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História Seven Days - Capítulo 1


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Notas do Autor


Não levem a história a sério. É apenas algo fictício.

Capítulo 1 - Dia 1: Morte


          "Já sentiu como se a vida não fizesse mais sentido?

    Como se a graça de viver simplesmente desaparecesse?

     Como se cada dia fosse igual e não houvesse mais sentido estar ali?

       Viver ou morrer, o que importa?

      Você não precisa de um motivo pra morrer

     Mas com certeza precisa de um pra continuar vivo

     Eu não tenho esse motivo, e você... Tem?"


Me chamo Shimada, sou um garoto normal como qualquer outro.... ou deveria ser... Minha vida foi marcada por tragédias. Começando pela que mudou minha vida: A morte dos meus pais.

Eu era um pequeno garoto. Tinha 10 anos de idade cabelos brancos e olhos avermelhados, era estranho receber elogios por causa disso. Ter cabelos brancos não eram normal, ninguém além de mim tinha cabelos dessa cor. Morava em uma região pequena dentro do imenso país chamado Brasil. Lembro me que no dia meus pais iriam viajar de carro visitar minha avó. Eu implorei para ir, mas por algum motivo eles não deixaram...

Horas depois... a notícia... Meus pais acabaram morrendo em um acidente na estrada. Um caminhão se chocou contra o carro dos meus pais.. ninguém sobreviveu ao desastre. Meu irmão mais velho tinha alguns problemas mentais e se suicidou após receber a notícia. Eu, criança, entrei em um trauma que não acabaria no dia seguinte.

5 anos se passaram. Me encontrava agora com 15 anos. Estudava em um colégio chamado Valquíria e tinha dois amigos. Um dia estávamos reunidos em um canto isolado da escola discutindo sobre como odiávamos a escola e todos os alunos e professores. 

–O mundo seria melhor sem eles! Esses porcos malditos merecem morrer – Disse Thiago, o mais velho.

Thiago dizia toda vez sobre matar as pessoa na escola. Na mente dele era morte e apenas morte. Tinha 18 anos, repetira de ano várias vezes e, segundo ele, a culpa era dos professores. Thiago era do tipo que vivia trancado em casa jogando jogos de tiro em seu vídeo game. Não sabia muito sobre ele, o que nos unia era nossa semelhança na vivência e nas vontades. Eu também odiava todo mundo, mas não ao ponto de querer que todos morressem. Thiago tinha cabelo curto castanhos e olhos negros; usava sempre calças rasgadas, mostrando o joelho e outras partes das pernas; usava touca e luvas que deixavam os dedos a mostra.

Depois da morte da minha família, eu simplesmente me fechei do mundo. Era um garoto frágil e fracassado. Seria como um nerd, se eu conseguisse ao menos ser inteligente. Ser um fracassado fazia com que todos se aproveitassem de mim. Por vezes sofri bullying, por vezes fui trancado no armário.... por vezes eu chorei. Enquanto eu me achava um problema para o mundo, Thiago achava que o mundo era um problema pra ele.

Eu não aguento mais essa escola, minha família... já estou no fim da linha...

Esse último era Diego, ele tinha 16 anos e como eu, queria o fim da própria vida. Diferente de mim, Diego tinha uma família, porém a família dele o tratava como um ninguém. O filho mais velho era sempre o motivo de orgulho enquanto ele era a decepção. Era o mais alto do trio; vestia roupas pretas e sempre andava com uma touca na cabeça. Nome de banda de rock era sempre estampada em suas camisas; tinha olhos castanhos e cabelo estilo emo.

Nós três estudávamos em um colégio mais parecido com aqueles dos filmes americanos. Onde os grupos era divididos e valorizados pela sua popularidade. Jogadores de futebol, os caras que frequentavam a academia, as garotas patricinhas, todas estavam no topo da fama. Os grupos eram totalmente diferentes, mas tinham algo em comum: todos praticavam bullying com os grupos menos populares como o nosso.

Depois da aula eu voltava para a minha casa, quando Thiago e Diego chegaram correndo e tocaram no meu ombro respirando exaustos.

–Você ia embora sem mesmo dar um tchau? Eu iria te convidar pra ir em casa jogar um videogame. – Disse Diego.

Eu acenei com a cabeça positivamente. Era um cara calado e quase não falava nada, isso aconteceu depois de perder minha família. Com toda a minha família morta eu acabei morando com minha avó, a qual peguei um apego imenso. Eu estava indo pra casa cedo como de costume, gostava da presença deles dois, mas preferia ficar sozinho em algum canto escuro.

Quando chegamos na casa de Thiago, fomos direto para o porão que era aonde ele dormia, como um quarto. Ligamos o vídeo game e, como de costume, colocamos aquele jogo de tiro para nós três. O objetivo era simples, matar, matar e matar. Quem matasse mais inimigos ganhava a partida. 

Os pais de Thiago nunca apareciam nem pra cumprimentar o filho que acabara de chegar. Na verdade, todas as vezes que fui na casa dele nunca cheguei a ver nem um membro da família dele lá. Será que ele morava sozinho? Não... Ele já me disse que morava com os pais. Acho que eles não se importam com Thiago, igual ao caso de Diego.

Thiago deu um pause no jogo e olhou o relógio. 

–Beleza gente, nesse horário meus pais já devem ter saído. Vou mostrar uma coisa para vocês!

Ele disse se levantando rapidamente da cama e subindo as escadas. Eu e Diego nos olhamos confusos, mas, sem questionar, o seguimos. Thiago entrou no quarto de seus pais e abriu o armário, de lá puxou uma caixa onde se encontrava um revólver.

–Thiago! É melhor não mexer nisso, é perigoso! – Eu o alertei.

Thiago apontou a arma na minha direção e simulou um tiro.

–Bang! E você está morto – Disse rindo.

Naquela hora eu fiquei assustado. Eu era totalmente contra aquela situação, e pela expressão de medo de Diego, ele também era.

–Guarda essa arma Thiago, alguém pode acabar se machucando. – Disse ele.

–Relaxa, ela não tá carregada. E não vou gastar a munição dela com vocês. São meus amigos! – Disse Thiago colocando o revólver de volta na caixa.

–O que pretende fazer? Vai matar alguma pessoa? Você pode se encrencar! – Eu disse me preocupando com ele.

–Shimada, relaxa eu tava só zoando. Dá pra vocês dois pararem com essa tensão toda?

Thiago guardou a arma, o que fez com que eu e Diego ficassemos um pouco mais calmo. Era só esquecer aquela história... A noite chegou, era hora de ir embora. Me despedi de Thiago e Diego e fui para minha casa. Minha casa era simples, tinha poucos cômodos, mas era o suficiente para acomodar eu e minha avó. Cheguei em casa e dei um abraço nela. 

Minha avó e meus dois amigos eram os únicos na qual eu mostrava simpatia. Para com o resto do mundo eu mantia minha cara fechada. Entrei no meu quarto e sentei na minha cama. Tirei minha camisa de manga longa e observei as cicatrizes nos meus braços. Eram cortes que eu havia feito em mim mesmo com uma navalha na tentativa de sentir algo. Não entendia muito bem, mas gostava de fazer aquilo. Tomei meu banho, mas evitava me olhar no espelho pois odiava minha aparência. Após isso, jantei e fui dormir.

Amanhã é outro dia....

No dia seguinte me arrumei para ir a escola. No portão encontrei Diego, ele estava observando uma garota que estava nos corredores da escola, era de um grupo de patricinhas.

–Olhando para ela de novo? Desse jeito ela vai perceber que você está observando.

–Hoje eu crio coragem e falo com ela! – Disse Diego com o olhar ficado na garota.

Estávamos um pouco distante dela o que fazia com que ela acabasse não percebendo o olhar dele. Eu nao ligava para garotas, não ligava para nada. Minha cabeça pesava em minha família morrendo ao som de uma sinfonia triste de violino com piano. A mesma sinfonia me arrancava lágrimas do nada diversas vezes no dia.

Thiago apareceu sendo arremessado no chão por dois valentões. Essa cena era normal de ser vista entre nós. Éramos um grupo que ninguém se importava e todos zoavam, era fácil ser alvo de porradas. 

–Vai fazer alguma coisa fracote? Anda reage!! – Eu ouvi um dos valentões dizer.

Thiago tossiu sem ar, deveria ter levado um soco no estômago. Não tinha nada que eu e Diego pudéssemos fazer, então apenas observamos escondidos. 

Muito pouco tempo depois os dois valentões foram embora deixando Thiago no chão. Eu e Diego fomos ajudar ele a se levantar.

–Ainda vou rir quando matar esses dois! – Disse Thiago entre tossidas.

Levamos ele para a sala de aula após ouvir o sinal tocar. Ele sentou quieto no fundo. O professor reclamou do nosso atraso, mas nem sequer perguntou o que havia acontecido com Thiago. Naquela escola não valiamos de nada.

Aula normal ocorreu.. a mesma chatice de todos os dias....

Olhei para o relógio e a hora parou. O vento começou a bater mais forte. Todos estavam prestando atenção na aula inclusive meus dois amigos. Passei a mão na frente de seus olhos, mas era como se eles não me enxergassem. De repente um barulho de carro batendo estourou nos meus ouvidos, vinha do lado de fora da escola. Rapidamente olhei pela janela e aquele carro me parecia familiar. Aproveitei que ninguém me via para ir para fora da escola e vi a cena:

 Um caminhão havia se chocado com um carro pequeno. Quando eu abri a porta do carro para tentar ajudar veio a surpresa: eram meus pais alí. Eu cai no chão para trás ao ver a cena e sai correndo de volta para casa. Corri desesperado e com lágrimas escorrendo meu rosto. Respirava exausto de tanto correr, mas a adrenalina me permitia correr mais alguns quilômetros. Quando abri a porta de casa, meu irmão estava com os pés acima do chão, com uma corda em seu pescoço.

Me espantei e vi que ainda estava na sala de aula. Thiago estava do meu lado me observando. Não havia mais ninguém na sala, era hora do intervalo.

–A aula de química é realmente muito chata, eu quase dormi também. – Disse ele 

Olhei ao redor ainda perdido. Tudo aquilo fora um pesadelo. Estava suando frio.

–aonde está o Diego? – Perguntei em meio a minha confusão mental.

–Hmm... ele? Ele disse que iria falar com aquela garota que ele é afim. Não fui com ele por que mal consigo andar. Aquele filhos da puta me arrebentaram...

–Acho que vou atrás dele...

Me levantei e segui até a porta. Thiago com dificuldades me chamou.

–Espera! Eu vou junto. Quero saber o resultado dessa merda.

Eu o ajudei a caminhar e saímos procurando Diego. Após alguns minutos de busca, encontramos ele sentando no chão com as costas apoiadas na parede. Ele estava muito ferido. 

–Diego! O que aconteceu? – Corri para ajudar ele.

–Eu cheguei perto dela... reuni toda coragem que eu tinha... Quando disse oi, uns idiotas começaram a encrencar comigo...

 Diego teve dificuldade para respirar, ele estava muito ferido. Aparentemente ele havia levado uma surra muito maior que a que normalmente levamos.

–Eu tentei ser valentão... pra ela ver que eu consigo... – Ele riu – olha o resultado.

Diego olhou para Thiago com um olhar meio psicopático. Thiago sorriu. Eu não entendi a mensagem que eles haviam trocado, mas entendi que era algo a ver com vingança.

–Vamos acabar com eles! Eu quero todos eles sofrendo! Nunca mais vou ser humilhado nessa escola de merda!

Eu me assustei ao ouvir isso de Diego. Mas eu também estava cansado de toda aquela humilhação escolar, de autoridades da escola vendando os olhos para isso. Mas o que ele estava planejando? Dar puxões de cueca nos valentões? Não... parecia ser algo bem maior. Aquele sorriso sinistro..... 

No dia seguinte eles vieram mais estranhos que o normal. Sentaram nas últimas cadeiras... O que estava acontecendo? Fui falar com eles como de costume.

–Ei... Por que não sentaram do meu lado hoje?   

–Shimada, você não vai contar pra ninguém. Certo? – Disse Thiago.

O que estava acontecendo? Por que tanto mistério? Eu concordei acenando com a cabeça então ele me mostrou o que estava dentro da mochila. O revólver do pai dele.

–O que vocês pretendem fazer com isso? – Perguntei assustado

–Relaxa, vamos apenas dar um susto em um certo valentão. – Disse Diego.

–Relaxa?? Vocês estão loucos?? – Estava pra perder a cabeça.

Eles calaram a minha boca usando as mãos deles. Por sorte, éramos invisíveis para os olhos de todos, então ninguém ligou.

–Fala mais baixo Shimada, eles podem te ouvir! – Disse Thiago – Só vamos assustar ele com isso, ok? Ta descarregada. 

Eu ignorei eles. Naquele momento estava deixando eles fazerem o que quiser. Estava confiante que Diego não iria matar ninguém.

No fim da aula eles saíram. Eu os segui e fiquei observando de longe aonde tudo isso iria parar. Thiago empurrou um dos valentões que haviam espancado ele ontem e em seguida correu. O valentão, seguido por outros dois correram atrás de Thiago.

Os três valentões encurralaram Thiago em um lugar aonde ninguém passava, um local isolado. Eu os segui o tempo todo sem ser visto 

–Você nunca mais vai sentir nada depois dessa surra – Disse um deles.

e nesse momento surgiu Diego apontando o revólver para eles.

–Vocês nunca mais vai mexer com a gente de novo!  

Os três levantaram as mãos e tentaram acalmar Diego. Eu ouvi um disparo e vi um corpo caindo no chão. Não acredito que ele matou aquele cara...

–Você me disse que estava descarregada.... – Disse Diego jogando o revólver no chão e tremendo de medo pelo que fez.

–Pois é... eu menti! agora vamos terminar o que acabamos de começar, agora você está nessa comigo! 

Thiago puxou uma escopeta que estava ali escondida e acertou um deles com um tiro. O último deles tentou correr, mas Thiago o acertou nas costas. Eu me escondi. 

–Vamos Diego, agora não tem mais volta.

Diego tremendo pegou o revólver, parte dele queria fazer aquilo, mas o lado humano dele o deixava apavorado com aquilo. Mesmo assim ele já estava armado. Pelo que parecia, Thiago tinha um estoque de armas escondido naquela área da escola. Esse dia já estava prescrito por ele a bastante tempo. 

Com o barulho dos tiros, vários estudantes foram ver o que havia acontecido. Quando viram os dois armados, começaram a correr. Então... Uma sequência de tiros e pessoas caindo sem vida no chão.  

Thiago e Diego então foram para os corredores da escola, aonde haviam muitas pessoas. Diego atirava apenas naqueles em que ele tinha ódio; aqueles que haviam feito algum mal com ele. Thiago não tinha preferências, atirava em quem aparecia.

Logo o corredor estava vazio. Muitos conseguiram sair dali; alguns não tiveram a mesma sorte. Thiago então, andando pelo lugar ouviu um barulho vindo de um dos armários, quando abriu viu um garoto nerd que havia se escondido alí. Ele apontou a arma para ele enquanto ele implorava pela vida, mas a arma não disparou, estava descarregada.

–Mate esse infeliz Diego, minha arma descarregou. – Disse carregando a arma.

–Thiago... ele não fez nada de mal com a gente, não tem pra que matar ele.

–Tá bom, eu mato esse aqui – Apontou a arma pra ele enquanto ele implorava pela vida.

Diego apontou o revolver para Thiago.

–Você disse que matariamos só aqueles que nos fizeram mal.

–Essa escola toda é um saco, só quero acabar com isso! 

–É melhor eu te parar aqui, antes que você perca totalmente a sanidade! – Disse Diego puxando o cão da arma.

–Diego.... Diego... 

Thiago atirou com sua escopeta em Diego. Que caiu no chão sem vida. Eu quase gritei quando vi a cena, mas calei minha boca e me escondi atrás de uma coluna para não ser visto. Thiago atirou no garoto nerd. 

Nesse momento eu sai da onde estava escondido e fui em direção a Thiago. 

–Você perdeu a festa Shimada. – Disse Thiago com uma escopeta apoiada em seu ombro em uma mão e na outra o revólver de seu pai.

O som da sirene dos carros de polícia atrapalhou o silêncio do momento. Eu não dizia nada, estava completamente em choque com tudo aquilo.

–Antes de eu ir, preciso fazer mais uma kill. – Disse apontando o revólver para mim.

 Eu estava sem reação, era meu fim. Iria morrer naquele momento.

–Bang! E você está morto Shimada! – Disse Thiago rindo.

Após a brincadeira que havia feito, Thiago apontou o revólver para a boca e puxou o gatilho. Ainda tentei impedir, mas não tinha nada que eu poderia fazer. Me ajoelhei em meio ao corpo dos meus dois amigos enquanto policiais entravam na escola. Fiquei inconsciente naquele momento. A partir daí apenas lembro do brilho de uma sirene.

       




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