História Shadows of Lust - Capítulo 12


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Categorias League Of Legends (LOL)
Personagens Kayn, Zed
Tags Kayn, Kayn X Zed, Lemon, Lol, Yaoi, Zed, Zed X Kayn
Visualizações 124
Palavras 3.327
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


opaa
não sei dizer se demorei ou não, mas mano, eu havia decidido o futuro de Yuro desde o momento que ele apareceu, mas agora tô na dúvida kadhjahs

enfim, boa leitura <3

Capítulo 12 - Humilhante súplica


A primeira coisa que Shieda Kayn fez ao chegar à base foi procurar por Zed. Seu peito estava apertado com a ideia de encontrá-lo, e ficou surpreso ao perceber o quão acostumado ficou com sua presença à ponto de sentir tanta falta dele.

Foram parados algumas vezes por pessoas perguntando sobre suas identidades. Um tal tenente Dank os indicou uma tenda enorme específica para soldados. Disse algo que somente patentes altas possuíam tendas próprias.

— O Mestre está lá? — Yuro questionou, sabendo que Kayn gostaria de encontrá-lo.

— Quem seria este? — O tenente questionou.

— Zed. — Kayn bufou. — Quem mais?

— À primeira vista pensei que falavam de Mestre Shen.

O queixo de Kayn caiu.

— Ele está aqui?!

É claro que está. Que sentido teria Shen ter os convocado para ficar na Ordem Kinkou, bebendo um chá de sakura? Kayn quis se jogar contra uma pedra.

— Está. — O mal humor de tenente Dank estava visível. — Zed deixou claro que não gostaria de falar com ninguém a menos que ele peça.

— Então diga-o que retornamos, por favor. — Yuro pediu.

— Eu tenho cara de mensageiro? Tenho coisas a fazer.

— Enfia no cu, então. Eu mesmo o encontro. — Kayn desviou-se do tenente, mas ele segurou seu pulso. Sentiu nojo e fez o possível para sair de seu aperto.

— Quem lhe deu tal liberdade? As ordens são…

— Eu não ligo para as suas ordens. Quero ver Zed. Agora.

Tenente Dank revirou os olhos, dando de ombros. Seus lábios sopraram um xingamento qualquer enquanto afastava-se, irritado com o comportamento do cara da trança longa.

— Você já considerou a ideia de ser um pouco mais educado? — Yuro perguntou cuidadosamente.

— Educação nunca encheu minha barriga em Noxus.

— Mas educação talvez lhe ajudasse a encontrar o Mestre.

— Está afiado hoje, Yuro. — comentou Kayn, dirigindo-lhe um sorriso perverso. — Será que eu acabei o corrompendo? Nunca irei me perdoar se tiver.

Yuro mordeu o lábio, querendo expor todos os estragos que Kayn havia feito com ele. Mais no seu coração do que na sua cabeça.

— Quer ajuda para encontrar o Mestre?

— Precisa não, eu me viro.

Kayn deu um leve tapa no ombro do ruivo, mostrando um sorriso verdadeiro, sem segundas intenções. Deixou-o sozinho e entregou-se à tarefa de encontrar Zed.

O acampamento era formado por tendas não tão organizadas, e no centro havia algumas mesas improvisadas e vários troncos que serviam de bancos. Pessoas armadas ou não andavam por aí às pressas. Escudeiros poliam armas e guerreiros cortavam o ar com seus armamentos variados.

Kayn desviou das pessoas e das mesas, observando as tendas e perguntando-se em qual delas estaria Zed. Parou uma moça baixa, com no máximo 16 anos, e perguntou-lhe sobre ele.

— Zed? — Ela pareceu pensar. — Sinto muito, sou apenas uma escudeira. Não ouvi nada à respeito.

— E qual seria seu nome, escudeira?

A garota sorriu, tocando os próprios fios loiros.

— Anne Koizumi. Estou aqui pelo meu pai, que é guerreiro.

Kayn sentiu-se intrigado pela jovem. Possuía uma beleza que ainda tinha muito para desabrochar. Os cabelos loiros e curtos emolduravam um rosto branco com as bochechas queimadas pelo sol. Viraria uma mulher linda.

— Não é um lugar agradável para uma dama tão delicada.

Ela corou, virando o rosto.

— O-obrigada.

Kayn sentiu vontade de provocá-la mais, mas Anne era jovem demais. Sentia-se um pouco culpado. Resolveu bater de tenda em tenda, o que logo provou-se ser uma péssima ideia. Figurões mal encarados levantavam o pano com carrancas expressivas, e o noxiano nada dizia e virava as costas.

Até que uma mulher de pele morena fitou-o com olhos verdes brilhantes. Kayn engoliu em seco. Parecia ser mais gentil que os outros, logo questionou:

— Sabe onde está Zed?

— Na última tenda, à direita. — Possuía uma voz melodiosa.

— Quem é você?

A mulher ergueu uma sobrancelha, como se achasse incrível o simples fato de Kayn não a conhecer. Já ele procurou em sua memória algo sobre uma mulher de pele morena, cabelos negros, curtos e espetados e que vestisse belas vestes.

— Karma, Anciã de Ionia.

— Ah, claro. Ei, posso fazer uma pergunta?

Ela cruzou os braços, esperando.

— Então, andando por aí reconheci uns rostos famosos. Tipo, encontrei uma garota bonitinha, mas também dei de cara com uma outra que parecia totalmente mal-humorada. Tinha tatuagens.

— Akali.

Kayn deu de ombros.

— Deve ser essa aí. Mas eu tenho só um admirador que eu gostaria de conhecer. Lee Sin está aqui?

Karma não respondeu-lhe, considerou desnecessário. Deu-lhe as costas e entrou na tenda.

— Ignorante. — Kayn retrucou, seguindo para a tenda de Zed.

Na verdade, não estava nem aí para quem estava no acampamento ou não. Karma exalava uma forte presença, tanto que Kayn sentiu-se tentado a prolongar a conversa. Mas estava aliviado por ela tê-lo ignorado. Precisava vê-lo.

Fitou a tenda fechada por longos segundos antes de entrar. Encarou Rhaast, que devolveu o olhar.

Está esperando o quê?

Kayn pôde ouvir sua voz dentro de sua cabeça. Ele falava assim apenas quando queria discrição, e ele respeitou isso. Fechou os olhos e respirou fundo.

Ao entrar, Kayn deixou Rhaast sobre o gramado fofo, num canto. Seus olhos logo localizaram Zed, deitado num futon no chão. Estava sem armadura e sua respiração era calma e tão lenta que quase lhe confundiu com a própria morte.

Seu coração acelerou. Aproximou-se dele e agachou-se. Os fios brancos de Zed caíam sem ordem pelo rosto firme e de feições atraentes. Kayn riu de lado. A face dele parecia bem mais agradável sem as sobrancelhas franzidas no clássico mal-humor dele.

Ergueu a mão para tirar uma mecha branca que cobria seu olho mas, antes que pudesse chegar a tocá-lo, Zed agarrou seu pulso de repente, abrindo os olhos escarlates. Kayn sobressaltou-se, assustado.

— O que pensa que está fazendo?

— Tocando você, ué. — Kayn deu de ombros, sentindo as bochechas queimarem por ter sido pego em uma situação tão constrangedora.

Zed mexeu-se, sentando-se no futon.

— Deu tudo certo?

— Sim, deixamos Jame e Jamine aos cuidados de Rakan.

O nome mencionado fez uma leve tensão brilhar nos olhos de Zed, mas que ele logo disfarçou olhando os cabelos despenteados de Kayn, presos à uma trança que se desmanchava.

— Aliás, fiquei sabendo que você foi meter o bico com os vastayas e acabou levando um pau. Deve ser por isso que não gosta de Ahri.

Zed sentiu vontade de arrancar aquele sorrisinho provocativo dos lábios de Kayn à força.

— Isso não é da sua conta.

— Quem diria, huh? Queria ter visto. Eu ia rir tanto da sua cara.

Zed puxou Kayn até que ele deitasse no colchão, prensando-o contra. O moreno precisou de alguns segundos para se recompor, surpreso com o ato inesperado.

— Você sabe ser bem irritante quando quer, Shieda Kayn.

— Fico agraciado pelo seu elogio. — Disse, tentando lembrar-se de algumas palavras que aprendeu com Yuro.

Zed olhou fundo nos olhos vermelho e dourado de Kayn. Não percebeu ou, talvez, não quis perceber, mas estava aliviado em ver aquele rostinho bonito de novo. Os lábios rosados, os olhos intensos, a mandíbula bem desenhada e os enormes fios que Zed tanto gostava. Gostava secretamente, claro.

— Por que está me olhando assim?

— Estou feliz em ver que você está bem.

O mundo perdeu o chão para Kayn. Achava conhecer bem Zed, e pelo que conhecia ele era do tipo que não demonstrava afeto em hipótese alguma. Que diabos ele acabou de falar agora, sem avisos prévios? Sem nem ao menos mostrar uma carranca que fizesse-o parecer que tinha se arrependido de ter dito aquilo?

O ninja estava com o rosto neutro, e somente os olhos escarlates se sobressaiam diante da escuridão da tenda. Kayn não resistiu. Circulou seu pescoço com as mãos e puxou-o para um abraço desajeitado. Zed apoiou um dos antebraços no chão e com a outra mão segurou a cintura de Kayn, correspondendo ao seu abraço.

— Seu cabelo está cheiroso. — Zed comentou, estranhando. — Achei que voltaria fedendo feito um porco.

— Yuro sugeriu um banho num lago horas antes de chegarmos aqui. Ele preparou um treco amassando umas flores que encontrou no caminho. Disse que poderia servir como sabonete e condicionador.

— Seu cabelo está bagunçado do mesmo jeito.

— Ei! É difícil fazer trança no cabelo enquanto anda.

Zed voltou a ficar ereto, puxando o moreno consigo. O fez sentar-se de costas e desmanchou lentamente sua trança. Kayn fechou os olhos, deliciando-se na carícia delicada. Era inacreditável que as mesmas mãos que já ceifaram inúmeras vidas também pudessem ser leves feito plumas. As mãos que manejam armamentos dos mais diversos com habilidade eram as mesmas que alisavam seus fios agora.

Zed passeou os dedos pelo cabelo de Kayn até este estar completamente liso. Cessou os movimentos em silêncio, e Kayn virou-se para ele. A franja azulada caiu sobre um par de olhos serenos, sem a malícia que tanto se fazia aparecer.

Não houve palavras, e não precisou. Zed inclinou-se para beijar os lábios de Kayn. Não fazia ideia do quanto necessitava daquilo. Trocaram alguns selinhos antes de aprofundarem o ósculo, numa dança lenta das línguas em uma missão de explorar o desconhecido. Sem pressa, sem rivalidade, apenas uma saudade silenciosa que apertava o peito de ambos. Finalizaram o beijo com outra série de selinhos.

— Uau. — Kayn sussurrou, levemente ofegante.

Zed deitou-se, puxando-o consigo.

— Ei, o que tá fazendo?

— Eu quero dormir. — Zed murmurou.

— Espera, você quer que eu durma contigo?

— Uhum. — Um ronronar preguiçoso saiu dos lábios do ninja.

Kayn sorriu.

— E se nos flagrarem?

— Fecha o bico, Kayn.

Aquele aconchego era reconfortante, e não demorou até que todo o cansaço da longa viagem pesasse sobre seus ombros. Kayn fechou os olhos. Não poderia estar em um lugar melhor.

A batalha estava próxima, seus inimigos em breve brandiriam suas espadas contra Ionia e esta era a oportunidade perfeita para que pudesse se vingar. Mas, rodeado pelos braços de Zed, sentiu preguiça do combate. Só de sentir esse ódio em seu coração, sentia preguiça e desânimo.

Qual o propósito da vingança? De que vai adiantar se matá-los? Será que Yuro estava certo? Ele disse a verdade sobre já ter sentido o mesmo?

Imaginar Yuro cheio de ódio e com sede de vingança era surreal, mal cabia na personalidade calma e gentil dele. Por que Yuro desistiu de tudo ao entrar para a Ordem das Sombras? O que o fez mudar? Kayn mal conseguia dormir pensando nisso.

Ajeitou-se, ficando agora de frente para Zed. A diferença de altura o fez ter que ficar de cara com seu pescoço, mas não se importou. O cheiro era ótimo. Amava aquele cheiro tanto quanto amava aquele aconchego. Tanto quanto amava Zed.

Pensar nisso assustou levemente Kayn, mas ele apenas soltou um sorriso triste e entregou-se ao sono.


***


Foi acordado cedo. Zed encontrava-se de armadura e disse-lhe para preparar-se para o treino matinal.

Bocejando, Kayn vestiu-se e arrumou os fios em um rabo de cavalo rápido. Rhaast lhe cumprimentou com um olhar furioso, mas o noxiano fez questão de ignorar. Estava sem saco para aguentar o drama da foice logo de manhã.

Pensou que o treino seria somente entre ele e Zed, mas deparou-se com todos os outros discípulos juntos. Afastaram-se para a extremidade direita do acampamento, onde não tinha tanto movimento, e Zed liderou o treinamento.

Yuro lhe cumprimentou com um sorriso afável, e Kayn respondeu-lhe com um aceno preguiçoso enquanto esfregava o olho.

O treinamento foi puxado e cheio de conceitos. Zed ignorou todo o protocolo de sigilo e silêncio, dignos de assassinos que atacam no escuro, e trocou por técnicas em campo de batalha. Coisas que seus discípulos não foram ensinados pelo simples fato de não serem guerreiros, mas sim, ladinos.

Ao término do treino, foram almoçar. Todos os soldados estavam reunidos no campo central, ocupando mesas e bancos improvisados enquanto comiam uma espécie de sopa verde que possuía ingredientes duvidosos. Kayn torceu o nariz diante do cheiro forte, mas comeu, faminto.

— Isso está ótimo. — elogiou Yuro. — Apesar da apresentação nada agradável, o sabor compensa qualquer tipo de primeira impressão.

Kayn deu de ombros.

— Já comi coisa melhor.

— Você sabe cozinhar?

— Não. Zed sabe.

— Meu Deus! — Yuro gargalhou. — Não consigo imaginar o Mestre cozinhando!

— Vocês tratam ele como uma divindade, é bizarro.

Antes que Yuro pudesse responder, um soldado berrou, alarmado, sobre navios na água. Kayn levantou-se, apertando os olhos para o mar. Havia inúmeros pontinhos pretos ofuscados pelo sol, mas ele pôde reconhecê-los. Não tinha como se enganar.

— São eles.

— Malditos! — Tenente Dank berrou, batendo o prato de sopa na mesa, derramando todo o conteúdo. — Malditos noxianos mentirosos!

A ordem seguinte foi para que se preparassem e se organizassem em fila em menos de 10 minutos. Todo o acampamento tornou-se o próprio caos com soldados berrando com os escudeiros, som de metal batendo e bate-boca sem fim.

Kayn não moveu-se, continuou a comer. Rhaast estava ao seu lado e era somente dele que precisava. No meio da correria, pôde ver a mulher que encontrou mais cedo andando calmamente até o centro do acampamento. Karma estava acompanhando outra mulher mais alta e com uma beleza admirável.

Yuro o puxou para a fila, organizada em muitas colunas perfeitamente montadas.

Zed foi parar na frente da fileira, ao lado de Karma e a mulher morena, junto de Tenente Dank e outros superiores.

— Guerreiros ionianos. — A mulher disse. Seu tom era de superioridade e poder. — Eu sou a Alta Comandante das Forças Ionianas, Irelia, e vos convoco para uma batalha que, admito, não será fácil. Nossos inimigos vieram semanas mais cedo, esperando pegar-nos desprevenidos, mas a verdade é que estávamos preparados para isso desde que nos alistamos para o exército. Muitos de nós não voltaremos para o acampamento hoje. Muitos de nós não veremos mais nossa família.

Irelia fez uma pausa, percorrendo os olhos azuis pelos soldados à disposição. Kayn estava incomodado. Algo que sempre pensou, mas tentou ignorar, e que estava quase o deixando sem fôlego.

— Mas, lembrem-se, a vida que vocês estão abrindo mão aqui será a vida de seus filhos, de seus netos e de todos os ionianos que estarão protegendo. Eles estão confiando em nós, não vamos desapontá-los. É só.

Gritos de guerra puderam ser ouvidos de longe, mas Kayn não estava satisfeito. Tomou a dianteira e andou a passos firmes para frente. Yuro quase surtou quando viu Kayn aproximar-se com semblante sério de Irelia.

Kayn pôde sentir os olhares confusos e, principalmente, o olhar furioso de Zed. Mas não ligou.

— Com licença, comandante Irelia. Eu gostaria de dizer algo.

— Acredito que nossos guerreiros já saibam o suficiente, renegado.

Kayn ignorou totalmente a mulher, virando-se para os homens.

— Meu nome é Shieda Kayn. E sou noxiano.

Arquejos de surpresa puderam ser ouvidos, e logo após isso os gritos furiosos começaram.

— Um noxiano!

— É nosso inimigo! O que diabos faz aqui?!

Kayn esperou pacientemente o barulho cessar, e teve de agradecer mentalmente Karma que estendeu a mão para os soldados que puxaram a espada e tencionavam avançar.

— Talvez vocês não saibam, mas Noxus recruta crianças para morrerem na frente de batalha. E eu era uma dessas crianças. Fui colocado lá para morrer, sem nem saber o que eu fazia ali. Vi muitos meninos que não chegaram nem aos 10 anos morrerem. E é injusto, porque não é a luta deles. Eu não gostava de lutar lá, mas sobrevivi durante anos, até este ano, quando enfim fugi. Fui encontrado por Zed que teve a decência de me dar uma segunda chance. Uma oportunidade para me redimir e então lutar por um país que amo, por livre e espontânea vontade.

Kayn deu uma rápida olhadela para Zed, que não exibiu gesto algum. O moreno suspirou. Ajoelhou-se e levou a cabeça ao chão, apoiando sobre as mãos juntas. Todo mundo, inclusive Zed, mostraram-se surpresos diante o gesto de súplica tão raramente usado.

— Por favor, eu imploro, poupem as crianças. Me punam o quanto quiserem, mas não há motivos para que elas sejam mortas assim.

Algumas risadas se foram ouvidas.

— Como ele quer que poupemos crianças? Eu nem vejo quem ataco no campo de batalha. — Um disse, revirando os olhos.

Comentários do tipo foram ouvidos por todo canto, até que Yuro se infiltrou na multidão e correu até Kayn. Pensou em levantá-lo e puxá-lo para longe, mas sabia o quanto aquilo significava para ele.

Shieda Kayn fizera parte daquilo, e agora sentia que carregava todo o fardo da vida daquelas crianças sob os ombros. Seu coração apertou. Mostrou um olhar de condolência para Irelia, que o olhou em desafio. Yuro não conseguiu definir o que a comandante estava pensando, mas resolveu deixar isso de lado.

Curvou-se ao lado de Kayn.

Ele abriu os olhos e o olhou discretamente, sorrindo.

— Valeu. — Sussurrou-lhe.

— Não podia te deixar sozinho nessa.

A felicidade não durou tanto, já que Irelia puxou o rabo de cavalo de Kayn com violência, erguendo-o à força.

— Eu não lhe dei permissão para sair de sua posição, noxiano.

— Eu não ligo, só…

— Nós não vamos fazer ninguém hesitar diante do inimigo, seja ele criança ou não.

Aquilo despedaçou as pequenas esperanças de Kayn.

— Por favor, se nós atacá-las faremos exatamente o que Noxus quer!

— Não ligo para crianças com sangue noxiano.

— Mas são apenas crianças!

— Você prefere salvar crianças ionianas ou noxianas? — Irelia ergueu o tom de voz

— Eu prefiro salvar quem precisa ser salvo! — Kayn gritou.

Fez-se um rápido silêncio.

— Sejam noxianos, ionianos, demacianos ou até mesmo alienígenas. Eu vou preferir salvar todos que precisam e querem ser salvos. Julgar alguém só pelo fato de ela ter nascido no país errado é hipocrisia. Eu sou noxiano, e daí? Vou sair matando todo mundo aqui?

Irelia ficou sem palavras, tentou se recompor o mais rápido possível, mas Kayn não lhe deu tempo:

— Eu nasci em Noxus, comandante. E posso lhe garantir: há pessoas que querem paz. Mulheres, homens, crianças. Gente como nós, que morrem de fome e lutam para sustentar a própria família. O mundo já tem caos demais, não há porque continuarmos isso assassinando a sangue frio crianças que perderam tudo desde cedo. Castigue-me pela minha desobediência, que seja, eu não ligo, mas eu imploro. Por favor.

Um estalo cortou o ar. Kayn sentiu lágrimas formarem-se em seus olhos pelo tapa dolorido. Era vergonhoso ser humilhado daquela forma na frente de todo mundo, mas cerrou os punhos. Rhaast vibrou no chão à poucos metros de distância, gargalhando.

— Eu não sei direito o que você pensa que vai conseguir desse jeito, renegado, você não tem moral alguma para tomar minha palavra e discutir comigo. — Irelia fez uma pausa. — Muito menos você, garoto.

Yuro virou o rosto, nunca fora fã de público.

Karma aproximou-se de Irelia, sussurrando em seu ouvido. Os olhos verdes da morena percorreram Kayn e ele não conseguiu identificar seu significado.

— Para os seus lugares. — Irelia ordenou.

Kayn e Yuro se entreolharam, hesitando, mas voltaram para a fila. Alguns homens olharam Kayn com ódio, outros, mais compreensivos, deram discretos tapinhas de apoio em seu ombro.

— À todos os guerreiros ionianos, em nome da honra e da misericórdia de Ionia, eu ordeno que poupem as crianças noxianas. Desarmem, impossibilitem, se possível diga para correrem para nossa base. Mas evitem matá-las o máximo possível.

Surpresa era o que tomou todo o exército. Karma acenou com a cabeça para Kayn, e ele sentiu vontade de correr para abraçá-la. Algumas reclamações se foram ouvidas, os soldados sussurravam uns para os outros, mas logo cessaram quando Irelia deu as costas, encerrando o discurso.

Por debaixo da máscara de metal, Zed soltou um sorriso orgulhoso.






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