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História Seven Days - Capítulo 7


Escrita por: liamariasq

Capítulo 7 - Secuelas, parte I


Sentindo-se impotente, principalmente por saber que, no estado em que Emma se encontrava, não havia nada que pudesse fazer para ajudá-la diretamente, Regina abriu sua bolsa e tirou de dentro o álbum de fotografias que havia levado consigo. Elas haviam registrado cada fase do crescimento de Henry e Hope. O primeiro dia na mansão, os primeiros passos, cada festinha de aniversário, os Halloweens, os Natais, os primeiros dentinhos, os primeiros cortes de cabelo. Tudo. E tudo havia sido por insistência de Mary Margaret. Com delicadeza e sem movimentos bruscos, depositou-o no colo dela e o abriu, fazendo-a baixar o olhar para ver as fotos de seus filhos ainda bebês. Um sorriso apagado apareceu no rosto dela quando deslizou os dedos pelas imagens cobertas pelo plástico do álbum, traçando uma linha invisível que contornava aqueles lindos bebezinhos.

Deixando-a entregue às lembranças, Regina se afastou sem dizer uma palavra, pegou seu celular e digitou uma mensagem para Elsa.

- "Por favor, ligue para o Dr. Hopper.
Diga a ele que venha até a casa de Mary Margaret e Ruby. Ela precisa dele com urgência."

Sabia que não precisava dar mais informações para que Elsa entendesse o que isso significava, portanto, não se surpreendeu quando ela respondeu alguns minutos depois.

- "Ele já está a caminho".

Não era necessário perguntar como Emma estava. As duas já conheciam muito bem as crises da sua esposa.

***

Três anos antes

Regina estava nervosa. Não sabia o que vestir, como arrumar o cabelo, se devia colocar maquiagem e, muito menos como se comportar.

Dr. Hopper, o psicólogo da cidade, havia-lhe aconselhado a agir normalmente e a tratar Emma com naturalidade para que ela se sentisse em casa. Porém, essa recomendação, que devia deixá-la mais calma, deixou-a ainda mais nervosa. Como Emma poderia não se sentir em casa... na sua própria casa?

No entanto, sem querer ser o motivo pelo qual sua esposa - ainda a considerava assim, mesmo não sendo oficial e mesmo depois de tanto tempo... - pudesse se sentir desconfortável, decidiu-se por colocar um vestido tubinho azul marinho acompanhado pelo belo par sapatos Manolo Blahnik que ela havia lhe dado de presente no último aniversário em que ela esteve presente. Esperava que isso ajudasse na sua reinserção no seio familiar.

Olhou-se no espelho, fez uma maquiagem bem básica, escovou os cabelos... Quando já começava a pensar em trocar os sapatos, ouviu seu telefone tocar em cima da cama. Largou a escova de cabelo sobre a penteadeira e correu para ler a mensagem de Zelena:

- "Estamos chegando a Storybrooke.
Acho bom você estar pronta.
Ela está ansiosa para ver você."

Regina segurou o riso. Achava difícil de acreditar que Zelena estivesse falando a verdade. Afinal, nos dezoito meses em que Emma esteve internada na clínica de reabilitação, havia se recusado veementemente recebê-la ou atender suas ligações.

Havia tentado ser paciente e compreensiva. Mas, culpava-se por não ser capaz de inspirar a confiança de Emma. E, além disso, não entendia o que a havia motivado a tomar a decisão de mantê-la afastada durante o processo de recuperação. Talvez tivesse sido porque Regina a segurou e a impediu de se atirar na frente da arma do pai, na cerimônia de casamento. Talvez ela achasse que isso teria evitado que David atirasse mais uma vez Mary Margaret e que ela, de alguma forma, teria sobrevivido àquele ato de violência. Talvez... haviam tantos talvez...

Uma nova notificação de mensagem arrancou Regina de seus pensamentos.

- "Ei, maninha, decidimos parar
para jantar naquele restaurante italiano
que você ama. Na verdade, eu fui voto vencido.
Emma e as crianças decidiram que queriam
comer pizza. Quer vir nos encontrar?"

Regina não pôde evitar de se sentir decepcionada. Haviam combinado que Zelena iria com Henry, Hope e Robin buscar Emma na clínica, em Boston e ela ficaria em casa, preparando um jantar de boas-vindas de volta ao lar. Mas, aquela noite era de Emma e, para evitar de estragar o clima da primeira noite dela de volta à cidade, decidiu ficar em casa, recolher a mesa do jantar e guardar toda a comida que havia preparado - além de manter toda a sua tristeza fora de vista. Portanto, digitou uma resposta para Zelena:

- "Que bom que estão animados.
Vou aguardar por vocês em casa.
Aproveitem o jantar."

Não houve resposta. Regina esperava por isso.
Depois de largar o celular sobre a mesinha de cabeceira, desceu as escadas e se dirigiu para a sala de jantar. Ao olhar para tudo o que havia preparado, sentiu um gosto amargo na boca. Serviu uma taça de vinho e, enquanto guardava cada coisa em seu devido lugar, saboreou o vinho. Um Merlot, o favorito de Emma.

Quando terminou de guardar os pratos e a comida, pegou sua taça e a garrafa de vinho e foi se esconder em seu escritório, seu santuário, para onde sempre corria quando as coisas não iam bem. Se afundar no trabalho sempre ajudou-a a manter-se sã.

Esse pensamento a fez lembrar-se do que aconteceu nos meses que se seguiram ao casamento de Mary Margaret e Ruby.

Emma entrou em um estado de confusão mental em que havia dias que ela parecia reviver a morte da mãe, da madrasta e do pai. Quando isso acontecia, ela lançava mão de quaisquer objetos cortantes que encontrasse e se machucava dizendo que estava fazendo uma cirurgia de emergência. Como prefeita, Regina se reuniu com o Conselho e conseguiu convencê-los a conceder a ela uma licença por tempo indeterminado devido ao grande trauma psicológico que havia sofrido.

Com Emma afastada do hospital - e de bisturis -, Regina pensou que, com a terapia e passando mais tempo com os filhos, ela iria, aos poucos, começar o processo de superação. Mas, estava enganada.

À medida que as semanas iam passando, o estado de Emma ia se agravando. Foram inúmeras as vezes que a prefeita acordou, no meio da noite, com Emma gritando que sua mãe a havia abandonado, que Ruby a havia abandonado, e Roni, e David... Nessas ocasiões, ela chorava, quebrava coisas e, às vezes, até se machucava.

Vendo a mulher que amava naquele estado, Regina decidiu renunciar o seu cargo na prefeitura para ter mais tempo para cuidar dela. Afinal, Ashley não podia cuidar de seus dois filhos e de Emma sozinha.

Os seis meses antes da decisão de internar Emma em uma clínica em Boston foram os piores da vida de Regina. Afastada da prefeitura, ela dividia os seus dias entre ajudar Ashley a cuidar de Henry e de Hope e evitar que Emma se machucasse ou machucasse alguém.

No dia em que encontrou a medica, chorando no banheiro, perfeitamente lúcida, mas tentando se ferir verdadeira e mortalmente, Regina entendeu que Emma precisava de um certo tipo de ajuda que ela não poderia proporcionar. Então, após evitar o pior, aproveitou o momento de sanidade em que Emma se encontrava e falou com ela sobre a clínica. Ela aceitou de imediato, pelo bem de seus filhos.

Regina lembrava-se de ter pensado que aquele seria o fim de um longo período de sofrimento. Mas, não podia imaginar que estava prestes a encarar um outro que duraria bem mais. Um ano e meio, exatamente.

Quando ouviu um barulho vindo da sala de estar, percebeu que havia abandonado sua taça de vinho sobre a mesa do escritório e mergulhado profundamente nas lembranças sem se dar conta de quanto tempo havia se passado.

Sentindo seu coração palpitar pela possibilidade de ver Emma outra vez, resistiu ao desejo de correr ao encontro dela e abraçá-la. Conteve-se ao lembrar de ela não parecia tão ansiosa para vê-la como Zelena supunha, ou não teria concordado em parar em um restaurante, retardando o momento em que chegaria em casa. Regina ainda a amava com todas as suas forças, mas também tinha seu orgulho. E Emma o tinha ferido ao recusar-se a vê-la durante todo o tempo em que esteve em Boston. Quantas foram as vezes em que viajou até lá e implorou para que a deixassem entrar mesmo sem o consentimento dela, mas fora impedida?

É claro que sabia que Emma estava sofrendo e não tinha a menor intenção de menosprezar todos os momentos difíceis pelos quais ela havia passado. Assim como não tinha a menor intenção de menosprezar os seus próprios. Estava traumatizada também. De um jeito diferente, em um grau não tão elevado, mas não menos importante. Também merecia ser cuidada e, se ninguém parecia interessado em fazê-lo, o faria ela própria. Cuidaria de sua saúde mental e protegeria o seu coração da indiferença de Emma.

Portanto, levantou-se de sua cadeira no escritório apenas para ir acomodar-se no confortável sofá que havia ali, em um canto, com uma nova taça de vinho entre os dedos. Nesse momento, quase desejou ser do tipo de mulher que fumava. Um pouco de nicotina cairia muito bem, principalmente para manter suas mãos ocupada.

As crianças provavelmente haviam dormido no carro, como sempre faziam quando saíam a noite, pois não ouviu as vozes deles chamando por ela ao entrar. E, a julgar pelo silêncio que já se estendia por longos minutos, Zelena também não havia demorado muito para ir embora com Robyn. O que significava que estava sozinha com Emma naquela casa, sem ter ideia de onde ela estava ou o que estava fazendo naquele momento. No entanto, não demoraria muito para isso mudar.

Após mais alguns minutos de silêncio total, Regina se serviu de mais uma taça de vinho. Não se importava com o fato de que era uma noite de quarta-feira e precisaria sair bem cedo para o trabalho na manhã seguinte. Não estava sendo fácil ser a substituta de Mary Margaret na direção da escola de Storybrooke, de qualquer forma. Quando voltou a se acomodar confortavelmente no sofá, ouviu uma batida tímida na porta do escritório e a voz de Emma, em tom baixo, logo em seguida:

- Regina, você está aí?

Seu coração pulou uma batida. Não esperava que ela fosse lhe procurar. Talvez desejasse isso, mas... realmente não esperava que ela o fizesse.

- Estou aqui. Pode entrar. - tentou falar em um tom casual, conforme o Dr. Hopper havia-lhe orientado. Não tratá-la como se ela tivesse acabado de sair de uma clínica psiquiátrica.

Regina também não ficou de pé para recebê-la. Não confiava nas próprias pernas naquele momento. Principalmente quando Emma apareceu diante de seus olhos, usando um vestido preto muito curto, colado ao corpo, por cima da meia-calça preta e grossa. Ela ainda não havia tirado o sobretudo, também preto, e as longas madeixas loiras caíam sobre seus ombros, com elegância. A maquiagem leve realçava a beleza natural que ela possuía. Mas, estava em dúvida se as bochechas estavam coradas pelo excesso de blush, pelo frio de Storybrooke ou se era... por sua causa.

- Oi. - disse ela, com um sorriso tímido no rosto.

- Oi. - respondeu simplesmente, encarando-a, observando-a, esperando para ver o que ela faria a seguir.

- Você está com fome? - Sério? Depois de um ano e meio de silêncio, aquilo era o que ela tinha a lhe dizer? - Trouxemos comida italiana para você. Henry e Hope escolheram uma lasanha e eu escolhi a sobremesa. Espero que ainda goste de tiramisú.

Regina não respondeu. Apenas continuou olhando para ela, perguntando-se se ela sentiu sua falta ou se havia ido procurá-la por que se sentia obrigada a isso. Levou a taça aos lábios, distraídamente. Todo o tempo que gastara nos dias anteriores, tentando se preparar para aquele momento, não haviam valido de nada. Devia ter imaginado que jamais estaria pronta para encará-la outra vez, depois de ter sido descartada da sua vida após toda a tragédia pela qual passaram. Havia tentado tantas vezes dizer à Emma que elas poderiam passar por tudo aquilo, juntas, e superar todas as dificuldades, juntas. Mas, ela nunca quis ouvir. Havia ficado tão magoada com o silêncio dela. Ainda estava muito magoada.

Então, por que raios tudo o que queria naquele momento era que Emma a abraçasse? Porque tudo o que desejava era poder beijá-la outra vez?

Mas, não o faria. Por mais que cada centímetro do seu corpo clamasse por Emma, não se atiraria nos braços dela como se nada tivesse acontecido, como se não tivesse se sentido abandonada por ela durante todo o tempo em que ela esteve fora. Não a recompensaria por tê-la feito sofrer, mesmo sabendo que ela estava sofrendo também. Não sabia como perdoá-la por ter se afastado quando ambas mais precisavam do apoio e do amor uma da outra.

Regina se surpreendeu quando ela deu alguns passos em sua direção e se sentou ao seu lado no sofá.

- Deixe-me provar o vinho - pediu ela, com o olhar fixo no seu.

Estendeu a taça para ela, mas Emma não a pegou. Em vez disso, ela inclinou-se e colou os lábios nos seus, depois invadiu sua boca com a língua quente e macia. Regina quis empurrá-la e se afastar. Mas, tudo o que fez foi depositar a taça sobre a mesinha ao lado do sofá e puxar Emma para junto de si, aprofundando o beijo que tanto lhe fazia falta. A cada investida de sua boca contra a dela, Regina podia sentir a sensação de alívio por finalmente ter a mulher que amava de volta em seus braços, sua mente se entorpecia pelo prazer que um simples toque dela era capaz de lhe proporcionar e seu corpo reagia de imediato, afetado pelo anseio de tê-la ainda mais perto e de forma muito mais íntima, marcado pelas cicatrizes invisíveis causadas pelas muitas noites nas quais a saudade e a ausência não lhe deixaram dormir.

No entanto, ela sabia que não podia simplesmente entregar-se nos braços de Emma. Não quando ela a havia magoado da forma como o fez ao excluí-la totalmente da sua vida durante o processo de recuperação. Por isso, mesmo lutando contra os próprios desejos, Regina encerrou o beijo com gentileza, colocando alguma distância entre elas.

- Nós precisamos conversar, Emma.

Uma sombra de tristeza passou pelos olhos dela e Regina se culpou por não conseguir ser mais compreensiva naquela situação. Afinal, era o primeiro dia dela de volta em casa. No que estava pensando para cobrar qualquer coisa dela justo naquela noite?

Emma ficou de pé, pegou suas mãos entre as dela e a puxou para que ficasse de pé também.

- Por favor, vem comigo. - disse ela.

Regina quis dizer que não, mas apenas assentiu e deixou-se ser guiada para fora do escritório, subindo as escadas e caminhando pelo corredor até chegar ao quarto que dividiam antes de... tudo acontecer. Depois que entraram, Emma fechou a porta e começou a se despir. Primeiro, ela tirou o sobretudo, largando-o no chão, depois o vestido, os sapatos e a meia-calça. Regina não se movia. Apenas admirava aquele corpo coberto apenas por uma sedutora lingerie de renda preta.

Emma aproximou-se devagar, como se tivesse com medo de assustá-la, os olhos fixos nos seus, parando a poucos centímetros do seu corpo, sem tocá-la de imediato.

- Regina, eu sei que lhe devo uma explicação, sei que você se recente pela forma como fui embora e que precisamos falar sobre tudo. E eu prometo que faremos isso. Prometo que você terá a oportunidade de gritar comigo e dizer todos as palavras não-ditas que se acumularam ao longo desses dezoito meses. Prometo que decidiremos juntas o que faremos a seguir. Mas, hoje... - ela deu mais um passo, diminuindo ainda mais a distância entre seus corpos. - Só por hoje, podemos fingir que os últimos dois anos não aconteceram?

- Emma...

Regina tentou se afastar, mas ela foi mais rápida e jogou os braços em torno de seus ombros, aconchegou o rosto na curva de seu pescoço e disse:

- Só por uma noite, Regina. Apenas por essa noite eu não quero uma paciente da ala psiquiátrica e não quero que você me odeie. Eu quero ser sua mulher, sua amante. E, se essa for a última vez que terei você em meus braços, então que seja a melhor noite das nossas vidas.

Após ouvir essa declaração, Regina estava totalmente desarmada. Emma pensava que ela a odiava? Ah, não podia estar mais enganada. Amava-a com todas as forças do seu coração. Mas, não diria isso a ela. Não naquela noite. Em vez disso, deixaria que ela sentisse o seu amor na sua forma mais pura.

Sem dizer uma palavra, envolveu os braços em torno da cintura dela e afundou o rosto naqueles cabelos loiros, sentindo o cheiro do perfume que tanto lhe fez falta.

- Oh, Emma...

- Me beije, Regina.

Ela o fez. E enquanto o fazia, ajudou-a a tirar suas roupas e a deitou entre os seus lençóis sem que suas bocas se separassem.

Ali, naquele quarto, onde haviam vivido muitos dos melhores momentos desde que estavam juntas, e também alguns dos mais difíceis, elas se amaram mais uma vez. Talvez a última. Só descobririam no dia seguinte, quando tudo fosse resolvido.

Mas, enquanto o dia seguinte não chegava, apenas amor compartilhado entre aquelas quatro paredes importava.

Apenas isso e nada mais.


Notas Finais


"Não damos importância ao beijo na boca, mas faz o casal ser único, definitivo, sendo tudo o mais tão secundário, tão frágil e tão irreal".

- Nelson Rodrigues.


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