diremos às donzelas que subam água ao seu quarto. —disse Lilian, dando um passo para a fortaleza.

            — Vou recolher as primeiras flores. — replicou Lena, com a espada apoiada no ombro.

            — Aonde vai? — perguntou sua sogra, ao ver que se dirigia à guarita do guarda.

            — A menos que haja outra maneira de cruzar o fosso, vou para lá. —respondeu, assinalando a ponte levadiça.

            Klaus e Reynold interpuseram-se em seu caminho. Elena não teve que voltar-se para saber que Lilian havia ordenado que o fizessem, provavelmente estalando os dedos.

            — Não pode sair para fora dos muros. Seu marido proibiu. É perigoso.

            — A fronteira fica longe. E a avó vive fora dos muros. Estive ali dois dias quando cheguei.

            — Então ainda não estava casada. A ninguém interessa a avó, mas como esposa do laird está exposta a ameaças constantes. Nosso dever é protegê-la.

            Já não estavam discutindo sobre flores. Era seu status que estava em jogo. Lena ocupava uma posição superior a de Lilian no clã e devia deixar isso claro a todos.

            — Milady, passei toda minha vida encerrada entre muros e não penso ser prisioneira em minha própria casa. Ganhei e vou ao prado. Como esposa de seu líder, ordeno que não se coloque em meu caminho.

            Estava desesperada para perder de vista sua sogra, e não se importava ter que levar a metade dos guardas com ela para consegui-lo. Voltou-se para Klaus e Reynold.

            — Cavalheiros, importam-se de serem minha escolta esta tarde?

            Os homens olharam para Lilian por cima do ombro de Lena. A mulher deve ter lhes dado permissão, porque aceitaram encantados e afastaram-se do caminho para deixá-la passar. Assim que começou a caminhada, ouviu que mais passos a seguiam. Ao voltar-se, viu que vinha atrás dela um pequeno exército de seis guerreiros.

            Com um grunhido, recomeçou a marcha rapidamente. Quando Damon retornasse, iria estrangulá-lo com suas próprias mãos.

            O rosto de Lena brilhava pela humidade do ar, que ameaçava tormenta. Depositou um exemplar de heliotrópio de flores lilases nos braços estendidos de Klaus. Sua fragrância a tranquilizou. Quando começaram a cair gotas em seu rosto, lembrou-se de Damon. A combinação da lembrança e o aroma a fizeram sorrir.

            Inclinando-se sobre um abedul prateado, cortou um ramo e o deixou sobre as demais. Ao erguer os olhos para o rosto de Klaus, viu que o escocês também sorria.

            — Caroline estava preocupada com você, milady. Alegro-me de poder dizer que é feliz.

            — Nos tornamos amigas quando estivemos sozinhas, Klaus. E o que o faz pensar que sou feliz? — perguntou ela, cortando um molho de ervas com a espada.

            — Seu sorriso. É contagioso. — respondeu o homem, assinalando a outros guerreiros com um movimento de cabeça — Não sabia que Duffy tivesse dentes.

            Lena conhecia  Klaus e conhecia  Reynold, o marido de Beth, mas não sabia qual dos outros quatro era Duffy. Olhou-os com mais atenção e os guerreiros esboçaram um tímido sorriso. Eram grandes e fortes como as velhas árvores que os rodeavam. Todos eles pareciam deslocados, com os quadris e as costas carregadas de armas, mas os braços ocupados por montes de flores de diferentes cores.

            Elena devolveu-lhes o sorriso, pensando que estavam tão deslocados no prado como ela dentro dos muros, tentando ser  a senhora do castelo. Nunca iria estar à altura de lady Lilian. A mulher estava há trinta anos ocupando esse posto. Tinha o porte de uma rainha entre as mulheres e os homens. Havia ido à batalha para defender seu clã. Lena era justamente o contrário: amável, tímida, inglesa.

            Negando-se a permitir que sua sogra estragasse sua felicidade no momento, secou as mãos nas calças e voltou-se para  Klaus.

            — As flores me fazem feliz e a chuva recorda-me um baile.

            — Um baile com Damon? — perguntou ele,  piscando um olho.

            — Contou-lhe isso? — Lena sentiu que começava a ruborizar-se.

            — Não, imaginei isso. — Klaus entreabriu os olhos e examinou o bosque que os rodeava — Deveríamos voltar.

            O homem estava tentado convence-la de que retornassem desde o mesmo momento em que saíram das muralhas.

            — Temo não me dar bem aqui. — Klaus soltou um grunhido de frustração.

            — Estou de acordo. Este não é seu lugar. O lugar da esposa do laird é aquele. — replicou, assinalando a fortaleza.

            — Não, refiro-me a Escócia. Lilian não gosta de mim.

            — Há anos não treinava ninguém. Deixou-a ganhar, moça. Acredite, ganhou o seu respeito. — Ela acariciou o punho da espada.

            — Não me deixou ganhar. Venci-a por meus próprios méritos.

            — Tia Lilian baixou a guarda, mas asseguro que não a teria deixado ganhar se tivesse imaginado que fosse sair do castelo.

            — Estamos em território Salvatore. — replicou Lena, franzindo o cenho — A entrada de Skonóir está atrás dessa colina. Tão mal protegida está a fronteira que sente que estamos em perigo?

            — Não estamos em perigo. Você está. É muito valiosa para o clã. Desde o momento em que Damon casou-se com você, transformou-se num prêmio para os salteadores. Percorrem a fronteira roubando ganho e algo que possam pedir um resgate. Lorde Salvatore pagaria o que pedissem para recuperá-la.

            — Porque Lilian não me disse isto?

            — Não quer que se preocupe.

            — Não quer que me preocupe? Mas acho que quer me humilhar. —disse ela, iniciando o caminho de volta — Não estou acostumada a apostar, mas se o fizesse, apostaria que me deixou sair com a esperança de que não voltasse. Alguém deveria ter-me falado dos salteadores. Não quero que meus caprichos custem dinheiro ao clã. Nem homens. Peço desculpas por minha falta de consideração ao título que ostento. Não estou acostumada a ser alguém de valor.

            Klaus acelerou o passo até ficar ao seu lado. Outros os seguiram.

            — Mas como filha do verdugo deve ter sofrido ameaças contra sua pessoa.

            — A maioria das pessoas foge de mim como se tivesse uma enfermidade contagiosa. — reconheceu Lena, afastando o cabelo do rosto para ver a expressão de Klaus— Realmente, pareço capaz de cortar a cabeça de alguém enquanto compro uma meia de seda na rua Watling?

            — Não. — respondeu ele, rindo, o que demonstrou-lhe uma vez mais que os escoceses não tinham tantos prejuízos como os ingleses.

            O som de alguém que se afogava fez com que se voltassem.

            Um dos homens estava de joelhos entre as flores que esteve segurando fazia um segundo. Tinha o olhar perdido e um rastro de sangue caía de sua boca.

            Lena conteve o fôlego enquanto todos outros soltavam sua carga de cores para empunhar as armas.

            O bosque ganhou vida. Detrás dos troncos começaram a aparecer braços e pernas. Outros homens se levantaram do chão, onde estavam escondidos sob um manto de folhas, deixando a descoberto seus uniformes de cor escarlate e dourada.

            — Leve-a a Skonóir. — ordenou Reynold a Klaus.

            — Maldito seja! — O escocês agarrou-a pelo braço e puxou, mas os pés de Lena pareciam cravados no chão.

            — São salteadores? — perguntou, querendo saber a quem enfrentava.

            — Não, usam as cores de York.

            — São homens de Gloucester? — perguntou ela com o coração acelerado. Um olhar para trás indicou que para cada escocês havia três soldados uniformizados. Tropeçou, mas Klaus a segurou com força e continuaram correndo. O instinto de sobrevivência deu-lhe forças para subir a colina. Quando a ponte levadiça apareceu diante deles, a garganta  ardia. Não estava longe, mas os cascos dos cavalos que os perseguiam estavam mais perto.

            Klaus retorceu-se e caiu no chão com uma adaga cravada no ombro até o punho.

            — Corra! — ordenou-lhe.

            Lena empunhou sua espada enquanto os homens de Gloucester a rodeavam em um torvelinho de cores. Um deles jogou-se em cima dela, cravou-lhe o joelho no peito e a desarmou com tanta facilidade como se fosse uma criança. Embora quase não pudesse respirar, retorceu-se e lutou, empurrando-o pelos ombros e tentando cravar as unhas no rosto. Mas o inglês segurou-a pelos pulsos com uma só mão e a levou de rastro colina abaixo.

            Olhando para o lado, viu  Klaus, de barriga para baixo, imóvel.

            — Não! — gritou, esperneando desesperadamente — Solte-me! —Tinha que ajudar o homem.

            Logo o aroma das flores misturou-se com o aroma do sangue. Levantou a cabeça e viu os cinco guerreiros Salvatore deitados entre pétalas ensanguentadas. Era uma imagem que não iria nunca tirar da cabeça.

            Sentiu a bílis na garganta. Todos eles eram pais, ou filhos ou maridos de alguma das mulheres do clã. Pensou em Caroline e em seu filho que ainda não tinha nascido e quis voltar a chorar, mas nesse momento os homens de Gloucester a imobilizaram no chão, dois em cada perna e um em cada braço. Seus olhos cravaram-se em um raio de luz que tentava abrir passagem entre as nuvens, mas uma sombra se interpôs em seu caminho e o pior demônio de seu passado apareceu diante de seus olhos: lorde Shane.

            Seu cabelo negro e ondulado emoldurava o rosto envelhecido, mas foi o olhar de ódio que dirigiu a ela que fez com que um calafrio percorresse suas costas. Começou a tremer como uma folha. Voltou o rosto para não ver como erguia o queixo e sorria com arrogância. Todas as tentativas de Damon para transformá-la em uma mulher valente tinham fracassado: estava petrificada pelo medo.

            Lorde Shane levou, com a ponta de sua espada, o queixo de Elena até seu peito, passando pelo pescoço. Ao chegar às costelas, deteve-se e cravou com mais força, atravessando a túnica.

            — Sempre gostou de contar, Lena. Quantos homens acha que tive que matar para encontrá-la? — provocou-a, tirando a metade do pergaminho do casaco e jogando-lhe no rosto — Quero a outra metade.

            — Acha que sou tão idiota para levá-lo comigo? Lorde Salvatore prometeu que o entregaria em troca de meus sobrinhos.

            — Não confio na palavra de um escocês, nem da sua puta.

            — Não sou sua puta, sou sua esposa, e está nas terras de meu marido sem autorização. — replicou, apertando os dentes.

            — Atreve-se a me ameaçar? — Lorde Shane deixou-se cair de joelhos, cravando um deles entre suas coxa s—.Seus guardas estão mortos e seu marido não está aqui para protegê-la. Você deveria saber melhor do que ninguém que a morte é uma bênção comparada com as coisas que posso fazer contra você.  Diga-me, Elena, seu marido ainda vai querer você depois que  passar pelas mãos de trinta ingleses?

            Percorreu-lhe a cicatriz no rosto com um dedo. O contato físico daquele homem era insuportável. Como resposta a sua ameaça, cuspiu-lhe no rosto

            — Meu marido o matará. — Dedicou-lhe um sorriso.

            — Teria que levantar a Escócia inteira para me vencer. — criticou, secando a saliva da barba — O exército de Gloucester está do meu lado. E outro com trezentos soldados vem a caminho para escoltar o novo rei.

            Como era possível?

            — Mas estavam conspirando contra o rei que Gloucester jurou proteger...

            — O que a faz pensar que não agi seguindo ordens do próprio Gloucester? Quem acha que vai herdar a coroa do rei Eduardo?

            — O príncipe Eduardo. — respondeu ela, sem hesitar.

            — Não se Gloucester o declarar bastardo. Nesse caso, o herdeiro seria o próprio Gloucester.

            — Não, está mentindo. Se estiver conspirando com ele, não teria me levado até  York. Denunciei-o como o que é, um traidor.

            Lorde Shane fez uma careta.

            — Mas não lhe deu o documento. E sem provas, não me custou nada convencê-lo de que os traidores não foram nem Buckingham, nem eu, mas você, que tinha ajudado um espião escocês a fugir da Torre. O duque odeia os escoceses e acha que está conspirando com eles.

            — Pois então é um idiota que não reconhece um inimigo nem tendo-o diante do nariz.

            — Melhor para mim.

            — E se já convenceu Gloucester de sua inocência, o que faz aqui?

            — Buckingham enviou-me para recuperar a outra metade do documento. Além disso, penso desfrutar do castigo que darei a você por tê-lo roubado.

Lena não tinha nenhuma dúvida. As macabras imagens de todas as execuções que havia presenciado vieram a sua mente e sentiu-se desfalecer. Jeremy morreu com um golpe rápido. Ela não ia ser tão afortunada.

            — Porque me odeia tanto? — perguntou, sem poder evitar.

            — Porque compartilha o sangue do bastardo que roubou minha mulher e meus filhos.

            — Nunca foram seus. — antes  que acabasse a frase, ele levantou a mão e a esbofeteou. A dor cresceu no mesmo ritmo que os batimentos do seu coração.

            — Amarrem-na em um cavalo.



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