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História Shin, The Bull - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Foxtrot


Fanfic / Fanfiction Shin, The Bull - Capítulo 1 - Foxtrot

— Por que você deseja ter força?

 

Aquela pergunta me pegou totalmente desprevenido. Eu achava que por natureza, nós, os touros já nascíamos dotados de toda a força existente. Que éramos uma das criaturas mais resilientes da natureza. Então significa que eu não tenho a força ainda? Quer dizer que eu sou fraco? Afinal de que serve um touro sem força? Então onde foi que eu errei? Eu fiz tudo o que estava ao meu alcance, mas parece que eu falhei, não foi? Hein, me diga!

 

Para entendermos melhor o contexto da conversa, vamos voltar um pouco...

 

Universo antropomorfo, Fazenda.

 

— Seja forte, meu filho.

 

Era um cenário de adeus. Numa manhã de domingo, numa pequena fazenda do interior, um touro macho e adulto, calvo e de pelagem marrom se despedia da sua família. Talvez fosse para nunca mais voltar.

 

— Tá bem. — respondia o tourinho de mesma pelagem marrom, mas de cabelos pretos.

 

O tourão deixava a casa, sendo observado pela sua ex-exposa e sua filha mais velha. Ambas eram vacas brancas malhadas com manchas pretas.

 

— Vai ficar tudo bem, meu filho... — dizia a Dona Vaca abraçando seu tourinho com os olhos aquosos.

 

Já o tourinho demonstrava pouca expressão. Era como se a cena não tivesse sido impactante o suficiente para ele.

 

— Está tudo bem, mãe. Papai não era um grande exemplo a ser seguido. Não se preocupe com isso. — Disse o tourinho com um pequeno sorriso no rosto.

— Mas, meu filho, você... — a Dona Vaca parecia aliviada com a reação positiva do filho.

— Está tudo bem, mãe. Vou me tornar alguém forte.

 

O pequeno tourinho não sorria nem não demonstrava raiva. Aliás parecia muito calmo e ciente de toda a situação. Agora cabia a ele decidir que métodos ele utilizaria para passar por cima das provações da vida.

 

Anos depois...

 

Dias atuais – 2020 (Estamos em um cenário onde não há pandemia)

 

Um ônibus branco desembarcava no terminal rodoviário e de dentro dele saía inúmeros animais de diferentes espécies em uma nova e promissora cidade. Dentro dela, saía um touro jovem adulto. Um pouco musculoso, de pelagem marrom, olhos verdes, usando óculos e trajava uma jaqueta preta com uma blusa branca com estampas de manchas pretas de vaca. Sua calça era bege com fivela dourada. Não calçava nada nos pés.

 

— Aniland. Aqui estou eu.

 

Shin Bovisky

Idade: 23 anos

Espécie: Touro Marrom

 

Depois de horas de viagem, Shin chegava a Aniland, uma grande cidade habitada por animais de inúmeras espécies, conhecida pelas suas diversas atrações turísticas, centros industriais e universidades de grande prestígio. Shin agora estava prestes a entrar na faculdade.

 

Flashback – Dias atrás

 

— Então você vai mesmo, meu filho? — Dizia Sarah, a vaca mãe de Shin, já preocupada com a partida do filho.

— Sim, mãe. Eu tenho que ir. Eu preciso te dar um futuro melhor. E isso também é por mim mesmo. Quero sair de casa, quero conhecer o mundo e expandir os meus horizontes. — Dizia Shin, enquanto arrumava as malas.

 

Ouvindo a conversa na cozinha, Vanda, a irmã de Shin, fazia deboche da sua partida.

 

— Ele vai sumir e deixar a senhora sozinha aqui, mãe. Ele só quer ganhar o mundo.

 

Shin fechou as malas e deu um longo suspiro. O olhar de sua mãe era triste.

 

— Não se preocupe, mãe. É só por um tempo. Eu com certeza vou voltar. — Disse enquanto abraçava-a — Mas agora é hora de eu ficar mais forte sozinho.

— Eu entendo, meu filho. Tome cuidado. — Disse Sarah, enquanto segurava seu rosto.

— Pode deixar, mãe.

 

Fim do Flashback

 

— Agora, eu só preciso saber para que lado fica a faculdade.

 

Shin colocou a mala no chão e tirou o mapa que estava em seu bolso para verificar a direção da faculdade.

 

— Então vejamos, eu vou reto depois dobro à direita, em seguida eu pego a rua da igreja. Tá meio confuso esse mapa, mas qualquer coisa eu peço informação.

 

Quando Shin se abaixou para pegar sua mala, percebeu que ela havia sumido.

 

— Porra, cadê minha mala?

 

Foi aí que ele viu um macaco de suéter vermelho e calças azuis saindo correndo com a sua mala. Shin foi atrás dele.

 

— Espera aí seu filho da puta! — Shin gritava enquanto o perseguia — Alguém pega ele!

 

Mas ninguém moveu um músculo para pegar o macaco. Shin correu atrás dele, virando latas de lixo, trombando em pessoas e até atirando objetos nele para ver se o acerta.

 

— Essa não! — Disse o macaco ao chegar em um beco. Shin apareceu logo depois.

— Você não me escapa agora. — Shin já estava cansado daquilo tudo e pretendia dar uma lição nele.

 

E então o vento soprou contra Shin, o forçando a fechar seus olhos. Quando abriu novamente, o touro percebeu que não estava somente ele e o macaco.

 

— Eita porra...

 

Shin ficou nervoso quando vários outros macacos apareceram. Havia um bando deles.

 

— Não é mais tão valentão agora, não é? — Disse o macaco ladrão. — Se quiser sair dessa sem se machucar, você pode ir embora.

 

Cansado daquele falatório, Shin tirou a jaqueta.

 

— Cai pro pau!

— Espere! — Interrompeu uma voz vinda ao fundo.

 

Shin e os macacos olharam para trás e viram uma sombra misteriosa. Não se podia ver claramente quem era.

 

— Quem é você, mané? — Perguntou o macaco ladrão.

— Eu vim ver o macaco.

 

E saindo da sombra, a sombra misteriosa revelou-se ser um grande urso polar. Vestia camiseta preta, calça do exército e botas pretas.

 

— Esse cara é foda... — Disse Shin só de olhar.

 

Os macacos não estavam gostando nada daquela situação.

 

— Entreguem a mala dele e não machucarei vocês. — Esclareceu o urso com cara de mau.

— Acha que a gente vai ter medo de um touro e um ursinho de pelúcia? — Simbora cambada!

 

Os macacos fizeram uma grande roda em volta de Shin e o urso, que ficaram lado a lado.

 

— Eu pego os desse lado e você os do outro. — Falou o urso.

— Demorou!

 

Shin e o urso ficaram em posição de combate e a luta começou impiedosa havendo uma série de socos e chutes. Mais do que uma luta por uma mala, aquela situação já era questão de honra para as espécies dos dois.

 

— N-Não pode ser...

 

Minutos depois, todos os macacos já estavam derrotados. Shin e o urso, apesar de desgastados, continuavam de pé.

 

— Bora porra, cadê a minha...

 

Antes que Shin pudesse terminar sua frase, o macaco soltou a mala e saiu correndo.

 

— Ah.... Finalmente. — Shin sentou-se no chão, exausto, e verificou sua mala — Ainda bem que está tudo aqui.

 

Enquanto isso, o urso já estava indo embora sem dizer nada. Shin foi atrás dele.

 

— Ei, ei, espera! Você me salva e não aceita trocar nem um ‘’oi’’ comigo?

— Eu não ‘’salvei você’’. Eu só dei uma ajuda. Além disso, eu estava de olho naqueles macacos há tempos. No fim, você acabou servindo de isca para que eu finalmente pudesse enfiar minha mão na cara deles.

— Hahaha, eu entendi. Mas olha só, eu queria te recompensar de alguma forma. Eu não teria conseguido sem você.

— Valeu a gentileza, mas eu tô de boa. Além disso, eu...

 

O urso começou a tocar em seus bolsos e não sentiu algo que deveria estar lá.

 

— Merda, merda! Não acredito!

— O que é que foi?

— Minha carteira. Eles pegaram.

— Putz. E tudo isso porque você me ajudou. Sei nem o que te dizer.

 

A barriga do urso começou a roncar. O mesmo ficou sem graça.

 

— Ok, seu boi, eu vou deixar você me ajudar.

— É touro na verdade.

 

E eles foram comer, não muito longe dali.

 

— Salgados de 1 real? Eu esperava mais de alguém que ofereceu ajuda. — O urso parecia não ter gostado do lugar.

— Eu me ofereci pra te ajudar e você ainda reclama? E fique sabendo que os salgados daqui dão de Dez a zero no combo do mc donalds... — Retrucou Shin.

— Ah, certo, certo... Toda ajuda é bem-vinda...

 

Mais tarde, já lá dentro, o touro e o urso começaram a conversar.

 

— E então, qual o seu nome mesmo? E a idade? — Perguntou Shin enquanto comia um salgado folheado.

— Foxtrot Karl. Tenho 20 anos.

— Você é mais novo que eu? Não brinca! Caralho, você parece bem mais velho.

— Vai se ferrar. — Falou Foxtrot enquanto bebia seu refrigerante.

— E por que você estava de olho naqueles macacos? Eles fizeram algo com você?

— Não só comigo, mas com todos os habitantes de Aniland. São uns ladrões e parasitas. É o meu destino ficar comprando briga com esses caras.

— Você tem cara de brigão mesmo... — Disse Shin, enquanto dava outra dentada no salgado.

— Eu já fui muito mais mal-encarado do que já fui hoje. Posso dizer que já até dei uma amolecida.

— Isso é bonito de se dizer. Dá aquele ar de ‘’Os brutos também amam’’.

— Mas é claro que amam. Inclusive eu já namoro.

— Sério mesmo? Meus parabéns! Quem é a sortuda?

— Na verdade, é um cara...

 

Shin estava tomando refrigerante e quase engasgou ao ouvir aquilo.

 

— Quer dizer que você é? Mas poxa vida, nem parece. Tem mó cara de hétero.

— Tem algum problema com isso? — Falou Foxtrot enquanto comia seu quarto salgado.

— De forma alguma. Além disso, eu também sou. E eu nem aparento também.

— Não diria isso.

— Poxa, eu achei que disfarçava tão bem...

 

Houve um minuto de silêncio. Parece que o papo dos dois tinha morrido ali.

 

— E quanto a você.... Shin, não é? O que um caipira do mato tá fazendo aqui em Aniland?

— Assim, você me ofende... Mentira, sou mó caipirão mesmo. Deixa eu botar meu chapeuzinho aqui...

— Espera, você o quê?

 

E Shin, realmente fez isso. Tirou da sua mala um chapéu de vaqueiro e ficou se exibindo naquele lugar.

 

— Mano, isso é muito vergonhoso... Disse Foxtrot baixando a cabeça.

— Ora, não tenho vergonha das minhas origens.

— Você é autista, por acaso? — Perguntou Foxtrot já bravo com a situação.

— Sim, eu sou.

 

Silêncio. Foxtrot ficou sem saber o que dizer, enquanto Shin sorria.

 

— Espera, isso é sério mesmo?

— Com certeza. Mas é um autismo leve, então posso fazer de conta que sou normal.

— Já saquei... — Disse Foxtrot mexendo o canudinho no copo de suco.

— Mas não se preocupe. Esse chapéu aqui era só uma atuação. — Falou Shin, enquanto o guardava na mala. — Eu tenho outros objetivos por aqui nessa cidade, além da faculdade.

 

Shin deu um sorriso maléfico. Foxtrot não estava gostando nada daquilo.

 

— E posso saber quais seriam esses objetivos? — Perguntou Foxtrot já desconfiado.

— Ora, isso é meio intrusivo da sua parte, não acha? Mas se quer tanto saber...

 

Shin foi deixando um clima de suspense no ar. Foxtrot estava cada vez mais interessado no rumo que aquela conversa estava tendo.

 

— Ah, relaxa, hahaha! Tu tá muito tenso, homem! Sossega aí, vai.

— Você tá tramando alguma coisa, não é? Se isso for alguma coisa que prejudique a minha cidade, eu vou querer saber! — Foxtrot elevou o tom da sua voz.

— Ei, fala mais baixo! Aqui é um local público e você sabe! — Falou Shin, fazendo sinal para Foxtrot.

 

Alguns animais começaram a olhar para a mesa dos dois. Num instante, Shin e Foxtrot se tornaram o centro das atenções.

 

— Tá bom, vamos lá fora que eu te conto. — Disse Shin se levantando da cadeira.

— Pô, eu nem terminei meus salgados ainda! — Foxtrot saiu dali carregando consigo a sua sacola.

 

Saindo do lugar, os dois foram a uma ponte que ficava no centro da cidade. O sol estava quase se pondo. Parecia ser um cenário ideal para uma conversa.

 

— O povo dessa cidade parece ter algo que eu não tenho. Eu saí da minha cidade em busca disso. — Disse Shin enquanto observava o cair da tarde.

— E você sabe o que é isso? — Perguntou Foxtrot curioso.

— Eu ainda não sei. E é por isso que eu preciso observar o máximo de pessoas que eu puder.

— E como pretende fazer isso? Fazendo amigos?

 

Silêncio. O vento soprou no cabelo dos dois. Shin permanecia com o olhar fixo no horizonte.

 

— Não, eu não tenho tempo para isso. Isso só seria uma forma de distração no meu caminho.

— Entendo. Espero que encontre o que procura. — Disse Foxtrot, dando um sorriso, colocando a mão no ombro de Shin.

 

Shin olhou para ele e depois sorriu também.

 

— Obrigado.

 

O sol já havia se posto. A noite chegou.

 

— Já que é assim, que tal sermos colegas? Pode passar no meu escritório sempre que quiser para me falar dessas suas filosofias de noiado. — Disse Foxtrot entregando a Shin, o seu cartão de visita.

— Eu passo muito tempo pensando nessas coisas, sabia? Mas sim, eu sou mesmo um noiado. — Shin riu enquanto pegou o cartão de visita dele.

 

E enquanto guardava o cartão de Foxtrot em seu bolso, Shin se sentiu grato.

 

— Não vejo como um colega possa ser uma distração...

 

E assim, Foxtrot voltou ao seu lar e Shin foi até o hotel onde se hospedaria. Era o início da aventura de um touro pensador.



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