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História Seven Circles - Capítulo 3


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Notas do Autor


Oi, amores! Todo mundo bem? Espero que sim!

Como está a situação aí?

Tô preocupada com o coronga vairus? Tô. Mas precisamos nos focar em notícias reais, em fatos, seguir os protocolos o máximo que pudermos para evitar que o vírus continue se espalhando. Se puder, FIQUE EM CASA. Não saia. É sério. Sigam as regrinhas.

Vamos passar por essa. Vai ficar tudo bem. Tentarei atualizar com mais frequência. Me acalma e acho que pode distrair vocês também.

Amor e boas energias para cada um de vocês e em especial para pessoas ansiosas e para aqueles que não podem parar de trabalhar. Força, meus anjos. Ajudem idosos que não podem sair de casa, caso você não esteja em grupos de risco. Protejam-se e protejam seus entes queridos e amigos.

Fé no pai que o coronga cai.

E FORA BOLSOBOSTAAAAAAA!!!!

Divirtam-se!

Capítulo 3 - Ato 3: Occurrens


Fanfic / Fanfiction Seven Circles - Capítulo 3 - Ato 3: Occurrens

ATO 3: OCCURRENS

oc.cur.rens substantivo masculino

1. encontro

(...)

Maeve Donovan contemplou sua imagem no espelho de sua penteadeira Luís XV. De traços ainda infantis, seus brilhantes olhos castanho carregavam receio, ainda que ela tentasse disfarçar mantendo-se séria.

Uma garota que ela julgara ter aproximadamente sua idade terminava de pulverizar seus lustrosos cabelos dourados com spray, deixando-os presos para cima.

Maeve fez um gesto instintivo com a mão, afastando o cheiro forte do líquido que fora espirrado para todos os ângulos de sua cabeça.

— Desculpe, Srta. Donovan. – a jovem desconhecida sentiu-se constrangida.

— Não se preocupe. – Maeve emitiu um sorriso gentil.

— Deve estar animada com o noivado. – comentou a garota em tom alegre. Tinha cabelos e olhos escuros, a pele bronzeada, e aparentemente estava com vontade de conversar. – Está em todas as colunas sociais.

Noivado...

Maeve jamais pensara em ouvir aquela palavra. Pelo menos não antes de terminar seus estudos em uma conceituada universidade e sentir-se realizada em alguma carreira. Aquela jogada feita pelo próprio destino havia mudado o rumo de todas as coisas. De seus planos. Sonhos. Alvos a serem alcançados. Agora tudo mudara.

Casar-se obviamente não era algo que ela abominava. Mas casar-se sob as circunstâncias em que se encontrava era algo pelo qual ela não esperava.

A garota contratada por seu pai para deixá-la elegantemente apresentável para seu jantar de noivado parecia ter terminado seu serviço. Afastou-se de Maeve e exclamou:

— Está perfeita!

Maeve voltou a encarar seu reflexo no espelho. Sua maquiagem era leve, suave, mas destacava com graciosidade seus olhos e maçãs do rosto.

Com os cabelos presos para cima, usando um belíssimo Yves Saint Laurent cinza-escuro de corte perfeito e um par de sapatos pretos aveludados, Maeve Donovan colocou-se em pé. Usava uma única joia. Um simples, porém, harmonioso colar de pérolas que unanimemente encontrava-se ao redor de seu pescoço.

— Creio que fiz um bom trabalho. – orgulhou-se a garota.

Maeve não lhe respondeu, lançando para ela mais um sorriso de gentiliza. A amigável desconhecida retirou-se dos aposentos de Maeve com ar de satisfação. Maeve respirou fundo. Consultou o relógio que anunciava as horas em números romanos sobre a mesa de sua penteadeira. Estava na hora de descer.

Ouviu batidas contra a porta de seu quarto.

— Entre. – disse ela de prontidão.

Dora, a governanta que a tinha praticamente criado, colocou a cabeça para dentro do quarto, anunciando:

— Mae, você tem apenas mais dois minutos para terminar de se preparar. – parou de falar e analisou a menina com surpresa. – Mas olhe só para você!

Maeve exibiu um sorriso. Um franco e verdadeiro sorriso.

— Como estou? – indagou.

— É a perfeita imagem de sua mãe. – constatou Dora, também sorrindo. Por um momento os olhos da velha governanta pareciam marejados. – Está linda, querida.

— Obrigada, Dora. Mas tenho absoluta certeza de que só diz isso porque gosta de mim.

— Não, querida. Eu a adoro. A adoro com todo o meu coração. – precipitou-se para sua protegida, dando-lhe um abraço cheio de ternura e afeto.

Maeve afastou-se dela e seu sorriso deu lugar a um olhar cheio de receio e hesitação.

— Estão todos esperando por mim?

Dora soltou um riso fraco e abafado.

— Não se preocupe, querida. Tudo saíra bem.

Maeve acreditara nela. Era tudo em que acreditava. Era a única em quem acreditava desde os recentes acontecimentos em sua vida. Emitiu suspiro profundo e deixou que Dora a guiasse até as escadas da casa.

O caminho a levaria direto para a sala principal que se encontrava repleta de rostos dos quais Maeve não se lembrava. Ou não conhecia. Eram provavelmente amigos ou sócios de seu pai. Membros da alta sociedade. Pessoas com as quais ela não costumava manter relações. Não que ela mantivesse relações com pessoas. Na maior parte do tempo – e de sua vida – Maeve encontrava-se sozinha. Solitária em seu quarto ou no jardim de sua casa.

Dora conduziu Maeve por todos os degraus da escada, deixando-a sozinha no último deste. Parada em frente às pessoas que andavam de um lado para o outro em seus elegantes vestidos longos e smokings, com taças de champagne em mãos e eventualmente um cigarro entre os dedos, Maeve não soube qual atitude tomar.

Sentiu uma gota de suor escorrer por sua testa. Fria e lenta. Tentou se manter calma, mas o nervosismo começara a invadi-la. Cerrou os punhos. As mãos estavam molhadas, pois também suavam.

Procurava por seu pai com os olhos, até vê-lo caminhando em sua direção.

Levando um sorriso falsamente respeitoso nos lábios, Benjamin Donovan tomou a filha pela mão.

— Está linda, minha querida. – Maeve não respondeu. – Venha. – Benjamin guiou a filha por entre seus convidados. O final daquele caminho era uma mesa. A mais bem decorada dentre as outras que ali estavam. – Aquele é James Braxton. – Maeve viu o pai discretamente indicar uma direção com a cabeça. Ela seguiu a direção até seus olhos pousarem sobre o indivíduo sentado à mesa para a qual ela estava sendo conduzida. – Seu futuro marido, Maeve.

No auge de seus vinte e seis anos, James Braxton era alto, tinha um físico atlético, lustrosos e macios cabelos castanho-claros e insolentes olhos azuis. O rosto de uma beleza fatal. Um olhar rude que – ironicamente – se condizia com o cordial sorriso que ele direcionava às pessoas ao seu redor.

Assemelhando-se a um anjo rebelde, portador de uma atraente aparência e fisionomia que causava nos outros a impressão de que era demasiadamente astuto, James Braxton fez com que Maeve se lembrasse de alguém. Alguém de quem ela ouvira falar quando ainda era pequena.

Lúcifer.

Perigosamente sedutor como o próprio diabo, ele desmanchou o sorriso nos lábios assim que seus olhos se encontraram com os dela. Frios. Insípidos.

Maeve sentiu o sangue fugir-lhe do rosto. Sua mão estremeceu na de seu pai.

Ele virou-se para ela:

— Acalme-se. Por favor.

Maeve fechou os olhos por rápidos segundos e aspirou todo o ar que conseguia, deixando-o escapar de seus pulmões em seguida. Voltou a abrir os olhos, tentando se manter o mais calma possível.

Quando o fez, só então percebeu que havia mais alguém ao lado dele. Uma jovem mulher que provavelmente tinha cerca da mesma idade que ele, os mesmos olhos e os cabelos escorridos até os ombros; havia um meio-sorriso em seu rosto e seus olhos estavam muito atentos, observando tudo. Maeve não soube dizer se ela estava entediada ou se divertindo enquanto julgava todos ao seu redor silenciosamente.

Havia algo na desconhecida que fez com que a garota sentisse os joelhos subitamente se enfraquecerem no instante em que seus olhares se cruzaram.

Maeve desviou o olhar instintivamente, não precisando fitá-la de volta para saber que a outra havia emitido um sorrisinho maldoso.

Ela então sentiu que o pai avançava com ela, aproximando-se da mesa onde Braxton e sua acompanhante esperavam por eles.

— James. – Benjamin Donovan emitiu um aceno com a cabeça. – Esta é Maeve. Minha filha.

Maeve sentiu o sujeito passar os olhos por todo seu corpo, fitando-a de modo indiscreto. Aquilo causou nela repulsa, fazendo-a se sentir incomodada. Percebeu então que ele não era o único que a tinha fitado naquela noite.

Todos os que estavam presentes paravam de falar ou andar para observar a jovem futura Sra. Braxton em seus saltos altos, nos quais ela encontrava certa dificuldade para caminhar. Sempre tivera maior preferência por sapatos baixos e confortavelmente simples.

Ainda procurando encontrar uma maneira de se manter controlada, Maeve respirava – de modo discreto – ofegante e profundamente.

— Sente-se. – ele fez um pedido que mais soara como uma ordem.

Seu tom de voz era firmemente autoritário. Algo que causou a total desaprovação de Maeve. Mas não havia outra saída a não ser guardar suas conclusões para si mesma e sentar-se na cadeira cuja qual ele indicara com um breve gesto com a cabeça.

Maeve lentamente caminhou para a cadeira ao lado dele, sentando-se muito hesitante. Sem dizer nada, ela olhou ao redor.

A outra mulher encontrava-se sentada ao lado direito do sujeito, mas já não a observava mais.

Toda a sala havia sido cuidadosamente decorada com luminárias elegantes, espessos tapetes vermelhos e mesas com toalhas brancas um pouco rosadas espalhadas por todo canto.

Maeve assistiu seu pai se sentar na cadeira em frente.

Com um sorriso evidentemente forçado, Benjamin Donovan arriscou quebrar o silêncio.

— Quero agradecê-lo mais uma vez por sua amabilidade ao me oferecer uma oportunidade de continuar tomando conta de minhas propriedades e outros bens. – Maeve ouviu a voz do pai sair trêmula. Estava claro como água que ele estava hesitante.

— Já me agradeceu o suficiente. – James Braxton interrompeu o pobre – agora literalmente – homem.

— Claro, claro. – Benjamin sorriu nervosamente. – De muito bom grado minha filha aceitou o que o senhor propôs.

Como se eu tivesse alguma alternativa. Pensou Maeve com uma ponta de amargura. Mas sabia que no final valeria a pena; conseguiria de volta o que era dela e iria embora, começaria uma vida longe de toda aquela família que para ela agora pareciam estranhos.

Benjamin Donovan prosseguiu:

— Tenho a plena certeza de que não se arrependerá de ter nos dado essa oportunidade. E além disto, Maeve é uma excelente garota. – a própria Maeve sentia-se agora como um produto cujo qual o pai tentava desesperadamente vender. – Acaba de completar dezoito anos, mas é de uma surpreendente maturidade.

Maeve sentia-se profundamente enojada com aquela situação. Sentiu-se ainda mais incomodada quando James Braxton virou o rosto para fitá-la. Sem ousar encará-lo de volta, ela sentia os olhos dele pousados em sua face, em seguida descendo para o quase imperceptível decote de seu vestido e então para suas pernas descobertas.

Perturbada com as óbvias intenções por trás daquele olhar, Maeve instintivamente pousou ambas as mãos sobre as pernas e pigarreou. Sem precisar olhar diretamente para ele, ela soube que Braxton havia emitido um sorriso sarcástico ao notar a reação dela.

Ele voltou-se para Benjamin Donovan e disse com a voz envolta em seu encantadoramente jovial sotaque britânico:

— Espero que esteja certo do que acaba de afirmar.

— Eu verdadeiramente estou. – disse Benjamin com fé.

Maeve encarava o pai com indignação, percebendo o quão fraco ele havia se tornado.

Agindo como se estivesse disposto até mesmo a beijar os pés do sujeito que tinha pelo menos metade de sua idade, Benjamin Donovan parecia desesperado.

E, de fato, estava. Estivera desesperado desde a morte de sua primeira esposa.

Maeve imaginou se a situação seria diferente se sua mãe ainda se encontrasse em vida. Certamente sim. Ao menos estava segura de que Sienna Donovan jamais entregaria a filha a um estranho em troca de bens materiais nem mesmo teria a prometido em casamento ainda criança. Provavelmente ela não sabia da situação antes de sua morte. Era óbvio que não.

Maeve voltou à perturbadora realidade que vivia naquele momento ao notar que Katherine aproximava-se da mesa deles.

O corpo estava perfeitamente moldado por um justo e extravagantemente vermelho vestido aberto dos lados. Os cabelos, tão vermelhos quanto seu vestido, encontravam-se soltos, ondulados nas pontas, seguindo o ritmo de seus passos.

Ela se aproximou do marido, dizendo-lhe qualquer coisa ao ouvido. Algo que Maeve não pôde ouvir.

— Com licença. – Benjamin Donovan colocou-se em pé, causando em Maeve uma sensação de pânico.

Em passos nada hesitantes, Benjamin Donovan afastou-se dali, deixando-se levar pela mão da esposa. Maeve viu ambos se afastarem.

Não soube exatamente como reagir, forçando a si mesma a não esboçar qualquer tipo de emoção. Tinha de se manter firme a qualquer custo.

O silencio que tomara conta da mesa em que se encontrava sentada era inquebrável. Espesso. Incômodo. Maeve teve a sensação de que podia até mesmo tocá-lo no ar.

— "Demais disto, sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demônios". – a voz de James Braxton soara como um inesperado trovão que surge nos céus antes de uma terrível tempestade.

Maeve finalmente virou-se para encará-lo, mas ele mantinha o rosto para frente, olhando para o nada.

— Sei bem no que está pensando.

Ela olhou ao redor mais uma vez.

O pai aproximava-se novamente da mesa, desta vez, acompanhado pela exuberante esposa.

Benjamin Donovan chegou à mesa e Maeve viu que todos se colocavam em pé. Mesmo sem entender, ela fez o mesmo.

Ele tomou posse de uma taça de champagne, erguendo-a para o alto.

— Peço a todos um minuto de sua atenção. – disse em seu mais gentil tom de voz. – Eu agradeço imensamente a presença de todos vocês neste jantar dedicado especialmente ao noivado de minha filha – virou-se para Maeve com um sorriso. Um sorriso falsamente alegre. – Maeve – e então seus olhos caíram sobre James Braxton. – E James.

Todos aplaudiram. Os aplausos seguiam um único ritmo. Eram unânimes.

Para Maeve era como se eles não cessassem. Prosseguiam em um tom estridente que fazia arder os seus ouvidos, causando-lhe um sufoco repentino. Ela tentou continuar firme diante daquilo. Umedeceu com a língua os lábios que havia se secado devido ao seu nervosismo. Um misto de pânico e melancolia disputava seu rosto.

Ela não sabia como agir. Como reagir. Com o rosto de uma magnífica e jovial beleza, Maeve Donovan era definitivamente o centro das atenções naquela noite. Com o rosto erguido e lívido, Maeve sentiu todo o seu corpo doer, como se tivesse acabado de perder uma luta. Os olhos castanho-claros fitavam o ambiente com espanto, aos poucos se fechando.

Foi em um instante que seu olhar encontrou-se com a mulher que sentava-se ao outro lado de James. Algo que enviou por seu corpo uma espécie de descarga elétrica que a deixara subitamente mais fraca.

Maeve se deu conta de que seus sentidos estavam se esvaindo de seu corpo. Não pôde conter o imprevisível.

Antes mesmo de tencionar evitar o pior, sentiu como se sua alma se retirasse de seu corpo, mergulhando em profunda escuridão.

Benjamin Donovan correu em socorro da filha. Dylan, seu irmão mais velho, emitiu um sorriso debochado, achando graça na situação. Aproximou-se da madrasta com cautela, sussurrando-lhe ao ouvido:

— Parece que você não será a atração da noite, Kat.

Katherine virou-se discretamente para ele, sem fitá-lo nos olhos. Ainda que não quisesse admitir, ele tinha razão.

A cena protagonizada por sua enteada estamparia todas as páginas dos jornais no dia seguinte. Todavia, assim como Dylan, Katherine havia julgado aquilo um bom e belo entretenimento. Sua noite estava sendo entediante.

Bem, não mais.



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