1. Spirit Fanfics >
  2. Show Me How - Michaeng >
  3. A Drunken Princess

História Show Me How - Michaeng - Capítulo 8


Escrita por:


Notas do Autor


usem a tag #SMHmichaeng para falar sobre a fanfic no twitter

Capítulo 8 - A Drunken Princess


MYOUI MINA

 

Tudoo foi pelo ralo quando ouvimos a porta abrindo e em um movimento desesperado para sair de meu colo, Chaeyoung caiu na banheira, e, também no desespero enquanto caía, ela tentou se agarrar em mim. E nós duas caímos na banheira, de roupa e tudo.

Chaeyoung se ajeitou rapidamente, espirrando água para todos os lados e pela primeira vez em sua vida parecendo desesperada quando parou quieta com os olhos arregalados e o cabelo colando no rosto.

Eu quis rir.

— Caralho, que merda vocês estavam fazendo para ter esse desespero todo, Chaeyoung? — ouvi a voz de Sana enquanto a porta batia atrás dela.

Apenas me sentei quieta na banheira aproveitando a sensação da água morna, apesar de me sentir incomodada pelas roupas colando no meu corpo.

— Nós não estávamos fazendo nada — Chaeyoung ralhou e se levantou, sua roupa grudada em seu corpo pingando muita água.

— Uhum — Sana foi irônica mas não insistiu, apenas se aproximou de sua própria geladeira e abriu, pegando uma garrafinha verde dentro. Ela deixou alguma coisa que não pude ver em cima da bancada da cozinha. — A boate acabou de abrir. Imaginei que você gostaria de aproveitar um pouco, sempre gostou, né? Então trouxe essa máscara para você. Se quiser use, não vai ser reconhecida apenas pelos olhos, tenho certeza.

Chaeyoung apenas afirmou com a cabeça. Sana piscou para ela e saiu com um sorriso malicioso do quarto.

Pensei um pouco sobre a sua afirmação de Chaeyoung não ser reconhecida apenas pelos olhos. Para mim, seus olhos eram sua característica mais marcante.

Me ajeitei na banheira, afundando mais meu corpo até ter apenas a cima do pescoço de fora.

Chaeyoung se esticou, agarrando uma toalha no meio das roupas que ela havia largado no chão antes de... antes de sentar no meu colo.

Ela secou um pouco os cabelos antes de colocar a toalha no chão de volta e levar as mãos até a base de sua camisa. Ela fez o movimento para tirar, mas então me olhou de rabo de olho.

Desesperadamente eu desviei o olhar. Chaeyoung então suspirou e eu pude perceber seu movimento de tirar a camisa.

Não olhe, Mina.

Eu tentei me controlar, mas ao que Chaeyoung tornou a pegar a toalha e passar por seus cabelos, o borrão escuro nas suas costas chamou minha atenção e meus olhos se desviaram para ela.

Eu prendi a respiração no momento que vi.

Ela tinha várias tatuagens, cobrindo quase suas costas inteiras.

No centro uma bússola, não muito grande, devia ter o tamanho da palma da minha mão, era muito estilizada. Para a direita, crescia o rosto de um leão. No ombro esquerdo tinha uma águia grande, cujas penas pareciam cair de uma forma até virar a rosa que quase se escondia para dentro de sua calça. Se olhasse de outra perspectiva, a rosa parecia virar a águia. E não bastava os dois animais, em baixo do leão tinha uma cobra, que parecia escapar um pouco para as suas costelas e voltava se enrolando toda, a tatuagem também sumindo um pouco em sua calça.

Tudo em apenas tinta preta, nada colorido. Todas as tatuagens em perfeita harmonia, contrastando uma com as outras de forma que todas aquelas coisas foram criadas para um dia serem tatoadas nas costas dessa mulher.

Eu fiquei curiosa, me perguntando se ela tinha mais alguma tatuagem em algum lugar de seu corpo.

Foi quando ela se virou, quase pegando meu olhar nela, e em um ato de desespero para disfarçar eu afundei na banheira.

Mantive minha respiração presa pelo maior tempo possível, mas quando larguei o ar, foi tudo de uma vez, e eu subi.

Passei a mão pelo rosto para tirar a água dos olhos e o cabelo, e quando abri os mesmos, Chaeyoung me olhava de braços cruzados. Ela negou levemente com a cabeça.

— Eu vou descer, como Sana sugeriu. Fique aqui e qualquer coisa que precisar, tem uma chave na bancada. Apenas use e saía de cabeça baixa, se você sair da porta para a boate, eu vou ser avisada e saber que precisa de ajuda.

Afirmei com a cabeça.

Chaeyoung se esticou sem sair da banheira e pegou outra toalha que estava jogada no chão, dobrou, e deixou perto da banheira.

— Use para se secar, e eu vou deixar as roupas que consegui emprestadas para você aqui também.

...

Após aquilo eu virei de costas e Chaeyoung se secou e se trocou. Logo que ela saiu fiquei em completo silêncio. Tirei minha camisa e minha calça ficando de roupas íntimas.

Meu pé e meu braço não doíam agora, a cicatriz do braço apenas incomodava um pouco.

Isso me fez pensar na menina que eu ajudei e me perguntar se ela estava bem, mas eu sabia que nunca teria essa resposta.

Com a cabeça encostada na banheira e o resto do meu corpo imerso, minha mente se perdeu um pouco.

Mas dessa vez, ao invés de Momo, ela escapou para Ichiro.

Ichiro era belo por fora, de um jeito que eu via as meninas prendendo a respiração quando ele passava, mas não apenas pelo poder que carregava como futuro rei.

Ele não se parecia muito comigo. Minhas feições lembravam mais a minha mãe e as dele o meu pai.

Ichiro tinha os olhos profundos, cheios de superioridade.

E isso o tornava feio. Ele nunca sorria, apenas quando fazia uma piadinha estúpida ou quando queria me provocar.

Ou quando Momo aparecia e ele sorria para ela e ela tinha que sorrir forçadamente de volta.

A boca de Ichiro era carnuda, os lábios cheios de todas as baboseiras que ele falava.

O rosto bem definido.

Eu nunca o vi com os cabelos bagunçados, ele sempre foi vaidoso. Nunca queria ser visto como alguém além de perfeito em cada centímetro.

Afinal, desde seu primeiro dia de vida ele foi dado como futuro rei, herdeiro do trono.

Eu também fui.

Quando nasci, eu era a herdeira. E eu cresci para ser isso. Eu escutava dos meus pais "cadê a minha futura rainha?" sempre.

Até que Ichiro nasceu e eles nem se importaram em me explicar. Apenas explicaram para mim, uma criança, que porque tive um irmão homem eu não tinha mais o direito de ser rainha.

Foi isso que mais pra frente me fez ter aquela pequena fase de revolta junto com Momo.

Mas de fato nunca aproveitei a vida. Nunca fiz nada de realmente divertido.

Nada que fizesse o sangue correr pelas minhas veias com uma sensação de satisfação, felicidade e prazer.

E foi esse sentimento que me incentivou a fazer o que fiz a seguir.

Me enxuguei e peguei as roupas que Chaeyoung mostrou que tinha separado para mim.

Uma calça jeans com alguns rasgos e uma camisa regata que deixava as laterais do meu corpo aparecendo um bocado com o tamanho das mangas.

Eu titubiei um pouco antes de tomar a atitude.

Agarrei a chave no balcão e abri a porta. Não tinha nenhuma outra máscara ali mesmo, apenas a que Sana deixou para Chaeyoung.

Mas naquele momento eu não me importei.

Se tinhas bebidas, as pessoas deveriam estar altas e por isso poderiam não me reconhecer muito bem.

Tranquei a porta atrás de mim, desci as escadas e segui pelo corredor até a outra porta.

O som da música estava relativamente alto ali, mas abafado. Era um som eletrônico.

Respirei fundo e abri a porta.

O som me atingiu muito forte, e pude ter uma visão do andar inferior. Tinha muita gente, os corpos colados, as pessoas pulando ao som da música. As luzes coloridas correndo por todos enquanto o som do DJ fazia todos dançarem.

Tinha um segurança ao lado da porta, de braços cruzados e ele não olhou no meu rosto, apenas esticou a mão para fechar a porta que eu estava mantendo aberta.

O andar de cima não tinha muita gente, ainda mais perto daquela porta. Apenas algumas pessoas nas mesas de bancos acolchoados e – meu deus o que eram aquelas mulheres nas estruturas com canos?

Senti uma pegada forte no meu braço quando dei um passo e o corpo parando na minha frente, e ali pude confirmar que Sana estava errada.

Eu reconheci Chaeyoung pelos seus olhos, não tinha como não.

— Que merda você está fazendo aqui? — Sua voz soou baixa, sua mão segurando meu braço esquerdo.

— Eu–

Não tive como responder, fui interrompida por Sana, que apareceu rindo.

— Pelo amor de Deus, Chaeyoung.

Chaeyoung fitou ela.

— Ela não pode, Minatozaki. Vai ser reconhecida e foder essa merda toda.

Sana suspirou. Ela parecia tão leve. Sana parecia viver o melhor de sua vida sem arrependimentos. Quis trocar de lugar com ela.

— Se esse é o problema... — Sana se aproximou do guarda na porta e sussurrou algo com ele. O homem confirmou com a cabeça e colocou a mão no bolso, entregando algo a ela.

Quando voltou, Sana chegou perto de mim e esticou na frente do meu rosto uma máscara. Ela ajeitou meus cabelos molhados e prendeu atrás de minhas orelhas.

— Seja feliz. Chaeyoung está com o cartão de bebida liberada, fique com ela e encha a cara.

Dei um sorriso dentro da máscara.

Nunca bebi assim.

Sana se afastou de nós e Chaeyoung me fitou longamente. Eu sorri com os meus olhos para que ela pudesse ver, e ela revirou os olhos.

Desviei dos olhos dela e apontei para longe.

— Porque aquelas mulheres estão dançando quase nuas?

Eu observava enquanto alguns homens e até algumas poucas mulheres esticavam as mãos, colocando notas de dinheiro nas roupas íntimas delas.

Dei alguns passos para perto e Chaeyoung segurou minha mão.

— Você não quer fazer isso, Princesinha.

Soltei a minha mão da dela sem entender o que tinha de mal e o que estava a incomodando.

Cheguei perto.

A mulher naquela estrutura específica vestia botas pretas que pareciam de couro e brilhavam que iam até a altura de seus joelhos. Na coxa, uma estrutura que envolvia ela e que eu não sabia o que era, mas que se conectava com a calcinha também preta.

O sutiã da mulher era completamente estilizado também, ele em si era pequeno, mas a estrutura de cordas em volta dele que se ligavam de volta a ele marcando seu corpo perfeitamente cobria mais do que o próprio sutiã.

Em seu rosto, apenas uma máscara em seus olhos.

A mulher dançava no ritmo da música, descendo até o chão e empinava sua bunda. Sempre que alguém esticava uma nota ela se aproximava e se abaixava, deixando a pessoa colocar no elástico de sua calcinha ou sutiã.

Eu senti a respiração de Chaeyoung atrás de mim como se ela me observasse de perto, temendo por mim que alguém fosse me reconhecer.

Eu achava mesmo é que ela temia por ela, porque se me reconhecessem ela estaria ferrada.

Me abaixei e peguei uma nota que estava caída no chão e não hesitei muito antes de esticar na direção da mulher.

Ela não demorou muito para vir na minha direção com os olhos nos meus e se abaixar devagar, com a... com a bunda na minha direção. Senti minhas bochechas esquentando.

Devagar puxei um pouco o elástico lateral da calcinha dela e encaixei a nota ali.

Sua pele era quente e macia.

A mulher segurou meu dedos com os seus antes que eu pudesse recuar, e beijou as costas da minha mão devagar, piscando um olho para mim. Algumas pessoas assobiaram.

Eu me senti quente, sem entender muito.

E então Chaeyoung segurou no meu braço de novo, me puxando para trás.

— Pronto, princesinha, chega. Já se divertiu o suficiente? Vamos voltar para o quarto.

Me larguei dela de novo.

Essa era a minha primeira oportunidade de aproveitar algo assim na minha vida, talvez a única.

Eu não ia deixar Chaeyoung tirar isso de mim.

Se ela deixou claro em suas atitudes até então que eu poderia fugir no momento que quisesse, porque agora estava assim?

— Cadê o seu cartão de bebida liberada? — Perguntei.

Chaeyoung negou com a cabeça.

— Não.

Olhei para a sua roupa percebendo que só podia estar em um lugar.

Me aproximei e escorreguei a mão para o bolso de trás de sua calça jeans preta percebendo que acertei em cheio ao sentir a estrutura dura de um cartão em meus dedos.

Chaeyoung olhava dentro de meus olhos pela nossa proximidade quando escorreguei minha mão para fora e coloquei o cartão entre nossos rostos, encostando ele na pontinha de seu nariz.

— Sim.

Avancei em direção as escadas e desci, apenas para ouvir Chaeyoung bufando audivelmente e me seguindo.

Abri caminho até o bar. Não estava acostumada com os corpos encostando assim em mim, muitas vezes soados.

Toda as poucas vezes que eu tinha que ir para um lugar que o povo também tinha acesso, eu era escoltada por vários guardas usando campo de força como escudo ou ia dentro de um carro. Que também tinha um campo de força.

Quando parei na frente da bancada do bar, Chaeyoung parou ao meu lado.

Um barman parou na nossa frente, mostrei o cartão.

— Diga o que deseja, senhorita — ele piscou para mim.

Eu fiz um bico enquanto olhava o que as pessoas ao meu entorno bebiam.

Eu não sabia o que era nada daquilo.

Virei para Chaeyoung.

— O que você acha? O que eu tomo?

Antes que Chaeyoung pudesse abrir a boca, o barman tornou a falar.

— Eu acho que você iria gostar de um Blue Kamikaze.

Virei de volta para ele, Chaeyoung não disse nada.

— É bom? É muito forte?

O homem deu de ombros com um sorriso. Ele tinha uma melanina forte, os cabelos negros de um tamanho que terminava antes da orelha com um aspecto molhado e bagunçado.

E ele tinha um belo sorriso também.

— Tudo bem, pode me dar um desses.

— Se bem que eu acho que você iria gostar de–

— Dê a ela o que ela pediu. — Chaeyoung bateu a mão na bancada. — E foque na merda do seu trabalho.

Ela estava nervosa e eu não sabia o porquê.

Após aquilo, o homem deu um sorriso irônico e saiu, pegando copo, gelo e outras coisas que não soube identificar.

Ele fez tudo ali e por fim colocou o copo na minha frente, eu peguei ele.

— Nós poderíamos aproveitar se você não tivesse uma namoradinha.

O homem mal terminou de falar e Chaeyoung me puxou pelo braço. Um pouco do meu drink caiu no chão e sujou minha mão enquanto ela me puxava.

Namoradinha?

Quando estávamos em um lugar mais vazio, ela me fitou.

— De agora em diante, se quiser alguma bebida, me avise que eu vou pegar.

Eu não entendi o porquê disso. Sim, o barman estava dando em cima de mim. Mas por que essa atitude dela?

Não disse nada, apenas troquei o copo de mão e levei a mão suja de drink até a boca, encostando meus lábios após descer um pouco a máscara.

— Whoa, é bom!

Chaeyoung cruzou os braços conforme agora eu levava o copo até a boca e tomava algumas goladas.

Ela segurou meu punho com delicadeza dessa vez.

— Devagar, por favor. Você precisa comer algo também, não pode apenas beber.

Virei a cabeça um pouco.

— Você está preocupada comigo, Chaeyoungie?

Ela franziu o cenho.

— Não me chame assim.

— Se você pode me chamar de princesinha eu posso te chamar de Chaeyoungie. Oh, espera! Chaengie!

Ela levou uma mão ao rosto e respirou fundo. Eu bebi mais do drink.

— Eu falei para você ir devagar, pelo amor de Deus. Você não sabe beber.

Sim, isso era verdade. Eu só conhecia vinho e champanhe. E, ew? Vinho era bom apesar de amargo, mas campanhe tinha gosto de remédio.

O blue kamikaze tinha algo que ardia muito a garganta quando passava mas eu adorei o gostinho de limão que ficou na minha boca.

E ele era bonito! Era azul forte. O barman havia colocado algo com essa coloração que tinha escrito "stock" na garrafa, mas eu não sabia o que era.

— Eu sei beber sim.

Chaeyoung suspirou.

— Estou vendo.

Em direção a escada que dava para o segundo andar, passou um homem com uma bandeja. Chaeyoung segurou o braço dele.

Que mania é essa de segurar braços?

Bebi mais enquanto ela estava de costas.

Quando virou de novo, tinha uma porção de batatinhas fritas em sua mão.

— Ooh, mamãe chamava isso de comida de pobre. Eu via apenas na televisão.

— Sua mãe — disse Chaeyoung enquanto pegava uma e, ao invés de levar até a própria boca, ela levou até a minha — é estúpida.

Minha mente quase escapou para a última vez que bati de frente com a minha mãe, quando estava prestes a entrar no elevador para voltar do abrigo no último andar naquele dia antes de eu fugir.

Neguei com a cabeça e não me deixei pensar nisso, apenas abri a boca e deixei que ela me alimentasse.

— Hmm!

Eu vi um resquício de sorriso nos olhos de Chaeyoung que sumiu rapidamente.

— Bom, sim? Agora coma, princesinha. Não preciso se você passando mal por se atolar de álcool.

— É só um drink!

— Não importa se são um ou dez, de estômago vazio pode fazer mal. Se você quer beber, não vou te impedir, mas você terá que fazer isso conscientemente.

Peguei mais uma e comi, para depois beber o resto do drink.

— Não acredito que você ja acabou com o copo.

Dei um sorriso.

— Eu quero outro.

Chaeyoung suspirou.

— Suba as escadas e vá para perto da porta por onde você saiu. Vou pegar mais um e te encontrar lá.

Dei um sorriso para ela e sai com as batatas fritas na minha mão, comendo algumas enquanto subia.

Pela primeira vez na minha vida eu estava genuinamente feliz.

Feliz com o ambiente em que estava, com as coisas que comia e bebia, e com a minha companhia.

Sim, por alguma razão eu me sentia feliz com a companhia que tinha.

Com Chaeyoung. Chaengie.

Fiquei comendo as batatinhas até Chaeyoung voltar com outro Blue Kamikaze.

— Você já tomou um desses? — Perguntei enquanto ela me entregava.

— Já.

— Você gosta?

— Não, princesinha. Não faz muito o meu estilo de bebida.

Eu dei de ombros e bebi.

...

Eu não sei quantos drinks Chaeyoung tinha pego pra mim até aquele ponto, eu só sei que fazia cerca de meia hora que eu já não bebia nada mas estava um bocado fora de mim.

Eu estava com a máscara de volta no rosto e dancei um pouco ao som do DJ. Chaeyoung ficou perto apenas me observando.

Quando eu puxei ela pela mão para dançar comigo, seu corpo colou no meu e ela se afastou. Isso foi quando voltei para o andar debaixo.

Naquele ponto eu já estava em cima de novo. As moças bonitas não dançavam mais nas plataformas e com uma risada eu me aproximei daquele negócio.

— Princesinha...

Pulei em cima e me agarrei no cano.

— Desce daí.

Neguei com a cabeça

— Não.

— Eu to falando sério, porra.

— Eu também, porra! — Eu ri.

Chaeyoung cruzou os braços.

Segurei com uma mão no cano e enclinei meu corpo trás, até ver Chaeyoung. Eu ri de novo.

Porque estava com tanta vontade de rir?

Voltei a minha postura inicial e lembrei de como a moça fazia, mexendo o quadril ligeiramente de um lado para o outro até o chão. Olhei para Chaeyoung de rabo de olho e pisquei para ela.

Não reparei quando alguns homens começaram a chegar perto.

Chaeyoung se aproximou mais daquele mini palquinho.

— Desça, por favor.

Peguei uma nota de dinheiro que estava no chão e entreguei para Chaeyoung.

— Bota!

Virei de lado, indicando a barra da minha calça que dava para ser vista ainda pela manga da regata.

Ela pegou mas não botou.

— Desce.

— Eu desço se você botar.

Chaeyoung suspirou. Senti seus dedos gelados encostando na minha pele quente e colocando a nota na minha calça.

— Pronto, desça.

Eu ri e segurei a mão de Chaeyoung como a moça havia feito comigo. Beijei seus dedos e então a puxei para cima daquela estrutura.

Com o impulso minhas costas encostaram no cano e o corpo dela grudou no meu, mas ela se afastou rapidamente.

— Que merda...?

Chaeyoung fez menção em tornar a descer mas eu a segurei.

— O barman — falei e demorei um pouco para bolar o resto da frase — te chamou de minha namoradinha.

Chaeyoung travou conforme a gargalhada saia pela minha garganta.

— E porque você está falando isso agora?

Dei de ombros e ri de novo.

— É interessante.

— Por quê?

— Porque você é bonita. Mas me dá um pouquinho de medo. Mas continua sendo bonita.

Chaeyoung olhou para baixo e depois tornou a olhar nos meus olhos.

— Ok, já chega. Você bebeu demais.

Ela segurou na minha cintura e me puxou para fora dali. Quando estava no chão, fiz um bico mesmo sabendo que ela não poderia ver pela máscara.

— Eu quero mais batatinhas.

— Não, você quer ir para a cama.

— Você vai pra cama comigo?

Chaeyoung parou de andar na hora e arregalou levemente os olhos ao se virar para mim.

— O-o que? Que diabos?

Virei um pouco a cabeça de lado.

— Só tem uma cama de casal, não é? Você disse.

Seus olhos perderam a tensão que antes estava explícita.

— Pelo amor de Deus. Fique quieta, quietinha. É bem mais legal quando você não fala nada.

— Você... Você não gosta da minha voz? — Senti meus olhos se encherem de lágrimas.

Chaeyoung suspirou muito alto.

— Pelo amor de Deus... Não foi isso que eu disse.

— Você disse que é mais legal quando não escuta minha voz — minha voz saiu embargada e eu levei a mão até a minha boca por cima da máscara, percebendo que eu falei e que ela não queria que eu falasse porque ela não queria ouvir minha voz.

— Mina...

— Meu nome! Você não me chamou de princesinha, Chaengie!

Eu gargalhei.

Então ela apenas ficou quieta e pegou na minha mão, abrindo aquela porta pela qual antes eu saí e entrando, me levando junto.

...

Abri meus olhos mas logo fechei de volta pois eles doíam pela claridade. Estraguei eles e me sentei, sentindo algo macio em baixo de mim. Minha cabeça doía.

Quando abri meus olhos, vi que estava naquela calma que Sana designou para mim e para Chaeyoung.

Chaeyoung.

Virei o rosto e vi Chaeyoung dormindo na cama ao meu lado, da sua cintura para baixo uma grossa coberta branca a cobria, a mesma que estava sobre as minhas pernas. Seu cabelo estava um pouco sob seu rosto e em um impulso eu levei a mão para tirar, mas recuei quando percebi o que estava fazendo.

Com toda aquela dor de cabeça, eu só sabia de duas coisas:

A primeira é que eu não lembrava quase nada da noite passada.

E a segunda é que, meu Deus, Chaeyoung era extremamente linda.


Notas Finais


twitter da escritora: hiraivodka


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...