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História Shin, The Bull - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Heart


Fanfic / Fanfiction Shin, The Bull - Capítulo 2 - Heart

 Há algum tempo havia uma creche. Nela havia crianças perfeitamente saudáveis de todas as idades. Havia classes e turmas variadas. Mas em uma delas havia uma criança digamos, um pouco mais especial.

 

— Infelizmente o filho da senhora têm alguns problemas de relacionamento com os coleguinhas.

 

Dizia a professora Gansa Nádia para Dona Sarah, a vaca, mãe de Shin. Esta última parecia achar bobagem o que a gansa dizia.

 

— Mas isso é normal na idade dele, não é? Afinal, ele sempre foi meio tímido. — Dizia Sarah com um sorriso sem graça.

— Eu não sei. Shin é sempre calado demais a aula toda e só fala alguma coisa quando é ordenado. Não brinca e não fala com ninguém, mas mesmo assim ele parece não se importar com isso. — Respondia Nádia enquanto observava o tourinho do lado de fora da sala.

— Ele deve estar apenas acanhado demais para fazer amigos. A senhora tem que ver. Lá em casa, ele é muito agitado.

 

As duas ficaram observando Shin por mais alguns instantes. Era atividade de pintura. Shin estava pintando toda a ilustração da folha de preto.

 

— A senhora acha que aquilo seria normal? — A professora estava cada vez mais desconfiada. Sarah não conseguiu encontrar uma resposta plausível para aquilo.

— E então, o que eu faço? — Perguntou Sarah olhando para o filho que acabara de terminar seu desenho negro.

— A resposta é óbvia. Leve-o para um psicólogo.

 

A professora Nádia foi curta e grossa e entrou de volta para a sala de aula. Shin, que acabara de perceber a presença da mãe acenou para ela.

 

— Meu filho é completamente normal. Eu sei disso.

 

Dias atuais – Aniland

 

— É hoje o dia.

 

Os raios de sol penetravam pela janela do quarto de hotel onde estava Shin. A manhã parecia vigorosa e promissora. Em breve, Shin daria entrada no processo de matrícula da universidade interna Bordeaux. Mas antes disso, ele teria que dar conta de alguns documentos que ele precisava emitir e renovar para que pudesse concluir sua inscrição.

 

— Odeio burocracia....

 

Shin deu um longo suspiro, ainda coçando os olhos. Estava de pijama e ainda precisava se banhar e em seguida tomar café para depois enfrentar a fila de espera da secretaria do estado onde seriam emitidos os novos documentos.

 

Flashback – Dia Anterior

 

— Quê?! Como assim, não serve? Essa identidade já tem 5 anos e ainda está muito bem conservada. É praticamente nova!

 

Shin estava conversando com Foxtrot que logo faria a matrícula na faculdade, mas então o urso polar já foi lhe dando dicas de como devera proceder.

 

— Essa identidade só serve na sua cidade de caipira. Aqui as coisas só funcionam com os documentos daqui. Sinto muito mas vai precisar emitir novos documentos. — Disse Foxtrot devolvendo a identidade de Shin a ele.

— E então, o que eu faço agora? Eu não sei onde tiro novos documentos. E eu vou ter que pagar? — Shin baixou sua cabeça imaginando no trabalho que isso iria dar.

— Faz muito tempo que eles deixaram de ser de graça. O governo parasita sabe muito bem que pode lucrar com isso cobrando por um serviço tão essencial como esse.

— Ai, ai, fazer o quê..Valeu a informação, Volibear.

— Não foi nada, Allistar.

 

Os dois trocaram gargalhadas. Shin e Foxtrot mal se conheciam mas pareciam ter se dado bem.

 

Fim do Flashback

 

Shin já havia saído do hotel rumo à secretaria. Mas o maior desafio para ele não seria nem o tempo na fila de espera. E sim, não se distrair com as atrações da cidade. Ela era imensa e havia todo o tipo de coisa. Parecia uma Nova Iorque.

— Que cidade maravilhosa!

 

Shin acabou perdendo o foco e se distraiu observando pontos turísticos, visitando musesus, indo ao parque local e admirando uma lagoa que havia ali perto onde cisnes faziam uma bela apresentação.

 

— Putz, lindo.

 

Vale lembrar que os cisnes eram antropomórficos e eles estavam literalmente dançando.

 

— Merda, perdi a hora!

 

Shin finalmente se deu conta do atraso e saiu correndo, mas ainda estando no parque, se deparou com uma bela artista gata siamesa que estava a desenhar belas artes. Ela estava sentada no chão, sobre uma toalha. No mesmo tecido, haviam quadros com rostos de pessoas.

 

— Meu deus, que lindos! — Shin observava um dos quadros com profunda admiração.

— Ah, obrigada. Eu dou o meu melhor por eles. Desenhar é a minha paixão. — Disse a gata um pouco envergonhada após ser elogiada.

— Sim, eu vejo. Para produzir o que você faz é preciso ter muita paixão. Eu sinto isso na minha alma. Seus sentimentos estão transparecendo nos seus desenhos.

 

Shin estava deixando a gata ainda mais corada. Percebendo que estava falando demais, Shin decidiu moderar.

 

— O meu nome é Shin, e qual é o seu?

— Eu sou Heart.

 

Nome: Heart

Idade: 20 anos

Espécie: Gata siamesa

 

— Heart... Que belo nome. Se você me permite, eu posso sentar perto de você? — Shin, queria falar mais com ela, mas não queria ficar vendo-a o tempo todo de cima.

— Ah, é claro! — Heart sorriu.

 

E assim, Shin e Heart foram trocando as primeiras palavras. Era início da tarde e o sol estava radiante como nunca.

 

— Então você é novo na cidade?

— Ah sim, eu cheguei ontem. Você nem vai acreditar. Assim que eu cheguei, eu tive a minha mala roubada e depois fui atacado por um bando de macacos. A sorte é que um urso polar chegou na hora e me ajudou a acabar com eles. Ainda bem que no final, eu recuperei a minha mala. Hahaha!

— Hahaha, que bom, né? — Heart deu uma risada sem graça.

— Eu sou desinteressante pra caralho, eu sei. — Pensou, Shin. — Mas então, Heart, há quanto tempo você desenha? — Shin pensou em algo para movimentar a conversa.

— Eu acho que desde sempre, haha. Desde muito nova eu sempre demonstre inclinação e amor à desenho. Eu amo desenhar, é realmente um dos maiores prazeres da minha vida. — Disse Heart enquanto olhava para uma de suas artes que estavam emolduradas.

— É bom ter algo a que se dedicar, né? Parece que dá mais sentido pra vida da gente quando a gente tem um talento assim.

 

Heart fez uma cara feia. Shin não entendeu.

 

— Que talento o quê, moço! Isso é esforço! Você também consegue se se esforçar bastante.

— Mas Heart, veja bem, tem gente que já nasce sabendo desenhar enquanto tem outras que não sabem. Aí se a pessoa já sabe desenhar de cara, onde é que ela teve esforço? — Shin tentava refutar Heart.

— Realmente não posso negar que algumas pessoas têm algum tipo de facilidade que outras não têm.

— Eu não disse?

— Mas o talento natural sem prática para por aí e pode acabar se perdendo. Já alguém sem o ‘’talento natural’’ mas que se esforça todos os dias, obtém resultados ainda mais promissores.

 

Heart disse essas palavras com uma enorme convicção. Shin ficou sem saber o que dizer.

 

— É, você tem razão. Não posso competir contra um argumento desse. — Shin deu uma risada enquanto coçava atrás da cabeça.

— Você também é capaz de coisas incríveis, se tentar, moço. — Heart deu um sorriso com os olhos fechados.

— É, quem sabe, mas agora é acho que é hora de eu ir. Eu ainda tenho que...

 

Nesse momento, Shin deixa cair sua identidade. Heart vê e a pega.

 

— Hahaha, eu sou desastrado mesmo. E eu sei o que está pensando, Heart. Essa identidade só serve na minha terra e eu sei. Eu já estou indo tirar a minha nova.

 

Shin achava estranho o fato de Heart continuar olhando fixamente para a sua identidade.

 

— Heart? Tá tudo bem com você?

— Ah, eu entendo, Shin. Esta identidade já não lhe serve mais. Então agora você precisa de uma nova identidade, um novo ‘’você’’, correto?

 

Heart olhou para Shin, que continuava sem entender aquela situação. Ela estava visivelmente estranha.

 

— Então me diga, Shin, quem é você, agora?

 

Aquela pergunta atingiu Shin em cheio. Ela tinha razão. Já que ele agora estava sem identidade, Shin parecia não saber mais quem ele era. Que tipo de pessoa ou quais intenções possuía. Estava sem algo que o caracterizasse no mundo. Sem perfil, um escuro, um vazio. Algo que precisa ser preenchido. Algo que deveria ser, mas não é. Quem era Shin Bovisky? Ele poderia pertencer àquele mundo? Inúmeras perguntas bombardearam sua cabeça.

 

Flashback

 

— Mãe, pra onde a gente tá indo? — perguntou o pequeno Shin à sua mãe, que o levava de carroça a algum lugar.

— Ao médico, meu filho. Não vai ser nada demais.

— Mas eu não sinto nada, mãe. Eu tô bem!

 

Shin ficou sem entender, mas acabou aceitando. Os dois já estavam chegando a uma psicóloga.

 

— E então, minha senhora, qual o motivo da sua visita aqui? — Perguntava a doutora galinha à Dona Sarah.

— A senhora poderia dar uma olhada no meu filho, por favor. Ele anda tendo uns comportamentos estranhos. À princípio pensei que fosse só a sua timidez mas a professora dele disse que poderia ser outra coisa.

— Como assim outra coisa? O que elas acham que eu tenho? — Pensou Shin.

 

A doutora olhou para Shin, que desviou seu olhar.

 

— Vamos entrar no período de observação. Seu filho ficará fazendo visitas periódicas à minha clínica durante algum tempo. Só então eu vou poder ajudar. — Explicou a doutora de forma clara e direta.

— Muito obrigado.

 

Dona Sarah olhou para Shin, que permanecia indiferente com a situação.

 

— E então, garotinho, tudo bem com você? — Perguntou a doutora forçando um sorriso.

— Tudo...

 

E então, Shin passou a visitar mais vezes a clínica da doutora galinha. O objetivo daquilo tudo era saber se Shin era um garoto normal ou se ele apresentava alguma condição especial. Para o pequeno touro era horrível a ideia de se sentir normal mas ser tachado como algum tipo de ‘’doente’’.

 

— Bem, Dona Sarah, eu tenho um diagnóstico para seu filho. — Disse a doutora galinha em tom sério.

— Então me diga, por favor.

 

Dona Sarah estava com as mãos cruzadas, enquanto Shin não entendia a postura da mãe.

 

— O filho da senhora possui autismo leve.

 

Silêncio. Durante alguns segundos, ninguém disse nada. Mas naquele instante um turbilhão de pensamentos invadiu a mente de Shin.

 

— Mas não se preocupe. Isso não é nada grave e ele vai poder viver uma vida perfeitamente normal como todos os outros – explicou a doutora.

— Ainda bem, né? Ouviu isso, filho?

 

Mas Shin não prestou atenção em mais nada do que foi dito por ambas. Ele agora estava imerso em pensamentos e se sentindo inferior à todas as pessoas do mundo.

 

— Então eu sou diferente? Nesse tempo, tinha algo de errado comigo? Eu sou deficiente? Vou precisar ficar fazendo tratamento? Vou dar trabalho para minha mãe? Será que poderei ter um bom relacionamento com as pessoas? Eu vou ficar sozinho no mundo? Será que vou conseguir fazer amigos? Vou ser dependente o resto da minha vida? Eu sou inútil? Eu sou fraco? O que eu sou? Quem sou eu?

 

Fim do Flashback

 

— Shin, tá tudo bem com você? — Perguntou Heart, ao ver o estado apreensivo em que o touro se encontrava.

— Ah, o quê?

 

Foi então que Shin voltou para a realidade. Aquela boba discussão sobre identidades, fez o touro acreditar que não sabia mais quem ele era.

 

— Desculpa, Heart. Eu viajei legal. Ai, ai, ai... — Disse Shin, enquanto tocava em cima da cabeça sentindo dor.

— Ei, tá tudo bem. Não precisa se pressionar sobre não saber quem você é de verdade. Além disso, a gente não vai conseguir definir isso só olhando para uma identidade. — explicou Heart com um sorriso. — Me empresta aqui.

 

Heart pegou a identidade de Shin e a mostrou para ele.

 

— Está vendo? Aqui só é representada a forma como a sociedade nos vê. Aqui não mostra como nós somos por dentro. No caso, você é Shin, touro marrom, 23 anos, nacionalidade brasileiro. Mas para por aí. Não deixe que você seja limitado por isso.

 

Aquelas palavras embora parecessem ter soado simples causaram um grande impacto na mentalidade de Shin. Agora ele sabia que era muito mais que aquilo.

 

— Tem razão, Heart. Apesar de todas as circunstâncias, eu sou eu!

 

Shin lembrou-se da trajetória de sua vida. Saber sua condição mudou sua vida. Pessoas passaram a trata-lo diferente, mas ele sempre foi dedicado e fiel ao que ele acreditava. O fato de ser autista não poderia impedir ele de fazer o que quisesse e nem de limitar suas capacidades.

 

— Shin, me dá uns minutinhos, por favor. — Disse Heart pegando papel e caneta.

— Ah, claro. Mas o que é que você...

 

Heart não respondeu. Ficou ocupada desenhando em Speed Draw.

 

— Toma, é para você. — Disse Heart entregando para Shin uma folha de papel.

— Heart, isso é...

 

Shin ficou maravilhado. Era um desenho dele. Era uma bela arte e mais do que isso era um presente especial que ele guardaria para sempre.

 

— Este é você. Do meu ponto de vista, é claro, mas eu dei o meu melhor, haha! — Disse Heart envergonhada.

 

Shin se segurou para não derrubar uma lágrima.

 

— Muito obrigado, Heart. Agora eu sei quem sou.

— Sabe? E quem você é?

— Sou Shin, o touro.

 

Os dois se abraçaram e depois se despediram. Shin pegou o contato de Heart e saindo dali,o touro foi correndo fazer sua identidade.

 

— Como assim fechado? Porra!

 

Quando Shin chegou ao local da emissão do documento, ele já havia encerrado o expediente.



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