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História Sex on Line - Capítulo 33


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Capítulo 33 - Tentando Ajudar


O cenário agora é a cantina, onde eu e Ysa tomávamos dois refrigerantes e esperávamos a chuva passar. Ultimamente tem chovido muito e isso tornava uma droga para se mover a pé pela cidade.

—Preciso de outro emprego.— Ela reclamava sobre ter sido substituída do restaurante onde trabalhava, pois uma novata tinha o desempenho melhor e sabia lidar muito bem com a clientela.

—Esses caras são uns cretinos. Você consegue coisa melhor.— Mesmo dizendo isso, sei que pode ser duro arranjar vagas de meio período no fim do ano.

—Consigo um trabalho com salário bom o suficiente para a rematrícula e a mensalidade?

—Sempre dá pra tentar.— Nem ferrando!

 

Termino minha latinha de soda, arremessando-a no lixo e acertando. Ysa tenta o mesmo, mas a pequena lata bate na beirada da cesta de plástico e cai fora.

—Oi, Ysa!— Hn? Uma menina chamou acenando.

—Ah, é minha dupla de estudo.— Prova em dupla? Quem me dera. —Vai na frente, talvez eu demore um pouco.— Abaixou-se para pegar a lata de soda, dando-me uma boa vista das suas coxas que eram escondidas pela saia curta. —Acho que ela vai querer ir na biblioteca.

—Divirta-se.

—Vai nessa.

É hilário como uma pessoa tão bacana quanto ela pode ser tão ruim em socializar com os outros.

Bom, nesse caso já vou. Não posso me atrasar no último mês de serviço.
No aniversário do seu irmão, tive um dia ruim e acabei descontando encima dela. Mesmo me desculpando e dando explicações, existe agora uma certa distância entre eu e Ysa.


Subi as escadas e, na saída, avistei aquela garota chorando de novo ao lado do banco do jardim. Ela nunca se cansa? Bom... Dessa vez a abelhinha não estava me acompanhando, então sobrou para mim.

Não interessa quantas vezes repeti “não ser da minha conta”, acabei caminhando até perto da Brendha e, por fim, decidi tentar algo.

—Oi, você precisa de ajuda?— Fiquei de joelhos na grama, sujando a calça recém-lavada que separei para vestir hoje.

—P,Parece que eu tô precisando da tua ajuda!?— Ah? Ela tá chorando e tentando se fazer de poderosa? —Você é amigo do Joh.

—Eu ando com ele, mas não diria que somos bons amigos...— De todas as pessoas, ele é quem mais desejo cortar relações.

—Sei quem você é. Ele fala bastante sobre você, então não preciso ser ajudada por ti.— Usou as mangas longas para enxugar suas próprias lágrimas.

—E,ei... Só tô tentando ser legal.

—Obrigada!— Esse foi o agradecimento mais irônico que já ouvi. —Veio me oferecer seiscentos reais? Porque é disso que preciso.

—Cara, se quiser posso procurar um emprego com voc-——

—Claro que pode. Até parece.— Ela está só descontando os problemas encima de mim, né? —Tu estagia numa empresa boa, banca teu curso caro e tem emprego garantido pra depois da formatura.

—Tá, mas-——

—Eu perdi todas as minhas amigas, não posso mais falar com os meu primos e ele não me deixa arranjar emprego.— O Joh?

—Pra que continuar nessa relação!?

—Ele tem dinheiro e tá pagando meu curso pra mostrar que me ama. Se eu terminar vou precisar trancar o curso na época das provas! Não tem como conseguir serviço a tempo.— Dessa vez o choro veio com tudo.

—Calma, posso te ajudar.

—Ajudar? Já disse que não preciso da tua ajuda, se toca!— Ficou de pé, exibindo o temperamento fechado. —Você não sabe como é passar pelo que eu passo. Se é tão amigo dele, sabe que não é justo terminar assim.— Sem esperar nada em resposta, voltou pra dentro da faculdade.

 

Ah...! Que garota complicada. Ela tá achando que eu nasci dentro daquela empresa? Além disso, sei bem o que o meu amigo passa.
Sua mãe viúva casou com um homem bem de vida e que cuida dele como se fosse um filho, mas então ela faleceu.

Ele tem uma vida boa, é bem tratado pelo padrasto que ele insiste em manter distância. De começo até cogitei algum abuso ou pedofilia, mas não, o homem só é bonzinho, mesmo.

Joh tem problemas com raiva, então gosta de descarregar sobre os outros, seja física ou psicologicamente.
O máximo que aquele homem fez foi dar um soco em seu olho e deixar roxo por dias, mas Joh admitiu ter ido para cima dele primeiro.

 

Desperdiçar sua liberdade por alguém assim é perda de tempo.

Me ergui dando tapas na calça para que as pequenas folhas secas e grãos de terra se soltassem do tecido.
A área dos joelhos estava imunda, será difícil limpar sem deixar manchas. Tudo isso atoa, por conta dessa Brendha e seu estúpido namorado.

 

 

 

 

 

~~  [ • • • ]  ~~

 

 

 

Cheguei no barracão ensopado e espirrando. A chuva fez uma parada enquanto saía da faculdade, mas voltou sem aviso e com força total quando eu estava no meio do caminho.

Não fui o único a me molhar, outras pessoas também foram pegas desprevenidas e precisaram correr como loucas.
Por pouco não escorreguei na entrada.

Não tinha roupa reserva, então o jeito seria tirar a camisa e torcer para secar mesmo nesse tempo frio e úmido. Precisaria usar a toalha do banheiro para enxugar o cabelo, mas, mesmo assim, não ia servir de nada caso a tempestade não passasse até as dezenove horas.
Pedir para Will me buscar de carro aqui é inviável.

 

—Puta merda!— Segurei a risada ao ver Troy chegando em condições semelhantes às minhas. Ouvi-lo xingar é incomum.

—Pensa rápido.— Joguei-lhe a toalha, a qual pegou e esfregou nos braços, pingando água por todo o assoalho. —Duvido que a Janna venha hoje.

—Ela nunca perde uma desculpa pra faltar.— Sim, com certeza não vamos ser abençoados com sua presença dessa vez.

—Reo, preciso conversar.— Normalmente ele se aproveitava desses primeiros cinco minutos para bater papo, já que o horário de ligar as linhas demorava um pouco, mas essas conversas ocorrem com a Janna. —Só promete não fazer piada, pode ser?

—Vamos tentar.— Isso é tudo o que eu não quero.

—Tá certo.— Ele puxou a cadeira de plástico para sentarmos lado a lado. —Sabe a Ger?

—A velha Ger? Nunca mais ligou, aconteceu alguma coisa? O tumor era maligno?

—Você disse que não ia fazer piada!— Na verdade disse que ia tentar. De qualquer forma comentei um “desculpa” casual. —Não, ela sobreviveu. Eles retiraram tudo, mas...— Ah! Ficou tristonho de novo. —Ela vai passar meses se recuperando. Perdeu as duas pernas por conta do tumor.

—Pelo menos tá viva.— Por mais alguns anos, é claro.

—Mas deve ser horrível! Ela vai precisar reaprender a andar, cara. Vai precisar usar prótese nas pernas, pode ser depressivo para uma pessoa solitária.— Fala sério. —Ela nem quer sair da cadeira de rodas... Dá pra parar de fazer essa cara!?

—É a minha cara!— Tá brincando que ele já vai começar com isso de novo. —Olha, vai ficar tudo bem. Tenho certeza de que ela vai ficar animada quando se encontrarem.

—Sério?— Isso bastou para deixa-lo mais esperançoso. —Porque eu tava pensando em levar ela para tomar sorvete e assistir aos fogos de artifício de fim de ano. Ela disse que nunca assistiu junto de outra pessoa.

—Que fofo. Segurem as mãos, dizem que os casais que fazem isso ficam juntos para sempre.— Ele me encarou torto dando um suspiro irritado e se afastou arrastando a cadeira de plástico junto. —Ah, qualé! Tô tentando ajudar.

Nossa, nada de bom acontece quando tento ajudar aos outros. Nem sei o motivo de continuar tentando.


Notas Finais


... Reo não sabe ajudar...


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