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História Sexta-feira - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Sexta-feira


Entrei correndo para dentro do bar, chovia muito lá fora e estava ensopado até o ultimo fio de cabelo, a lufada de ar quente e salgada bateu forte no meu rosto, me senti em casa.

- Hey Manuel, um scotch com água!

- Dia difícil é?

- Dos piores.

Manuel era o dono do bar, um velho ranzinza, mas que sabia manter a clientela; me conhecia melhor que minha mulher, sabia bem que um scotch com água significava. Tinha o costume de abrir o bar todos os dias as cinco da tarde em ponto e só fechava quando o último bebum caia no chão e era jogado na sarjeta. O bar era o ponto de encontro para os vagabundos, desempregados e perdidos da região, considerava a minha segunda casa.

Naquele tempo eu tinha o costume de ir ao bar todos os dias depois que saia do trabalho, bebia minha cerveja e ia para casa que ficava a poucas ruas dali, mas essa era uma sexta, e todas as sextas dão ao homem um pouco mais de dignidade. Trabalhava como pedreiro para uma dessas grandes construtoras da cidade, é um trabalho pesado, mas era o que eu sabia fazer; o que me matava não era o trabalho em si, mas aguentar aqueles merdas de engenheiros, arquitetos e mestres de obra, todos eles uns merdinhas arrogantes.

- Sua mulher no telefone Roberto.

Peguei meu copo e fui até lá atrás do balcão, onde o velho telefone de parede ficava.

- Alô?

- Roberto?

- Sim amor...

- Vai ficar no bar até de madrugada de novo?

- É sexta-feira, trabalhei a semana toda, sabe que toda sexta eu tiro a noite toda para mim.

- A Andréia ligou, falou para irmos na casa dela para jantar.

- Sabe que odeio ir na casa da sua irmã, não suporto aquele merda do marido dela.

- Eu sei, mas não quero ficar em casa...

- Hoje não amor, amanhã que tal?

- Tudo bem Roberto, amanhã então.

- Tá bem, amanhã.

Desliguei e voltei para meu assento no balcão. Virei meu scotch e pedi outra dose.

Não percebi quando ela se sentou do meu lado, estava vidrado no meu copo. Comecei pelas pernas, ela tinha as melhores coxas que eu já havia visto, e naquele vestido vermelho curto era muita tentação, mas eram seus peitos que completavam aquela obra-prima. Meu Deus, aqueles peitos não eram desse mundo, neles estavam todos os pecados do mundo desde que Adão e Eva comeram do fruto proibido.

Ofereci uma bebida para ela, ela aceitou de bom grado.

- Meu nome é Débora, sempre te vejo por aqui, te acho uma gracinha.

- Roberto

- Obrigado pela bebida Roberto, sempre imaginei que fosse um cavalheiro.

- A que devo a honra de ter a companhia de uma beleza da natureza?

- Estou cansada desses rapazes, são todos uns idiotas que não sabem nada de nada.

- Eu não sei de muita coisa.

Ela riu e me deu um beijo suave no meu rosto.

- Briguei com meu namorado, um idiota...

Ficamos ali conversando por alguns minutos, até que ela se levantou pegou no meu braço e disse que queria me mostrar uma coisa.

Me levou até o banheiro das damas, olhei rapidamente ao redor, e percebi que ninguém notava, ou se notasse era indiferente quanto aquilo. O banheiro era supreendentemente mais limpo que o dos homens. Débora me levou até uma cabine, entramos e ela começou a abrir o zíper na minha calça.

- Bebê me ajude com o sutiã. Ela disse virando as costas para mim e descendo seu vestido.

Quando ela se virou novamente, foi como um soco na cara, aqueles peitos eram sobrenaturais, Deus havia gastado dez vezes mais tempo moldando aqueles peitos, do que de todas outras mulheres no mundo, e por Deus, isso não era justo com as outras mulheres.

Quando Débora se ajoelhou para começar o serviço, a porta da cabine explodiu para dentro, havia ali parado um rapaz brutamontes que devia ter lá seus vinte e poucos anos.

- Sua puta!! Sabia que te encontraria aqui, sua puta!

Agarrou os longos e negros cabelo de Débora e jogou-a no meio do banheiro.

Levantei-me da privada, quando fui abrir a boca para contestar aquela cena toda, levei um soco no meio da cara que me desnorteou na hora. Desmontei do lado da privada, senti o sangue escorrer, era quente e o chão frio, me parecia confortável.

Quando recobrei os sentidos, percebi que o filha da puta não se contentou em apenas me nocautear com o soco, meu corpo todo estava aos frangalhos.

- Hey senhor, quer que eu peça ajuda?

- Não, não, já tô caindo fora. Disse para alguém que eu nem ao menos conseguia distinguir.

Levantei e sai do banheiro, passei pelo balcão e falei para o Manuel colocar na caderneta para mim.

-Vá para casa Roberto, hoje foi por conta da casa.

Chovia como se o mundo fosse acabar lá fora, a chuva que escorria pelo meu rosto, se misturava com o sangue e pingava pesadamente sobre meu peito, tingindo minha camisa cinza de um rosa flamingo.

Cheguei em casa em alguns minutos, abri o portão, atravessei a garagem e logo estava dentro da cozinha, arranquei os sapatos e os deixei junto a porta da cozinha. Fui até o armário suspenso na parede, abri e peguei uma garrafa de cachaça que já estava na metade, arranjei um copo e enchi até a boca, com um gole só virei o copo. Peguei a garrafa e fui mamando o resto até meu quarto, só precisava de um banho e aquela merda de sexta poderia ter terminado até que bem.

O barulho da chuva era infernal, aquilo era um dilúvio sem dúvidas.

A porta do quarto estava entreaberta, dali de dentro vinha uns gemidos bem característicos, espiei porta adentro e logo percebi o que acontecia ali. Recuei bem devagar e fui até a sala, abri a portinhola da estante e arranquei dali a minha 38 que ficava escondida embaixo de umas revistas velhas.

Caminhei novamente até a porta do quarto, abri a porta com um baita chute, aquilo foi tudo encenado na minha cabeça enquanto eu passava pelo corredor, imaginei como aquele brutamontes desgraçado fizera naquela pobre porta.

Assim que entrei para dentro do quarto, atirei a garrafa de cachaça nas costas do filho da puta.

Ele se virou com a cara de espanto, aquela expressão de horror era o meu deleite, com toda certeza lembrarei daquela expressão até meus últimos dias.

Quem sabe se fosse outro e não a porra do marido da Andréia; quem sabe se eu tivesse pedido uma cerveja ao invés do scotch com água; ou até mesmo se fosse uma quinta e não a porra de uma sexta-feira, eu não estaria onde estou, e o pior não é a comida, o pior mesmo é arranjar alguma bebida, aqui dentro álcool vale mais que ouro. 



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