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História SHINGEKI NO HIGH SCHOOL: o ano da formatura. - Capítulo 5


Escrita por:


Notas do Autor


~ Capítulo repostado por motivos de: edições necessárias. ~

Ei, vocês estão bem?

Sobre esse capítulo, eu só tenho a dizer que ele é MUITO denso. Tem um diálogo nele que é bem... pesado? É um capítulo que tem muitas informações escondidas, então fiquem atentos.

Eu não revisei por conta da densidade, então desde já peço desculpas se houverem muitos erros de ortografia ou formatação.

Enfim, não vou me prolongar mais.
Me encontrem nas notas finais! 🌺
Boa leitura. ~

Capítulo 5 - A filha do diretor.


Fanfic / Fanfiction SHINGEKI NO HIGH SCHOOL: o ano da formatura. - Capítulo 5 - A filha do diretor.

Armin praticamente pulou os degraus do ônibus quando chegou ao colégio. Ainda que seu estômago ainda se revirasse em preocupação pelo comportamento levemente distante do melhor amigo no dia anterior, enquanto estavam no trabalho, ele tinha bons pressentimentos. Pressentimentos que se consolidaram ainda mais quando ele ultrapassou o portão principal do campus e rapidamente fora recebido por Eren, que veio praticamente correndo em sua direção, com um sorriso radiante brilhando em seu rosto. 

— Bom dia! — o moreno cumprimentou o amigo, ainda mantendo o sorriso enquanto caminha ao seu lado — Está tudo bem? 

— Você está radiante hoje, devo me preocupar? — ele riu de leve, assim que percebeu a expressão confusa do amigo — Te ver tão animado assim ainda é novo pra mim. 

— Estou me esforçando. — ele fez uma careta, arrancando outra risada do amigo. 

Eren e Armin se envolvem com aquela bolha costumeira só deles, cheia de assuntos aleatórios que apenas os dois compreendem, e de repente Armin se esqueceu de toda a tensão que tivera no dia anterior, dos telefonemas no meio do expediente e das notificações estranhas que piscavam em seu celular. De qualquer forma, aquilo não era de sua conta, então ele não devia se importar. 

Conversavam sobre um novo filme de animação que estava para ser lançado, enquanto subiam a escadaria para o terceiro andar. Foi nesse momento que o loirinho percebeu que estavam chamando atenção demais. Ele sabia que ele por si só e a popularidade de Eren eram alvos de olhares quando estavam juntos – e separados também –, mas naquela manhã não havia uma pessoa sequer que não estivesse olhando para eles. Ou melhor, que não estivesse encarando descaradamente, a ponto de deixá-los desconsertados assim que perceberam. E além dos olhares, também haviam cochichos, maneios de cabeça em reprovação, risadinhas travessas, olhares atravessados... tudo que fazia Armin entrar em pânico e querer sair correndo dali. 

Eren, ao perceber que seu amigo se encolhia aos poucos, tocou-lhe o ombro na tentativa de confortá-lo e o afastou do aglomerado de pessoas, partindo para uma parte mais isolada do corredor. 

— Você também percebeu, não é? — o loiro perguntou, seu olhar baixo se perdendo em suas próprias mãos assim que o murmúrio positivo do outro veio como resposta — Eu já devia ser acostumado com esse tipo de situação, mas continua me incomodando muito. 

— Você não deve se acostumar com algo que te faz mal. — disse o moreno — Ninguém é obrigado a lidar com esse tipo de coisa como se não fosse nada, não temos sangue de barata. 

— É, mas você se acostumou. 

— Engano seu. — crispou os lábios, cruzando os braços — Eu aprendi a ignorar, é diferente. Mas acostumar eu nunca irei. 

O loiro se permitiu ponderar um pouco. Ele sabia que Eren estava certo, havia sensatez em cada frase dita por ele e isso era inegável. Suspirou pesadamente. 

— Você tem razão... 

Depois disso, o sinal do início das aulas ecoou pelo prédio, os tirando daquele breve transe. Eren sugeriu que deveriam ir, caso não quisessem perder mais aulas importantes, pois a temporada de provas estava batendo na porta. 

Armin se recordou que, como sempre, precisava pegar os livros das primeiras aulas e Eren o acompanhou até o armário. Esperou calmamente que a senha fosse colocada e a porta se abrisse, o que automaticamente colocou uma expressão pensativa e confusa no rosto do loirinho, que vasculhava todos os cantos da estrutura de metal e até mesmo procurava algo no chão. 

— Que estranho... — ele murmurou. 

— O que houve? — Eren tentou espiar, sem sucesso — Os livros não estão aí? 

Armin tentou disfarçar um pouco, mas a verdade é que havia estranhado o fato de não haver nenhum bilhete naquela manhã. Teria seu admirador desistido no terceiro dia? Ele coçou a nuca um tanto sem jeito e deu de ombros, pegando os livros e fechando o armário em seguida. 

— Ah, não é nada. — sorriu amarelo, erguendo um dos livros — Achei que tinha esquecido de pegar o livro com a Sasha, mas ela me devolveu ontem. 

Eren apenas deu de ombros e não se ateve muito àquilo, então logo os dois seguiram para a sala lado a lado. Claro, os olhares incômodos não cessavam, muito pelo contrário. Algumas pessoas eram tão descaradas que se viravam quase que completamente para olhar, mas outras se escondiam atrás de livros ou até mesmo do jornal da escola pra cochichar sobre seja lá o que tivesse viralizado naquele lugar. 

— O que será que está acontecendo? — Eren se aproximou um pouco mais do loiro e sussurrou. 

— Eu não faço a mínima ideia. — respondeu no mesmo tom. 

— Será que- 

— Eren! — uma terceira voz surgiu assim que chegaram ao corredor dos terceiros anos. Era Reiner, estava acompanhado por mais alguns garotos do time, encostado na porta, segurando em uma das mãos o jornal do dia e com uma expressão nem um pouco amigável. Eren estremeceu na hora. Acreditem, quando aquele garoto o olhava daquele jeito, boa coisa não estava por vir — Precisamos conversar. Agora!

Armin percebeu quando o moreno engoliu seco. Ele sabia – ou pelo menos achava – que o amigo não tinha feito nada, mas sabia também que muitas coisas estavam passando em sua mente. 

Naquele momento, Eren pensou em pelo menos oito formas diferentes de ser assassinado por Reiner. Virou-se para o loirinho, como se pedisse permissão para se afastar e Armin assim o fez, dizendo que ele podia ir, mas não antes de lhe desejar boa sorte. 

Jaeger respirou fundo e foi ao encontro do mais velho, que praticamente o empurrou para dentro da sala atrás de si. 

Ele não podia negar que estava preocupado, mas não havia muito o que fazer nesses momentos. Iria fazer o quê? Desafiar Reiner? Fora de cogitação. Só esperava que seu amigo voltasse vivo e, de preferência, inteiro daquela conversa. 

Seguiu sozinho pelo corredor, esperando que pelo menos os olhares diminuíssem e ele conseguisse continuar normalmente o dia. Porém, assim que chegou à classe, notou que seus problemas só estavam começando. 

Jean estava de pé ao lado de sua carteira e o encarava com cara de poucos amigos, conforme ele se aproximava. E foi a vez de Armin engolir seco, enquanto se aproximava com passos lentos e receosos demais. 

— O que... aconteceu? — sorriu amarelo, parando em frente ao mais alto. Por sorte a sala não estava lotada, tendo apenas os dois e mais três alunos conversando algo aleatório ao fundo — Jean? 

— Veja você mesmo. 

Jean apontou para o jornal em cima da carteira do loirinho. 

O jornal informativo do colégio, criado pelo clube de jornalismo – mais conhecido como clube da conversa fiada – e que, no momento, tinha a redação liderada por um trio de fofoqueiros de mão cheia. Então era normal que boa parte do conteúdo inserido ali fosse apenas constituído por fofocas. Mas, naquela manhã em específico, a capa do tal jornal carregava uma foto do ocorrido do dia anterior estampada em quase toda a página. 

Uma foto tirada no exato momento em que Historia agarrou Eren pelo colarinho e o beijou em frente à diretoria. E pior do que a foto em si, eram os comentários que haviam sido inseridos para complementar a tal "matéria". 

Isso explicava os olhares. Na realidade, não estavam olhando para Armin, estavam olhando para Eren e o julgando. Com certeza o campus todo já havia ficando sabendo... o que incluía Reiner e o próprio Rod Reiss. 

— Isso não é nada bom... — o loirinho murmurou mais para si mesmo do que para os demais — Céus, isso é péssimo. 

— O Eren já ficou sabendo? — perguntou Jean. 

— Nessas alturas, ele já deve estar sabendo e da pior maneira possível. — Armin folheou o jornal, lendo mais algumas partes do artigo — "A filha do diretor ataca novamente", "Novo casal revelação? Parecem apenas dois desesperados por atenção", "Eren Jaeger, a mais nova vítima de Historia Reiss"... Como alguém teve a coragem de escrever coisas tão horríveis assim?  

— E fica pior... — Jean apontou para uma parte específica do artigo — Leia aqui. 

— "Historia Reiss aparentemente resolveu 'se abrir' para os integrantes do time de basquete do colégio. Começando por Eren Jaeger, quem será o... próximo?" — o loirinho teve dificuldades para terminar a frase. Ele estava tão chocado e, ao mesmo tempo, enojado, que demorou para conseguir processar aquele absurdo que acabara de ler — A pessoa que escreveu isso praticamente objetificou a garota e a transformou em um pedaço de carne que está prestes a ser servido para abutres...

Armin não conseguia esconder que estava fervendo de raiva. Dessa vez, não era pela exposição de seu amigo, mas sim pela objetificação claramente proposital de Historia. Ele não era uma garota, mas sabia o quanto isso poderia repercutir negativamente para ela. 

— Eu me pergunto se algum professor viu isso antes. — comentou o mais alto, que parecia tão abismado e revoltado quanto — Quer dizer, isso não é um conteúdo que deva ser publicado. Até onde eu sei, o jornal da escola é para manter os alunos antenados sobre assuntos relevantes, mas está claro que quem fez isso quer apenas atingir a Historia de alguma forma. 

— Eu me pergunto a mesma coisa, Jean... 

Ambos os garotos se olharam com pesar, sem de fato saber o que fazer. Principalmente o Arlert, que realmente queria não ter visto aquilo, estava desconfortável. Ele se colocou no lugar da Reiss e sentiu o estômago revirar, mesmo sabendo que nenhuma sensação sua se aproximava de nem um porcento do que ela provavelmente estaria sentindo naquele momento. 

Seguir aula foi bastante difícil depois daquilo. Ainda que tentasse prestar atenção no conteúdo, sempre se via com os pensamentos presos em Eren e Historia. Se perguntava como eles estariam lidando com a situação, se é que estavam lidando de alguma forma. Cogitou até mesmo a possibilidade deles terem ido parar na diretoria para explicar o ocorrido. 

Mas o que realmente o tranquilizou um pouco foi quando o professor Erwin disse que estava passando nas salas para recolher o jornal. Saber que os docentes estavam sabendo da publicação e começavam a tomar providências já o deixava mais calmo, embora soubesse que não seria o suficiente para acabar de vez o que fora publicado e o colégio interior iria fazer questão de tornar aquele assunto viral. 

Ele contava os minutos para o intervalo. Precisava ver Eren e conversar diretamente com ele. 

 

••• 

 

O barulho irritante dos dedos se chocando contra o teclado do computador era o que predominava dentro daquela pequena sala. Também existia o som do ar condicionado e de um burburinho abafado que vinha do lado de fora. 

Floch ajustava o lenço florido ao redor de seu pescoço e sorria diante da tela do computador, orgulhoso do seu próprio trabalho maldoso. Hitch estava sentada ao seu lado e terminava de escrever mais um artigo, junto com o calendário de avisos que mais tarde iria anunciar no microfone para o prédio todo. Anúncios sobre a semana de provas que se aproximava e sobre as fases do campeonato nacional de basquete que também estavam por vir. 

Ambos conversavam, junto de Marlo, que era o terceiro componente do grupo. Estavam rindo à toa, sem de fato se importar com todo o caos que estava acontecendo para além daquela porta. O colégio inteiro estava falando sobre a manchete principal do jornal que eles publicaram naquele dia, o que era motivo de um orgulho imenso para os três que comemoravam com suas xícaras cheias de café. 

— Você sabe que em breve vão vir nos punir, não é? — comentou Floch, recebendo um abanar de ombros da garota ao seu lado — O que você fez foi bem errado, Hit... 

— E daí? Tenho certeza que você adorou escrever tudo aquilo sobre a filhinha do diretor. — ela completou. 

— Sim, eu adorei. — afirmou o ruivo, dando mais um gole em seu café — Mas não pensei que você realmente fosse publicar. Se bem que... dane-se. Não é, Marlo? 

— Claro... — Marlo era o único que parecia de fato nervoso com toda a repercussão. Ele sequer conseguia beber o café sem se sentir péssimo por ter colaborado com algo tão baixo. 

Mesmo assim, os outros dois se sentiam no auge, principalmente Floch que caía na gargalhada toda vez que olhava para a foto estampada na primeira página. Um momento que fora interrompido quando o barulho de batidas na porta preencheu o ambiente. O ruivo se levantou e foi abrir, em rodeios, e do mesmo modo que ele abriu a porta, teve o braço agarrado e virado para trás. Sequer teve tempo de ver quem o imobilizava. Só sentiu quando algo afiado tocou seu pescoço assim que caiu de joelhos. 

Marlo entrou em alerta e Hitch encarava a cena com desdém. 

— Se eu matar você agora, vai ser homofobia ou sensatez? — a loira sussurrou contra o ouvido do ruivo, que estremeceu na hora e pediu para que ela o soltasse, caso contrário ele iria gritar e alarmar todos que estivessem por perto — Eu vou te soltar, mas você vai ficar aqui dentro e não vai sair até que tudo esteja resolvido. 

Ela o soltou, como prometido, e guardou a lâmina pequenina dentro de seu anel – um presente que lhe fora dado por seu pai. A loira fechou a porta atrás de si, enquanto Floch tentava se recuperar do pânico. 

Ela seguiu, rumo a Hitch, mas fora interrompida por Marlo, que segurou seu braço e, como esperado, apenas recebeu um chute na panturrilha e caiu com a dor que sentiu após o impacto. 

Era ridículo o modo como aquela garota conseguia ser forte, independente da pouca altura que tinha. 

Quando se aproximou da outra garota, ela a segurou pelas duas extremidades do paletó do uniforme e a puxou para si, sequer se importando se uma mesa as separavam. 

— Agora fala, por que você fez isso com a Historia? — a loira estava totalmente fora de si, seu tom era rude. Com o silêncio de Hitch, ela a sacudiu, se irritando com o sorriso ladino que brotava em seus lábios — Desembucha, Hitch! 

— Annie Leonhardt, não é? Pensei que você não falasse.  — ela afrontou, fazendo a loira ferver de raiva — Será que devo publicar algo sobre isso?

— Não foi isso que eu-

— Na verdade, eu diria que, para alguém tão silenciosa, você fala até demais. — Hitch a interrompe sem medo, erguendo uma das mãos e levando até a boca, simulando um bocejo claramente debochado. Annie range os dentes em claro sinal de raiva, mas não perde mais tempo e a solta — Obrigada, achei que precisaria aprender a falar o dialeto dos homens das cavernas. 

— Não seja idiota. — a loira diz em um tom mais baixo, cruzando os braços e mantendo o olhar fixo ao da outra garota — Agora fala o porquê de você ter feito isso com a Historia.

— Isso? — a mais alta ergue uma das sobrancelhas e cruza os braços também — Isso o quê? 

— Não se faça de desentendida, Hitch. Esse seu jeito não me engana. — ela suspira — Eu sei muito bem que aquela manchete foi proposital. Mais uma vez, você quis fazer mal à Historia. 

— Engano seu. 

— Engano meu? Não é a primeira vez que você faz isso. — ela se altera um pouco novamente, batendo as mãos contra a mesa — Você não se lembra da confusão que seu último artigo causou? Você destruiu a vida dela, Hitch. Foi você que começou todo esse inferno. 

— Eu não- 

Antes que Hitch pudesse começar as suas explicações, novamente a porta se abriu. Os quatro presentes ali olharam assustados para a direção, encontrando uma Historia com um copo de algo parecido com chá gelado e os olhos inchados. Ela encarou toda aquela cena com imenso desdém, o que fez o coração de Annie se apertar de imediato. 

— Historia... — lamentou a loira. 

— O que está acontecendo aqui? — ela perguntou sem emoção, fazendo referência, principalmente, a Floch que continuava no chão — O que faz aqui, Annie? 

— Eu... eu só vim tirar dúvidas sobre as provas e- 

— Não precisa mentir para mim. — ela se aproximou, ignorando os olhares dos dois garotos que ainda pareciam atônitos demais para proferirem alguma palavra — Eu sei que você veio aqui por causa do jornal. Hitch não estaria com essa cara se fosse por algo tão banal. 

— Eu... — Annie baixou o olhar e ponderou por um momento, antes de voltar a encarar a loirinha — Você não está com raiva? 

— Pelo jornal? — ela ergueu o copo e sugou um pouco do conteúdo pelo canudo — Quem sabe? Eu acho que já passei por situações piores por causa desse maldito jornal. 

— Viu? — disse Hitch — Ela nem está se importando. 

— Eu não disse isso. — a Reiss encarou a garota com o mesmo olhar sem emoção, colocando seu copo sobre a mesa. Em seguida, ela tirou o paletó de seu uniforme e ergueu um dos braços na direção de ambas as garotas. Havia uma marca rubra envolvendo todo o seu antebraço. Parecia até mesmo inchado. Hitch ficou confusa e Annie, chocada — Esse foi o resultado do seu artigo. Algo que era pra ser um entretenimento divertido para vocês do clube, virou uma cena de terror para mim. "Por que o Eren e não eu?" foi o que ele me perguntou, praticamente gritando, enquanto agarrava meu braço com força e me impedia de correr... — ela parou por um minuto, suspirando e cobrindo a marca com a outra mão — Eu agradeço ao professor Erwin que passou pelo corredor bem na hora. Se não fosse por ele, nem sei o que teria acontecido. 

— Historia... — era a única coisa que Leonhardt com seguia dizer naquele momento, ela estava realmente embasbacada. 

— Sabe, eu já imaginava que você fosse se aproveitar dessa oportunidade, Hitch. — ela se dirigiu novamente para a outra, mantendo o olhar frio e vago — Mas eu não esperava que você, como uma mulher, fosse escrever coisas tão baixas e ofensivas. 

— Bem, você tem razão. — Hitch suspirou pesadamente — Eu errei sim, mas eu não fui a pessoa responsável por aqueles comentários. Eu apenas descrevi o fato, Floch quem complementou. 

— Ah, claro. Por que não estou surpresa? — a loirinha ri amargamente, desviando seu olhar para o ruivo ainda em estado de choque — Um poc que se faz de amigo das mulheres, mas não perde uma oportunidade de ser machista e misógino. Você nunca me enganou, Floch. 

Apesar das palavras duras dita por Historia, seu tom era brando. Seu olhar ainda carregava pesar, tristeza, e vários outros sentimentos nebulosos demais para serem descritos. A expressão inexistente também era um fator que deixavam todos ali confusos. Esperavam que ela fosse explodir de raiva, decretar ódio e a morte de todos... mas não. Não foi o que Historia fez, e foi isso que fez Hitch ponderar e suspirar novamente. 

— Você quer um pedido de desculpas então? — ela cruzou os braços novamente — Podemos publicar um- 

— Eu não quero um pedido de desculpas. — ela respondeu imediatamente, a interrompendo — Sabe, depois que o inconveniente aconteceu no corredor, o próprio professor Erwin cogitou uma reunião com o conselho para decidir sobre o fechamento do clube de jornalismo e a exclusão do jornal. 

— Jura? — Annie perguntou, empolgada — E você deu apoio, não é?  

— Na verdade, eu fiz uma promessa. — afirmou, deixando a outra loira ainda mais confusa — E apesar de tudo, uma promessa minha não é nunca descumprida. 

— O que quer dizer? — Hitch parecia assustada. 

— Quero dizer que seu maldito jornal ainda vai continuar existindo. Não foi o que te prometi? — Historia pegou novamente seu copo e sugou mais um pouco do líquido, antes de se virar e caminhar em direção a porta — De qualquer forma, estou sendo otimista. O seu artigo me fez parecer uma verdadeira vadia que vai ficar com qualquer garoto do colégio por fama ou atenção, mas talvez isso faça aquele maldito velho feliz. Afinal, são garotos, não é? Não é isso que importa de verdade? Ele deve estar pulando de alegria. 

Historia praticamente cuspia as palavras, deixando todos bastante atônitos com a sua calmaria, apesar de tudo. Ela girou a maçaneta e, antes de sair, pediu que Annie a acompanhasse. Ela não queria que sua amiga continuasse espancando seus neurônios com aquele trio de energúmenos fofoqueiros. Não valeria a pena, afinal. 

A loira não pensou duas vezes antes de sair da sala, mas obviamente não fez isso antes de direcionar um olhar ameaçador para os três, principalmente para Floch. Um olhar que dizia basicamente "não se aproximem dela, ou eu matarei vocês". 

Annie e Historia eram melhores amigas desde sempre. Os pais de Annie sempre foram muito próximos dos Reiss – por interesses financeiros, claro –, então as duas meninas cresceram e nutriram um laço de amizade praticamente inquebrável. 

Por conhecer toda a história da pequena Reiss, Annie acabou desenvolvendo um instinto protetor para com ela. Apesar de ser reclusa, introvertida, silenciosa e não gostar de se enturmar, não há nada que o tire dos eixos, além de pessoas fazendo algum mal à sua melhor amiga. 

Naquele momento, a Leonhardt andava ao lado da outra com uma enorme interrogação sobre sua cabeça. Ela era sagaz e costumava pegar coisas no ar, por isso estava tão pensativa. Boa parte daquele diálogo parecia não encaixar, como um quebra-cabeças com peças em falta. Tinha algo errado ali e ela precisava saber o que se passava, sobretudo, precisava entender o porquê daquela reação tão apática. No lugar de Historia, ela tinha certeza que qualquer pessoa ficaria fora de si. Ela mesma ficou. 

— Historia... — chamou pela amiga quando tomaram distância da sala. Annie precisava sanar suas dúvidas, caso contrário não tiraria aquilo da cabeça. A loirinha parou e a encarou, logo após descartar seu copo de chá finalmente vazio na lixeira, sua expressão indicando que ela poderia continuar — Pode me dizer por que você não fez nada? 

— O que você queria que eu fizesse? 

— No seu lugar, eu teria colocado eles em seus devidos lugares. — ela começou a explicar — Ah, e claro, teria dado um fim nesse jornal. 

— E do que iria adiantar? 

— Do que iria adiantar? Historia, você leu tudo, não acredito que esteja me perguntando isso. 

— Annie, escuta. — ela respirou antes de continuar — Do que adiantaria eu me irritar? Todo mundo já viu, todo mundo já leu. Gritar, xingar, bater ou sei lá mais o quê só iria me fazer mal.

— Historia... 

— E como eu disse, estou sendo otimista. Por agora, o professor Erwin me aconselhou a ir para casa, ficar longe de grupos escolares no fim de semana e deixar a poeira abaixar. Segunda é bem provável que vão ter esquecido isso... — ela ponderou um pouco, antes de finalizar: — Pelo menos foi o que ele disse que irá garantir...

— Então você vai aceitar isso? — Annie ainda não conseguia engolir o ocorrido, nada colocava em sua cabeça que as coisas deveriam ser resolvidas com tanta facilidade — É sério que você vai deixar a Hitch e aqueles dois palhaços sairem numa boa? Historia, você é a filha do diretor... 

— Que grande idiotice. — respirou fundo, tentando conter a risada sarcástica — Não tenho privilégio nenhum por ser filha daquele homem. Na verdade, eu te diria o contrário. 

Historia seguiu caminho, passos lentos que foram seguidos pela loira. 

Annie decidiu não insistir mais. Seja lá o que mais estivesse a incomodando, sabia que não iria conseguir tirar mais nada da amiga. Historia conseguia ser muito difícil quando queria, portanto decidiu encerrar por ali. 

Quando chegaram ao corredor principal, se despediram, com Historia fazendo questão de pedir que a amiga não fizesse nada com aqueles três. Mesmo a contragosto, Annie prometeu que nem mesmo se aproximaria. Com isso, a Reiss a agradeceu e seguiu de volta para casa. 

Seu braço ainda doía e ela evitou ao máximo contato com pessoas do sexo masculino. Enquanto voltava para casa, nem mesmo as mensagens que vibravam em seu celular foram respondidas. Sabia que, muito provavelmente, Eren estaria preocupado e desesperado consigo, mas preferiu se manter ausente por um tempo, pelo menos até estar totalmente bem para interagir com qualquer pessoa. 

 

•••

 

— Me desculpa... — disse o loirinho, antes de apertar a válvula do medicamento e espirrá-lo sobre o ferimento no braço do amigo — Isso vai arder um pouco. 

— Um pouco? Está ardendo muito. — o moreno disse entredentes, fechando os olhos para processar aquela ardência tão incômoda — Isso é horrível. 

— Você vai sobreviver. — Armin sorriu levemente, futucando na pequena maleta de medicamentos disposta ao seu lado — Você deu sorte que eu trouxe a caixinha de primeiros socorros do meu avô para fazer o curativo na patinha do gato. 

— É, pelo menos nisso eu tenho sorte. 

Eren e Armin estavam no terraço, como de costume. Era intervalo e Eren assustou Armin quando o encontrou no refeitório com um ralado enorme sobre o cotovelo direito. 

A princípio, o Arlert pensou no pior, mas o amigo o elucidou assim que decifrou seus pensamentos só de encarar aqueles olhos oceânicos. 

— Tem certeza que não foi o Reiner que te machucou? — o loirinho voltou a perguntar, enquanto fazia o curativo sobre o ferimento. 

— Ai! — o moreno protestou assim que o amigo tocou sobre o machucado — Por incrível que pareça, dessa vez não foi culpa dele. 

Com o ocorrido, Eren ficou tão absorto que seu rendimento no treino foi uma verdadeira droga. Estava preso em seus devaneios e preocupações, tão distraído que não viu um grupo de jogadores indo para cima de si quando pegou a bola. Segundo ele, acabou caindo e colocou seu cotovelo para proteger o corpo, evitando que o estrago fosse maior. 

Felizmente o ferimento era apenas superficial, bastava mais algumas doses daquele spray e estaria em perfeito estado em questão de dias. 

Sobre Reiner, tudo não passou de uma longa conversa – surpreendentemente amigável, diga-se de passagem –. O loiro estava realmente preocupado com a irmã postiça, afinal a conhecia melhor do que ninguém. Sabia de seus problemas dentro e fora daquele colégio, portanto existia um certo receio de que aquele artigo repercutisse. Conversou com Eren para tentar esclarecer a situação, mas o Jeager estava tão confuso quanto qualquer outra pessoa. Ele obviamente achava injusto e bastante errado aqueles comentários maldosos, principalmente porque absolutamente todos eles eram direcionados à Historia. Sobre ele não houveram críticas e nem insultos e foi exatamente isso que deixou o moreno tão irritado com a situação. 

Desde então, ele procurou a loira pelo prédio e não a encontrou. Ligou, enviou mensagens, mas, novamente, não obteve respostas. 

Naquele momento, ele fitava a tela do celular em suas mãos. Digitava e apagava mensagens, aguardando incessantemente por alguma resposta de Historia. Uma resposta que não vinha. 

— Eren... — Armin o chamou, o trazendo de volta para a realidade. Quando percebeu que o amigo parecia sintonizado novamente, sentou ao seu lado — Está preocupado, não é? 

— Você nem imagina o quanto... — disse, guardando o celular no bolso novamente — Acha que eu deveria conversar com ela? Tipo, ir à sua casa... 

— Eu acho que você deveria dar um tempo para ela. — disse brandamente — Se ela não te responde e nem te atende, é porque certamente quer ficar sozinha. Isso tudo que aconteceu deve ter sido um baque terrível para ela.

— Você tem razão, mas... 

— Tenha paciência. — ele tocou de leve o ombro do amigo, recebendo um contato direto com aquelas orbes esverdeadas — Olha, vocês vão sair amanhã, certo? 

— Eu nem sei... 

— Vão sim! — afirmou convicto — Aproveite essa oportunidade para esclarecer as coisas e para tranquilizar ela, principalmente. Historia precisa de apoio agora. 

— Você tem razão... 

É, Armin tinha razão. Armin sempre tinha razão. 

Historia precisava do seu apoio e de toda a sua compreensão. E faria o que fosse possível – e até o impossível – para ajudá-la. 

Mesmo após a ligação do dia anterior, a situação não o tranquilizava nem um pouco. Como estaria Historia, afinal? As coisas tinham saído do controle. 

O resto da sexta-feira passou tão rápido que ele nem percebeu. Seus pensamentos estavam centrados naquela garota e em sua incomoda falta de respostas que o impediam de seguir normalmente seu cotidiano. Tinha certeza de ter trocado algumas palavras com Armin durante o trabalho, mas seus pensamentos estavam distantes demais para se recordar do que fora dito. 

 

 

••• 

 

O sábado finalmente chegou. O tal sábado onde as coisas seriam esclarecidas... pelo menos era o que ele imaginava.

Durante o dia todo, Eren ficou esperando alguma resposta. Ele ainda tinha alguma expectativa de que Historia fosse dizer algo sobre o passeio ou sobre qualquer assunto, nem precisava ser algo referente ao artigo. 

Nada. 

Aquilo o deixou incomodado durante o sábado inteiro. Mikasa tentou tranquilizá-lo mesmo sem saber o que havia acontecido, mas também não teve sucesso. 

Quando a noite começou a cair, o Jaeger decidiu que iria assim mesmo. Não estava longe, não tinha o que temer. 

Tomou um banho e se arrumou. Calça jeans com alguns rasgos sobre os joelhos, coturnos pretos e uma camiseta cinza sem estampa. Colocou um colar que fora escolhido pela irmã – o colar com um pingente de chave – e arrumou os fios castanhos de um modo mais despojado. Se perfumou e partiu sem dar muitas coordenadas para as duas mulheres que o cobriram de elogios enquanto o viam deixar a casa. 

Eren percorreu o caminho todo bem tenso. Insistiu, enviando algumas mensagens, mas, como esperado, não obteve respostas. 

Vinte minutos depois, ele já estava em frente à residência dos Reiss. Passou o portão que ficava sempre aberto para os conhecidos e bateu na porta de entrada. 

Se surpreendeu ao ser recebido por Reiner, que o cumprimentou com um enorme sorriso. Um sorriso que Eren jurou ser de alívio. 

— Veio ver ela, não veio? — o mais alto perguntou, recebendo um acendo positivo do Jaeger — Ela também estava te esperando. 

— Estava? — Eren ficou surpreso. 

— Estava. — ele afirmou — Vou chamar ela. 

— Tudo bem. Obrigado. 

— Mas antes. — ele fechou os semblante, olhando sério para o moreno que sentiu o corpo inteiro estremecer, odiava aquele olhar — Eu peço que você cuide bem da minha irmãzinha. Se você a magoar ou se ela chegar triste, pode ter certeza que eu vou te quebrar na porrada. 

Eren engoliu seco. 

— Claro, eu prometo que vou cuidar bem dela. 

Reiner estreitou os olhos como quem estava um pouco desconfiado, mas que iria pagar para ver. 

Ele deixou a porta aberta e saiu casa adentro. A cada vez que ele se distanciava, Eren sentia seu estômago revirar em nervosismo. Um nervosismo que pareceu aumentar quando viu Historia se aproximar. 

Ela estava com os longos cabelos loiros soltos, a franja curta moldando suas feições suaves. A jaqueta jeans cobrindo os braços e o vestido preto na altura dos joelhos e de corte godê. Ela parecia que nem era real, estava totalmente diferente daquela Historia que era acostumado a ver no colégio. 

O coração do moreno deu um solavanco. 

— Historia... — ele murmurou, recebendo um sorriso da loirinha — Oi... 

— Oi... — ela o cumprimentou, tocando de leve sua mão — Como você está bonito. 

— Ah, obrigado? — coçou a nuca de leve, estava envergonhado com o elogio repentino — Você também está linda. 

— Ah para, vocês vão mesmo flertar na minha frente? — eles estavam tão distraídos que nem perceberem a presença de Reiner ali, o que os assustou, antes de fazê-los cair na risada — Andem logo, vão embora. 

— Certo, certo. 

— E não esquece. Quero minha irmã em casa antes da meia noite. — o loiro reforçou. 

Historia o encarou como se dissesse "eu não sou mais uma criança", mas, por fim, ela o abraçou e sussurrou algo em seu ouvido antes de sair. 

Eren achou aquilo bem surpreendente, pois nunca imaginou que os dois fossem tão próximos. Claro, sabia do instinto protetor de Reiner, mas nunca imaginou que os dois tivessem uma boa relação. Por algum motivo, isso o deixou numa mistura de tranquilidade e aflição. 

Uma aflição que perpetuava, pois ele não sabia o que esperar daquele passeio depois de tudo. 


Notas Finais


Pessoal, eu peço ENCARECIDAMENTE que vocês comentem, sabe? Eu não consigo continuar se não receber um retorno de vocês. Sei lá, escrever para as paredes é meio desanimador... Então, quem puder, eu peço que, por favor, me diga o que está achando.

Desde já, muito obrigada.
Nos vemos. ~ 💕


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