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História Shinigami - Capítulo 1


Escrita por: e nekomance


Notas do Autor


Shinigamis também podem se apaixonar, não há nada de errado com isso; mas o preço por tal sentimento não é agradável.
Escrevi isso enquanto pensava aérea sobre o que é o amor, de fato. Então procurei me entreter sem a resposta e acabei por me lembrar de uma das regras do Death Note, que mesmo não sendo explícita, ainda é conhecida. Daí que escrevi isto e dedico para o que quer que a minha cabeça pense agora.

Capítulo 1 - Mar de ferrugem e poeira



Lá se vai pela manhã encardida, a negritude rodopiando o ar morno; aflição sucumbe o ar, um Shinigami deixara seu mundo para visitar a Terra em prol de seu Caderno da Morte. 

Yeonjun senta-se na beirada do portal, dedos magricelas e gigantes revelando a cor mais presente naquele mundo devastador; um cardume cinza que representa nada mais do que o leito encardido onde estão. Os olhos são duas bolas de um amarelo vívido, as íris pontudas desviando para além da nuvem de fumaça seca, uma pontada de medo desenfreado em seu coração carcomido — jaz, lá embaixo, uma bela donzela de fios escuros, cujo rosto é tão belo quanto Vênus. 

Yeonjun solta uma respiração pesada, os globos oculares inclinados para a sombra que permanece se esgueirando atrás da moça; um sujeito meio cambaleante que a seguiu durante todas as tardes, fios escuros e lábios amargos de drama.

"Seja minha!", aproxima-se tal humano, uma faca pontiaguda enfeita seus dedos pálidos. "Diga que volta para mim! Vamos, diga!".

Desespera-se Yeonjun em sua posição monótona; sopros indignados lhe escapam os lábios, uma fina camada de suor cinza escorre por sua tez escura. 

Sente medo.

"Ele vai matá-la!". Yeonjun abre seu caderno profano, a caneta mordisca seus dedos ossudos, um brilho fino atravessa a linha de seus olhos.

"Está biruta? Hoje é o dia dela! Se alterar a ordem natural das coisas, então...". E de Soobin não escapou mais nada, uma pequena linha de espanto introduzindo-se em seus lábios finos e negros. Tão negros quanto as penas de um corvo.

De nada adianta avisar quando se enxerga um louco cego de amor. Em seu corpo miúdo e retorcido, Yeonjun suspirava paixões pela doce humana. Aprendera a sorrir por ela e ansiava em vê-la quanto tempo fosse preciso.

Lá embaixo o homem grita exasperado, a faca se inclina para cima, o poste pisca sobre eles como se fosse um véu. A moça engasga um grito, as mãos tremem.

Lanios tremem.

Yeonjun escreve o nome do sujeito em seu caderno. 

Dez segundos atropelam o destino.

E Soobin visualiza apenas uma camada de poeira e ferrugem segundos depois. O caderno repousa sobre a camada de terra que brilha miúdas partículas de algo esquecido. O humano sofreu de uma parada cardíaca em seu próprio mundo, e Yeonjun também assinou a própria condenação no seu. 

O que antes existia de seu ser, repleto de um amor dócil, extinguiu-se. 



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