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História Shiro to Kuro - Capítulo 15


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Notas do Autor


Hellou! Voltei!

Como prometido, tem mais um capítulo recheado de informações ❤

Os leitores mais antigos, que leram a primeira versão da StK, vão perceber que esse capítulo sofreu algumas alterações - a essência dele continua a mesma, mas ressaltei alguns fatos que mereciam atenção ;)

Lá em baixo temos um resuminho para quem estiver perdido ou quiser conferir algo.

Se preparem para uma roller coaster de informações e sentimentos. Espero que gostem. ❤ Boa leitura!

Capítulo 15 - Frame 14. Shinigami


Fanfic / Fanfiction Shiro to Kuro - Capítulo 15 - Frame 14. Shinigami

 

Por um instante, Karin não escutou mais nada, apenas o soar da própria respiração.

Eis que sentiu seu coração parar, para em seguida recomeçar a bater de maneira alucinada. O ritmo frenético de suas veias bombeando sangue, ativando aquele instinto de luta e fuga que sabia ainda existir dentro de si.

Sua intuição apitando a mil.

Ele sabia! 

Não… Ignorou a parte irracional de si que gritava exasperada que ele sabia de tudo.

… o que não tinha como ser verdade. Tinha? Quase quis rir de sua fraqueza momentânea. Não tinha como ser possível. Não deveria ser. Não podia...

Kuro.

A familiaridade com o termo trazendo memórias que não queria lembrar.

De novo e de novo.

Não. Não poderia ser coincidência.

O sangue fugiu de seu rosto, a palidez evidenciando como ficara lívida.

– Sabe o que significa? Não é... Kuro? – Ele interrompeu seus pensamentos, frisando mais uma vez o tão odiado apelido. Cutucando a ferida. – Se não me engano era assim que te chamavam. Foi isso que aquele cara... Luppi disse, certo?

Ela trincou o maxilar, suas orbes se estreitando de modo perigoso e mirando-o com uma irritação crescente. Suas mãos tremeram, mas ela se certificou de mantê-las fechadas em punhos. As folhas com as dívidas prontamente deixadas de lado. O seu sanduíche igualmente esquecido no prato. A Kurosaki havia perdido o apetite. Pelo contrário, aquela conversa estava lhe dando náuseas.

– O que sabe? – questionou pausadamente. Cada sílaba soando pesada. Estava ficando cansada daquilo. Perguntas e mais perguntas.

– O suficiente. – A resposta veio curta e grossa. Porém, não era suficiente para ela. 

E ele prontamente pôde constatar tal fato quando a mesma cerrou os punhos ainda mais, os nós de seus dedos ficando brancos. A face que antes evidenciava surpresa e uma enervação contida se intensificando. Hitsugaya suspirou com pesar. Não era assim que queria levar a conversa. E logo tratou de recitar com aparente desinteresse parte do que seu relatório dizia: 

– “Kurosaki Karin detinha vários apelidos quando era uma delinquente. Tal como Kuro, o Demônio Negro, o qual ficara mais conhecida na época em que atuava como uma das principais na linha de frente de um grupo independente de yankees. Não muito depois, passou a ser conhecida como Kuro no Kage, pois se tornou a ‘sombra’ do líder de uma renomada gangue...” Quer que eu continue? Ou isso soa familiar?

E esse era seu limite.

– Maldito! – A jovem se levantou da cadeira exaltada, socando a mesa no processo e trincando o vidro sob seu punho direito. Na sequência, o vermelho carmim que passou a recobrir a superfície pareceu não a incomodar. O que era incômodo era a tensão presente no ar e o fato de ele esfregar em sua cara todo o passado que queria enterrar. Todas aquelas memórias de sua desgraça.

As íris obsidianas em fúria contrastando com as turquesas gélidas.

– Eu não vou fazer isso. – Ela pontuou entredentes, qualquer que fosse a proposta.

Ele prontamente ignorou tal manifestação, fitando brevemente a superfície de vidro para prosseguir sem delongas em sua explicação.

– Atualmente, há um informante dentro do Gotei 13. Quero que seja minha sombra e me–

– Deixa eu adivinhar, “te proteja”? Seja sua retaguarda? Guarda-costas? – provocou irritada, seu tom subindo cada vez mais. – Não foda comigo! Não brinque! Nem por uma dívida eu protegeria um yakuza! Não por um capricho seu

E, para sua surpresa, foi a vez dele se alterar.

– Não é um capricho, sua pirralha prepotente! – Hitsugaya também se exaltou, sobressaltando-a quando agarrou a mão ferida da jovem, apertando-a com força. A pressão aumentando a mancha de sangue de maneira propositalmente dolorosa. – Eu não poderia me importar menos com minha segurança! Assim como poderia simplesmente te matar, se quer saber. – Ela reprimiu um gemido de dor, engolindo seco quando eletambém se levantou de repente e a outra mão foi de encontro ao seu pescoço. O aperto era firme em sua traqueia, os dígitos fortes e impiedosos, deixando-a sem ar. E o par de turquesas frias denunciava... 

Hitsugaya Toushiro não estava de brincadeira. 

Aquele cara era realmente perigoso.

Foi então que ele finalmente a soltou, tentando retomar sua compostura e expirando um tanto forçadamente. Karin cambaleou um pouco para trás e tossiu, o ar queimando em seus pulmões e tentando recuperando seufôlego. O que diabos tinha sido isso? Ela escutava o coração zunindo a mil em seus ouvidos. O que tinha acontecido? Mirando-o com a mais pura descrença, não sabia como reagir.

Após um arrastado silêncio, a voz dele saiu comedida e mais baixa do que nunca.

– Desculpe...

Karin piscou atônita, ainda tentando processar se havia de fato escutado aquilo. Eis que ele tornou a encará-la e, pela primeira vez, ela sentiu que realmente estava enxergando Hitsugaya para além de máscaras e aparências. Ela conseguia ver todo seu pesar e... arrependimento

– Olha, eu não.. É só que… – Ele recomeçou, mas logo se interrompeu, parecendo perder as palavras e um tanto desconcertado. O rapaz bagunçou as próprias mechas platinadas, exasperado, andando de um lado ao outro. Por fim, estancando no lugar. – Acontece que não é tão simples. Preciso da sua ajuda, Kurosaki. São vidas inocentes que estão em jogo. Vidas que não tem nada a ver com isso. – Ele encerrou, massageando a  própria nuca com pesar, tentando amenizar a tensão na região. Em seguida, voltou a mirar a face da jovem com seriedade. – De verdade, me desculpe. Eu não queria ter te machucado. E... por todo o restante. Sinto muito.

A sentença foi tão franca e sincera que a desarmou. E, por algum motivo, entendeu que ele não estava apenas se referindo a ameaça e ao machucado físico. Nem a emboscada e as dívidas.

Talvez... Talvez ele entendesse o que aquilo significava para si.

Talvez imaginasse o peso que tinha...

Talvez ele realmente soubesse de tudo, afinal.

Não conseguiu sustentar o olhar do mais velho, desviando para o próprio braço e a mancha de sangue na mobília, constatando que arruinara a bela mesa de vidro. Inconscientemente, ela levou a outra mão ao pescoço, perguntando-se como Hitsugaya podia soar tão diferente da pessoa que há pouco a ameaçou. E Karin se odiou menos do que deveria por fraquejar naquele instante, soltando o peso de seu corpo sobre a cadeira novamente.

Seguiu-o com o olhar, enquanto viu o mais velho ir até a cozinha. Sem delongas, ele retornou com uma caixa de primeiros socorros. Eis que visivelmente ele hesitou por alguns instantes, antes de tomar sua mão ferida e analisar o corte – menos mal, fora um corte limpo. O silêncio então tomou conta do ambiente à medida que ele fazia os curativos de maneira diligente e assertiva.

– “Karin”

– Hm? – Ele levantou o olhar, num misto de curiosidade e receio, ao passo que ela encarava as próprias mãos, ainda pensativa.

– Você disse que seria melhor se chamássemos um ao outro pelo primeiro nome. – pontuou calmamente, recordando, para em seguida mirá-lo, a expressão que detinha serena.

E foi ali que ele entendeu. Karin estava lhe dando uma chance. Ou mesmo, aquela era uma oferta de paz, ainda que temporária.

E ele se sentiu extremamente grato pela Kurosaki ser a pessoa que era.

– De fato, erro meu. – o mais velho concordou levemente.

– Por sinal, essa é a segunda vez que está cuidando dos meus machucados. He. Apesar de ser um cretino, você consegue ser estranhamente atencioso, Toushiro. – comentou, de repente achando graça na situação. A comoção toda lhe soando ridícula, estava agindo como tola.

– Pois é. – E Hitsugaya teve que concordar, agora sentindo-se minimamente aliviado que ela tivesse se acalmado. 

Novamente, um silêncio instaurou-se entre ambos. Porém, não era tão desconfortável quando antes. Karin inspirou profundamente, assimilando os fatos até então e recordando as últimas palavras dele.

– Me responda algo com sinceridade. Porque... tudo isso? – engoliu um bolo amargo na garganta, flashbacks incômodos e tópicos tão sensíveis, que ela havia procurado evitar. Tudo, tudo de uma vez. – Olha, se queria pedir minha ajuda não poderia ter feito isso de uma forma diferente? Menos... drástica? 

Ela estava sendo educada em chamar aquilo de drástico. Ele tinha que concordar que não havia sido a melhor maneira. Porém, não existia outra além dessa. Não havia. E Hitsugaya já tivera esse embate consigo mesmo repetidas vezes, de novo e de novo. Várias noites em claro. No dia anterior, por sinal. Enquanto decidira não redigir o bendito contrato que de nada tinha real valia para si.

– E você escutaria? – A pergunta foi feita com sinceridade.

– Hm...Talvez? – A resposta foi igualmente honesta, assim como sua incerteza.

– Talvez não. Provavelmente não. Eu precisava ter alguma garantia, Karin. Do contrário, caso descobrissem,teria que te matar.

Ela franziu o cenho. O quão daquilo era verdade? Não estava mais conseguindo ser tão cética e duvidarcomo antes. As palavras soando com uma honestidade bruta. Estremeceu ao pensar em que estava se metendo e percebendo daquelas palavras, suas implicações. Ela conhecia bem demais aquilo. Droga!

Foi quando as memórias voltaram com intensidade.

E ela recordou.

Lembrou-se daquele fatídico dia.

E da lápide de sua melhor amiga.

Dokugamine Riruka havia sido morta em um conflito entre gangues e a yakuza.

Karin lembrava claramente corpo gelado e coberto de sangue em suas mãos.

O cheiro.

A sensação.

O desespero.

Kuso!

– Pronto. – Ele disse apenas para sinalizar que havia terminado o curativo, todavia, percebeu que a Kurosaki já não estava escutando. Seus pensamentos estavam distantes. Seu corpo tremia levemente.

Ela recolheu seu braço. Em seguida, trouxe as próprias pernas para perto de si, cruzando-as em cima da cadeira e abraçando-as. Apoiando a cabeça nos joelhos. Ela contou suas respirações, tentando se acalmar.

Doía

Não queria pensar. 

Não queria lembrar.

Karin não falou mais e nem se moveu. 

Ele também não disse nada.

Hitsugaya tratou de guardar a caixa de primeiro socorros em seu devido lugar.

Na sequência, ele conferiu os papéis amaçados, mas que ainda estavam intactos, movendo-os para uma mobilha ao lado. Depois, retirou a própria xícara de café que trincara e os utensílios que Karin havia utilizado para seu cereal, depositando-os na pia. Ele também cobriu o sanduíche deixado pela morena, praticamente intocado, com um plástico e o guardou na geladeira. Em seguida, foi buscar um pano limpo e álcool, logo tratando de limpar os vestígios de sangue – o melhor que podia no momento – da superfície de vidro e removeu algumas das lascas que haviam desgrudado dali. Provavelmente, teria que trocar de mesa. Fez uma nota mental de pedir para Matsumoto comprar uma de madeira na próxima vez. 

Lentamente, a Kurosaki pareceu se recuperar de seu estupor momentâneo. Parte de si, esperava que ela fosse chorar ou desmoronar. E talvez se ela tivesse, Hitsugaya desistiria do que estava propondo. Contudo, aquela menina era forte. Assustadoramente forte. Era algo de sua natureza quase inabalável, que apenas lhe transmitia essa crença absurda de que aquilo daria certo. Iria funcionar de algum jeito. Ele estava disposto a fazer essa aposta. A face delicada e impassível apenar tornou a observá-lo.

Karin assistiu ele sumir com o álcool e o pano sujo de vermelho em uma porta anexa a cozinha – que ela supôs ser a lavanderia – para logo refazer o caminho de volta, e tornar a se acomodar a sua diagonal. Ele então a encarou em expectativa, como se não soubesse bem como prosseguir.

– Hm.. Desculpe pela mesa e... obrigada. – Ela levantou levemente o braço que havia sido cuidado emurmurou meio sem jeito, ainda um tanto desconfortável. Fazia tempo que não demonstrava seu lado mais vulnerável para alguém. 

– Não há de quê. E, gostaria que evitasse se machucar daqui pra frente. Não seja tão descuidada. Tenha mais cuidado consigo mesma. – Hitsugaya alertou, prontamente tornando ao modo mandão.

Ela revirou os olhos, sentindo-se uma tola por ter esquecido que ele também podia ser deveras desagradável. Porém, riu sutilmente de como havia feito seus ânimos retornarem.   

– Muito gentil da sua parte se preocupar. – A jovem não pôde evitar de rebater irônica, mais por pirraça.

– Falo sério. – Pela expressão austera, a Kurosaki soube que era verdade. A montanha russa de emoções ainda não tinha chegado em seu ápice. – A existência do Gotei 13 é segredo de estado. Imagine o que aconteceria se a mídia ou outros países soubessem que o governo tem ligação com a máfia. ‘Máfia’ no sentido de que não seguimos as imposições da sociedade comum.

– Isso também era sério... – Ela constatou com assombro. E Hitsugaya assentiu. – Então, pelo que entendi, apesar de não seguirem as regras da sociedade.... Vocês têm regras próprias?

Perspicaz, ela conseguia compreender sutilezas ou seria mero instinto? Não... Não era ao acaso. Assim como não era a primeira vez que tinha tal impressão. O que lhe dava ainda mais confiança para continuar.

– Temos... Leis para ser específico. É como se fôssemos uma sociedade a parte, a margem daquela que se conhece. Somos uma força legal na ilegalidade. O governo nos permite concessões, em uma liberdade que beira a total por mantermos a ordem de forma oculta e silenciosa.

– Quem são vocês exatamente?

– Eles nos chamam de shinigamis.

 


Notas Finais


Certo, até aqui temos um quebra-cabeça começando a ser montado. Retomando algumas informações importantes:

- Existem dois tipos de máfia: a Máfia Branca denominada Shiro-Yaku e a Máfia Negra denominado de Kuro-Yaku, ambas são yakuza. A diferença é que a Shiro-Yaku tem a aprovação do governo e funciona como uma sociedade a parte com regras próprias. Ela surgiu para combater a Kuro-Yaku.
- Hollows são parte da Kuro-Yaku.
- A existência da Shiro-Yaku não deve ser divulgada, pois poderia representar uma ameaça ao país.
- Kuro é a denominação principal que a Karin tinha quando era uma delinquente (yankee).
- Riruka, que era a melhor amiga de Karin, foi morta em um conflito entre yakuza e gangues.

Acho que esses são alguns dos pontos principais. Fiz essa breve retomada pois o próximo capítulo vai ser mais uma enxurrada de informações e será importante para desenvolver o enredo que vem na sequência ;)

Por fim, o que acharam do capítulo? rs Incentivos, sugestões, correções e críticas são muito bem vindas! ٩(◕‿◕)۶

Até semana que vem! (Devo postar quinta ou sexta dessa vez, pois estou com a deadline do TCC meio apertada. Mas, logo logo tem mais :3)


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