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História Shin, The Bull - Capítulo 3


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Notas do Autor


Desculpem a demora. Esta fanfic é importante pra mim. Cada personagem novo de cada capítulo é um amigo meu da furry fandom. Então, eu tenho a obrigação de terminar :v

Capítulo 3 - Kite


Fanfic / Fanfiction Shin, The Bull - Capítulo 3 - Kite

— Finalmente! Aqui está!

 

Depois de um longo tempo esperando, Shin finalmente conseguiu emitir sua nova carteira de identidade. Ele saía do local, já portando consigo o novo documento.

 

— Enfim, posso me matricular na faculdade. Mas estou muito cansado hoje. Deixarei para amanhã.

 

Eram duas da tarde. Ainda havia muita coisa que se poderia fazer, mas Shin decidiu voltar para o hotel onde estava hospedado.

 

— Que sorte eu não ter que pagar pelo quarto...

 

FlashBack

 

— Então quer dizer que a minha hospedagem vai sair de graça? Isso é sério mesmo, mãe? — Shin não estava acreditando na notícia que sua mãe acabava de dar.

— Ah, isso mesmo. A dona do hotel é uma amiga minha de longa data. E como ela me deve alguns favores, ela aceitou na hora te oferecer um quarto pelo tempo que precisar. — Esclareceu Dona Sarah depois de ter falado com ela pelo telefone.

— Ai, que maravilha, mãe!

 

Shin agarrou a mãe e lhe deu um forte abraço girando ela no ar.

 

— Me solta, menino!

 

Fim do Flashback

 

— Cheguei.... — Falou Shin, de forma desanimada, ao abrir a porta de seu quarto.

 

Era uma rotina triste. Shin ainda iria fazer a matrícula e ainda esperar mais algum tempo até o início das aulas. Seu passatempo era ler livros e usar as redes sociais pelo celular e pelo notebook. Às vezes ele também jogava alguma coisa, mas nada daquilo era bom o bastante para ele. O touro sentia que faltava alguma coisa.

 

— Aquilo é... — Disse ao avistar um caderno caído próximo a estante.

 

Shin se aproximou do caderno e o pegou abrindo em uma página. E ali continha um dos traços mais presentes em sua personalidade, na infância: O de escrever histórias.

 

— Minha nossa, eu não acredito!

 

Shin havia criado inúmeras histórias originais. Em uma, ele narrava as aventuras de um leão de classe alta que vivia um amor proibido com a de uma tigresa.plebeia, em outra o touro contava um drama de um menino que encolheu e se perdeu no meio da sujeira do próprio quarto. Porém em sua maioria, ele escrevia fanfics de obras que ele gostava muito como Digimon e Konjiki no Gash Bell.

 

— Que nostalgia, faz tempo que eu não escrevo nada parecido...

 

Shin lembrou-se dos tempos onde escrevia histórias com vigor e paixão, pois na época ele não possuía nem computador e nem celular então ler livros e escrever histórias eram o seu maior passatempo. Mas então por que ele havia parado?

 

— Ai! — Uma sombra aparece em suas lembranças e ela atordoa sua mente. — Agora eu me lembro porque eu havia deixado de escrever.

 

Shin fechou o caderno e guardou de novo na estante. Em seguida, deitou-se na cama olhando para o teto.

 

— Eu sei muito bem o motivo pelo qual parei.

 

A imagem perturbadora lhe apareceu novamente. Shin tentou resistir.

 

— Mas... — O touro olha novamente o livro pela estante e fica com o olhar fixo nele.

 

E então, Shin se levanta da cama e toma uma decisão.

 

— Mas eu não vou deixar isso me afetar mais!

 

Shin pegou seu caderninho e saiu do hotel. Ele sabia muito bem aonde deveria ir.

 

— Eu vou procurar a minha fonte de inspiração.

 

Correndo o máximo que podia, Shin parecia estar atrasado para um grande compromisso, mas na verdade não era. Seu objetivo era muito mais simples que isso. No centro da cidade, havia um local com uma grande concentração de livros. Um dos lugares não muito frequentados atualmente pela sociedade, por conta das redes sociais e jogos eletrônicos ocuparem a mente destas pessoas. Aquele local era nada menos que a biblioteca.

 

— Fazia tempo que eu não ia em uma dessas. — Disse o touro ao finalmente avistar o paraíso dos livros.

 

Sem mais delongas, entrou. E quando entrou parecia que um mundo totalmente novo havia se aberto a ele.

 

— Uau! Isso é mesmo incrível!

 

Olhando tudo ao seu redor, Shin se deparou com estantes enormes de livros, um local com dois andares, corredores com várias seções dos mais diversos tipos, livros em varejo, ofertas, artigos decorativos e de papelaria, etc. Uma infinidade de opções. E nisso, ele acabou não vendo quem havia pela frente.

 

— Ai! — Disse uma voz que esbarrou no touro e em seguida caiu no chão.

— Meu Deus, me desculpe. Eu não vi você. — Shin também havia caído para trás e não havia visto em quem esbarrara.

 

E então, Shin abre os olhos e percebe a pessoa que estava bem na sua frente. Era uma espécie diferente. Parecia um coelho, mas também tinha traços de lobo.

 

— O que está esperando? Não vai me ajudar a levantar? — Disse o loboelho ranzinza.

— Ah, é claro! — Respondeu Shin, ao ajudá-lo. — Sinto muito por isso.

— Além de corno, é cego, né? Mas tudo bem. — Disse o loboelho sacudindo a poeira do corpo.

— Ei, espera isso é...

 

Shin estava prestes a pegar o livro que o sujeito tinha deixado cair, mas o mesmo se apressa e o pega antes do touro.

 

— Não me interessa se você conhece ou não conhece este livro. Não quero que isso vire uma história clichê onde nos tornamos amigos por causa de um motivo tão bobo.

— Ah, qual é. Não seja assim. Eu só queria ver o livro mesmo. Pode me deixar vê-lo só por um instante?

 

O loboelho ficou meio desconfiado com aquilo, mas não conseguiu achar motivos suficientes para recusar aquele pedido.

 

— Tá bom. Só uma olhada, certo? — disse o loboelho entregando o livro de capa verde para Shin.

— Tudo bem. É que eu acho que já vi este livro em algum lugar antes.

 

Shin pegou o livro e teve uma grande surpresa.

 

— Eu não acredito! Esse livro é... — O touro parecia perder a fala.

— Como assim, você o conhece? Responde logo! — O loboelho abriu um sorriso.

 

Shin coçou atrás da cabeça e deu um riso sem graça.

 

— Nunca o vi na minha vida! Haha!

— Filho da... — Disse o loboelho quase caindo pra trás.

— Foi mal. É que eu achei que conhecia. A capa parecia com a de um livro que eu conheço. É uma bela capa verde.

 

Aquele livro chamava-se ‘’Lugar Nenhum’’ de Neil Gaiman. Shin admirou o livro por um tempo e depois o abriu.

 

— Bom, já que não é o livro que você achava, me dá aqui! — Disse o loboelho tomando o livro das mãos do touro. — A propósito, você achava que era qual?

— ‘’O menino do dedo verde’’ de Maurice Druon. É uma ficção infanto juvenil.

— Interessante, touro. Me conte mais.

 

E assim, os dois foram contando sobre os livros um do outro. Nenhum era preocupado com spoilers, então foi uma experiência bem agradável para ambos. Os dois estavam em uma mesa com alguns livros perto deles.

 

— Eu gostei de você. Qual é o seu nome? — perguntou o bovino ao híbrido.

— Eu sou Kite.

 

Nome: Kite B. Rabbit.

Idade: 19 anos

Espécie: Híbrido de Lobo e Coelho

 

— E você é? — Perguntou Kite enquanto colocava um pirulito na boca.

— Meu nome é Shin. É um prazer conhecê-lo, Kite.

— Então, Shin, o que foi que te trouxe a esta biblioteca?

— Bem... Eu busco por uma inspiração, sabe? — Falou Shin com a cabeça baixa. — Eu achei que aqui era uma boa escolha.

— Inspiração? Espera aí, não me diga que você é um escritor. — Disse Kite tirando o pirulito da boca.

— Eu tento, né? Na verdade, era algo que eu fazia com mais frequência no passado. Hoje em dia, eu nem escrevo mais nada.

— Ora, não diga isso! Escrever é pra todos mas nem todos possuem a maestria de escrever algo com profundidade e você tem cara de que escreve bem, seu boi! — Falou Kite empolgado segurando nos braços dele.

— Eu sou um touro na verdade... E obrigado, eu acho.

— Se bem que eu nem posso afirmar nada sem ver com meus próprios olhos algo que tenha sido escrito por você. Acho que eu acabei exagerando. — Disse Kite tirando suas mãos do braço de Shin e sentando-se novamente na cadeira.

— Mas você pode ver. Eu trouxe algumas histórias comigo. — Shin apontou com a cabeça sobre o caderno sobre a mesa. — É ali que estão alguma das minhas criações.

— Deixe-me ver isso, Friboi. Agora eu fiquei curioso. — Kite se esticou e pegou o caderno.

 

Kite começou a ler a primeira história de Shin. Se tratava de um jovem lobo iniciando sua vida em uma escola de teatro.

 

— Essa história eu não cheguei a finalizar, mas...

— Calado! — Disse Kite interrompendo Shin, que se calou na hora.

 

Kite continuou a ler sem desafixar os olhos das páginas. Todas as palavras pareciam super-interessantes para ele de uma forma que ele não conseguia parar.

 

— Uau, parece que ele gostou mesmo. Já tem mais de meia hora que ele está lendo... — pensou Shin.

 

E então, Kite para de ler. A história havia terminado ali. E então, Kite fecha o caderno calmamente.

 

— Haha! Que bom que você gostou! Eu passei um bom tempo pra...

— Como que você ousa deixar esta história incompleta? O que diabos que deu em você? — Esbravejou Kite para Shin com o olhar praticamente em chamas. — Acha mesmo que você tem esse direito de interromper com sua história sem mais nem menos?

— Acho, ué. A história é minha.

— É, tem razão. Foda né, mano?

— É...

 

Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos.

 

— Mas isso não impede você de voltar a escrever! — Exclamou Kite voltando a ficar animado — Você precisa voltar a escrever.

— Ah, eu não sei... — Shin parecia meio envergonhado — É que aconteceram umas coisas e aí eu tive que parar. Sabe como é, né?

— Não, eu não sei como é. Poderia ser mais claro? — Perguntou Kite com as orelhas em pé, literalmente.

 

No momento que Kite fez essa pergunta, lembranças começaram a pipocar na mente de Shin. Algumas eram boas e outras ruins. Mas era chegada a hora de enfrentar.

 

FlashBack

 

— Estou entediado... — queixava-se o tourinho.

 

Shin tinha apenas sete anos e os momentos de solidão e monotonia na sua vida lhe eram frequentes. Ele praticamente não tinha brinquedos, não tinha amigos e no período da tarde todos os programas eram destinados a adultos e nenhum deles lhe eram interessantes. Seus maiores passatempos eram seus livrinhos de histórias.

 

— Vou reler esta história. Eu gosto muito. ‘’Viva a liberdade’’ é uma ótima fábula. — dizia o touro ao pegar o livro da prateleira.

 

Mas aí o tempo passava e ele logo terminava o livro. Como a família de Shin era pobre, ele tinha pouquíssimos livros. Caso ele não improvisasse algo, ele seria engolido pelo aborrecimento.

 

— Vou escrever minhas próprias histórias.

 

E então Shin pôs-se a escrever inúmeras histórias. Em uma fazia a de um jovem caçador em busca do reconhecimento que teria ao se capturar uma onça, em outra ele criou a história de uma banda que descobriu a existência de instrumentos mágicos que tinham poder de hipnotizar as pessoas que ouvissem os sons dos mesmos. Eram inúmeros tipos de contos, que ele passava horas para desenvolver.

 

— Eu faço por mim mesmo. Não ligo se não tiver ninguém que possa lê-los...

 

Mas quem não gostava nada daquilo era sua irmã, Vanda. O tourinho colecionava inúmeros cadernos antigos com várias pequenas histórias. Ele tinha muito zelo e cuidado, mas os livros poderiam se misturar com os cadernos e gerava uma confusão. A vaca odiava qualquer rastro de desorganização, mas além disso ela nutria ódio por seu próprio irmão.

 

— O que você está fazendo? São os meus cadernos! — Berrou Shin ao ver que seus cadernos estavam no meio do lixo.

— Eles são muito velhos e cheios de poeira. Eu vou dar um fim neles! — Resmungou Vanda.

— Não vai, não!

 

Shin pegou o caderno do lixo e sua irmã puxou o caderno de volta a força. A vaca ao ver que estava sendo desafiada, ficava enfurecida.

 

— Escuta aqui, seu merda!

 

E espancava o tourinho sem dó nem piedade. O pequeno bovino ficava cheio de hematomas, isso porque tentava impedir que a sua arte fosse reduzida a lixo. Podia parecer algo pequeno e sem importância, mas para Shin, significava muito.

 

— Esses aqui também vão! E não quero saber o que você acha! — respondia a vaca ainda brava.

 

Por não ter mais força para contra-atacar, Shin apenas chorava e assistia aquilo tudo com dor no coração. Para evitar que aquela cena se repetisse, o touro foi gradativamente deixando de escrever. E tendo que abandonar uma das atividades que ele mais amava fazer.

 

Fim do FlashBack

 

— E então? Por que não volta, Shin? — Kite fez a pergunta novamente.

— Eu... É que...

 

O caderno que Shin portava consigo não era tão antigo contra os outros. Na verdade, ele era um pouco mais recente. A história do jovem lobo ainda era datada deste ano, mas o touro sentia uma dificuldade enorme de terminar quaisquer histórias, por que ele tinha adquirido severos traumas da infância.

 

— Se é força de vontade que lhe falta, então se imagine mais forte do que nunca. — Respondeu Kite comendo um bombom.m um sorriso.

— O quê? — Shin olhou para ele sem entender.

— Suas histórias são fruto da sua imaginação, não é? Então por que você não se imagina mais forte e tenta superar tudo o que está acontecendo com você?

 

A resposta de Kite veio como um choque de realidade para Shin. Aquilo poderia parecer bobo e raso, mas fazia sentido. As histórias eram extraídas da mente, então se o limitador é um trauma preso na mente, então temos que nos imaginar mais fortes do que nunca.

 

— Kite, é isso! Muito obrigado! — Shin levantou-se da cadeira falando em tom alto.

— Shhhhhhhhhhhhh! Silêncio! — Disseram todos ao redor da biblioteca.

 

Envergonhado, Shin voltou a se sentar e falou baixinho para Kite.

 

— É isso mesmo que vou fazer. Vou ficar mais forte e passar por isso. Eu realmente quero e vou voltar a escrever.

 

Kite sorriu de volta para Shin.

 

— É bom ouvir isso, boizão. — Disse o híbrido batendo em suas costas.

— Já disse que sou um touro, droga...


Notas Finais


Obrigado e esperem que continuem lendo ^^


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