História Shadowhunter: The mortal instruments! ABO - Capítulo 17


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Abo, Blackpink, Bottom!tae, Bts, Exo, Kookv, Kpop, Lgbt, Mpreg, Namjin, Ômegatae, Shadowhunters, Taegui, Taekook, Top!jk, Vkook, Yaoi, Yoonmin, Yoonseok
Visualizações 101
Palavras 4.127
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fluffy, Hentai, Lemon, LGBT, Luta, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


oi gente
o capitulo de hoje vai ser um pouco tenso então preparem os coraçõezinhos
espero que você gostem e comentém o que acharam
boa leitura!

Capítulo 17 - A Flor da Meia-Noite


À meia-luz, as enormes salas vazias que atravessaram a caminho do telhado pareciam tão desertas quanto palcos vazios, os móveis cobertos de branco erguendo-se à luz como icebergs através da fumaça. Quando Jungkook abriu a porta da estufa, o cheiro atingiu Taehyung, suave como o toque da patinha de um gato: algo escuro e carregado de terra, e o cheiro mais forte de flores noturnas brotando — daturas, trombeteiros, maravilhas — e algumas que o ômega não reconhecia, como uma planta que trazia um botão amarelo em forma de estrela cujas pétalas eram cheias de pólen dourado. Através das paredes de vidro do recinto, Taehyung podia ver as luzes de Seul queimando como joias.

 — Uau. — Ele virou lentamente, absorvendo aquilo tudo. — É muito lindo à noite!

 Jungkook sorriu.

 — E temos o lugar só para nós. Namjoon e Jimin detestam vir aqui. Eles são alérgicos.

 Taehyung tremeu, embora não estivesse com frio.

 — Que espécie de flor é esta?

 Jungkook deu de ombros e sentou, cuidadosamente, ao lado de um arbusto verde lustroso cheio de botões de flores.

 — Não faço ideia. Você acha que eu presto atenção à aula de botânica? Não vou ser arquivista. Não preciso saber nada disso.

 — Você só precisa saber como matar coisas?

Jungkook olhou para ele e sorriu. O alfa parecia um anjo de um quadro de Rembrandt, exceto por aquela boca diabólica.

 — Isso mesmo. — Ele pegou um pacote embrulhado em um guardanapo do saco de papel e ofereceu a Taehyung. — Além disso — ele acrescentou —, faço um sanduíche de queijo delicioso. Prove um.

 Taehyung sorriu com certa relutância e sentou-se na frente dele. O chão de pedra da estufa estava frio contra suas pernas nuas, mas era agradável, depois de ter passado por tanto calor. Do saco de papel, Jungkook tirou algumas maçãs, uma barra de chocolate com frutas e amêndoa, e uma garrafa de água.

— Até que não foi um saque qualquer — Jungkook disse, admirando o próprio piquenique. O sanduíche de queijo estava morno e um pouco mole, mas o gosto era bom. De um dos incontáveis bolsos da jaqueta, o alfa pegou uma faca com cabo de osso que parecia capaz de cortar um urso pardo. Ele começou a partir as maçãs em oito pedaços.

 — Bem, não é um bolo de aniversário — Jungkook disse, dando um pedaço ao ômega —, mas espero que seja melhor do que nada.

 — “Nada” era exatamente o que eu estava esperando, então, obrigado. — Taehyung mordeu um pedaço. A maçã tinha gosto verde e fresco.

 — Ninguém deveria ficar sem nada no aniversário. — Jungkook estava descascando a segunda maçã, a casca saía em tiras curvilíneas. — Aniversários têm que ser especiais. Meu aniversário sempre era o dia que meu pai alfa dizia que eu podia fazer o que eu quisesse.

 — Qualquer coisa? — Taehyung riu. — E que tipo de coisa você queria fazer?

 — Bem, quando fiz 5 anos, quis tomar banho com espaguete.

 — Mas ele não deixou, certo?

 — Não, aí é que está. Ele deixou. Disse que não era caro, e por que não, se era o que eu queria? Ele mandou os empregados encherem uma banheira com água fervendo e macarrão, e quando esfriou... — Ele deu de ombros. — Eu tomei banho.

 Empregados? pensou Taehyung. Em voz alta, ele disse:

 — Como foi?

 — Escorregadio.

 — Aposto que sim. — Taehyung tentou imaginá-lo como um garotinho, gargalhando, com macarrão até os ouvidos. A imagem não se formava. Certamente ele nunca gargalhara, nem aos 5 anos.

 — O que mais você pedia?

 — Armas, na maioria das vezes — ele disse —, tenho certeza de que isso não o surpreende. Livros. Eu lia muito, sozinho.

 — Você não ia para a escola?

 — Não — ele disse, e agora falava lentamente, quase como se estivessem se aproximando de um tópico que ele não quisesse discutir. — Mas os seus amigos...

 — Eu não tinha amigos — ele disse. — Só o meu pai alfa. Ele era tudo que eu precisava.

 Taehyung olhou fixamente para ele.

 — Nenhum amigo?

 Ele encontrou o olhar do ômega.

 — Na primeira vez em que encontrei o Namjoon — ele disse —, quando tinha 10 anos, foi a primeira vez que encontrei outra criança da minha idade. A primeira vez que tive um amigo.

 Taehyung abaixou o olhar. Agora uma imagem estava se formando, nem um pouco bem-vinda, na cabeça dele: Taehyung pensou em Namjoon, no jeito que o alfa olhara para ele. Namjoon não diria isso.

— Não sinta pena de mim — Jungkook disse, como se estivesse adivinhando os pensamentos dele, embora não fosse de Jeon que ele estava sentindo pena. — Ele me deu a melhor educação, o melhor treinamento. Ele me levou por todo o mundo. Tokyo. Hong Kong. Londres. Adorávamos viajar. — Os olhos dele estavam sombrios. — Não fui a lugar algum desde que ele morreu. Nenhum lugar além de Seul.

 — Você tem sorte — disse Taehyung. — Nunca saí deste estado na vida. Minha mãe não me deixava nem ir a passeios da escola em Busan. Acho que agora sei por quê — ele acrescentou.

 — Ela tinha medo de que você pirasse? Começasse a ver demônios em Busan?

 Taehyung mordeu um pedaço do chocolate

. — Tem demônios em Busan?

 — Provavelmente — disse Jungkook. — Eu acho. — Ele deu de ombros filosoficamente. — Com certeza alguém teria dito alguma coisa.

 — Acho que só não queria que eu ficasse muito longe dela. Minha mãe, quero dizer. Depois que o meu pai morreu, ela mudou muito. — A voz de Siwon ecoou em sua mente. Você nunca mais foi a mesma desde que aconteceu. Mas Taehyung não é Jeohyun. Jungkook ergueu a sobrancelha para ele.

 — Você se lembra do seu pai?

 Taehyung balançou a cabeça.

 — Não. Ele morreu antes de eu nascer.

 — Sorte sua — ele disse. — Assim você não sente falta dele.

 Se fosse qualquer outra pessoa, teria sido horrível dizer isso, mas pela primeira vez não havia qualquer amargura em seu tom de voz, só a dor da solidão pela ausência do próprio pai.

 — Alguma hora desaparece? — Taehyung perguntou. — A falta dele, quero dizer.

 Jungkook olhou para ele de forma oblíqua, mas não respondeu.

 — Você está com saudades da sua mãe?

 Não. Ele não ia pensar na mãe desse jeito.

 — Do Siwon, para falar a verdade.

 — Não que esse seja o nome dele. — Ele mordeu a maçã pensativamente e disse: — Tenho pensado nele. Alguma coisa a respeito de seu comportamento não faz sentido.

 — Ele é um covarde. — A voz de Taehyung era amarga. — Você o ouviu. Não vai se posicionar contra Minhyuk. Nem pela minha mãe.

 — Mas é exatamente isso... — Uma longa reverberação metálica o interrompeu. Em algum lugar, um sino soava. — Meia-noite — disse Jungkook, repousando a faca. Ele se levantou, esticando a mão para puxar Taehyung para o lado dele. Seus dedos estavam levemente grudentos com o sumo de maçã. — Agora observe.

O olhar dele estava fixo no arbusto verde ao lado do qual eles estavam sentados, com duas dúzias de botões fechados. Ele começou a perguntar para onde deveria olhar, mas Jungkook levantou a mão para contê-lo. Os olhos dele estavam brilhando.

 — Espere — Jungkook disse.

 As folhas no arbusto continuavam imóveis. De repente, um dos botões começou a tremer. Inchou, atingindo o dobro do tamanho original e abriu. Era como assistir a um filme de uma flor brotando em alta velocidade: as folhas verdes abrindo para fora, libertando as pétalas internas. Estavam cheias de pólen dourado tão leve quanto talco.

 — Oh! — Taehyung exclamou e olhou para cima, então viu Jungkook observando-o. — Elas brotam toda noite?

 — Só à meia-noite — ele disse. — Feliz aniversário, Kim Taehyung.

 Taehyung estava estranhamente comovido com aquilo.

 — Obrigado.

 — Tenho uma coisa para você — disse Jungkook. Ele colocou a mão no bolso e retirou algo, que apertou contra a mão de Taehyung. Era uma pedra cinza, levemente irregular, gasta em alguns pontos.

 — Hum — disse Taehyung, virando a pedra nos dedos. — Uma pedra? Um rubi ou uma esmeralda?

 — Muito interessante, meu amiguinho sarcástico. E não é uma pedra, exatamente. Todos os Caçadores de Sombras têm uma pedra com símbolos enfeitiçados.

 — Ah. — Ele olhou para a pedra com interesse renovado, fechando os dedos ao redor dela, como tinha visto Jungkook fazer na adega. Ele não tinha certeza, mas achou ter visto um flash de luz emitido através dos próprios dedos.

 — Vai te trazer luz — disse Jungkook —, mesmo nas sombras mais escuras deste mundo e de outros.

 Ele guardou a pedra no bolso.

 — Bem, obrigado. Foi gentil em me dar alguma coisa. — A tensão entre eles pareceu pressioná-lo como ar úmido. — Muito melhor do que um banho de espaguete.

 Jungkook falou sombriamente:

 — Se você dividir essa informação com alguém, posso ser obrigado a matá-lo.

— Bem, quando eu tinha 5 anos, queria que minha mãe me deixasse entrar na secadora para ficar dando voltas com as roupas — disse Taehyung. — A diferença é que ela disse não.

 — Talvez porque entrar em uma secadora ligada pode ser fatal — destacou Jungkook —, ao passo que banho de macarrão raramente acaba em morte. A não ser que o macarrão tenha sido feito pelo Jimin.

 A flor da meia-noite já estava perdendo as pétalas. Elas caíam ao chão, brilhando como pedacinhos de estrelas.

— Quando eu tinha 12 anos, queria uma tatuagem — disse Taehyung. — Minha mãe também não deixou.

 Jungkook não riu.

 — A maioria dos Caçadores de Sombras recebe as primeiras Marcas aos 12 anos. Devia estar no seu sangue.

 — Talvez. Mas duvido que a maioria dos Caçadores de Sombras faça uma tatuagem do Donatello das Tartarugas Ninja no ombro esquerdo.

 Jungkook parecia abismado.

 — Você queria uma tartaruga no ombro?

 — Queria cobrir uma cicatriz de catapora. — Taehyung puxou a manga gentilmente, mostrando a marca branca em forma de estrela. — Viu?

 Jungkook desviou o olhar.

 — Está ficando tarde — ele disse. — É melhor descermos.

 Taehyung puxou a alça de volta, embaraçado. Como se ele fosse querer ver aquelas cicatrizes estúpidas! As palavras seguintes saíram da boca de Taehyung de forma natural:

 — Você e Jimin já... namoraram?

 Agora Jungkook olhava para ele. A luz do luar realçava os olhos dele. Agora eram mais acinzentados do que castanhos.

 — Jimin? — retrucou, de forma evasiva.

 — Eu pensei... — Agora ele estava se sentindo ainda mais embaraçado. — Yoongi estava se perguntando.

 — Talvez ele devesse perguntar a Jimin.

 — Não sei se ele quer — disse Taehyung. — De qualquer forma, deixe pra lá. Não tenho nada a ver com isso.

 Jungkook sorriu.

 — A resposta é não. Quero dizer, pode ser que já tenha havido alguma época em que um ou outro tenha considerado essa possibilidade, mas ele é quase um irmão para mim. Seria esquisito.

 — Quer dizer que você e Jimin nunca...

 — Nunca — disse Jungkook.

 — Ele me odeia — observou Taehyung.

 — Não, ele não te odeia — Jungkook disse, para a surpresa de Taehyung. — Você só o deixa nervoso, porque ele sempre foi o único ômega no meio de alfas que o adoravam, e agora não é mais.

 — Mas ele é tão lindo!

— Você também — disse Jungkook. — E muito diferente dele, e ele não pôde deixar de notar isso. Ele sempre quis ser alto e delicado. Detesta ser mais baixo do que alguns dos ômegas.

 Taehyung não respondeu nada, porque não tinha nada a dizer. Lindo. Jungkook o tinha chamado de lindo. Ninguém nunca dissera isso a respeito dela na vida, exceto Taeyeon, o que não contava. Mães têm a obrigação de achar os filhos lindos. Taehyung olhou fixamente para ele.

 — Acho que deveríamos descer — Jungkook disse outra vez. Taehyung sabia que o estava deixando desconfortável, olhando para ele daquele jeito, mas não conseguia parar.

 — Tudo bem — disse Taehyung, afinal. Para seu alívio, a voz soou normal. Foi um alívio ainda maior parar de olhar para ele ao se virar de costas. A lua, exatamente acima deles agora, iluminava tudo com um brilho quase diurno. Entre um passo e outro, ele viu um brilho branco sendo emitido de alguma coisa no chão: era a faca que Jungkook havia utilizado para cortar as maçãs, repousada sobre a lateral.

 Taehyung foi subitamente para trás para não pisar, e seu ombro bateu no dele, ele pôs a mão para ajudá-lo a se equilibrar, bem na hora em que o ômega se virou para se desculpar. Em seguida, de algum jeito, Taehyung estava nos braços dele, e ele estava o beijando. Inicialmente, foi quase como se Jungkook não quisesse beijá-lo: a boca dele estava dura, inflexível; depois ele colocou os dois braços em volta do ômega, e o puxou para perto. Os lábios suavizaram.

 Taehyung a podia sentir os batimentos rápidos do coração dele, o gosto doce da maçã ainda na boca. O ômega pôs as mãos nos cabelos dele, como quisera fazer desde a primeira vez em que o vira. Os cabelos dele se enrolaram nos dedos de Kim, finos e sedosos. O coração dele batia forte, e Taehyung ouviu um ruído nos ouvidos, como asas batendo... Jungkook afastou-se com uma exclamação espantada, embora continuasse com os braços em volta dele.

 — Não entre em pânico, mas temos plateia.

 Taehyung virou a cabeça. Empoleirado no galho de árvore mais próximo estava Dahyun, observando-os com olhos negros e brilhantes. Então o barulho que ele tinha ouvido realmente fora de asas batendo, e não fruto de sua imaginação. Isso foi decepcionante.

 — Se ele está aqui, Daesung não está longe — murmurou Jungkook. — É melhor irmos.

 — Ele está te vigiando? — sibilou Taehyung. — Daesung, quero dizer.

 — Não. Ele só gosta de vir aqui em cima para refletir. É uma pena, nós estávamos tendo uma conversa tão boa. — Jungkook riu consigo mesmo. Eles desceram por onde haviam subido, mas para Taehyung a travessia parecia inteiramente diferente. Jungkook continuou segurando a mão dele, enviando pequenas correntes elétricas pelas veias e por todos os lugares onde o tocava: os dedos, o pulso, a palma da mão. Sua mente estava explodindo com perguntas, mas Taehyung estava com medo de quebrar o clima fazendo alguma delas. Jungkook disse que fora uma pena, então ele concluiu que a noite havia acabado, pelo menos a parte do beijo. Eles chegaram à porta do quarto dela. Taehyung se apoiou na parede, olhando para ele.

 — Obrigado pelo piquenique de aniversário — ele disse, tentando manter o tom neutro. Jungkook parecia relutante em soltar a mão dele.

 — Você vai dormir?

 Ele só está sendo educado, Taehyung disse a si mesmo. Mas este era Jungkook. Ele nunca era educado. O ômega resolveu responder a uma pergunta com outra.

 — Você não está cansado?

 Sua voz veio baixa.

 — Nunca estive tão acordado.

 Jungkook se inclinou para beijá-lo, puxando o rosto dele com a mão livre. Os lábios se tocaram, inicialmente de forma suave, depois com uma pressão mais intensa. Foi exatamente nesse instante que Yoongi abriu a porta do quarto e entrou no corredor. Ele estava piscando muito, e com o cabelo no rosto, e sem óculos, mas podia enxergar muito bem.

 — Que diabos é isso? — ele perguntou, tão alto que Taehyung saltou para longe de Jungkook, como se o toque dele queimasse.

 — Yoongi! O que você está fazendo... quero dizer, pensei que você estivesse...

 — Dormindo? Eu estava — ele disse. As maçãs de seu rosto estavam completamente vermelhas, ressaltando na sua pele branca, como sempre ficavam quando ele estava envergonhado ou irritado. — Depois acordei e você não estava lá, então pensei que...

 Taehyung não conseguia pensar em nada para dizer. Por que não ocorrera a ele que isso poderia acontecer? Por que ele não havia sugerido que fossem para o quarto de Jungkook? A resposta era tão simples quanto terrível: ele se esquecera completamente de Yoongi.

 — Sinto muito — Taehyung disse, incerto quanto a quem estava se referindo. Com o canto do olho, o ômega pensou ter visto Jungkook lançar-lhe um olhar de raiva, mas, quando olhou para ele, ele estava do mesmo jeito de sempre: calmo, confiante, e ligeiramente entediado.

 — No futuro, Taehyung — ele disse —, seria uma boa ideia mencionar que já tem um alfa na sua cama, para evitar situações desse tipo.

 — Você o convidou para a sua cama? — perguntou Yoongi, parecendo abalado.

 — Ridículo, não é mesmo? — disse Jungkook. — Nunca caberíamos os três.

 — Eu não o convidei para a minha cama — irritou-se Taehyung. — Só estávamos nos beijando.

 — Só nos beijando? — O tom de Jungkook zombava dele com uma falsa tristeza. — Como você desqualifica assim o nosso amor?

 — Jungkook...

Taehyung viu a malícia nos olhos dele e parou de falar. Não tinha por quê. O estômago de ômega pareceu subitamente pesado.

 — Yoongi, está tarde — Taehyung disse com a voz cansada. — Sinto muito por tê-lo acordado.

 — Eu também. — Ele voltou para o quarto, batendo a porta atrás de si. O sorriso de Jungkook parecia tão comum quanto torrada com manteiga. — Vá em frente, vá atrás dele. Passe a mão na cabeça dele e diga que ele continua sendo seu carinha mais do que especial. Não é isso que você quer fazer?

 — Pare com isso — Taehyung disse. — Pare de agir desse jeito.

 O sorriso do alfa se alargou.

— De que jeito?

 — Se você está irritado, apenas diga que está. Não aja como se nada nunca o atingisse. Parece até que você nunca sente nada.

 — Talvez você devesse ter pensado nisso antes de me beijar — ele disse.

 Taehyung olhou para ele, incrédulo.

 — Eu beijei você?

 Jungkook olhou maliciosamente para ele.

 — Não se preocupe — ele disse —, também não foi tão memorável assim para mim.

Taehyung o observou enquanto ele se afastava, e sentiu, ao mesmo tempo, vontade de começar a chorar e de correr atrás dele com o único propósito de chutá-lo na canela. Sabendo que qualquer ação lhe traria imensa satisfação, ele não fez nem uma coisa nem outra; apenas voltou para o quarto. Yoongi estava no meio do quarto, parecendo perdido. Ele pusera os óculos de volta. Taehyung ouviu a voz de Jungkook mentalmente, dizendo passe a mão na cabeça dele e diga que ele continua sendo seu carinha mais do que especial em tom de desdém. Taehyung deu um passo em direção a ele, depois parou quando percebeu o que ele estava segurando. O caderno, aberto na página do último desenho que o ômega estivera fazendo, que retratava Jungkook com asas de anjo.

 — Bonito — ele disse. — Todas aquelas aulas de arte estão surtindo efeito.

 Normalmente, Taehyung teria brigado com ele por estar olhando o caderno, mas não era hora para isso.

 — Yoongi...

 — Admito que correr para o seu quarto pode não ter sido a melhor das manobras — ele interrompeu, jogando o caderno de volta na cama. — Mas eu tinha que pegar as minhas coisas.

 — Para onde você vai?

 — Para casa. Já passei tempo demais aqui, em minha opinião. Mundanos como eu não pertencem a lugares como este.

Taehyung suspirou.

 — Yoongi, sinto muito, tudo bem? Não tinha a intenção de beijá-lo; aconteceu. Sei que você não gosta dele.

 — Não — Yoongi disse ainda mais secamente. — Eu não gosto de refrigerante sem gás. Eu não gosto de música pop de boy bands. Eu não gosto de ficar preso no trânsito. Eu não gosto de dever de matemática. Eu odeio Jungkook. Percebe a diferença?

 — Ele salvou a sua vida — disse Taehyung, sentindo-se uma fraude. Afinal, Jungkook só tinha ido ao hotel Dumort porque ficou com medo de se encrencar se Taehyung morresse.

 — Detalhes — disse Yoongi desconsiderando. — Ele é um idiota. Pensei que você fosse melhor do que isso.

 Taehyung se irritou.

 — Ah, e agora você vai bancar o superior para cima de mim? — disse Taehyung. — Era você que ia convidar o ômega com “o melhor corpo” para a festa da escola. — Ele imitou o tom despreocupado de Sehun. A boca de Yoongi se contraiu em irritação. — E daí que Jungkook banque o idiota às vezes? Você não é meu irmão, não é meu pai, você não precisa gostar dele. Eu nunca gostei de nenhum dos seus ômegas, mas pelo menos tive a decência de guardar isso para mim.

 — Isso — Yoongi disse entre dentes cerrados — é diferente.

 — Como? Diferente como?

 — Porque eu vejo o jeito como você olha para ele! — gritou. — E eu nunca olhei para qualquer daqueles ômegas desse jeito. Era só um passatempo, uma maneira de praticar, até...

 — Até o quê? — Taehyung tinha a leve noção de que estava sendo péssimo, mas a situação toda era péssima; eles nunca haviam tido uma briga mais séria do que uma discussão sobre quem comera a última bala da caixa na casa da árvore, mas o ômega não parecia conseguir se controlar. — Até Jimin aparecer? Eu não posso acreditar que você esteja me passando um sermão a respeito de Jungkook quando bancou o idiota por ele! — A voz de Taehyung se elevou a um grito.

 — Eu estava tentando deixá-lo com ciúmes! — gritou Yoongi, em resposta. Seus punhos estavam cerrados. — Você é tão idiota, Taehyung. Você é tão idiota, será que não consegue enxergar nada?

 Taehyung o encarou completamente espantado. Mas que diabos ele estava querendo dizer?

 — Tentando me deixar com ciúmes? Por que você faria uma coisa assim?

 Ele percebeu imediatamente que essa era a pior coisa que poderia ter perguntado.

 — Porque — Yoongi disse, tão amargamente que o chocou — sou apaixonado por você há dez anos, então achei que era hora de descobrir se a recíproca era verdadeira. O que, por sinal, vejo que não.

 Foi como se ele tivesse lhe dado um chute no estômago. Taehyung não conseguia falar; o ar tinha saído de seus pulmões. Ele o encarou, tentando formular uma resposta, qualquer resposta. Yoongi o interrompeu bruscamente.

 — Não. Não há nada que você possa dizer. — Taehyung o observou indo até a porta como se tivesse sido paralisado, sem conseguir se mover para contê-lo, por mais que quisesse. O que ele poderia dizer? “Também amo você”? Mas Taehyung não o amava, amava? Ele parou na porta, com a mão na maçaneta, e virou para olhar para o ômega. Os olhos por trás dos óculos pareciam mais cansados do que furiosos agora. — Você realmente quer saber o que mais a minha mãe disse sobre você? — ele perguntou. Taehyung balançou a cabeça. Ele não pareceu perceber. — Ela disse que você partiria meu coração — ele lhe disse, e saiu. A porta se fechou atrás dele com um clique definitivo e Taehyung se viu sozinho.

Depois que ele foi embora, Taehyung voltou para a cama e pegou o caderno. Ele o abraçou com força, não queria desenhar, apenas ansiava pelo cheiro de coisas familiares: tinta, papel, lápis de cera. Ele pensou em correr atrás de Yoongi, tentando alcançá-lo. Mas o que diria? O que poderia dizer? Você é tão idiota, Taehyung, ele dissera ao ômega. Será que não consegue enxergar nada? Ele pensou em centenas de coisas que ele tinha dito ou feito, piadinhas que Sehun e outras pessoas faziam a respeito deles, conversas interrompidas quando ele entrava na sala.

 Jungkook sabia desde o começo. Estava rindo porque declarações de amor me entretêm, sobretudo quando não há reciprocidade. Taehyung não tinha parado para pensar no que ele estava querendo dizer, mas agora sabia. Mais cedo ele dissera a Yoongi que só tinha amado três pessoas na vida: a mãe, Siwon e ele. Taehyung ficou imaginando se era realmente possível, no espaço de uma semana, perder todas as pessoas que amava. Imaginou seria possível sobreviver àquilo. E, mesmo assim, naqueles breves instantes no telhado com Jungkook, ele se esquecera da mãe. Esquecera Siwon. Esquecera Yoongi.

  E tinha se sentido feliz. Isto era o pior de tudo: ele tinha se sentido feliz. Talvez isso, ele pensou, perder Yoongi, talvez isso seja o meu castigo pelo egoísmo de me sentir feliz, mesmo que por um segundo apenas, quando a minha mãe continua desaparecida. Nada daquilo havia sido real. Jungkook podia até beijar muito bem, mas ele não gostava de Taehyung. Ele mesmo dissera. O ômega abaixou o caderno lentamente para seu colo. Yoongi tinha razão; era um belo desenho de Jungkook. Taehyung havia conseguido retratar a linha rígida de sua boca, aqueles olhos estranhamente vulneráveis. As asas pareciam tão reais que ele imaginou que, se passasse os dedos nelas, elas seriam macias. Ele deixou a mão passar pela página, com a mente vagando.

E levou a mão para trás, olhando fixamente. Seus dedos tocaram não a página seca, mas a maciez das penas. Ele olhou para os símbolos que havia desenhado no canto da folha. Estavam brilhando, do jeito que ele vira brilharem os símbolos que Jungkook desenhava com a estela. O coração de Taehyung começou a bater acelerado, firme e rígido. Se um símbolo podia dar vida a um desenho, então talvez...

 Sem tirar os olhos do desenho, ele procurou os lápis. Sem fôlego, ele passou as folhas, procurando uma página nova, limpa, e apressadamente começou a desenhar a primeira coisa que veio à sua mente. Foi a xícara de café repousada na cabeceira ao lado da cama. Acessando as lembranças das aulas de desenho de natureza-morta, ele desenhou nos mínimos detalhes: a aba borrada, a rachadura na alça. Quando terminou, a figura era tão precisa quanto ele podia fazer. Guiado por alguma espécie de instinto que ele não conseguia entender muito bem, ele pegou a xícara e colocou-a sobre o papel. Depois, cuidadosamente, começou a desenhar os símbolos ao lado dela.



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