História Shadowhunter: The mortal instruments! ABO - Capítulo 15


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags 2ne1, Abo, Blackpink, Bottom!tae, Bts, Chanbaek, Exo, Kookv, Kpop, Lgbt, Mpreg, Namjin, Ômegatae, Shadowhunters, Taegui, Taekook, Top!jk, Vkook, Yaoi, Yoonmin
Visualizações 140
Palavras 3.785
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fluffy, Hentai, Lemon, LGBT, Luta, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


oi oi gente
como ta sendo o final de semana de vocês?
espero que curtam o capitulo novo e comentem o que acharam que eu vou ta respondendo vocês nos comentários.
boa leitura!!

Capítulo 15 - Desamparados


Os lobos agacharam-se, rosnando, e os vampiros, completamente espantados, recuaram. Só Jooheon se manteve firme. Ele ainda apoiava o braço ferido, sua camiseta era uma mistura de sangue e sujeira.

 — Los niños de la Luna — ele sibilou.

 Até Taehyung, cujo espanhol era praticamente nulo, sabia o que ele dissera. Os Filhos da Lua; lobisomens.

 — Pensei que eles se odiassem — Taehyung sussurrou para Jungkook. — Vampiros e lobisomens.

 — Eles se odeiam. Eles nunca vão para a toca uns dos outros. Nunca. O Pacto proíbe.

 Ele parecia quase indignado.

 — Alguma coisa deve ter acontecido. Isso é ruim. Muito ruim.

 — Como pode ser pior do que estava antes?

 — Porque — Jungkook disse — estamos prestes a entrar no meio de uma guerra.

 — COMO OUSAM ENTRAR NO NOSSO TERRENO? — gritou Jooheon. O rosto dele estava vermelho, irado, cheio de sangue sob a pele. O maior dos lobos, um monstro cinza tigrado com dentes como os de um tubarão, deu uma risada como a de um cachorro. Ao ir para a frente, entre um passo e outro, ele pareceu movesse e mudar como uma onda subindo e se curvando. Agora era um alfa alto e muito musculoso com cabelos longos em um emaranhado grisalho. Vestia calças jeans, uma jaqueta de couro grossa, e ainda havia um quê de lobo na feição daquele rosto magro e úmido.

 — Não viemos para guerrear — ele disse. — Viemos buscar o ômega.

 Jooheon conseguiu uma expressão ao mesmo tempo confusa e furiosa.

 — Quem?

 — O ômega humano. — O lobisomem esticou um braço rígido, apontando para Taehyung. Ele estava chocado demais para se mover. Yoongi, que estivera se contorcendo nas mãos de Kim o tempo todo, ficou completamente parado. Atrás dele, Jungkook sussurrou alguma coisa que parecia particularmente feia.

 — Você não me disse que conhecia lobisomens. — Taehyung podia sentir o espanto no tom seco dele; Jungkook estava tão surpreso quanto ele.

 — Não conheço.

 — Isso é ruim — disse Jungkook.

— Você já disse isso.

 — Pareceu adequado repetir.

 — Bem, não foi — Taehyung se encolheu para trás em direção a ele. — Jungkook. Estão todos olhando para mim. Todos os rostos estavam voltados para Taehyung; a maioria parecia espantada. Os olhos de Jooheon se estreitaram. Ele voltou-se mais uma vez para o lobisomem, lentamente.

 — Você não pode ficar com ele — Jooheon disse. — Ele invadiu nosso terreno; portanto, é nosso.

 O lobisomem riu.

 — Estou tão feliz por você ter dito isso — ele falou, e se lançou para a frente. No meio do ar, o corpo dele se transformou, e era um lobo novamente, com o pelo brilhante, as mandíbulas abertas, prontas para atacar. Ele atingiu Jooheon no peito, e os dois se engalfinharam, rosnando um para o outro. Com uivos enfurecidos em resposta, os vampiros atacaram os lobisomens, que os encontraram no centro do salão. O barulho era diferente de tudo que Taehyung já havia escutado. Se as pinturas de Bosch do inferno viessem com uma trilha sonora, seria algo como isso que ele estava ouvindo. Jungkook assobiou.

 — Jooheon está tendo uma noite excepcionalmente ruim.

 — E daí? — Taehyung não tinha qualquer compaixão pelo vampiro. — E o que nós vamos fazer?

 Jungkook olhou à sua volta. Estavam presos a um canto pela massa de corpos; apesar de estarem sendo ignorados por ora, a situação não ficaria assim por muito tempo. Antes que Taehyung pudesse verbalizar esse pensamento, Yoongi de repente se contorceu violentamente e se livrou das mãos dele, pulando para o chão.

 — Yoongi! — Taehyung gritou, enquanto ele corria para o canto e para uma pilha de cortinas de veludo mofadas. — Yoongi, pare!

 As sobrancelhas de Jungkook se ergueram de um jeito excêntrico.

 — O que ele... — Jungkook agarrou o braço de Taehyung, puxando-o de volta para trás.

 — Taehyung, não siga o rato. Ele está fugindo. É isso que os ratos fazem.

 Taehyung lançou um olhar furioso em sua direção.

 — Ele não é um rato. É o Yoongi. E ele mordeu o Jooheon por você, seu cretino ingrato. — Taehyung livrou o braço das mãos dele e correu para trás de Yoongi, que estava agachado entre as dobras da cortina, batendo os dentes excitadamente e dando patadas nela. Percebendo tardiamente o que ele estava tentando dizer a Taehyung, o ômega abriu as cortinas. Estavam imundas de tanto mofo, mas atrás delas havia... — Uma porta — ele respirou fundo. — Seu ratinho genial.

 Yoongi chiou modestamente enquanto ele o pegava de volta.

— Uma porta, hein? Bem, será que abre?

 Taehyung pegou a maçaneta e olhou para ele, desanimado.

 — Está trancada. Ou presa.

 Jungkook se lançou contra a porta, que não se mexeu. Ele xingou.

 — Meu ombro nunca mais será o mesmo. Espero que você cuide de mim até eu me recuperar.

 — Apenas quebre a porta, será que dá?

 Ele olhou para trás do ômega com os olhos arregalados.

 — Taehyung...

 O ômega virou. Um lobo enorme se desvencilhara da briga e estava correndo na direção dele, as orelhas eretas na cabeça fina. Era enorme, cinza-escuro e tigrado, com uma grande língua vermelha. Taehyung gritou. Jungkook se lançou novamente contra a porta, ainda reclamando. Kim esticou a mão até o cinto, pegou a adaga e lançou-a. Ele nunca havia arremessado uma arma antes, aliás, jamais sequer pensara em tocar em uma. O mais próximo que já tinha chegado de armas antes dessa semana fora em desenhos que ele mesmo fizera.

 Então Taehyung ficou mais surpreso do que qualquer outra pessoa, ele suspeitou, quando a adaga voou, um pouco torta, porém precisa, e afundou na lateral do lobisomem. Ele ganiu, desacelerando, mas três de seus companheiros já estavam correndo em direção a eles. Um parou ao lado do lobo ferido, mas os outros correram para a porta. Taehyung gritou outra vez enquanto Jungkook se lançava contra a porta pela terceira vez. Ela cedeu com um ruído explosivo de ferrugem moendo e madeira arrebentando.

— A terceira vez nunca falha — disse ele ofegante, segurando o próprio ombro. Ele mergulhou no espaço escuro, atravessando a porta quebrada, e virou para estender uma mão impaciente. — Taehyung, vamos logo.

 Arfante, Taehyung correu atrás dele e bateu a porta, exatamente quando dois corpos pesados a atingiram. Ele apalpou em busca da maçaneta, mas não estava mais lá, pois fora arrancada onde Jungkook havia arrombado.

 — Abaixe-se — ele disse e, ao fazê-lo, a estela passou por cima da cabeça de Kim, esculpindo linhas escuras na madeira apodrecida da porta. Taehyung esticou o pescoço para ver o que ele havia entalhado: uma curva como uma foice, três linhas paralelas, uma estrela irradiante. Para resistir à perseguição.

 — Perdi sua adaga — Taehyung confessou. — Desculpe.

 — Acontece. — Ele guardou a estela no bolso. Taehyung podia ouvir as batidas enfraquecidas repetidamente contra a porta, que resistia. — O símbolo vai contê-los, mas não por muito tempo. É melhor nos apressarmos.

Taehyung olhou para cima. Eles estavam em uma passagem fria e úmida; uma escadaria estreita que levava à escuridão. Os degraus eram de madeira, os corrimãos, cheios de poeira. Yoongi colocou o focinho para fora do bolso da jaqueta de Taehyung, seus olhos pretos brilhavam à luz enfraquecida.

 — Muito bem. — Ele acenou com a cabeça para Jungkook. — Você primeiro.

 Jungkook parecia querer sorrir, mas estava exaurido demais para isso.

 — Você sabe que eu gosto de ir primeiro. Mas devagar — ele acrescentou. — Não sei se as escadas aguentam o nosso peso.

 Taehyung também não sabia. Os degraus rangiam e roncavam à medida que eles subiam, como uma velha senhora reclamando de dores. Taehyung agarrou-se ao corrimão para se equilibrar, e um pedaço dele quebrou em sua mão, o que fez com que ele chiasse e arrancasse uma risada exaurida de Jungkook. Ele pegou a mão do ômega.

 — Aqui. Firme.

 Yoongi emitiu um ruído que, para um rato, parecia muito com um ronco. Jungkook não pareceu ouvir. Eles estavam cambaleando pela escada o mais rápido que ousavam. Taehyung se erguia em espiral através do prédio. Eles passaram pelos andares, um após o outro, mas não viram porta alguma. Chegaram à quarta curva inexpressiva quando ouviram uma explosão na escadaria e uma nuvem de poeira subiu.

 — Eles conseguiram atravessar a porta — Jungkook disse irritado. — Droga, pensei que fosse segurar mais tempo.

 — Devemos correr agora? — perguntou Taehyung.

 — Agora — ele disse, e eles aceleraram pela escadaria, que rangia e gemia sob o peso deles, os pregos disparando como balas de revólver. Estavam no quinto andar agora e Taehyung podia ouvir as leves batidas das patas dos lobos nas escadas inferiores, ou talvez o barulho fosse fruto da própria imaginação. Kim sabia que não havia realmente sopro quente em sua nuca, mas os rosnados e uivos, que se tornavam mais altos à medida que os lobos se aproximavam, eram reais e aterrorizantes.

 O sexto andar surgiu à frente deles, que correram naquela direção. Taehyung estava engasgado, o ar passava doloroso por seus pulmões, mas ele conseguiu uma leve manifestação de alegria ao ver a porta. Era de metal pesado, cheia de pregos, as dobradiças estavam muito duras. Ele mal teve tempo de imaginar por que, quando Jungkook a abriu com um chute, empurrou-a para o outro lado, e seguindo atrás, bateu-a com força. Taehyung ouviu um nítido clique enquanto a porta se trancava atrás deles. Graças a Deus, ele pensou. Em seguida, virou-se de costas. O céu noturno girava sobre ele, pintado com estrelas como um punhado de diamantes soltos. Não era preto, mas claramente azul-escuro, da cor do alvorecer que se aproximava.

Eles estavam sobre um telhado de ardósia com chaminés de tijolos. Uma velha caixa d’água, escurecida pela falta de cuidados, encontrava-se sobre uma plataforma em uma das pontas; uma lona pesada escondia uma pilha de lixo na outra extremidade.

 — Deve ser assim que entram e saem — disse Jungkook, olhando para a porta. Taehyung agora podia vê-lo sob a fraca luz, as linhas de fadiga ao redor de seus olhos como cortes superficiais. O sangue na roupa nova, quase todo de Jooheon, parecia preto. — Eles voam para cá. Não que isso nos ajude muito.

 — Pode ser que haja uma saída de incêndio — sugeriu Taehyung. Juntos, foram cautelosamente até a ponta do telhado. Taehyung nunca gostara muito de altura, e a queda de dez andares até a rua fez com que seu estômago revirasse. Assim como a visão da saída de incêndio, um pedaço de metal inutilizável pendurado na fachada de pedra do hotel. — Ou não — ele disse.

 Ele olhou de volta para a porta por onde haviam entrado. Ficava em uma espécie de estrutura de cabine no centro do telhado. Estava vibrando e a maçaneta sacudia com toda força. Só resistiria por mais alguns minutos, talvez menos. Jungkook esfregou as costas das mãos nos olhos. O ar chumbado os estava deixando esgotados, e espetava a nuca de Taehyung. Ele podia ver o suor no colarinho do alfa. Ele desejou que chovesse. Uma chuva estouraria essa bolha de calor como uma bolha d’água desfeita. Jungkook estava murmurando para si mesmo.

 — Pense, Jeon, pense...

 Alguma coisa começou a se formar no canto da mente de Taehyung. Um símbolo surgiu: dois triângulos para baixo, unidos por uma barra — um símbolo como um par de asas...

 — É isso — suspirou Jungkook, relaxando os braços, e por um momento de espanto Taehyung imaginou se ele teria lido sua mente. Ele parecia febril, com os olhos castanhos extremamente brilhantes. — Não acredito que não pensei nisso antes. — Ele foi para a ponta extrema do telhado, depois pausou e olhou de volta para Kim. O ômega ainda estava parado, espantado, com os pensamentos cheios de formas brilhantes. — Vamos, Taehyung.

 O ômega foi atrás dele, afastando da mente os pensamentos de símbolos. Jungkook chegou à lona e estava puxando a ponta, revelando o que não era lixo, mas sim metal cromado brilhante, couro e tinta.

— Motocicletas?

 Jungkook foi até a mais próxima, uma Harley Davidson vermelho-escura enorme com chamas douradas pintadas no tanque e no para-lamas. Ele passou uma perna por cima da motocicleta e olhou para Kim por cima do ombro.

 — Suba.

 Taehyung o encarou.

 — Você está falando sério? Você nem sequer sabe dirigir esse negócio! Você tem as chaves?

— Não preciso de chaves — ele explicou com toda a paciência do mundo. — Ela opera com energia demoníaca. Agora, você vai subir ou quer pegar uma para você?

 Entorpecido, Taehyung subiu na moto atrás dele. Em algum lugar, em alguma parte do cérebro, uma pequena voz gritava para ele dizendo que essa era uma péssima ideia.

 — Ótimo — disse Jungkook. — Agora ponha os braços em volta de mim. — Taehyung obedeceu, sentindo os músculos duros do abdômen dele se contraírem enquanto se inclinava para a frente e acionava a ignição com a ponta da estela. Para o espanto de Taehyung, a moto ganhou vida. No bolso dele, Yoongi chiava alto.

 — Está tudo bem — ele disse, da maneira mais suave possível. — Jungkook! — ele gritou por cima do ronco do motor da moto. — O que você está fazendo?

 Jungkook gritou de volta alguma coisa que parecia “acionando o engasgo!”. Taehyung piscou os olhos.

 — Bem, depressa! A porta...

 Com a deixa, a porta do telhado explodiu com uma batida, arrancada das dobradiças. Os lobos passaram pelo buraco, correndo pelo telhado em direção a eles. Por cima deles, voavam os vampiros, sibilando e gritando, preenchendo o ar noturno com uivos predatórios. Ele sentiu o braço de Jungkook recuar e a motocicleta avançar, fazendo com que o estômago do ômega fosse lançado contra a espinha. Ele se agarrou com toda força ao cinto de Jungkook enquanto eles avançavam, com os pneus cantando pela ardósia, fugindo dos lobos, que iam ganindo e abrindo espaço. Ele ouviu Jungkook gritar algo, mas as palavras dele foram sufocadas pelo ruído das rodas, do vento e do motor. A ponta do telhado estava se aproximando rapidamente, bem rapidamente, e Taehyung queria fechar os olhos, mas algo os manteve abertos enquanto a motocicleta chegava ao parapeito e despencava como uma pedra para o chão, dez andares abaixo.

Se Taehyung havia gritado, não se lembrava de nada. Era como a primeira queda de uma montanha-russa, quando os trilhos descem e você se sente chocando-se contra o espaço, com as mãos balançando inutilmente pelo ar e o estômago subindo até a boca. Quando a moto se ajeitou com um arranhão e uma arrancada súbita, ele quase não se sentiu surpreso. Em vez de descerem, eles agora estavam indo em direção ao céu estrelado. Taehyung olhou para trás e viu um aglomerado de vampiros no telhado do hotel, cercados por lobos. Ele desviou o olhar — se nunca mais visse aquele hotel na vida, não faria a menor falta. Jungkook estava gritando, uivos sonoros de deleite e alívio. Taehyung se inclinou para a frente, com os braços firmes em torno dele.

— Minha mãe sempre me disse que, se eu andasse de moto com algum alfa, ela me mataria — Taehyung gritou por cima do barulho do vento passando pelos ouvidos dela e o ronco ensurdecedor do motor. Ele não conseguia ouvi-lo rir, mas sentiu o corpo dele tremer.

 — Ela não diria isso se me conhecesse — Jungkook respondeu, confiante. — Sou um ótimo piloto.

 Tardiamente, Taehyung se lembrou de uma coisa.

 — Pensei que vocês tivessem dito que só algumas motocicletas de vampiros podiam voar!

 Habilmente, Jungkook passou por um sinal no processo de passar de vermelho para verde. Lá embaixo, Taehyung podia ouvir os carros buzinando, as sirenes de ambulâncias agitadas e os ônibus parando nos pontos, mas ele não se incomodou em olhar.

 — Só algumas podem!

 — E como você sabia que essa podia?

 — Não sabia! — ele gritou alegremente, e fez algo que levou a moto a se levantar quase verticalmente no ar. Taehyung gritou e agarrou o cinto dele outra vez. — Você deveria olhar para baixo! — gritou Jungkook. — É incrível!

 A curiosidade superou o medo e a vertigem. Engolindo em seco, Taehyung abriu os olhos. Eles estavam mais altos do que ele imaginava, e por um instante a terra balançou embaixo dele, uma paisagem embaçada de sombra e luz. Eles estavam voando a leste, afastando-se do parque, em direção à autoestrada que se estendia pelo lado direito da cidade. Havia certa dormência nas mãos de Taehyung, uma pressão forte no peito. Era adorável, isso ele podia perceber: a cidade se erguendo ao lado dele como uma floresta de prata e vidro, o brilho cinza e fosco do East, cortando Seul e Hongdae como uma cicatriz.

  O vento soprava fresco em seus cabelos, na pele, uma sensação maravilhosa após tantos dias de calor e viscosidade. Mesmo assim, ele nunca tinha voado, nem mesmo de avião, e o vasto espaço vazio entre eles e o chão o deixava apavorado. Ele não podia deixar de fechar os olhos enquanto voavam sobre o rio. Logo abaixo de Myeongdong, Jungkook virou a moto na direção sul e foi para a ponta da ilha. O céu havia começado a clarear, e, a distância, Taehyung podia ver o arco brilhante de Insadong.

 — Você está bem? — perguntou Jungkook. Taehyung não disse nada; apenas se agarrou com mais força nele. Ele endireitou a moto e logo eles estavam indo em direção à ponte, e Taehyung podia ver as estrelas através dos cabos de suspensão. Um trem matutino estava passando — da linha Q, transportando várias pessoas sonolentas. Ela pensou em quantas vezes já estivera naquele trem. Uma onda de vertigem se abateu sobre ele, e ele fechou os olhos com força, completamente enjoado.

— Taehyung? — chamou Jungkook. — Taehyung, você está bem?

 Taehyung balançou a cabeça, com os olhos ainda fechados, sozinho no escuro e no vento, acompanhado apenas das batidas do coração. Algo afiado arranhou o peito dele. Ele ignorou novamente, até que veio mais uma vez, insistente. Mal abrindo um olho, ele viu que era Yoongi, com a cabeça saindo do bolso do casaco, mexendo com a pata de forma alarmante.

 — Tudo bem, Yoongi — ele disse com esforço, sem olhar para baixo. — Foi só a ponte...

 Ele arranhou outra vez, depois apontou para o horizonte da água de Insadong, subindo à esquerda deles. Tonto e enjoado, ele olhou e viu, além dos contornos dos depósitos e fábricas, que um nascer do sol dourado estava começando a se tornar visível, como o pedaço de uma moeda.

 — Sim, é muito bonito — disse Taehyung, fechando os olhos novamente. — Belo nascer do sol.

 Jungkook enrijeceu subitamente, como se tivesse levado um tiro.

 — Nascer do sol? — ele gritou, depois virou a moto subitamente para a direita. Os olhos de Taehyung se abriram enquanto eles iam em direção à água, que começara a brilhar azul com a aproximação do amanhecer. Taehyung se inclinou para perto de Jungkook, o máximo que podia, sem esmagar Yoongi entre eles.

 — O que há de tão ruim com o nascer do sol?

 — Eu te disse! As motos funcionam com energia demoníaca! — ele retraiu de modo que ficaram no nível da água, passeando sobre a superfície com as rodas sobre as águas. A água do rio bateu no rosto de Taehyung. — Assim que o sol subir... A moto começou a crepitar.

 Jungkook resmungou furiosamente, acelerando com tudo. A moto deu uma arrancada, depois pegou, impactando sob eles como um cavalo pulando. Jungkook ainda estava resmungando quando o sol começou a surgir sobre o velho cais de Insadong, iluminando o mundo com ampla claridade. Taehyung podia ver cada pedra abaixo deles, enquanto saíam de cima do rio e chegavam à margem estreita. Abaixo deles estava a estrada, já movimentada com o trânsito da manhã. Eles mal passaram por cima, as rodas quase raspando no teto de um caminhão. Mais além, encontrava-se um estacionamento sujo de um enorme supermercado.

 — Segure firme! — Jungkook gritava, enquanto a moto sacudia e crepitava sob eles. — Segure firme, Taehyung, e não...

A moto empinou e atingiu o asfalto do estacionamento, com a roda da frente primeiro. Ela se lançou para a frente, cambaleando violentamente, e deslizou, colidindo contra o solo irregular, fazendo a cabeça de Taehyung sacudir para a frente e para trás com intensa força. O ar cheirava a borracha queimada, mas a moto estava desacelerando, parando — depois atingiu uma barra de estacionamento com tanta intensidade que ele foi lançado ao ar e arremessado de lado, sua mão soltando o cinto de Jungkook. Ele mal teve tempo de se contrair em uma bola protetora, mantendo os braços o mais firme possível e rezando para que Yoongi não fosse esmagado quando caíssem no chão.

 Taehyung atingiu o solo com força, e o braço se encheu de dor. Algo o atingiu no rosto, e ele estava tossindo enquanto rolava para cima das costas. Ele pôs a mão no bolso. Estava vazio. Ele tentou dizer o nome de Yoongi, mas estava completamente sem ar. Ele arquejou enquanto tentava respirar. Estava com o rosto molhado e o colarinho ensopado. Isso é sangue? Ele abriu os olhos dolorosamente. Seu rosto parecia um grande hematoma, os braços doíam e espetavam. Como carne crua. Ele rolou de lado, estava caído em uma poça de água suja. O amanhecer já havia chegado com tudo — ele podia ver os restos da motocicleta, transformando-se em um monte de cinzas irreconhecíveis ao ser atingido pelos raios de sol.

 E lá estava Jungkook, levantando-se. Ele começou a se apressar em direção ao ômega, depois desacelerou ao se aproximar. A manga da camisa estava rasgada e havia uma longa linha ensanguentada no seu braço esquerdo. O rosto dele, sob os cabelos escuros sujos de suor, sujeira e sangue, estava branco como uma folha de papel. Taehyung ficou imaginando por que ele estava daquele jeito. Será que a perna dele havia sido mutilada e estava em algum lugar no estacionamento, mergulhada em uma poça de sangue? Ele começou a tentar se levantar e sentiu uma mão no ombro.

 — Taehyung?

 — Yoongi!

 Ele estava ajoelhado ao lado dele, piscando os olhos como se ele mesmo não conseguisse acreditar naquilo. Suas roupas estavam amarrotadas e sujas, e ele havia perdido os óculos em algum lugar, mas, fora isso, parecia intacto. Sem os óculos, ele parecia mais novo, indefeso e um pouco confuso. Ele esticou o braço para tocar o rosto do ômega, mas Taehyung recuou.

 — Ai!

 — Você está bem? Parece ótimo — ele disse, com certa hesitação no rosto. — A melhor coisa que vejo desde...

 — É porque você está sem os óculos — Taehyung disse fracamente, mas, se estava esperando uma resposta engraçadinha, não obteve uma. Em vez disso, ele jogou os braços sobre Kim, abraçando-o com força. As roupas dele cheiravam a sangue, suor e sujeira, o coração dele estava acelerado, e ele estava pressionando os machucados de Taehyung, mas, mesmo assim, era um alívio ser abraçado por ele e saber, saber de fato, que ele estava bem.

 — Taehyung — ele disse, rouco. — Eu pensei... pensei que você...

 — Não fosse voltar para buscar você? Mas é claro que voltaria — Taehyung disse. — É claro que eu voltei.

 Taehyung o abraçou. Ele pronunciou o nome do ômega, e Kim acariciou as costas dele. Quando olhou para trás por um instante, viu Jungkook virando, como se o brilho do sol nascente machucasse seus olhos.



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