História Shadowhunter: The mortal instruments! ABO - Capítulo 16


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Abo, Blackpink, Bottom!tae, Bts, Exo, Kookv, Kpop, Lgbt, Mpreg, Namjin, Ômegatae, Shadowhunters, Taegui, Taekook, Top!jk, Vkook, Yaoi, Yoonmin, Yoonseok
Visualizações 101
Palavras 3.539
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fluffy, Hentai, Lemon, LGBT, Luta, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


oi oi gente
postando esse capitulo um pouco tarde mas espero que gostem, comentém o que acharam
e boa leitura!!

Capítulo 16 - Anjos Cadentes


Daesung estava enfurecido. Ele estava no saguão, Jimin e Namjoon atrás dele, quando Taehyung e os meninos alfas entraram, imundos de sangue. Imediatamente teve início uma palestra que teria orgulhado a mãe de Taehyung. Ele não se esqueceu de incluir a parte sobre terem mentido para ele a respeito de para onde estavam indo — coisa que Jungkook aparentemente havia feito — ou a parte sobre nunca mais voltar a confiar em Jungkook, e até acrescentou alguns adereços, como trechos sobre violar a Lei, ser expulso da Clave e envergonhar o tradicional e honrado nome Jeon. Acalmando-se, ele olhou fixamente para Jungkook.

 — Você colocou pessoas em perigo com sua obstinação. Este é um incidente ao qual não vou deixá-lo dar de ombros!

 — Não estava planejando isso — disse Jungkook. — Não posso dar de ombros para nada. Meu ombro está deslocado.

 — Se eu achasse que dor física fosse um estorvo para você — Daesung disse furiosamente. — Mas você só vai passar os próximos dias na enfermaria com Namjoon e Jimin se divertindo com você. Provavelmente vai até gostar.

                                                      -x-

 Daesung tinha alguma razão: Jungkook e Yoongi foram parar na enfermaria, mas só Jimin estava com eles quando Taehyung — que fora tomar banho — entrou algumas horas mais tarde. Daesung havia curado a ferida no braço de Kim, e vinte minutos no chuveiro tinham removido quase todos os vestígios de asfalto da pele, mas ele ainda se sentia dolorido e em carne viva. Namjoon, que estava no parapeito da janela parecendo uma nuvem de tempestade, franziu o rosto enquanto a porta se fechava atrás de Taehyung.

 — Ah. É você.

 Taehyung o ignorou.

 — Daesung disse que está vindo e espera que vocês consigam resistir até ele chegar — Taehyung disse a Yoongi e Jungkook. — Ou algo que o valha.

 — Gostaria que ele se apressasse — Jungkook disse mal-humorado. Ele estava sentado em uma cama com alguns travesseiros brancos, ainda com as roupas imundas.

 — Por quê? Você está com dor? — perguntou Taehyung.

 — Não. Tenho muita tolerância à dor. Aliás, não chega nem a ser tolerância; eu sou assim. Mas fico entediado com facilidade. — Ele franziu os olhos para Taehyung. — Lembra-se de quando estávamos no hotel e você prometeu que, se sobrevivêssemos, você iria se vestir de enfermeiro e me dar um banho de esponja?

 — Na verdade, acho que você ouviu mal — disse Taehyung. — Foi Yoongi quem prometeu o banho.

 Jungkook olhou involuntariamente para Yoongi, que lançou um largo sorriso em sua direção.

 — Assim que eu melhorar, bonitão.

 — Eu sabia que deveríamos tê-lo deixado continuar sendo um rato — disse Jungkook. Taehyung riu e foi até Yoongi, que parecia extremamente desconfortável, cercado por dúzias de almofadas e lençóis cobrindo suas pernas. Taehyung se sentou na ponta da cama de Yoongi.

 — Como você está se sentindo?

 — Como se alguém tivesse me massageado com um ralador de queijo — disse Yoongi, fazendo uma careta enquanto levantava a perna. — Quebrei um osso do pé. Estava tão inchado que Jimin teve de cortar o sapato.

 — Que bom que ele está cuidando tão bem de você. — A voz de Taehyung era ácida ao dizer isso. Yoongi se inclinou para a frente, sem tirar os olhos de Taehyung.

 — Quero falar com você.

 Taehyung assentiu com a cabeça, concordando com alguma relutância.

 — Vou para o meu quarto. Vá me ver depois que Daesung consertá-lo, tudo bem?

 — Claro. — Para a surpresa de Taehyung, Yoongi se inclinou para a frente e deu um beijo em sua face.

 Foi um beijinho de borboleta, os lábios esbarraram rapidamente na pele, mas, ao se afastar, Taehyung sabia que estava vermelho. Provavelmente, Kim pensou, levantando-se, por todos estarem olhando para eles. No corredor, ele tocou a face, surpreso. Um beijinho singelo não significava nada, mas não era algo muito usual para Yoongi. Talvez ele estivesse tentando enciumar Jimin? alfas, pensou Taehyung, eram tão instáveis. E Jungkook, bancando o príncipe ferido. O ômega havia saído antes que ele pudesse começar a reclamar da contagem de fios dos lençóis.

 — Taehyung!

 Ele virou de costas, surpreso. Namjoon estava correndo pelo corredor atrás dele, apressando-se para alcançá-lo.

 — Preciso falar com você.

 Taehyung olhou surpreso para ele.

 — Sobre o quê?

 Namjoon hesitou. Com a pele clara e os olhos castanho-escuros, ele era tão lindo quanto o irmão, mas, ao contrário de Jimin, ele fazia de tudo para não realçar a própria aparência. Os moletons desbotados e o cabelo que parecia ter sido cortado por ele mesmo no escuro eram apenas parte do pacote. Ele parecia desconfortável na própria pele.

 — Acho que você deve ir embora. Voltar para casa — ele disse. Taehyung sabia que ele não gostava dele, mas, ainda assim, foi como um tapa na cara.

 — Namjoon, na última vez em que fui para casa, ela estava infestada de Renegados. E Raveners. Com dentes afiados. Ninguém quer voltar para casa mais do que eu, só que...

 — Você deve ter algum parente com quem possa ficar... — Havia um leve desespero na voz dele.

 — Não. Além disso, Daesung quer que eu fique — disse Taehyung secamente.

 — Impossível. Quero dizer, não depois do que você fez...

 — O que eu fiz?

 Namjoon engoliu em seco.

 — Você quase causou a morte de Jungkook.

 — Eu quase... do que você está falando?

 — Correr atrás do seu amigo daquele jeito, você imagina o perigo que o fez passar? Você sabe...

 — Ele? Você está falando do Jungkook? — Taehyung o interrompeu no meio da frase. — Para sua informação, foi tudo ideia dele. Ele perguntou ao Seokjin onde era a toca. Ele foi até a igreja pegar as armas. Se eu não tivesse ido com ele, ele teria ido assim mesmo.

 — Você não entende — disse Namjoon. — Você não o conhece. Eu o conheço. Ele acha que tem que salvar o mundo; e morreria por isso com prazer. Às vezes acho até que ele quer morrer, mas você não precisa estimulá-lo.

 — Não entendo — Taehyung disse. — Jungkook é Nephilim. Isso é o que vocês fazem, vocês salvam pessoas, matam demônios, colocam a própria vida em perigo. O que teve de diferente na noite passada?

 Namjoon perdeu o controle.

 — Porque ele me deixou para trás! — ele gritou. — Normalmente eu estaria com ele, dando-lhe cobertura, protegendo, mantendo-o em segurança. Mas você... você é um peso morto, um mundano — ele proferiu a última palavra como se fosse uma obscenidade.

 — Não — disse Taehyung. — Não sou, não. Sou Nephilim, assim como você. O lábio dele se contraiu no canto.

 — Talvez — ele disse. — Mas, sem treinamento, sem nada, você não tem a menor utilidade, não é mesmo? Sua mãe o criou em um ambiente de mundanos, e lá é o seu lugar. Não aqui, fazendo com que Jungkook aja desse jeito, como se não fosse um de nós. Fazendo com que ele quebre o juramento da Clave, fazendo com que viole a Lei...

 — Só para você saber — irritou-se Taehyung. — Eu não obrigo Jungkook a fazer nada. Ele faz o que quer. Você deveria saber disso.

 Namjoon o olhava como se ele fosse uma espécie de demônio particularmente odioso que ele não conhecia.

 — Vocês, mundanos, são completamente egoístas, não são? Será que você não faz ideia do que ele fez por você, dos riscos pessoais que correu? E não estou falando apenas na segurança dele. Ele pode perder tudo. Já perdeu o pai alfa e o pai ômega; você quer garantir que ele perca a família que restou também?

 Taehyung recuou. Uma raiva enorme cresceu nele como uma onda negra — raiva de Namjoon, porque ele estava parcialmente certo; e raiva de tudo e de todos: da estrada gelada que havia provocado a morte de seu pai, de Yoongi, por quase ter morrido, de Jungkook, por ser um mártir e por não se importar se viveria ou morreria. De Siwon, por ter fingido que se importava quando tudo não passava de uma grande mentira. E da própria mãe, por não ser a mãe normal, monótona e simples que sempre tinha fingido ser, mas outra pessoa: uma pessoa heroica, espetacular e corajosa que Taehyung não conhecia nem um pouco. Alguém que não estava lá agora, quando ele mais precisava.

 — Olha quem fala em egoísmo — Taehyung sibilou tão perfidamente que ele deu um passo para trás. — Você não se importa com ninguém além de você, Park Namjoon. Não é à toa que você não matou demônio algum; você é medroso demais.

 Namjoon pareceu espantado.

 — Quem disse isso?

 — Jungkook.

 Ele parecia ter levado um tapa na cara.

— Não. Ele não diria isso.

 — Ele disse — Taehyung podia ver o quanto o estava machucando, e se sentiu feliz com isso. Mais alguém tinha de sofrer, só para variar um pouco. — Você pode falar o quanto quiser sobre honra e honestidade, e como os mundanos são desprovidos de ambas, mas, se você fosse honesto, admitiria que essa birra toda é porque você está apaixonado por ele. Não tem nada a ver com...

 Namjoon se moveu com grande velocidade. Um estalo soou na cabeça de Taehyung. Ele o empurrara contra a parede com tanta força que a parte posterior da cabeça de Taehyung atingiu a madeira. O rosto dele estava a poucos centímetros do de Kim, olhos enormes e sombrios.

 — Nunca — ele sussurrou, com a boca praticamente imóvel —, nunca diga nada assim para ele, ou eu mato você. Juro pelo Anjo, mato você.

 O braço de Taehyung doía muito, Namjoon estava agarrando com força. Contra a própria vontade, Taehyung ficou boquiaberto. O alfa piscou — como se estivesse acordando de um sonho — e soltou-o, afastando as mãos de Kim, como se tivesse se queimado ao tocar sua pele. Sem mais uma palavra, Namjoon se virou e voltou para a enfermaria. Ele se balançava enquanto andava, como alguém bêbado ou tonto. Taehyung esfregou os braços doloridos, olhando para Namjoon, atordoado pelo que ele mesmo fizera. Muito bem, Taehyung. Agora você realmente fez com que ele o odeie.

                                               -x-

Taehyung deveria ter caído na cama imediatamente, mas, apesar da exaustão, o sono ainda estava fora de cogitação. Então, pegou o caderno da mochila e começou a desenhar, apoiando a capa nos joelhos. Rabiscos aleatórios inicialmente — um detalhe da fachada em ruínas do hotel dos vampiros: uma gárgula com dentes afiados e olhos esbugalhados. Uma rua vazia, um poste solitário produzindo uma piscina de luz amarela, uma figura sombria no limite da luz. Ele desenhou Jooheon com a camisa branca ensanguentada com a cicatriz de cruz na garganta. Depois desenhou Jungkook no telhado, olhando para baixo, para a queda de dez andares à frente. Não temeroso, mas como se a queda o desafiasse — como se não houvesse espaço vazio que ele não fosse capaz de preencher com a confiança na própria invencibilidade.

 Como no próprio sonho, Taehyung o desenhou com asas que se curvavam atrás dos ombros dele em um arco, como as asas de uma das estátuas de anjo na Cidade dos Ossos. Tentou desenhar Taeyeon, por último. Ele dissera a Jungkook que não se sentia diferente depois de ter lido o Livro Gray, e isso era quase cem por cento verdade. Mas agora, enquanto tentava visualizar o rosto da mãe, percebeu que havia uma coisa diferente na lembrança de Taeyeon: ele ainda podia ver as cicatrizes da mãe, as pequenas marcas brancas que cobriam as costas e os ombros dela, como se ela tivesse ficado parada em uma tempestade de neve. Doía saber que a maneira pela qual sempre tinha visto a mãe, durante toda a vida, era uma mentira. Ele guardou o caderno embaixo do travesseiro, com os olhos ardendo. Ele ouviu uma batida à porta, leve, hesitante. Esfregou os olhos apressadamente.

 — Entre.

 Era Yoongi. Kim ainda não havia parado para se preocupar com seu estado. Ele não tinha tomado banho, vestia roupas rasgadas e manchadas, e completamente descabelado. Ele hesitou na entrada, estranhamente formal. Taehyung chegou para o lado, abrindo espaço para ele na cama. Não havia nada de estranho em sentar na cama com Yoongi; há anos dormiam na casa um do outro, montavam barracas e fortes com lençóis quando eram pequenos, ficavam acordados até tarde lendo revistas em quadrinhos quando ficaram mais velhos.

 — Você achou os óculos — Taehyung disse. Uma das lentes estava quebrada.

 — Estavam no meu bolso. Resistiram melhor do que eu imaginava. Vou ter que escrever uma carta de agradecimento à ótica. — Ele se sentou cautelosamente a seu lado.

 — Daesung cuidou de você?

Yoongi concordou com a cabeça.

 — Sim. Continuo me sentindo como se tivesse sido passado a ferro, mas não tenho nada quebrado. Não mais. — Ele se virou para olhar para Taehyung. Os olhos atrás dos óculos estragados eram os olhos dos quais o ômega se lembrava: escuros e sérios, pequenos com os tipos de cílio para os quais alfas não ligavam, mas pelos quais qualquer ômega morreria.

 — Taehyung, você ter voltado para me buscar, o fato de você ter se arriscado daquele jeito...

 — Não. — Taehyung levantou a mão embaraçosamente. — Você teria feito o mesmo por mim.

 — É claro — ele disse sem arrogância ou pretensão —, mas eu sempre pensei que as coisas fossem desse jeito, com a gente. Você sabe.

 Taehyung se mexeu para encará-lo, confuso.

 — Como assim?

 — Quero dizer — Yoongi murmurou, como se parecesse surpreso por ter de explicar algo que deveria ser óbvio —, eu sempre precisei mais de você do que você de mim.

 — Isso não é verdade. — Taehyung estava perplexo.

 — É sim — disse Yoongi, com a mesma calma inabalada. — Você nunca pareceu precisar de ninguém, Taehyung. Você sempre foi tão... controla. Precisava apenas de seus lápis e mundos imaginários. Várias vezes eu já tive de dizer as coisas seis ou sete vezes antes de você responder, e você estava tão longe. Depois virava para mim e sorria daquele jeito engraçado, e eu sabia que você havia se esquecido de mim, e tinha acabado de se lembrar. Mas eu nunca fiquei chateado com você por isso. Metade da sua atenção é melhor do que toda a atenção de qualquer outra pessoa.

 Taehyung tentou pegar a mão dele, mas segurou o pulso. Podia sentir a pulsação sob a pele.

 — Só amei três pessoas na vida — Taehyung disse. — Minha mãe, Siwon e você. E perdi todos, menos você. Nunca pense que não é importante para mim, jamais pense algo assim.

 — Minha mãe diz que as pessoas só precisam contar com outras três para atingir a plenitude — disse Yoongi. Seu tom era leve, mas a voz hesitou no meio da palavra “plenitude”. — Ela diz que você parece bastante pleno.

 Taehyung sorriu tristemente para ele.

 — Por acaso sua mãe tem mais alguma pérola de sabedoria a meu respeito?

 — Tem — ele retribuiu o sorriso com outro tão torto quanto. — Mas não vou contar qual é.

 — Não é justo guardar segredo!

 — E quem foi que disse que o mundo é justo?

No fim, eles deitaram apoiados um no outro como faziam quando eram crianças: ombro com ombro, a perna de Taehyung sobre a de Yoongi. Os dedos do pé do ômega embaixo do joelho dele. De costas, eles ficaram olhando para o teto enquanto conversavam, um hábito cultivado nos tempos em que o teto de Taehyung era coberto por estrelas que brilhavam no escuro. Onde Jungkook cheirava a sabão e alguma coisa cítrica, Yoongi cheirava a alguém que havia rolado pelo estacionamento de um supermercado, mas Taehyung não se importava.

 — O mais estranho foi — Yoongi enrolou um cacho de Taehyung no próprio dedo — que eu estava brincando com Jimin sobre vampiros antes de tudo aquilo acontecer. Tentando fazê-lo rir, sabe? “O que assusta vampiros judeus? Estrelas de davi prateadas? Fígado picado? Cheques de 18 wons?”

Taehyung riu. Yoongi parecia agradecido.

 — Jimin não riu.

 Taehyung pensou em diversas coisas que queria dizer, e não as disse.

 — Acho que esse não é o tipo de humor dele.

 Yoongi lançou um olhar de lado sob aqueles cílios.

 — Ele está transando com Jungkook?

 O chiado de surpresa de Taehyung se transformou em tosse. Ele olhou para Yoongi.

 — Eca, não. Eles são quase irmãos. Não fariam isso — Taehyung parou. — Pelo menos acho que não.

 Yoongi deu de ombros.

 — Não que eu me importe — ele disse com firmeza.

 — Claro que não.

 — Não me importo! — Ele rolou para o lado dele. — Sabe, no começo achei que Jimin fosse, sei lá, legal. Excitante. Diferente. Depois, na festa, percebi que ele era louco.

 Taehyung cerrou os olhos para ele.

 — Foi ele que falou para você tomar o drinque azul?

 Ele balançou a cabeça.

 — Foi ideia minha. Eu vi você saindo com Jungkook e Namjoon, não sei... Você parecia diferente do normal. Você estava tão diferente. Não pude deixar de pensar que você já tinha mudado, e que esse seu novo mundo não me incluiria. Queria fazer alguma coisa que me tornasse um pouco mais parte dele. Então, quando o cara verdinho passou com a bandeja de drinques...

 Taehyung resmungou.

 — Você é um idiota.

 — Nunca disse que não era.

 — Desculpe. Foi horrível?

 — Ser um rato? Não. Primeiro fiquei desorientado. De repente, estava da altura do calcanhar de todo mundo. Pensei ter tomado uma poção que tivesse me feito encolher, mas não conseguia entender por que tinha um impulso incontrolável de roer papel de chiclete usado.

 Taehyung riu.

 — Não. Estou falando do hotel dos vampiros. Foi horrível?

 Alguma coisa piscou atrás dos olhos de Yoongi. Ele desviou o olhar.

 — Não. Na verdade, não me lembro muito de nada entre a festa e o estacionamento.

 — Melhor assim.

 O alfa começou a dizer alguma coisa, mas foi interrompido no meio de um bocejo. A luz no quarto se esvaiu lentamente. Desprendendo-se de Yoongi e dos lençóis, Taehyung se levantou e abriu as cortinas do quarto. Lá fora, a cidade estava banhada com o brilho avermelhado do pôr do sol. O telhado prateado do prédio da Chrysler, a cinquenta blocos para baixo, brilhava como um atiçador esquecido na lareira por muito tempo.

 — O sol está se pondo. Talvez devêssemos procurar alguma coisa para jantar.

 Não houve resposta. Ao se virar, ele viu que Yoongi estava dormindo, com os braços cruzados embaixo da cabeça e as pernas estendidas. Taehyung suspirou, foi até a cama, tirou os óculos dele e os repousou na mesa de cabeceira. O ômega já havia perdido a conta de quantas vezes ele tinha dormido de óculos e acordado com o barulho das lentes quebrando. Agora onde eu vou dormir? Não que ele se importasse em dividir a cama com Yoongi, mas o alfa não tinha deixado espaço algum para ele. Ele considerou a possibilidade de cutucá-lo para acordá-lo, mas Yoongi parecia tão sereno.

 Além disso, ele não estava com sono. Estava tentando alcançar o caderno embaixo do travesseiro quando ouviu alguém bater à porta. Ele atravessou o quarto descalço e abriu a maçaneta silenciosamente. Era Jungkook. Limpo, com calças jeans e camiseta cinza, os cabelos lavados e morenos. Os hematomas em seu rosto já estavam passando de roxo a cinza-claro, e ele estava com as mãos para trás.

 — Você estava dormindo? — Jungkook perguntou. Não tinha qualquer contrição na voz, apenas curiosidade.

 — Não. — Taehyung foi até o corredor, fechando a porta atrás de si. — Por que você acha isso?

 Jungkook examinou a camiseta azul-bebê de algodão e o short combinando.

 — Por nada.

 — Passei o dia quase todo na cama — Taehyung disse, o que tecnicamente era verdade. Ao vê-lo, o nível de agitação de Taehyung aumentou em cerca de mil por cento, mas Kim não viu motivo algum para compartilhar essa informação. — E você? Não está exausto?

 Jungkook balançou a cabeça.

 — Mais ou menos como o serviço de correios, caçadores de demônios nunca dormem. Nem o sol, nem a chuva, nem que a sombra da noite permanecesse...

 — Você estaria seriamente encrencado se a sombra da noite permanecesse com você — Taehyung disse. Jungkook sorriu. O ômega se abraçou. Estava frio no corredor e ele podia sentir calafrios nos braços. — O que você está fazendo aqui afinal?

 — Aqui, referindo-se ao seu quarto, ou aqui, referindo-se à grande questão espiritual do propósito da vida neste planeta? Se você estiver perguntando se é tudo uma coincidência cósmica ou se há um propósito maior à vida, bem, essa é uma questão para séculos de discussão, um simples reducionismo ontológico é um argumento claramente falaz, mas...

 — Vou voltar para a cama. — Taehyung esticou a mão para alcançar a maçaneta. Jungkook se colocou entre Taehyung e a porta.

 — Estou aqui — ele disse — porque Daesung me lembrou que é seu aniversário. Taehyung suspirou exasperado.

 — Só amanhã.

 — Isso não é motivo para não começarmos a celebrar agora.

 Taehyung olhou para ele.

 — Você está evitando Namjoon e Jimin.

 Jungkook concordou com a cabeça.

 — Os dois estão tentando provocar briguinhas comigo.

 — Pelo mesmo motivo?

 — Não sei. — Jungkook olhou para cima e para baixo do corredor furtivamente. — Daesung também. Todo mundo quer falar comigo. Menos você. Aposto que você não quer falar comigo.

 — Não — disse Taehyung. — Quero comer. Estou faminto.

 Jungkook mostrou as mãos. Nelas, trazia um saco de papel levemente amassado.

 — Peguei um pouco de comida na cozinha quando Jimin não estava olhando.

Taehyung sorriu.

 — Um piquenique? Está um pouco tarde para o parque de Seul, você não acha? Está cheio de...

 Jungkook acenou com a mão.

 — Fadas. Eu sei.

 — Eu ia dizer assaltantes — disse Taehyung. — Embora eu tenha pena do assaltante que resolver ir atrás de você.

 — E essa á uma atitude sábia, meus cumprimentos por isso — disse Jungkook, parecendo agradecido. — Mas não estava pensando no parque. Que tal a estufa?

 — Agora? À noite? Não vai estar... escuro?

 Jungkook sorriu como se fosse um segredo.

 — Vamos. Eu te mostro.



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