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História Shut Up and Love Me - Klaroline - Capítulo 27


Escrita por:


Notas do Autor


Oi oi genteeeee <3 Tudo bem com vocês??? Espero que sim!!

Antes de tudo, eu acho que devo começar falando que me expressei mal nas notas finais do capítulo passado kkkk quando eu disse que teríamos um pulo no tempo de 1 mês, não necessariamente eu quis dizer que a Caroline ficaria fora só por esse tempo e aí voltaria para Mystic Falls. Arrisco a dizer que a Caroline vai ficar MESES fora!! (estou ouvindo o coração de vocês quebrar daqui kkkkk)

Bora ler??

Tradução do título: "Recomeço"

~ re·co·me·ço: substantivo masculino. Novo começo; ação de começar novamente, reinício; ação de iniciar, de dar início mais uma vez.

Capítulo 27 - Resumption


Fanfic / Fanfiction Shut Up and Love Me - Klaroline - Capítulo 27 - Resumption


"[...] Começou educado, andando em gelo fino
E mesmo assim você veio quebrá-lo
Eu te disse uma frase e você era meu
Sim, eu estava com medo, mas você tornou isso seguro
Eu acho que é a nossa combinação
Você disse que se sente perdido, bem, eu também me sinto

Então você não irá me ligar pela manhã?
Eu acho que você deveria me ligar de manhã
Se você sente o mesmo, porque

Querido, somos só eu e você
Querido, somos só eu e você
Só nós dois
Mesmo em uma sala lotada
Querido, somos só eu e você, yeah [...]"


Crowded Room — Selena Gomez feat. 6LACK

1 MÊS DEPOIS

OUTUBRO DE 2018

Niklaus Mikaelson POV

Hoje faz um mês que Caroline partiu.

Os primeiros dias foram terríveis. Eu mal consegui sair do quarto para comer ou fazer qualquer outra coisa. O pensamento de que Caroline tinha me deixado – e ainda mais grávida da nossa filha – me assombrou vinte e quatro horas por dia.

É... Eu estive um caco.

Cerca de uma semana depois, Rebekah e Freya invadiram meu quarto, obrigando-me a sair e a começar a viver a minha vida, afinal eu “ainda tinha uma criança para criar”, como elas mesmas disseram.

Na segunda semana, eu fiz exatamente tudo o que Caroline pediu que eu não fizesse: coloquei diversas pessoas atrás dela em todos os aeroportos e estradas da Virginia. Minha família é influente e tem muitos contatos, então isso não foi uma tarefa difícil.

O grande problema foi que não havia registro do nome Caroline Forbes nos aeroportos da Virginia. Nenhuma passageira chamada com esse nome comprou uma passagem em nenhum dos aeroportos da Virginia.

Meu segundo passo foi colocar contatos para rastrear a lista de passageiros de todos os voos que saíram dos Estados Unidos no dia em que Caroline foi embora.

E não consegui nada.

Foi nesse dia que eu desabei, me sentindo completamente destruído e impotente. Sem saber o que fazer em seguida, acabei ligando para o celular de Caroline, mas apenas para confirmar o que eu já suspeitava: direto na caixa postal. 

E, no fim, depois de tudo isso, tudo o que me restou foi aceitar.

Aceitar que talvez haja a possibilidade de ela nunca mais voltar para mim.  

— Terra chamando Niklaus?

Ouço a voz de Damon e fecho os olhos, tentando ignorar a vontade que eu estava sentindo de manda-lo ir se foder. É, eu sei que ele não fez nada de errado – pois está apenas me chamando – mas eu estou aqui sentado na porra do sofá da minha sala pensando em como toda a minha vida ficou fodida nas últimas semanas.

E toda vez que eu penso nisso não consigo deixar de me sentir irritado.

— O quê? — olho para Damon, respondendo-o.

Ele e Stefan estão sentados no outro sofá. Estamos os três aqui porque Damon inventou de assistir uma partida de basquete. Mas eu não idiota, tenho certeza que ele fez isso apenas para tentar me distrair. Sei disso porque todo mundo que conhece Damon sabe que ele odeia jogos de basquete.

— Você está com um olhar perdido — Damon olha diretamente para mim — Vamos lá, preste atenção no jogo, Klaus.

— Sinto muito se não estou prestando atenção no jogo, mas é que a minha vida está tão fodida que eu sequer tenho vontade de assistir a porra de uma partida de basquete! Será que vocês não conseguem entender isso?!

Tenho certeza que soei mais irritado do que pretendia.

Mas foda-se.

— Nós só estamos tentando te ajudar — Stefan responde pelo irmão.

Me preparo para responder um “mas não estão me ajudando” quando, de repente, uma ideia aparece em minha cabeça. Sem pensar duas vezes, eu olho para os meus dois melhores amigos e me ajeito na cadeira quando digo:

— Sabe como vocês podem me ajudar?

— Como? — Damon se inclina para frente, parecendo interessado.

— Me deixem ficar na casa de vocês.

— Na mansão Salvatore? — Stefan arqueia uma sobrancelha.

— Sim. Quero morar lá por um tempo — reforço a minha ideia.

— Tem certeza? — Stefan questiona — Não acho que sua mãe ou suas irmãs vão gostar dessa ideia. E também não acho que seja bom você ficar sozinho nesse momento tão difícil da sua vida.

Reviro os olhos e bufo: — Pare de bancar o médico, Stefan! Eu estou bem e consigo ficar sozinho. Eu só... preciso de um tempo para mim. Preciso de um lugar silencioso, onde as pessoas não encham o meu saco me perguntando vinte e quatro horas por dia se estou bem. E além disso, estar aqui me traz muitas memórias... memórias que me machucam.

Sinto meus olhos se encherem de lágrimas ao dizer as últimas palavras, porém balanço a cabeça, tentando afastá-las. A última coisa que eu quero é estar chorando outra vez – algo que já fiz demais nessas últimas semanas.

— Bem, você tem as chaves — Damon responde olhando para mim — Pode ir quando quiser.

— Espere, não é bem assim — Stefan retruca e eu não consigo deixar de revirar os olhos.

É claro que ele iria me empatar.

— Pode ficar tranquilo, eu vou usar fones de ouvido quando você estiver lá fodendo a minha irmã — faço uma careta e dou um sorriso irônico.

Eu vejo nitidamente Stefan engolir em seco.

— Ah, qual é — Damon ri, dando um tapinha no irmão mais novo — Todo mundo sabe que você e a Rebekah vão lá para transar escondidos.

É nesse momento que eu sinto uma necessidade desesperada de mudar de assunto e pergunto: — Por onde andam Elena e Katherine? Faz tempo que não as vejo — Damon e Stefan se olham por alguns segundos e eu franzo o cenho — O que aconteceu?

— Bem — Damon balança a cabeça — Elas não se sentem muito... confortáveis em vir para cá, cara. Elas estão um tanto... chateadas.

Nem preciso perguntar o porquê, pois sei exatamente o motivo das irmãs Gilbert terem sumido. Elas são praticamente irmãs da Caroline, então é claro que estão putas comigo por causa da traição. Fora isso, eu sou o principal motivo da melhor amiga delas ter desaparecido, então é de se esperar que as duas, nesse momento, estejam me odiando.

— Eu não as culpo — eu dou um suspiro pesado — Porque eu também estou me odiando por causa do que aconteceu.

— Ah, Klaus, não...

— Olha só — imediatamente corto Damon, impedindo-o de falar — Vocês acham que isso é fácil para mim? Acham que estou lidando bem com o fato de que a Caroline se mandou e ainda por cima levou nossa filha junto? Acham quando meu celular toca eu não me encho de esperança, pensando que pode ser ela me ligando? Acham que não estou apavorado com o fato de que talvez ela nunca mais volte? Acham que eu estou ótimo em saber que botei várias pessoas para ir atrás de Caroline e mesmo assim não encontrei sequer um resquício dela em nenhum dos sete continentes?

Impedindo que eles respondessem e sem querer continuar esse assunto, me levanto e caminho até um dos móveis da sala, onde está a minha carteira e as chaves do meu carro.

— Preciso sair. Camille terá sua primeira consulta hoje e tenho que começar a fingir que pelo menos quero estar lá.

[...]

Poucos minutos depois eu estou parado do outro lado da rua da casa dos Forbes. Faz vinte minutos que estou dentro do meu carro sem conseguir deixar de pensar no quão fodida a minha vida está. Eu poderia muito bem ter saído do carro e ter tocado a campainha assim que cheguei, mas estou adiantado no horário. Havia marcado com Camille às três da tarde, porém cheguei aqui às duas e quarenta e cinco e desde então estou trancado dentro do carro.

Não sei o que é pior: estar aqui sozinho com meus próprios pensamentos, incapaz de controlar minha mente, ou ter que ouvir todos os conselhos de Damon e Stefan.

Acho que a segunda opção é a pior... deve ser por isso que quis me livrar deles e sair antes do horário planejado.

Eu sei que tenho que sair do carro, caminhar até aquela casa e tocar a campainha, mas simplesmente nenhuma parte de mim quer fazer isso. Primeiro porque ainda não sinto – infelizmente – nenhuma vontade de estar presente na vida dessa criança e segundo porque Elizabeth, a mãe de Caroline, é a última pessoa que quero ver agora. E tenho certeza que eu também sou a última pessoa que ela quer em sua casa.

O que aconteceu foi que na manhã seguinte após a partida de Caroline, fui até a casa dos Forbes e fui recebido por Liz aos prantos, me contando que a filha havia mandado uma carta, dizendo que tinha ido embora da cidade e que não pretendia voltar.

E só isso.

E então eu lembrei do que Caroline escreveu na carta endereçada a mim:

Está em suas mãos contar para os nossos pais sobre toda essa confusão”.

Bem, naquela altura meus pais já sabiam, então eu tinha um problema a menos. A questão era ter que contar para Bill e Elizabeth, os pais de Caroline.

Eu tive que fazer isso, pois ambos estavam sofrendo e se sentindo agoniados pelo desaparecimento da filha. Os dois estavam arrasados não saberem ao certo o que havia motivo o sumiço repentino da filha. Eu contei a eles e o que aconteceu... e o que houve depois foi algo que quero esquecer.

Elizabeth surtou e, obviamente, associou a partida de Caroline com a minha traição.

E ela não está errada, está?

Ela começou a gritar comigo, dizendo que eu era um traidor, que não merecia o amor de sua filha e que iria arder no fogo do inferno por ter sido o culpado por Caroline ir embora desse jeito. De repente, no segundo seguinte, ela quis me bater, mas foi impedida por Bill.

Eu suspiro e balanço a cabeça, tentando esquecer as memórias horríveis desse dia.

— Obrigado mesmo, Caroline, por ter deixado toda essa merda para trás para que eu resolvesse sozinho.

É com essa frase que saio do meu carro e caminho até a casa dos Forbes. Aperto a campainha e alguns segundos depois a porta se abre.

Em minha frente vejo a silhueta de Elizabeth.

Sem dizer nada – apenas me dando um olhar mortal – ela se vira para o lado, me dando passagem para entrar.

— Boa tarde — digo quando entro na casa.

Ela não me responde e eu ouço a porta se fechar com força. Elizabeth passa por mim – por sorte não esbarrando propositalmente em meu ombro – e eu a vejo subir as escadas com os passos pesados, como se ela estivesse tentando me mostrar que ainda estava irada comigo.

É exatamente o tipo de coisa que Caroline faz quando está brava.

Quero sorrir com esse pensamento de “tal mãe, tal filha”, mas não consigo, porque toda vez que me lembro de Caroline, felicidade é a única coisa que eu não sinto. Eu sinto raiva, dor, tristeza, arrependimento, indignação...

E estes são sentimentos que jamais pensei que Caroline me faria sentir.

Percorro os olhos pelo local e vejo que Bill sentado no sofá. Ele está de pernas cruzadas enquanto lê um jornal. Quando se dá conta da minha presença ali, ele tira o jornal da altura dos olhos e seus lábios ficam em linha reta.

— Boa tarde, Bill — aceno com a cabeça e caminho em sua direção — Onde está Camille?

— Boa tarde, Niklaus — um pequeno sorriso brota em seu rosto — Ela está se arrumando, já deve estar descendo.

O ódio eu sinto de estar aqui é real, principalmente porque não sou mais bem-vindo, mas também porque ainda não criei empatia alguma por esse bebê de três meses que Camille está carregando em seu ventre. 

— Sente aqui — Bill dá dois tapas no sofá.

— Contanto que sua mulher não ameace me bater.

Ele dá uma risadinha e eu obedeço, me sentando ao seu lado.

Ao contrário do que imaginei, Bill até que está lidando bem com essa história.  Pensei que ele fosse a pessoa que iria querer quebrar a minha cara por isso, e não Elizabeth. Afinal, Caroline já passou pela mesma situação quando adolescente com um tal de Tyler e eu imagino que não deve ser legal para um pai ver o coração de sua filha ser partido por causa de uma traição.

Droga. Que porra de exemplo eu serei para a minha filha?

Isso se eu chegar a conhecê-la, não é mesmo?

— Pensei que estivesse tão puto quanto Elizabeth — eu falo, tentando ignorar meus pensamentos.

A última coisa que quero é pensar que talvez Caroline nunca mais volte.

— Bem, eu estou, Niklaus. Não tão bravo quanto da última vez, mas estou.

É óbvio que ele está falando desse incidente com o tal de Tyler. E o fato de ele estar menos bravo comigo tem nome e sobrenome: família Mikaelson. Bem no fundo, sei que ele estava adorando o fato de que uma das filhas estava se relacionando com um homem que tem o meu sobrenome.

— Ah, eu te entendo, Niklaus — ele começa, dando um longo suspiro — Juro que entendo. Por isso não te julgo. Eu sei, às vezes, a tensão sexual pode estar diminuída e você pode acabar desejando buscar coisas... novas.

— Onde quer chegar com isso, Bill?

— Só quero dizer que não tem problema algum isso ter acontecido. Quero dizer... você partiu o coração da minha filha, mas... por outro lado, eu te entendo. Você não foi o único que passou por isso.

Senti meu queixo cair.

Não... ele está realmente querendo me contar o que eu estou pensando?

— O que você está tentando me dizer? — eu tento perguntar com a voz calma.  

— Se te serve de consolo, pouco tempo depois que a Caroline nasceu, eu acabei tendo um caso fora do meu casamento com Elizabeth. Foram só algumas noites, mas foram o suficiente para Liz descobrir. Ela me perdoou e nós voltamos a viver nossa vida juntos como se nada tivesse acontecido. Nove meses depois, trazendo um bebê, uma assistente social bateu em nossa porta, alegando que a mãe da criança havia morrido há alguns dias e que eu era o pai. Ela disse que a suposta mãe estava morrendo de câncer e que antes de falecer deixou uma carta, dizendo que quando chegasse sua hora, queria que a filha fosse para os braços do pai. Fiz um teste de DNA e fui comprovado como pai. Elizabeth não teve escolha a não ser criar a criança como se fosse dela.  E hoje... o nome dessa criança é Camille.

Caralho.

Caralho.

Camille não é filha da Elizabeth.

Ela é meia-irmã da Caroline.

Caroline sempre me contou o quanto Elizabeth sempre tratou Camille de um jeito diferente quando ambas eram crianças. E pelo o que eu sei, até hoje Camille ainda sofre com injustiças e alguns comentários negativos vindos da própria mãe.

E agora eu sei o porquê.  

Elizabeth não é a mãe biológica de Camille.

— A Caroline sabe disso? — questiono, sem esconder a expressão de horror em meu rosto — Camille sabe?

— Nenhuma das duas sabe, pois Liz e eu achamos melhor poupá-las disso. Então, é por isso que te peço para não contar para ninguém, Niklaus. Eu só... estou tentando fazer você se sentir melhor, em meio à toda essa bagunça.

Claro. E isso também explica o porquê Elizabeth quase quis me matar quando soube da minha traição, até porque é óbvio que nenhuma mãe quer que a filha sinta as mesmas dores que ela.

Elizabeth foi traída e não queria que Caroline passasse pela mesma coisa.

Suspiro pesadamente e me encosto no sofá, enquanto tento processar essa informação e em como ela pode mudar a vida de todos ao meu redor. Imediatamente penso em Caroline e sinto vontade de chorar.

Percebi que estou com saudades. Por mais que esteja puto da vida e decepcionado com ela, eu ainda a amo. Amo pra caralho e estou morrendo de saudades.

No passado, pensei que admitir meus sentimentos por Caroline me tornaria um homem vulnerável e exposto.  Porém, agora tudo o que eu desejo é poder voltar no tempo e dizer a mim mesmo que amar Caroline Forbes não é um fardo.

O jeito como essa mulher faz eu me sentir é complexo. Ela me entende, me controla, me influencia, me reprime e me arrebata. Tudo isso ao mesmo tempo. E demorou muito para que eu percebesse que é assim que quero me sentir para sempre.

É por esse motivo que dói tanto pensar nela, em sua partida e em como quebrei seu frágil coração.

E o que deixa devastado é que ela não precisava dar a porra o troco em mim. Mas ela foi em frente e sem pensar duas vezes partiu o meu coração logo em seguida, me deixando sozinho e com o terrível pensamento de que talvez eu nunca conheça a nossa filha.

É quando penso nisso que minha decepção se converte em raiva.

Raiva por ela ter me deixado e levado a nossa filha junto sem mais nem menos, como se ela fosse apenas um brinquedo.

Mesmo assim, não consigo evitar de desejar que Caroline estivesse em Mystic Falls, assim eu poderia lhe contar o que havia acabado de descobrir. Sim, eu contaria, afinal entre nós nunca mais houveram segredos.

Mas ela não está mais aqui.

De qualquer maneira, mais cedo ou mais tarde, Caroline vai descobrir. Ela precisa saber a verdade.

E eu com certeza não serei a pessoa a guardar isso dela.

E o Bill?

Ele que se foda.

[***]

Camille Forbes POV

30 de Outubro de 2018

Ah, a vida é muito boa!

Eu finalmente consegui finalizar o meu plano e agora tudo está como eu sempre quis. Na verdade, tudo está ainda melhor: sem aviso qualquer, Caroline se mandou da cidade, deixando tudo e todos para trás. E ninguém sabe onde ela está.

Confesso que não pensei que ela fosse embora, o que significa que o plano acabou saindo melhor do que eu esperava. Com Caroline fora da jogada, eu sinto que finalmente posso tentar ganhar a atenção que mereço dos meus pais – principalmente de minha mãe.

É claro que mamãe ainda está brava comigo por eu ter supostamente me envolvido com Niklaus, o namorado de Caroline. Porém, tenho certeza de que quando ela segurar a neta nos braços, ela vai amá-la... e sei que vai começar a me amar também.

Obrigada por ter fugido, irmãzinha. Serei eternamente grata por você praticamente ter me dado a sua vida.”

Fecho o meu diário e o coloco em seu esconderijo secreto, que fica atrás do espelho do banheiro. Pode parecer um local bizarro para se esconder um diário, porém nele está escrito tudo o que ando fazendo nos últimos meses e, caso alguém o encontre, eu estarei ferrada. Por esse motivo é necessário escondê-lo muito bem.

Saio da banheiro e caminho de volta para o quarto, parando em frente ao meu espelho. Eu me viro de lado e acaricio minha barriga. Se não me engano, a criança está com três meses e isso já está até um pouco visível.

— Vou ficar gorda e horrível — eu reclamo, fazendo uma careta — Mas espero que essa porcaria valha a pena.

Dou um pequeno suspiro e pego a minha bolsa, saindo do meu quarto. Assim que fecho a porta, encontro minha parada no corredor. Quando seus olhos pousam sobre mim, ela cruza os braços sobre o peito e arqueia uma sobrancelha.

— Niklaus já está aqui — é tudo o que ela me diz.

— Ótimo.

Eu me preparo para caminhas até as escadas, mas a voz dela me impede.

— Você não se sente nem um pouco culpada, Camille? Porque eu ainda não consigo acreditar que você teve a audácia e a coragem de se envolver com o namorado de Caroline — minha mãe balança a cabeça negativamente ao final da frase.

— Nós dois estávamos bêbados. Aconteceu — eu dou de ombros.

 — Você realmente não se sente culpada — ela afirma e me analisa de cima a baixo — Nossa... Nem sei porque não estou surpresa, afinal você nunca teve um pingo de decência, não é mesmo?

Sem me dar a chance de responder, ela se afasta e caminha de volta para seu quarto, batendo a porta. Eu suspiro, tentando ignorar e esquecer suas palavras malvadas – algo que faço diariamente há vinte e dois anos.

Mas isso acabará e em breve minha mãe terá apenas olhos para mim.

Tenho certeza.

Desço as escadas e no andar de baixo encontro Klaus e meu pai sentados no sofá. Quando ambos notam minha presença ali, meu pai se levanta e dá dois tapinhas no ombro de Klaus. Ele passa por mim e me lança um pequeno sorriso, enquanto segue seu caminho até a escada, deixando eu e o Mikaelson sozinhos na sala.

— Fico feliz que tenha vindo — me aproximo do lindo britânico de olhos azuis — Confesso que ainda tinha minhas dúvidas.

Hoje será o primeiro exame do bebê e não estou particularmente animada com isso. Meu estômago se embrulha só de lembrar que vou virar uma vaca gorda e que ainda tenho milhares de exames pela frente.

Porém, a gravidez foi uma consequência do plano e, infelizmente, agora tenho que arcar com ela.

Acho que a única coisa boa dessa história é que vou ter a chance de passar um tempinho a mais com Niklaus. E agora com Caroline fora da jogada de uma vez por todas, convenhamos que não será uma má ideia me aproximar e tentar conquistar o coração do britânico, não é mesmo?

— É o meu dever — ele responde com indiferença e se levanta do sofá.

— Gostaria que você me acompanhasse em todas as consultas e exames que farei, Niklaus.

— Sim, senhora — não consigo deixar de notar o cinismo na voz dele.

— Estou falando sério.

— É, eu também estou, Camille.

Sem paciência, eu coloco as mãos na cintura e pergunto com a voz alta: — Qual o seu problema, hein?!

Klaus está caminhando até a porta, porém ao ouvir minhas palavras, ele para abruptamente e se vira de costas, ficando frente a frente comigo.  

— Qual é o meu problema, Camille?! — ele dá mais um passo em minha direção — Você destrói a porra da minha vida e ainda pergunta se sou eu que tenho algum problema?

— Você não me conhece, Niklaus — respondo com um sorriso cínico no rosto.

— Mas sei de todo o estrago que quer deixar por aqui, assim como um tornado. Você já fodeu com todo o mínimo de dignidade ainda que me restava, fez a Caroline ir embora e destruí meu relacionamento com ela. Então logo te aviso: se você ousar tentar acabar comigo mais uma vez ou com qualquer pessoa que eu ame, pode ter certeza que os seus dias já estarão definitivamente contados!

Ele olha para mim com uma expressão de fúria. Mas eu o conheço e já vi homens como ele antes. Niklaus Mikaelson está tentando botar medo em mim, o que, infelizmente, não vai funcionar, porque eu não tenho medo algum dele ou da maldita família Mikaelson.

— Pode me ameaçar o quanto quiser. Seu sobrenome não me dá medo, querido.

Por sorte, percebo que ele não quer continuar essa conversa, pois no segundo seguinte Klaus está novamente de costas e caminhando até a porta. Eu o sigo e juntos nós andamos até o carro dele, que está estacionado do outro lado da rua.

Ah, Niklaus Mikaelson... eu ainda vou tentar fazer você gostar de mim.

[***]

Autora POV

— Eu não entendo. Por que vocês duas não moram juntas?

Elena solta um riso divertido e pega o saco de pipoca das mãos de Katherine, colocando algumas em sua boca. Quando termina de mastigar, olha para Rebekah e responde: — Porque eu estou ficando na casa da Jenna e do Alaric. E aqui onde estamos é a casa de Katherine.

— Ainda não estou entendendo — Rebekah franze o cenho e em seguida se ajeita no sofá.

— Quando Elena se mudou para Nova York, eu não quis ficar sozinha com Jenna e Alaric. Ainda mais empatando a foda deles — Katherine começa a explicar — Além disso, eu já estava querendo ter minha própria independência, então comprei essa casa — a Gilbert olha ao redor, sentindo seu coração se aquecer com o pensamento de que tinha um cantinho para chamar de seu.

— E Jenna e Alaric são o que mesmo? — a Mikaelson faz uma careta, torcendo para que Elena e Katherine não tirassem com a sua cara por estar fazendo tantas perguntas.

Não conhecia as irmãs Gilbert há muito tempo, mas já tinha um carinho enorme por elas. Rebekah já considerava ambas suas melhores amigas. Porém, para esse cargo ser preenchido completamente e com dignidade, sentia que precisava saber mais sobre a vida das duas.

— Jenna é a nossa tia e Alaric é o marido dela — Elena explica — Eles ficaram responsáveis por cuidar de nós duas quando nossos pais morreram.

— Tudo bem, agora chega de conversa — Katherine pega o controle da televisão e se prepara para aumentar o volume — Vamos começar a assistir ao filme.

Porém, antes de dar play, Elena solta um suspiro pesado, atraindo a atenção de Rebekah e Katherine para si. Sabendo que havia algo de errado, a Mikaelson pousa uma de suas mãos no braço da amiga.

— Tudo bem? — a loira pergunta.

— Mais ou menos. Ver nós juntas assistindo filmes me lembra da Caroline — Elena suspira, tentando afastar as lágrimas que insistiam em se formar — Eu estou com muita saudade dela e dói muito não saber onde e nem como ela está. Não sei se estou mais puta com ela por ter ido embora ou mais puta com o Klaus, que é a verdadeira razão dela ter feito isso — a Gilbert imediatamente olha para Rebekah — Eu sei que ele é seu irmão, Bekah, mas nesse momento eu não consigo deixar de odiá-lo.

Rebekah solta um longo suspiro, apoiando o queixo na palma das mãos e os cotovelos nas coxas.

— Eu sei, Elena. Também estou bem chateada com Nik por tudo o que aconteceu, mas ele ainda é meu irmão.

— Caroline foi embora porque quis, Elena — Katherine começa a falar, tentando não soar tão dura — E sim, nós estamos odiando seu irmão, Bekah. Mas também estamos odiando a Caroline por ter ido embora assim. Porém, temos que lembrar que existe mais um culpado nisso tudo. Não podemos nos esquecer que Camille também fez parte de toda essa história.

— Essa víbora — Rebekah tenciona a mandíbula ao falar — Não consigo olhar na cara dela sem ter vontade de voar em seu pescoço. Ela fodeu com a vida de todos e ainda está achando isso bonito.

— Essa é Camille — Elena suspira — Ela é assim desde que me entendo por gente.

Antes que Katherine ou Rebekah pudessem responder, a porta da frente é aberta e as três se viram para o lado, vendo uma silhueta familiar aparecer ali. Um sorriso brota nos lábios de Katherine e ela se levanta, caminhando na direção da porta.

— Ei... o que está fazendo aqui, baby?

Elijah sorri como resposta e se aproxima da morena.

— Vim checar como você está — ele olha para a sala, percebendo que a namorada não está sozinha — Não sabia que você tinha companhia.

Katherine solta um riso, enquanto Elijah caminha até a sala, cumprimentando Rebekah e Elena com um beijo na bochecha. No segundo seguinte, ele se senta no sofá e Katherine se acomoda ao lado dele.

— Tarde das garotas? — ele pergunta com um sorriso divertido.

— É, estamos tentando matar o tempo — Elena responde.

O Mikaelson se remexe no sofá e olha para Rebekah, como se quisesse confirmar alguma coisa com ela. Quando a loira assente com a cabeça, ele limpa a garganta e alterna seu olhar entre Katherine e Elena.

— Niklaus está indo com Camille na primeira consulta do bebê — ele começa — Sei que vocês duas estão bem irritadas com ele, mas... supus que iriam gostar de saber disso. Ele está tentando cumprir seu papel, apesar de tudo.

— Que bom para ele — Katherine dá de ombros.

— E como ele está? — Elena pergunta.

— Parece que a tristeza está dando lugar para a raiva — Elijah suspira, se lembrando de como haviam sido as últimas semanas de seu irmão — Acho que a ficha dele está começando a cair e ele está percebendo que o que a Caroline fez foi errado e egoísta — Imediatamente Katherine o encara com uma expressão de indignação — Não que o que ele fez também não tenha sido errado — o moreno complementa a frase após o olhar mortal da namorada.

— É, nesse ponto eu concordo com o Klaus. Caroline não podia ter ido embora, ainda mais grávida da filha deles — Elena pontua — Eu estou a odiando tanto por isso. Se eu estou assim, não consigo imaginar como Klaus está.

— Ele não irá perdoá-la tão fácil por isso. E eu também não — Rebekah balança a cabeça, sem deixar de esconder a preocupação em seu rosto — Nik não é do tipo de homem que esquece das coisas tão cedo.

— Eu estou odiando os dois! — Katherine esbraveja — Odeio a Caroline por ter fugido como uma gazela e odeio o Klaus por não ter conseguido manter a porra do pau dentro das calças!

— Vocês... realmente acham que ele fez isso? — Rebekah alterna seu olhar entre cada um deles.

— Infelizmente, até onde eu sei, o teste de DNA não mente — Elijah se encosta no estofado e solta um suspiro — Até que se prove o contrário, Niklaus é o pai da criança.

— É... vou ter que concordar com o Elijah — Katherine se aconchega nos braços do Mikaelson — Todos os fatos apontam para isso... acho que não temos muito o que contestar, não é mesmo? O que nos resta é torcer para que o juízo bata na cabeça da Caroline para avisá-la de que o que ela fez foi ridículo.

Imediatamente Elena sente uma sensação estranha e se remexe no sofá.

Algo estava lhe dizendo que, infelizmente, o juízo demoraria muito para bater na cabeça de Caroline... o que significava que a Forbes ainda estaria longe de voltar para Mystic Falls tão cedo.

[***]

Caroline Forbes POV

Antes de deixar Mystic Falls a primeira coisa que fiz foi ligar para Chase Sutherland, um antigo colega de escola. Não éramos próximos, mas de vez em quando conversávamos. No Ensino Médio descobri que além de fazer identidades falsas para que os jovens pudessem comprar bebida alcóolica, ele também era um hacker de primeira.

Foi por isso que precisei da ajuda dele para sair de Mystic Falls. Eu precisava de uma nova identidade, um passaporte novo e cartões de créditos falsos para que pudesse fugir dos Estados Unidos.

Fiz tudo isso porque sabia que Klaus moveria mundos para me encontrar, então era óbvio que eu não podia embarcar em um avião com o meu nome. Conheço Klaus e sei que ele me acharia em qualquer um dos sete continentes.

Foi assim que consegui sair de Mystic Falls, ou melhor, dos Estados Unidos, sem ser vista. No mesmo dia em que pedi sua ajuda, me encontrei com Chase em Mystic Falls e ele me deu minha identidade falsa, meu passaporte e os cartões de crédito, além de uma peruca ruiva muito bonita.

Agora eu não sou mais Caroline Forbes.

Eu sou Dominique Landry.

Foi com esse novo nome que aterrissei em Zagrebe, capital da Croácia.

Posso ter exagerado fazendo tudo isso? Sim, posso, mas não tenho vergonha em admitir isso. Porém, eu ainda estou machucada e completamente destruída pelo o que aconteceu. Sequer sei se algum dia vou conseguir voltar e olhar nos olhos do bebê de Camille sem sentir ódio ou repulsa por ele.

E a última coisa que quero é me tornar a minha mãe e ser rude com uma criança que não tem culpa de nada.

Assim que cheguei me instalei em um hotel, porém na semana seguinte acabei encontrando um apartamento mobiliado para alugar no centro da cidade.

É onde estou morando desde então.

Tem sido libertador e revigorante estar sozinha em um lugar novo e repleto de uma cultura que não conheço. Passo a maior parte do tempo fazendo passeios turísticos e aproveitando a companhia de mim mesma e da minha filha, que ainda permanece quieta e saudável em meu ventre.

Porém, nem tudo estava sendo um mar de rosas. Quando a noite chega, trazendo as estrelas e a Lua, ela também traz o sentimento de indecisão. E quando estou sozinha em minha cama, é inevitável me lembrar de Niklaus.

E eu desabo a chorar.

Por mais que eu esteja brava e arrasada, eu ainda amo esse filho da puta. Eu o amo demais e não consigo deixar de me questionar se a decisão que tomei não foi um erro.

Mas, por outro lado, eu quero recomeçar. Preciso fazer isso. Quero me esquecer de tudo e tentar viver uma nova vida, porque eu simplesmente sei que não vou aguentar estar ao lado de uma criança que é fruto de uma traição. Uma criança que é filha de Niklaus, o amor da minha vida, com a minha irmã, que é a pessoa que mais me odeia no mundo.

E eu não quero me tornar a minha mãe. Simplesmente não quero.

Sendo assim, a opção mais saudável é ficar aqui, mesmo que, ás vezes, isso me machuque.

Eu balanço a cabeça, tentando deixar esse pensamento de lado, e levo o meu copo de suco de laranja até os lábios. Imediatamente percebo algumas pessoas me olhando como se eu fosse um alienígena e sorrio de um jeito cínico para elas.

É. Eu sou a porra de uma mulher grávida de sete meses que está sentada no sofá de um um pub assistindo a um jogo de Rugby. A vontade que sinto é de gritar com essas pessoas e deixar claro que, em primeiro lugar, grávidas podem frequentar pubs e que, em segundo, não necessariamente todos que entram em um pub têm que beber algum drinque alcoólico.

Com meus hormônios à flor da pele, tento me acalmar e dou mais um gole em meu suco, esvaziando o copo. Chamo um garçom que está passando por perto e peço mais um copo do mesmo sabor. Cinco minutos depois ele traz a minha bebida e um sorriso brota em meus lábios.

— Hvala vam — eu digo para ele.

Ele dá uma risadinha e balança a cabeça, se afastando de mim.

É, provavelmente mandei bem mal no meu sotaque croata. Eu já estou até que aprendendo algumas palavras – afinal, já estou aqui há um mês – mas ainda não consegui entender uma frase completa. Croata é uma língua difícil e complicada, com a qual eu não tenho nenhuma familiaridade. A minha sorte é que a maioria das pessoas aqui fala inglês, o que torna a minha vida bem mais fácil.

Volto a prestar atenção no jogo de Rugby passando na televisão, quando percebo alguém se sentar ao meu lado no sofá.

Ótimo. Acabou meu sossego. Ainda bem que o sofá é de três lugares, então há um pequeno espaço entre mim e a pessoa que está querendo invadir meu espaço.

Curiosa como sou, viro a cabeça lentamente para o lado, a fim de ver a aparência do ser humano invasor.  

E me arrependo imediatamente de ter feito isso.

É um homem de olhos castanhos, cabelos pretos e barba por fazer. Apesar de estar sentado, aparentemente ele parece ser alto. Além disso, ele tem os ombros e peitos largos. Tudo nele é de tirar o fôlego.

Percebendo que eu estou checando-o, o homem me dá um sorriso encantador.

Maravilha. A última coisa que eu preciso é de alguém dando em cima de mim. 

Me preparo para voltar a prestar atenção no jogo, quando vejo seus lábios se movimentarem:

— Zdravo. Kako si?

Tento dar o meu melhor sorriso. Realmente não estou afim de papo.

— Desculpe, mas eu não falo croata — eu respondo, sabendo que ele havia me dado um olá e me perguntado como eu estava.

Como eu disse, estou aprendendo algumas palavras da língua nativa, então consegui entender o que ele tinha falado para mim. Espero que ele não fale inglês e que vaze logo daqui.

— Ótimo, também não sou expert em croata — ele ri ao responder e meus olhos se arregalam ao ouvi-lo falar minha língua. 

E pior: com um sotaque que conheço muito bem.

Ele é britânico.

Porra!

Será que nem em um país diferente eu tenho paz? Pelo amor de Deus! Será que em mim existe algum tipo de campo magnético que só atrai homens da Inglaterra?

Merda. Mil vezes merda.

— Você está bem? Parece que está encrencada. 

— Eu estou ótima — faço uma careta cínica para ele.

— Uma mulher grávida, estrangeira, usando uma peruca ruiva e se escondendo em um pub em Zagrebe não é sinônimo de “ótimo” para mim.

Não... não pode ser.

Imediatamente o pensamento de que esse homem pode ser algum conhecido que a família Mikaelson contratou para tentar me achar passa pela minha cabeça e então, sem pensar duas vezes, eu me preparo para me levantar e correr para fora dali, porém o homem misterioso me segura pelos braços.

— Se acalme... não vou te machucar. Eu prometo.

Eu olho bem no fundo de seus olhos e vejo...

Sinceridade. Ele está praticamente implorando para que eu fique.

Mesmo com todos os meus instintos e pensamentos racionais me dizendo para eu ir embora desse pub, eu dou um longo suspiro. Sou a porra de uma coração mole e acredito em todas as palavras que saíram da boca desse homem.

Ultimamente eu ando desconfiada de tudo e de todos, quase como se houvesse uma camada de gelo envolvendo meu corpo, impedindo que alguém entrasse. Porém, de algum modo, esse homem – que eu sequer conheço – conseguiu quebrar essa camada.

Não sei porquê, mas algo me diz que posso confiar nele.

Olhando bem nos olhos dele, eu me sento novamente no sofá e encaro o homem misterioso. 

— Ótimo... — ele diz com cautela, mostrando as duas palmas das mãos, e então se aproxima de mim, sentando-se um pouco mais perto de mim — Fico feliz que tenha decidido ficar, gorgeous — um sorriso acolhedor brota em seus lábios.

Ah, merda. Ele está me dando um apelido.

É inevitável não pensar em Niklaus nesse momento. Sinto saudades de tudo dele. De seu cheiro, sua barba, seu sorriso, sua risada... e ainda mais do jeito como ele faz com que eu me sinta especial no mundo, como se eu fosse a única mulher pela qual ele tinha olhos. Esse homem faz eu me sentir como se estivesse vivendo um amor adolescente.

Sinto minha bebê se mexer e minhas mãos vão até minha barriga. Não consigo deixar de me perguntar se, de algum modo, ela sabe que estou pensando no pai dela.

Meus olhos ameaçam se encher de lágrimas e sinto vontade de chorar, mas eu rapidamente afasto essa sensação.

Não posso ficar pensando em Niklaus.

É hora de recomeçar.

Porém, ainda assim, ao olhar os olhos desse homem e ao ouvir sua voz, não consigo afastar Niklaus de minha mente.

— O que foi? — ele me pergunta, me encarando com uma expressão curiosa.

— Nada, é que... você me lembra alguém que eu conheço — eu sorrio e coloco uma mecha da minha peruca ruiva atrás da orelha.

Eu definitivamente preciso me livrar dessa merda. 

— Lorenzo St. John — ele estende a mão para mim — Mas gosto que me chamem apenas de Enzo.

Eu hesito alguns segundos antes de pegar a mão dele.

— Dominque Landry.

Quando nossas mãos se soltam uma risada brincalhona escapa dos lábios dele.  

— Eu até ia fingir que acreditei — Enzo dá de ombros — Mas nós dois sabemos que esse não é seu verdadeiro nome.

— Como você...

— Sei de tudo isso? — ele completa minha pergunta — Eu sou ótimo em ler as pessoas. É o meu trabalho. Sou investigador criminal — Enzo coloca as mãos na parte interna de sua jaqueta e me mostra seu distintivo — Então... qual o seu nome?

Uma sensação de medo percorre a minha espinha. Só Deus sabe quantas leis eu infringi para poder ir embora de Mystic Falls sem ser reconhecida ou encontrada.  

— Por que está falando comigo? — vou direto ao ponto, tentando evitar demonstrar meu medo.

Esse homem pode me prender. Puta que pariu.

— Porque você me intrigou — Enzo é rápido ao responder.

— Vai me prender ou algo do tipo? — cruzo os braços sobre o peito, encarando-o.

— A troco de quê, gorgeous? — ele dá de ombros — Então... qual o seu verdadeiro nome?

— Caroline. Caroline Forbes.

— Por que está aqui, Caroline? — Enzo me lança um olhar curioso — Tenho certeza que não é por nada que você mudou de nome e está usando peruca ruiva.

— Quer a versão resumida ou a longa?

— Eu tenho tempo — ele checa o relógio em seu pulso e me lança um olhar encantador.

— Fui trabalhar para um homem e me vi apaixonada por ele. Depois descobri que ele apostou uma noite de sexo comigo e aí pouco tempo depois também descobri que esse homem era um antigo coleguinha de infância que eu tinha. Nós nos resolvemos e começamos a namorar, e aí eu engravidei. E o que aconteceu foi que ele me traiu com a minha própria irmã e também a engravidou. E o resto é história. É isso. Você não vai querer saber dos detalhes sórdidos.

Dou um sorriso para ele. Eu estou sendo sincera. Eu mal o conheço, então não posso contar exatamente tudo, certo?

— E você? — atiro de volta — Por que está aqui? Sei que também não está aqui a passeio.

— Você é esperta, Caroline — Enzo sorri — Conheci uma mulher e acabei engravidando-a depois de alguns meses. Optamos por viver juntos e aí nos casamos. Foi assim que nós, eu, ela e a criança, vivemos por três anos. Uma noite ela e meu filho sofreram um acidente de carro e ele acabou precisando fazer um transplante de rim de emergência. Fiz o teste e eu era compatível, mas também descobri que nossos tipos sanguíneos não eram condizentes. Eu sou O negativo e meu filho era AB negativo. E isso é, biologicamente, impossível de acontecer.

— Oh, merda — eu levo uma das mãos até a boca — Ele não era seu filho?

— Não — Enzo suspira — Ela me enganou. Enfim... meu filho acabou morrendo na cirurgia. Sequer conseguiu pegar meu rim.

— Eu... sinto muito.

— Foi difícil, mas foi há muito tempo e o resto é história. É isso. Você não vai querer saber dos detalhes sórdidos. Me mudei para cá para... ter uma nova vida.

Ele usou minhas próprias palavras contra mim... e isso me fez dar um sorriso.

— Cheguei na cidade faz pouco tempo — Enzo suspira e olha para mim — Às vezes me sinto perdido.

— Bem, eu também — eu dou de ombros.

— O que você tem feito para passar o tempo? — ele me pergunta.

Enquanto conto para Enzo o que estive fazendo em Zagrebe nessas últimas semanas, eu percebo o quanto ele me entende e como nos damos bem. Nós temos sintonia e somos muito parecidos. Ao contrário do que pensei, temos muitas coisas em comum.

Durante todo esse tempo que estamos conversando nesse pub, para mim pareceu como se fossemos apenas nós dois ali, quase como se as outras pessoas ao nosso redor não existissem e estivéssemos sozinhos no pub.

Não consegui deixar de sorrir com esse pensamento, mas também senti meu coração palpitar de leve com essa sensação.

Puta merda. Eu já vi esse filme antes... e simplesmente não acabou bem. 

É... eu estou fodida.


Notas Finais


HELP HELP HELP HELP!!!!!!!!
A Camille NÃO É filha biológica da Liz. CHOCADAAAAAAAAAAAAA!!! Agora está explicado por que ela sempre tratou a Cami de um modo diferente da Caroline!!!!
E o Klaus ficando de queixo caído ao receber essa informação?????? Vocês viram, né? Ele está determinado a contar isso para a Caroline, afinal, como ele mesmo disse, nunca mais eles guardaram segredos um do outro. A pergunta é: QUANDO o Klaus vai contar para a Caroline????
Deu pra perceber que eles estão acabados e sentindo muito a falta um do outro, né??? :( Porém, ao mesmo tempo que a Care está lutando para recomeçar e esquecer tudo, a tristeza do Klaus está passando e a raiva está tomando lugar... :(
PARA TUDO!!!! Chegou mais um bebê britânico para foder a vida da nossa loirinha HAHAHAHAHAAHAH
Olha, eu não sei vocês, mas eu sempre curti muito o Enzo na série!! Queria muito que tivesse rolado uma amizade Carenzo :(
A minha parte favorita do capítulo foi a da Caroline!! Gostei bastante de escrever. Fora isso, a interação dela com o Enzo foi demais (na minha opinião, pelo menos). Deu pra sentir a tensão sexual entre eles daqui... ai, ai... isso não vai acabar bem kkkk (vou ser linchada por vocês hahahaha).
CAROLINE, TU EXAGEROU MUITO TROCANDO DE NOME E USANDO PERUCA. Eu nem vou comentar sobre isso, eu vou embora, antes que eu xingue essa mulher kkkkkkk

É, isso meus amoresssss!!! Espero que vocês estejam gostando!!!

E as perguntas que ficam: quando a Caroline volta???? Quando tempo ela vai ficar fora?? Será que a Cami vai conseguir fazer o Klaus gostar dela??? O Enzo vai ficar tão próximo assim da Caroline???????

Em breve essas perguntas serão respondidas!!

Muuuuito obrigada por estarem amando e por surtarem comigo hahahaha vocês deixam meu coração cheio de felicidade <3

Infelizmente tenho vários ciclos de palestras semana que vem, então o tempo estará apertado. Por isso conseguirei voltar apenas na sexta :( ME PERDOEEEEEEEEEEEEM.

É isso. Eu volto na sexta (nao me abandonemmmmmm)!!

Até lá!!!

B.


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