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História Shelter - Capítulo 43


Escrita por: twistxdx

Notas do Autor


Esse capítulo não é para passar pano nas atitudes de Ivar, e sim entender o porque do surto dele.

Capítulo 43 - Os Motivos de Ivar


_Oi, Floki..._Ester saudou o homem alto apoiado no batente da porta, que observava a grávida dar um sorriso bastante forçado e então, logo viu as lágrimas escorrerem por seu rosto, notando também o quão nervosa ela estava já que não parava de se mexer nem por um segundo.

Como se não conseguisse se conter, Ester passou a chorar ainda mais para, de pé, segurando a barriga já grande, balançar uma adaga encardida de sangue tentando aliviar alguma coisa e isso bastou para que Floki virasse em diagonal ainda com seus olhos em cima dela para que entrasse junto com as crianças na casa.Não teve muito tempo de reparar em Miguel, mas notou que ele estava segurando a pequena irmã nos braços, sonolento, mas querendo prestar atenção em tudo enquanto estava suficientemente confuso assim como ele.

_O que aconteceu?_Floki perguntou sério, observando ainda mais o nervosismo que Ester esbanjava pelos ares e mesmo que tivesse feito esse questionamento, ele sabia que era algo com Ivar.Isso fez ele controlar um suspiro insatisfeito e se conter para não ir até onde o aleijado estava para dar alguma lição sem antes saber o que de fato havia acontecido.

_..._Ester não respondeu, mas passou seus olhos por Miguel, abaixando a cabeça e olhando para a adaga em sua mão, tendo a respiração trêmula enquanto tentava se controlar.

_Vai dormir garoto._Floki disse à Miguel num tom mandão e este só passou seus olhos pelos dois adultos no lugar, completamente insatisfeito por não poder fazer nada com a situação...pelo menos, não ainda.Ele prometeu a si mesmo saber sobre o que estava acontecendo de fato.Mas agora, ele apenas concordou em adentrar mais a pequena casa e encontrar algum lugar para que ele e a irmã voltassem a dormir.

Assim que as crianças saíram de perto, Ester jogou a arma no chão colocando as mãos no rosto, tentando não chorar muito alto para não dar motivos à Miguel para voltar e esse movimento fez com que ela sujasse seu rosto com o pouco de sangue que havia conseguido tirar de Ivar.Floki foi até a mulher, pegou em seu braço e a fez se sentar num dos bancos de madeira escura que estava por perto, esperando para que ela se acalmasse e o dissesse qual era o problema.

_..._Ester respirou fundo, trêmula, limpando o rosto mesmo que sua feição dissesse que ela queria se acabar de tanto chorar._...I-Ivar..._Tentou dizer mas gaguejou, o que a fez engolir em seco._...Ivar tentou matar a mim e ao meu bebê._Falou rápido, não querendo dizer essas palavras e isso bastou para que Floki soltasse o ar de seus pulmões numa clara irritação com o desossado e jurou que poderia sair de sua casa e espancá-lo no salão para que aprendesse a ter algum senso.

_Porque ele fez isso?_Floki perguntou querendo saber da versão de Ester, uma vez que já tinha ideia sobre a versão de Ivar.

_Ele acredita que eu o traí e que Hald é o pai do bebê._Ester respondeu enquanto o término de choro atrapalhava sua respiração.

Floki assentiu passando uma das mãos pelo rosto rapidamente, contendo a sua insatisfação com Ivar e assim, passou seus olhos por Ester, que parecia estar digerindo tudo aquilo assim como ele.

_Veio descalça?_Floki perguntou ao perceber os pés nús e pálidos da grávida, que pareceu notá-los só agora.

_E também de camisola..._Ester disse tremente, colocando seus pés um em cima do outro, sentindo a frieza deles._...Floki, eu tenho que sair daqui.Tenho que ir embora de Kattegat.Eu tenho que voltar para Castella._Disse embolada e rápido, passando a chorar outra vez, ao mesmo tempo em que soluçava de tristeza.

_Menina, você não está em condições de fazer nada._Floki disse controlando o ralhar, mas Ester o ouviu tratando suas palavras como divinas._Você está provavelmente de sete meses, a viagem de barco levaria dois meses e meio, isso indo muito rápido e torcendo para não ter tempestades em alto mar.E se entrar em trabalho de parto enquanto estiver indo até a sua terra?Além disso, não vai garantir que Ivar fique longe de você.Pelo o que bem conheço, iria te seguir até Helheim._Com suas palavras, isso bastou para que Ester assentisse chorosa, sem encará-lo, abaixando a cabeça._Eu vou descobrir toda essa história e dar uma lição em Ivar e, quando o bebê nascer e você ainda querer ir embora mesmo Ivar tirando a prova de que é filho dele, eu mesmo te levo para Castella._

Floki nunca desconfiou de Ester, assim como Katheryn e Miguel, que eram quem sabiam sobre o boato e quem conheciam a rainha de perto.E além disso, Floki via os olhos da grávida brilharem ao falar de Ivar quando eles estavam juntos -com a companhia de Hald também- e quando a viu pela primeira vez no porto -além dos outros dias que se seguiram ao encontrar o casal juntos- percebeu que ela seria incapaz de fazer algo que machucasse Ivar.Bom, pelo menos, que o machucasse até matar.

Mas Ivar havia passado dos limites ao fazer o que a grávida tinha contado.Soube que o desossado foi casado antes e não teve a oportunidade de conhecer a primeira mulher, Freydis, que morreu sufocada pelo próprio e isso sem mencionar o filho aleijado e abandonado para morrer.Floki tinha pensado que, assim como a mãe de Ivar, este teria poupado sua cria que viria com alguma deficiência, mas para a sua surpresa, percebeu que o desossado não era mesmo nem um pouco complacente.

Ester esperando pelo bebê o lembrava sua querida Helga, a quem infelizmente perdeu.Além de perder sua mulher, também perdeu sua filha e ao ver Ivar tratando Ester dessa forma, tentando matar os dois ao mesmo tempo, ele realmente estava querendo espancar bastante o desossado e perguntá-lo se não tinha amor por nada.

_..._Ester suspirou ao mesmo tempo que seu queixo tremia._...obrigada._Ester agradeceu num sussurro e Floki assentiu em concordância, se levantando e indo calçar suas botas enquanto tinha os olhos da grávida em cima dele.

_Eu vou até aquele aleijado, vou mandar alguém vir para cá ficar com você._Floki disse após já estar calçado e olhou para Ester que tinha o nariz vermelho assim como seus olhos._Se não conseguir dormir, pega um dos cobertores que estão no armário._Avisou sem esperar por respostas e logo saiu da casa, passando a andar a passos largos para uma das casas da cidade, sabendo muito bem quem morava ali.

Assim que chegou notou uma movimentação ao lado de fora e percebeu ser a pessoa quem queria que fosse até Ester e no amanhecer, percebeu este ainda acordado.Ele deixou isso de lado e foi se aproximando com a mesma rapidez, chamando a atenção.

_Bom dia..._Hald começou a dizer com as sobrancelhas juntas não entendendo a visita tão cedo de Floki em sua casa.Ele estava se preparando para sair de Kattegat para caçar e fazer alguns mantos de peles que estava precisando, mas antes que ele pudesse concluir sua frase, já foi cortado por Floki.

_Vá para a minha casa, Ester está lá junto com os garotos._Floki o disse

_..._Hald respirou fundo tendo seus olhos em cima do outro apoiando o peso de seu corpo numa perna só, retorcendo a feição em preocupação._...O que aconteceu?_

_Anda logo._Floki respondeu não dando mais detalhes já se distanciando e isso fez com que Hald se exaltasse, logo se pondo a caminhar rapidamente para a casa do outro tentando imaginar o que havia ocorrido.

Floki, por sua vez, enquanto Hald tomava o caminho contrário, continuou a andar para o salão no curso que muito bem conhecia e assim que entrou, estava vazio, ainda sem ninguém acordado e isso bastou para que atravessasse e procurasse Ivar pelo quarto.

No meio do silêncio interrompido pelos passos muito bem audíveis de Floki, Ivar ainda estava ao chão e não moveu sequer um músculo desde que Ester saiu do quarto. No início da noite, quando ainda estava na praia com a grávida, ouvindo-a dizer o que sentia no momento, Ivar teve uma mistura de sentimentos no peito.

"O que está acontecendo, Ivar?As minhas palavras não têm significado para você?!...Eu não tenho significado para você?"[...]"O problema é você acreditar nas pessoas que não se importam se você está vivo ou morto ao invés de confiar em mim, que troquei tudo por você!"[...]"Ivar...você me magoa..."

As palavras de Ester ecoavam em sua mente até agora e quando ainda estava na praia, ele realmente queria dizê-la alguma coisa, mas não conseguiu.O que conseguiu fazer foi abaixar o olhar ressoando as palavras da grávida em sua mente, passando seus olhos na barriga avantajada de Ester.Assim como ela, Ivar estava magoado, muito magoado...talvez ainda mais do que já estivera antes de tudo.Ele lembrava das palavras das pessoas de Kattegat, que insistiam em falar entre si como se ninguém ouvisse que o bebê que sua esposa carregava não era dele e sim, ele duvidou.

Duvidou porque era difícil, pelo menos em sua cabeça, que mesmo tendo feito "coisas", Ester ainda continuava com ele.Por um momento desconfiou dela.Porque continuava aqui quando ele conseguiu ser ruim o suficiente para ela?E então ele se lembrou de suas palavras dizendo-lhe que o amava, de forma doce e calma, do jeito que ele gostava de ouvir, como um deleite aos seus ouvidos.Foram poucas as vezes que Ester disse tais palavras, mas em comparação à ele, foram muitas...Ivar sabia que Ester não dizia isso a ele frequentemente como dizia à Miguel ou Lila porque ela não gostava do silêncio que recebia.Nem ele gostava do silêncio que a dava, mas não conseguia dizer nada, parecia que tinha algo engasgado na garganta que o impedia de dizer qualquer coisa.Mas ele tentava dizê-la em silêncio, tentando fazer entendê-la que SIM, ela importava...e importava muito para ele.Mas continuou duvidando porque não acreditava que ela não queria se vingar dele de alguma forma.

Duvidou de Ester porque lembrou-se também das palavras da bruxa no dia do sacrifício, depois de seu casamento em Kattegat: "Se a primeira vida a rainha não conseguir gerar, então Valhalla será o seu novo lugar".Sem problemas, Ivar conseguiu decifrar a charada e isso o alertou...sabia como se sentia com Ester, como se excitava, como ela o excitava, mas por um breve momento em sua mente se passou o fato de que ele deveria ser estéril já que a esta altura sua esposa deveria ter ficado grávida.Ele pensou que preferia deixá-la morrer à vê-la com outro homem...preferia isso ao saber que ela carregava o filho de outro homem.Mas como ele teria forças para encarar sua morte real quando nem em sonhos conseguia?

Há tempos atrás, assim que Ivar fechava os olhos, tinha sonhos vívidos com Ester.Ele estava feliz, ela estava feliz, mas então tudo mudava de uma hora para outra.Um belo dia de sol se tornava sombrio e escuro e Ester que antes sorria e brincava livre por um campo, era amarrada num tronco de árvore e apanhava até a morte, chorando e gritando para quem quer que fosse parar, mas não era atendida e não importa o quanto Ivar tentasse sair de seu lugar e protegê-la, ele ficava preso, sem ação.Quando tudo terminava, ele tinha de volta as movimentações de seu corpo, restando-o apenas a abraçar o corpo mole, frio e morto de sua esposa que tentou continuar viva, sem sucesso.

Em outro sonho, também não tinha controle de seu corpo que agia como uma marionete controlada por outra pessoa e assim, matava Ester com um simples golpe de adaga na jugular e então, apenas assistia a mulher atônita se engasgando e se afogando em seu próprio sangue, tentando controlar o fluxo rápido com ambas as mãos ao mesmo tempo em que desfalecia e ao chão, já deitada, perdia sua vida com a garganta dilacerada.Assim como em seus outros sonhos, Ivar só conseguia fazer algo quando era tarde demais, onde apenas o restava ter o corpo da mulher em seus braços, pedindo para que voltasse.

Ivar, no dia do sacrifício quando ouviu as palavras, quis fazer muitas outras perguntas, mas não encontrou a bruxa por perto.E então, na calada da noite, esqueceu-se do que estava o perturbando assim que colocou os olhos em sua esposa do outro lado da plataforma, que estava caminhando para banhar-se no sacrifício, grudando seus olhos nela sem conseguir desviar nem por um segundo.

Ivar duvidou de Ester quando a viu com Hald, parecendo muito feliz enquanto o outro homem não estava diferente e a única vez que a vira assim foi no dia em que a pediu em casamento.E por fim, mais uma vez, a sua mente paranóica o fez desconfiar quando a viu ir embora da praia, dando-lhe as costas e não esperando por mais nada quando ele realmente se esforçava em tomar alguma atitude.Seus pensamentos sussurraram com palavras venenosas que ela iria procurar algum afeto em outro lugar, ou em outra pessoa.

Ivar passou seus olhos no mar, com uma feição abatida e não muito boa, até tristonho, raspando seus dentes uns nos outros enquanto -outra vez- quase implorava aos deuses para que o bebê que Ester esperava fosse realmente dele.

Ele desistiu de ficar ali, pensando em alguma coisa e logo encaminhou-se a um lugar qualquer, encontrando Hvitserk no caminho, sentado num banco com um copo de algo em mãos.Tomou dele ouvindo o protesto do irmão e bebeu a cerveja que havia restado.Sentando-se num banco Ivar decidiu que encheria a cara mesmo não sendo de seu feitio.Ele queria ficar bêbado até desmaiar.

Algumas boas quantidades de cerveja depois e não tendo mais a companhia de Hvitserk -que decidiu que tinha coisa melhor para fazer do que ficar perguntando ao irmão o que tinha acontecido e ser ignorado-, Ivar parou com o copo inacabado em mãos e os olhos presos em algum lugar inoportuno enquanto via algumas coisas embaçadas e sentia-se um pouco zonzo.Sua mente logo começou a trabalhar talvez da forma como nunca trabalhou antes, então, Ivar pensou em Hald e isso fez com que ele começasse a sentir raiva e com esse pensamento, logo as palavras malditas de que o bebê de Ester não o pertencia o perturbaram e então, ele queria fazer Hald sofrer como um desgraçado.

Ivar levantou-se do banco, jogando o copo com o restante da bebida ao chão ao mesmo tempo em que não se importava com os outros bêbados no lugar.Desequilibrou-se em seus passos acompanhados pela muleta, mas não caiu e continuou firme em seu caminho, sem se desviar por nada enquanto sua feição estava retorcida e sua mente o fazia pensar em apenas uma coisa: o quanto queria fazer Hald sofrer, ele tinha conquistado a confiança de Hvitserk e Ivar pensou que seu irmão era mais leal à Hald que a ele próprio.Ivar não fez nada com Hald em questão à Hvitserk, mas ele não o deixaria ter a sua mulher, isso nunca.Então Hald iria sofrer.Nem que, para isso, Ivar precisasse sofrer também.

As ruas estavam desertas pela madrugada e Ivar continuava em seu caminho, lentamente, ainda sentindo o gosto da bebida em sua boca ao mesmo tempo em que se sentia um pouco sonolento, e lento.Encontrou o salão vazio como era de se esperar e nos mesmos passos nada apressados, cortou o ambiente em direção ao quarto que dividia com sua esposa e assim que colocou seus pés na entrada, a encontrou adormecida no canto da cama com o espaço enorme e vazio atrás de suas costas, onde ele deveria se deitar, mas não o fez.

Ivar se aproximou ainda lento, sentando-se na parte livre perto de Ester, olhando-a serena em seu sono e se lembrou do dia que estava na Inglaterra, em Castella quando foi avisá-la sobre o corpo do falecido rei.Mas diferente daquele dia, ele a tocou, sentindo os cabelos macios da mulher em seus dedos e então, os afastou, dando uma perfeita visão de seus ombros cobertos por um vestido qualquer assim como seu rosto tranquilo.Ivar passou seus dedos extremamente ásperos pelo rosto de Ester, que se remexeu um pouco, como numa forma de carinho...o máximo que ele poderia dá-la neste momento e assim, ouviu mais uma vez os resmungos sussurrantes de sua mente, o que o fez deixar de acariciá-la e pegar o machado preso em seu cinto com a mão esquerda.

Dessa forma, pegou a arma, deixando-a próxima o suficiente do corpo de Ester, mas antes que começasse a abri-la numa linha reta desde o ventre que embala um bebê até o peito onde tiraria seu coração e sentiria seus últimos batimentos em sua mão, ele parou.Assim como nos sonhos, ele não tinha mais o movimento de seu corpo e nem se deu conta por isso, apenas observou o rosto calmo de Ester com a mente vazia e em algum segundo, Ivar pensou: "Isso realmente precisa acontecer?" e depois de algum pequeno espaço de tempo, pensou também que não queria fazer isso, não queria ser o responsável pela morte de Ester quando nem em sonhos conseguia suportar ao saber que falsamente a tinha matado.

O desistir da ação o fez relaxar o corpo que nem sabia que estava tenso e então a lâmina do machado apoiou-se no ventre alto de Ester, que franziu o nariz sentindo cheiro de álcool e acabou acordando, encontrando Ivar segurando a arma com a parte metálica apoiada em seu corpo e então, no susto agiu rapidamente se afastando de Ivar, chutando a mão que segurava o machado e bater em seu rosto com uma escova de cabelo com partes feitas de ferro.

Assim que recebeu o golpe na bochecha esquerda, Ivar caiu ao chão, também resultado de sua bebedeira e já deitado, sentindo a carne de sua boca cortada por dentro, viu Ester em cima dele forçando uma de suas adagas contra o seu pescoço, onde a sentiu rasgar sua pele.

_Você tentou me matar?!Matar o meu bebê?!_Ester perguntou trêmula e ofegante num rangido enquanto Ivar apenas conseguia ter seus olhos nela e ouvir o que ela dizia._Ivar, o seu erro é achar que eu sou igual a sua primeira mulher, Freydis.Mas é melhor escutar bem: se você estiver querendo fazer algum mal às minhas crianças...ou melhor, se você apenas pensar em fazer mal à elas.Eu acabo com você, Ivar..._Ali ele percebeu a força de Ester e sabia que ela falava a verdade.Quase sorriu com isso.Muito protetora.Mas ao mesmo tempo em que se controlava para não sorrir simples com a visão de Ester protegendo os filhos com a vida, Ivar sentiu a adaga sendo pressionada contra a sua pele e logo teve em mente que já estava sangrando._...eu acabo com a sua vida._

Ester acabou saindo de cima de Ivar e assim, saiu do quarto como um furacão pegando algum manto que estava em algum lugar qualquer enquanto Ivar continuava deitado no chão, sem forças para fazer nada.Sua mente logo o alertou com letras garrafais que não queria ela longe, mas obrigou-se a ficar em silêncio no mesmo lugar, sentindo um incômodo na garganta e o gosto de sangue na boca.Logo também vieram pensamentos novamente, aqueles que sussurravam que ela iria atrás de Hald como se fosse uma maldição e Ivar, no momento, pensou que talvez mereça sentir a dor ao saber que ela realmente procuraria o outro.

Esperando por alguma benção divina, Ivar ficou no mesmo local sem se mover até que Floki estivesse por perto e assim que este o viu deitado ao chão, pegou-o pelo colete e o levantou, rude, deixando-o sentado na cama com os ombros caídos, um filete de sangue escorrendo pelo pescoço e uma feição que não demonstrava seus sentimentos, mas que indicava seu abatimento.

Floki não estava com uma feição nada boa, e também não estava se agradando com o comportamento de Ivar.Ele colocou as mãos na cintura, um pouco impaciente, franzindo o nariz e os lábios, com as sobrancelhas juntas enquanto Ivar passava seus olhos cristalinos por Floki e depois direcionava-os para algum lugar sem importância, conseguindo ouvir sua respiração muito bem audível.

_..._Floki caminhou até a frente de Ivar, abaixando-se um pouco para ficar em sua altura, pegando-o pela nuca com as duas mãos e colocando seus olhos no dele, tentando entender o porquê do acontecimento._...O quê que há, Ivar?!_Floki perguntou misturado com uma exclamação._Hm?!_Bateu as mãos na cabeça do outro, que não queria dizer nada, só desfrutar sobre o que ele merecia que a mulher fizesse com ele.

Mas antes que Floki tentasse fazer mais algum tipo de comunicação, outros passos soaram por perto, atraindo a atenção dos dois homens que notaram ser Miguel, que não tinha lá uma feição muito boa.Logo cedo, seguiu sua mãe sem fazer nenhuma pergunta, mesmo estando mais confuso do que sonolento e assim que foi mandado colocar Lila para dormir e fazer o mesmo, ele não obedeceu.Deixou a menina na cama e escutou a conversa de Floki e sua mãe, sabendo finalmente o que havia acontecido para ser acordado na madrugada.

Quando Miguel ouviu o que Ester contou a Floki, ele não queria acreditar e pensou em mil e um motivos para tentar desculpar o que Ivar havia feito, mas mesmo assim, não teve sucesso.Engolindo em seco e tentando conter a sua agitação para sua mãe não ficar preocupada enquanto se recuperava do enorme susto, ele esperou pelo alguém que Floki mandaria e assim que viu Hald entrar pela porta, ele saiu da casa ouvindo Ester chamá-lo, mas ele não podia respondê-la, precisava entender o porque de Ivar fazer isso, torcendo para que ele tivesse um motivo justo.

O menino se aproximou dos dois, fazendo com que Floki voltasse a sua postura correta enquanto Ivar deslizava suas íris dos olhos de Miguel para seus pés, vendo-o chegar cada vez mais próximo, em silêncio.

_Porque fez aquilo?_Miguel perguntou e isso bastou para que Ivar tentasse encará-lo outra vez, vendo-o com as sobrancelhas juntas numa tristeza.Ivar umedeceu os lábios deixando um pequeno rastro de sangue neles ainda tendo dificuldade de sustentar os olhos de Miguel._Ivar, eu preciso saber._

_Eu tentei fazer aquilo por muitos motivos._Ivar respondeu o garoto, com um tom de voz não muito confiante._Mas eu desisti de fazer aquilo._

_Porquê?_Floki perguntou cruzando os braços, atraindo a atenção de Miguel que não entendeu o sentido de sua pergunta, mas o outro estava tentando entender se Ivar continuaria numa perseguição mortal à Ester e o bebê.

_Porque eu não queria perder ela também._Ivar sem querer respondeu a Floki, como se as palavras pulassem de sua boca, não encarando ele e nem Miguel, mantendo sua postura decaída e sua feição numa mistura de abatimento e tristeza.


Notas Finais


Esse capítulo não é para passar pano nas atitudes de Ivar, e sim entender o porque do surto dele.


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