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História Shelter (Malec) - Capítulo 14


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Capítulo 14 - Ideias Arriscadas


 Minha irmã acordou melhor na manhã seguinte e continuou assim por alguns dias, parecendo bem mais disposta e com o apetite recuperado, o que me encheu de alívio. No Lar dos Morgenstern, ficar doente – ainda que fosse apenas por uma simples gripe – não era só desagradável, mas sim muito perigoso. Sem acesso a um atendimento médico e remédios adequados, qualquer pequeno problema de saúde podia evoluir para algo mais grave rapidamente.

 Os próximos dias se seguiram com a mesma rotina de sempre, entre limpar a casa, comer menos comida do que realmente precisávamos, estudar com livros totalmente ultrapassados e dormir mal. A senhorita Blackthorn não voltou a nos visitar nenhuma vez sequer e esse fato também me deixou aliviado: apesar da assistente social ter parecido bastante compreensiva ao conversar comigo sobre meu relacionamento com Magnus, eu ainda não tinha certeza de que podia mesmo confiar nela.

 Porém, todo o meu alívio durou muito pouco, porque logo comecei a perceber que Magnus estava estranho, muito mais quieto do que de costume. Ele também parecia ter perdido o apetite e quase não comia nada durante as refeições, pálido e abatido. Comecei a me perguntar se Magnus tinha se contagiado com seja lá qual fosse a doença de Izzy e a ideia me deixou imediatamente apreensivo. Cheguei a perguntar se estava se sentindo mal, mas ele negou, respondendo que só se sentia cansado por causa da nossa rotina de trabalho pesado.

 Mas Magnus não conseguiu manter seu fingimento por muito tempo: uma noite, enquanto dormíamos em frente ao quarto das meninas, notei que ele tremia muito, agarrado em mim como quem se agarra à uma tábua de salvação. Levei a mão à sua testa e me retraí quando meus dedos encostaram na pele fervente.

 — Meu Deus, você está ardendo em febre! – quase gritei, apavorado.

 Magnus se aconchegou mais em mim, batendo queixo.

 — Deve ser só um resfriado bobo, aposto que vou acordar melhor amanhã. – afirmou.

 — Não precisa se fazer de durão comigo, Magnus. – retruquei, enrolando mais o cobertor ao redor dele. – Estou vendo que você está doente de verdade. Talvez fosse melhor até chamar a Aline e perguntar se ela não pode te preparar algum chá que ajude a baixar sua temperatura.

 Tentei me levantar, mas ele segurou o meu braço com força, balançando a cabeça.

 — Não, não quero incomodar ninguém. Vamos esperar até amanhã de manhã e aí, se eu não estiver mesmo melhor, chamamos ela.

 Apesar de não gostar muito da ideia de deixa-lo ardendo em febre daquele jeito a noite toda, concordei com a cabeça. Puxei o corpo dele para mim, tentando aquecê-lo com o meu próprio calor, e fechei os olhos, mas não consegui dormir. Minha cabeça girava, cheia de dúvidas, enquanto Magnus continuava aconchegado em mim, batendo queixo e tremendo.

 Isso continuou até o nascer do Sol, quando minha preocupação falou mais alto, então o deixei sozinho ali, apoiado na parede, e entrei no quarto das meninas com passos silenciosos, antes mesmo que o despertador tocasse.

 — Aline! – chamei, quase sussurrando, em pé ao lado da cama onde ela dormia abraçada à uma das meninas menores. – Por favor, acorde!

 Aline se sentou sobre a cama na mesma hora, alarmada – era isso que viver no Lar dos Morgenstern fazia: nos deixar em um estado de alerta constante, até durante o sono.

 — O que foi? Aconteceu alguma coisa? – perguntou ela, correndo os olhos ao redor do quarto, à procura de alguma ameaça.

 — Magnus está doente. – respondi.

 Ao ouvir isso, Aline se levantou e calçou os chinelos, agitada.

 — O que ele tem?

 — Uma febre altíssima, que durou a noite toda. – contei, enquanto ela me seguia para fora do quarto.

 Magnus havia se deitado sobre o chão frio do corredor, com a coberta toda enrolada ao redor do seu corpo como um casulo. Ele ainda tremia, gemendo baixinho, e senti o pânico crescendo dentro do meu peito: Magnus não era do tipo de pessoa que gosta de fazer drama, então supus que devia estar realmente mal para agir daquele jeito.

 Aline se agachou ao lado dele, pôs a mão sobre a sua testa e arregalou os olhos. Depois o seu lado enfermeira assumiu a situação, então ela o ajudou a se sentar e começou a examiná-lo, checando as conjuntivas e apalpando a garganta.

 — Além da febre, o que mais você sente? – quis saber.

 — Muita dor de garganta e dificuldade para engolir. – respondeu ele.

 Aline apertou as laterais do pescoço dele e Magnus se retraiu, fazendo uma careta de dor.

 — Os gânglios estão bastante inchados. – disse ela.

 — E o que isso quer dizer? – perguntei, cada vez mais preocupado.

 Aline suspirou e ficou de pé.

 — Pode ser uma faringite ou até uma laringite, só um médico poderia dar o diagnóstico certo. Mas de todo jeito é provável que ele precise tomar antibióticos.

 Meu coração falhou uma batida ao ouvir aquilo: a única maneira de conseguir antibióticos era com uma receita médica e os Morgenstern nunca nos levavam ao médico, o que tornava tudo impossível.

 — Não tem nada que você possa fazer para ajudar? Talvez um chá?

 Ela suspirou mais uma vez, antes de dizer, com uma voz suave:

 — Nem tudo pode ser curado com ervas, Alec. Certas coisas precisam ser tratadas com a medicina tradicional.

 Meu estômago despencou até os pés e congelei ali, no meio do corredor. Izzy tinha melhorado e eu pensei que tudo ia ficar bem, pelo menos por um certo tempo, mas é claro que a vida naquela casa nunca poderia ser fácil.

 — Ele não pode ficar assim, Aline. – afirmei, me agachando ao lado de Magnus e sentindo meus olhos ficarem marejados. – Tem que existir alguma coisa que a gente possa fazer, nem que seja para pelo menos ajudar essa febre a baixar.

 — Nós podemos aplicar compressas frias na testa dele. – sugeriu Aline. – Mas o ideal mesmo seria arranjar algum antitérmico.

 Passei meus braços sob os ombros de Magnus, para ajudá-lo a ficar de pé.

 — Vamos tentar as compressas primeiro. Você sabe tão bem quanto eu que é muito difícil arranjar qualquer tipo de remédio nessa casa.

 Ela concordou com a cabeça e se aproximou, pronta para me ajudar a levá-lo para o quarto, então o despertador tocou, nos fazendo franzir o rosto e fechar os olhos, incomodados com o barulho. Logo os outros começaram a sair dos quartos, rumo ao banheiro, nos olhando com curiosidade, mas no fim todos seguiram seu caminho sem fazer perguntas ou oferecer ajuda, exceto Izzy.

 — O que houve? – perguntou minha irmã. – O que há de errado com o Magnus?

 — Ele está doente, com muita febre. – respondi.

 A preocupação tomou conta do rosto dela na mesma hora.

 — Meu Deus! E o que vamos fazer agora? Duvido muito que os Morgenstern concordem em levá-lo ao médico.

 — Nós vamos tentar abaixar a febre com compressas. – contou Aline, antes de completar: – E torcer muito para dar certo.

 Então nós três tentamos levar Magnus para o quarto, mas ele não deixou.

 — Se os Morgenstern descerem e não me virem à mesa do café da manhã vão querer saber o que aconteceu. – explicou.

 — Você precisa descansar um pouco até que a sua temperatura volte ao normal, Magnus. – tentei argumentar.

 Mas Magnus balançou a cabeça e insistiu:

 — Não podemos deixar que eles descubram que eu estou doente e dar chances para que usem isso contra nós. Posso muito bem descansar depois do café da manhã, longe das vistas deles.

 Hesitei um pouco, mas por fim acabei concordando com a cabeça, sabendo bem o quanto ele podia ser teimoso. Então nós quatro tratamos de nos apressar e fomos para a fila do banheiro. É claro que ficamos por último e, enquanto esperávamos pela nossa vez, Magnus se apoiava em mim, com o rosto cada vez mais pálido.

 Assim que entramos na cozinha, todos os olhares se voltaram para ele, já que qualquer um podia perceber que Magnus estava doente. Aquele menino menor com quem ele havia dividido sua comida logo depois de chegar ao Lar dos Morgenstern se aproximou, com o rostinho preocupado.

 — Você está passando mal? – perguntou.

 Magnus bagunçou os cabelos dele.

 — É um só um resfriado bobo. – afirmou, fazendo um esforço para sorrir.

 Mas eu, Aline e Izzy trocamos olhares preocupados, sabendo que isso não era verdade: ele estava doente de verdade, precisando muito de descanso e cuidados médicos, duas coisas raras naquela casa.

 Durante todo o café da manhã, Magnus quase não comeu. À cada colherada de mingau, ele se retraía e fazia uma careta de dor. Tivemos a sorte de nem a senhora Morgenstern e nem Sebastian apareceram no andar debaixo, porque se isso tivesse acontecido os dois com certeza teriam percebido que havia algo de errado com ele.

 Quando acabamos de comer, eu e Aline o levamos para o quarto, junto com uma bacia de água gelada. Começamos a aplicar compressas na testa dele, que parecia ainda mais quente do que antes, fazendo os panos se aquecerem em uma velocidade impressionante. Percebendo minha expressão preocupada, Magnus tentou me tranquilizar fazendo piada da situação:

 — Não precisa ficar me olhando desse jeito, como se eu fosse dar meu último suspiro em menos de quinze minutos. Já esqueceu que eu vivi nas ruas por anos? Se não morri de leptospirose, não é uma dor de garganta estúpida que vai me matar.

 Me forcei a sorrir, mas a verdade é que minha preocupação só aumentava cada vez mais. Pensei em revirar o armário do banheiro à procura de um antitérmico ou anti-inflamatório que fosse, mesmo sabendo que não havia nada lá além das nossas escovas de dentes e um tubo de pasta já pela metade.

 — Vocês têm que ajudar os outros nas tarefas do dia, senão vão acabar se metendo em encrenca. – lembrou Magnus.

 Olhei para Aline, apreensivo: eu sabia que ele estava certo, mas não queria sair de perto dele nem por um minuto sequer.

 — Fique tomando conta dele, eu faço a sua parte por você. – disse ela.

 Mesmo sabendo que eu deveria recusar a oferta dela, não tive coragem e concordei com a cabeça.

 — Muito obrigado, Aline. Fico te devendo uma a partir de agora.

 Aline apenas sorriu e saiu do quarto com passos apressados, então voltei a me concentrar na tarefa de aplicar compressas na testa de Magnus. Meu coração se apertou ao perceber o quanto parecia frágil deitado ali, com o rosto pálido e suado.

 — Eu já disse que você não precisa se preocupar, Alexander. – repetiu ele. – Não vou morrer por causa dessa febre idiota.

 Sem saber o que dizer, continuei pressionando o pano úmido contra a pele dele, em silêncio. Não demorou muito até que Magnus pegasse no sono, finalmente vencido pela exaustão e pela febre. Pensei em aproveitar para ajudar aos outros na rotina de tarefas, porém hesitei, com medo de deixa-lo ali sozinho. Por fim achei que seria muita injustiça deixar que Aline arcasse com a minha parte das tarefas também e sai dali, mesmo com o coração apertado.

 Enquanto tirava o pó dos móveis da sala e aspirava o tapete, eu não parava de pensar em Magnus, parando à cada meia hora para ir até o quarto dar uma olhada nele e tocar sua testa, que aos poucos começou a parecer menos quente, para o meu alívio. Na hora do almoço levei um sanduíche de geleia e pasta de amendoim para ele, mas Magnus se recusou a comer, dizendo que sua garganta doía muito, e logo voltou a dormir.

 Me sentei no chão, ao lado do beliche, desolado e sem saber o que fazer. De repente senti uma vontade muito grande de chorar, porém consegui me conter e apenas continuei ali, assustado e preocupado. A verdade é que, mesmo antes de Izzy e Magnus adoecerem, eu já estava me cansando daquilo tudo, de viver com medo, sempre pisando em ovos, vigiando cada passo meu, cada palavra saída da minha boca, temendo a reação dos Morgenstern.

 Não demorou muito até que minha irmã viesse me chamar, avisando que a hora dos estudos tinha chegado. Eu a segui até a sala, mas é claro que não consegui me concentrar nas nossas apostilas ultrapassadas, com a cabeça ainda cheia de preocupações. Mais uma vez, Sebastian e sua mãe não apareceram no andar debaixo, o que fez com que eu ficasse intrigado e me perguntando se os dois estavam tramando alguma coisa.   

 Antes de começarmos a preparar o jantar, fui até o quarto para ver Magnus, que continuava dormindo. Toquei a testa dele de novo e percebi que a sua temperatura tinha aumentado um pouco, o que me deixou alarmado. Depois que o jantar ficou pronto, levei um pouco de espaguete com almôndegas para ele – para variar, a quantidade de comida disponível era bastante escassa, então lhe cedi metade da minha porção. Dessa vez Magnus aceitou comer, mas no fim das contas não conseguiu engolir nem um terço do prato, se queixando de dores fortes na garganta.

 Assim que acabou de comer, ele levantou da cama e me apressei em apoia-lo.

 — Eu posso andar sozinho. – afirmou Magnus, embora parecesse ter uma certa dificuldade para se manter em pé. – Só preciso ir ao banheiro e então nós podemos assumir nosso posto em frente ao quarto das meninas.

 Ao ouvir isso, arregalei os olhos.

 — Você não pode dormir no chão gelado do corredor nesse estado!

 — E quem vai ficar vigiando o quarto delas, então? – retrucou ele.

 Hesitei, sabendo que Magnus tinha um ponto: se nós não tomássemos conta das meninas, ninguém mais faria isso e então elas estariam totalmente desprotegidas. Pensei em tudo que minha irmã, Aline e Hellen tiveram que enfrentar, mas também pensei em Magnus dormindo no chão gelado doente daquele jeito. Por fim, mesmo com dor no coração, acabei cedendo.

 — Tudo bem, vamos passar a noite no corredor. Mas você tem que me prometer que vai se enrolar bem no cobertor.

 Ele assentiu.

 — Pode deixar, mamãe. – disse, rindo. Depois voltou a ficar sério e completou: – Não precisa se preocupar, eu já falei que vou melhorar logo.

 Também assenti, tentando com todas as minhas forças acreditar nele. Fomos ao banheiro – que estava completamente vazio, já que todos os outros já tinham ido para os seus quartos – e depois nos acomodamos no corredor. Magnus parecia um pouco mais corado e sua temperatura continuava baixa, então me iludi, pensando que talvez tudo ficasse realmente bem.

 Porém, minha esperança foi pelo ralo quando acordei algumas horas depois e percebi que ele tremia sem parar, com o rosto pálido e suado. Toquei sua testa e arregalei os olhos ao sentir a pele fervente contra o dorso da minha mão.

 — Você está ardendo em febre de novo! – falei, em pânico.

 Magnus se aproximou mais de mim, tentando se aquecer.

 — Eu... estou bem. – afirmou, tremendo de um jeito que deixava claro que isso não era verdade.

 Passei o resto da noite o vigiando e não consegui dormir mais. Uma ideia arriscada se formou na minha mente e tentei pensar em outra solução, mas não consegui encontrar nenhuma. Então, quando o dia estava apenas amanhecendo, entrei no quarto das meninas e chamei Aline.

 — Desculpe te acordar cedo de novo, mas preciso que fique tomando conta do Magnus enquanto subo para falar com a senhora Morgenstern. – falei.

 Ela arregalou os olhos, alarmada, e pulou da cama.

 — Por que você quer falar com ela?

 — O Magnus está com febre de novo, então vou tentar conseguir algum antitérmico. – expliquei.

 Aline assentiu, mas sua expressão deixou claro que não acreditava que meu pedido seria atendido. Ela me seguiu para fora do quarto e se agachou ao lado de Magnus, apertando as laterais do pescoço dele.

 — Os gânglios continuam inchados. – disse. – Seria bom se você conseguisse algum antibiótico, como amoxicilina, mas acho que um anti-inflamatório já ajudaria um pouco, pelo menos para aliviar a febre.

 Assenti e saí dali, apressado e nervoso. Eu sabia que estava me arriscando muito, que talvez a senhora Morgenstern me castigasse por tê-la importunada tão cedo, mas também sabia que valia a pena correr qualquer risco que fosse para tentar ajudar ao Magnus. Eu tinha certeza que ele faria o mesmo por mim ou pela minha irmã, por isso subi os degraus da escada com passos firmes e respirei fundo antes de bater na porta do quarto dela.

 Logo ouvi passos e resmungos vindos do lado de dentro, seguidos pelo barulho da fechadura sendo aberta.

 — Espero que a casa esteja pegando fogo, porque essa é a única razão plausível para que eu seja acordada à essa hora da matina. – disse a senhora Morgenstern, abrindo apenas uma fresta pequena da porta.

 — Me desculpe por incomodá-la tão cedo, senhora. – respondi, tentando ser o mais educado possível, para não irritá-la ainda mais. – Eu não teria feito isso se não fosse realmente uma emergência.

 — Diga logo o que Diabos aconteceu e me deixe voltar a dormir, garoto. – retrucou ela, bocejando.

 Respirei fundo mais uma vez, antes de ir direto ao ponto:

 — Magnus está muito doente desde ontem, com uma febre altíssima. Então queria saber se a senhora não poderia arranjar algum remédio que eu possa dar para ele, talvez um antibiótico ou ao menos um antitérmico.

 A senhora Morgenstern bufou e revirou os olhos.

 — Aposto que aquele garoto insolente está apenas fingindo tudo isso, só para me irritar.

 — Tenho certeza de que ele não está fingindo, senhora. – afirmei, me controlando para não demonstrar a raiva que sentia por ela estar duvidando dele.

 — Então trate de dar um banho frio nele, isso deve ajudar. – disse ela.

 A senhora Morgenstern tentou fechar novamente a porta, mas eu a impedi.

 — Aline e eu já aplicamos compressas frias na testa dele, mas não adiantou. – contei. Depois, deixando o desespero tomar conta de mim por alguns instantes, praticamente implorei: – Por favor, ele precisa tomar algo que o ajude a melhorar. Eu faço qualquer coisa que a senhora quiser em troca de qualquer remédio que seja.

 Ela bufou mais uma vez, os olhos cintilando de raiva.

 — Nosso estoque de medicamentos está completamente vazio. Não me parece nada justo que vocês não cuidem direito da própria saúde e depois nos façam gastar dinheiro comprando remédios. Além do mais, tenho certeza que essa doença do Magnus não passa de puro fingimento.

 A senhora Morgenstern começou a fechar a porta de novo, mas antes olhou para mim e completou:

 — E saiba que você será punido por ter ousado me incomodar tão cedo: um dos vizinhos solicitou os nossos serviços mais uma vez e você será um dos escolhidos, mas vai ter que me entregar todo o seu pagamento.

 Saí dali cabisbaixo e com medo, sem saber o que fazer. Desci a escada devagar, quase me arrastando, com vontade de chorar e gritar ao mesmo tempo, porém me detive no último degrau, quando outra ideia, ainda mais arriscada do que a última, surgiu na minha cabeça.

 E, mais uma vez, segui a passos firmes para o corredor, sabendo que o risco valeria a pena.

  



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