História She's So Gone - Capítulo 1


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Categorias Loona
Personagens HaSeul
Tags Haseul, Viseul
Visualizações 27
Palavras 2.479
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ficção, Ficção Adolescente, LGBT, Lírica, Literatura Feminina
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 1 - The best version anyone can have of themselves


Senhor Jo é um pai protetor, sempre foi, desde que Haseul era apenas uma garotinha. Perdeu a esposa muito cedo e precisou criar a filha só, acabou por construir uma espécie de pedestal no qual colocou a pequena Haseul. Sempre fora muito atencioso e extremamente cuidadoso.

Haseul chegou um pouco atrasada no quisto moda e maquiagem, mas nada que não pudesse ser resolvido com a ajuda de amigas.

Em hipótese alguma, de jeito nenhum, senhor Jo permitia garotos na sua casa ou que sua filha saísse com um, sendo ali um homem cis hétero, entendia muito bem homens cis héteros, e temia deixar seu bem mais precioso na mão de um, afinal, Haseul ainda era sua garotinha.

Achava que aqueles lindos olhos puxados transmitiam inocência e Haseul não conhecia o mundo, e não precisaria conhecer tão cedo. Mas achismo nem sempre está correto...

—Já está pronta filha? Preciso chegar mais cedo no trabalho hoje.— Senhor Jo deu dois toques leves na porta do quarto de Haseul, esta que respondeu de um jeito um tanto apressado que em cinco minutos estaria descendo.

Haseul já estava pronta se é que pode-se dizer assim, faltava apenas terminar de preparar sua mochila quando recebeu uma notificação.



Vian: Nos vemos hoje no bar de sempre?

Não sei, meu pai vai estar em casa:

Vian: Ainda no papel de puritana, Haseul? Ouvi dizer que quem faz isso não vai para o céu.

Se eu fosse para o céu não te encontraria por lá, está tudo bem:

Vian: Prefere me encontrar no inferno do que hoje a noite no bar?

Sabe que eu quero muito, mas hoje não vou conseguir:




—Haseul?!— O homem gritou do pé da escada com um tom já impaciente.

—Desculpe! Estou descendo!— Jogou tudo o que precisava na mochila e desceu as escadas correndo. Chegando finalmente, recebeu um olhar atento do homem, era de costume que seu pai checasse seu uniforme todas as manhãs sem falta, ele achava o uniforme naturalmente vulgar com o uso obrigatório da saia, precisava se certificar que sua garotinha estava minimamente decente e protegida de olhares dos garotos depravados.

Mal sabia ele...

—Hoje vou chegar de madrugada, se importa de voltar para casa com uma de suas amigas?— O homem estacionou na frente do portão da escola.

—Tudo bem, posso pedir carona para a Jungeun.— Disse hesitante, sabia que seu pai não gostava da Kim, mas ela era a única que morava no mesmo bairro.

—Não, ela não. Já disse que não gosto que ande com ela. Não acho que ela seja boa influência.— Apontou com a cabeça para Jungeun que atravessava o pátio do lado de fora de mãos dadas com Jung Jinsoul.

—Só porque ela namora uma garota?— Abaixou a cabeça para perguntar.

—De jeito nenhum! Eu não me importo com quem ela namora ou deixa de namorar, eu só a acho muito nova para isso, ela é mais nova que você.— Disse de maneira calma, de fato, não se importava com a sexualidade alheia, já que há alguns anos vem reparando que Haseul não é lá muito hétero, seu real problema é achá-la muito nova para se aventurar desta maneira.

—Eu entendo, mas algo assim não pode me influenciar em nada, pai, ela é uma boa amiga.— Levantou o olhar para o homem, que não segurou a mão para acariciar seus longos cabelos e arrumar sua franjinha.

—Tudo bem então, apenas tenha juízo.— Dito isso viu um sorriso brilhante se formar no rosto da garota que saiu saltitante do carro e correu na direção da Kim logo se incluindo na conversa.

—Bom dia meninas!— Haseul cumprimentou as duas.

—Quanta animação pra uma terça.— Resmungou Jinsoul bebendo um gole do enorme copo de café que carregava junto de um olhar desinteressado.

—Deixe-me adivinhar, é por causa da sua namoradinha?— Jungeun, com um humor mil vezes melhor que Jinsoul, olhou sugestiva para Haseul.

—Ela não é minha namoradinha, ainda.—Desviou o olhar sem graça.— Ela me chamou para sair hoje e eu achei que não poderia, mas vou poder!

—Vocês estão falando da baixista baixinha daquela bandinha esquisitinha da escolinha do outro bairrinho?— Jinsoul proferiu todas as palavras diminutivas com cara de nojo, talvez pelo simples fato da banda em questão ser rival da sua.

—Sim.

—Hm.— Murmurou e voltou a beber seu café.

—Pare de ser assim, Jinsoul, ela é legal!— Haseul saiu de perto de Jungeun para se aproximar da Jung.

—Não é nada, eu já falei com ela, e ela é um pé no saco, olha que nem saco eu tenho!— Sua cara de tédio era inabalável.— Ela é metida de mais, se acha com aquele baixinho meia boca dela. E a vocalista da banda?! Nossa eu não suporto aquela menina! Tomara que caia um meteoro na cabeça dela!— E finalmente os seiscentos mililitros de café puro sem açúcar estavam fazendo efeito.

—Não seja tão ranzinza, Soulie, assim as pessoas questionam minha saúde mental por namorar você.— Jungeun disse de maneira doce tirando o enorme copo de suas mãos.

—Você é meio boba mesmo, não posso fazer nada sobre isso, mas posso proteger a pequena Haseul de entrar numa fria com a baixista meia boca.— Pegou o copo de volta e bebeu um gole, mas quando olhou para o seu lado não tinha nem sinal de Haseul.— Ou não também né, ela que lute.


Já afastada das amigas e entre risos pela interação entre o casal, Haseul mandou mensagem para a tal baixista, mas a mensagem sequer havia chego. Teria de optar pela surpresa já que sabia onde encontrá-la.




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—Olha eu não tô querendo te desiludir, só te mostrar a realidade de uma situação a qual você está tendo idéias erradas.— Comentou Jinsoul com a boca cheia.

—Isso parece muito com desiludir.— Respondeu Haseul.

—Talvez seja, mas e daí? Eu não vou permitir que minha terceira pessoa favorita se magoe com uma xexelenta.— Continuava a mastigar enquanto Jungeun lhe roubava algumas fritas.

—Terceira?

—A primeira é a Jungeun, depois a Hyunjin e aí vem você. Vamos lá, não é tão ruim.

—Tudo bem, posso me contentar com o terceiro lugar, mas você não vai me impedir de vê-la hoje.— Sorriu e roubou uma das batatas de Jinsoul ao mesmo tempo que Jungeun também o fez.

—Tudo bem, mas quando você estiver sofrendo não diga que eu não te avisei.— Deu de ombros e voltou toda sua atenção para seu almoço.




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Durante todo o caminho para casa Haseul foi acompanhada por Jinsoul e Jungeun, achava desnecessário ser deixada na porta de casa já que Jungeun morava algumas casas antes da sua, mas parecia que todos ao seu redor, não apenas seu pai, a viam como uma garotinha indefesa, e isto já estava alcançando seus limites.

Assim que chegou em casa correu para o quarto para se arrumar, essas horas Kahei já estaria indo para o bar de sempre.

Tratou de vestir algo que, se o seu pai visse acharia um absurdo. Um vestido talvez dois dedos acima do meio de suas coxas, era jeans com a saia rodada, era uma de suas peças favoritas mas não tinha muitas oportunidades de usá-lo.

Arrumou seus longos fios castanhos de maneira que caíssem como cascatas por seus ombros e sua franja adorável que cobria apenas um lado da testa, gostaria de mudar o cabelo, mas muitas inseguranças a impediam disto.

Passou um pouco de seu perfume de costume e estava pronta, com all star branco nos pés e sua bolsa em mãos.

Checou o celular para ver se havia recebido respostas, mas sua mensagem sequer havia chego.

Se olhou uma última vez no espelho e saiu, confiante e determinada.




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O bar conhecido como Seven era point de adolescentes, não era exatamente um bar, estava mais para lanchonete retrô, tanto que sequer vendia bebidas alcoólicas, mas chamar de bar, por algum motivo, fazia com que os adolescentes que frequentassem se sentissem mais rebeldes.

Enfim estava lá, Jo Haseul, muito conhecida pela maioria dos presentes alí, já que no bar, ela era quem gostaria de ser. Não precisava se fazer de puritana boa moça ou regular os palavrões que saiam automaticamente em suas frases. Podia se sentar rodeada de quantas pessoas quisesse e manter um assunto com quem lhe chamasse o interesse, exatamente como quisesse.

No momento já havia se passado mais ou menos uma hora desde que pusera os pés no Seven, e nada de encontrar Kahei. Até onde seus conhecimentos iam, a banda da garota iria se apresentar ali na próxima semana, haviam alguns posters informativos sobre.

—Por que está sozinha hoje, Haseul?— Kim Jiwoo, filha do meio da família Kim, ficando entre Kim Jungeun e Kim Hyunjin, se sentou ao lado de Haseul na mesa redonda a qual a grota se encontrava, que antes estava lotada de pessoas, mas agora estas haviam sumido.

—Eu pensei que encontraria a Kahei aqui, mas acho que ela não veio.— Comentou passando o indicador na borda do copo em que estava bebendo citrus, parecia um tanto cabisbaixa para Jiwoo, já que esta sabia que o Seven era como sua válvula de escape.

—Veio sim, ué.— Jiwoo olhou em volta por um segundo.— Eu vi ela não tem dois minutos, estava com aquela garota alta pra caramba também da banda, como é o nome mesmo?— Coçou o topo da cabeça como se pescasse uma memória.— Sônia... So... Su... Sooin... Sooyoung! Isto, Sooyoung, ela estava com a Sooyoung, acho que foram para o estacionamento.— Disse apontando para a porta dos fundos, a qual dava no estacionamento.

Haseul se levantou entusiasmada, passou a mão no vestido e no cabelo, por algum motivo se sentia ansiosa, a pequena baixista estava começando a despertar algo em si.

Andou em passos apressados até o estacionamento com um sorriso enorme no rosto, ansiando por finalmente ver Kahei após uma longa semana apenar na troca de mensagens.


Tudo caiu por terra.


Sua ansiedade se converteu em benevolência, deixando-a sem reação alguma. Seu sorriso se desfez de uma maneira que até mesmo seus lábios pareciam murchos e pálidos, toda a agitação que sentia foi embora ao ver Kahei aos beijos com a tal Sooyoung, e não era um beijo qualquer, era o tipo de beijo que a chinesa nunca havia trocado consigo. Estava emanando desejo, a tenção no ambiente era tanta que era quase palpável. A maneira como as mãos da chinesa exploravam o corpo alheio com tanta ousadia, a forma com ela demonstrava interesse naquela boca.

Haseul tinha tudo para se sentir mal, para dar um chilique e para arrebentar a cara de Sooyoung, mas não fez nada disso. Não se sentiu mal, não deu um chilique e muito menos partiu para a agressão. Apenas deu meia volta e saiu da lanchonete.

Ouviu Jiwoo chamar por seu nome algumas vezes, mas preferiu ignorar fingindo estar em algum transe, mas não estava. Nunca havia se sentindo tão acordada e atenta como agora.

Talvez as sensações que a chinesa estava causando em seu peito não fossem boas, talvez fossem como um veneno. Estava sendo envenenada todas as vezes que era convidada para os ensaios da banda e acabava sendo tratada como criança, todas as vezes que era convidada para sair e acaba ficando como segundo, ou até terceiro plano. Mas dizem que às vezes é preciso viver para saber, por mais que Jinsoul tentasse avisar Haseul de tudo, Jo precisaria sentir na pele, e estava sentindo.

Sentindo o frio da noite cobrir sua epiderme como um casaco, mas este não existia, estava praticamente caminhando só, tendo apenas  a companhia da lua cheia sobre sua cabeça.

Ali, voltando para casa, vendo o luar, foi ali que seu deu conta de que precisaria der um grade passo em sua vida, o passo para se amar, para ser quem realmente é e garantir seu lugar ao sol.

Não demorou para que chegassem em casa, encontrou o lugar com luzes apagadas e sem o carro na garagem. Um pequeno ato de rebeldia passou por sua mente.

Quando entrou em casa a primeira coisa que fez foi trocar de roupas, sentia frio. E a segunda foi se olhar no espelho.

Olhar, olhar e olhar.

Seus olhos eram lindos. Tão lindos, agradecia infinitamente por seu pai não tê-la deixado fazer a cirurgia de pálpebras duplas quando mais nova, com certeza se arrependeria agora, pois seus olhos são lindos, talvez um de seus maiores charmes.

Seu cabelo estava incomodando. Olhou para baixo e encontrou a enorme tesoura da cozinha, lembrou-se de que seu pai estava louco atrás dessa tesoura outro dia para abrir uma caixa de leite. Sem hesitar um segundo sequer, pois sabia que se o fizesse sua coragem desapareceria para nunca mais voltar, pegou a tesoura e cortou uma mecha de cabelo, na altura um pouco acima de seus ombros. Parecia que um peso estava saindo de suas costas. Quando se deu conta, havia cortado todo o cabelo, e não estava ruim.



Parecia outra garota.




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—Já fazem semanas e eu não te ouvi lamentando uma só vez, sinto orgulho!— Jinsoul disse se sentando no colo de Jungeun no meio do pátio da escola.

—Eu por outro lado, não. Estudos indicam que mudanças drásticas e repentinas podem soar como informalidade humorística.— Comentou Jungeun recebendo olhares confusos.— Quero dizer, você nunca comentou com a gente sobre querer cortar o cabelo, e talvez isso seja um pedido silêncio de ajuda. Você precisa de ajuda?

—Não preciso de ajuda em nada Jungeun, estou ótima, acredite.— Respondeu a Jo passando os dedos entre seus fios, e era revigorante sentí-los terminar em um tempo tão curto.

—Eu ainda posso agredir a baixista? Ela magoou minha criança mais velha.— Jinsoul socou sua própria mão tentando fazer uma expressão ameaçadora, apenas tentando, pois era irreversivelmente fofa.

—Mas ela não me magoou. Eu estou bem, sabe, eu pensei bastante nesses últimos dias, e acho que eu só gostava de toda essa idéia maluca de ser uma rebelde sem causa.

—E seu pai nessa história? Arrancou os cabelos dizendo que era influência minha?— Jungeun estava preocupada, sabia que senhor Jo pegava no seu pé, e detestava isso.

—Na verdade não, eu tive uma conversa sincera com ele, e ele entendeu todas as minhas atitudes e está me apoiando muito, ele até fez questão de fazer compras comigo e me esperar para experimentar roupas.— Sorriu abobada ao lembrar dos momentos em que saia do provador confiante e recebia aplausos de seu progenitor, isso não tinha preço.

—Então me parece que temos tudo resolvido por aqui.— A Jung se levantou do colo de Jungeun e ouviu reclamações da mesma, que alegava estar com as pernas dormentes, mas pouco se importou.— Devemos dizer que você é uma mova Haseul?


 

—Não nova, mas sim, a melhor versão de mim.


Notas Finais


Como vamos?


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