História She will be loved - Capítulo 11


Escrita por: e Triforce

Postado
Categorias TWICE
Personagens Chaeyoung, Dahyun, Jihyo, Jungyeon, Mina, Momo, Nayeon, Sana, Tzuyu
Tags 2yeon, Dahmo, Michaeng, Mimo
Visualizações 141
Palavras 4.591
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Luta, Romance e Novela, Violência
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, boa noite à todos!

A partir de agora começa a terceira e última fase da fic, é quando a Nayeon e a Jeongyeon alternam os pensamentos num espaço menor cronologicamente.

Espero que gostem ☺️

Capítulo 11 - Capítulo 11


Nayeon POV 

O dia amanheceu nublado. A terça-feira chegou e a vida parecia ter voltado ao normal. A mesma rotina de aulas pela manhã. Sem mais festas ou fins de semana na praia, a responsabilidade chamava. Ainda havia algum trabalho a fazer antes de o colégio se transformar em uma lembrança em nossas vidas.

Estranhei o fato de quando abri os olhos, Sujin já estava acordada, havia tomado banho e se vestido. Enquanto me arrumo ela desce para tomar café. Sujin era uma preguiçosa por vocação, e encontrá-la de pé, desperta às seis da manhã era algo raro como um raio atingindo o mesmo lugar duas vezes seguidas.

Fui encontrá-la na cozinha, sentada à mesa, tomando um suco de frutas com pãezinhos integrais e pasmem, lendo o jornal que meu pai costumava ler todas as manhãs. Sentei ao seu lado, olhando-a com uma grande interrogação no rosto.

- Chega! Quem é você e o que fez com a minha melhor amiga?

- Hum? - Disse Sujin, levantando os olhos do jornal e se dando conta de minha presença ali.

- Su, tá estranha pelo que o que te disse ontem? Por que se for isso...

- Está tudo bem, Nah. - Respondeu ela. Depois voltou a ler o jornal, como se não tivesse sido interrompida.

Esquisito. Algo estava errado. Será que minha amiga estava me escondendo algo? Dar um tempo a Sujin seria o melhor a fazer. Não sei quanto demoraria para ela voltar ao normal. Ainda assim, compreendi que as coisas nunca mais voltariam a ser como antes.

Há momentos que são definidores, que nos levam a uma nova direção. Na vida, eles ocorrem poucas vezes. E quando acontecem, devemos aceitá-los como uma parte importante de nós mesmos.

Um silêncio incômodo se formou entre nós, estranho porque após a nossa conversa na noite passada tive a impressão de que Sujin aceitaria essa nova realidade, só agora me dei conta de que talvez eu estivesse sendo otimista demais. Era estranho vê-la calada, pensativa.

No caminho para o colégio, no entanto, Sujin esteve mais descontraída, falando sobre assuntos banais.

Quando cheguei à sala de aula, uma agitação em meu peito começou a tomar conta de mim. Só então percebi o quanto estava ansiosa para ver Jeongyeon. A aula teve início e nada dela chegar. Comecei a ficar apreensiva e não consegui me concentrar no que o professor dizia. Por diversas vezes, olhei o relógio. Quinze minutos de aula haviam se passado até que finalmente ela apareceu. Seu rosto parecia cansado, ela desculpou-se com o professor pelo atraso. Nossos olhares se cruzaram, não pude deixar de lhe sorrir. Ela retribuiu com um sorriso acanhado.

Jeongyeon dirigiu-se ao fundo da sala, meus olhos a seguiram até não ser mais possível. De onde ela estava sentada, sabia que me observava. Sorri bobamente, e ainda ansiosa para que o tempo passasse logo e eu pudesse vê-la novamente, mas o tempo custou a passar. Meu corpo inteiro parecia estar ardendo em chamas. Fazia apenas um dia desde que nos beijamos, mas parecia que há anos nossos lábios não se encontravam.

Depois do que parecem horas, o sinal para o intervalo finalmente tocou. Enquanto arrumo minhas coisas na carteira, avistei Jeong. Sujin diz algo, mas não tomo consciência de suas palavras. Quando olho para ela, a vejo já está saindo da sala.

Jeong caminhou até mim com passos lentos. Olhamos uma para a outra, constrangidas. Eu só conseguia pensar em como ela estava linda e que meu corpo reagia violentamente a sua aproximação. Respirei fundo, tentando controlar minha crescente excitação.

- Olá, Nayeon. - Disse ela.

Notei seu embaraço. E o quanto ela também parece estar lutando para manter o controle.

- Ei, você se atrasou. - Constatei, tentando descontrair a tensão que se formou entre nós.

- Tive dificuldade de dormir à noite - Explicou.

- Sobre ontem acho que devo desculpas pela Sujin. - Apressei-me em dizer, sentindo-me na obrigação de me desculpar pelos problemas na noite anterior.

- Nay, você não tem culpa. Você não é ela.

Jeong diz isso com uma seriedade espantosa.

- Mesmo assim, me sinto responsável pelo que aconteceu. Sabe, abri o jogo para ela. Ela sabe de nós, Jeong.

Jeongyeon não parecia ter ficado surpresa com essa notícia.

Olhei ao redor, a sala estava quase vazia exceto por nós e dois colegas que conversavam. Então, num gesto impulsivo, fiz a Jeongyeon uma proposta:

- Escuta Jeong, por que não saímos daqui.

- Tudo bem. Para onde?

Por um momento, fiquei pensando.

- Já sei. Vem comigo.

Sem mais esperar, peguei na mão dela. Imediatamente, senti uma corrente elétrica passando de sua mão para a minha. Não conseguia pensar em mais nada, desejava desesperadamente um momento a sós com aquela garota que conseguia mexer comigo como ninguém nunca havia feito.

Dominada por um surto de loucura momentânea, praticamente arrastei Jeongyeon  pelos corredores do colégio. Ela se deixou levar sem fazer objeção. Finalmente, chegamos aonde pretendia levá-la. Estávamos atrás das arquibancadas, enfim me vejo a sós com ela que me olhou confusa e surpresa, como se não acreditasse que eu era a mesma Nayeon que ela conhecia. Aproximei-me mais dela, olhando profundamente para seu rosto pálido. Seus grandes olhos castanhos são um misto de curiosidade e desejo que só me fazem querê-la mais.

- Nay, o que...

Não dei tempo para que ela falasse algo, pois calei sua boca com a minha e a puxei de encontro a meu corpo, com uma voracidade assustadora. No começo, Jeong ainda surpresa corresponde timidamente enquanto eu a devoro e a procuro sedenta, aprofundando o beijo e buscando sua língua com a minha.

Recuperada do choque inicial, Jeong me beijou com intensidade, me envolveu em seus braços, colando seu corpo ao meu. Senti minha excitação aumentar. Ela instintivamente deslizou suas mãos por minhas costas, descendo-as até minhas nádegas e apertando-as. Involuntariamente, deixei escapar um gemido.

- Acho... que... Acho que devemos tomar cuidado, alguém pode aparecer...

Jeong disse isso entre os beijos que lhe dava. Só então suspendi as carícias e olhei para seu rosto ofegante.

- Ah! - Protestei, aborrecida - Você tem razão.

Com muita dificuldade soltei-me de seus braços.

Enquanto desamassava minhas roupas, Jeong disse:

- Você me pegou de surpresa, Nay. Não a reconheci...

- Acredite, ultimamente, nem eu mesma estou me reconhecendo. Mas você me faz querer fazer coisas que eu nunca pensei fazer.

- Acho que eu posso dizer o mesmo.

O rubor tomou conta de sua face, e acho que corei também.

- Me desculpe, Jeong se pareci uma espécie de ninfomaníaca. Acho que anos de repressão sexual me deixaram assim.

Jeongyeon observando meu jeito constrangido e ao mesmo tempo divertido aproximou-se de mim e falou de um modo sensual que me fez estremecer:

- Posso te confessar uma coisa?

- Po-Pode. - Balbuciei.

- Eu gostei desse seu lado ninfomaníaco.

Ela deu um sorriso lindo, mostrando todos os seus dentes perfeitos. Sorri de volta, tocando seu rosto. Afastei sua franja, para observar melhor sua beleza.

- Nay, há algumas coisas que preciso te contar.

- Também preciso te falar algo muito importante.

- Gostaria que você pudesse vir a minha casa hoje à noite. Isto é, se seus pais deixarem.

- Bem, geralmente não me deixam sair na semana, mas se eu disser que vou estudar com você, tenho certeza que posso fazê-los mudarem de ideia.

- Pode ser às seis? - Propôs Jeong.

- Às seis está ótimo.

Beijamo-nos novamente. Depois, caminhamos até a lanchonete. Quem sabe ainda daria tempo de engolir um lanchinho antes de a aula recomeçar. Toda aquela agitação havia me deixado com uma fome incrível.

 

***

 

Jeongyeon POV

Nayeon era sempre pontual. Às seis da tarde, ela batia à minha porta conforme havíamos combinado. Durante muito tempo planejei esse momento, pensando em quais palavras usar, mas quando abri a porta e olhei para a garota que sorria em frente a mim, quase vacilei. Parecíamos sempre estar diante de algo importante para contar a alguém, como se só existissem segredos em nossa volta. Segredos que Nayeon escondia de Sujin e vice-versa, segredos que eu escondia de Nayeon.

Sempre pensei em mim como um livro aberto, mas na verdade havia páginas que seriam melhor permanecerem ocultas. Algumas em breve viriam à tona, outras talvez nunca pudessem ser reveladas. Em meus poucos anos de vida, passei por muitas coisas, mas nunca pensei me apaixonar. Aquele conjunto de emoções confusas mexia comigo em demasia. Infelizmente, a paixão trazia consigo muitas complicações. Era difícil ter certeza de como agir quando estávamos entorpecidos por esse sentimento louco.

Recebi Nayeon com um beijo no rosto. Ela me olhou tímida.

- Quer tomar algo? - Perguntei assim que nos acomodamos lado a lado no sofá.

- Não, Tudo bem. - Respondeu ela. Depois olhou ao redor observando o apartamento - Nossa, parece que faz séculos que não venho aqui. Sabe Jeong? Quando subia as escadas tive essa sensação estranha, de ser assombrada por algo, não sei explicar, algo invisível.

Olhei para Nayeon, séria. O que fez com que ela dissesse:

- Desculpe, Jeong. Mas esse lugar é assustador.

- Não é por isso que estou preocupada, Nayeon. Disso já sei, eu vivo aqui lembra? E estou sempre sozinha. Às vezes, acho que escuto vozes atrás das paredes, como sussurros.

- Para Jeong. Se estiver querendo me assustar, conseguiu. - Falou ela, apreensiva.

- Não quero assustá-la, Nay. Mas, é assim que me sinto às vezes. - Confessei - Há muitas coisas sobre mim que você não sabe. Talvez um dia, você possa descobrir e não goste do que venha a saber.

Nayeon pôs suas mãos nas minhas e falou, compreensiva:

- Seja o que for eu continuarei a gostar de você do mesmo jeito.

- Obrigada, Nayeon. - Disse eu - Você não sabe o quanto isso é importante para mim.

Observei suas mãos entre as minhas. Gentilmente as soltei, ficando de pé. Nayeon me olhou sem entender o motivo pelo qual me afastei.

- Mas não é sobre isso que eu queria conversar com você hoje, Nay. Tenho algo para dizer e não queria mais adiar. - Falei, andando de um lado para outro. Ela me acompanhava com o olhar, em seu rosto uma expressão de curiosidade.

Ajoelhei-me em frente a ela de modo que seus olhos ficassem a altura dos meus.

- O que vou lhe contar é sobre minha vida nos últimos meses, lhe contarei tudo com detalhes e no final você poderá tirar suas próprias conclusões.

- Tudo bem. - Falou olhando fixamente para mim.

Respirei fundo. Então, contei a Nayeon minha história desde que havíamos nos conhecido. Não omiti nada. Falei sobre meus encontros com Sujin, sobre as coisas que ela disse e fez. Contei também sobre Momo.

À medida que eu ia falando, Nayeon ficava mais perplexa. Eu sabia como devia ser difícil para ela assimilar tudo aquilo. Acreditar que sua melhor amiga não era quem ela julgava ser.

- Jeongyeon, não estou entendendo... - Dizia ela, confusa - Se Sujin fez mesmo tudo isso que você está dizendo... Desculpe, mas eu simplesmente não posso acreditar nisso. Eu a conheço a vida toda.

- Escuta Nayeon. Não espero que você acredite, embora essa seja a verdade, mas eu não podia continuar mentindo. Sei o quanto Sujin significa para você, por isso foi tão difícil para mim lhe contar a verdade.

Nayeon ficou de pé e afastou-se de mim. Era sua vez de andar de um lado para o outro, como se quisesse abrir um buraco no chão.

- Jeongyeon, como pode confiar na Momo depois de tudo que ela aprontou? - Perguntou Nayeon, com raiva. - Mesmo que Sujin tenha lhe ameaçado algumas vezes, ela não seria capaz de tentar dopá-la. Ela não é uma criminosa. E pelo que entendi Momo poderia muito bem ter inventando essa história toda.

Aquelas palavras de Nayeon fizeram meu sangue ferver.

- Você está tentando defender sua amiga Nayeon, depois de tudo o que ela fez? - Questionei.

- Eu não sei mais em que acreditar, Jeongyeon. - Disse ela, as lágrimas escorrendo em seu rosto - Sujin é minha melhor amiga, eu confiaria minha vida a ela. E você se encontrando com a Momo, sabendo muito bem o que ela quer de você. Eu não podia pensar em uma traição maior.

Engoli em seco, senti em meu peito uma dor que não podia descrever. Estava triste por Nayeon não acreditar em mim, mas seria a minha palavra contra a de Sujin. No final, eu devia saber que ela escolheria Sujin.

Ficamos em silêncio, eu não aguentava ver Nayeon chorando, minha vontade era de abraçá-la e poder confortá-la, mas, por outro lado, uma parte de mim estava profundamente magoada com ela.

- Desculpe, Jeongyeon. Eu não posso ficar aqui. Não posso estar com você agora.

Dizendo isso, Nayeon saiu pela porta a fora. E eu a deixei ir.

***

Nayeon POV 

O carro parou em frente ao grande portão enquanto este abria para lhe dar passagem.

- Vou descer. - Anunciei, sentada no banco de trás do carro.

O motorista me olhou através do retrovisor com uma interrogação no rosto sério.

- Minho, diga a meu pai que volto já. Estarei na casa dos Kang.

Ele assentiu.

Em todos os anos em que Minho trabalhara em minha família lembro-me de ouvir o som de sua voz uma ou duas vezes apenas. Sempre discreto, ele parecia saber mais do que aparentava. E sempre fora leal aos meus pais que confiavam apenas nele para me proteger, a flor mais delicada da árvore dos Im.

Desci a rua a pé e foi preciso caminhar apenas alguns metros para chegar à casa de Sujin. Desde que havia deixado o sombrio apartamento de Jeongyeon, me sentia triste e confusa. Precisava conversar com Sujin com urgência. Sabia que a encontraria em casa àquela hora.

Su ficou surpresa ao ver meus olhos vermelhos e logo soube que havia algo errado comigo. Éramos inseparáveis desde sempre e capazes de saber exatamente o que se passava uma com a outra.

Ela esperou até que eu estivesse pronta para contar. Após me ouvir com paciência, Sujin disse:

- Nah, eu lamento que isso tenha acontecido entre você e Jeongyeon, mas o que você me diz é um absurdo.

- Então, Jeong mentiu? - Perguntei, séria.

Sujin respirou fundo.

- Bem, talvez aja um fundo de verdade. - Admitiu ela, contrariada.

- Que fundo de verdade? - Falei, elevando minha voz.

Eu sabia o quanto minha amiga costumava ser dissimulada quando algo ou alguém não a agradava, fazia parte de sua personalidade. Por isso, suspeitei de sua culpa que naquele momento estava estampada em seu rosto.

- Calma, Nah. Não é nada tão grave. Talvez eu tenha exagerado um pouquinho na minha caça às bruxas com a Jeongyeon. Mas, você sabe que eu estava com ciúmes e a garota é um pé no saco.

- O que você fez? - Exigi saber.

- Disse algumas coisas desagradáveis para ela, mas foi só isso, juro!

- Sujin! - Repreendi.

- Nah, não tentei nada contra ela. - Defendeu-se - Com certeza essa história de “Boa Noite Cinderela” é uma invenção daquela safada da Momo. Agora eu compreendo por que não me lembro de ter ido para cama na noite do seu aniversário... Mas aquela japonesa sem vergonha me paga, não é de hoje que me estranho com aquela sapatão... Desculpe Nah.

- Não me importo com esse modo pejorativo de falar, Sujin. O que me incomoda é o que você anda fazendo sem eu saber. Devia-me a verdade. Não pense que eu sou boba, que não noto seu ódio pela Jeongyeon. Mas não me peça para entender o porquê disso. Você disse que me apoiava com ela. De todos, você era a única que achei que entenderia, sem me julgar...

- Querida, eu entendo. - Disse Sujin, afagando meu rosto. Mas recusei seu gesto de carinho, me afastando dela. - Não consigo gostar de Jeongyeon. - Disse Sujin, derrotada.

- Só deixe-a em paz, Sujin, de uma vez por todas. - Pedi - Não precisa gostar dela.

- Não posso prometer isso, Nah.

Olhei para ela, surpresa.

- Sou sua amiga e não gosto que lhe façam de besta. - Explicou ela, decidida - Não vê que Jeongyeon está envolvida com a Momo.

- Não tenho certeza disso.

- Nah, você acabou de me contar que não sabia nada dessa amizade entre elas. Jeongyeon mentiu para você.

- De certa forma sim, mas ela acabou dizendo a verdade, não é? - Retorqui.

- Então vai deixar por isso mesmo?

- Não, não vou negar que essa história da delas acabou comigo. - Disse, triste - Não sei o que fazer ainda.

Levantei-me da cama de Sujin onde estivera sentada até então e completei:

- Eu estou com muita raiva, Su. Preciso ficar sozinha.

Dei as costas à minha amiga e andei em direção a saída, mas antes de me deixar ir embora Sujin me puxou pelo braço e disse:

- Nah, está tudo bem entre nós?

Olhei para Sujin enquanto ela ansiava por uma resposta.

- Não, não está. Você é minha melhor amiga e ameaçou a garota que eu amo pelas minhas costas - Respondi, o rancor engasgado na garganta.

Ao notar a tristeza de Sujin, acrescentei:

- Mas as coisas vão ficar bem, só preciso de um tempo.

- Certo. - Aquiesceu.

Voltei para casa e após cumprimentar meus pais, fui imediatamente para a cama. Seria uma longa noite e um tortuoso caminho a percorrer até o sono chegar.

 

 ***

Jeongyeon POV

Abri os olhos. Minha cabeça latejava. Forcei minha mente tentando lembrar algo, mas fui tomada por uma enorme sensação de vazio. Logo me dei conta do que havia me despertado, um barulho insistente de batidas soava em algum lugar. Por que não me deixavam em paz?

Com uma força sobre-humana consegui colocar-me de pé. Então me arrastei de meu quarto até a porta da frente.

- Já estou indo! - Gritei.

Abri a porta. Minha aparência não devia ser das melhores, porque quando olhou para mim, a garota japonesa a minha frente estava espantada.

- Jeong, o que diabos aconteceu com você?

Em vez de dizer qualquer coisa, me deixei cair no sofá e fechei os olhos.

Ouvi o barulho da porta sendo fechada. E depois os passos de Momo adentrando a sala.

- Você está horrível. - Constatou ela.

- Obrigada - Respondi, com uma pontada de sarcasmo que eu não sabia ser capaz de expressar naquele momento - O que você está fazendo aqui Momori? Como descobriu onde moro?

- Você não apareceu no treino da tarde e fiquei preocupada daí pedi seu endereço ao seu tio. - Explicou ela - Quase não encontro esse lugar. Que fim de mundo você escolheu para se esconder, Jeongyeon.

Minha vista estava turvada, mesmo assim consegui distinguir a silhueta de Momo vasculhando meu apartamento.

- O que são esses rabiscos? - Interrogou ela, impressionada apontando para a parede a sua frente.

Com dificuldade, estreitei os olhos e observei os números escritos na parede que junto a algumas incógnitas formavam equações matemáticas.

- Acho que fiquei sem papel. Daí escrevi nas paredes - expliquei, aquilo tornando-se mais estúpido à medida que falava.

Momo balançou a cabeça, sem compreender.

- É que às vezes essas coisas vêm a minha mente e eu não consigo controlar.

- Então sua mente deve ser uma bagunça. - Comentou Momori.

Assenti.

- O que é isso? - Perguntou ela, segurando algo entre os dedos que pude observar ser um frasco de pílulas - Jeong, você tomou isso?

- Não lembro. Talvez tenha tomado algo para dormir...

- Você fez o que?

- Não grita! - Falei sentindo minha cabeça explodir.

- Jeongyeon, tá maluca? Tem noção do quanto isso é forte?

- Momo, não enche.

- Olha, se quer fazer alguma besteira porque não passar uma noite de pegação e bebedeira por aí. Mas, isso...

Momo pegou meu rosto entre suas mãos e examinou meus olhos.

- O que você está fazendo? - Perguntei.

- Um dos meus irmãos é médico. Vou te examinar e ligar pra ele.

- Não precisa disso. Eu estou bem. - Protestei.

- Cala a boca, Jeong e deixa-me cuidar de você.

Decidi não discutir com ela, principalmente porque meu estado de entorpecimento não permitia.

Observei a japonesa pegar o celular e falar com alguém durante alguns minutos.

- Jeong, que tal um banho? - Disse ela após desligar o celular.

- Hum?

- Tô falando sério. Vai te fazer bem e te ajudar a despertar.

Momo foi até a cozinha e voltou com um copo de água que fez com que eu o tomasse.

- Há quanto tempo você não come nada?

- Não faço ideia. - Respondi, me dando conta da fome que sentia.

Momori suspirou fundo. Tinha um ar preocupado que não condizia com sua personalidade sempre confiante.

- Consegue ficar de pé?

- Acho que sim - Respondi - mas prefiro voltar para cama.

- Nada disso! Pro chuveiro agora.

Caminhei até o quarto com dificuldade. Lentamente comecei a tirar a roupa. A água fria circulou em meu corpo, me açoitando e causando arrepios. Não fiquei muito tempo no banho. Enrolei-me numa toalha e saí. Momo me esperava no quarto.

- Jeong, não encontrei nada para comer nessa porcaria que você chama de apartamento. Tá vivendo de que, de vento?

Engoli em seco. Como sempre Momo continuava irritante.

- Não costumo comer em casa. - Respondi, com dignidade.

Notei o olhar de Momo em meu corpo e instintivamente segurei firme a toalha em que estava enrolada.

- Esquece.  - Disse ela - Eu vou sair para comprar algo e preparar um almoço para você.

- Você cozinha? - Perguntei, espantada.

- Claro que sim. Sei fazer de tudo. Minha mãe me ensinou. - Disse ela, orgulhosa - Agora, você fica aqui quietinha e não faça nenhuma besteira. Vou levar isso aqui por via das dúvidas.

Momo pôs o frasco de pílulas no bolso de sua jaqueta e saiu.

***

A japonesa voltou algum tempo depois carregando várias sacolas. Sem cerimônia tomou conta da cozinha como se estivesse em sua casa. Não deixou que eu a ajudasse, me mandando ir descansar, como se eu fosse uma criança.

Momo preparou uma macarronada ao molho de carne. Estava uma delícia. Com minha fome devorei em instantes.

- Agora fala sério. Há quanto tempo você não come nada? - Perguntou Momo, me olhando séria.

- Realmente não lembro a última vez que pus algo na boca. - Admiti.

Ela me repreendeu pela milésima vez naquele dia. Quando já parecia satisfeita, seu tom de voz tornou-se mais ameno e ela perguntou:

- Jeong , agora me conta o que aconteceu.

- Você sabe. Contei a verdade para Nayeon. Foi isso.

- E ela não acreditou, não é?

- Eu não esperava que ela acreditasse. - Falei, triste.

- Seja paciente, Jeong. Dê um tempo para a coelha. Isso não deve estar sendo fácil para ela.

Era estranho ver Momo defendendo Nayeon.

- Eu sei disso. Mas e se ela continuar cega e acreditar em Sujin...

- Então ela é uma idiota. E não merece você. - Sentenciou Momo.

- Momori...

- Estou falando sério. Ela tem que merecer você. A senhorita sabe-tudo precisa enxergar o que está diante de seus olhos.

- Momo, não sei se conseguiria superar mais uma perda. - Desabafei - Já sofri demais, talvez esse seja meu destino. Ficar sozinha para sempre.

Momo tocou em meu rosto.

- Não, Jeong. Você merece ser amada.

Vi nos olhos negros da japonesa que ela realmente acreditava no que estava dizendo.

- Se você me conhecesse de verdade, não diria isso, Momori.

- Não acredito que exista algo de ruim em você, Jeong. Talvez aja em mim e com certeza em Sujin, mas você e a senhorita perfeita só têm bondade no coração.

- Não, Momo. Eu tive momentos ruins. - Confessei - Um período sombrio em minha vida.

- E quem de nós nunca teve? - Constatou ela, sábia. - Além do mais, Jeong, acho que conheço você suficiente para saber que o seu problema é não acreditar que merece todas as coisas boas que a vida ainda pode te oferecer. E que você merece por ser quem é.

Lembrei de ter dito algo semelhante a Nayeon certa vez. Era estranho perceber o quanto ela e eu tínhamos medos e anseios semelhantes. Embora nossas vidas fossem tão diferentes.

- Em uma coisa você se engana, Momo. Meu erro foi talvez acreditar que podia. Nayeon... ela me faz sentir assim. Faz-me acreditar que tudo é possível. Agora, sinto que posso perdê-la. E isso é pior do que nunca a ter conhecido.

Senti que podia chorar, mas as lágrimas não vieram. Nem viriam. Algo dentro de mim não mais permitia. Quando Nayeon saiu no dia anterior, pus a cabeça sobre o travesseiro para sufocar meus soluços. Depois de um longo tempo sem conseguir dormir, lembrei daquelas pílulas que muitas vezes recusei tomar, mas que outras tantas vezes conseguiram anestesiar meu sofrimento e me fazer esquecer.

- Acho que entendo o que você quer dizer. - Disse Momo, enigmática. - Agora vamos deixar de tanto drama. Lembre-se “no pain, no gain”.  No amor, assim como no jogo é preciso se esforçar muito para vencer. Só não desista, eu não desistiria.

De repente, me senti um pouco mais animada.

- Obrigada por tudo, Momo. - Falei - Você tem me ajudado muito. Nem parece que já saímos no tapa. Lembra?

- Águas passadas. Agora estamos de boa. - Falou ela, sorrindo. - Mas falando sério, tem algo muito importante que preciso te perguntar.

- O que?

- Pus você contra a parede. E tentei de todas as formas ficar com você. - Disse ela, estranhamente envergonhada - Como conseguiu resistir?

Não consegui abafar o riso.

- Para começar, saber que você não valia nada ajudava muito.

- Bom saber. - Disse Momo.

- E além do mais, você não me atrai.

- Não sou atraente? - perguntou Momo, aparentemente ofendida. - Sabe, você é a primeira pessoa que me diz isso.

- Desculpe, não quis magoar.

- Relaxa Jeong. - Falou ela ao ver minha expressão preocupada - Eu sei que você só tem olhos para a Nayeon. Mudando de assunto. Você não pode mais faltar os treinos dessa semana, a final está chegando. E nós temos que ganhar. Você não vai desistir, não é?

- Não. Estarei lá. - Disse confiante.

- Ótimo, mal vejo a hora de colocarmos a mão naquela taça. - Disse a japonesa esticando os braços acima da cabeça, espreguiçando-se - Sonho com isso nos últimos três anos, não aguento mais esse lance de vice, me sinto o time do Vasco da Gama. (Lol) 

Ri mais uma vez das loucuras de Momo. Conversamos ainda durante um tempo. A hora já avançara muito e quando olhamos o relógio passava das sete da noite. Momo insistiu para que fossemos jantar em sua casa e me convidou para dormir lá, assim poderia se certificar que eu não faltaria a aula no dia seguinte.

- Qual é, você quer reprovar faltando pouquinho para terminar a escola? - Argumentava ela.

Não fiz objeção alguma para aceitar o convite. Naquele momento, a solidão não era boa companhia. E o vento assobiando enquanto circulava pelas paredes frias de meu apartamento me assustava. Após conviver tantos anos com meus fantasmas, eu precisava me livrar deles.


Notas Finais


🐘


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