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História Show me - Capítulo 15


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Capítulo 15 - Em breve


Daquela noite em diante, Toph começou a velar seu sono, Aang não tinha forças para confrontá-la, sentindo pouco a pouco o cansaço diminuir através dos dias e ele começou a acordar no meio da noite, permitindo que ela dormisse até o amanhecer. Era um acordo silencioso e funcional.

Ela era agitada, falava enquanto dormia e tomava a maior parte da cama, mas Aang havia se acostumado com aquilo rapidamente, gostando de como ela envolvia os braços ao seu redor de forma tão protetora, como ela afundava a cabeça na curva do seu pescoço e respirava profundamente.

Naquela noite, Toph estava de costas para ele, Aang a abraçava pela cintura com uma das mãos e com a outra segurava seu pulso, sentindo os batimentos cardíacos dela, calmos e ritmados.

Nas bibliotecas de Omashu não tinha nenhuma informação útil sobre Koh, mas Aang se surpreendeu com o arsenal de lendas e contos sobre espíritos que cidade continha, alguns que ele já conhecia desde crianças, outros novos e alguns certamente inventados, de qualquer forma, em todas as histórias Koh era retratado da mesma forma, um espírito traiçoeiro, muito sábio, antigo e terrivelmente amargurado.

O último adjetivo havia despertado sua curiosidade, mas os pergaminhos onde ele era descrito como amargurado estavam deteriorados demais para lhe darem mais alguma informação.

Ele também havia mandado cartas para Iroh afim de descobrir mais sobre o espírito, mas não teve um retorno positivo, ja que apesar de ter visitado o mundo espiritual, Iroh não sabia da existência de Koh antes de Aang falar sobre ele.

— Amargurado...

Pensou alto, bocejando em seguida. Ele tentou pensar em como aquilo se encaixaria como uma vertente do espírito, franzindo a testa, talvez ele tivesse sido enganado por algum outro espírito, ou sofrido alguma rejeição por causa da natureza asquerosa. Suspirou, tentar ter algum resquício de compaixão por Koh não era uma tarefa fácil, ainda que tentasse não conseguia evitar de sentir rancor e profundo ódio pelo espírito. E também tinha Toph, ele não gostava de pensar em como ela se chatearia ao saber que ele estava tentando achar alguma forma de poupa-lo, porque o que Koh havia feito não tinha perdão, se já era intragável para ele tentar vê-lo como um ser decente, talvez para ela seria somente uma forma se abrir uma ferida que mal estava cicatrizada.

Ele subiu os dedos do pulso para a palma dela, apertando gentilmente a pequena mão e fechando os olhos. Toph e ele haviam ido escorregar nas vias de entrega no dia anterior e havia sido revigorante, habitualmente sua viagem havia sido desastrosa, entregas começaram a voar por todos os lados, uma das caixa quase arrancou suas cabeças quando Aang teve a brilhante ideia de tirá-la do caminho a passando por cima deles, mesmo com eles criando um pequeno caos na cidade, aquilo havia gerado uma divertida lembrança na cidade.

Na verdade, nos últimos dias ele e Toph estavam coexistindo em paz, quase harmonicamente, ainda que não fosse o que ele desejasse, lentamente eles caminhavam até um reconciliação completa, Toph caminhava, treinava, comia e se deitava ao seu lado, mas ela não estava lá com ele, não totalmente, eles não discutiam por qualquer coisa, ela não zombava dele, eram poucos os momentos que ela realmente parecia estar no próprio corpo, somente nos banhos quando ela chorava copiosamente e depois quando eles faziam sexo antes de dormir, quando ele a deixava exausta e os olhos dela pareciam olhar diretamente nos seus enquanto Toph sustentava um sorriso. Ele só queria ficar com aquelas lembranças, quando suas almas se encontravam em meio ao caos e ela o beijava profundamente enquanto ele lavava suas feridas.

Aang pensou em parar de dormir, ele estava voltando a ficar paranóico como havia ficado dias antes da tentativa de invasão durante o eclipse na Nação do fogo, mas aquela havia se mostrado ser uma péssima ideia especialmente quando ele começou a alucinar com um Appa samurai, então ele se forçava a fechar os olhos a noite quando Toph abraçava seu pescoço e fazia carinho nas suas orelhas, ele se concentrava nas batidas do coração dela usando seus seios como travesseiro. E então, quando parava de ouvir o pulsar lento, o pesadelo começava.

Seus sonhos estavam mais maduros, mais realísticos, tanto que Aang voltou a sentir falta da enorme pressão que sentia ao se imaginar sem calças durante a batalha contra Ozai. Seus sonhos agora pareciam mais como uma lembrança, do seu primeiro encontro com Toph.

Novamente eles brincavam de pega pega no pântano, onde Toph envolvida no vestido branco com detalhes florais e verdes da família Bei Fong gargalhava escondendo o rosto com as mãos enquanto o javali voador a acompanhava batendo suas asas brancas ao seu redor. Seu desespero aumentava quando ele não conseguia de maneira alguma alcançá-la, a relva se envolvia nos seus pés, o fazendo tropeçar, o prendendo ao solo enquanto Toph corria com facilidade nas árvores.

Conforme Aang gritava para ela, sua risada ficava mais e mais eloquente, preenchendo em seus ouvidos enquanto as palavras pareciam o sufocar, mas não demorava muito e a brincadeira acabava quando ele dizia algo específico, em um sonho havia sido "perdão", em outro "eu te amo", no pesadelo daquela noite ele havia a chamado de "Ummi".

Toph ficava parada e o javali voava para longe e quando Aang se aproximava, tocando seu ombro e sentindo a maciez da roupa de seda, ela se virava para ele, o deixando ter um vislumbre do seu rosto. O rosto que ela tinha. Os lábios vermelhos, assim como as bochechas, o nariz fino e pontiagudo e a franja cobrindo seus...

Não. Ela não tinha olhos, apenas dois aterradores e vazios buracos, sem brilho, sem emoção. Aang então era puxado pela realidade, analisando cuidadosamente o rosto de Toph ao acordar e permitindo que ela tivesse seu merecido descanso em seguida.

Aang cogitou contar seu sonho para ela, mas ele não precisava, não depois de ver os olhos tão expressivos, que, apesar de não verem nada, sempre o fizeram ver tudo.

Não demorou muito e amanheceu, ela continuou a dormir pesadamente, Toph sempre tivera um sono desleixado e normalmente Aang a deixaria dormir pelo resto da manhã se ela desejasse, mas ele teve uma ideia muito melhor para fazer a Bei Fong acordar de bom humor.

Toph sentiu algo parecido com cócegas a incomodar, ela se espreguiçou na cama e tentou voltar a dormir, mas a sensação não passou, pelo contrário arrancou um suspiro dela enquanto a dobradora de terra ainda lutava para continuar dormindo, apertando os olhos.

Seu corpo estava gelado, mas quente ao mesmo tempo e quando Toph estava quase voltando a dormir um choque correu sua espinha a despertando totalmente quando Aang chupou seu clitóris com força, ela nem havia reparado que estava ofegante, só quando engasgou com um gemido foi notar. Aang sorriu, satisfeito por finalmente acordá-la e então voltou a lamber gentilmente toda a extensão do sexo dela, misturando sua saliva com o líquido quente e melado.

— Aang... — seu nome foi a única coisa que ela foi capaz de dizer, seus pensamentos estavam confusos, embebidos tanto pelo sono quanto pelo prazer, Toph tentou mover a cintura só então percebendo que ele segurava seus quadris contra a cama firmemente — Seu canalha...

Aang riu, propositalmente perto daquela área tão sensível e voltou a trabalhar, evitando o clitóris e parando por um instante para cuspir nos dois dedos e penetrá-la lentamente, respirando próximo ao sensível pacote de nervos antes de começar a movimentar os dedos dentro dela.

Foi difícil segurá-la com só uma das mãos, mas Toph tentou não se contorcer muito quando ele passou a língua tão perto daquela parte de estava inflamando seu corpo e repentinamente se afastou para beijar a parte interna da sua coxa.

— Você gostou quando eu dei aquela chupada em você, não gostou?

Toph puxou ar, o sentindo mordiscar sua pele e os dedos diminuírem a velocidade, as pontas estavam friccionando alguma área sensível dentro dela. Aang beijou sua barriga, a fazendo sentir um friozinho ali enquanto a via fechar os olhos e respirar com dificuldade.

— Não foi... ruim...

Sua tentativa de provocá-lo saiu pela culatra quando ele moveu os dígitos ainda mais devagar e abaixou a cabeça, arrancando um grito esganiçado seu quando lambeu longamente o clitóris inchado, os dedos dele foram cobertos por muito mais do líquido quente e Aang endureceu a língua o pressionando por um instante antes de se afastar.

— Quer que eu chupe você, Toph? — assim que perguntou envolveu o pacotinho entre os lábios o puxando gentilmente — Quer que eu te chupe com força bem aqui?

Toph exasperou, precisando de alguns segundos para produzir uma simples resposta.

— S-Sim...

Aang não se contentou com aquilo, aumentando um pouco a velocidade dos dedos.

— "Sim" o quê?

Ela apertou as pernas ao seu redor, ele suspirou, tentando manter o alto controle, suas calças já estavam apertadas e ele salivava ansioso pela resposta.

— Me chupa... com muita força...

A espera valeu, Aang engoliu a saliva misturada ao líquido dela e chupou o clitóris, afundando a cabeça contra ela enquanto seus dedos se moviam habilmente em seu interior.

Toph gritou, sentindo mais calor enquanto apertava o travesseiro da tentativa de aliviar a agonia, Aang soltou o aperto por instante a fazendo arfar e logo em seguida voltou a envolver os lábios no feche tão sensível e molhado.

O avatar soltou a outra mão, a levando até o membro e o apertando por cima da calça, ele não tinha dúvidas que era possível escutá-la até do outro lado do castelo, mas ele queria ser o único a ser abençoado pela voz tão fina e embebida de prazer.

Intercalando entre lambidas e fortes chupões como ela mesma havia pedido, Toph gozou violentamente na sua boca, seus dedos foram empurrados para foram enquanto ele finalizava como uma sugada em seu clitóris ainda mais sensível.

Aang subiu com uma trilha de beijos por todo seu corpo, deixando ambos os seios melados de saliva na ponta antes de beijá-la profundamente enquanto Toph o ajudava a tirar as calças. Enterrando o rosto no seu pescoço, ele pressionou sua entrada com o membro e segurou sua mão entrelaçando os dedos.

— Bom dia. — sussurrou em seu ouvido.

Aang a penetrou, a fazendo sentir cada centímetro do seu comprimento e Toph gemeu, jogando a cabeça para trás e afundando as unhas na sua carne. Se aquela não era a maneira certa de acordar alguém, ela não sabia qual era.

• ❦ •

— Café da manhã especial para você.

Toph fazia carinho nas orelhas de Momo, ainda ofegante, mas já vestida com o xale de Aang, o avatar colocou a bandeja de comida no centro da cama e se sentou ao seu lado, deitando a cabeça no seu ombro e entregando um dos bolinhos de arroz para ela.

— Isso é algum pedido de desculpas?

O avatar riu, passando o braço por seus ombros.

— Desculpas pelo quê? — perguntou inocente, levantando o rosto para sussurrar em seu ouvido — Por te fazer gozar bem gostoso logo de manhã? Ou por fazer o castelo inteiro saber?

Toph socou seu ombro, com força suficiente para fazê-lo estreitar os ombros e logo depois ergueu Momo pelos braços, deixando o animal se aninhar no seu pescoço. Aang esperou por alguma retaliação verbal, mas a Bei Fong abaixou a cabeça, tentando esconder a face vermelha.

—  Sabe que eu nunca pensei que você era barulhenta na cama? — continuou a provocar, entregando outro bolinho para ela e tirando a franja do seu rosto — Mas faz sentido, você nunca foi do tipo que segurava a língua mesmo.

Outro soco e Aang pode ver a face de Toph mais vermelha que seu xale, os lábios da dobradora de terra tremiam enquanto ela tentava reprimir um sorriso. Aang afundou o rosto no seu pescoço, beijando a curva gentilmente.

— Vai ter volta. — Toph prometeu, jogando a cabeça para o lado e dando liberdade para Aang continuar a carícia.

— Mal posso esperar.

Toph respirou fundo e por mais que tivesse vontade de colocá-lo em deu devido lugar, não estava em perfeitas condições, suas pernas ainda estavam dormentes e ela não podia, por mais que quisesse, passar o dia inteiro na cama, ela empurrou o rosto dele com a mão e se inclinou para frente, tateando a bandeja até conseguir pegar uma xícara de chá.

— Você está se achando muito.

— Qualquer um se acharia depois de te deixar naquele estado.

A Bei Fong riu ofendida.

— Quem diria que o bondoso avatar é um verdadeiro pervertido.

Foi a vez dele de ficar vermelho.

— Eu não sou pervertido. — murmurou, a abraçando e descansando a cabeça nos seus seios. — Eu só gosto de te ver...

— Fraca?

— Entregue. — Aang levantou a cabeça para observá-la — Eu ia dizer entregue. — ele pegou sua mão, beijando as pontas dos seus dedos — Eu gosto quando você confia em mim, quando meu nome é a única coisa que você consegue dizer, quando você não tem forças para resistir a mim, eu amo quando você se entrega, totalmente, verdadeiramente.

Toph engoliu seco, sentindo a intensidade do olhar dele na sua direção.

— Por quê?

— Porque... — Aang tropeçou nas palavras, hesitando — porque eu nunca te machucaria.

Toph assentiu inclinando a cabeça na sua direção e roçando levemente os narizes.

— Eu preciso de um banho.

Aang assentiu e eles se levantaram, o avatar fingindo não notar Toph andar lentamente enquanto tirava seu xale, mas ele nem precisou dizer nada para ela saber que ele estava segurando o riso, dando um forte tapa nas suas costas antes de entrar no banheiro.

Foi a primeira vez que ela não chorou enquanto ele massageava suas costas, eles passaram boa parte do tempo jogando água um no outro e trocando farpas, até que o silêncio pacífico se instaurou entre eles, Aang encostou a cabeça na dela, suspirando.

— Dobradores de terra são muito rígidos.

Toph girou o pescoço, sentindo uma pequena onda de dor e prazer percorrer suas costas quando Aang desfez um nó nas suas costas.

— Você sabe, como uma pedra. — murmurou, bocejando e jogando a cabeça para trás, a apoiando no ombro dele — Você me acordou muito cedo.

— Você que dorme muito, sabe, como uma pedra.

Aang parou de a massagear, escorregando as mãos para sua frente e abraçando sua cintura. Ela riu, jogando água por cima do ombro afim de acertá-lo.

— Isso é jeito de falar com sua sifu?

— Sinto muito, sifu T. — não foi uma desculpa sincera, mas Toph não se importou, relaxando o corpo na água quente.

— Quando vamos embora?

— Amanhã ou depois, mas logo.

Ela assentiu, abaixando os olhos Aang se lavava.

— E para onde vamos?

— Eu estava pensando no Oasis Espiritual da Tribo da Água do Norte, se eu conseguir me comunicar com Tui e La eles podem me dar alguma informação sobre o passado de Koh. — seria uma viagem cansativa considerando a distância, provavelmente levaria algumas semanas até que eles chegassem na tribo do norte — Acha que Koh é amargurado?

Toph arqueou as sobrancelhas, pensando brevemente antes de respondê-lo.

— Não acho que alguém possa ser tão... desprezível sem ter alguma amargura, mesmo que não tenha sentido algum.

Ele assentiu, a abraçando mais forte.

— Mas isso não o torna menos mesquinho.

Aang riu.

— Definitivamente não.

Toph esteve com ele boa parte do dia, Bumi não compareceu ao treinamento porque seu mascote estava doente e o rei decidiu que acompanharia todo o tratamento de perto, mesmo que envolvesse uma lavagem estomacal. Os dois então decidiram fazer um "amistoso" duelo para matarem o tempo, e foi durante a intensa batalha que Toph se distraiu, seus olhos repentinamente perderam o brilho no momento em que Aang mandou uma enorme rocha na sua direção.

Ela voltou a si instantes seguintes, mas já era tarde demais, só conseguindo retrair o corpo na tentativa de amenizar o estrago quando a pedra bateu no seu corpo a lançando por bons metros.

Aang chegou até ela antes mesmo que parasse de rolar, amparando o seu corpo enquanto controlava a respiração.

— Toph, você está bem? — Toph entreabriu os olhos, respirando com dificuldade enquanto apertava as costelas — Me desculpa, eu estou tão acostumado com sua defesa que não hesitei...

Ela não sabia o que era pior, falhar tão gravemente ou ter que ouvir a voz de Aang se martirizando enquanto voltavam para o castelo, sua cabeça ainda estava zonza e quando se viu já estava na cama, com alguém a examinando.

— Tira as mãos de mim.

Sua ameaça foi funcional e o médico se afastou ao vê-la ranger os dentes, Aang suspirou atrás dele se aproximando lentamente dela.

— Toph, por favor...

— Por favor nada. — a Bei Fong tentou se levantar, mas Aang pressionou seu peito gentilmente contra a cama, ela revirou os olhos, segurando seu pulso e o forçando a ficar próximo — Eu não quebrei nada, foi só um tombo.

— Você estava gemendo de dor.

— Não foi nada, vai ficar no máximo um hematoma, até o jantar vou estar nova. — ela forçou um sorriso, mas logo ficou séria apertando seu braço — E pare de ficar dizendo que eu estava choramingando por aí.

Aang suspirou e dispensou o médico, esperando até que o homem deixasse o quarto para se sentar ao lado dela, cuidadosamente trazendo o corpo para perto de si.

— Me desculpa, eu...

— Eu já te ouvi pedir desculpas demais nos últimos cinco minutos, pés pequenos. — Toph murmurou irritada — Se aquilo aconteceu a culpa foi minha por eu ter me distraído, então, chega.

O monge ficou quieto por um momento, desistindo de insistir no assunto sobre culpa, já que Toph provavelmente o expulsaria como fez com o médico. Ela deitou a cabeça no seu estômago e respirou fundo pousando a mão nas costelas com cautela.

— O que aconteceu?

— Nada. — a dobradora de terra resmungou tentando achar uma posição confortável, mas parou ao ouvir Aang bufar.

— Não faz isso. — o avatar pediu, a fazendo parar de se mover.

— Eu só estou pegando suas manias e virando uma cabeça de vento. — Toph deu de ombros se virando para passar um dos braços pelo seu pescoço — Não dê importância a isso.

Aang assentiu, sabendo que era o máximo que iria arrancar dela, e deixou que Toph o beijasse pacificamente, se sentando na sua cintura e deitando a cabeça no seu ombro quando se separaram.

— Tem certeza que não quer ver o médico?

— Tudo o que eu quero agora é uma revanche, avatar. — ela colocou as mãos dele na própria cintura e levantou o rosto para sussurrar no seu ouvido — E se eu fosse você começaria a se preparar para levar a pior surra da sua vida.

Aang a beijou, mesmo que estivesse receoso com a ameaça, Toph relaxou de vez então, passando os dedos pelas setas nas suas mãos, o monge não deixou de reparar a forma como ela as contornou perfeitamente.

— Consegue sentir?

— As tatuagens? — ele assentiu e Toph ergueu o rosto — É, dá para sentir a tinta, é um pouco mais áspera que sua pele — a Bei Fong então levou as mãos até sua testa, tocando a seta azul — O que significam afinal?

— É uma homenagem aos dobradores de ar originais.

— Os bisões?

— Isso mesmo. — Aang pegou sua mãos a beijando com delicadeza — Representam também a fluidez do ar.

— Tinha me esquecido o quão chato você era.

Ele não a respondeu, subindo uma das mãos para o cabelo preto e enterrando os dedos neles, fazendo um pouco de carinho na nuca na intenção de fazê-la dormir. Toph resmungou algo e também se pôs a fazer carinho na sua orelha.

— Não está dormindo está?

Toph puxou sua orelha e em seguida voltou a fazer carinho na parte de trás, Aang sentiu arrepios com aquilo, mas não foi ruim.

— De forma alguma — ele enrolou uma mecha dos longos cabelos nos dedos e sorrindo, e repentinamente foi tomado por uma onda de hesitação — Toph...

— Huh?

Ela mal abriu a boca para respondê-lo.

— Você quem vai acabar dormindo desde jeito.

— Diz logo que questão filosófica você quer que eu responda Aang, senão eu vou te expulsar dessa cama.

Ele engoliu seco, arrumando algumas mechas de cabelos antes de tropeçar nas palavras.

— Você mudaria as coisas? Quer dizer se você...

— Está me perguntando se eu mudaria o fato de ser cega?

O avatar engasgou com a saliva, e Toph normalmente se sentiria orgulhosa em causar aquela reação nele, por mais que fosse fácil, mas ela se concentrou em não expulsá-lo da cama e respondê-lo com sensatez.

— Se eu dissesse que nunca senti vontade de ver, estaria mentindo, mas não é algo que eu colocaria como prioridade ou que eu tenha vergonha. Se eu não fosse cega provavelmente seria uma riquinha mesquinha, isso vale bem menos do que ser a melhor dobradora de terra.

— Tem certeza disso? — ele questionou segurando suas mãos e respirando fundo.

— Não veja minha cegueira como uma fraqueza, você sabe disso Aang, foi a minha maneira de ver que te salvou na luta contra Ozai, esqueceu? Você que seria um fracassado sem mim, eu não teria amigos tão irritantes como vocês e nem viajaria em um bisão voador, tampouco seria caçada por um príncipe emo, que por sinal me deve uma viagem de autoconhecimento, e sua irmã desvairada. E não ter nada disso talvez, só talvez, não me faria ser melhor dobradora de terra do mundo.

Aang assentiu beijando o canto da sua boca.

— Desculpa.

Toph suspirou, ainda o sentia hesitar, aquilo havia sido tão repentino que ela estava ficando enjoada com tanto sentimentalismo.

— Eu não teria você se eu pudesse ver Aang, ou melhor, você não me teria e sinceramente eu não acho que o mundo possa ser mais bonito do que você me descreve, então não sinta pena por mim, nem eu estou sentindo.

— E se tiver sido minha culpa?

Ela arqueou a sobrancelha, não entendendo a pergunta fora de contexto, Toph balançou a cabeça decidindo mudar de assunto.

— Você tem é sorte por eu ser cega. Eu posso até gostar de um perdedor, mas não sei se conseguiria lidar com essas suas orelhas gigantes.

Aang respirou fundo ficando sério.

— Não. — ela tentou se afastar, já arrependida, mas ele não deixou, encostando a testa na dela — Não diga mais isso, está bem?

— Não fique me dando ordens. — murmurou em um tom seco, virando o rosto — E não diga como se não fosse verdade, ser cega trouxe benefícios tanto para mim, quanto para você, eu já aceitei isso, por que não faz o mesmo?

Toph tentou se levantar, mas Aang a segurou, vendo a mágoa nos olhos dela e sentindo um aperto no peito.

— Você tem razão. — sibilou, Toph saiu de cima dele, se sentando na beirada cama e apertando o machucado enquanto reunia forças para se levantar, Aang rapidamente foi até ela, a abraçando por trás — Me desculpa.

Toph apertou as mãos no colo, apertando os olhos, Aang suspirou sentando de pernas cruzadas e a trazendo para si.

— Não aceitou, não é? Ainda dói...

Ela tensionou a mandíbula, tentando se levantar, o avatar não deixou pressionando os braços ao seu redor.

— Como acha que eu me sinto? — ela disparou, seguido por um forte soluço que arranhou sua garganta — Acha isso engraçado? Você mentiu para mim! Você gosta de me ver fraca, gosta de me ver machucada...!

— Não! — Aang a segurou, tomando cuidado para não tocar no machucado na costela dela — Não é nada disso, você sabe.

Toph respirou fundo tentando se controlar.

— Me solta.

Ele a obedeceu, Toph se levantou, ficando parada por um instante, até que Aang a virasse para ele.

— Eu não quero te machucar. — ele encostou a cabeça na sua barriga — Me desculpa.

Toph esfregou o rosto, afastando as mãos das dele e tentando parar de chorar.

— Eu nunca vou poder te ver. — ela soluçou — Eu nunca vou poder ver nossos filhos, não percebe que isso acaba comigo?

— Eu... — Aang olhou para ela, vendo a agonia refletida nos olhos lunares, não tinha nada que ele pudesse fazer. Nada além de promessas, a puxou para si, a fazendo se sentar novamente no colchão, desta vez virada para ele e pegou a pequena mão, a pressionando contra seu peito. — Você vai ver nossos filhos, vai ver como eles serão lindos, eu vou te mostrar, está bem?

Toph hesitou por alguns momentos, cerrando os punhos enquanto sentia o coração dele bater depressa, ele não estava mentindo, mas aquilo não fazia doer menos. Aang segurou seus ombros, forçando um sorriso e sentindo ainda mais dor ao se lembrar que não faria diferença alguma, sorrir ou não.

— Nossos filhos vão ser dobradores de terra e ar, tão bons quanto nós, e quando tivermos nossos netos eles vão ser ainda mais lindos.

Toph parou de soluçar, mas as lágrimas não pararam de cair, ela apertou seu peito, tentando sentir mais das batidas do seu coração.

— Pode ficar aqui comigo?

Aang sentiu um alívio com o pedido e rapidamente afirmou, a ajudando a se deitar e beijando sua testa enquanto ela continuava derramando lágrimas. Momo entrou pela janela, correndo rapidamente até Toph e estendendo o que pareciam ser mirtilos perto da sua boca, o animal olhava para ela com as orelhas abaixadas parecendo estar preocupado.

— Come um pouco. — Aang aconselhou tentando pegar uma das frutinhas e recebendo um tapinha do lêmure — Acho que ele foi pegar especialmente para você.

Toph esboçou um sorriso e pegou um dos mirtilos, levando até a boca e fazendo carinho na cabeça de Momo, ela comeu o resto das frutas ao longo dos minutos e o animal se aninhou no seu colo, batendo com as patinhas na sua barriga como um sinal de aprovação, os dois riram fracos com aquilo.

— Então... — Aang puxou um travesseiro para deixá-la mais confortável e depois beijou o rosto de Toph — você disse "nossos" filhos?

Ela socou seu peito sem força e riu apoiando a cabeça no seu ombro.

— É, eu disse.

Aang mal conteve o sorriso ao ouvi-la, eles se beijaram e quando se separaram ele apoiou a mão na sua barriga.

— Em breve?

Toph sorriu para ele, um sorriso verdadeiro e então, foi sua vez de prometer, antes de beijá-lo novamente.

— Em breve.


Notas Finais


Demorei, mas voltei! Reta final galera e olha que o reinado de horror da centopéia invejosa está caminhando para o final!

Muito obrigada a todos que estão acompanhando, eu fico muito feliz mesmo pelos comentários e favoritos^^
Beijos e até mais^^


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