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História Shangri-La - Capítulo 36


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Capítulo 36 - Atípico


Shangri-La

Capítulo 36 — Atípico

            Na noite do mesmo dia do ataque da hidra, HongBin esperava Ravi com o relatório — que havia escapado do hospital para contar ao rei o resultado de sua investigação. O monarca estava na estufa, sentado num banco acolchoado enquanto mexia no celular, o que era uma surpresa pois ultimamente não tinha tempo para isso.

            WonSik estava vindo, com suas roupas normais, acompanhado de Luna, que vestia um vestido branco. Ele carregava em suas mãos alguns papéis, que correspondiam aos meses de investigação que o próprio fizera.

            O rei desviou a atenção da tela do aparelho para ver a dupla chegar, estranhando os dois juntos conversando como se conhecessem um ao outro a anos. Arqueou uma sobrancelha e Ravi percebeu, o que gerou um curto riso de sua parte.

            — Que inesperado. — Disse quando eles chegaram perto. Guardou o celular no bolso da calça de linho e cruzou os braços, observando a dupla.

            — Eu nunca conseguiria investigar os funcionários do castelo sem ter alguém de dentro. — Deu de ombros e entregou os documentos ao outro. — Assim como você suspeitava, ao todo, existem três motivos de diferentes situações que queriam a rainha morta e um atípico que nós não conseguimos descobrir o porquê. Os NAZI, a facção do Sudão, por motivos óbvios, a foice, o pai dela e por fim, e o que eu menos esperava, o clã Jung.

            — Jung KwangSu? — O rei levantou, surpreso pela afirmação.

            — Sim. Golpe de estado, querem uma república. O sistema que nós adotamos meio que quebrou todo o negócio deles porque com a estatização da saúde não sobrou espaço para a rede de hospitais deles. — Ravi explicou com os olhos fechado, enquanto balançava o corpo para frente e para trás.

            — E o atípico?

            Luna e Ravi se entreolharam, numa conversa de olhares que os próprios haviam criado devido ao tempo que passaram juntos. “Conta você, eu sou só uma dama”. Disse ela e o outro suspirou.

            — É o irmão do JunMyeon. — Falou baixo, com a cabeça abaixada.

            Foram dois longos minutos de silêncio. Tortuosos para todas as partes. HongBin não conseguiria fazer nada contra JunHoe em respeito à família de seu amigo. Ravi conhecia o ministro a muito tempo e Luna, que se aproximou dele por conveniência para descobrir sobre seu irmão, havia se afeiçoado pelo jeito doce do homem.

            A verdade é que haviam poucas pessoas com o poder que JunHoe possuía. O general checou uma por uma, para não cometer algum erro, mas ele era o único que estava no país, apesar de não ter um motivo concreto.

            — Continuem investigando para descobrir o motivo, se não, não conseguiremos uma condenação. Ele pode até ser irmão de um ministro, mas fez algo errado e muito grave. — Disse por fim em um suspiro que demonstrava seu cansaço. — Essa investigação ainda ficará entre nós. Revelarei no momento certo.

            — Sim, majestade. — Ambos disseram e após fazerem uma reverência, saíram conversando sobre algo que preferiu não dar atenção.

            Pegou o celular no bolso e viu que havia chegado uma mensagem de Lilian, perguntando onde estava. Levantou do banco com os papeis em mãos e teleportou-se para o quarto, ao lado da cama.

            Lilian segurava o celular enquanto ainda estava sentada na cama. A luz azul iluminava a face sonolenta dela — estava com os olhos levemente fechados e tinha uma expressão confusa. Ele riu e guardou o documento dentro da gaveta, sorrindo na escuridão ao perceber que ela havia acordado por causa da sua falta ao seu lado.

            — Tive que resolver algo, então dei uma saída rápida. Pensei que não acordaria. — Disse baixinho, dando um selinho na namorada. — Vou me trocar, pode voltar a dormir.

            Recebeu sons impossíveis de serem interpretados como resposta e ela se deitou novamente. HongBin trocou a calça de linho por um moletom preto e voltou para a cama, deitou-se e Lilian logo veio ao seu encontro para abraça-lo. Descobriu que ela tinha a mania de dormir encolhida, sempre próxima a algo.

            Passou os braços pelas costas dela e a puxou para perto. Beijou-lhe no topo de sua cabeça e fechou os olhos, adormecendo em seguida.

-X-

            Sun Young desceu as escadas da casa de Ravi ainda um pouco sonolenta. Pegou todos os ingredientes para fazer o café da manhã. Fez café, panquecas e cortou algumas frutas.

            Pegou a comida do Bunda — cachorro do dono da casa — e a colocou no potinho de comida, depois trocou a água. Enquanto WonSik não recebia alta do hospital, ela estava cuidando da casa e do cachorro.

            Sentou na cadeira e começou a comer suas panquecas com café enquanto assistia o episódio do dorama que estava acompanhando pelo celular.

            — Ravi o que foi que aconteceu... — Kai parou de falar assim que percebeu que não era o seu amigo que estava ali. — Aqui? — Completou enquanto engolia a sua saliva

            Luna parou o que estava fazendo para olhar para o homem parado a sua frente. Respirou fundo e engoliu a comida que tinha na boca.

            — Eu que deveria perguntar isso. — Rebateu e suspirou. — Vai fugir de novo ou vai me explicar o que está acontecendo? — Cruzou os braços, sem desviar o olhar. — Eu tentei falar com você em Atlântida, mas você sumiu antes que eu pudesse falar qualquer coisa.

            — Eu posso voltar para o meu país a qualquer momento. — Rebateu, apontando para a direção que o norte ficava.

            — Mas ainda está aqui. — Apontou a faca que tinha em mão na direção dele e riu. — Fala logo, garoto. — Suspirou, desistindo de utilizar a linguagem formal com ele.

            — Calma... — Kai disse e se sentou na cadeira que ficava a frente dela. — Por que está falando informalmente comigo? — Utilizou o tom informal e Luna revirou os olhos.

            — Por que eu sou mais velha que você. — Respondeu e voltou a comer. O outro pareceu desconfiar e ela engoliu o que tinha na boca e depois suspirou. — Eu tenho vinte e seis anos.

            — Desculpe-me. — Voltou a falar formalmente e abaixou a cabeça em respeito. — Nem parece. — Comentou divertido e sorriu para ela.

            — Está desviando do assunto.

            — Tem razão, me desculpe. Mas promete que vai guardar segredo das minhas visitas? Aí posso te contar tudo. — Estendeu o braço, sugerindo fazer uma promessa. Ela deu de ombros e aceitou o contrato, prometendo manter segredo da identidade dele. — Foi durante a guerra, nós estávamos para morrer, mas nós ajudamos e começamos a conversar enquanto esperávamos ajuda, então viramos amigos após esse episódio. Apesar de não parecer, ele tem um coração meloso.

            — Eu sei. Mas mesmo sem a promessa eu nunca iria entregar vocês, eu devo muito ao Ravi, mesmo que tenha horas em que eu quero dar um soco na cara dele.

            — Mas qual o seu relacionamento com ele? Até hoje não entendi. — Debruçou-se em cima da mesa, como se fosse ouvir um segredo. Sun Young riu, apesar de serem inimigos, tinha que admitir que ele era uma graça.

            — Ele me ajudou com meus poderes e nós trabalhamos juntos em algumas investigações. Nada demais. — Empurrou o prato para o lado e olhou para suas mãos, lembrando-se quando se beijaram por puro capricho, sentindo um pouco de vergonha.

            — Vocês são amigos então? — Questionou, ainda não havia entendido.

            — Sim, de certa forma. — Deu de ombros e olhou para os olhos castanhos dele. — Me chamo Sun Young. — Estendeu a mão, que Kai prontamente apertou com um sorriso.

            — Kai.

— Seu sotaque é muito bom, Kai-ssi. — Elogiou. Já tinha notado desde do rápido encontro dos dois tempos atrás, se não o tivesse visto em outras ocasiões, juraria que ele morava em Seul.

— Depois de passar um bom tempo com o WonSik acabei aprendendo. — Sorriu envergonhado por ter recebido um elogio.

— Quanto tempo você passou com ele?

— Uma semana.

— E não quis bater nele?

— Talvez uma, mas depois de um tempo você se acostuma. — Ele deu de ombros e ambos riram.

Luna ria, mas estava preocupada de algo assim espalhar e os dois serem prejudicados. Isso seria visto como traição e os dois ou seriam presos — no caso de Kai, ele seria executado. Era perigoso demais.

-X-

Entrou pelo portão do fundo, como de costume. Cumprimentou os guardas e os empregados que haviam ali e passou pela cozinha, estranhando o chef não estar lá. Desviou do caminho para ir ao encontro de HakYeon — pois o mesmo saberia o que havia acontecido nos dias em que esteve fora.

Bateu na porta, ouvindo a voz do homem pedindo que entrasse. Ele pareceu surpreso quando a viu, abrindo um sorriso.

— Depois que ascendeu socialmente nem me faz mais visitas. — Alfinetou, rindo. A dama abriu os braços e ele foi lhe abraçar, enquanto enxugava as mãos. — Aliás, onde você estava? Tem uns três dias que o rei voltou e você não veio junto.

— Viajei um pouco, eu mereço, não é? — Respondeu humorada, apesar de ter xingado Ravi de todos os nomes possíveis quando voltou do Sudão. Separaram-se e sentaram nas cadeiras altas do balcão americano. — O que foi que aconteceu? O chefe não estava aqui quando eu cheguei. — Apontou para a porta.

— Aconteceram muitas coisas na verdade. — Murmurou para si mesmo. Luna esperou sua resposta e HakYeon suspirou. — O chefe e mais uma pessoa tentaram matar a Lilian. Eles faziam parte de uma organização perigosa. Foi o que eu soube. — Deu de ombros.

— Nossa... — Ela disse, sem digerir direito a situação. — Tentou matar a Lilian? — Falou alto, a ponto de assustar o outro, além de levantar um pouco da cadeira. — Como ela está? — Abaixou o tom de voz, percebendo que havia passado dos limites.

— Já está bem. — Colocou a mão nos ombros dela, confortando-a com um sorriso. — Samantha ajudou-a. Pode ir, sei que está agitada e quer ver com seus próprios olhos. — Maneou com a cabeça e apontou para a saída.

Sun Young correu, mas antes de sair sorriu para o amigo e deu um “tchauzinho” com a mão. Pegou o caminho mais curto até o jardim onde havia um pessegueiro, era lá que Lilian estaria com TaeWoon.

Ao chegar, viu a mulher com a criança, ambos sentados debaixo da grande árvore. Ela estava com um livro na mão e parecia ler para o outro.

Caminhou até a dupla, sem fazer muito barulho. Lilian percebeu sua presença antes e levantou, correndo para abraça-la.

— Antes que brigue comigo, me atacaram de dentro. Havia um infiltrado que colocou algo na minha comida. — Ela disse, tentando não levar bronca ou sermão.

— Já me explicaram a situação, só vim ver como você estava. — Riu, vendo que realmente tinha a assustado com o último sermão que dera. — Se me avisassem, eu viria correndo para cá te ajudar, mas só fiquei sabendo a poucos minutos.

— Sei disso, mas não havia necessidade. Você precisa de férias, sabia? — Afastou-se e a empurrou pelo ombro, sorrindo.

— Quem não precisa de férias? — Perguntou retoricamente e ambas riram.

TaeWoon correu até as duas e estendeu o livro, indicando que queria a continuação da história. Lilian se despediu e Luna foi cumprir as suas obrigações, mas para tal, precisaria ir até a governanta do palácio.

A princesa se despediu com um rápido aceno e voltou sua atenção para a criança ao seu lado. 


Notas Finais


PS: fiquem em casa e se cuidem pessoal ;)


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