História Shadowhunter: The mortal instruments! ABO - Capítulo 20


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags 2ne1, Abo, Blackpink, Bottom!tae, Bts, Chanbaek, Exo, Kookv, Kpop, Lgbt, Mpreg, Namjin, Ômegatae, Shadowhunters, Taegui, Taekook, Top!jk, Vkook, Yaoi, Yoonmin
Visualizações 110
Palavras 3.922
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fluffy, Hentai, Lemon, LGBT, Luta, Magia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


oi gente
to adorando as teorias de vocês haha continuem
boa leitura e desculpem qualquer erro de edição!!

Capítulo 20 - No Beco do Rato


Daesung, engasgando, olhou para trás de si, fechando e abrindo os punhos. A mão esquerda estava completamente coberta pelo fluido escuro e molhado que escorrera do peito. O olhar que tinha no rosto era um misto de exaltação e ódio a si mesmo.

 — Daesung! — Taehyung socou a parede invisível entre eles. O braço doía absurdamente, mas não era nada comparado à dor que sentia no peito. Ele tinha a sensação de que o coração ia saltar para fora das costelas. Jungkook, Jungkook, Jungkook, as palavras ecoavam na mente, querendo ser berradas. Ele as conteve. — Daesung, me solte!

 Daesung virou, balançando a cabeça.

 — Não posso — ele disse, usando um lenço cuidadosamente dobrado para esfregar a mão suja. Ele parecia genuinamente triste. — Você vai tentar me matar.

 — Não vou — Taehyung disse. — Prometo.

 — Mas você não foi criado como Caçador de Sombras — ele disse — e suas promessas não significam nada. — A ponta do lenço agora estava soltando fumaça, como se tivesse tocado ácido, e a mão não estava menos escura. Franzindo o rosto, ele desistiu.

 — Mas, Daesung — Taehyung disse desesperado —, você não ouviu o que ele disse? Ele vai matar Jungkook.

 — Ele não disse isso. — Daesung estava na mesa agora, pegando um pedaço de papel. Ele pegou uma caneta no bolso, e começou a batê-la com força na ponta da mesa para fazer a tinta fluir. Taehyung o encarou. Ele estava escrevendo uma carta?

 — Daesung — ele disse cuidadosamente —, Minhyuk disse que Jungkook estaria com o pai alfa em breve. O pai alfa de Jungkook está morto. O que mais ele poderia estar dizendo?

 Daesung não tirou os olhos do papel em que estava escrevendo.

 — É complicado. Você não entenderia.

 — Eu entendo o suficiente. — Parecia que ia queimar a própria língua com tamanha amargura.

 — Entendo que Jungkook confiou em você e você o entregou a um alfa que detestava o pai alfa dele, e provavelmente o odeia também, por pura covardia de viver com o castigo que merecia.

 Daesung levantou a cabeça.

— É isso que você pensa?

 — É o que eu sei.

 Ele repousou a caneta, balançando a cabeça. Ele parecia cansado, e tão velho, muito mais velho que Minhyuk, embora tivessem a mesma idade.

 — Você só sabe pedaços e fragmentos, Taehyung. E é melhor assim. — Ele dobrou o papel em que estava escrevendo e jogou-o no fogo, que subiu com um verde ácido brilhante antes de desaparecer.

 — O que você está fazendo? — perguntou Taehyung.

 — Enviando uma mensagem — Daesung se afastou do fogo. Ele estava perto do ômega, separado apenas pela parede invisível. Taehyung pressionou os dedos contra o obstáculo, desejando furar os olhos de Daesung, apesar aparentarem tanta tristeza quanto os de Minhyuk aparentaram fúria. — Você é jovem — ele disse. — O passado não é nada para você, nem mesmo um estranho como o é para os mais velhos, ou um pesadelo como o é para a culpa. A Clave me amaldiçoou porque ajudei Minhyuk. Mas eu não era o único membro do Ciclo a servi-lo; por acaso, os Park não eram tão culpados quanto eu? Ou os Jeon? Eu fui o único condenado a viver fora da minha vida sem nem sequer poder pisar lá fora, sem poder colocar a mão através de uma janela.

 — Isso não é culpa minha — disse Taehyung. — E não é culpa de Jungkook. Por que castigá-lo pelo que a Clave fez? Entendo entregar o Cálice a Minhyuk, mas entregar Jungkook? Ele vai matá-lo, como matou o pai alfa dele...

 — Minhyuk — disse Daesung — não matou o pai alfa de Jungkook.

 Taehyung sentiu um aperto no peito.

 — Não acredito em você! Só o que você faz é contar mentiras! Tudo que já disse é mentira!

 — Ah — ele disse —, o absolutismo moral dos jovens, que não permite concessões. Você não está vendo, Taehyung, que à minha maneira estou tentando ser um bom alfa?

 Taehyung balançou a cabeça.

 — Não é assim que funciona. As coisas boas que você faz não neutralizam as ruins. Mas — ele mordeu o lábio — se você me dissesse onde o Minhyuk está...

 — Não — ele suspirou. — Dizem que os Nephilim são os filhos de humanos e anjos. Toda essa herança angelical nos deu um abismo maior em que cair. — Ele tocou a superfície da barreira invisível com as pontas dos dedos. — Você não foi criado como um de nós. Você não tem nem uma parte dessa vida de cicatrizes e morte. Ainda há tempo para escapar. Deixe o Instituto, Taehyung, o mais rápido possível. Vá e não volte nunca mais.

 Taehyung balançou a cabeça.

 — Não posso — ele disse. — Não posso fazer isso.

 — Então sinto muito — Daesung disse, e saiu da sala.

A porta se fechou atrás de Daesung, deixando Taehyung em silêncio. Só havia ele, sua respiração pesada e os dedos contra a barreira invisível que não cedia entre ele e a porta. Ele fez exatamente o que dissera a si mesmo que não faria, que foi lançar-se contra a barreira repetidas vezes, até estar completamente exausto e com o corpo dolorido. Depois se jogou no chão e tentou não chorar.

Em algum lugar do outro lado dessa barreira, Namjoon estava morrendo, enquanto Jimin esperava que Daesung voltasse e o salvasse. Em algum lugar além desta sala, Jungkook estava sendo acordado brutalmente por Minhyuk. Em algum lugar, as chances de Taeyeon estavam desaparecendo, a cada segundo, a cada instante. E ele estava preso ali, tão inútil e impotente quanto a criança que era. Ele se sentou, lembrando-se do instante na casa de Madame Yuju em que Jungkook havia pressionado a estela em sua mão. O ômega havia devolvido a ele? Prendendo a respiração, ele apalpou o bolso esquerdo do casaco; estava vazio. Lentamente, a mão foi para o bolso direito, com os dedos suados pegando algo vazio, depois deslizando para alguma coisa dura, lisa e redonda: a estela.

 Taehyung se levantou, com o coração acelerado, e apalpou a parede invisível com a mão esquerda. Ao encontrá-la, recompôs-se, esticando a ponta da estela para a frente com a outra mão até não estar apoiada em mais nada além do ar. Uma imagem já se formava na mente de Taehyung, como um peixe subindo em água turva, a nitidez das escamas aumentado cada vez mais à medida que se aproximava da superfície. Lentamente no início, depois com mais confiança, ele passou a estela na parede, deixando linhas brilhantes no ar à frente. Ele sentiu quando o símbolo estava pronto e abaixou a mão, respirando forte. Por um instante, tudo ficou parado e silencioso, e o símbolo estava ali como néon brilhante, queimando-lhe os olhos. Depois fez-se um ruído como o estilhaçar mais alto que Taehyung já tinha ouvido, como se ele estivesse em uma cachoeira de pedras ouvindo-as baterem no chão ao redor.

  O símbolo que desenhou ficou preto e se desintegrou como cinzas; o chão sob seus pés estremeceu; depois parou, e ele sabia, sem qualquer sombra de dúvida, que estava livre. Ainda segurando a estela, ele correu para a janela e abriu a cortina. O crepúsculo caía e as ruas abaixo eram banhadas por um brilho roxo-avermelhado. Ele viu Daesung atravessando a rua, a cabeça grisalha do tutor balançava em meio à multidão. Ele correu para fora da biblioteca e desceu as escadas, parando somente para colocar a estela de volta no bolso. Ele desceu as escadas correndo e chegou à rua, onde uma multidão já estava se formando. As pessoas que estavam passeando com os respectivos cachorros no crepúsculo úmido deram passagem enquanto ele corria pela borda do East River.

 Ele viu o próprio reflexo na janela escura de um prédio enquanto dobrava uma esquina. O cabelo suado estava grudado à testa, e o rosto sujo, com sangue seco. Ele chegou ao cruzamento onde tinha visto Daesung. Por um instante, ele achou que o tivesse perdido. Ele correu pela multidão perto da entrada do metrô, empurrando as pessoas, usando os joelhos e os cotovelos como armas. Suado e ferido, Taehyung se libertou da multidão a tempo de ver um fragmento do terno desaparecer em uma esquina de um beco entre dois prédios.

 Taehyung passou por um lixão e entrou no beco. O fundo da garganta parecia queimar cada vez que ele respirava. Apesar do crepúsculo na rua, no beco estava escuro como a madrugada. Ele só conseguia enxergar Daesung, no lado oposto do beco, que acabava nos fundos de um restaurante fast-food. O lixo do restaurante estava acumulado do lado de fora: sacos de comida, pratos de papel sujos e talheres de plástico que quebravam desagradavelmente sob os sapatos de Daesung enquanto ele virava para olhar para o ômega. Taehyung se lembrou de um poema que havia lido na aula de inglês: “acho que estamos no beco do rato/onde os alfas mortos perderam os ossos”.

 — Você me seguiu — ele disse. — Não deveria ter feito isso.

 — Eu o deixarei em paz se me disser onde Minhyuk está.

 — Não posso fazer isso — ele disse. — Ele vai saber que contei e minha liberdade será tão curta quanto a minha vida.

 — Já vai ser assim quando a Clave descobrir que você deu o Cálice Mortal a Minhyuk — disse Taehyung. — Depois de nos manipular para o encontrarmos para você. Como você pode viver sabendo o que ele planeja fazer?

 Daesung o interrompeu com uma risada curta.

 — Tenho mais medo de Minhyuk do que da Clave, e você sentiria o mesmo se fosse esperto — ele disse. — Ele teria encontrado o Cálice de qualquer jeito, com ou sem a minha ajuda.

 — E você não se importa com o fato de que ele vai utilizá-lo para matar crianças?

 Um espasmo passou pelo rosto de Daesung enquanto ele dava um passo para a frente; Taehyung viu alguma coisa brilhar nas mãos dele.

 — Isso tudo realmente importa tanto assim?

 — Como disse antes — Taehyung disse. — Não posso simplesmente largar tudo.

 — É uma pena — ele disse, e Taehyung o viu levantar o braço, e de repente se lembrou de Jungkook dizendo que a arma de Daesung era o chakram, os discos de arremessar. Taehyung se abaixou mesmo antes de ver o círculo brilhante de metal girar sonoramente em direção a ele; Daesung passou, assobiando, a centímetros do rosto dele e se enterrou na escada de metal à sua esquerda. Taehyung olhou para cima. Daesung continuava encarando-o, com o segundo disco de metal na mão direita.

 — Você ainda pode correr — ele disse. Instintivamente, Taehyung levantou as mãos, embora a lógica dissesse ao ômega que o disco simplesmente o cortaria em pedaços.

 — Daesung...

 Alguma coisa lançou-se violentamente na frente de Taehyung, algo grande, cinza-escuro e vivo. Ele ouviu Daesung soltar um grito de horror. Recuando de forma cambaleante, Taehyung viu a coisa com mais clareza enquanto esta saltava entre ele e Daesung. Era um lobo, de um metro e oitenta de altura, com a pelagem preta marcada por uma única listra cinza. Daesung, com o disco metálico na mão, estava tão branco quanto um osso.

 — Você — ele suspirou, e, espantado, Taehyung percebeu que Daesung estava falando com o lobo. — Pensei que você tinha fugido... Os lábios do lobo se contraíram, deixando os dentes à mostra, e Taehyung viu a língua vermelha do bicho. Os olhos se encheram de ódio ao avistarem Daesung, um ódio puro e humano.

 — Você veio atrás de mim ou do ômega? — indagou Daesung, com as têmporas suadas, mas a mão estava firme. O lobo foi em direção a ele, rosnando baixo. — Ainda há tempo — disse Daesung. — Minhyuk te aceitaria de volta...

 Com um uivo, o lobo atacou. Daesung gritou novamente, depois viu-se um flash prateado, e também um barulho horrível enquanto a chakram se enterrava na lateral do lobo. O animal empinou, e Taehyung viu a ponta do disco na pele do lobo, cheio de sangue, exatamente quando ele atingiu Daesung. Daesung gritou uma vez enquanto caía, as mandíbulas do lobo se fechando sobre o ombro dele. Sangue voou no ar como o spray de tinta de uma lata furada, respingando a parede de cimento de vermelho.

 O lobo levantou a cabeça do corpo do tutor e voltou o olhar cinzento e lupino para Taehyung, com os dentes pingando um líquido vermelho. Taehyung não gritou. Não tinha ar suficiente nos pulmões para que pudesse produzir algum barulho; Taehyung cambaleou e correu para a entrada do beco e para as familiares luzes de néon da rua, para a segurança do mundo real. Ele podia ouvir o lobo rosnando, podia sentir a respiração quente na parte de trás das pernas, expostas. Ele deu uma última guinada, lançando-se em direção à rua... As mandíbulas do lobo se fecharam na perna dele, puxando-o para trás. Antes de bater com a cabeça no pavimento, caindo na escuridão, Taehyung descobriu que tinha ar suficiente para gritar, afinal.

                                                                    -x-   

O som de água pingando a acordou. Lentamente, Taehyung abriu os olhos. Não tinha muito para ver. Ele estava deitado em uma cama baixa larga, no chão de um pequeno quarto com paredes sujas. Havia uma mesa apoiada em uma parede. Nela, havia um castiçal de aparência barata com uma vela vermelha que provia a única luz do quarto. O teto estava rachado e úmido, e a água corria pelas fissuras na pedra. Taehyung teve a vaga impressão de que alguma coisa estava faltando no quarto, mas essa preocupação logo perdeu espaço para o forte cheiro de cachorro molhado.

 Ele se sentou e imediatamente desejou não tê-lo feito. Uma dor quente passou por sua cabeça como uma lança, seguida por uma onda de náuseas. Se ele tivesse alguma coisa no estômago, teria vomitado. Havia um espelho sobre a cama, pendurado em um prego enterrado entre duas pedras. Taehyung olhou para ele e ficou chocado. Não era surpresa estar com o rosto dolorido — arranhões longos e paralelos estendiam-se do canto direito de seu olho até o limite da boca. A bochecha direita estava cheia de sangue, e havia sangue no pescoço e em toda a frente da blusa e do casaco.

 Um pânico súbito o invadiu, ele levou a mão ao bolso, e então relaxou. A estela ainda estava lá. Foi então que percebeu o que havia de estranho com o recinto. Uma das paredes era composta por barras: barras de ferro espesso que ia do chão até o teto. Ele estava em uma cela. Com as veias pulsando de adrenalina, Taehyung se levantou cambaleante. Uma onda de tontura se abateu sobre ele, que precisou se apoiar na mesa para não cair. Não vou desmaiar, ele disse a si mesmo. Em seguida ouviu passos. Alguém estava vindo pelo corredor do lado de fora da cela.

 Taehyung recuou em direção à mesa. Era um alfa. Ele trazia uma lâmpada, com luz mais brilhante do que vela, o que fez com que ela piscasse e o reduzia a uma sombra iluminada. O ômega viu altura, ombros largos, cabelos desgrenhados; somente quando ele empurrou a porta da cela e entrou foi que o Kim percebeu quem era. O alfa parecia o mesmo: jeans gastos, camisa jeans, botas de trabalho, cabelo desigual e o mesmo par de óculos na ponta do nariz. As cicatrizes que havia observado na lateral de sua garganta quando o vira pela última vez agora eram fragmentos brilhantes de pele em processo de cura. Siwon.

 Aquilo tudo era demais para Taehyung. Exaustão, falta de sono e de comida, pavor e perda de sangue, tudo isso a alcançou em uma onda só. Ele sentiu os joelhos tremerem enquanto caía ao chão. Em um segundo, Siwon atravessou a sala. Ele agiu tão rápido que o Kim não teve tempo de atingir o chão antes de ele segurá-lo, levantando-o do jeito que fazia quando ele era um garotinho. Siwon o ajeitou na cama e deu um passo para trás, com olhos ansiosos.

— Taehyung — disse Siwon, estendendo-se a ele. — Você está bem?

 Ele recuou, levantando as mãos para afastá-lo.

 — Não toque em mim.

 Uma expressão de dor profunda cruzou o rosto dele. Cansado, Siwon passou a mão na testa.

 — Acho que mereço isso.

 — É verdade. Merece.

 A expressão no rosto de Siwon era perturbada.

 — Não espero que confie em mim...

 — Ótimo. Pois não confio.

 — Taehyung... — ele começou a andar de um lado para o outro na cela. — O que eu fiz... não espero que você entenda. Sei que você acha que te abandonei...

 — Mas você me abandonou mesmo — Taehyung disse. — Você disse para nunca mais te ligar. Você nunca se importou comigo. Nunca se importou com a minha mãe. Mentiu sobre tudo.

 — Não sobre tudo — ele disse.

 — Então seu nome realmente é Choi Siwon?

 Os ombros dele relaxaram perceptivelmente.

 — Não — Siwon disse, em seguida olhou para baixo. Uma linha vermelha estava se espalhando na frente da blusa jeans azul dele. Taehyung sentou ereto.

 — Isso é sangue? — Taehyung perguntou. Esqueceu de ficar furioso por um instante.

 — É — disse Siwon, com as mãos nas laterais do corpo. — A ferida deve ter aberto quando te levantei.

 — Que ferida? — Taehyung não pôde deixar de perguntar. Ele, então, respondeu:

 — Os discos de Daesung ainda são afiados, apesar de o braço dele não ser mais o mesmo. Acho que ele pode ter fraturado uma costela.

 — Daesung? — disse Taehyung. — Quando você...?

 Siwon olhou para ele, sem dizer nada, e Taehyung de repente se lembrou do lobo no beco, todo preto, exceto por uma linha cinza na lateral, e ele se lembrou do disco que o atingiu, então percebeu.

 — Você é um lobisomem.

 Siwon afastou a mão da camisa; os dedos estavam manchados de branco.

 — Sim — ele confimou, lacônico. Ele foi até a parede e a arranhou com força: uma, duas, três vezes. Em seguida virou novamente para Kim. — Sou.

 — Você matou Daesung — Taehyung disse, lembrando-se.

 — Não — ele balançou a cabeça. — Eu o machuquei bastante, eu acho, mas quando voltei para pegar o corpo, não estava mais lá. Ele deve ter fugido.

 — Você atacou o ombro dele — Taehyung disse. — Eu vi.

 — Sim. Mas vale a pena observar que ele estava tentando te matar. Ele machucou mais alguém?

 Taehyung mordeu o lábio. Ele sentiu gosto de sangue, mas era sangue velho de onde Dahyun a havia atacado.

 — Jungkook — Taehyung disse em um sussurro. — Daesung o nocauteou e o entregou... a Minhyuk.

 — A Minhyuk? — perguntou Siwon, abismado. — Eu sabia que Daesung tinha dado o Cálice Mortal a Minhyuk, mas não sabia...

 — Como você sabia disso? — começou Taehyung, antes de se lembrar. — Você me ouviu conversando com ele no beco — ele disse. — Antes de pular em cima dele.

 — Eu pulei em cima dele, como você mesmo disse, porque ele estava prestes a arrancar sua cabeça — disse Siwon, em seguida olhou para cima enquanto a porta da cela se abria novamente e um alfa entrava, seguido por uma mulher ômega pequena, tão baixa que parecia uma criança. Ambos vestiam roupas simples e casuais: jeans e camisetas de algodão, e ambos tinham o mesmo penteado desarrumado, embora os cabelos da ômega fossem claros e os do alfa, grisalhos. Os dois tinham o mesmo rosto jovem-velho, sem rugas, mas com olhos cansados.

 — Taehyung — disse Siwon —, estes são meu número dois e número três, Seohyun e Yesung. Yesung inclinou a enorme cabeça para Taehyung.

 — Nós nos conhecemos.

 Taehyung o encarou, alarmado.

 — Conhecemos?

 — No Hotel Dumort — ele disse. — Você pôs uma faca nas minhas costelas.

 Taehyung se encolheu contra a parede.

 — Eu... Eu sinto muito...

 — Não sinta — ele disse. — Foi um arremesso excelente. — Ele pôs a mão no bolso do peito e pegou a adaga de Jungkook, dando uma piscadela com o olho vermelho. Ele a estendeu para o Kim. — Acho que isso é seu!

 Taehyung olhou fixamente.

 — Mas...

 — Não se preocupe. — Ele o tranquilizou. — Eu limpei a lâmina.

 Sem palavras, Taehyung pegou a adaga. Siwon estava rindo consigo mesmo.

 — Pensando bem — ele disse —, talvez a incursão no Dumort não tenha sido tão bem planejada quanto poderia ter sido. Eu havia separado um grupo dos meus lobos para observá-lo, e irem atrás de você se você corresse algum perigo. Quando você entrou no Dumort...

 — Eu e Jungkook poderíamos ter dado conta do recado — Taehyung pôs a adaga no cinto.

Seohyun sorriu para ele de forma tolerante.

 — Foi para isso que nos chamou, senhor?

 — Não — disse Siwon. Ele tocou o lado do corpo. — Minha ferida se abriu, e Taehyung está com alguns ferimentos que também demandam alguns cuidados. Se você não se importar em buscar o material...

 Seohyun inclinou a cabeça.

 — Já volto com o kit de primeiros socorros — ela disse, e saiu, Yesung a seguiu como se fosse uma sombra gigante.

 — Ela te chamou de “senhor” — disse Taehyung, assim que a porta da cela se fechou atrás deles. — E o que você quer dizer com número dois e número três? Dois e três em quê?

 — No comando — Siwon disse lentamente. — Sou o líder deste bando. É por isso que Seohyun me chamou de “senhor”. Pode acreditar, tive muito trabalho para fazer com que ela parasse de me chamar de “mestre”.

 — Minha mãe sabia?

 — Sabia o quê?

 — Que você é um lobisomem?

 — Sim. Ela sabe desde que aconteceu.

 — Nenhum de vocês dois, é claro, pensou em mencionar nada para mim.

 — Eu teria contado — disse Siwon. — Mas sua mãe estava decidida a não deixar que você soubesse nada sobre os Caçadores de Sombras ou sobre o Mundo de Sombras. Eu não poderia explicar o fato de ser um lobisomem como um evento isolado, Taehyung. Tudo faz parte da situação maior que sua mãe não queria que você soubesse. Não sei o que você já sabe...

 — Muita coisa — Taehyung disse secamente. — Sei que minha mãe era uma Caçadora de Sombras. Sei que foi casada com Minhyuk e roubou dele o Cálice Mortal, e se refugiou. Sei que, depois que me teve, ela me levou a Kim Seokjin a cada dois anos para tirar a minha Visão. Sei que, quando Minhyuk tentou te convencer a contar para ele onde estava o Cálice Mortal em troca da vida da minha mãe, você disse que não se importava com ela.

 Siwon olhou fixamente para a parede.

 — Eu não sabia onde o Cálice estava — ele disse. — Ela nunca me contou.

 — Você poderia ter tentado negociar...

 — Minhyuk não negocia. Nunca negociou. Se a vantagem não for dele, ele nem conversa. Ele é inteiramente egoísta e não tem a menor compaixão, e apesar de ter amado a sua mãe um dia, não hesitaria em matá-la. Não, eu não iria negociar com Minhyuk.

 — Então você simplesmente decidiu abandoná-la? — Taehyung perguntou furiosamente. — Você é o líder de um bando inteiro de lobisomens e simplesmente decidiu que ela não precisava da sua ajuda? Sabe, já era ruim quando eu pensava que você fosse outro Caçador de Sombras que tinha virado as costas para ela por causa de algum juramento estúpido de Caçador de Sombras, mas agora sei que você não passa de mais um membro lodoso do Submundo que sequer se importou com o fato de que durante todos aqueles anos ela te tratou como um amigo, como um semelhante, e é assim que você retribui!

 — Ouça só você — Siwon disse silenciosamente. — Você soa como um Park.

 Taehyung franziu os olhos.

 — Não fale de Namjoon e Jimin como se os conhecesse.

 — Estava falando dos pais deles — disse Siwon. — A quem conheci, muito bem, por sinal, quando todos nós éramos Caçadores de Sombras.

 Taehyung sentiu os lábios se partirem em uma reação de surpreso.

 — Eu sabia que você era do Ciclo, mas como conseguiu impedi-los de descobrir que você era um lobisomem? Eles não sabiam?

 — Não — disse Siwon. — Porque eu não nasci um lobisomem. Fui transformado em um. E sei que, se você se dispuser a ouvir alguma coisa que eu tenha a dizer, terá que ouvir a história inteira. É longa, mas acho que temos tempo.



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