História Sherlock e os Noivos Demoníacos da Rua Fleet - Capítulo 3


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Categorias Hannibal, Sherlock, Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
Personagens Abigail Hobbs, D.I. Greg Lestrade, Dr. John Watson, Freddy Lounds, Hannibal Lecter, Jack Crawford, Jim Moriarty, Margot Verger, Mason Verger, Molly Hooper, Mycroft Holmes, Personagens Originais, Rosamund Mary Watson, Sherlock Holmes, Will Graham
Tags Baker Street, Chesapeake Ripper, Fleet Street, Hannibal, Jack The Ripper, London, Londres, Lovett, O Silêncio Do Inocentes, Sherlock, Will Graham
Visualizações 24
Palavras 2.096
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Crossover, Ecchi, Ficção, Lemon, Mistério, Policial, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Conforme escrevia, notei que o texto deste capítulo estava ficando demasiadamente comprido. como eu tento postar capítulos com mais ou menos 3 mil palavras por vez, pra não ficar muuuuuuito longo, decidi dividir o texto em duas partes. A segunda metade será postada até amanhã (não tô prometendo, mas especulando).
Como sempre, espero que gostem e deixem comentários. =)

Capítulo 3 - Full English Breakfast


Seus olhos se abriram e tudo o que viu foi escuridão. Seu corpo estava tomado por uma dormência quase agradável, os membros estavam pesados, totalmente tomados pelo torpor. Tentou sentir o ambiente ao redor, pisou no chão e este lhe pareceu distante, esticou os braços e tocou o vento, tudo parecia estar repleto de um imenso vazio. Uma leve e desesperadora sensação. Aos poucos seus olhos se acostumaram com a escuridão e vultos estranhos começaram a tomar forma. Como se se aproximassem, vozes começavam a se tornar mais e mais audíveis, primeiro: zumbidos, depois palavras, por fim, sentenças inteiras podiam ser ouvidas, mas seus significados não podiam ser compreendidos.
Uma luz amarela, bruxuleante como a luz de uma vela, acendeu-se sobre o que parecia ser uma cama. Sobre ela, uma mulher com cabelos dourados como os raios de sol, vestida de uma túnica branca como a neve, jazia amarrada por cintas de couro. Ela lutava para se libertar e chorava um choro triste, como uma banshee a prenunciar a morte. O corpo dos olhos que observavam aquela deprimente cena e dos ouvidos que ouviam aquele melancólico som estremecia de medo e terror, pela tragédia que viria.
A luz oscilante tornou-se intensa e a escuridão desapareceu por completo. Os olhos sofreram mais com a luz do que com a trevas. Conforme as pupilas se contraiam e dilatavam, figuras altas se tornavam visíveis ao redor da cama em que repousava a mulher. Seus corpos eram como os corpos de homens, mas suas cabeças eram como as cabeças dos porcos e olhar para eles era grotesco. A lamúria incômoda continuava enquanto os terríveis homens-porco erguiam suas mãos armadas com facas para atacar o ventre da mulher que se contorcia.
Um jato escarlate jogou-se para fora da mulher. Do ventre aberto transbordava um líquido vermelho que inundava todo o ambiente e afogou os homens-porco. O corpo dos olhos que observavam foi tocado pelo gélido humor rubro e tudo ficou congelado. Nenhum movimento era possível; em seu rosto não havia boca para gritar; a lamúria, as sentenças, pouco a pouco transformaram-se em um confuso zumbido e de zumbido viraram nada. O sangue cobriu os pés, as pernas, a pélvis, o peito, os ombros e só a face permanecia emersa.
Flutuando sobre o rio sangrento, uma forma pálida e encolhida se aproximava dos olhos. Um feto, morto, que chorava. Mas o sangue o cobriu também e ele desapareceu no vermelho. Um desespero conformado substituía o torpor de outrora. Uma frase se fazia ouvir:
– E agora eles estão mortos, sempre mortos, para sempre mortos e amáveis.
Will Graham acordou, ainda com esta frase em sua mente, o corpo e os lençóis encharcados de suor. Uma incomoda sensação naquela manhã fria.
Ele levantou da cama, indo para o banheiro, afim de lavar seu rosto. A água gelada o fez se sentir mais desperto e pouco a pouco as memórias de seu pesadelo o abandonaram. – Apenas para voltar na próxima noite. – Ele pensava. Há oito anos as mesmas imagens o acompanhavam como uma assombração. Talvez para toda a vida. Graham saiu do banheiro e abriu a janela, sendo estapeado pela luz branca do dia que invadia seu quarto. O homem apertou os olhos para acostumar-se com a claridade, caminhou até seu guarda-roupas e vestiu-se adequadamente para o café da manhã com a senhorita Hobbs e o senhor Lecter.
O cheiro do café e da manteiga se faziam presentes por todo o corredor que levava até a casa de Lecter, fazendo o estômago de Will contorcer-se de fome. O homem não era glutão, mas estava se acostumando muito facilmente a desejar e a consumir as deliciosas guloseimas preparadas por Hannibal. Afinal não poderia deixar de admitir que a comida de seu senhorio era a melhor que já tinha provado e dotada de um requinte digno de um príncipe. A companhia do doutor também era extremamente agradável, com sua voz paciente e uma boa vontade tão grande que era de se estranhar.
- Bom dia Will, por favor entre. – Disse Hannibal de forma convidativa.
- Bom dia doutor Lecter. – Respondeu Will parando ao lado da porta, para garantir que Hannibal seria aquele a caminhar a sua frente.
- Como passou a noite? – Perguntou o senhorio.
- Bem. – Respondeu Will. – O calor fora a única coisa que impediu que meu sono fosse perfeito. – Mentiu.
Hannibal passou a frente de Will, encarando-o. Uma breve olhada para Graham já o desmascarava.
- Se me permite opinar, não creio que o calor tenha nos visitado nos últimos dias. – Pontuou Hannibal. – Os casacos e capas tem sido nossos melhores amigos ultimamente.
Will deixou escapar um sorriso amarelo e pôs-se a seguir seu anfitrião até a sala de jantar. O cômodo ricamente decorado, ostentava uma bela e extensa mesa, estando sobre ela exposto um Full English Breakfast que parecia delicioso. Abigail os esperava sentada a mesa.
- Bom dia senhor Graham. – Disse a jovem, sorrindo.
- Oh, bom dia senhorita Abigail. – Respondeu Will enquanto se assentava em uma das cadeiras. Ele e a menina esperaram Hannibal sentar-se à cabeceira da mesa, para só então começarem a comer.
- Delicioso como sempre! – Elogiou Will ao provar da morcela e dos ovos.
- Eu não me surpreendo mais. – Disse Abigail. – Hannibal é um mestre da cozinha.
Lecter sorriu.
- Às vezes tenho dúvidas se só estão dizendo isso para me agradar ou se as refeições que preparo estão realmente boas. – Comentou Hannibal.
- Você sabe que amo sua comida! – Informou Abigail. – Se alguém está mentindo, só pode ser o senhor Graham. – Riu a menina.
- Oh, eu... eu não mentiria sobre isso! – Defendeu-se Will. – Acho que nunca comi tão bem em toda minha vida! Aliás, como aprendeu tudo isso?
- A maioria dos homens deixam os afazeres domésticos a cargo das mulheres. – Começou Lecter. – Incluindo a preparação dos alimentos. No meu caso, as circunstâncias não me permitiram ser o tipo de homem que depende de terceiros para suprir as necessidades básicas. Aprendi a preparar minha própria comida e com o tempo, aprendi a aperfeiçoar a técnica. Hoje, mais do que uma necessidade, minha cozinha é minha arte.
- Que bom para nós. – Comemorou Will dando um singelo sorriso. – Não concorda senhorita Abigail?
- Com certeza! – Riu a moça, saboreando um gole de chá preto, junto com carne de porco e tomates fritos.
- E você Will, qual é a sua arte? – Perguntou Hannibal de forma curiosa.
- Ah, eu não tenho uma. – Respondeu o rapaz. – Não como o senhor.
- Eu duvido muito. – Disse Hannibal.
- Bem, eu... Eu sou um detetive. – Disse Will como se ter tal profissão o envergonhasse.
- Detetive? Interessante. – Falou Hannibal. – Então Will Graham é um agente contra o crime?
- É, mais ou menos. – Will estava desconcertado e Hannibal o encarou, esperando por uma explicação mais elaborada.
- Eu sou... Eu era... um detetive da seção de homicídios da Scotland Yard há alguns anos. – Os olhos de Abigail se arregalaram com a revelação de Will.
- Abigail, sua expressão a faz parecer suspeita. – Brincou Hannibal e a menina deu uma fraca risada antes de voltar a devorar seu café da manhã com avidez. – Homicídios. Interessante. – Pontuou Lecter. – Quantos homicidas já ajudou a capturar senhor Graham?
- Ah, acho que nunca parei para verificar os números, mas concluímos todos os casos em que ajudei. – Disse Will.
- Então o senhor é um especialista.
- É, acho que sim.
- Reconheceria um homicida só de olhar para ele? – Perguntou Hannibal, parecendo estranhamente interessado na resposta.
- Não é assim que funciona. – Explicou Will. – O que eu faço, na verdade, é descobrir o perfil do assassino. Descubro seus motivos e seus métodos, e tento, sei lá... descobrir o paradeiro, a identidade... Qualquer coisa que nos permita pegá-lo.
- Interessante. – Respondeu Hannibal enquanto sorria. – Minha dúvida agora é: O senhor disse que “era” um detetive...
- Ah, fui transferido para um destacamento na Índia.
- Entendo. – Hannibal olhava para Will com tremendo interesse, pensando que embora pudesse sentir que seu inquilino tinha algo de especial, não esperava que ele fosse um detetive de homicídios. Uma gota de excitação caia no mar de calma que era Lecter. – Adoraria vê-lo praticar sua especialidade um dia desses. Londres está infestada de sanguinários.
Will apenas sorriu. Ele não queria dizer para seu senhorio que esperava nunca mais ter de fazer aquilo de novo. Hannibal provavelmente pensaria que ele era um covarde. E por alguma razão, a ideia de decepcionar o doutor Lecter não lhe parecia agradável, ou mesmo indiferente.
- Pretende retornar ao antigo trabalho? – Perguntou Abigail, ainda com uma expressão agitada.
- Acho que consigo voltar a trabalhar na Scotland Yard, mas creio que a posição que ocupava antes já seja de outra pessoa. – Respondeu Graham sem encarar qualquer um de seus interlocutores.
- Considerando o crescente número de bandidos de todas as categorias, imagino que a Scotland Yard precise de toda ajuda que conseguir. – Falou Hannibal com uma nota de alegria na voz.
- Pretendo visitar um conhecido hoje. – Will começou a falar. – Soube que ele virou inspetor e acho que ele pode me arrumar um emprego.
- Imagino que esteja se referindo ao Detetive Inspetor Gregory Lestrade, estou certo? – Perguntou Hannibal.
- O senhor o conhece?
- Ah sim, um homem muito... gentil... – Disse Hannibal. – Está no restaurante sempre as quartas.
- Ele tem bom gosto. – Disse Will.
- Imagino que sim. – Respondeu o doutor.
Lecter, Graham e Hobbs conversaram por mais alguns momentos antes de finalizarem suas refeições. O primeiro escutava atentamente o que o segundo lhe dizia e Abigail abandonou o cômodo em que estava tão logo engoliu o último gole de chá.
Hannibal acenou para Will, que saia rumo ao número quatro da Rua Whitehall em busca de emprego. O doutor fechou os olhos por um breve instante, imaginando o que aconteceria se Graham descobrisse seus segredos. Caso isso acontecesse, o que ele – Hannibal – faria a respeito? Ele não tinha respostas para tais perguntas, mas o mero fato de ter um detetive sob seu teto o deixava animado com as possibilidades.
- Nós vamos mata-lo? – Abigail interrompeu as divagações de Lecter.
- Como? – Perguntou Hannibal.
- Ele é... Ele pode nos descobrir. – Disse Abigail com audíveis notas de nervosismo na voz.
- Nos descobrir? – Hannibal continuou a questionar.
- Quero dizer... Descobrir você...
- Não tema, minha querida. – Lecter falava pacientemente. – Eu lidarei com o senhor Graham quando chegar a hora.
- Você tem certeza?
Hannibal balançou a cabeça em afirmação.
- Apesar de tudo... – Começou Abigail. – Eu gosto dele... E acho que você gosta dele também.
Hannibal moveu a cabeça levemente para o lado, seus olhos se fixaram no chão por um ínfimo instante e então sua boca deixou escapar um sorriso do tipo que se dá quando um bom argumento é reconhecido. Ele gostava de Will. Nunca tinha parado para pensar nisso antes. O inquilino só morava em sua propriedade há pouco mais de uma semana e ainda não havia tido a coragem de encará-lo. Lecter sabia que os óculos de Graham eram nada mais que barreiras para evitar o contato. Seus óculos, sua forma quase errática de falar, suas roupas malcuidadas... Era tudo um disfarce. Hannibal viu isso tão logo o conheceu. Por que Will se escondia do mundo? Tal pergunta fora o motivo pelo qual Lecter dispôs-se a aceitar aquele homem sob seu teto. Queria a resposta. Queria ver o que havia por debaixo do disfarce de Will Graham. Despi-lo totalmente. Ver o que havia por dentro. Mas gostar? Isso era um fato novo. E, no entanto, estava lá... um sentimento de apreciação, afinidade.
Gostar. Notar que gostava de Will apenas o deixava mais interessado. O que o fazia gostar de Graham? O que ele tinha de especial? O que o homem de elusivos olhos azuis escondia?
Quando se libertou de seus pensamentos, Hannibal notou que Abigail já havia deixado o cômodo.  – Acho que a deixei falando sozinha. Que rude. Biscoitos devem resolver. – Pensou o doutor. Então ele olhou para o relógio e deste para a grande janela que iluminava a sala de jantar. – Está quase na hora. – Constatou Hannibal, referindo-se ao momento em que os primeiros clientes do dia chegariam. O homem caminhou para seu quarto, vestiu um elegante uniforme de cozinheiro e rumou para seu restaurante. Chegando lá, cumprimentou cordialmente os funcionários que já o esperavam e dirigindo-se a entrada do estabelecimento, virou a placa que jazia pendurada na porta, informando que estavam abertos.
- Quem está com fome? – Perguntou Hannibal de forma retórica, com um cínico sorriso. Os funcionários murmuraram uma risada, sobretudo, Abigail.


Notas Finais


1- O que é o Full English Breakfast?
Em português seria: Café da Manhã Inglês Completo e como o nome já informa, trata-se de um prato típico dos ingleses, normalmente servido como café da manhã, acompanhado de chá ou café. Este prato é composto de bacon, ovos fritos, tomates, pão tostado, linguiças, morcela (mais ou menos equivalente ao chouriço de sangue), cogumelos e feijões, podendo haver variações do prato a depender da região e disponibilidade dos ingredientes.

2- O número quatro da Rua Whitehall é o antigo endereço da Scotland Yard (polícia metropolitana de Londres).

3- Espero que estejam gostando da leitura e retornem para o próximo capítulo que postarei logo mais.
=D


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