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História Show Me How - Michaeng - Capítulo 7


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Notas do Autor


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Capítulo 7 - Soulmates


MYOUI MINA

 

A mulher me encarou dura e friamente, por bastante tempo, parecia pensar se realmente via o que estava diante de seus olhos. Seu olhar era profundo e eu não ousei me mexer, nem sequer para tornar a cobrir meu rosto com a máscara.

Então um sorriso ladino surgiu no seu rosto, e ela tirou o olhar de mim

— Sempre soube que uma hora ou outra você escaparia, Chaeyoung. Mas sou sincera ao dizer que me surpreendo que você tenha arrastado essa aí contigo.

"Essa aí?" Me senti tratada de forma pejorativa, mas não me pronunciei.

A mulher de cabelos rosas estendeu a mão para mim.

— Sana.

Com receio, apertei a mão dela.

— Mina.

Ela riu de forma irônica e eu soube o motivo. Meu nome estava estampado em sua boate.

Sana abriu a porta, permitindo a passagem.

— Entrem.

...

Agora, após ser guiada pelos corredores daquele lugar, me encontrava em um quarto.

Quando eu, criança, perguntei a minha mãe o que era uma boate após escutar dois guardas conversando sobre, ela me disse que era algo errado para homens sujos.

Então por que uma mulher era dona de uma?

Olhando em volta enquanto andava até ali eu não via nada de errado. Apenas paredes escuras com várias caixas de papelão e uma música um bocado abafada que se tornou clara ao que ela abriu uma porta.

A porta dava para um salão grande, com um bar cheio de bebidas. Não tinha muita gente ali, mas as pessoas andavam de um lado para o outro com pressa e algumas arrumavam algo em cima de um palco.

O lugar tinha grandes luzes que se acendiam em diversas cores que eu pude ver alguns homens testando. Também tinha alguns pequenos "palcos" circulares com canos prateados no meio.

Nos dois lados do grande lugar, tinham escadas, por onde Sana nos guiou. As escadas inicialmente guiavam para um lugar com várias mesas com cadeiras vermelhas acolchoadas que dava uma visão boa para o pequeno palco.

Ali em cima também tinham as estruturas que tinham canos. Eu não fazia ideia do pra que aquilo servia.

Na parede oposta a daquilo tudo tinha uma porta, e Sana sacou uma chave de seu bolso. A porta era preta e se camuflava com o resto todo da parede igualmente preta.

Após nos deixar passar, Sana trancou a porta por dentro de novo, dando para um corredor. Tinha diversas portas e se curvava no final, dando a atender que tinha mais portas para lá. E eu estava certa porque foi pra lá que ela nos guiou, até a última porta.

— Deduzo que temos bastante coisa para conversar, Chaeyoung — disse Sana e me olhou. — Minha suíte é no andar superior, você já sabe, mas prefiro deixar ela aqui por enquanto.

— Como quiser — disse Chaeyoung.

Fiquei um bocado irritada no momento mas mais uma vez não ousei falar. Por que elas falam de mim como se eu não pudesse fazer minhas próprias decisões? Cruzei os braços. Enquanto Sana destrancava a porta a nossa frente, Chaeyoung virou para mim e lentamente sorriu de lado.

— Tire esse bico da cara, princesinha. Para a sua alegria eu já vou retornar.

Eu nem percebi que fazia um bico, mas nem tive tempo de mudar minha feição ao que Sana abriu a porta e indicou para que eu entrasse.

E naquele quarto eu fiquei um bom tempo. Ele tinha detalhes em preto e vermelho, um pouco sufocante, eu gostava de cores leves. Tinha a cama com travesseiros vermelhos e uma coberta grossa preta. Tinha outra porta preta que deduzi ser o banheiro.

Mas era só.

Me sentei ali na cama por um tempo até ir abrir aquela porta. E sim, era um banheiro. Lavei meu rosto depois de tudo que andei e de ficar no fundo falso de um caminhão por um bom tempo, e então deitei na cama.

Depois de um tempo, tirei os sapatos e chequei meu pé. Estava tudo bem.

Meu braço também estava bem no limite do possível. Ele incomodava um pouco.

Tirei a jaqueta.

E nos próximos minutos que se passaram, fiquei encarando o teto.

Até que a porta se abriu. Me sentei na velocidade da luz, vendo Chaeyoung na porta.

— Feliz em me ver?

Sim, eu acho. Senti uma animação correndo meu corpo ao ver que ela estava de volta. Mas apenas dei de ombros.

— Venha, princesinha. Tenho um lugar melhor para você ficar.

Joguei minha jaqueta por cima do ombro e peguei meus sapatos com as mãos, então segui Chaeyoung. Subimos a escada que tinha no fim do outro corredor, e então eu fui colocada num mundo completamente diferente do quarto que eu me encontrava momentos antes.

Ali sim era um lugar bonito.

O chão de estacas de madeiras. Firmes, entenderam, Jihyo e Nayeon? Essa chão não rangia. A madeira até brilhava. No final tinha vidro, enormes janelas do teto até o chão, que iluminava o lugar à luz da lua.

Tinha uma cozinha de estilo "moderno" ali, aberta, com bancos altos na frente do balcão. No final, perto do vidro, tinha uma pequena escadinha que dava para um lugar que apenas tinha uma cama de casal. Era bonitinho. Do meu lado, logo que entrei, tinha um pequeno cômodo com uma porta. Conforme avançava, pude ver que no fim desse quarto, junto com todo o local aberto, tinha uma banheira grande.

— Vocês vão ficar aqui — disse Sana. — Esse é meu quarto, onde eu moro, Chaeyoung sabe disso, e aqui tem um pequeno quartinho onde eu deixo minhas visitas mais importantes — apontou ela para o cômodo que eu mencionei antes. — Mas prefiro ficar nele agora pois tendo vocês aqui em cima, prefiro continuar tendo privacidade para trazer meus companheiros.

— Sana, assim só sobra a cama de casal.

— Problema de vocês — Sana riu para Chaeyoung.

Eu ainda estava encantada. Era simples, um espaço aberto com tudo aberto, só não tinha identificado o banheiro ainda, mas seus detalhes em madeira, a cama elevada, a enorme parede de vidro, tudo deixava aquilo ali lindo. Tão belo que não me deixei pensar no comentário de Chaeyoung sobre a cama de casal por um tempo.

— Agora vou descer, um DJ famoso vem hoje tocar aí, chega em uns 10 minutos, preciso manter tudo sob controle. Depois conversamos mais, Chaeyoung. E você, Myoui Mina, talvez não tenhamos assunto, mas gostaria de conversar contigo também. Por enquanto, fiquem com a privacidade desse quarto.

Senti ironia na última frase. Era um quarto bom, mas que privacidade ele proporcionava quando tinha que ser dividido entre duas pessoas?

Sana saiu e fechou a porta. O suspiro de Chaeyoung foi audível.

Eu dei alguns passos para frente, me aventurando a olhar mais o quarto. Em um ponto, eu estava mais perto da banheira.

Eu sorri um pouco.

A banheira me lembrava de Haeyoung, quando ela me ajudava a tomar banho e tratava dos meus cabelos. Ela era de fato a melhor criada que eu tive em toda a minha vida, e ela sabia exatamente como deixar meu cabelo perfeitamente hidratado.

Sempre que ela passava os cremes ela também massageava minha cabeça e ombros, e ninguém fazia isso como ela.

As memórias de Haeyoung me levaram a Momo, e eu sacudi a cabeça.

Pensar em Momo me deixava triste e fazia eu me sentir uma egoísta. E de fato, eu era uma, mas não gostava de me lembrar disso.

— Mina, preciso falar com você — a voz de Chaeyoung soou séria.

Eu me virei e fitei ela, fitando sua feição também séria. Seus lábios carnudos, o nariz delicado, os olhos cheios de segredos que tanto me atraíam. A pintinha em baixo dos lábios, a mandíbula tencionada.

Eu não conseguia ver em Chaeyoung tudo isso que ela dizia ser. Ela não parecia alguém má.

Ela parecia alguém cujo abraço parece ser caloroso, o qual eu também tinha curiosidade em sentir. Como deveria ser o abraço de Chaeyoung? Será que ao abraçar Chaeyoung dava para sentir o coração dela batendo?

Afinal, debaixo de toda essa pose que ela sempre carregava, tinha um coração, certo? Batendo e pulsando, a mantendo viva e a tornando capaz de sentir emoções.

Percebi que estava devaneando na minha mente quando Chaeyoung arqueou uma sobrancelha.

— Hm, pode falar — minha voz saiu baixa e arrastada.

Chaeyoung suspirou de novo.

— Vamos passar um tempo aqui. Sana não é como Jihyo e Nayeon que com certeza terão policiais do governo em sua cola, então aqui é seguro, mas ainda devemos ter cuidado. Isso aqui é uma boate, lembre-se disso. A noite está sempre movimentado no primeiro andar e no segundo andar sempre tem as pessoas que pagam a mais para ter acesso aos quartos. Ninguém tem acesso a esse andar aqui além de Sana, então estamos seguras. A luz do dia, tente não ficar muito próxima da janela de vidro, é difícil que te reconheçam até porque por fora o vidro é escuro, mas não queremos arriscar, certo?

Chaeyoung me bombardeava de informações, mas diante de tudo eu só tinha duas perguntas:

O que diabos acontece em uma boate? E porque diabos essa boate tinha meu nome?

— Certo — logo que terminei de falar, Chaeyoung voltou.

— Fique nesse quarto e não saia se quiser ter segurança — se quiser. Mais uma vez eu percebia os sinais de que não estava sendo mantida presa, apenas que eu estava ali porque eu queria estar. — Se precisar de algo, me peça. Você pode cozinhar na cozinha. Hm, espera. Você não sabe cozinhar. Tudo bem, vai aprender.

— Porque deduz que eu não sei cozinhar?

Chaeyoung cruzou os braços.

— Você sabe?

Engoli a seco e revirei levemente os olhos.

— Não.

Ela arqueou as sobrancelhas como se estivesse se exibindo, e então continuou a falar.

— Se alguém tocar na porta, não abra. Eu e Sana temos as chaves então de forma alguma tocaríamos na porta antes de entrar. Aqui você estará segura, princesinha. Alguma dúvida?

Era melhor perguntar ao invés de ficar me martelando com questões idiotas, certo?

— Sim...

— Diga.

— O que é... uma boate?

Chaeyoung riu.

— Bem que eu imaginei que você não sabia. Em uma boate tem muita bebida alcoólica, música e algumas indecências as vezes.

Indecências?

Eu não iria perguntar para Chaeyoung que indecências, de modo algum.

— Vou ir falar com Sana para saber como podemos conseguir outras roupas, não saia daqui. Pode ligar a banheira se quiser.

Ela se virou para sair.

— Chaeyoung, espera.

Ela se tornou de novo e me fitou com o rosto inabalável. As vezes eu me perdia olhando para seu rosto e não sabia o porquê.

— Por que... tem meu nome no nome da boate?

Chaeyoung riu alto.

— Fiquei tão surpresa por você não ter perguntado assim que viu.

Dessa vez eu que cruzei os braços.

— Me conte.

Ela manteve o sorriso no rosto. Mas não estava rindo comigo, estava rindo de mim.

— Sana não gosta da sua família e da sua realeza, tanto quanto eu não gosto. Não reparou que quando eu te apresentei a ela, disse o nome inteiro dela? Minatozaki? Seu nome está dentro do nome dela, princesinha, e é a desculpa perfeita para brincar um pouco com a sua imagem.

Ah.

Confirmei com a cabeça e Chaeyoung riu fraco, antes de virar as costas e sair. E então eu fiquei sozinha.

Larguei minhas botas em um canto e deixei minha jaqueta em cima da cama, jogando.

Pela primeira vez reparei também em uma televisão na parede em frente a câmera.

Olhei para a banheira.

Puxei minha calça para cima e sentei na beira da banheira, ligando a água morna.

Enquanto enchia relativamente devagar, fiquei sentindo a água nos meus pés. E aquela situação me lembrou de Momo comigo na piscina.

Um suspiro escapou forte da minha boca.

Não dava para escapar dos pensamentos, não dava para escapar dela. Não dava para enganar minha mente.

Momo estava sozinha, sem companhia alguma, em um Palácio enorme, esperando para se tornar rainha. Um título que ela não queria, vindo do casamento com um homem que ela não queria se casar.

Naquele momento, todas as minhas memórias com Momo entraram uma a uma na minha cabeça. Quando éramos crianças e nos escondiamos pelos corredores, correndo de mãos dadas, tentando escapar dos olhares dos guardas.

Quando tínhamos 12 anos e ficamos um pouco rebeldes com toda aquela pressão. Tudo que nossos pais davam como errado nós fazíamos.

Vieram tantos castigos disso. Soltamos os cavalos do estábulo e ficamos uma semana sem acesso a sala de cinema.

Rabiscamos um quadro na parede, duas semanas sem sobremesa.

Nós paramos de fazer essas coisas quando o castigo foi ficar semanas sem nos ver. Aquele foi o limite, não aguentamos e voltamos a nos comportar.

Só teve uma coisa que ouvimos nossos pais criticando e fizemos que eles nunca descobriram.

Com 13 anos, após ouvir eles falando sobre casais homossexuais.

Momo sempre teve a criação mais aberta que a minha, e ela comentou o quanto achava isso de "homofobia" ridículo e estúpido.

Eu nem sequer fazia ideia que existia isso. Isso de homofobia e algo além de homens e mulheres se casando.

Momo comentou que "se eles descobrissem algo do tipo que nos beijamos, eles iriam surtar".

Naquela noite eu ri e dei um beijinho em seus lábios e Momo levou um susto.

Depois passamos a noite inteira gargalhando.

Claramente nunca gostei de Momo em uma forma romântica, nunca gostei de ninguém em uma forma romântica. Nunca senti aquela coisa de filmes de sentir o coração acelerando, de sentir um arrepio, uma corrente elétrica subindo pelo corpo.

Mas com Momo era tudo mais intenso que isso. Ela era minha alma gêmea, e almas gêmeas nem sempre são amantes. Uma vez li um texto que sempre associei a nós duas. Como era mesmo?

Ah, sim.

"O que é uma alma gêmea? Bom, é como um melhor amigo, só que mais. É a única pessoa no mundo que te conhece melhor do que qualquer outra pessoa. É alguém que te faz uma pessoa melhor. Na verdade, ele não te faz uma melhor pessoa, você faz isso sozinho. Porque ele te inspira. Uma alma gêmea é uma pessoa que você leva contigo para sempre. É a pessoa que te conhecia, que te aceitava, e que acreditava em você antes de qualquer pessoa ou quando ninguém acreditaria. E não importa o que aconteça, você sempre amará a ela."

Uma vez que mostrei esse texto a Momo, ela sorriu e disse que de fato, éramos almas gêmeas.

Sempre que eu estava sozinha no quarto me sentindo mal e não podia correr para o dela, eu lia esse texto.

Mas eu falhei na parte de levar ela para sempre comigo, não falhei?

Sai da minha mente quando ouvi o barulho da água parando e vi que a banheira já estava cheia.

Depois de perceber isso, percebi as lágrimas que escorriam pelo meu rosto.

E quando percebi Chaeyoung do meu lado, com a mão no botão de parar a água, me fitando, tentei desesperadamente secar as lágrimas.

Com um suspiro audível – ela adorava suspirar ou revirar os olhos – Chaeyoung largou as roupas que carregava no chão.

Ela se aproximou de mim. Eu senti que foi um lapso de fraqueza nela quando ela fez o que fez a seguir.

Chaeyoung jogou uma de suas pernas por cima de meu corpo e sentou no meu colo de frente para mim.

Eu paralisei.

Chaeyoung secou minhas lágrimas com o dedão e então me puxou para perto.

Com uma mão na minha cabeça e a outra nas minhas costas, ela fez com que eu enterrase a cabeça na sua clavícula.

— Está tudo bem, pode chorar. Aproveite a chance.

E com essas palavras, eu chorei. Me agarrei nas costas de sua camisa, e deixei tudo sair. Enquanto soluçava, sentia Chaeyoung acariciando meus cabelos.

Seus dedos indo e voltando em um carinho acalmante, suas unhas curtas raspando na minha nuca.

E sim, eu senti seu coração. Batendo na minha bochecha. Pela primeira vez pude ter certeza. Chaeyoung era humana como eu, apesar de tentar esconder.

E esse momento de fraqueza, em que ela deixou que eu me agarrasse nela e chorasse pensando em Momo, mostrou muito mais do que seu coração batendo e o calor de seu corpo contra o meu.

E quando eu parei de chorar, ela não parou de me acariciar e não saiu de meu colo, e eu não a larguei.

De alguma forma ela era o mais perto de um lar que eu tinha agora.

Mas era Chaeyoung, e eu não entendi o porquê de ela estar cedendo e fazendo isso comigo.

O porque de eu continuar sentindo seus dedos em meus cabelos e o palpitar de seu coração contra a minha bochecha.

E eu queria entender.

Por que eu sentia meu coração batendo no mesmo ritmo do dela.


Notas Finais


twitter da escritora: hiraivodka


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