História She will be loved - Capítulo 12


Escrita por: e Triforce

Postado
Categorias TWICE
Personagens Chaeyoung, Dahyun, Jihyo, Jungyeon, Mina, Momo, Nayeon, Sana, Tzuyu
Tags 2yeon, Dahmo, Michaeng, Mimo
Visualizações 76
Palavras 4.110
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção Adolescente, Luta, Romance e Novela, Violência
Avisos: Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Boa noite, galera!!
Aqui mais um capítulo, espero que vocês gostem.. de tretas N
De treta né de teta não 🤣😔 não? Tá bom

Enfim, boa leitura valeu!!

Capítulo 12 - Capítulo 12


Nayeon POV

Quando o despertador tocou, acordei sobressaltada. Com uma força sobrenatural, levantei-me e me arrumei preguiçosamente.

Eu não tinha cabeça para me concentrar nas aulas. Eu sempre fora tão dedicada e pela primeira vez minha vontade era “jogar tudo para o ar”. Eu já havia estudado suficiente, tinha adiantado todas as matérias antes mesmo de os professores passarem. Faltava apenas um mês e meio para o término das aulas e eu já estava preparada para as provas finais quando elas viessem.

Então, fiz algo que nunca havia feito em minha vida escolar: eu matei aula. Isso mesmo, Im Nayeon por livre e espontânea vontade faltaria à aula.

Tomei café da manhã como normalmente faço. Depois entrei no carro com Minho, o motorista. Eu costumava sempre sentar no banco da frente, mas dessa vez optei pelo banco do carona. Minho pareceu estranhar minha mudança, mas não falou nada.

- Minho não vou ao colégio hoje. - Anunciei, enquanto colocava o cinto de segurança.

- Desculpe, senhorita. Eu ouvi bem?

- Sim, não quero que me leve ao colégio hoje.

Ele me olhou confuso.

- Mas, minhas ordens são...

- Suas ordens são o que eu dizer que são. – Interrompi, autoritária.

Eu não costumava falar assim, mas sabia que aquela seria a única maneira de Minho saber que eu estava falando sério.

- Para onde vamos, senhorita?

- Eu não sei, Minho. Apenas dirija.

Mesmo contrariado, ele não fez mais perguntas.

O motorista começou a dirigir sem rumo certo. Não troquei palavra com ele, apenas observava as ruas a minha frente. Àquela hora havia muitos carros e o trânsito não nos permitia avançar muito. Em determinado momento, Minho pegou uma das saídas da cidade, em pouco tempo estávamos trafegando pela estrada. A paisagem era de verde por todos os lados. Preferi assim, de certa forma era mais relaxante e me permitia pensar.

Apesar do que Sujin havia feito ter me magoado, eu não conseguia esquecer quem ela era e o que significava para mim. Perdoar Sujin era fácil, sempre fora. Ao longo do tempo em que crescíamos juntas ela já havia aprontado poucas e boas comigo. Ela era antipática, egoísta e narcisista. No entanto, era minha melhor amiga. Sempre me tirava de enrascadas, algumas das quais ela mesmo me colocava. Não havia “não” para ela. Se planejasse algo, levava em frente apesar de todas as minhas negativas.

Eu conhecia Sujin o suficiente para saber que ela estava obcecada em prejudicar Jeong, e se ela colocava algo na cabeça ia até o fim. Mesmo que eu a fizesse prometer que não faria nada a Jeong, Sujin encontraria um jeito de executar seus planos. E só Deus sabe o que se passava pela cabeça de minha amiga naquele momento.

Essa era Sujin, eu poderia tentar mudá-la, mas sempre haveria esse seu lado sombrio para atrapalhar nossa amizade. Quando Jeong apareceu, Sujin a viu como um empecilho, como alguém que iria nos afastar, mas o que Su não percebia que era ela que estava se afastando de mim com sua atitude mesquinha.

Mas o que me magoava mesmo era saber que Jeong confiara em Momo para ajudá-la a se defender de Sujin. Eu sabia o quanto era difícil para Jeongyeon deixar alguém se aproximar. Eu fora a primeira pessoa a quem ela havia conseguido confiar após tantos anos. Era o ciúme que me consumia. De um modo que nunca antes eu tinha experimentado. Ciúmes de Jeong com Momo. Aquela garota não costumava brincar, quando queria algo era como Sujin, faria de tudo até conseguir. Eu via a proximidade dela com Jeong como uma ameaça.

Fui interrompida por meus pensamentos quando Minho atendeu ao celular. Era meu pai perguntando onde ele estava e porque eu não estava em sala de aula. Com certeza eu estaria encrencada com meu pai, mas Minho fez algo que eu não esperava, mentiu dizendo que eu estava em casa.

- Obrigada. - Falei, agradecida.

- Precisamos voltar. - Disse ele, sem pestanejar.

- Você tem razão. Preciso estar em casa quando meu pai chegar. Com certeza deve achar que estou doente.

- Provavelmente, senhorita. Com todo respeito, mas em todos os anos que trabalhei para sua família, nunca a vi faltar a aula, nem mesmo doente.

- Você me conhece mesmo, não é, Minho. - Comentei - A propósito, pode me chamar de Nayeon.

Continuamos o caminho de volta para casa em silêncio. Eu remexia no colar que Jeong me dera e que estava sempre colado ao meu corpo desde que o ganhara. O gesto já havia se tornado um hábito.

Somente quando chegamos em casa, Minho falou:

- Boa sorte, Nayeon.

- Com o que? - Perguntei intrigada.

Ele me olhou por um instante, me analisando.

- A final do vôlei de quadra. Estou torcendo por vocês.

- Obrigada - Respondi.

Voltei para meu quarto com a impressão de que Minho se referia a outra coisa, como se soubesse o que realmente me preocupava. Mas se sabia, era discreto demais para dizer alguma coisa.

 

***

 

No treino da tarde, não encontrei Jeong, mas Momo estava lá. Tentei ignorá-la o máximo possível. Só que, de vez em quando, meu olhar repousava sobre ela e eu me pegava a observando. Nessas horas meu sangue fervia e ideias estúpidas e medos bobos me assombravam. Procurava por defeitos em sua aparência, mas para meu desespero, Momo era linda: os cabelos pretos e lisos acima do ombro, a pele alva, olhos negros, lábios finos, pernas bem torneadas, abdômen perfeito e seios firmes. À medida que eu enumerava suas qualidades, encontrava defeitos em mim mesma. Nunca havia me sentido tão insegura. Por outro lado, procurava lembrar que Momo tinha uma personalidade terrível. Sua beleza só não era maior que sua arrogância.

Tentei lembrar que no começo, Jeong havia resistido a todas as investidas de Momo. Se ela não cedeu antes por que cederia agora? Eu podia me deixar vencer por Momo, mas teria que defender meu território.

Era quase noite quando cheguei em minha casa, pensei em ir até o apartamento de Jeong para conversarmos, mas meu pai não permitiu alegando que eu já estivera fora na noite anterior. Ele era muito rígido às vezes.

Após o jantar, minha mãe pediu para conversar comigo, perguntou se tinha algo me preocupando. Decidi dizer a ela que estava tudo bem e que era apenas stress do colégio.

Mais tarde, liguei para Jeong. Precisava saber como ela estava.

Após três toques, ela atendeu.

 

***

 

Jeongyeon POV

A casa de Momo era um verdadeiro labirinto.

- Como você não se perde em um lugar tão grande? - Questionei, impressionada.

Ela riu.

- Se pensa que essa casa é grande demais, pode mudar de ideia quando ver minha família. - Respondeu Momo, sorridente.

Não era exagero dela. Como eu logo descobriria.

Assim que chegamos à sala de estar espaçosa, fomos recebidas por três criaturinhas barulhentas de cabelos pretos. Momo quase fora derrubada quando os três pequenos se jogaram em cima dela. Um deles agarrou-se em sua perna e os outros dois ficaram dependurados em cada um de seus braços.

Momo conseguiu dar alguns passos antes de eles se soltarem. Depois, a japonesa fez-lhes cócegas e brincou um pouco com os pequenos. Observei a cena, intrigada. Aquela era a mesma Momo que eu conhecia?

A japonesa os apresentou como seus irmãos mais novo Tai, Toya e Ten.

- Mas pode chamá-los de Huguinho, Luisinho e Zezinho - Brincou ela. Seus irmãos eram trigêmeos. Somente as roupas coloridas eram capazes de distingui-los.

Momo me mostrou um quarto de hóspedes onde eu passaria a noite, após isso fomos para a sala de jantar em que já se encontravam seus pais e o irmão de Momo, Takeo. Um adolescente que vi algumas vezes andando de skate no pátio do colégio. Logo notei a semelhança física com a irmã.

Momo me apresentou a todos. Fiquei um pouco constrangida por estar na intimidade daquela família. Se me perguntassem dois dias antes se eu imaginaria onde estaria naquele momento, não iria acreditar. Engraçado os lugares onde a vida pode nos levar.

Nunca fiz em minha mente nenhuma imagem de como seria a família da japonesa. Sempre vira Momo como uma garota arrogante e sarcástica, mas seus pais eram totalmente o oposto. Eram pessoas bastante simpáticas. O pai de Momo, Akira, era um homem forte, aparência nova e muito educado. Era calvo e bem mais velho que sua jovem esposa, Tomoyo, que tinha lindos negros como os da filha. Momo explicou que o irmão mais velho, Tadashi, era casado e morava com a esposa. Ele era o médico a quem ela telefonara mais cedo.

- Onde estão Tai, Toya e Ten? - Perguntou Momo, intrigada.

- Coloquei-os para dormir. - Disse sua mãe - Eles estavam me enlouquecendo.

- Só dormindo aqueles pestinhas nos dão sossego. - Comentou Akira.

- É uma pena que tenha demorado, querida. Eles esperaram o dia inteiro para brincar com você. - Disse Tomoyo, dirigindo-se a filha.

- Desculpe, mãe. Mas precisei treinar duro hoje, a final está chegando, lembram?

- E você nos deixa esquecer? Não fala em outra coisa. - Disse Takeo, debochado.

Momo deu um peteleco no garoto.

- Ei! - Protestou ele. - Viu pai? Ela me bateu.

- Parem vocês dois. - Repreendeu Akira. - Temos visitas.

- Ela não se importa com isso, não é, Jeong? - Disse Momo.

Eu que estivera quieta em meu lugar até então, assenti com a cabeça.

Continuamos a comer. Depois de certo tempo, Akira perguntou a filha:

- Então, Momori, fez alguém chorar hoje?

Abafei o riso. Momo abriu um sorriso para o pai e respondeu sem pestanejar:

- Infelizmente não. Mas quem sabe amanhã.

Pelo visto os pais de Momo conheciam bem a filha.

Takeo estava sentado próximo a mim. Notei constrangida que ele dava umas olhadinhas em minha direção, acompanhadas de risinhos abafados. Momo também percebeu e confrontou o irmão:

- O que é tão engraçado, cabeção?

- Ela é sua namorada? - Perguntou ele, sem rodeios. Desafiando a irmã com um sorriso cínico.

Quase engasguei.

- Isso não é da sua conta, babaca. - Retrucou Momo.

- Takeo, deixe sua irmã em paz. - Disse Akira.

- O que é que tem, pai? Eu quero saber. Ela nunca trouxe ninguém aqui em casa. - Argumentou Takeo.

Para tornar a situação ainda mais constrangedora, a mãe de Momo falou:

- De certa forma nosso filho tem razão.

- O que, mãe? Vai levar esse moleque a sério. - Disse Momo, encabulada. - Jeong é apenas minha amiga.

Pelo visto os pais de Momo sabiam da orientação sexual da filha e isso não parecia ser um problema para eles. O problema maior parecia ser o fato de ela nunca ter tido um namoro sério.

- Você não tem amigas. - Desafiou Takeo, novamente.

Tinha que reconhecer que o garoto era petulante. Nisso puxara a irmã.

- Não ponha lenha na fogueira, filho. - Alertou Akira.

- Mas é verdade, pai. O senhor sabe que as garotas do colégio a detestam.

- Só me faltava essa. Sofrendo bullying na minha própria casa. - Comentou Momo, com algum senso de humor.

- Melhor encerrarmos esse assunto. - Sentenciou o chefe da família - Não quero mais uma palavra, Takeo.

- Deixa pra lá, pai. Esse moleque não tem jeito. - Disse Momo - Já terminei minha refeição. Posso me retirar?

- Fique à vontade, querida. - Respondeu Tomoyo.

- Você vem, Jeong?

Aquilo foi uma intimação. Preferi não contrariar. Agradeci pelo jantar e desejei boa noite a todos. Segui a japonesa pela escadaria até seu quarto.

- Desculpe por fazer você passar por isso. - Disse ela.

- Você está bem?

- Não se preocupe, estou ótima. Meu irmão é um chato mesmo.

- Me refiro ao que ele disse. É verdade?

- Bem, eu não sou a pessoa mais amada daquele colégio, você sabe disso. - Respondeu a japonesa estirando-se na cama - Mas eu tenho alguns amigos. Não que eu goste realmente deles. Sabe, odeio as pessoas daquele colégio.

Olhou para mim e apressou-se em dizer:

- Não você. Você não. De você eu gosto.

- Eu sei. E quero que você saiba que apesar de ter te odiado antes, eu gosto de você.

Momo pareceu comovida.

- Queria que isso fosse o suficiente - Falou ela, enigmática.

- O que quer dizer?

- Deixa pra lá. Estou mais interessada em saber como eu consegui esse feito. - Refletiu ela. - Fazer alguém gostar de mim.

- Garanto que não foi fácil gostar de você - Falei, divertida. - Mas acredito que se você se esforçar bastante, pode fazer todos verem o que você tem de bom.

- Melhor não. Vou guardar isso apenas para as pessoas especiais.

Por um instante, vi algo mágico em seus olhos. Sorri, sentindo meu coração aquecer. Não posso negar que havia algo narcísico em ser especial para alguém. Mesmo não podendo corresponder com a mesma intensidade.

- Então, o que achou da minha família? - Quis saber Momo.

- Eu não imaginava que você tinha uma família tão grande.

- Dos seis filhos, sou a única mulher.

- E você tem muito orgulho disso. Não é, Momori?

- Tem suas vantagens. Meus pais sempre me paparicam demais por conta disso. “A menininha da casa”. Sempre me deram tudo que eu quis e um pouco mais.

- Então deve ser por isso que você é assim tão prepotente.

Momo pareceu refletir.

- Tem razão. Sempre tive tudo o que quis na palma da mão. Dinheiro nunca me faltou. Acredite dinheiro abre muitas portas. Desde cedo, faço tudo o que me dá na telha. E se eu quero algo, compro. Se desejo uma garota, basta estalar os dedos.

Fez uma pausa. Fitou o teto, aborrecida com algo. Depois completou:

- Exceto você, Jeong.

- Exceto a mim. - Confirmei.

- Você é um desafio, Jeongyeon. E eu gosto de desafios, mas não tenho pretensões de te afastar de sua felicidade.

- Fico feliz que pense assim. Não é tão egoísta quanto parece. No fundo você tem um bom coração, Momori.

Momo se aproximou mais de mim. De repente sua expressão mudou. Como se algo dentro dela explodisse, falou quase colando seu rosto ao meu, como se para ter certeza que eu não perderia nenhuma palavra:

- Você não sabe o quanto é um saco isso de ter um bom coração quando todos os meus instintos me dizem para fazer o contrário. Por outro lado, eu sei que se eu ceder a eles, você vai se afastar de mim.

Encarei-a sem dizer palavra. Ela continuou:

- Assim como você tem os seus dilemas, Jeong, eu também tenho os meus, mas minhas intenções não são puras como as suas. Não se engane, garota. Eu ainda sou a mesma safada egoísta que você conheceu e a qualquer momento você pode descobrir isso.

- Está querendo me assustar, Momori? - Perguntei, sem deixar de encará-la. - Você gosta de ser odiada, não é? Não pense que dizendo essas coisas para mim vai conseguir me afastar. Você só está se sentindo vulnerável porque deixou alguém conhecer seu lado bom e isso faz você pensar que está perdendo sua identidade.

Fiz uma pausa esperando sua reação, mas Momo esperou para ouvir o que mais eu diria.

- Agora eu sou sua amiga, Momo. E amigos não julgam. - Continuei - Eu também sou como você. Odeio estar no meio das pessoas, mas de vez em quando encontramos alguém que vale o nosso tempo. Não alguém perfeito, mas alguém com tantos defeitos quanto os nossos próprios.

- Você é a única pessoa que vale o meu tempo. - Confessou Momo, mais relaxada.

Sorri, encarando aquilo como o pedido de desculpas mais sincero que ouvi na vida.

- Você é osso duro, Jeongyeon. Outra teria ido embora com o rabo entre as pernas.

- Então é assim que assusta as pessoas quando elas dizem que gostam de você?

Momo que já não estava irritada quanto a segundos atrás, respondeu:

- Você não viu nada. Já fiz muita gente chorar.

- Até seus pais parecem saber disso.

- Não é para menos. Quando era criança quase fui expulsa do jardim de infância. Desde pequena não ia com a cara de ninguém.

- Não mudou muito.

Momo não se abalou com o meu comentário.

- E quanto a você, Jeong. Me fala sobre esse seu lado sombrio.

- Você não vai querer ouvir sobre isso. - Desconversei.

- Quero sim. Tô doida pra saber. - Disse a japonesa, animada. - Além do mais, ainda é cedo. E você dormiu o dia inteiro, então temos a noite toda pela frente.

Pensei por um momento se estava preparada para falar sobre aquilo, mas estranhamente naquele momento sentia uma necessidade enorme de contar minha história. E Momo havia me ajudado muito naquele dia.

- Nunca falei sobre isso com ninguém, nem mesmo com Nayeon.

- Ela não precisa saber de todos os seus segredos. Pelo menos não por enquanto. Deixei-a descobrir aos poucos. - Aconselhou-me  - Então vai me contar ou não?

- Eu não sei... - Hesitei.

- Não se preocupe. Qualquer coisa que tenha feito eu vou entender. Tenho certeza que já fiz pior.

- Tudo bem. - Cedi - Houve uma época em que ficava a maior parte do tempo fora de casa. Larguei a escola e me envolvi com uma galera meio barra pesada.

- Sério? E seus tios?

- Quase enlouqueceram.

Momo digeriu a informação por alguns instantes, depois perguntou:

- Mas como você se virava na rua, seus tios lhe davam dinheiro?

- Como você sabe, meus pais e meu irmão faleceram. Fiquei com meus tios, sendo menor de idade, eles são meus tutores legais e administram minha herança. Não muita coisa, algum dinheiro e uma pequena propriedade que pertencia a minha família. Além disso, meus pais haviam feito um seguro de vida. Enfim, juntando tudo daria uma boa grana. Acontece que fraudei alguns dados dos meus tios e torrei uma parte da grana sem a permissão deles.

- Uau! Você é das minhas, Jeong. - Exclamou a japonesa, impressionada - Queria ter sua inteligência para essas falcatruas.

- Não foi certo o que fiz, Momo. Esse dinheiro poderia garantir o meu futuro. Meus pais queriam que eu e meu irmão estivéssemos seguros caso algo acontecesse com eles, mas eu não pensava assim. Para mim, esse dinheiro era maldito porque eles precisaram morrer para que eu o tivesse. Sendo assim não me serviria para nada.

- Entendo, então torrou toda a grana.

- Nem tanto. Não fazia saques muito grandes para não chamar a atenção dos meus tios. Mas eles acabaram descobrindo. Você imagina a decepção, mas estavam mais desesperados para me encontrar tanto que o único modo que acharam foi colocando a polícia atrás de mim.

Momo arregalou os olhos.

- Você foi presa, Jeong?

- Sim, fui.

- Que legal! Tenho uma amiga que já foi fichada.

- Não é pra tanto. Meus tios não mantiveram a queixa.

- Engraçado imaginar você como uma delinquente juvenil. O que mais você aprontou?

- Bem, a galera com quem eu andava se aproveitou dos meus “talentos”. - Continuei - Esse foi mais um erro. Por sorte, consegui apagar os rastros do que fiz para essa quadrilha e não fui presa por isso. Nem meus tios ou milhares de advogados poderiam ter me tirado da cadeia.

- Nossa. Essa não parece você, Jeong. Fazendo negócio sujo com um bando de bandidos. Por outro lado, devia ser muito excitante. Viver perigosamente.

- Ainda tem mais. Eles eram usuários de drogas, mas não só consumiam como vendiam para adolescentes em festas.

- Agora isso tá ficando mais sinistro. - Falou Momo, tensa - Jeong, você não...

- Não. - Respondi convicta. - Como você disse essa não era eu. Teria sido mais um erro, o maior de todos.

- Um caminho difícil de voltar. - Completou ela.

- Não sabe o quanto me arrependo todos os dias pelo que fiz. Meus tios não mereciam. Nem meus pais onde quer que estejam. Por isso, desisti daquela vida, mas ainda carrego algumas más lembranças.

- Ainda assim você está aqui agora, Jeong. Retornou à escola, seus pais iam gostar disso.

Sorri e agradeci a Momo pelo apoio, mas ainda havia algo sobre o qual eu não falara.

- Tem mais uma coisa, Momo. Algo que não falei para Nayeon, mas deveria ter contado. Só que tenho medo da reação dela.

- E o que é? Pode me contar.

- Havia um cara. Um dos chefões do bando. Ele vivia dando em cima de mim. Eu nunca havia ficado com ninguém. Uma noite, ele me convenceu de que seria bom, de que deveríamos fazer e acabei cedendo.

Momo não conseguiu segurar o espanto.

- O que? Você está me dizendo que já deu pra um cara? - Perguntou ela, boquiaberta.

- Na verdade, eu não queria, não sei por que fiz aquilo. Eu estava com raiva da vida, cansada de ser a órfã pobre coitada. Era ainda mais jovem e inexperiente do que agora. Mas eu sabia que era furada e mesmo assim me deixei levar. E realmente foi horrível. Ele cheirava a cigarro e não foi nada gentil.

- Que pesadelo. - Comentou Momo.

- Nem me fale. Daquele dia em diante jurei que nunca mais faria sexo com ninguém.

- Até que você conheceu a Coelha.

Engoli em seco. Momo falava sem rodeios.

- Nayeon e eu nunca, quer dizer...

Enrubesci.

- Não fizeram? E o que está te impedindo? Jeong, você teve a sua primeira vez com um cara qualquer e não tem coragem de ficar com a garota que você ama?

Momo parecia revoltada com a situação.

- Não é bem assim. Fiquei muito surpresa quando Nayeon e eu nos beijamos. Poderia ter acontecido algo mais, mas acho que inconscientemente lembrei daquela noite com o cara fedido e o quanto foi frustrante. Além do mais, acho que Nayeon nunca fez isso, nem com um cara e muito menos com uma garota. E ela deve pensar o mesmo de mim.

- Por isso não contou a ela. - Adivinhou Momo.

- Você acha que ela vai entender? - Disse, com receio.

- Relaxa garota. Conte a ela. Você não a conhecia ainda quando aconteceu. Ela não irá te julgar.

- Tem certeza? Eu não sei, acho que vou decepcioná-la.

- Talvez fique apenas surpresa como eu.

- De qualquer modo, nem sei o que está se passando pela cabeça dela agora. Ela ainda deve estar confusa com essa história que contei da Sujin e sobre o fato de sermos amigas, Momo.

- Quanto a isso, Jeong, será melhor para vocês duas que eu me afaste. Olha, eu nunca namorei, mas sei o quanto essas coisas atrapalham.

Olhei para Momo sem saber o que dizer. A verdade era que eu estava me afeiçoando a ela.

Ao ver minha cara de confusão, a japonesa completou:

- Mas qualquer coisa que você precisar saiba que pode contar comigo, Jeong.

- Você também. Caso se meta em alguma encrenca, eu estarei lá para ajudá-la.

Conversamos um pouco mais até que meu telefone tocou. Fiquei surpresa ao ver o número de Nayeon no visor. Mostrei a Momo que disse:

- O que está esperando? Atende logo esse telefone.

- Nayeon? - Falei, hesitante.

- Olá, Jeong. - Disse ela. - Só liguei para saber como você está.

- Estou bem. - Respondi - E você, está tudo bem?

Momo fez sinal para avisar que estava saindo do quarto.

- Bem, está tudo bem. Quer dizer, na verdade está tudo péssimo. Preciso te ver, Jeong.

- Eu também preciso te ver.

Ficamos em silêncio por uns instantes, procurando o que dizer.

- Procurei você hoje no treino, mas você não estava lá. - Disse Nayeon.

- Acho que perdi hora. 

- Queria ter ido a sua casa hoje, mas meu pai não deixou.

- Nay, você teria dado viagem perdida. Não estou em casa.

Ela fez uma pausa e perguntou, com a voz trêmula:

- Onde você está, Jeongyeon?

Suspirei.

- Na casa da Momo.

Pelo silêncio no outro lado da linha, a resposta não havia sido bem recebida.

- E você me diz isso assim? Na lata? - Questionou-me, mordaz.

- Nayeon, eu não quero mentir para você. E Momo está apenas me ajudando.

- Tudo bem. - Disse ela, após um tempo. - Posso te ver amanhã?

- Claro. Tem certeza que está tudo bem, Nay?

- Falamos sobre isso amanhã, Jeongyeon. Boa noite.

- Boa noite, Nay.

Ela desligou.


Notas Finais


🐘


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