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História Sexagésimo Chaos - Capítulo 2


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Notas do Autor


Boa leitura

Capítulo 2 - O pior aos vinte e quatro


O policial foi verdadeiro em relação a proximidade do motel. Com o acelerador no máximo, violando várias regras somente pra sentir o vento gelado no rosto, chegou na metade do tempo. O local era como esperado: discreto, com poucas placas e pequeno, nada fora do comum. Se precisasse se esconder escolheria lá, já que não chamava atenção em nada. Namjoon foi até a recepção, sem antes pedir a Yoongi que ficasse na entrada, não confiava nele pra ficar na frente dos outros.

- Boa noite, senhor. Seja bem-vindo, posso ajudar em alguma coisa? - O sorriso que o atendente direcionou a si foi tão doce que não evitou sorrir de volta. Sentiu-se estranho logo em seguida, naquela noite tudo que não fosse um grito de Yoongi parecia fora de contexto.

- Vocês têm quartos com camas separadas? - Duvidava muito que um lugar como aquele estaria lotado, ou que tivesse uma variedade pra oferecer.

- Desculpe, não temos esse tipo aqui. – Namjoon deveria está em um nível de trauma muito grande, pois considerava simpático tudo que o atendente dizia.

- Tudo bem, então dois quartos pequenos, os menores que vocês tiverem, por favor.

Prontamente o atendente procurou duas chaves. Os números 30 e 03 indicavam que eram portas distantes uma da outra. Não sabia se ficava feliz pela separação de Yoongi ou preocupado pelo mesmo motivo. 

- Se precisar de alguma coisa, pode me chamar pelo telefone. - Falou após dar todas as instruções sobre os quartos e serviços oferecidos, eram bem resumidos. - Tem algo que eu poderia fazer agora? 

Gostaria de pedir algo do atendente: prolongar o contato até se sentir bem com toda sua gentileza. Infelizmente Yoongi ainda estava na entrada com os olhos fixos em si, o esperando. Agradeceu os serviços e negou, chamando o mais novo para entrar. Não sabia muito o que falar a Yoongi além do necessário. Os quartos eram no mesmo corredor, um em cada ponta, numa distância que conseguiriam se encontrar em segundos caso quisessem. Por último, disse que se acontecesse qualquer coisa, e esse qualquer estava no sentido literal, deveria procura-lo. O mais jovem somente assentiu, fechando a porta sem nem mesmo dar um boa noite. Com a mentalidade que tinha, não era capaz de abrir a boca sem falar outra besteira ofensiva.

Assim que se deitou na cama, apagou como se não tivesse visto um corpo morto naquele dia. Não tirou os sapatos e por toda madrugada não se moveu um centímetro sequer no colchão. Tinha sido um descanso merecido que não pôde aproveitar quando acordou. Ao abrir os olhos, não conseguiu fazer outra coisa além de levantar e correr até o quarto de Yoongi. A corrida que fez no corredor chamou atenção das pessoas discretas que estavam saindo, as batidas exageradas na porta mais ainda. Parecia que sua vida estava em risco com tanta força que batia e a demora para abrir também não colaborava com sua agonia crescente. A porta não estava trancada então virou a maçaneta e invadiu o local, o quarto 30, com todo seu desespero.

Sentado na cama, Yoongi ouvia o barulho sem coragem de se levantar. Sua aparência estava miserável. Passou toda madrugada na mesma posição, recapitulando cada momento. Comida, água, descanso ou limpar sua testa ensanguentada foram coisas que não cogitou em nenhum momento.

- Você veio me abandonar? - Era o que Yoongi não parava de questionar.

- Não, nada disso. - Fechou a porta pra ter mais privacidade. Namjoon se aproximou de Yoongi, o empurrando levemente pelos ombros pra que se deitasse na cama. Uma forma forçada de fazê-lo dormir. Virou sua cabeça pra retirar a camisa que vestia, não queria de forma alguma parecer que tinhas intenções além de deixar confortável, e logo em seguida o cobriu com o edredom. - Você precisa dormir pra podermos voltar.

- Voltar? Ainda não podemos… - Deitar fez todo seu corpo relaxar. Yoongi estava em estado de desmaio, apagando antes que começasse a falar mais com Namjoon.

Tê-lo em seu campo de visão o deixava mais calmo, dormindo não parecia destrutivo. Ficou as horas seguintes ao seu lado tendo certeza que se algo ruim estivesse acontecendo seria somente em seus pesadelos. Conferiu seu celular nesse tempo, não tinha o hábito de olhar mensagens de textos nem em seus dias de calma. Foram ignoradas totalmente e a única coisa que focou foram nas últimas notícias. Nenhum assassinato, nenhum desaparecido conhecido, nenhuma declaração formal da universidade e nenhuma homenagem para o admirável professor. A bateria logo chegou ao fim, desligando totalmente o aparelho. Não sabia se seu estado mudaria quando conseguisse ligar novamente, por enquanto estava sossegado que o caso ainda não tinha ido a público.

 Yoongi tinha um sono profundo, como se até sua respiração estivesse economizando energia. Parecia a única oportunidade de Namjoon sair pra resolver pequenas questões. Como qualquer adulto, até em uma situação de assassinato se preocupava com questões de alimentação e vestimentas. Precisava de um casaco. Descobriu que o motel estava muito bem localizado, não estava no meio do nada como imaginava. Perto dali havia um posto de gasolina com uma pequena loja de conveniência onde aproveitou pra comprar roupas baratas e que durariam pouquíssimo tempo, era exatamente o tipo que precisavam. Um pouco adiante uma farmácia, na qual não foi, mas sabia que a qualquer momento poderia correr até ela.

Saber todos os lugares essenciais próximos só foi possível graças ao atendente do motel. Mais uma vez seu carisma - que por sinal parecia se intensificar estando do outro lado do balcão - dava toda calma necessária a Namjoon. Dele recebeu informações que salvaram sua "viagem em cima da hora" – como chamou sua saída inesperada da cidade. Graças a ele também levou uma bandeja com o almoço a Yoongi, que até o dia seguinte não ficou acordado por mais de dez minutos.

Primeiro dedicou um dia inteiro pra dormir e em seguida pra preguiça e moleza do seu corpo. Ainda que descansado e de olhos bem abertos Yoongi não foi capaz de sair da cama, estava longe de estar em estado de paz sem nada a fazer, sua mente trabalhava demais em possibilidades. Namjoon, por outro lado, estava com um tédio maior que sua angústia. Somente observar o mais novo se tornava algo estranho quando o mesmo estava acordado, ficar no quarto também era desconfortável já que não conversavam. Sua opção foi sentir o frio gelado no rosto na estrada.

Era uma situação que nunca achou que passaria. Não havia forças armadas atrás de si, mas sentia como se estivesse se escondendo. Longe de se imaginar em uma perseguição, as emoções tinham se guardado para a primeira noite e agora a única coisa que restava era uma monotonia torturante. Nem dormir tinha sido uma tarefa simples, visto que não se esforçou tanto pra acumular cansaço. Afundava-se em devaneios sobre tédio até ouvir uma voz perto de si.

- Posso perguntar seu nome? - O atendente surgiu na paisagem vazia e perguntou. O sol estava se pondo e a luz amarelada pintava seu rosto.

- O meu nome? - De repente ficou com medo de ter inventado algum nos últimos dias, se tinha dito algum como disfarce. Demorou pra responder pois demorou pra se tocar que não tinha interagindo com pessoas o suficiente pra chegar ao ponto de precisar de uma falsa identidade. - É Namjoon, muito prazer.

- Me chamo Jungkook, e o prazer é todo meu.

Não tinha percebido o quanto gostaria de ter aquela informação até o momento. Quando voltasse pra casa e sua ida ao motel seria só uma memória desagradável que marcou seus sessenta anos, gostaria de recordar um detalhe agradável.

- Há algum motivo em especial pra querer saber? - Infelizmente sua desconfiança não acabaria tão facilmente. 

-Você é a primeira pessoa que fica aqui por três noites seguidas, bem, presumo que hoje será a terceira. - Namjoon confirmou, voltar pra casa era um atrativo que não teria por enquanto. - Não costumo abrigar ninguém por dias, muito menos conhecer estes como estou fazendo agora. Também tem o fato de que eu gosto do seu nome.

- É a primeira vez que algo bom me acontece graças ao meu nome. – Sorriu, recebendo uma risada de volta. Naquelas circunstâncias, não queria questionar o quão estranho era apreciarem seu nome, só queria agradecer.

Muitos assuntos surgiram durante a observação da estrada. Jungkook percebeu que não deveria perguntar o motivo longo da hospedagem, ao invés disso, contou um pouco sobre seu trabalho, situações que passava por ser um local afastado e como isso tinha prós e contras, algumas até eram engraçadas de se ouvir. Não deixou de lado um pouco de informações pessoais, era um ano mais novo que Yoongi, aparentando ser infinitamente mais maduro. Namjoon compartilhou também um pouco de si durante a conversa, contou sobre seu emprego e em certo momento deixou escapar que não era a primeira vez em locais daquele tipo. Isso deu um ar mais descontraído, puderam ser mais sinceros nos comentários, principalmente naqueles negativos.

Poderia passar o resto do dia daquele jeito. O passar dos anos diminuiu cada vez mais a quantidade de conversas que tinha. Não era atoa que pessoas de 80 anos inventam doenças pra ter a companhia de médicos ou vão a lugares sem objetivo somente para se sentir em sociedade. Namjoon estava longe de chegar naquele estado, ainda que sua solidão fosse avançada. A questão era mais porque o atendente o fazia esquecer de tudo, permitindo fingir que era uma dessas pessoas à procura de companhia. Com o anoitecer, chegavam pessoas a fim de usufruir os serviços do motel, fazendo Jungkook precisar ir trabalhar. Namjoon decidiu levar a janta de Yoongi.

Alguns sinais no quarto mostravam que Yoongi tinha saído da cama pelo menos uma vez durante o tempo que esteve fora. Não precisaria se preocupar se ele tinha morrido no colchão. A comida era requentada, vindo em um plástico e acompanhada de uma lata de suco. Era o máximo que poderia proporcionar. 

- Você diz que não quer me abandonar, mas são exatamente esses seus planos, não é? - Tinha certeza que sua punição por ter matado alguém já tinha começado, restava aguentar a angústia de não saber quando seria deixado sozinho. Sua mente gritava enquanto a razão era silenciosa, a todo tempo aumentava sua paranoia que Namjoon estava pronto para deixá-lo. Já tinha chorado pensando na possibilidade, de tristeza e de raiva.  

A raiva era a mais atual.

- Yoongi, por favor. Estou aqui até agora não vou embora.

- Não fez nem uma promessa que pudesse ser garantia.

- Quer que eu faça uma agora?

- Quero que me diga o que anda planejando com o recepcionista desse motel. - Ficar deitado o dia todo causava moleza no corpo, uma coisa que Yoongi não sentiu ao se levantar bruscamente puxando Namjoon pra perto. Ser mais baixo não o impediu de segurar com força as barras de sua camisa. - Pensa que eu não vi? Desde a chegada você demonstra simpatia com ele. Já se conheciam antes e decidiram se ajudar pra me jogar na prisão? Ou quer ir pra cama com ele, já que ficou encantando com sua infantilidade? Preferiu me trocar por ele seu… pedófilo nojento. Saiba que se tentar qualquer coisa vai acabar como Taehyung até engolir toda sua...

Quanto mais falava, mais perdia o sentido em suas palavras. Yoongi olhava pros lados a procura de algo que pudesse expressar o que sentia. Tremia as mãos ao ver quão erradas eram suas acusações. Queria ofender Namjoon, muito de si despertava isso, mas não daquele jeito. O mais velho era cínico, suspeito e com certeza tinha más intenções mesmo o ajudando. O queria perto e distante ao mesmo tempo para poder gritar sua desonestidade. Entre todos os xingamentos que qualificariam sua péssima pessoa, "pedófilo" não estava incluído. Seu arrependimento não deixou Namjoon menos ofendido.

Já tinha sido chamando daquilo antes, podia dizer que poucas coisas causavam tanta fúria em si. As pessoas não sabiam do peso de ser acusado de algo assim quando não se tinha feito nada, era doloroso e revoltante.

- Não quero nenhuma infantilidade, nenhuma criança, e infelizmente essa é a única coisa que eu tenho que lidar. Você não passa de uma criança enlouquecendo e desesperada, o que eu não consigo entender é porque continua tratando mal a única pessoa que estende a mão pra você.

- É isso que você acha de mim?! E por isso quer me abandonar? 

Seu colapso aumentava na proporção que ouvia o verbo abandonar. Qual complexo tinha com ser deixado sozinho? Empurrou as mãos sendo sua vez de agarrar Yoongi. O balançava tentando traze-lo de volta a realidade.

- Qual. Seu. Problema?

- Precisar de você.

Raiva e adrenalina se encontravam em um nível alto em seu corpo mesmo que não estivesse em estado de perigo real, e elas eram tudo que precisava pra ter um ataque. Podiam não ser suficientes pra quebrar algemas, porém era capazes de derrubar alguém maior e mais forte. Empurrou Namjoon com força o fazendo tropeçar e cair. A posição que foi ao chão causou dor em toda extensão de sua coxa e cóccix. Não teve tempo de massagear a área pra amenizar a dor, pois logo foi puxado pelo braço em direção ao banheiro, o quarto ser pequeno facilitava sua locomoção, rapidamente já estavam na frente do sanitário.

Não somente uma vez, duas vezes sua cabeça fora jogada com força contra o vaso. A primeira vez sofrendo o impacto na bochecha e o segundo a cerâmica foi direto em sua testa. Yoongi usava as duas mãos pra bater a cabeça de Namjoon, agarrava seus fios grisalhos com força como se fosse arrancar seu couro cabeludo. O terceiro baque só não ocorreu pela auto sabotagem de Yoongi. Tinha força e vontade, mas seu desespero falou mais alto.

- Seu, seu… - seu rosto estava totalmente vermelho, as pupilas dilatadas e o choro no canto dos olhos. - Você quer me deixar só… por favor não me deixe só… - Aos poucos a falta de ar atrapalhava sua fala, aumentando as vezes que gaguejava. - Suas únicas intenções são… maldito… por que não…

De cima pra baixo, Namjoon acertou o estômago com um chute, suficiente pra fazer Yoongi cambalear. Não sabia se o som que emitiu decorria da dor na região atingida ou de sua cabeça, que não parava de latejar, muitas vozes internas gritavam juntas, umas diziam que a melhor opção era se desculpar enquanto outras focavam que só chegaria a qualquer lugar usando a violência. Namjoon não esperou até o consenso delas, aproveitou a oportunidade pra correr desengonçado até a saída. A chave na fechadura foi puxada com força e a utilizou pra trancar a porta do lado de fora. Se alguém viesse atrás de si estaria trancado, ainda que não tenha ouvido nada que indicasse uma tentativa.

Apoiou-se nas paredes dos corredores, andando arrastado até seu quarto, 03. Seus atos eram tão bagunçados quanto os de Yoongi. Ao invés de procurar limpar seus ferimentos, voltou para onde tinha sido atacado e jogou a chave por baixo da porta. Não se sentia bem causando uma prisão, este era o medo inicial que resultou na fuga. Tinha gastado muita energia na ida e volta pelo corredor, seu corpo estava cansado e pronto pra se jogar. Se não fosse por Jungkook, ficaria sentado no chão até Yoongi aparecer. Não viu o atendente se aproximar, já planejava qual desculpa daria acompanhado de seu sorriso amarelo quando percebeu que estava indo em sua direção. Segurava uma caixa de primeiros socorros, parecida com a inutilizável que tinha em seu carro.

- Ouvi barulhos estranhos. - Jungkook estendeu a mão pra Namjoon levantar. - Alguns familiares, então vim conferir.

Não imaginou que tivessem sido tão barulhentos ao ponto de chamar atenção do andar de baixo. Aceitou a ajuda e foram pro seu quarto realizar alguns curativos. Ainda que não tivesse parado pra prestar atenção, seu rosto tinha sido bastante afetado pelo impacto com direito a um corte na testa. O filete de sangue foi limpo e o spray gelado pra dor foi como um paraíso em seu rosto, agora tinha um ferimento semelhante a de Yoongi. Seu físico estava melhorando, ao contrário do seu emocional hiper abalado por se ver de forma tão frágil. Era difícil acreditar que foi atacado tão facilmente por Yoongi. 

-Por favor, não realizem nenhuma denúncia. - Namjoon suplicou.

- Não fazemos isso aqui. - Deveria esperar uma resposta daquela. Um lugar onde o recepcionista sabia identificar sons de agressão não parecia querer incluir a polícia em seus assuntos - Mas confirmo que estavam brigando, você parece que apanhou mais que bateu.

Tinha que se atentar ao que dizia.

- Não sou alguém que costuma usar força física.

- Ele não parece seu parente. - Jungkook observava até demais seus hóspedes. No primeiro dia, Yoongi entrou no local descalço com uma expressão perturbada, não procurou ajuda nenhuma em Namjoon ao subirem pros quartos e nenhum pai e filho se separariam daquela forma. Se fosse chutar, diria que eram recém conhecidos. Correto ou não continuaria sem dizer seu palpite, era contra se envolver na vida dos viajantes a não ser que fosse pago pra isso. Seu fascínio por pessoas com aquele nome não faria com que mudasse isso. - Quer dizer por que está com alguém que te feriu dessa forma?

Não era de se meter quando a pessoa parecia gritar para desabafar.

- Porque… ele precisa de mim.

Se não tivesse sido atingido em seguida, acharia agradável ter essa informação.

- Entendo. - Além de observador, também era muito bom em esconder suas reações. Jungkook não esbanjou nada que expressasse sua opinião - De qualquer jeito você acabou machucado, gostaria que eu te acompanhasse durante a noite para caso sinta algo?

Jungkook era um poço de gentileza misturado com experiências árduas, tinha essa imagem em mente desde a tarde juntos. Ter recebido seus cuidados médicos improvisados foi a maior forma de conforto que atingiu no meio da situação insana que se meteu, em nada disso viu malícia. Nas falas e propostas, tudo parecia um simples atendente mostrando uma simpatia exagerada. Aquela pergunta não tinha sido diferente. O passar a noite possuía várias formas, porém imediatamente sua cabeça interpretou de forma sexual por conta das acusações de Yoongi. Lembrar de suas palavras causava a sensação de ser um velho sujo sedento, isso o enojava de tal forma que negou antes que o mais novo terminasse de propor.

- Os remédios já foram o suficiente. 

- Tudo bem, vou deixar um a mais na cômoda. Pode precisar.

Saiu em seguida. Namjoon não gostou de ficar sozinho.

Foi uma noite dolorosa. O remédio amorteceu todo seu corpo, imaginou o belo sono que teria se estivesse em seu colchão, a realidade tinha sido bem diferente. Misturou o adormecer com a preocupação e o resultado foram horas sem conseguir fechar os olhos por um período longo. Cada mínimo som de transas que aconteciam ao seu redor o despertava, foi como se não tivesse dormido nenhuma vez. O acordar definitivo também não foi calmo. Batidas fortes na porta fizeram com que pulasse da cama. A primeira coisa que pensou foi que Yoongi fez algo muito errado; se matou arremessando o próprio corpo da janela ou invadiu um quarto aleatório a procura de alguém para despejar sua raiva, e estavam à procura do seu responsável, seu "pai".

Eram quase seis da manhã, o sol aos poucos surgia no céu, esperava qualquer coisa naquele horário, menos Yoongi parado como se nada tivesse acontecido. 

- Já comeu hoje? - Yoongi era baixo, seu corpo passou pela porta como se tivesse sido convidado, empurrando levemente o braço de Namjoon para sair do seu caminho. - Caso não, trouxe um suco pra você, pode te sustentar um pouco até abrir algo pra comermos, mas prefiro que você repouse até voltarmos a viajar. Posso cuidar de você nesse tempo.

Com um pouco mais de insanidade, acreditaria que a alma de Jungkook estava no corpo de Yoongi. Aceitaria o suco que era o mesmo que levou na noite anterior e dormiria sabendo que estava bem acompanhado. O pouco de racionalidade que restava trazia a raiva de ver aquela cena. 

- Que encenação é essa? É uma tentativa de pedido de desculpas? 

- Não tenho pelo que me desculpar.

-Você é louco?! - Perguntava como se já não soubesse a resposta. - Esqueceu de ontem? O seu ataque não te fez pensar nada?

Na verdade, fez. A madrugada foi destinada a ficar em prantos com o que estava se tornando. Só ocorreu uma morte sendo em sua defesa, e isso estava destruindo seu emocional.

- Não consigo me desculpar, foi em legítima defesa. Não me desculpei por matar Taehyung. 

Esperar por um passo de Namjoon causava medo tal qual ver Taehyung com uma faca. Um dos motivos pra ter atacado era pra provar que era capaz de fazê-lo sentir uma dor semelhante ao que tinha no peito quando pensava nele indo embora.

- Se defender de quê? Não tem motivos pra isso, pelo menos não de mim. Se isso acontecer de novo, Yoongi, eu não vou hesitar em ir embora. - Quase sentia vergonha por fazer uma ameaçar e não agir imediatamente. Infelizmente estava muito preso às palavras "preciso de você".

- Ir embora com Jungkook?

- Só nisso que você pensa? Que inferno! - A cômoda do quarto foi o alvo do soco que Namjoon deu, uma pequena expressão do seu estresse. - Já parou pra pensar no quão difícil é entrar no carro com uma pessoa tão insana? Sangrei por querer achar conforto em uma conversa inocente com alguém aleatório, tente ser minimamente humano e entender que fazer o máximo pra te ajudar está me matando, merda. Eu não mereço ser tratado assim.

Entendia perfeitamente o lado de Namjoon. O problema era que esse entendimento se esvaia antes que pudesse abrir a boca e ser cauteloso. Estava surtando, incapaz de reproduzir a empatia que em algum lugar se encontrava.

- Você quer se vingar de mim desde o dia que te rejeitei pela primeira vez. - Ouvir a resposta fez Namjoon machucar seus punhos em outro soco, era como falar com uma parede. - Independentemente de qualquer coisa, Namjoon, tudo que você está fazendo é porque você quer. Poderia ter me entregado, dado ré no carro, fugido com seu amantezinho, qualquer coisa, e escolheu ficar comigo, então fique até o final.

Sobre a última parte, não tinha como questionar. Sentou-se derrotado na cama, tinha escolhido e continuava escolhendo.

De repente o quarto foi preenchido por uma risada alta e escandalosa, Yoongi se engasgava com as risadas andando pelo quarto minúsculo. 

- Isso não é emocionante? Aposto que não queria morrer sem ter uma aventura sanguinária como essa. - Yoongi foi se aproximando enquadro falava, até quase encostar a boca no ouvido de Namjoon. - Hein, me diga se não está achando emocionante. 

- Yoongi, pare de falar isso agora.

- Aqui você não é meu professor pra me mandar fazer silêncio, essa é minha aula, e pelo visto é demais pra você.

- Chega.

- É forte demais matar alguém?

- E o que te faz pensar que nunca matei ninguém? - De todas, aquela tinha sido sua fala mais baixa, quase um sussurro no qual Yoongi conseguiu ouvir perfeitamente. Toda sua provocação acabou no mesmo segundo.

- Não tente mentir pra me assustar.

- Mentir? - O sorriso de Namjoon era muito pior que qualquer expressão que pudesse esboçar - Minhas verdades conseguem te assustar bem mais fácil.

Não era um blefe, queria que fosse na verdade. Tinha passado anos e anos negando toda e qualquer conversa que envolvesse crimes e mortes, tinha seus motivos pra odiar o assunto que o perseguia. Yoongi tinha sido a primeira pessoa que conseguiu arrancar com tanta facilidade o assunto que sempre escondeu, assim como despertar vários sinais de raiva.

- Me diga, quem você matou? - Os sussurros de Namjoon eram como gritos. - Um tarado fascinado por medo que se excitava com tortura? Foi pra se salvar. Já pensou que possivelmente impediu que no futuro alguém passasse pela mesma situação? Ou pior, até onde ele iria se estivesse vivo?

Aquelas possiblidades passavam pela cabeça de Yoongi sempre que fechava os olhos. Acordava assustado tocando o próprio rosto à procura de machucados, era inacreditável ter fugido são e com vida.

- É fácil conviver com a culpa quando se acha pontos positivos. - Namjoon não parava de falar, palavras que corroíam Yoongi. Por mais que quisesse fazê-lo parar, sabia que precisava ouvir - Agora, tente de alguma maneira falar algo negativo de matar uma criança inocente. Se conseguir me dizer somente um, eu concordo com tudo que você tem a dizer sobre ser "forte".

Não era de seu feitio ser grosseiro. Usar deboche para fazer alguém se sentir mal, esforçou-se pra isso, admitia, mas era incapaz por conta de tanta angústia. Yoongi estava em silêncio, surpreso por ver o mais velho daquela maneira.

- Então, me diga qual vida tirou, adoraria ouvir. - O sol finalmente tinha nascido. Os raios contemplavam Yoongi, que sentou perto da janela, queria conforto pra ouvir.

Ninguém chega a certo estágio de vida sem uma história por trás.

- Não foi de propósito…

 

O ensino médio de Namjoon nunca faltou intensidade. Em cada ano foi presenteado com uma lembrança que fazia seu coração palpitar positiva e negativamente, o último principalmente. Independente da década, boatos sempre existiram para tornar tudo mais chamativo, e um chamou atenção do Kim. Uma amiga próxima na época – alguém que atualmente não tinha notícias e que nem fez questão de manter em sua vida – mudou sua personalidade repentinamente, tornando-se fria e triste, o oposto do que geralmente era. Sua vontade de ajudá-la o fez ir atrás de explicações sobre isso. Ouviu várias versões e palpites, e entre eles, uma história causou muita raiva. Nunca soube se era real, mas na época, acreditava ser pela quantidade de pessoas que falavam. Em resumo, diziam que ela estava sendo chantageada pelo coordenador da escola. Tentou ignorar o motivo para zelar sua privacidade, que na realidade era irrelevante. Odiou o coordenador durante toda sua vida escolar, então acreditou completamente, assim como seus amigos, que não duvidaram do quão desprezível aquele homem podia ser ao ponto de chantagear uma jovem. 

Garotos de 17 anos e enfurecidos, concluíram que a melhor opção seria vingança. Pensaram bastante, se considerando gênios quando decidiram quebrar o carro invejado que o coordenador tinha na época. Lembrar o fazia ver quão estúpido foi. A preparação para execução foi maior que qualquer preparo que já fizeram na escola. Pegaram pedras para quebrar o vidro, pé de cabra para arranhar a porta, tintas e o mais importante: um cronômetro. Só tinham 15 minutos para fazer tudo. Depois de seguir o coordenador por dias, descobriram que quase todo dia fazia uma pausa no mercado próximo. Passava pouco tempo e seguia pra casa.
Fazer tudo no estacionamento o mais rápido possível foi o planejamento que não aconteceu.

Ao chegarem no mercado, viram que metade do estacionamento estava destruído por conta de uma reforma, causando um cenário com vários buracos. O maior era o mais chamativo, pelo fato de o carro do coordenador estar próximo dele.

- Por que não empurramos o carro na vala? Se quebrarmos a parte de dentro pode continuar funcionando, dentro de um buraco não vai servir pra nada.

Por ser quem deu a ideia, Namjoon foi o escolhido para analisar se o carro estava aberto ou com chances de arrombar, afinal, não eram capazes de empurrar um veículo sem terem puxado o freio de mão. Viu a grande sorte no momento em que abriu a porta sem dificuldades. Tinha ido se arrastando pelo chão pra que não fosse visto, estava sujo com poeira da obra e se sentindo mais vitorioso que nunca. 

- Só um idiota deixaria o carro aberto. - Comentou ao ver que as janelas estavam abertas. Puxou o freio de mão com satisfação vendo os pneus se moverem. 

A área era tão íngreme que quase não era necessário fazer força. Uma parte dos garotos, sortudos sem culpa, não precisaram empurrar o carro e em segundos o veículo já estava rapidamente indo a baixo. Em contrapartida, quem empurrou correu para esconderijos onde assistiriam o show que estava por vir.

O barulho da queda foi estrondoso. Não havia funcionários na obra, as pessoas dos comércios em volta foram as primeiras a ver o que acontecia até um amontoado de pessoas chegarem mais e mais perto. Ao meio deles, o coordenador se destacou por seu desespero. Em cima de uma árvore, Namjoon assistia tudo com o coração acelerado. Todo susto era exatamente o que queria ver. No entanto, reações que não espera começaram a surgir.

Sem dúvidas o carro era algo caro, mas que tipo bem material era valioso ao ponto de fazer um homem se jogar em uma vala de mais de dois metros? O coordenador correu para baixo, não pensou nos riscos que poderia sofrer como tropeçar no barranco: afundar mais o buraco, estragar a lataria. Ele não se importava. Ao cair, sua maior dificuldade foi abrir a porta. Em nenhum instante parava de gritar, pedindo por uma ambulância. Isso confundia Namjoon. Só compreendeu tudo quando do carro foi retirado algo pesado, uma cadeirinha de bebê.

Vários garotos não conseguiam empurrar um carro, aquele pai desesperado por salvar seu filho sim. 

Boa parte dos garotos correu quando entenderam o que acontecia. Namjoon não conseguiu, observou tudo até a retirada de um pequeno ser com a cabeça vermelha. Pela cadeira ou pelo impacto no vidro, um bebê lá dentro foi esmagado. 

- Como você não viu uma criança no banco de trás?! - Um grupo de tantos jovens chamaria atenção, se não fosse pelo homem desesperado gritando ao fundo. Ninguém pararia de ver a cena triste, porém, caso acontecesse, só achariam que era mais um amontoado batendo em alguém sem motivo importante. - A merda de um bebê. Como não viu?

Não viu, ouviu ou sentiu a presença. Estava abaixado, podia justificar com isso, mas não queriam ouvir. Precisavam extravasar suas angústias através dos socos e chutes em Namjoon.

- Quem deixa um bebê sozinho? Deveria querer que morresse mesmo. - A fala veio após o último soco.

Nenhuma violência que sofreu chegou perto da dor de assistir os memoriais que a escola proporcionou em solidariedade ao coordenador. A caricatura da criança enquadrada na entrada era seu pesadelo que o acompanhou por toda vida. Nunca conseguiu falar verdadeiramente sobre o assunto. Não por conta da promessa ridícula que fez aos amigos, de que morreria com o segredo. Tentou ir em psicólogos, grupos de ajuda, confessar a sua esposa, mas parecia que sua agonia se entalava na garganta, causando somente mais choro de arrependimento. 42 anos incapaz de confessar sua maior dor, pra simplesmente vomitar seus sentimentos pra calar a boca de um garoto. 

- Por que será que nunca consegui ser um pai presente pra minha filha? Quando ouvi seu choro pela primeira vez, tive certeza que era o mesmo da do coordenador. - Não podia exigir perdão pelos seus inúmeros erros na vida paterna, sabia do seu impacto negativo na vida de sua filha e só conseguia sofrer com iss - No berço à noite, eu só via um cadáver esmagado. Então, seria forte com isso?

O arrependimento que Yoongi sentia era totalmente diferente. Pensava somente na própria situação, sem remorso do que Taehyung interrompeu ou deixou pra trás, sendo assim, não conseguiria ser forte ceifando uma criança. Todos os riscos que sofria de prisão e tormenta Namjoon também tinha e sobreviveu, com sequelas eternas. Pela primeira vez percebeu como estava sendo fraco.

- Se queria provar como sou patético por não conseguir lidar nem com a metade das coisas que você aguenta, conseguiu. As únicas certezas que eu tenho é que não quero ser deixado sozinho e que não foi sua culpa. Não acho que é possível você se curar da amargura de ser um assassino, mas se arrepender te faz alguém melhor.

Yoongi era tão desprezível. Estava prestes a gritar como, mais uma vez, ele não tinha entendido nada do que quis dizer. Não fez porque pensou que a continuação de sua fala era uma tentativa de agrada-lo. Essa ideia foi desmentida pela forma insensível como estranhamente falou que Namjoon era uma boa pessoa. Pela milésima vez, viu que tentar entende-lo era uma perca de tempo. Yoongi era confuso e nunca faria nada pra agradar, ao menos sabia que não mentiria. 

- Jovens sempre pensam que experimentaram o pior da vida. Viva o suficiente e verá que tudo pode piorar. Agora tenho você, que é meu maior problem…

Foi interrompido pelo contato de seus lábios com os de Yoongi. Ao longo da história, sentou na cama. Geralmente lembrar do que aconteceu causava angústia, sentia-se fraco necessitado de apoio, não fez pra ser mais impactante com o mais novo ou causar uma proximidade. Yoongi não deve ter interpretado dessa forma. Apoiou-se no colchão beijando Namjoon pousando uma das mãos em seu rosto.

- O que você está fazendo? - Empurrou Yoongi assim que percebeu sua tentativa de aprofundar o beijo. - Meu Deus, não me diga que está fazendo isso pra tentar me fazer sentir melhor, não quero que sinta pena de mim. 

O desejo que cultivava por Yoongi ainda existia, não conseguia focar nele no momento, muito menos usar melancolia pra conseguir saciar suas vontades.

-Você disse que quer ser tratado bem! - A insistência de Yoongi para continua era grande, ao ponto de tombar o corpo de Namjoon no colchão, ficando por cima do mais velho, que continuava desviando de seus beijos.

- Não assim, não porque você descobriu algo ruim sobre mim.

- Te considerava ruim bem antes de me trazer pra cá. Achava ridículo a forma como te veneravam na sala, e quando você foi atrás de mim, vi como uma brecha pra desprezar o grandioso professor Namjoon. Fiquei perguntando como teve a audácia de me procurar depois daquilo, me enganou na verdade. Até então só estava esperando você se provar pior, fui surpreendido. Se mostrou bastante humano. - Suas pernas ficaram entre as de Namjoon, o encarava nos olhos enquanto falava.

- De qualquer jeito, não é motivo para fingir que está tudo bem e começar beijos sem sentido.

- É o eu quero, fingir que nunca esfaqueei alguém porque estava ocupado na cama com alguém humano.
Parou de empurrar Yoongi não por ver sentindo no que falava, e sim por pena. Era outro ato de desespero momentâneo o fazendo agir sem noção. Namjoon não achava apropriado. Os beijos em seu pescoço eram ilógicos, tal como os braços afoitos procurando por um abraço. Interromperia tudo se também não estivesse desesperado. Queria fingir que não foi imprudente em tudo que fez até então. Deixou-se levar e quando percebeu, já ajudava Yoongi a tirar as próprias roupas.
Terem escolhido o menor quarto consequentemente os deixavam na menor cama de todo motel. Supôs que esse deveria ser o motivo pra estarem fazendo tanto barulho, os corpos estavam muito próximos.

Todos os pensamentos que Namjoon teve do dia do bar até o momento da ligação sobre como Yoongi deveria ser na cama foram esquecidos. Não conseguia ter alguma expectativa. De repente tudo parecia ser irreal demais. Seus lábios passeando pelo corpo do menor, os quadris se mexendo, a língua na sua pele, tudo era uma mentira na qual se afundava cada vez mais, especialmente as expressões que Yoongi fazia. Quanto mais observava o erotismo presente na sua face, mais via seus problemas desaparecendo. Percebeu que queria causar tanto prazer até esquecer que existia vida fora do meio de suas pernas.

- Eu não gostei. - Yoongi ainda não tinha a respiração normalizada, estava deitado no chão olhando o teto, ignorando o fato de Namjoon não parar de encarar seu corpo exposto.

- Você gozou três vezes.

- E você?

- Duas.

- Então vou te compensar, fazer você ter a terceira vez.

Foi se arrastando até a cama, àquela altura o sol estava mais forte e a movimentação nos corredores era mais alta. Pensou que era o horário onde as pessoas finalizam seus trabalhos e iam embora. No seu caso, estava prestes a começar um novo. Namjoon não permitiu que acontecesse, segurou seu rosto antes que avançasse.

- Você fala coisas aleatórias e age sem pensar, sua forma de não enfrentar o que fez não faz bem. Vai parar?

- Não quero parar. - Um choro intenso começou a escorrer pelas suas palmas. Yoongi parecia estar segurando aquelas lágrimas há tempos. As mesmas mãos que guardavam suas lágrimas também viraram alvo de seus beijos melancólicos. Beijava e lambia os dedos, ainda pretendia compensar. - Queria viver eternamente nesse quarto, que o mundo se resumisse a ele. Queria ser o bebê esmagado pelo carro, morrer antes de ter noção que tinha nascido.

Não estava preparado para ouvir sobre a criança.

- Amanhã vamos embora, tudo bem? Vamos enfrentar.

- Não quero.

- Está na hora.

Se dependesse de si, estaria se arrumando pra entrar no carro. Aguentaria mais um dia somente pra Yoongi se recompor, e quem sabe, esquecer a história que tinha ouvido.


Notas Finais


O próximo capítulo será o último, até mais e obrigado por ter chegado até aqui.
Twitter: @tosunnie


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