1. Spirit Fanfics >
  2. Shenanigans. >
  3. Second: Reactions on the news.

História Shenanigans. - Capítulo 2


Escrita por:


Capítulo 2 - Second: Reactions on the news.



Terça-feira, 1º de setembro de 1988.


Como uma frente unida, eles chegaram ao outro lado da barreira.


O aperto de Hermione no braço do moreno ainda mais forte quando reparou em todos os olhos lhes encarando. Ainda assim, apenas seu aperto dava sinais de seu desconforto, sua face uma máscara de indiferença quase tão boa quanto à de Harry.


Foram ao encontro do expresso Hogwarts como se estivessem indo ao parque, cumprimentando as pessoas que reconheciam com acenos, mas sem se deter – haviam escolhido o momento certo de atravessa a barreira: apenas quinze minutos antes do trem partir.


Quando estavam atravessando o trem em busca de um vagão, olhares os seguindo por toda parte, Harry se inclinou para lhe falar ao ouvido. – Eu não sei por que aceitou fazer isso... Honestamente, sou uma bagunça. Mas eu serei sempre grato – ele apertou um pequeno beijo em seu rosto.


Hermione ergueu a vista para lhe oferecer um sorriso. – Em sua defesa, não é culpa sua.


O moreno riu entredentes. – Há sempre uma primeira vez! - a jovem mulher escondeu a diversão empurrando-o ligeiramente. – Hei! Cuidado com essas mãos.


Hermione virou os olhos em mofa. - Eu sou sua esposa, Potter. Quem melhor que eu para lhe disciplinar?


Antes que Harry pudesse retrucar, a porta do compartimento a frente deles se abriu subitamente. – Então, vocês são esse tipo de casal, hum? Interessante.


O casal de amigos corou furiosamente, gaguejando e meneando a cabeça, sem conseguir dizer nada de fato.


Com uma risadinha, Luna Lovegood deu de ombros e abriu ainda mais a porta, saindo do caminho. – Vamos lá, há lugares aqui.


Por sorte, a garota loira estava sozinha no local. E apesar de ainda muito vermelhos e desconcertados o casal aceitou o convite.


-Então... casamento relâmpago.


-Eu não estou grávida – Hermione retrucou seca e imediatamente.


Aparentemente era o que a maior parte da população bruxa achava. Considerando que eles sumiram por um ano e então voltaram para batalha em Hogwarts para sumirem novamente, desta vez apenas os dois. E então voltaram casados. - Não era exatamente uma suposição tão fora do comum.


-Era uma consideração tão valida quanto qualquer outra – Luna deu de ombros. –Você ficaria surpresa em quantas pessoas apareceram grávidas depois da batalha... Algo referente à gratidão por estar viva.


-Bem, eu não estou.


Hermione lançou um olhar de esgueira a Harry, que tentava sem sucesso prender a risada. Ela ficava absolutamente furiosa quando as pessoas supunham que ambos se casaram apenas e muito provavelmente porque estava grávida.


Mais da metade de seus conhecidos perguntavam. Jornais e revistas especulavam...


No início, Harry ficara pasmo e ofendido – honestamente, pensavam tão pouco deles? Um, antes estavam no meio de uma guerra e, principalmente, dois: Hermione nunca teria um filho antes de terminar a escola. -, mas depois ele observou como sua melhor amiga ficava vermelha, tão insultada e seu tom de voz. Por mais que Hermione sempre fosse a razão entre eles, ela praticamente perdia as estribeiras quando lhe indagavam sobre ela estar grávida, ou pior, tocavam sua barriga e perguntavam quantos meses (Hermione estava a um segundo de uma azaração nesses casos). E era tão incrivelmente hilário!


-Não é engraçado. Todo mundo pensa que estou grávida! McGonagall me perguntou isto antes de me oferecer a insígnia de monitora chefe, ela não queria que a monitoria pudesse causar estresse ao bebê e a mim – falou silenciosamente.


Harry se voltou completamente para Hermione, dessa vez caindo na risada pelo olhar mortificado dela.


-Ok. Isso é novidade! – ele riu mais um pouco, mesmo sob o olhar mortífero da amiga. Respirando fundo e se acalmando, ele continuou: Na minha carta eu só recebi parabéns pelo nosso casório, uma sutil repreensão por ela não ter sido convidada – Harry comentou aparentando desconforto e Hermione assentiu. – E então aquele mundo de perguntas sobre se eu me achava apto ao cargo de monitor chefe, como você sabe.


Isso chamou a atenção de Luna. – Oh? Monitores chefes? - Hermione assentiu apertando o braço de Harry orgulhosamente. – Parabéns! Bem, eu suponho que precisem se trocar e mover para o primeiro vagão? Dar instruções? – Antes que o casal respondesse, Luna continuou. – Sairei para que se troquem, me chamem quanto estiverem prontos! Ah e não se preocupem com suas coisas, tomarei conta enquanto não voltarem. Isto é, se quiserem continuar aqui.


O casal se entreolhou aturdido, observando a jovem loira sair do compartimento e fechar a porta atrás de si sem sequer esperar uma palavra. Harry deu de ombros - saindo primeiro do estupor -, movendo-se ao encontro de seu malão em busca do uniforme. Hermione levou apenas alguns segundos a mais.


Era engraçado que três meses dividindo o mesmo quarto (longa história que remetia à outra conversa bizarra com os Grangers) e altas doses de momentos constrangedores por conta disso, Harry e Hermione se sentiam mais que confortáveis em trocar de roupa um na frente do outro. Honestamente, aqueles momentos desconfortáveis foram uma benção disfarçada... Principalmente considerando como teriam de atuar em Hogwarts.


Hermione assentiu para si mesma. Não havia maneira de pequenas coisas como pele e atributos favoráveis ficarem no caminho deles, ainda mais depois de todo trabalho que tiveram com esse plano. Estaria morta e enterrada, traçando seu caminho de volta do inferno antes que Harry se casasse com Pansy Parkisnon. A morena fungou com repugnância.


Por Merlin!


As coisas que fizeram e disseram pelo bem do seu segredo... Além deles, apenas uma pessoa (bem, uma pessoa e um goblin) sabia da realidade por trás de seu 'casamento relâmpago': Andrômeda Tonks. Nem mesmo os pais dela estavam cientes da verdade – o que, em realidade, os levara a compartilhar um quarto nos últimos três meses. E lhes trouxera um conhecimento mais que avançado do corpo um do outro.


[Flashback]


-Seu pai vai me matar.


-Relaxa Harry, vai ficar tudo bem.


-Não. Ele vai me matar. Eu mataria se fosse ele! Ele provavelmente vai pensar que você apagou as memórias deles para fugirmos e casarmos. E nós ficamos um mês inteiro sob o mesmo teto e não falamos nada! Oh Merlin ele vai me matar! Sério Mione, esse plano é insano!


Hermione deu risada, esfregando o braço dele como se em consolo. Mas não disse nada.


Haviam 'casado' há algumas horas, sob apenas o testemunho de Andrômeda Tonks (com Ted) numa 'cerimônia' – mais bem uma pequena reunião em uma sala particular de Gringotts, realizada pelo ministro Shacklebolt (o benefício de ser Harry Potter, Hermione pensou com certa dose de ironia).


Agora estavam de volta, pouco mais de uma semana depois da descoberta sobre o contrato Black/Parkinson, à Austrália. Para evitar problemas, Hermione sugeriu que dissessem aos pais dela que haviam casado meses atrás. Enquanto ainda estavam refugiados e não falaram nada antes porque a reunião já fora tensa o suficiente. Supostamente pequenas doses de choque por vez era o melhor remédio. Harry discordava. Ruidosamente.


O rapaz estava numa crise de pânico, o que era extremamente adorável para Hermione, considerando que Harry havia sido o pivô de uma guerra, mas não conseguia lidar com pessoas.


Como chegaram antes dos Granger voltarem do trabalho, o casal de amigos preparou o jantar.


Ao momento, Harry estava sentado na poltrona da sala olhando para o carpete do local como se isto fosse a coisa mais interessante do mundo, as mãos irrequietas tamborilando os joelhos. O moreno saltou sobre os próprios pés quando ouviu a porta da entrada finalmente ser aberta. Ele lançou um olhar desesperado a Hermione, que abriu um sorriso enorme erguendo a sobrancelha.


-Você é uma pessoa perversa, sabe disso não é? – indagou silenciosamente, levando a mão à cabeça.


Sob mais um olhar desesperado do amigo, Hermione se compadeceu, movendo-se ao seu encontro. - Vai ficar tudo bem, confie em mim Harry - Respirando fundo, Harry ergueu a vista e assentiu. – Vamos lá, quanto antes melhor – ela o arrastou consigo para cumprimentar seus pais.


- xxx –


Os Grangers encararam o casal a frente deles piscando devagar. A mesa de jantar em silêncio por incontáveis momentos sob a nova revelação. Harry estava forçando a si mesmo a não vacilar sob o escrutínio.


-Eu te disse! – a senhora Granger bateu na mesa, voltando-se para o marido com um sorriso presunçoso. – Eu suponho que os serviços domésticos são todos seus por um mês inteiro.


O homem virou os olhos, petulante, mas seu tom era resignado:


– Sim, querida.


Harry e Hermione observavam em confusão o par mais velho. A senhora Granger bufou zombeteira, encarando a filha. – Francamente, amor, se queria mesmo guardar segredo sobre o status de seu relacionamento, deveria ter sido mais cuidadosa enquanto se esgueirava no meio da noite para o quarto de Harry. E vice e versa – ergueu a sobrancelha.


Com uma Hermione boquiaberta e um Harry tartamudeando loucamente, a mulher mais velha riu ainda mais e então franziu o cenho. – Vocês não estão nos contando agora por conta de algum... imprevisto, não é?


-Imprevisto? – Harry indagou inocentemente.


-Eu quis dizer: você não engravidou minha filha – fez uma pausa. – Ainda. Não é meu rapaz?


-Mamãe!


-Eu não sinto muito! Sou jovem demais para ser avó. Então?


-Mamãe!


-Oh Deus, você está grávida não é? É por isso que fizeram esse jantar adorável e tentaram nos embebedar com vinho.


-O que? Não! Não. – Harry quase gritou, ele se voltou para o homem que observava a cena com olhos estreitos. – Eu não engravidei sua filha, senhor.


Apesar de si mesma, Hermione começou a rir. Parte incrédula com a atitude de seus pais, parte divertida com a nova leva de pânico de seu melhor amigo. Harry a encarou com um olhar de traição. – Veja pelo lado positivo, Harry: esse jantar não poderia ter sido melhor.


Harry a fitou sarcasticamente. – Sim, querida.


Oh, eles ainda tiveram de ouvir as queixas do casal. Sobre nunca levar sua filha ao altar. E por que não poderiam ter esperado? E como assim nenhuma foto? E honestamente, eles esperavam um pedido oficial da mão de Hermione – a jovem achou que eles estavam brincando nessa parte. Provavelmente...


E então para o horror de Hermione, seu pai puxou Harry consigo para uma discussão de "homem para homem" – Harry revelou mais tarde que seu pai fizera uma bateria de perguntas sobre as intenções dele.


Só de pensar, Hermione franzia o cenho. Mas, o que quer que tenha dito, seu pai parecia satisfeito. Ainda não conseguira arrancar de Harry nenhuma palavra sobre a discussão, no entanto.


Sua mãe, por sua vez, a arrastara para o quarto e, a portas trancadas, fizera seu próprio tipo de interrogatório. A morena ainda corava só de lembrar. Deus, sua mãe era uma pequena abelhuda!


Sem perder uma batida a mulher mais velha segurou a mão esquerda da filha aproximando-a do rosto. Ficara encantada com seu anel de casamento (em realidade, de senhora da casa Potter) e comentara o quanto estava feliz por a jovem não estar mais escondendo aquela pequena obra de arte. E então mais uma leva de perguntas mais que constrangedoras sobre como Harry.


No fim, Harry fora realojado para o quarto que se tornara de Hermione. Naquela noite ambos foram dormir desconfortáveis e constrangidos. Os dias que se seguiram, de ajuste, foram... interessantes.


[Fim do Flashback]


Eles abriram a porta permitindo Luna de volta. Com um sorriso de agradecimento, partiram para dar instruções aos novos monitores e determinar as rotas da viagem.


- xxx –


O local já estava repleto de faces ansiosas e de algumas francamente hostis. Deveriam saber: nada como uma boa fofoca para trazer "bons samaritanos" à tona. O casal se entreolhou antes de tornaram a atenção à sua plateia expectante.


Eles tinham uma pequena aposta de quem seria o primeiro a quebrar a atmosfera de silenciosa curiosidade. Hermione apostara em Hannah Abbott (a garota ainda iria morrer pela boca, era quase tão horrível quanto Parvati ou Lilá), Harry tinha quase certeza que seria Padma Patil (ela não era irmã gêmea da maior fofoqueira de Hogwarts por nada, devia ter aprendido algo, ele estava confiante).


Pansy estava fora de cogitação, desde que ambos acreditavam que a garota iria mostrar seu desagrado mais cedo ou mais tarde. Principalmente pelo tipo de contrato que ambos assinaram. Algumas cláusulas em especial...


[Flashback]


No mesmo dia em que descobriram dos planos de Walburga Black, Harry e Hermione visitaram Andrômeda Tonks com uma cópia do contrato de casamento e um pedido de ajuda.


Além de avó de Ted, a senhora Tonks era também uma advogada incrivelmente talentosa – Crookfang mesmo a havia sugerido quando Harry e Hermione comentaram sobre a necessidade de um advogado.


A senhora pedira alguns dias para analisar o contrato dos Black-Parkinson e para criar e "selar" o contrato Granger-Potter. Com Ted cochilando em seu colo, Harry balbuciava dezenas de vezes seu agradecimento.


Hermione só tinha uma 'pequena' ressalva:


-Coloque que eu não aceito, em hipótese nenhuma, uma segunda esposa – ela encarou Harry. - Deus sabe que com você precisamos checar todas as probabilidades. Do jeito que o mundo mágico esta nesse momento, não duvido nada que abram um precedente apenas para 'O Harry Potter' – o moreno empalideceu sob a possibilidade e assentiu freneticamente. - Que apenas a separação, de acordo de ambas as partes– pode permitir que Harry, ou eu, casemos com outras pessoas.


[Fim do Flashback]


Finalmente, depois de apenas dois minutos que Hermione começara a instruir os novos monitores:


-Então... nós devemos chamá-los de Potter e Potter?


DROGA!


Hermione encarou Draco Malfoy aborrecida. Um, por ter sido interrompida. E dois, porque agora ninguém ganharia a aposta. A jovem virou os olhos e num tom condescendente de quem explica á uma criança muito lenta, retrucou:


– Obviamente.


Ela ainda não podia acreditar que o delinquentezinho se safara com tão pouca consequência. Três meses em Askaban – que não era mais um destino tão terrível assim, desde que Dementadores já não eram mais guardas da prisão. – Uma multa considerável. Ele provavelmente sofrera mais com a perda do dinheiro que com sua passagem em Askaban, pensou sordidamente, e um voto frouxo de fidelidade à comunidade mágica. Algumas medidas disciplinares; e nada mais! Bem, pelo menos seu pai passaria a vida na prisão.


-Mas não será confuso? – alguém perguntou com sarcasmo.


-Eu tenho certeza que podemos lidar com isto – Harry contrapôs monotonamente. Sua mão postando-se na cintura de Hermione, o olhar firme e desafiando argumento. – Agora, eu espero que as próximas perguntas sejam relevantes...


-E de preferência referente aos nossos deveres – Hermione acrescentou no mesmo tom. Quando ninguém abriu a boca, ela resumiu a sua explicação.


Apenas alguns minutos depois, a porta do local foi aberta subitamente. - Desculpe. Desculpe! Estou atrasado, eu sei. Meu maldito malão emperrou e então eu não achava minha maldita insígnia e... - Ronald Weasley entrou no compartimento arrumando o uniforme, colocando o brasão de monitor na camisa.


Quando ele ergueu a vista de sua blusa,  um sorriso satisfeito brincava em seus lábios. Sorriso este que lentamente se tornou uma pequena careta ao encontrar os olhos de Harry, mais bem também a mão do moreno possessivamente na cintura de Hermione e a reluzente – e incrivelmente cara – aliança na mão erguida da morena.


Bem. Fale sobre um momento incomodo...


...


-Gringotts, momentos depois do casamento-


Harry e Hermione se despediram de Andromeda, Ted e do Ministro Shacklebolt. Acompanhando Crookfang para outra sala, para terminar de assinar alguns documentos.


Harry sentou pesadamente ao lado da amiga. - Oh Deus. Oh Deus. Ron vai me odiar!


Hermione virou os olhos. – Honestamente Harry. Ron e eu trocamos um beijo, não é como estivéssemos sob um contrato.


Harry estreitou a vista e a jovem teve o desplante de rir. – Você se acha tão engraçada, mas não é – sob o comentário, Hermione riu ainda mais. – Você não entende – falou esfregando a testa.


-Qual é o problema?


Harry a fitou seriamente. – Ron é supostamente apaixonado por você – Hermione ergueu a sobrancelha e o rapaz suspirou. – Ron destruiu uma Horcruxe, você sabe disso. Mas antes... antes disso, aquela coisa começou a zombar dele – continuou silenciosamente. – Aquilo adquiriu a nossa forma, minha e sua, e... e...


-Harry?


-E 'passamos' a desmerecê-lo. Repetida e zombeteiramente. Ron só conseguiu sair do choque quando eu afirmei que nós nos víamos como irmãos.


Hermione abriu a boca e a fechou segundos depois, sem emitir som. E de novo. E de novo. Finalmente, a moça conciliou seus pensamentos com seus lábios. – Bem, isso é ruim.


Harry esfregou novamente a testa com irritação. – Já sei! Nós só precisamos dizer a verdade a ele! Ron vai entender – Hermione o encarou com incredulidade, mas não disse nada. – Vai dar certo! – acrescentou mais animado, apertando o ombro da amiga.


Crookfang meneou a cabeça negativamente. - Vocês não podem contar a ninguém sobre este aspecto. Desde que o casamento de vocês é apenas no papel, se Edward Parkinson descobrir sua pequena artimanha, ele pode alegar má fé de sua parte, Senhor Potter. O que gerará uma série de problemas legais. Ele poderá exigir até mesmo a anulação de seu casamento com a senhorita... perdão, Lady Potter.


Bem... Merda.


-Mas não assinaremos um contrato mágico? Não é um selamento definitivo?! Não há volta não é mesmo?


O Goblin pareceu sorrir com condescendência. - O contrato será selado se e somente se todas as condições forem alcançadas – Harry piscou e Hermione virou os olhos.


-Ele quis dizer que para que o contrato mágico seja completamente ativo, nós devemos consumar nosso "casamento".


-O qu...? Oh!


Os lábios da morena se curvaram ligeiramente observando Harry corar furiosamente. – Sim. "Oh". Em outras palavras não podemos falar para nenhuma uma alma sobre o nosso... status.


-Mas Ron...


Hermione suspirou exasperada. – Harry! Estamos fazendo isso para te livrar de um contrato de casamento. Ron é um ótimo amigo, mas eventualmente vai abrir a boca – Ela o fitou seriamente o desafiando a contrariá-la, Harry desviou o olhar desgostoso. - E então será seu fim. O meu. E do nosso futuro. O que estamos fazendo é... não exatamente ilegal. Nosso próprio contrato de casamento, digo. Mas – ela lançou um olhar de esgueira para Crookfang. – Hipoteticamente se estivéssemos fazendo isso para nos livrar de outro contrato, as consequências seriam graves. Extremamente. Você compreende?


Harry a encarou por um instante antes de assentir por fim.


Crookfang parecia terrivelmente divertido quando tornou a falar. – Sua esposa está certa, é claro. O aconselhável, obviamente, seria selar seu contrato para evitar qualquer, hm, eventualidade – ele franziu o cenho. – Coisas extraordinárias tendem a acontecer ao seu redor, Lorde Potter.


Hermione bufou ironicamente. – Pra dizer no mínimo – murmurou com ainda mais sarcasmo, fitando Harry.


–Não é como se pudesse evitar, os problemas me seguem – resmungou taciturno.


...


A verdade é que ainda não haviam conversado com Ron. Não a sós, ao menos.


Eles receberam – através de Andrômeda, que ao momento era uma das únicas pessoas que sabia a exata localização do casal de amigos - um lindo relógio familiar dos Weasley (com instruções de como fazê-lo funcionar) e uma carta lhes desejando felicidades alguns dias depois da notícia ter vazado. Assim como uma maternal reprimenda da senhora Weasley sobre como eles eram muito jovens – deixando muito claro também que estava imensamente magoada por não ter sido convidada para o casamento de suas crianças... Maldita Rita Skeeter e seus informantes!


Harry e Hermione se sentiram tão culpados que foram até A'Toca.


...


Depois de abrir a porta para eles, Gina simplesmente sumiu de vista e não voltou mais. A senhora Weasley ofereceu um olhar de desculpas a ambos e os abraçou firmemente por minutos intermináveis. Ela estava mais magra, pálida e tinha olheiras debaixo dos olhos – provavelmente por chorar demais e privação de sono. Os olhos do casal se encontraram sobre a cabeça da mulher, cheios de dor. Só de pensar em Fred...


Depois de um espalhafato de lhes empurrar comida praticamente goela abaixo, vieram os clássicos discursos retóricos... E com queixume de que Andrômeda havia sido convidada, a senhora Weasley estava fazendo beicinho antes de cair no choro.


Sem ação e horrorizados, o casal tentou explicar que, na verdade, Andrômeda fora convidada oficialmente por Gringotts - o que era uma imensa mentira. Mas o que o olho não vê, o coração não sente, não é mesmo?, pensava o casal. - para ajudar com alguns dos documentos (como o contrato de casamento) que deveriam ser entregues ao ministério da magia.


Andrômeda precisava de fato enviar os documentos para o departamento de registros mágicos no ministério da magia para "oficializar" o conhecimento do ministério quanto ao casamento. – eles não correriam nenhum risco desnecessário. Muito menos dar a oportunidade de tentar desvalidar seu contrato porque o ministério não tinha conhecimento prévio (por conta disso pediram o favor ao ministro de executar o casamento). Mas não era algo que delegasse a presença dela na 'cerimônia' de casamento. Além disso, o próprio ministro disse que poderia – em seu caminho de volta ao ministério – entregar a documentação...


O que importa é que isso acalmou a senhora Weasley; bem, isso e o fato de que nem mesmo os Grangers puderam comparecer ao casamento – mais mentiras foram lançadas nesse momento.


Eles passaram praticamente toda a tarde conversando com a senhora. Depois de se acalmar, a mulher mais velha - muito como a própria mãe de Hermione - passou a adular a escolha das alianças de casamento do casal; em especial a de Hermione.


Tomando as mãos da morena entre as suas, Molly deu uma risadinha encantada comentando como o anel coubera perfeitamente no dedo anelar da garota. De repente, a expressão de Molly se tornou muito mais suave e – Hermione jurava – em paz. Era estranhamente reconfortante e o casal de amigos soltou um suspiro de alivio que não sabiam estar prendendo.


A mulher analisou toda sorrisos o encaixe perfeito do anel da jovem e comentara inúmeras vezes ainda segurando-a firmemente.


-Estou imensamente feliz por vocês, meus queridos – ela mordeu o lábio inferior, numa expressão incerta antes de prosseguir: Esse não era exatamente o arranjo que estava esperando... Eu acreditava que iria acolhê-los oficialmente à família – Ela meneou a cabeça quando Harry e Hermione a fitaram com expressões culpadas. – Eu ainda não terminei – repreendeu mansamente. - Harry, você sabe que é meu filho em tudo exceto sangue – a senhora postou a mão no rosto de Hermione, com carinho. – E você minha querida, tem todo um canto do meu coração com seu nome. Eu não poderia estar mais orgulhosa das pessoas que se tornaram.


Quando lágrimas passaram a marcar outra vez os olhos da senhora Weasley, Hermione estava bem ao seu lado, apertando-a num abraço. - Cuide dele, está bem? – a mulher murmurou no ouvido da morena, que assentiu silenciosamente.


Fora uma tarde emocionalmente exaustiva. E já estavam indo embora quando Ron chegou em casa – estava ajudando Jorge com a loja de logros.


A senhora Weasley tentara lhes convencer a passar a noite n'A toca, mas sinceramente, Harry e Hermione não ficariam à vontade com Gina lhes oferecendo o tratamento gelado (e só Deus poderia prever a reação de Ron). Era ainda mais desconfortável notar que eles nem sequer sentiam remotamente falta da garota ruiva...


Ron, por outro lado, estava cansado por ter trabalhado todo o dia e sem qualquer disposição para conversar. Depois de um aceno para Harry e Hermione, ele lavou as mãos na pia da cozinha e passou a se servir, sentando-se pesadamente à mesa em seguida.


Com uma despedida geral, Harry e Hermione aparataram d'a Toca ainda ouvindo a senhora Weasley repreender Ron.


...


E esta foi a única interação deles nos últimos meses...


Hermione se recompôs rapidamente, assentindo e fazendo um gesto para que o rapaz se sentasse e sem mais continuou sua explicação...





Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...