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História Show Me How - Michaeng - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


- a história se passa em um universo alternativo onde há tecnologia avançada.

- o reino de mina, tsuyoitochi, é onde é o japão e as coréias, enquanto o reino de zhao yan, huangjia tudi, é onde é a china.

- não haverá menção a outros shipps inicialmente, e pretendo que não tenha.

- as personalidades aqui tratadas não fazem juz as personalidades reais.

- conteúdo +18.

- pode ocorrer uso de palavras de baixo calão.

- atualizações ocorrerão conforme eu puder pois minha vida anda enrolada.

- o reino de mina é um reino onde a alta classe é sempre valorizada, muita gente vive em situação de miséria e pobreza e o rei não move um dedo para mudar isso.

- comentários incentivam muito

- gostaria de pedir para, se forem comentar sobre a fanfic no twitter, usem a tag #SMHmichaeng, assim eu posso achar o que vocês falarem

- apesar de poderem usar a tag, recomendo que botem nas palavras silenciadas e não a acessem, pois ela contém uma >enorme< quantidade de spoilers

- twitter da escritora: hiraivodka

- betagem por wattpad/jeongsaddict ; twitter/jeon9g

Capítulo 1 - Runaway


MYOUI MINA


O verão havia começado a pouco, e naquele dia estava especialmente quente. Por isso, não me importei em vestir roupas mais leves que o meu normal com roupas de banho por baixo e pedir para Haeyoung, minha criada, informar que era para a piscina interna estar vazia, assim como queria que minha única pessoa de confiança estivesse lá.

É claro que meus pais e meu irmão tinham suas tarefas, mas eu não. Desde que eu ficasse dentro do palácio e não aprontasse nada, tudo ficava bem, como eles diziam. Acho engraçado ouvir essas palavras quando nunca, em toda minha vida, aprontei alguma coisa. Cresci com aulas de etiqueta, até meus 5 anos fui treinada para ser herdeira do trono.

Bom, foi quando Ichiro nasceu, e como ele é homem eu perdi esse direito.

Estúpidos homens.

Sinceramente? Depois de um tempo de rancor guardado pelo seu nascimento, por ter tirado o trono de mim, observando como a vida dele havia ido pelo ralo abaixo, eu agradeci por Ichiro ter vindo ao mundo.

Ser rainha nesse governo não é para mim.

— Pediu para me chamar, vossa alteza?

Virei para trás ao ouvir a voz de Momo, que havia acabado de entrar no meu quarto.

— Me acompanha até a piscina?

A mulher confirmou com a cabeça e me ofereceu seu braço. Entrelacei o meu no dela.

— E já pedi para não me chamar de alteza, Hirai. Trezentas vezes.

Ela riu. Momo tinha seus cabelos presos em um coque e sua franja espalhada de forma bagunçada pela sua testa.

— Se minha mãe me escutar chamando a filha do rei de qualquer outra forma que não seja essa, é capaz que me corte a língua.

Revirei os olhos.

— Não se eu disser que pedi. Você é minha única amiga, não estrague isso.

— Tudo bem, tudo bem.

Seguimos pelo longo e espaçoso corredor até o elevador. Encostei meu dedo no identificador de digital e suas portas se abriram.

Apenas a família real podia andar de elevador.

Logo que entramos me aproximei do espelho soltando do braço de Momo e ajeitei minha franja.

— Para a piscina, por favor.

— Sim, vossa alteza — respondeu o elevador.

Virei para frente ao ver Momo, pelo espelho, encarando a porta enquanto apertava as próprias mãos. Me aproximei dela.

— Está tudo bem? — Perguntei em um tom baixo, mas mesmo assim ela se virou rapidamente e me deu um sorriso amarelo.

— Sim.

Peguei sua mão e virei a palma para cima enquanto Momo deixava escapar um suspiro. Havia marcas de unhas, e como eu conhecia Momo a muito tempo, eu sabia que ela só fazia isso quando algo a atormentava e ela não podia botar para fora.

— O que houve?

Ela mordeu o lábio inferior e olhou para baixo antes de tornar a olhar em meus olhos.

— Ichiro... veio falar comigo hoje de novo.

Foi a minha vez de suspirar enquanto soltava sua mão. Eu sabia que isso ia acontecer.

Meu irmão era um cafajeste. Mas ele era o futuro rei e tinha direito a qualquer coisa que quisesse, inclusive na vida amorosa, ao contrário de mim.

E isso significava que ele poderia insistir em sua paixonite pela minha amiga, a qual ele alimenta desde muito tempo. No início Momo o rejeitava, e ela se tornou a única "coisa" que ele não poderia ter. E isso não é algo bom para um homem com ego alto, mimado e futuro rei de uma nação.

Com o tempo, Ichiro aprendeu que Momo seria dele se assim ele quisesse, aprendeu que ela tinha pontos fracos e que ele poderia chantagea-la, aprendeu que Momo teria que obedecer a ele se não quisesse ser considerada uma traidora do reino.

— O que ele disse?

— Hm... as mesmas coisas de sempre. Queria garantir que eu não estou tendo interesse em qualquer outra pessoa que não seja ele, e disse que vai providenciar nosso casamento assim que o seu passar — Momo riu suavemente, mas a tristeza estava evidente em seu rosto e em seu tom de falar. — Minha mãe deve gostar disso, ela almejava ser rainha antes de seu pai se apaixonar pela sua mãe. Agora elas são amigas e por isso moramos aqui. E a filha dela é a futura rainha.

Irônico Ichiro ter tirado o trono de mim para no final dar para a minha melhor amiga.

Eu puxei Momo para perto e a abracei enquanto o elevador informava que estávamos chegando.

Gostaria de poder ajudar Momo, mas eu não podia nem ajudar a mim mesma sendo princesa, imagina tentar ajudar alguém que está na mira do futuro rei? Só com um milagre.

— Eu sinto muito.

Ela colocou a cabeça no meu pescoço e riu.

— Qual é a graça? — Perguntei.

Momo se afastou de mim e olhou no meu rosto com um sorriso.

— Nós estamos ferradas.

Bom, e era verdade. Estávamos ferradas e não podiamos fazer nada para sair dessa situação. Melhor rir ao invés de chorar, correto?

��

— Você já foi a praia alguma vez? — Perguntou Momo, de dentro da piscina. Eu estava sentada na borda com meus pés dentro pois mesmo querendo não tinha autorização para entrar na água agora.

Em breve meu futuro marido viria para nosso casamento que ocorreria em uma semana – originalmente,
casamentos entre dois reinos são no palácio do homem, porém o meu é maior e de mais poder e isso contou vantagem. Será feita uma cerimônia aberta para o povo com a intenção de fortalecimento da aliança entre o Tsuyoitochi e o Huangjia Tudi, terra de Yan.

A rainha ordenou cuidados máximos e apesar de a água da piscina da família real passar por um dos mais caros tratamentos que anula a necessidade do cloro, eu estava proibida de deixar meu cabelo de molho nessa água.

— Praia? Não.

— Sabe, quando tiver que se mudar para o reino de Zhao você mal terá acesso a praia. As terras dele são enormes, e o Palácio se encontra no centro. As nossas não são grandes, você deveria ir antes.

Senti um arrepio na espinha ao que Momo mencionou minha mudança para o outro reino.

Me mudar para morar com Yan era uma das coisas que mais me atormentava no casamento. Sim, poderia ser me casar com um homem que não amo e sei que nunca irei amar, não é atoa que relutei muito a isso quando me foi dada a notícia, mas me forçaram a engolir.

Eu não tinha voz e nunca teria. Eu não vivi a minha própria vida no meu próprio reino, eu mal tenho ideia de como é fora dos limites do Palácio Real. Eu não queria ir para outro lugar, ainda mais desconhecido, com um homem arrogante com pais arrogantes, e um povo que também não conheço.

Também não queria deixar Momo para trás.

— Ir a praia ou não é minha última preocupação agora.

Momo respirou fundo e mergulhou, quando voltou a superfície foi perto de minhas pernas. Segurou meus pés por baixo da água e ficou se apoiando neles para não ter que boiar sozinha.

— Qual é sua preocupação?

Foi minha vez de sorrir e não querer falar, como ela havia feito antes de me contar sobre Ichiro hoje.

— Eu sei que tem algo te incomodando profundamente, Mina. Você realmente não quer se casar com Zhao Yan, não é? — Disse em um tom baixo para se certificar de que ninguém, nem as câmeras presentes no ambiente, iriam escutar.

Neguei com a cabeça.

— Me atormenta a ideia de estar com ele para sempre. Como nada nunca me atormentou antes.

Momo não disse nada, e ela realmente não tinha o que falar, assim como eu não tinha como a confortar sobre Ichiro.

Resolvi quebrar o silêncio.

— Sabe, futura rainha, talvez você seja quem pode me tirar dessa.

Momo riu e eu apenas sorri.

Naquela piscina haviam duas futuras rainhas e nenhuma das duas estava animada para preencher esse cargo.

— Eu esperava que você me tirasse da minha situação.

 

...

 

— Haeyoung? — Chamei enquanto me olhava no espelho. Meus cabelos estavam presos em um coque e eu vestia um vestido no estilo tomara-que-caia, sem alças. Se ajustava em meus seios e era extremamente apertado. Quando chegava na cintura ele crescia longamente para os lados como um típico vestido de princesa. O tecido era meio esbranquiçado, perolado.

— Sim, vossa alteza? — a criada que estava perto da porta se aproximou de mim, olhei para ela pelo espelho.

— Esse precisa ser o vestido?

A mulher limpou levemente a garganta antes de falar.

— Foi escolha da rainha especialmente para a senhorita, as costureiras do castelo trabalham nele a um bom tempo para a ocasião.

Eu suspirei longamente. Era apenas para ser o vestido com o qual eu receberia Yan quando ele chegasse, não um tipo de vestido de casamento adiantado.

Me olhando no espelho naquele momento, eu conseguia me ver como uma noiva caminhando até a ilha e me casando com um homem que não amava. Mas eu teria que sorrir, e ele teria que sorrir, e eu teria que dizer "eu aceito", e ele teria que dizer "eu aceito".

Novamente senti um calafrio.

Nascer como membro da realeza me trouxe todos os tipos de privilégios que eu poderia ter. Me deu uma ótima vida, qualquer coisa que eu precisasse eu teria. Não precisava me preocupar com doenças, pois se eu adoecesse, eles sempre arrumariam a cura. Não precisava me preocupar com amizades, pois sempre tinha alguém querendo falar com a princesa. Não precisava ter medo, pois sempre teriam vários seguranças prontos para dar a vida pela minha.

Mas eu não podia amar.

De todas as coisas que ser uma princesa me trouxe, nenhuma delas era poder amar.

Se eu amasse, deveria calar meus sentimentos pelo povo.

— Em quanto tempo a família Zhao chega?

— Eles embarcaram no jatinho da realeza a cerca de meia hora, vossa alteza.

Tão rápido quanto Haeyoung terminou de falar, alguém tocou na porta.

Indiquei para que a criada abrisse e logo vi um dos diversos seguranças em seu típico uniforme com as duas mãos atrás do corpo. Ele me olhou.

— Vossa alteza, preciso que me acompanhe.

— O que houve?

— É urgente. Ordens do rei.

Me aproximei dele.

— O que houve?

— Os manifestantes atacaram novamente, toda a família real deve ir para o abrigo de segurança no último andar do palácio, vossa alteza.

Eu suspirei longamente.

— A família Hirai estará lá?

— Sim, senhorita.

Eu olhei para trás observando Haeyoung parada. Ela era uma criada, mas ainda era uma pessoa, certo? Se estava ocorrendo um dos diversos - inúteis e ridículos - ataques, ela não deveria ser colocada em segurança também?

— Ela pode ir comigo?

— Não, senhorita. Apenas membros da família real e autorizados pelo rei e pela rainha — não relutei, as pessoas nasceram com posições e elas servem para isso.

O homem se colocou a andar e eu fui atrás dele, até que paramos na frente do elevador e ele esperou que colocasse minha digital.

Logo que estávamos dentro, ele posicionou seu cartão de segurança sobre um leitor dentro do elevador.

— Segurança 19475. Diga o código — disse a - irritante - voz do elevador.

— 667.

— Código de defesa. Segurança 19475 e Princesa Myoui Mina estarão sendo levados para o abrigo de segurança real. Por favor, se segurem.

De debaixo do espelho surgiu um tipo de corrimão, o mesmo que eu me apressei em segurar para me manter firme sabendo que aquela coisa se moveria em alta velocidade. O segurança fez o mesmo, apenas com uma mão, quando o elevador se mexeu primeiro para o lado direito por alguns segundos, e então começou a subir rapidamente.

As portas do elevador se abriram e deram para um pequeno espaço escuro com portas de metal grossas de segurança que eu já estava acostumada a ver. Coloquei minha digital e elas se abriram.

Todos olharam para mim enquanto eu entrava e Ichiro abriu um sorriso. Ele se aproximou com seu terno e seus cabelos negros, que ele havia deixado crescer um bocado, cheios de gel em um topete.

— Está linda, maninha.

— Não me chame assim.

O garoto simulou uma cara de assustado que me fez revirar os olhos.

— Oh meu deus, machuquei seu pobre coraçãozinho? Perdão, não queria te lembrar que você na verdade é a mais velha e mesmo assim eu sou o futuro rei — ele abriu um sorriso orgulhoso e eu apenas o ignorei, me aproximando de meu pai que conversava com o pai de Momo.

— Pai.

Ele cortou a conversa para me olhar e dispensou o outro, se voltando completamente para mim agora.

— Diga, querida.

— O que houve dessa vez? Foram apenas os manifestantes jogando pedras fora dos muros, de novo?

Ele suspirou.

— Não, dessa vez avançaram mais. Os seguranças não foram capazes de os conter e eles avançaram para dentro. Cresceram em número.

Eu engoli a seco me perguntando o que isso queria dizer.

— O que acontece? O que acontece depois que eles passam pelos muros?

Meu pai deu um sorriso de lado e piscou para mim, se retirando.

A resposta era óbvia e isso me incomodou.

Os manifestantes eram abatidos.

Eu fui até Momo e nós ficamos juntas em silêncio por um longo tempo, apenas sentadas em um canto vazio e olhando para a frente esperando que aquilo acabasse.

— Acho que alguém descobriu que a família Zhao vinha hoje — resmungou ela, quebrando o silêncio. — Não entendo por qual outro motivo eles escolheriam logo hoje para atacar.

— Eles sempre atacam.

— É ridículo.

— E inútil.

Ao longe, Ichiro olhava para Momo e isso me deixava nervosa. Os dedos da minha amiga estavam entrelaçados aos meus, passavamos pelo mesmo sufoco e entendiamos perfeitamente a situação uma da outra.

Momo teria que de fato se casar com meu irmão e ninguém poderia fazer nada para impedir.

Fiz carinho nas costas de sua mão com o meu dedão e ficamos ali até aquilo acabar.

 

...

 

Não demorou muito além de uma hora para que aquilo tudo acabasse e logo todos fossemos liberados em segurança. Eu sabia que Zhao Yan estaria no Palácio a qualquer momento e tudo que eu queria fazer era me esconder. Pretendia ficar com Momo, quando Ichiro chamou por ela quando ia para o elevador. Tentei segui-los para não deixá-la desconfortável em um elevador sozinha com meu irmão, sendo levada para qualquer lugar que ele quisesse, mas ele me vetou, então observei o olhar de Momo no meu enquanto as portas do elevador se fechavam.

— O vestido ficou esplêndido em você, querida — ouvi a voz de minha mãe enquanto ela parava ao meu lado e colocava a mão no meu ombro. Toquei meu dedo no leitor de digitais.

— É lindo, mas não entendi o motivo.

— Tem que surpreender seu noivo, Mina.

Eu ri fraco, não queria que meu pai ouvisse. Ele ainda conversava com o pai de Momo esperando que todos saíssem para ser a vez deles.

— Não, eu não tenho.

— Como é?

— Posso estar vestida como um trapo, mamãe, o casamento não será cancelado. É tudo por dinheiro, não é? Acalmar os ânimos do povo e manifestantes com um casamento real, mesmo que seja por uma semana. Eu não tenho que surpreendê-lo pois nem eu nem Yan temos escapatória. Seremos submetidos a esse casamento, que só deixará de ocorrer se por um passe de mágica um de nós sumir.

Seria tão bom se um passe de mágica ocorresse.

As portas se abriram e eu entrei enquanto minha mãe me olhava. Eu esperava que ela entrasse comigo, mas Sayuri apenas me olhou e deixou que as portas fechassem com ela fora.

Uma vez dentro, eu suspirei pesadamente.

Cada vez mais eu tinha certeza que não queria me casar.

Quando voltei para o andar de meu quarto e estava perto de entrar pela porta, eu o vi pelo canto do olho no corredor caminhando para cá com seus próprios seguranças ao seu lado. Engoli a seco e comecei a caminhar para o outro lado esperando que ele não me visse, uma vez que estava ocupado com o grande dispositivo em sua mão que projetava para ele coisas que ele deveria cuidar em seu reino.

Virei no corredor mas cai na mesma hora ao que bati de frente com um guarda. Ele se desesperou, esticando uma mão para me ajudar e balbuciando "perdão, alteza" diversas vezes. Tentei tranquiliza-lo uma vez que já estava de pé, mas logo senti uma mão em minha cintura.

— Quem é você? Quem diabos é você para jogar a sua princesa no chão?

Sua voz ressoou forte e dura, ecoando pelo corredor enquanto os outros guardas do corredor se mantinham parados, em sua formação, olhando fixo para a frente.

— Yan...

— Quieta, Mina. Quero seu número de identificação. Vou fazer questão de que o rei te demita pessoalmente.

O guarda tentou balbuciar alguma coisa e eu suspirei. Sempre que a família Zhao vinha para o nosso reino alguns guardas eram demitidos.

— Sinto muito, alteza.

— O seu número de identificação — Yan disse entredentes e eu olhei para o chão.

— Perdão, por favor, não me demita, senhor. Eu dependo do dinheiro que recebo para manter minhas filhas e minha mulher que está doente. Prometo que não tornará a se repetir.

Yan puxou o pulso do guarda e subiu um pouco sua manga, vendo os números tatuados em seu pulso.

Estalou o dedo para que um de seus próprios guardas se aproximassem.

— Grave esse número: 10963. Precisarei dele para falar com o rei. Vá juntar suas coisas antes de ser despedido.

O guarda olhou dentro dos meus olhos antes de virar de costas e sair andando rapidamente.

— Não precisava disso — virei para Yan.

Ele riu irônico com seus cabelos tingidos de castanho levemente escuro bagunçados. Yan era mais alto que eu então eu tinha que olhar para cima. Ele vestia um terno com o símbolo de seu reino costurado no peito.

— Eu decido o que precisa ou não, Myoui, não você. Por sinal, o casamento foi adiantado, preciso voltar logo com uma boa notícia para meu reino. Se prepare. E informe sua criada que gostei desse vestido, não quero outro, vai ser esse.

Meu coração bateu mais forte e quando ele se virou para sair, segurei seu braço.

— O que? Foi adiantado para quando?

Ele sorriu.

— Amanhã.

As palavras entalaram na minha garganta, todos os protestos que eu tinha contra isso não sairam pelos meus lábios como eu queria que saíssem enquanto Yan ia embora. Eu levei uma das minhas mãos a parede e tentei respirar fundo.

Minha vida mal vivida acabava amanhã.

 

...

 

Minhas lágrimas desciam pelo meu rosto enquanto minha melhor amiga me abraçava tentando me acalmar, mas não dava certo. Um choque de realidade havia me atingido.

— Mina, se acalme.

Eu continuava chorando compulsivamente no colo de Momo. Depois que Yan saiu eu corri para o meu quarto e tirei aquele vestido na base da raiva, vesti o vestido mais simples que encontrei em meu armário e corri para o quarto de Momo, rezando para que ela já estivesse sem Ichiro.

— Não dá. Não dá. Eu não quero me casar com ele.

Momo estava deitada em sua cama passando as mãos pelo meu cabelo e eu agarrava sua cintura com minha cabeça em seu peito.

— Não há nada que você possa fazer, Mina. A não ser que você fuja, não há nada a fazer — Momo riu fraco.

A não ser que eu fuja? Fuja para fora do Palácio? No meio do reino que não conheço? O que aconteceria comigo? Se encontrassem a princesa eu não duraria muito, duraria? Meu pai provavelmente espalharia notícias oferecendo recompensas imensas para quem me encontrasse e era capaz de que a família Zhao também colocasse suas tropas para me procurar.

Eu sabia que tinha uma saída em algum lugar no fundo dos muros da floresta de dentro do Palácio, pois sempre que Ichiro queria sair escondido ele se enfiava na floresta, mas mesmo que eu conseguisse achar essa saída, como diabos eu me viraria?

Eu poderia fugir ou meu destino já estava horrivelmente traçado?

 

...

 

Tudo estava sendo transmitido ao vivo para todo o meu reino e para o reino de Zhao. Ele estava sozinho agora na ilha enquanto havia toda uma cerimônia antes da minha entrada. Meu pai me olhava quando eu pedi em um lapso de coragem vendo o que estava tão perto de acontecer:

— Posso ficar um pouco sozinha, pai? Por favor.

O homem virou para todos os guardas.

— Vocês a ouviram. Saiam todos — meu pai piscou para mim antes de sair.

Eu não consegui dormir a noite pensando nas palavras de Momo.

Minhas pernas se moviam sem que eu tivesse controle, quando eu comecei a andar para fora daquele lugar pela outra saída, logo estando ao ar livre. Puxei a saia do meu vestido um pouco para cima para que pudesse andar melhor e os guardas ali se entreolhavam não entendo o que a princesa fazia fora da igreja.

Quando eu vi que eles tomariam atitude, foi quando comecei a correr. Meus saltos me atrapalhavam e eu acabei os deixando para trás, correndo descalça na grama até que me vi completamente entre árvores altas que tornavam tudo escuro.

Que diabos eu estava fazendo?

— Alteza, pare!

Quando ouvi a voz se aproximando eu corri para o meio da floresta, compleramente perdida. Pisei em algo que fez uma dor horrenda subir pelo meu corpo mas não pude parar.

Continuei avançando enquanto eles continuavam me chamando, até o momento que me vi completamente perdida e as vozes já estavam mais distantes.

Bom, todas as vozes, menos uma.

— Ei, princesinha.

Girei em volta do meu próprio eixo ao ouvir a voz feminina e irônica.

— Aqui.

Girei mais uma vez enquanto ouvia os passos dos guardas se aproximando, mas dessa vez vi algo distorcido, parecia um campo de força.

— Chegue perto.

Completamente confusa, eu dei passos mais perto, eu já estava ferrada mesmo, não estava?

Conforme me aproximava, arregalei meus olhos. O campo de força revelou ser uma cúpula e quanto mais perto eu chegava mas ela revelava o que - ou quem - havia dentro dela. Ainda era possível ver o campo de força, mas agora eu também podia ver a garota em pé dentro, com seus braços cruzados, me fitando ironicamente e ao mesmo tempo como se eu fosse uma presa.

— Está fugindo do papai?

Eu virei o rosto para o lado ao que ouvi galhos se quebrando indicando que os guardas estavam mais perto.

— Sabe quem eu sou, Myoui Mina? - Ela continuou arduamente. — Seu papai me prendeu aqui sem que ninguém soubesse. Sabe aquilo de manter seus amigos perto, mas os inimigos mais perto ainda? Ele levou isso a sério demais.

— Quem é você? — Sussurrei.

— Eu? — Ela riu. — Talvez quem mais você devesse temer. Mas agora, eu posso te tirar daqui, se você me tirar daqui.

Ela apontou para um leitor de digitais que aparecia no campo de força.

— V-você deve ser uma inimiga perigosa.

Ouvi os passos dos guardas cada vez mais perto.

— Bom, se é assim, se vira aí, princesinha. Vou apreciar um bom show.

Ela fez menção em se virar para voltar para mais dentro da cúpula, quando eu a chamei.

— Espera!

A garota se virou com um sorriso maléfico no rosto.

— Diga.

— Se eu te tirar daí, você promete me ajudar?

Ela pareceu ponderar. Parecia não ter pressa enquanto eu olhava em volta desesperadamente com medo de os guardas chegarem perto de mais.

— Nunca prometi merda nenhuma para a família real — ela disse. — Mas você parece diferente. Eu prometo. E sou uma pessoa de palavra, fujona.

As vozes dos guardas estavam cada vez mais perto. Em um ato de desespero, estiquei meu dedo até o leitor de digitais.

— Digital real detectada. Certeza que quer libertar Son Chaeyoung? — A voz veio da cúpula e eu me tremi ao ouvir aquele nome.

Com minha garganta seca, eu respondi.

— Sim.

— A prisioneira, Son Chaeyoung, está agora livre.


Notas Finais


oi!! aqui é ruby, hiraivodka, e resolvi trazer para o spirit uma história que me trouxe muito retorno na rede de fanfics ao lado e que está com projetos para se tornar livro físico. tenho muitos capítulos prontíssimos para serem publicados aqui, então me permitam saber se gostaram da história!! até muito em breve


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