1. Spirit Fanfics >
  2. Shin, The Bull >
  3. Hawk

História Shin, The Bull - Capítulo 4


Escrita por:


Capítulo 4 - Hawk


Fanfic / Fanfiction Shin, The Bull - Capítulo 4 - Hawk

— Droga, por onde eu começo...

 

Naquela manhã, Shin estava pensativo. Seu caderno de histórias estava aberto em uma folha em branco. Ele estava determinado a escrever uma história totalmente nova. Mas fazia anos que ele não escrevia nada e não sabia como poderia dar início a ela.

 

— Será que estou enferrujado? Nada me vem à mente, droga... — Falava Shin consigo mesmo enquanto ficava balançando o lápis.

 

O sol entrava pela janela do quarto, mas não chegava na parte onde o touro estava, pois ele situava-se na parte sombreada onde estava a mesa. Na mesma, havia vários outros livros que Shin havia pegado na biblioteca, onde ele pretenda extrair dos mesmos, alguma ideia que lhe ajudasse a ter alguma inspiração.

 

FlashBack – Dia Anterior

 

— E então, você vai dar continuidade à história do lobo, não é? — Perguntou Kite, com os olhos brilhantes, para Shin.

— Na verdade, não. Eu realmente estou sem novas ideias para ela. — Falou Shin dando um sorriso sem graça — Eu pretendia dar início a uma nova história.

 

Kite fez uma careta. Ele não havia gostado daquela resposta.

 

— Tá, tudo bem. Eu reconheço que você está com bloqueio criativo e que talvez nunca termine esta história. É, eu reconheço. Você precisa mesmo buscar uma coisa nova. Algo que seja mais a sua cara. — Falou Kite enquanto comia outro bombom.

— É... Obrigado, eu acho. Mas eu não entendi uma coisa. O que você quis dizer com minha cara?

— Ora, não é óbvio? Uma história de herói. E você tem exatamente a cara de um. — Disse Kite apontando o dedo na cara de Shin.

— Herói? Eu? — Disse Shin tirando o dedo de Kite de sua cara — Eu não acho que eu seja esse tipo não.

 

Após Shin dizer isso, Kite fez uma reflexão dando novamente uma boa olhada no touro.

 

— Nunca vi um herói chifrudo. Você talvez se encaixasse melhor num papel de vilão genérico.

 

Aquela resposta deixou Shin desanimado. Sua autoestima havia chegado ao chão.

 

— Argh! Talvez eu tenha dito algo que não devia. Foi mal, conselhos não são a minha especialidade.

— Não, tá tudo bem. Você deu sua opinião sincera e eu gosto disso. Talvez eu não sirva pra ser herói. — Falou Shin com um sorriso meio triste

— Ei, não fica assim — Disse o loboelho tocando em suas costas — Sei que vai pensar em algo bem bacana.

— É... Eu vou sim. Pode deixar. — Falou Shin com um ar mais determinado.

 

Fim do FlashBack

 

— Um herói, não é?

 

Pensando na dica de Kite, Shin começou a desenhar um super-herói, mas o desenho estava bem simples. Foi aí que percebeu o quanto ele era inexperiente na arte de desenhar.

 

— Caralho, eu não sirvo nem pra desenhar, haha! — Disse enquanto apagava o desenho — Quem dera eu desenhasse tão bem quanto a Heart.

 

Mas enquanto apagava seu desenho, Shin teve uma grande ideia.

 

— É isso! Eu já sei!

 

Shin ergueu o pedaço de papel onde havia desenhado e mesmo com sua ilustração apagada, a luz da lâmpada permitia que ele enxergasse os traços do desenho. A ‘’alma’’ do herói ainda estava ali.

 

— Já que eu não consigo pensar em um herói, vou ter que encontrar um por conta própria!

 

Shin estava no centro da cidade, portando consigo seu celular e um bloquinho de anotações. Ele estava pronto para captar qualquer traço de ação heroica que pudesse servir de inspiração para o seu conto. Não havia tanta movimentação no lugar, o que era raro. Fazia um pouco de frio, mas o touro estava agasalhado com um cachecol.

 

— Será que isso foi mesmo uma boa ideia?

 

Pensou o touro consigo mesmo, com olheiras de sono. Duas horas depois, não havia acontecido nada de importante no local. Havia sido um desperdício de tempo. Ficou tão animado com a sua história, que havia esquecido o quão melancólica e tediosa a vida real poderia ser. Por fim, Shin fechou seu bloquinho e foi saindo devagar do local.

 

— Socorro!

 

Atrás dele, Shin escutou uma voz que pedia por ajuda. O touro virou-se e avistou uma cena terrível que poderia vir a piorar. Um menino veado estava prestes a ser atropelado por um caminhão.

 

— Para, por favor! — Gritou Shin, correndo para tentar salvá-lo

 

Mas não ia dar tempo. O veadinho de aproximadamente quatro anos estava prestes a ser atropelado, quando...

 

— O quê? — Shin não acreditou no que acontecera.

 

Um vulto passou rapidamente e tirou a criança dali. O caminhão bateu em um poste, mas ninguém se feriu. Do outro lado da rua, todos conseguiram avistar a criatura que havia conseguido tal façanha.

 

— U-Um grifo!?  — Shin não conseguia acreditar na espécie raríssima que havia ‘’brotado’’ naquele lugar.

 

E então, uma multidão de pessoas aglomerou-se no local batendo inúmeras fotos, não só pra registrar o ato de bravura mas para presenciar a espécie que era raríssima de se encontrar por aí. Um grifo marrom de olhos amarelos.

 

— Está tudo bem com você? — Perguntou o grifo à criança veado — Se machucou?

— Não... — Disse o veadinho aos prantos.

— Se saiu muito bem, rapaz. — Disse o grifo acariciando sua cabeça. — Sempre que precisar é só me chamar.

— E como é o seu nome, tio? — Perguntou o menino enxugando as lágrimas.

— Hawk. Hawk Leijon. — disse o grifo com um sorriso no rosto.

 

Nome: Hawk Leijon

Idade: 19 anos

Espécie: Grifo

 

— Hawk... — Falou Shin, baixinho. Os olhos do touro brilhavam.

 

Batendo asas, Hawk voou para longe. Muitos apreciaram sua coragem e bravura, mas ninguém estava mais comovido do que Shin. O bovino já sabia sobre quem iria escrever.

 

— E então o Hawk vai sobrevoar um prédio em chamas, vai penetrar no lugar sem nenhum medo e vai salvar a garotinha que estava sozinha em seu quarto. — Shin estava começando a escrever suas primeiras ideias para a história que teria o grifo como protagonista.

 

Em um determinado momento, Shin parou de escrever e pôs-se a lembrar do episódio de meia hora atrás.

 

— Aquele Hawk é mesmo fantástico... Incrivelmente veloz e corajoso. Quem dera eu pudesse me encontrar com ele. — Pensou Shin, olhando para o reflexo do vidro da cafeteria.

 

Foi aí que o touro percebeu que estava sonhando demais.

 

— Ora, mas como que diabos isso iria acontecer? Não é como se eu gritasse: ‘’Socorro, Hawk! ‘’ E ele aparecesse no mesmo instante...

— Me chamou?

 

Shin não percebeu que estava falando em voz alta, mas a real surpresa era que Hawk realmente apareceu do seu lado.

 

— H-Hawk!? — Shin não conseguia acreditar no que os seus olhos viam.

— O primeiro e único. Então, tá com algum problema? — Perguntou o grifo encarando o touro.

 

A surpresa foi tanta que Shin desmaiou. Causando confusão na cafeteria, alguns médicos que estavam casualmente no local prestaram os primeiros socorros.

 

— Desculpa por isso, que vergonha... — Disse Shin, já recuperado e com a mão na testa.

— Ah, não esquenta com isso. Muita gente reage assim quando me vê. — Falou Hawk sorrindo com seus óculos escuros.

— Mas então, como que você...

— Ora, eu já estava aqui na cafeteria quando escutei alguém chamar meu nome, haha! — Falou o grifo coçando atrás da cabeça.

— Que coincidência absurda... — Falou o touro enquanto tomava uma xícara de chá.

 

Destino ou acaso? Ninguém sabia. Mas Shin sabia que Hawk estava bem ali na sua frente e agora seria possível conseguir mais informações a respeito do seu novo herói.

 

— E então, Hawk... — falou Shin segurando o lápis pronto pra escrever no caderno — Quando foi que você começou nessa carreira?

— Oi? Que carreira? — Perguntou Hawk enquanto assoprava a fumaça do café.

— Ué? A de herói. Eu não acho que você estava passando casualmente por ali e se meteu a salvar aquele menino.

— Ora, mas foi isso mesmo o que aconteceu. Não existem profissões de super-herois, Shin. — Disse Hawk tomando um gole do café.

 

Shin ficou surpreso, mas logo entendeu o recado. E assim foi fazendo suas primeiras anotações.

 

— Mas me diga aí, por que você está interessado em mim? — Perguntou Hawk colocando a xícara de café novamente sobre a mesa.

— Ah, é que... — Shin fechou o caderno, no impulso — Estou pensando em escrever uma nova história e estava procurando por um herói que pudesse ser o protagonista dela.

 

Hawk deu um sorriso, dando uma boa olhada no touro.

 

— E você acha que eu tenho as qualidades para ser um herói?

— É claro que sim! Você deu um grande exemplo de coragem e de determinação mais cedo — Falou Shin de forma empolgada — Você deveria ter visto o tanto de pessoas que pararam para vê-lo...

— Mas eu já disse que foi uma coincidência, meu rapaz.... Qualquer um poderia ter feito o mesmo que eu. — Falou o grifo, enquanto dava uma olhada para a rua refletida no vidro da janela da cafeteria.

— Qualquer um pode, mas nem todos fazem. E salvar uma pessoa desconhecida, não é coisa que qualquer um faria...

— Você teria feito a mesma coisa que eu, não é?

 

Silêncio. A pergunta de Hawk deixou os dois calados por alguns segundos. Shin ficou sem saber o que dizer.

 

— Como assim, Hawk? Do que está falando?

— Você também teria salvo aquele menininho, não é? Vamos, pode admitir. — Perguntou Hawk, enquanto tomava sua xícara de café tranquilamente.

— Não, eu não! Eu jamais faria uma coisa dessas! — Shin levantou-se da cadeira, falando de forma assustada — Por que você acha que...

 

Shin não pôde terminar aquela frase. Os olhos de Hawk já o condenavam.

 

— Eu vi você.

— O quê? — Disse Shin sentando-se novamente em seu lugar.

— Enquanto eu voava, eu vi que você também se esforçou para salvá-lo.

— Mas eu não ia conseguir! Não importa o quanto eu corresse, eu não...

— O fato é de que você tentou! E estava disposto a correr perigo da mesma forma que eu! — Falou o grifo com um tom de voz consideravelmente alto.

 

Shin baixou a sua cabeça. Sua expressão era de tristeza.

 

— Não, eu não sou nenhum herói. Eu não fiz nada.

— Mas você pode vir a ser, acredite! Eu sei que um dia, você...

— Não!

 

Shin deu um grito que fez todas as pessoas da cafeteria olharem para ele.

 

— Eu não tenho o direito de ser nenhum herói...

 

FlashBack

 

— Meu nome é Shin Bovisky, tenho 8 anos e vou estudar aqui de agora em diante.

 

Shin acabava de se tornar novato em uma escola, mas diferente do que acontece nos filmes ele não foi ‘’adotado’’ por nenhum extrovertido e não conseguiu fazer amigos.

 

— Afasta pra lá, chifrudo!

 

Shin estava sentado em um banco da escola, quando uma menina flamingo o empurrou do assento e sentou-se no lugar que era dele.

 

— Não! Eu estava sentado aqui, você vai ter que sair! — Shin tentou empurrar a menina para fora.

— Para de me empurrar!

— O que está acontecendo aqui?

 

O inspetor chegou e viu aquela situação. Shin tentou explicar o que havia acontecido, mas acabou não dando muito certo para ele.

 

— Você vai sentar no chão e ela vai ficar no banco!

— Mas isso não é justo! É porque ela é menina?

— Cale a boca, seu pirralho.

 

Não havia justiça naquela escola. Shin estava a mercê de um mar de desigualdade e de bullying, encoberto pelos superiores.

 

— Ei, ei!

 

Um garoto macaco ficava lhe cutucando direto. Não importa quantas vezes, Shin pedisse para que ele parasse, o menino não parava.

 

— Para com isso, droga!

 

A professora lontra via o bullying, mas nada fazia. O touro chegava a chorar pela falta de suporte.

 

— Filho da pp!

— Ei, seu filho da pp!

 

Em um determinado dia na escola, todos os alunos estavam falando uma espécie de código: ‘’filho da pp’’. Shin não sabia o que significava e resolveu entrar também.

 

— Filho da pp! — Falou o touro no meio da sala de aula.

 

Porém aquilo traria péssimas consequências para ele. Shin foi mandado à diretoria, onde a diretora lhe encarou com olhos furiosos.

 

— Me responde, o que isso quer dizer? — Perguntou a diretora elefanta bravíssima.

— Eu não sei... — Shin falou baixinho.

— Não sabe? Mas vai aprender em casa! Suspenso por uma semana!

 

Shin realmente não sabia o significado, mas era a mesma coisa que ‘’filho da puta’’. O tourinho teve coragem de dizer que todos os outros estavam falando aquilo e que a professora estava ouvindo. Mas apenas ele havia sido mandado à diretoria. Ao chegar em casa, Shin contou toda a situação para a mãe. Onde ele finalmente percebeu que era marcação de sua professora. Não só ela, mas os adultos daquele local eram extremamente irresponsáveis e autoritários. Aluno nenhum tinha voz.

 

— Eu não vou mais ser fraco!

 

Shin fez um juramente a si mesmo de que não ia fraquejar e de que iria fazer valer a sua justiça naquela escola. Pelo menos até ser transferido. O ano ainda estava na metade. Faltavam mais seis meses.

 

— Ei, ei, cara!

 

O mesmo macaco que estava lhe chateando começou a implicar. Mas Shin não estava pra brincadeira.

 

— Quando que você vai parar com isso!

 

Shin deu um soco na cara do menino e o mesmo começou a sangrar.

 

— Vai já pra diretoria! — ordenou a professora.

— Ah, pode deixar!

 

Shin pegou suas coisas e foi para o mesmo local onde se encontrava a terrível diretora. A mesma que tentava pôr medo em todos os alunos.

 

— O que foi dessa vez, hein? — Perguntou a gorda.

 

Shin nada disse, mas mesmo assim foi suspenso de novo. Desde aquele dia, as implicações com ele pararam e o touro não voltou novamente a diretoria. Sempre com cara de bravo e distante dos outros colegas. No final do ano, o touro comemorou, pois finalmente poderia deixar o lugar e acabou chorando aliviado no abraço de sua mãe, pois à força havia se tornado uma pessoa que não havia desejado. Na escola nova, Shin não enfrentou as mesmas injustiças mas teve que enfrentar as mesmas barreiras do bullying e do preconceito. Isso porque não adianta onde formos, a desigualdade sempre estará presente e cabe a nós, não perdermos nossos valores e princípios.

 

Fim do FlashBack

 

— Não posso ser um herói. Esse papel não é para mim. — Disse Shin com a cabeça baixa e colocando as mãos na cabeça. — Eu entendo que quer que eu seja um, mas não posso!

 

O grifo observou calmamente a sua agonia. Mas no fim, deu um sorriso terno e um conselho amigo:

 

— Mas você é o protagonista da sua própria história, não é?

 

E mais uma vez, as palavras de um amigo ecoam no coração do jovem touro, que ergue a sua cabeça.

 

— Só você sabe o quanto você sofreu, mas também só você sabe o quanto se manteve forte, Shin. Tenha orgulho de si mesmo. — Disse Hawk com um sorriso.

— Hawk, eu...

 

Shin estava prestes a derramar uma lágrima e então o grifo lhe abraça.

 

— Imagino que você teve que aguentar uma cruz muito pesada ao longo dos anos, mas você não precisa mais travar essa batalha sozinho. Eu estou aqui. — Disse o grifo ainda em seu abraço.

 

Shin desabou em lágrimas. Heróis existem e eles estão presentes dentro de cada um de nós.


Notas Finais


Espero que gostem ^^


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...